Ilustrada no Cinema

 

 

A pergunta estúpida

Quem costuma vir para Tiradentes nesta época do ano está estranhando. Desde a abertura do festival, na sexta, não chove. Dias quentes, sol de rachar. Dizem que a chuva e o festival são companheiros inseparáveis, e que a lama torna o local uma Woodstock brasileira.

Mas o primeiro filme do segmento Aurora, dedicado aos novos diretores, nos retoma a realidade desses dias em que, Brasil afora, a chuva tem exposto a fragilidade das cidades, das políticas públicas e de certos hábitos da população. Porque, diferentemente do que diz o jargão, não é apenas a chuva que mata.

O documentário “Enchente”, de Julio Pecly e Paulo Silva, retoma a tragédia de fevereiro de 1996 na Cidade de Deus, RJ, em que centenas morreram e milhares ficaram desabrigados. A dupla teve acesso a mais de quatro horas de material gravado pela Rede Globo na época, além das imagens de um morador local, Zezinho.

O tema é urgente, e torço para que o filme vá além do circuito de festivais e aquela permanência curtíssima em salas de cinemas da cidade (vale dizer que um filme estreou em circuito quando ele fica restrito a uma única sessão em horário ingrato durante uma semana apenas?, como acontece com vários documentários brasileiros?).

Há a questão política e engajada de “Enchente”. Há a necessidade de registro em filme, portanto permanente, para que a memória não se esqueça da realidade das chuvas. E, como sabemos, somos todos acometidos de uma amnésia súbita e recebemos as enchentes do começo do ano como se fosse uma surpresa.

“Enchente” cria um eficiente mecanismo de memória. Para criar o permanente, ele usa, em sua maioria, o registro imediato mas efêmero do telejornalismo.

Muitos irão questionar dizendo que não há muito cinema em “Enchente”, que o tom de registro se impõe.

Mas, desde o primeiro instante, a própria natureza da imagem está sendo questionada. Não apenas o que vemos na tela, mas muito do que está fora dela. E, como diria Bressane, o que importa é o que não vemos na tela.

Das horas de imagens registradas pela Rede Globo, a maior parte não foi ao ar. O ponto alto de “Enchente” vem de uma dessas imagens. Em meio ao cenário de devastação, com a população revoltada com o descaso público, uma repórter pergunta “Como você está se sentindo?”, ou coisa do tipo. A moradora local, revoltada, é agressiva: Como é que você acha que a gente está se sentindo? Não dá pra ver não? Não é óbvio? (não vou lembrar a frase exata, mas esse é o tom)

Um ano depois dessa tragédia, em 1997, eu estava no primeiro ano da faculdade de jornalismo. Não me lembro qual era o professor nem qual era a matéria, mas não me esqueço de algo que me incomodou muito na época. Ele dizia que, se você fosse cobrir uma enchente ou tragédia do tipo, na televisão, você tinha que, sim, perguntar: “Como é que você está se sentindo?”.

Assistir a “Enchente”, ontem,  enfim me ensinou coisas que poderia ter aprendido naquela aula.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 5h03 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Extremos

Se o debate com Júlio Bressane em Tiradentes, no sábado, terminou em tom pessimista, mas de uma lucidez admirável, no domingo foi como se entrássemos em outra galáxia. Os embates entre um cinema-produto e um cinema-arte, e a eterna batalha deste segundo para conquistar verbas, circuito de distribuição e público, não são exclusivos da realidade brasileira. Como em tudo que acontece pelo Brasil (ricos e pobres etc.), no entanto, nossos extremos parecem ser mais extremos do que o de outros.

Quando o diretor Toniko Melo exibiu “VIPs” para uma tenda lotada, a expressão “cinema brasileiro”, como se fosse um gênero à parte, nunca pareceu tão inexata.
É como se fosse um cabo de guerra, com Bressane de um lado e Toniko de outro. No discurso antes da exibição, Toniko celebrou a “boa fase do cinema brasileiro”. Um cinema, segundo ele, que está mais próximo do público, que tenta se comunicar com as pessoas. O momento é de celebração, portanto, e o sucesso avassalador de “Tropa de Elite 2” não permite contestações.

Mas o que é o público, e o que significa buscar (ou ignorar )o público? Saraceni, que se formos pensar em termos de “produto vs. arte”, é muito mais parte deste último, diz que sempre procurou o público. Mas raras vezes ele encontrou audiência, sempre foi considerado “difícil”, como são considerados os diretores que não mastigam e não entregam respostas fáceis.

"VIPs” é dessa nova fase de empolgação do cinema pós-“Tropa 2”. É baseado na história real de um vigarista que se passou pelo filho do dono da Gol. De brasileiro, há o fato de contar uma história com personagens brasileiros e de ser falado em português, com paisagens brasileiras. É um filme de gênero, em que, da montagem frenética à trