Ilustrada no Cinema

 

 

Filmoteca

Filmoteca - Lucia Murat

Filmoteca - Lucia Murat

 

A cineasta Lucia Murat marcou seu nome no cinema brasileiro a partir de 1989, quando seu primeiro longa, "Que Bom Te Ver Viva", foi o grande vencedor do Festival de Brasília. Ex-integrante do movimento estudantil e do grupo MR-8, ela recuperava naquele filme depoimentos de mulheres torturadas na ditadura militar. Desde então, Murat consolidou uma filmografia centrada em temas políticos e sociais do país, com "Doces Poderes" (1997), "Brava Gente Brasileira" (2000), "Quase Dois Irmãos" (2003) e "Olhar Estrangeiro" (2005). Seu mais recente filme é "Maré, Nossa História de Amor", que estreou no último Festival do Rio e que estará na programação da 31ª Mostra de SP. Uma releitura de "Romeu e Julieta" em um morro carioca, a nova obra deve chegar ao circuito comercial em maio de 2008 _alguns trechos já podem ser vistos no vídeo ao final deste post. A seguir, a cineasta gentilmente escolhe sua Filmoteca para o blog, com filmes que alteraram sua forma de ver o cinema.

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"A Regra do Jogo" (Jean Renoir, 1939, disponível em DVD)
Um dos clássicos de todos os clássicos. Me formou como pessoa e cineasta. Tudo o que você precisa saber sobre como tratar de relações sociais a partir de personagens. Ou de como criar personagens a partir das relações sociais, em encadeamento maravilhoso.


"West Side Story" (Robert Wise, 1961, foto, disponível em DVD) e "Hair" (Milos Forman, 1979, disponível em DVD)
Musicais que fizeram a história dos musicais. Especialmente o "West Side Story", que revi inúmeras vezes, decupando, antes de rodar meu último filme, "Maré, Nossa História de Amor". Em "West Side", redescobri os melhores bailarinos do mundo, observados por uma câmera que fazia parte do movimento. Em "Hair", que talvez esteja um pouco datado, encontrei a integração do movimento do cotidiano na dança.


"A Bela da Tarde" (Luis Buñuel, 1967)
Filme-chave da minha geração, então recém-liberada. Era tudo o que precisávamos para falar de repressão e sexualidade. Todas queríamos ser a Belle. Voltou à minha cabeça por causa do filme de Manoel de Oliveira ("Belle Toujours"), que ainda não vi.


"Oldboy" (Park Chan-wook, 2003, disponível em DVD)
Um dos filmes que mais me impactou nos últimos anos. Sua relação com a violência, a perversidade, a vingança, sentimentos humanos tratados visceralmente, sem concessões. Tudo isso numa história que está longe de ser realista, que não tem medo do exacerbado. Ela poderia ser, mas não é, e você sabe que não é. Mesmo assim, você não consegue se afastar. Do ponto de vista da direção, acho de uma maestria impressionante.


"Calle Santa Fe" (Carmen Castillo, 2007)
Documentário de quase três horas de Carmen Castillo, que estava em Cannes 2007. Ao tratar da história que viveu com seu marido, dirigente do grupo revolucionário MIR assassinado na sua frente, ela fala despudoradamente da dor, da sobrevivência, da utopia perdida. É para chorar muito e depois se levantar, porque a vida continua.


"Nome Próprio" (Murilo Salles, 2007)
Estreou neste último Festival do Rio e também estará na Mostra de SP. Um filme que acompanhei desde a montagem _o resultado é surpreendentemente poético, apesar de falar de um processo destrutivo. Para mim, é um belo filme sobre a dor do ato de criação e traz uma Leandra Leal excepcional.

Escrito por Leo Cruz e Lúcia Valentim às 8h51 PM

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Filmoteca - Kleber Mendonça Filho

Filmoteca - Kleber Mendonça Filho

O pernambucano Kleber Mendonça Filho vem construindo nesta década uma sólida carreira como curta-metragista. Desde 2002, dirigiu quatro filmes, incluindo os ótimos “Vinil Verde” (2004) e “Eletrodoméstica” (2005). A partir desta sexta, sua obra mais recente, “Noite de Sexta, Manhã de Sábado”, terá quatro sessões no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, que acontece na cidade de amanhã até 1º de setembro. Além de cineasta, Kleber é também repórter e crítico de cinema do “Jornal do Commercio” e pilota o bom site Cinemascópio. A seguir, os cinco filmes que o diretor gentilmente escolheu para o Ilustrada no Cinema.

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La Jetée” (Chris Marker, 1962, assista acima)
Objetivamente, este curta-metragem francês de 28 minutos traz ficção científica e viagem no tempo.  Filosoficamente, talvez aborde a importância das imagens que fazem parte das nosas vidas. Marker estabelece um estado de hipnose utilizando um formato de “foto-romance”, imagens estáticas acompanhadas por uma narração extraordinária que nos informa e sugere muita coisa. A projeção acaba, mas o filme continua, agora instalado na sua cabeça.

 

Vá e Veja” (Elem Klimov, 1985)
Em algum lugar entre uma fábula demente e um carnaval de selvageria existe esse filme de guerra que deixa na boca um gosto indescritível de cinema de horror. Criminosamente desconhecido para a grande maioria, “Vá e Veja” destruiu, para mim, a idéia de “filme de guerra”, pois os que eu já tinha visto antes de vê-lo, e os que eu ainda verei, passaram a ser/serão medidos a partir dele. Klimov, que na sua infância foi  evacuado de Stalingrado com a mãe, fugindo do cerco nazista, parece ter conseguido traduzir uma noção abstrata e surreal de “guerra”. Ele narra a embriaguez do terror de um garoto no front soviético em 1942, área  invadida pelas tropas de Hitler. Klimov evita quase que sistematicamente  os elementos comuns ao gênero, com câmera subjetiva, trabalho de som e o rosto do ator Aleksei Kravchenko, que fazem do filme o produto de um cinema incomum. “Vá e Veja” também deixa a sensação de que você acabou de ler uma obra importante da literatura russa, a cena da vaca no campo aberto é um dos inúmeros momentos que sugerem isso.

 

Trens Estreitamente Vigiados” (Jiri Menzel, 1966)
 Menzel passou o filme novo dele em Berlim neste ano, o agradável (e muitas vezes bem bonito) “I  Served the King of England”, que parece revisitar “Trens…”, feito 40 anos antes. “Trens Estreitamente Vigiados” é a história de um jovem funcionário numa estação de trem, durante a Segunda Guerra. Ele descobre as mulheres. Este filme peculiar é desconhecido para as gerações mais novas, muito embora tenha dado o Oscar de Filme Estrangeiro ao tcheco Menzel, na época com 27 anos. O que mais me agrada em Menzel (e neste filme, particularmente) é o seu olhar para as mulheres, comparável talvez (e apenas) ao de François Truffaut. É um olhar erótico, sexualizado, mas com um espanto verdadeiro de delicadeza.

 

The Beguiled” (Don Siegel, 1971)
No Brasil, é conhecido como “O Estranho que Nós Amamos”, mas o que me vem sempre à cabeça é “Não Há no Inferno Fúria Maior do que a de uma Mulher Humilhada”. Aqui, as mulheres também são essenciais, embora neste o tom seja um tanto diferente... Feito na grande era do cinema americano dos anos 70, “The Beguiled” se passa na Guerra Civil de 1861 e é a história de um soldado do norte (Clint Eastwood) que vai parar (ferido) num colégio interno para meninas, todas sulistas, carentes de atenção masculina. Esse vespeiro de sexualidade envolve desde a garotinha de 11 anos que descobre o homem na floresta (sequência impensável na Hollywood PG-13 de hoje) às colegas adolescentes ou jovens mulheres, e à diretora matriarcal madura. A presença do soldado no lindo casarão sulista gera uma situação humana guiada pelo pior que macho e fêmea são capazes de fazer uns com os outros. Não é careta. Um bônus para aliviar a tensão é ver Eastwood aprendendo com Siegel, em cada cena, como se faz cinema, algo que terminou sendo bem útil para Clint ao longo dos anos.

 

A Morte do Sr. Lazarescu” (Cristi Puiu, 2005)
A lista de dez filmes importantes desta década já está bem encaminhada e este certamente estará na minha. Com domínio total do realismo encenado, o romeno Cristi Puiu apresenta uma crônica de morte anunciada (já no título) sobre um aposentado que passa mal numa noite de sábado, em Bucareste. Socorrido por uma ambulância, ele fará uma turnê infernal por hospitais lotados, num quadro duro sobre desrespeito e também compaixão. Poderia ser um filme brasileiro, mas é romeno, e foi ele que deu início à atual onda romena que viu Cannes dar a Palma de Ouro 2007 ao também muito bom “4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias”. O equilíbrio entre o humor e o lento terror é estranhamente tocante, talvez por ambos serem verdadeiros e terem origem na vida, e não no teclado de algum roteirista malvadinho. Tristemente, esse filme não atraiu distribuidores brasileiros. De fato, a sinopse é matadora para o setor de vendas, muito embora a experiência de ver o filme em si seja riquíssima sob muitos aspectos.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h46 AM

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Filmoteca - Rodrigo Moreno

Filmoteca - Rodrigo Moreno

Boa chance para conversar sobre cinema hoje: o cineasta argentino Rodrigo Moreno realiza uma palestra gratuita, aberta ao público, na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo. A partir das 17h30, será exibido “O Guardião”, primeiro longa-solo de Moreno, premiado no Festival de Berlim de 2006 e lançado no Brasil também no ano passado. Na sequência, às 19h30, o cineasta conversa com a platéia. De amanhã a sexta, no mesmo local, ele fará um workshop de direção (pago, R$ 480). A seguir, uma seleção de filmes favoritos feita por Rodrigo Moreno para o Ilustrada no Cinema. 

Close Up” (Abbas Kiarostami, 1990)
Este talvez seja um dos melhores filmes que já vi. Uma obra-prima sobre o que é real e o que não é, a fronteira imprecisa entre ficção e documentário.

Adeus, Dragon Inn” (Tsai Ming Liang, 2003)
O filme mais radical de Tsai. Aqui ele apresenta e executa suas idéias sobre mise en scene de uma forma incrivelmente refinada.

Aguirre, a Cólera dos Deuses” (Werner Herzog, 1972, disponível em DVD)
Pensei que precisaria mencionar ao menos um filme de Herzog e escolhi este porque foi o primeiro que vi. Mas seria capaz de listar mais quatro títulos deste gênio. Para mim, ele é um dos poucos POETAS do nosso tempo.

Maridos” (John Cassavetes, 1970)
O grande mistério de Cassavetes sempre será saber o que é improvisado e o que é planejado. Tudo parece caótico, mas há uma grande cabeça no comando dessa anarquia. Uma grande cabeça que constantemente cruza a linha entre o atrás e o diante da câmera, Cassavetes deve ser o herói de qualquer diretor. Seus filmes só puderam ser feitos graças à sua independência como produtor, o que lhe deu total liberdade como diretor.

Elefante” (Gus Van Sant, 2003, disponível em DVD)
O filme como um conceito. Uma obra-prima de direção.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h45 AM

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Filmoteca - Carlos Alberto Mattos

Filmoteca - Carlos Alberto Mattos

 

O jornalista Carlos Alberto Mattos, 53, já tem quase 30 anos de crítica de cinema e é um dos principais especialistas em documentários no país. Atualmente, resenha filmes para o jornal "O Globo" e para o site www.criticos.com.br, além de manter o DocBlog, ponto obrigatório para quem se interessa pelo cinema não-ficcional. Tem cinco livros lançados _sobre Walter Lima Jr., Eduardo Coutinho, Carla Camurati, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla_ e um ainda inédito, sobre Vladimir Carvalho. A seguir, ele apresenta seus cinco filmes favoritos.

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"8 e 1/2" (Federico Fellini, 1963, disponível em DVD)
A descoberta do cinema moderno à margem da aridez intelectual. A libertação do tempo narrativo, a incorporação da dúvida como modelo de criação, a mescla de realismo, onirismo e fantasmagoria, tudo isso me saltou aos olhos quando vi esse filme pela primeira vez, recém-saído da adolescência. Desde então, passei a apontá-lo como meu filme predileto.

 

"Taxi Driver" (Martin Scorsese, 1976, disponível em DVD)
Em sua obra-prima, Scorsese empacotou o melhor do cinema estadunidense das últimas décadas: movimento, individualismo, obsessão, violência, catarse, ironia. Marcou o auge de uma geração de atores, que incluía De Niro, Keitel e Foster. A trilha do Bernard Herrmann é um clássico. De que mais se precisa para um grande filme? "Crepúsculo dos Deuses", de Billy Wilder, também caberia nesse nicho.


"Cabra Marcado para Morrer" (Eduardo Coutinho, 1984, disponível em VHS)
O mais extraordinário documentário brasileiro foi que primeiro chamou minha atenção para as potencialidades do cinema de não-ficção, hoje meu principal objeto de estudo. Um caso raro de filme que preencheu um vácuo histórico; era pessoal, nacional e universal ao mesmo tempo; e interveio na realidade ao ponto de mudar o futuro dos seus personagens. De quebra, ainda mudou a história do documentário no Brasil. Dziga Vertov, em seu "O Homem com a Câmera", surtiu efeito semelhante no meu apreço pelo cinema documental. 

"Lavoura Arcaica" (Luiz Fernando Carvalho, 2001, disponível em DVD)
Poderia citar "Limite", de Mário Peixoto, mas preferi ficar com um filme que reeditou o mesmo impacto poético e o mesmo “diferencial” em relação aos figurinos médios do cinema brasileiro em suas respectivas épocas. Fruto de uma atitude corajosa e perfeccionista, é um dos três ou quatro mais belos filmes brasileiros de todos os tempos. Imagino que qualquer obra literária sonhe com uma adaptação deste calibre às telas, em que livro e filme co-habitam uma mesma moradia.

"A Noviça Rebelde" (Robert Wise, 1965, disponível em DVD)
Parece brincadeira, mas é verdade. Sei que o filme é cafona e quadrado, mas o que posso fazer, se foi o meu primeiro cult, o primeiro a me fazer voltar ao cinema e descobrir que ali era um bom lugar para estar? Até hoje me compraz cantarolar Rodgers, rever Salzburgo e torcer por Maria. E, cá entre nós, "Something Good" é tudo de bom em matéria de canção.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h10 PM

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Filmoteca - Carlos Reichenbach

Filmoteca - Carlos Reichenbach

Carlos Reichenbach estreou como diretor em 1968, com o curta "Esta Rua Tão Augusta" e com "Alice", episódio do longa "As Libertinas". Desde então, assinou filmes importantes do cinema brasileiro, como "Filme Demência" (1985) e "Anjos do Arrabalde" (1986). No momento, finaliza "Falsa Loura", seu 15° longa, que deve ficar pronto no segundo semestre. O cineasta também edita o blog Reduto do Comodoro, no qual opina sobre cinema, conta os passos de seu novo filme e divulga as sessões do... Reduto do Comodoro. Uma vez por mês, Reichenbach comanda a exibição de uma obra de algum diretor esquecido ou desconhecido por estas praias. É sempre (ou quase) na primeira quarta-feira, de graça, no paulistano Cinesesc. E nesta quarta, às 21h30, tem sessão. O Reduto do Comodoro apresenta "A Morta-Viva" ("I Walked with a Zombie", 1943), de Jacques Tourner, o mesmo diretor de "Cat People". Dá uma olhadinha no trailer no pé deste post. A seguir, Carlos Reichenbach colabora com a Filmoteca e escolhe cinco filmes que viraram sua cabeça. 

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"O Desprezo" (Jean-Luc Godard, 1963)
O mais deflagrador dos filmes que vi na vida e a mais contundente reflexão sobre o cinema como meio de expressão.

 

"Dois Destinos" (Valerio Zurlini, 1962)
Um dos filmes mais melancólicos e amargos da história. Cinema que aspira a pintura e a música. "Bem-aventurados os pobres de espírito que passaram pela vida sem nunca experimentar a renúncia ou a transgressão."; a epígrafe final de "Dois Destinos" mudou algumas vidas, incluindo a minha.

 

"Vidas Secas" (Nelson Pereira dos Santos, 1963)
O melhor filme brasileiro de todos os tempos. Paulo Emílio Salles Gomes, quando lecionava na Escola Superior de Cinema São Luiz, nos obrigou a assisti-lo mais de seis vezes. Durante duas aulas seguidas nos falou de Seu Tomás da bolandeira, o personagem essencial do romance de Graciliano Ramos, que Nelson eliminou imageticamente em sua adaptação para o cinema. Foi então que aprendi que fidelidade ao texto literário não pressupõe subserviência.

 

"Cão Branco" (Samuel Fuller, 1982)
 O filme que eu gostaria de ter assinado. Todos os recursos da técnica e da gramática cinematográficas _do travelling circular revelador e espacial à câmera lenta e ao "chassis reversível" de alto impacto_ a serviço da emoção genuína. Por trás da história de um adestrador de cães negro que tenta reverter a fúria racista de um cão branco, um libelo crucial contra a intolerância. Tão pungente e radical que os distribuidores americanos tiveram medo de lançá-lo nos cinemas.

 

"Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador-Geral da República" (Damiano Damiani, 1971)
Uma porrada no estômago (e na consciência), como há muito tempo o cinema não ousa mais experimentar. A inclusão na lista, além de reafirmar a importância de um grande realizador pouco valorizado, serve para lembrar ao Leon Cakoff da necessidade urgente de uma retrospectiva Damiani na Mostra de São Paulo, com a presença do próprio (foto).

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Escrito por Leonardo Cruz às 8h45 AM

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Filmoteca - Alcino Leite Neto

Filmoteca - Alcino Leite Neto

Alcino Leite Neto, atual editor de Moda da Ilustrada e da Revista de Moda, é grande conhecedor de cinema e freqüentador de mostras e cineclubes. A seguir, elenca cinco produções para a "Filmoteca" entre novos filmes, "pois de velho já chega eu", brinca ele. Ao final, faz uma exceção fora da lista - e um pedido aos distribuidores do Brasil.

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"Plages" (2001) e todos os filmes de Dominique Gonzalez-Foester (acima foto de "Ryio")

"Plages" mostra os movimentos aleatórios de uma multidão na praia de Copacabana, numa manhã de Réveillon, e é uma das visões mais patéticas, sombrias e perturbadoras do Rio de Janeiro. Foi realizado pela francesa Dominique Gonzalez-Foester, que, além de notável artista plástica, deveria ser considerada um importante nome do cinema contemporâneo. Seus filmes registram as errâncias da artista por cidades do mundo _como Brasília ou Hong Kong_, captando os confrontos entre tempo e espaço, corpo e geografia, indivíduo e natureza, memória e instante, imaginário e realidade. Uma caixa de DVDs com os filmes da artista foi lançada no ano passado na França. É item obrigatório para cinéfilos. Em tempo: Dominique, que foi uma das artistas convidadas da última Bienal de São Paulo, comprou uma casa no Rio de Janeiro e está vivendo lá uma parte do ano.

"Serras da Desordem" (Andrea Tonnacci, 2006)

Há muito tempo o cinema brasileiro não faz um filme da envergadura deste "Serras da Desordem". O diretor parte de uma história real (a destruição de uma aldeia indígena e a separação de um pai e seu filho) para criar uma obra espantosa, tanto do ponto de vista cinematográfico quanto político-social. Valeu a pena esperar quase 20 anos para que Andrea Tonacci resolvesse voltar ao longa-metragem com este maravilhoso poema antropológico. Mas tomara que ele não nos faça esperar mais 20 pelo próximo filme.

"Síndromes e um Século", de Apichatpong Weerasethakul (2006)

Este diretor tailandês, de nome complicadíssimo, é hoje um dos grandes autores do cinema. Em "Síndromes e um Século", ele narra o cotidiano de um pequeno hospital. Os personagens são banais e as histórias que eles vivem também. Mas é da própria banalidade que Apichatpong extrai sua poesia e também o seu pensamento. No fundo, este filme é uma reflexão sobre a hipocondria contemporânea, a ordem hospitalar e, mais ainda, sobre a esperança de que as potências de vida possam prevalecer sobre o instinto de morte _e o desejo e o humor possam sobrepujar o tédio.

"Der Direktor/The Boss of it All" (2007)

"O Diretor" ou "O Chefe de Todos" (o filme ganhou nomes diferentes, dependendo do país em que foi exibido) é uma comédia terrível de Lars von Trier sobre as novas diabruras do capitalismo e da hierarquia e as maneiras atuais de servidão voluntária. É também uma farsa sobre o cinema e as relações perversas que ele estabelece entre diretor e atores _e entre ambos com o espectador.

"Inland Empire" (2007)

O novo filme de David Lynch é de arrepiar de espanto e de entusiasmo, pela maestria narrativa e cinematográfica deste diretor americano. A história se desdobra em várias outras, que se misturam e se complicam, lançando o espectador num labirinto de sensações, expectativas, suspeitas, medos e catarses estranhas.

"A Lira do Delírio" (1978)

E quando é que vão lançar em DVD este ótimo filme de Walter Lima Jr.?

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 12h13 PM

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Filmoteca - Bruno Barreto

Filmoteca - Bruno Barreto

Agora em cartaz com "Caixa Doi$", Bruno Barreto é o cineasta que muitos adoram odiar. Desde seu bem-sucedido "Dona Flor e Seus Maridos" (1976), o filme mais visto da história do cinema nacional, com cerca de 10 milhões de espectadores, nunca mais conseguiu alcançar tamanha repercussão. E é sempre muito cobrado por causa disso.

"Caixa Doi$" não é tão pretensioso, ao verter para o cinema a peça de Juca Ferreira que conta a história de um banqueiro envolvido em um escândalo com R$ 50 milhões.

No currículo, o cineasta ainda conta com (goste-se ou não) "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005), "Bossa Nova" (2000), "O que É Isso, Companheiro?" (97) e "Gabriela, Cravo e Canela" (83), para citar alguns.

A seguir, sua lista de cinco grandes filmes, com o adendo de um sexto "penetra": "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade.

"Um clássico em todos os sentidos, que continua mais moderno do que nunca."

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"A Mulher do Lado" (François Truffaut, 1981)

Vi esse filme pelo menos umas 5 vezes. E cada vez gosto mais. Acho que é definitivamente um dos melhores do Truffaut. O que eu mais gosto é o tom da narrativa. Irônica e emcionante. Na mão de outro diretor essa história poderia ter virado um melodrama barato. Mas é impressionante como o filme abraça e afasta o espectador nas horas certas. E a Fanny Ardant que está simplesmente MARAVILHOSA. Truffaut estava no auge da sua paixão por ela.

"Novecento" (Bernardo Bertolucci, 1976)

Acho que é de longe o melhor filme dele. Aliás, acho que é um dos melhores épicos da história do cinema porque a sua grandiosidade está sobretudo no coração dos personagens e não nas cenas com muitos figurantes em grandes espaços abertos. Tive o privilégio de ver a versão original de 5 horas e 20 minutos que é muito melhor do que a de 4 horas e meia (a mais conhecida). A direção do Bertolucci é inspirada, conseguindo um balé entre a camera e os atores raramente visto no cinema. Destaque especial para a belíssima trilha de Ennio Morricone e a fotografia de Vitorio Storaro. Outro detalhe importante: "Novecento" foi a última colaboração entre Franco Arcalli e o Bertolucci. O Franco foi uma espécie de pai artístico para o Bertolucci, tendo feito a montagem e participado do roteiro (às vezes sem ter crédito) de quase todos os seus filmes até "Novecento".

 

"Vidas Amargas" (Elia Kazan, 1955, lançado em DVD)

Para mim, ele foi o maior diretor do cinema americano. E a partir deste filme ele conseguiu injetar poesia na tradição/prisão do realismo, na dramaturgia americana. Nunca chorei tanto num filme. E James Dean nunca esteve tão bem.

"Seduzida e Abandonada" (Pietro Germi, 1964)

Um dos maiores diretores italianos que nunca teve o reconhecimento que merecia. Fellini, que foi assistente dele, dizia que Germi não teve a fama que devia porque não era simpatizante do PCI (Partido Comunista Italiano). Eu gosto de vários filmes dele, mas "Sedotta e Abandonata" simboliza o estilo Germi: a TRAGICOMÉDIA ITALIANA. Penso que nenhum outro diretor entendeu tão bem como a tragédia e a comédia são inseparáveis. Destaque para a interpretação da Stefania Sandrelli e o uso de músicas populares italianas como contraponto dramático na trilha sonora. Almodóvar bebeu muito desta fonte.

"Terra em Transe" (Glauber Rocha, 1967, lançado em DVD)

Realmente acho "Terra em Transe" um dos melhores filmes já feitos. O único do Glauber que eu gosto. Poucas vezes no cinema houve um casamento tão perfeito entre forma e conteúdo. E se você levar em conta que este filme foi feito em 1965!!!! Obrigatório ver e rever. Destaque para uma fala do personagem Porfirio Diaz (interpretado magistralmente por Jardel Filho) quando diz tapando a boca de um camponês que falava sem parar: "Vocês já imaginaram o que seria o povo no poder?".

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 4h16 PM

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Filmoteca - Heitor Dhalia

Filmoteca - Heitor Dhalia

O pernambucano Heitor Dhalia, 37, construiu grande parte de sua carreira na publicidade, onde criou mais de cem campanhas. Chegou ao cinema em 1999, como assistente de direção de Aluísio Abranches em "Um Copo de Cólera". Sua estréia como diretor foi ainda naquele ano, com o curta "Conceição" (assista aqui). Cinco anos mais tarde, dirigiu seu primeiro longa, "Nina", versão paulistana de "Crime e Castigo", de Dostoiévski. Nesta sexta, Dhalia apresenta ao público brasileiro seu novo filme, "O Cheiro do Ralo", boa adaptação do romance homônimo de Lourenço Mutarelli e premiado no Festival do Rio e na Mostra de SP do ano passado. A seguir, o diretor gentilmente conta ao blog seus filmes favoritos. Ao final do post, o trailer da bunda, digo, de "O Cheiro do Ralo".

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"Os Sete Samurais" (Akira Kurosawa, 1954, lançado em DVD)
Um dos melhores filmes de guerra já feitos na história do cinema por um de seus grandes mestres. O filme combina uma profunda discussão sobre estratégia militar e injustiça social e ainda reflete temas como o tempo e o nascimento, representados pela colheita de arroz, e a morte, presente na própria guerra. No meio disso, a trajetória de um grupo de samurais. No fundo, é a história de todos nós.

 

"Acossado" (Jean-Luc Godard, 1960, lançado em DVD)
Filme fundador da Nouvelle Vague francesa, "Acossado" é uma declaração de amor ao cinema. Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo estão absolutamente cativantes neste filme, que resume uma das máximas de Godard: "Não faço filmes. Faço cinema." Lírico, sensual e divertido. Um filme para se apaixonar.

 

"Laranja Mecânica" (Stanley Kubrick, 1971, lançado em DVD)
Kubrick, meu diretor favorito, é o Shakespeare do cinema. Gênio absoluto, alia um profundo senso estético com uma análise rigorosa do ser humano. "Laranja Mecânica" é um soco no estômago ao tratar da perversão humana em sua forma mais pura. Mesmo no terreno arriscado da ultraviolência, Kubrick cria um filme impiedoso e ao mesmo tempo sublime e hipnótico.

 

 

"Touro Indomável" (Martin Scorsese, 1980, lançado em DVD)
A trajetória de um boxeador que acaba sendo nocauteado por sua própria ambição. Extremamente bem filmado, "Touro Indomável" é uma aula de cinema e mostra por que Scorsese continua a influenciar diretores até hoje, como Paul Thomas Anderson e Quentin Tarantino. O filme, amor ao cinema em sua forma mais pura, salvou a vida do diretor, que estava numa clínica de reabilitação de drogas quando De Niro entregou o roteiro para ele. Uma obra-prima que evidencia como o Oscar chegou atrasado em algumas décadas às mãos do cineasta.

 

O quinto filme...
Listas são sempre injustas porque filmes maravilhosos ficam de fora. Queria dividir esta posição com alguns dos filmes que eu adoro: "O Leopardo", de Visconti; "Barton Fink", dos irmãos Coen; "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola; "Jules e Jim", de Truffaut; "Playtime", de Jacques Tati; "Pulp Fiction", de Tarantino; "Boogie Nights" (foto), de Paul Thomas Anderson; "Blow Up", de Antonioni; "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles; "Cidadão Kane", de Orson Welles; e, por fim, "Crepúsculo dos Deuses", de Billy Wilder.

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Escrito por Leonardo Cruz às 6h06 PM

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Filmoteca - Evaldo Mocarzel

Filmoteca - Evaldo Mocarzel

O cineasta e jornalista Evaldo Mocarzel estreou como diretor em 1999, com o curta "Retratos no Parque". Desde então voltou-se totalmente ao cinema documental e realizou o curta "À Margem da Imagem" (transformado em longa em 2003) e os longas "Mensageiras da Luz", sobre as parteiras tradicionais do Amapá, "Do Luto à Luta", sobre a Síndrome de Down, e "À Margem do Concreto", documentário sobre os sem-teto e a ocupação de prédios em São Paulo. Este último, prêmio especial do júri e prêmio do júri popular no Festival de Brasília 2005, entra em cartaz em São Paulo nesta sexta-feira. A seguir, Evaldo gentilmente apresenta cinco filmes que mexeram com sua forma de ver o cinema.

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"Um Homem com uma Câmera" (Dziga Vertov, 1929, lançado em DVD)

Trata-se do maior documentário de toda a história do cinema. Na verdade, não é apenas um documentário, mas um autêntico tratado filosófico sobre as especificidades da linguagem do cinema e, principalmente, sobre o olhar da câmera, capaz de flagrar a essência da realidade sem os psicologismos do caótico olhar humano, por mais que esse último esteja por trás do visor da câmera. "Um Homem com uma Câmera" é também um libelo contra o cinema de ficção lacrimogêneo, contra a banalidade do drama burguês. É ainda um esplendoroso manifesto metalingüístico sobre as possibilidades da montagem, todo pontuado por seqüências antiilusionistas que desnudam o processo de manipulação do próprio cinema. Um filme seminal, realizado em 1929, com uma construção moderníssima que influenciou gerações e ainda influencia novos realizadores.

 

"M – O Vampiro de Dusseldorf" (Fritz Lang, 1931, lançado em DVD)

Primeiro filme sonoro do mestre alemão, é um mergulho na sociedade germânica comandada por um poder paralelo de criminosos e contrabandistas após a Primeira Guerra, que possibilitou a chegada ao poder do nazismo. "M" é um filme pós-expressionista, mas foi fortemente marcado pelo movimento. Sua fotografia contrastada é esplendorosa, sem meios-tons: o que é claro é claro, o que é escuro é nigérrimo. Estamos em busca do lado obscuro da alma humana através de um assassino em série de menininhas, vivido magistralmente por Peter Lorre. Uma das seqüências finais, em que o personagem de Lorre é julgado pelos bandidos, é um dos maiores tesouros dramatúrgicos do cinema mundial.

 

"Diário de um Padre" (Robert Bresson, 1951, lançado em DVD)

Foi o último filme no qual Bresson trabalhou com atores, passando em seguida a trabalhar apenas com modelos, como um pintor. "O Diário de um Padre" é um dos trabalhos mais doloridos do mestre francês, que criou uma nova sintaxe para a linguagem do cinema, pensando a imagem como pintura, e o som, como uma partitura musical. Guru de nomes como Jean-Luc Godard, Abbas Kiarostami, Bruno Dumont e Tsai Ming-liang, Bresson buscava, à maneira de um documentarista, a essência do real em seus filmes de ficção. Ele acreditava numa espécie de revelação, de epifania do real no automatismo dos corpos de seus modelos e em situações aparentemente banais do cotidiano. Bresson levou ao paroxismo as possibilidades do espectador de confeccionar imagens com o próprio imaginário, trabalhando as ações de suas narrativas nas bordas ou fora do quadro cinematográfico. Um artista único cuja obra ainda precisa ser muito estudada pelas novas gerações.

 

"Terra em Transe" (Glauber Rocha, 1967, lançado em DVD)

Um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro e que contaminou cineastas de vários países com seu genial roteiro joyciano, construído como um fluxo de consciência de um personagem em agonia, dividido entre a política e a poesia. Um filme existencialmente político no seu sentido mais visceral. Martin Scorsese e Francis Ford Coppola já declararam que gostam de ver filmes de Glauber quando se sentem em marasmo criativo. Um transe cinematográfico brasileiríssimo e sem precedentes.

 

"O Sacrifício" (Andrei Tarkovski, 1986, lançado em DVD)

Um dos maiores filmes da história do cinema, que focaliza a impotência da arte em modificar a truculência de um regime autoritário. Só resta ao professor de estética vivido por Erland Josephson devanear com cenas de auto-imolação, como também aconteceu em "Nostalgia", do mesmo Tarkovski, em que um personagem lança fogo sobre o próprio corpo numa praça pública. "O Sacrifício" é um passo adiante. Talvez o grande legado desse escultor do tempo, apesar de tanto desencanto. O projeto contou com a ajuda de ninguém menos que Ingmar Bergman, que, admirador de Tarkovski e sensibilizado com sua luta contra o câncer, procurou viabilizar a produção, com direção de fotografia magnífica assinada pelo grande parceiro do mestre sueco: Sven Nykvst. Obra-prima visceral e arrebatadora.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h55 AM

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Filmoteca - Tata Amaral

Filmoteca - Tata Amaral

A cineasta Tata Amaral é diretora de importantes títulos do curta-metragem brasileiro, como o premiado "Viver a Vida" (1991). Sua estréia no longa-metragem aconteceu em 1996, com o ótimo "Um Céu de Estrelas", eleito em pesquisa da Folha como um dos três filmes mais importantes daquela década. Assina ainda "Através da Janela" (2000), longa vencedor de dez premiações no Brasil e no exterior, incluindo cinco prêmios de melhor atriz para Laura Cardoso, videodocumentários (como "VinteDez", de 2001) e videoinstalações (como "Ecos", de 2003). Sua mais recente produção é "Antônia", que entra em cartaz nesta sexta e cujo trailer está no final deste post. A seguir, ela lista seus filmes favoritos.

*

"Rio 40 Graus" (Nelson Pereira dos Santos, 1955)

Graças a este filme, eu, ainda jovem, descobri que havia um cinema brasileiro. O realismo da história e das imagens me impressionou.

 

"12 Homens e Uma Sentença" (Sidney Lumet, 1957, lançado em DVD)

Filme integralmente passado na sala de um júri. Assisti na televisão, nos início dos anos 80. A sequência inicial, se não me falha a memória, traz um juiz orientando os jurados, que acabam de ouvir os argumentos da defesa e da acusação. Pede ao júri _composto por Henri Fonda e grande elenco_ que se recolha para deliberar com ponderação e justiça e que tenha em mente que podem absolver um assassino ou condenar à morte um inocente. Nesse momento, tarde da noite, eu decidi: no primeiro flashback, desligo a televisão e vou dormir. Não desliguei até o final. A partir dessa experiência, descobri que um bom cinema pode se fazer com um bom roteiro, bons atores e boa direção.

 

"Acossado" (Jean-Luc Godard, 1960)

Impossível esquecer Belmondo acariciando os lábios grossos, chapéu jogado para trás. A liberdade da decupagem e da narrativa, no filme, são um marco do cinema contemporâneo. O filme, que conheci nos anos 70, me trouxe a idéia de contemporâneo, moderno, atual. 

 

"Rota ABC" (Francisco Cesar Filho, 1991, assista aqui)

Nunca um filme foi tão simples e tão belo. Inesquecível a cena dos meninos descendo a Serra do Mar de carrinho de rolimã. Ao lado de "Ilha das Flores", um dos maiores curtas-metragens brasileiros.

 

"Dez" (Abbas Kiarostami, 2002, lançado em DVD)

A estrutura do filme, em dez episódios de histórias dentro de um carro, me deixou chocada. Saímos do cinema, o professor Jean-Claude Bernardet e eu, em tal estado de excitação que não conseguíamos ir para casa, antes de falarmos das nossas impressões do filme.

* 

Escrito por Leonardo Cruz às 7h10 AM

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Filmoteca - Francisco Cesar Filho

Filmoteca - Francisco Cesar Filho

Francisco Cesar Filho é criador e organizador da Mostra do Audiovisual Paulista, coordenador executivo do Telemig Celular arte.mov (Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis) e diretor do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, além de integrante das equipes dos festivais de Curtas-Metragens de São Paulo, É Tudo Verdade, Mundial do Minuto, Videobrasil, de Atibaia e de Tiradentes, entre outros eventos. É também cineasta _dirigiu "Rota ABC" (1991), entre outros documentários internacionalmente premiados, e atualmente prepara seu primeiro longa-metragem, "Augustas"_, curador, diretor de televisão, assessor de comunicação e um longo etc. A convite do blog, ele seleciona cinco filmes que mexeram com sua cabeça.

"Limite" (Mário Peixoto, 1930)

O maior mito da cinematografia brasileira _entre outras lendas que o envolvem estaria um elogio vindo de Sergei Eisenstein, recentemente desmentido. Trata-se de um mergulho existencial cheio de angústia, que utiliza linguagem inventiva e original. Durante décadas não teve cópia em condições de exibição e, assim como muitos, fui obrigado a conhecê-lo através de um livro de Saulo Pereira de Melo, com seus fotogramas e descrição das respectivas cenas.

"Cidadão Kane" (Orson Welles, 1941, lançado em DVD)

Marco fundador da modernidade no cinema, reiventou sua liguagem e é atual até hoje. Descreve _através de visões diversas, e eventualmente conflitantes_ uma personalidade cujo poder advém da propriedade de grupo de mídia. Meu favorito eterno para as pesquisas do tipo "qual o melhor filme de todos os tempos?".

 

"Gritos e Sussurros" (Ingmar Bergman, 1972, lançado em DVD)

Ponto alta da carreira do cineasta, estética e tematicamente. O filme disseca a alma de três irmãs numa casa sufocada por pesadas cortinas vermelhas. Foi o primeiro filme "de arte" com o qual tive contato na adolescência, e seu impacto nunca esmaeceu. 

"Di" (Glauber Rocha, 1977, disponível na íntegra aqui)

Curta feito improvisadamente quando da morte de Di Cavalcanti (e posteriormente interditado judicialmente a pedido da família do pintor), explode as estruturas do gênero documentário em um turbilhão de colagens, que incluem músicas, notícias de jornal, obras de arte, intervenções, performances e a onipresença genial de seu realizador. Seu título original é "Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de Sua Última Quimera; Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável". Foi vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Cannes.

"O Estado das Coisas" (Wim Wenders, 1981)

Reconhecido com um Leão de Ouro no Festival de Veneza, é um acerto de contas do realizador com as questões que havia abandonado ao tentar carreira nos Estados Unidos _como o uso do preto-e-branco como recurso expressivo e a impossibilidade da criação artística. Obra-prima atualmente pouco lembrada na carreira de seu diretor.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h34 AM

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Filmoteca - Amir Labaki

Filmoteca - Amir Labaki

Amir Labaki é o fundador e diretor do É Tudo Verdade, mais importante festival de documentários do país, que em março chega à sua 12ª edição em São Paulo, Rio, Brasília e Campinas. Além disso, foi duas vezes diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, integra o “board” do Festival Internacional de Documentários de Roterdã e é autor de 11 livros sobre cinema e história. Articulista da Folha, Labaki assina também uma coluna no jornal “Valor Econômico”. A seguir, ele gentilmente seleciona os títulos da primeira Filmoteca de 2007.

 

*

 

 

Ouro e Maldição” (Erich von Stroheim, 1923)

O mais radical drama do mais radical cineasta da era muda de Hollywood, baseado no clássico romance naturalista norte-americano "McTeague" de Frank Norris. Três destinados manipulados por amor e cobiça, num retrato obsessivamente realista da frenética América urbanizando-se rumo a hegemônica e cruel superpotência capitalista. Sua mutilação pelos produtores, das nove horas planejadas e rodadas por Stroheim para os 140 minutos que se tornaram clássicos, é um símbolo maior da institucionalização do poder na nascente era dos estúdios.



 

 

A Última Gargalhada” (F.W. Murnau, 1924, lançado em DVD)

A trágica queda de um porteiro de hotel na caótica Alemanha pré-hitlerista. Nada de intertítulos, tudo narrado por uma agilíssima câmera, em favor do pleno desenvolvimento dramático do cinema de imagens. A arte maior do filme mudo não teve morte natural. Sob suas cinzas, nascia uma outra arte.



 

Um Homem com uma Câmera” (Dziga Vertov, 1929, lançado em DVD)

A definitiva sinfonia das metrópoles. Logo, uma radiografia do "homem cinematográfico". Assim, um dos mais certeiros ensaios sobre o século 20.



 

Janela Indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954, lançado em DVD)

Um policial sobre outro caso da mala, em que um marido mata a tediosa esposa. Uma comédia romântica, sobre uma profissional da moda que faz tudo para conquistar seu fotógrafo predileto. Um melodrama social, a respeito do estado das relações amorosas na Nova York do pós-guerra. Ver é viver em intensidade ímpar. Viver é atuar em vários papéis. Como nunca na obra de Hitchcock, em “Janela Indiscreta” tudo é cinema.



 

2001, Uma Odisséia no Espaço” (Stanley Kubrick, 1968, lançado em DVD)

Um ensaio fílmico sobre a história do homem para provar que o cinema pode muito mais que o modelo de romance audiovisual. Um manifesto pelo cinema expandido. “2001” não apenas injetou metafísica nas sagas espaciais mas também ampliou as fronteiras do cinema para além de rígidos modelos narrativos. O filme de Stanley Kubrick e Arthur Clarke mudou a forma do homem encarar o futuro e o próprio cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h34 AM

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Filmoteca - Ricardo Calil

Filmoteca - Ricardo Calil

Ricardo Calil é jornalista, crítico de cinema do "Guia da Folha" e colaborador das revistas "Bravo" e "VIP". E, antes de tudo isso, assina no site Nomínimo o blog Olha Só, uma das melhores colunas eletrônicas sobre o mundo do cinema e da televisão. A seguir, ele conta quais foram os filmes fundamentais para sua formação de cinéfilo, na última Filmoteca do ano.

*

"Crepúsculo dos Deuses" (Billy Wilder, 1950, lançado em DVD)

O filme funciona como um cartão de visitas perfeito para o cinema americano clássico, porque tem aquela carpintaria irretocável de roteiro, direção e interpretação, mas também porque traz uma visão crítica de Hollywood (pelos olhos irônicos do austríaco Wilder) e toques geniais de modernidade (como a idéia do narrador morto). Foi o filme que me explicou por que a fábrica de sonhos americana é tão grandiosa e ilusória.

"Os Incompreendidos" (François Truffaut, 1959, lançado em DVD)

O filme ainda tem o final mais tocante do cinema: a imagem congelada do espanto do garoto Antoine Doinel (alter ego de Truffaut) diante do mar. Minha reação ao ver pela primeira vez esse marco da nouvelle vague francesa não foi muito diferente: a surpresa diante de uma obra que amplia seus horizontes, que transmite uma oceânica sensação de liberdade.


"O Bandido da Luz Vermelha" (Rogério Sganzerla, 1968)

Com apenas 22 anos, Sganzerla mistura Godard e Orson Welles, cinema policial e chanchada, narrativas radiofônicas e quadrinhos. E transforma o caos em estilo. Para quem descobriu o cinema brasileiro depois do final da ditadura militar, o país avalhacado de "O Bandido da Luz Vermelha" fazia muito mais sentido do que o projeto nacional-popular do Cinema Novo.


"Close Up" (Abbas Kiarostami, 1990)

Um iraniano se faz passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf ("Salve o Cinema") e engana os membros de uma família dizendo que pretende empregá-los como atores em um filme. Quando a farsa é descoberta, ele vai a julgamento. Kiarostami reencena a história com os personagens reais interpretando a si mesmos. O projeto do diretor _de apagar as fronteiras entre ficção e documentário, de questionar a essência do cinema e da realidade_ representou para mim uma redescoberta do prazer cinematográfico.


"O Buraco" (Tsai Ming-liang, 1998)

"O Buraco" foi o filme que chamou minha atenção para a nova produção do Extremo Oriente, que abriga o cinema mais vital dos últimos dez anos. O que me interessa na obra do malaio Ming-liang é sua capacidade de falar dos temas mais pomposos de maneira idiossincrática, cômica e musical _um modelo de cinema que atinge seu auge em "O Buraco".

Escrito por Leonardo Cruz às 8h30 AM

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Filmoteca - Cássio Starling Carlos

Filmoteca - Cássio Starling Carlos

Cássio Starling Carlos é jornalista, escritor e crítico de cinema da Folha, onde já foi editor do Folhateen, o suplemento juvenil do jornal, e da Ilustrada, o caderno de cultura. Acaba de lançar, pela Alameda Editorial, o livro "Em Tempo Real", ótima análise sobre séries de TV como "Lost" e "24 Horas" e suas relações com o mundo contemporâneo e as artes. Aqui, ele gentilmente apresenta cinco filmes que mudaram sua forma de ver o cinema.

*

"Um Corpo que Cai" (Alfred Hitchcock, 1958, disponível em DVD)

A paixão é uma vontade de vida ou de morte? A pergunta é levada às últimas conseqüências na maior das obras-primas de Hitchcock. O fantasma pelo qual a certa altura da vida qualquer um de nós acaba se entregando é reproduzida aqui na relação do espectador com o próprio cinema. Madeleine/Judy é pura imagem, um simulacro, um abismo em que Scottie e nós nos jogamos quando necessitamos de vertigem.

 

"A Lira do Delírio" (Walter Lima Jr., 1978)

Uma câmera na mão, três atores entregues ao improviso e à perda de si num Carnaval e atrás deles um cineasta em busca de uma história. A liberação proclamada pelo Cinema Novo encontra um eco tardio neste filme que, além disso, não tem pudor de assumir a mescla de gêneros (do policial ao musical, passando pelo melodrama familiar e a comédia de costumes). É pura alegria ser conduzido nesse labirinto pela irresistível Anecy Rocha, guardada intacta como imagem de um Brasil que já existiu.

 

"Aos Nossos Amores" (Maurice Pialat, 1983)

Maurice Pialat era um tipo que não se enquadrava. Não integrou a turma da Nouvelle Vague e nenhuma outra turma. Homem de temperamento irascível, filmou pouco e ocasionalmente. "Aos Nossos Amores", além de ter revelado a beleza luminosa de Sandrine Bonnaire, reúne todo o impacto do seu cinema físico, com a câmera colada à pele e aos corpos, capturando a violência e a dor humana em detalhe. Nele arde um realismo inspirado em Renoir, mas tingido de brutalidade, que hoje se reflete no projeto estético dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne.

 

"O Raio Verde" (Eric Rohmer, 1986)

A solidão se resolve apenas quando se consegue companhia? O título, que integra a deliciosa série "Comédias e Provérbios", segue os infortúnios de uma garota solitária em busca de alguém. A filmagem livre, com equipamento levíssimo e totalmente sujeita ao improviso recupera as lições do ideário original da Nouvelle Vague e, 20 anos depois, ainda não adquiriu nenhuma ruga. Do erro em erro que tornam as férias de verão de sua heroína um calvário, Rohmer revela, com sua filosofia proverbial, como funciona a armadilha da falta.

 

"Amores Expressos" (Wong Kar-wai, 1994)

Quando as portas do Oriente se abriram aos olhos do Ocidente, do liquidificador do chinês Wong Kar-wai saiu essa mistura de Godard anos 60 + Resnais anos 50 + Antonioni de todos os tempos, em que o sentimento contemporâneo de desamor, a desconexão e a obsessão da tentativa encontram uma forma de representação no romantismo desencantado. Depois, seu diretor faria filmes até mais fortes, mas este guardou todo o impacto da surpresa.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h23 PM

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Filmoteca - Sérgio Rizzo

Filmoteca - Sérgio Rizzo

Sérgio Rizzo, 41, é crítico de cinema da Folha e um dos principais especialistas do país no uso de filmes para fins pedagógicos. É professor na Universidade Mackenzie e na Casa do Saber, coordenador de um curso de cinema e educação da Universidade Estadual de Goiás e colunista das revistas "Educação", "Idéia Social" e "Viração". Também escreve sobre futebol no portal Yahoo! Esportes, para o qual cobriu a Copa da Alemanha. É dele a terceira Filmoteca deste blog.

*

A lista abaixo é afetiva, por ordem cronológica de realização das obras. E, assim, tem certamente a ver também com as circunstâncias em que esses filmes e cineastas foram conhecidos (daí o relato que acompanha a seleção) e com o fato de, ao revisitá-los periodicamente, constatar que se mantêm especiais.

Não gosto do termo "obrigatório" e, portanto, o espírito desta seleção não é o de apontar obrigação nenhuma a ninguém. Prefiro sempre dizer que invejo quem ainda não assistiu a esses filmes (e a tantos outros que caberiam em mais dúzias de listas, e que poderiam ser reunidos a partir de períodos, gêneros, escolas, abordagens, afetos): terá o prazer inigualável, que para mim ficou em algum lugar do passado, de vê-los pela primeira vez.

Alfred Hitchcock (1899-1980)

Descoberta feita na TV, ainda na infância, depois reforçada com a reestréia nos cinemas, nos anos 80, de alguns clássicos que estavam fora de circulação havia décadas, como "Um Corpo que Cai" (Vertigo, 1958), com o lançamento pela Editora Brasiliense da primeira edição de "Hitchcock/Truffaut" e com a revisão possibilitada pelo videocassete e agora o DVD. Minha comissão de frente dessa obra extraordinária: "A Dama Oculta" (The Lady Vanishes, 1938), "A Sombra de uma Dúvida" (Shadow of a Doubt, 1943), "Pacto Sinistro" (Strangers on a Train, 1951), "Janela Indiscreta" (Rear Window, 1954), "Um Corpo que Cai" (em Portugal, "A Mulher que Viveu Duas Vezes" – falo sério), "Intriga Internacional" (North by Northwest, 1959), "Psicose" (Psycho, 1960) e "Os Pássaros" (The Birds, 1963).

"Rastros de Ódio" (The Searchers, EUA, 1956), de John Ford

Meu pai adorava faroestes, em especial o que chamava de "filmões", de que este aqui talvez seja o melhor exemplo. Não tenho certeza se foi ao lado dele, mas assisti pela primeira vez a "Rastros de Ódio" na TV, ainda muito criança. Sei disso porque ao revê-lo, já adulto, descobri de onde vinham imagens que haviam se impregnado na memória como se sempre tivessem feito parte dela. E, à medida que o tempo passa, Ethan Edwards (John Wayne) fica ainda mais dolorosamente grandioso, esfinge majestosa na história do cinema norte-americano.

"Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha

Antes do videocassete, do DVD e da internet, havia duas maneiras de conhecer filmes (ao menos para espectadores sem regalias): ou havia cópia em película na cidade e alguém disposto a exibi-la, ou os programadores das emissoras de TV (em São Paulo, durante a minha adolescência, seis canais) resolviam passar o dito cujo, na maioria dos casos em versão dublada. Nesse cenário, a morte precoce de Glauber representou, paradoxalmente, um achado: para homenageá-lo, organizou-se uma retrospectiva no antigo Cine Vitrine. De uma tacada só, aos 15 anos, vi o que havia disponível à época. Subi chapado a rua Augusta até a avenida Paulista por alguns dias, depois das sessões. "Deus e o Diabo na Terra do Sol" me fez chegar às aulas noturnas na Escola Técnica Federal, no Canindé, sem me lembrar direito de qual havia sido o caminho. Cinema brasileiro, muito prazer.

Francis Coppola, Martin Scorsese, Woody Allen

A década de 70, das mais ricas na história do cinema dos EUA, foi escrita por um punhado de gente talentosa naqueles anos selvagens em que se acreditava na reconstrução de Hollywood com um pé na tradição clássica e o outro no cinema de expressão autoral europeu. Dessa geração, os três senhores acima foram os que primeiro me impactaram, graças a carteirinhas de estudante falsas para burlar a censura. Desde então, se tornaram amigos a quem se visita periodicamente para jogar conversa fora. Primeiros contatos, quase simultâneos: de Coppola, "Apocalypse Now" (1979) em estréia no Cine Copan; de Scorsese, "Taxi Driver" (1976) em reprise no Cine Bijou e "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980) em estréia no Cine Metro; de Allen, "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall, 1977, foto acima) em reprise também no Bijou e "Manhattan" (1979) em estréia no Cine Barão. Todos esses cinemas fecharam. Saudades deles também.

"Decálogo" (Dekalog, Polônia, 1988-1989), de Krzysztof Kieslowski

Na 13ª. edição, em 1989, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo exibiu os 10 episódios dessa minissérie de TV, em pares, durante cinco dias consecutivos no Museu da Imagem e do Som. Outras subidas chapadas até a avenida Paulista. A programação daquele ano trouxe ainda os dois longas que se originaram de dois episódios, "Não Matarás" (Krótki film o zabijaniu, foto acima) e "Não Amarás" (Krótki film o milosci). A TV Cultura de São Paulo exibiu mais tarde essa obra-prima da ficção seriada, hoje disponível em DVD nos EUA (em versão crua, apenas com os episódios, e em uma caixa com um monte de extras). A herança cristã às vésperas do terceiro milênio, examinada pelas vidas cruzadas de moradores de um conjunto habitacional de Varsóvia. Roteiro de Kieslowski e de seu parceiro habitual, o advogado Krzysztof Piesiewicz.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h51 AM

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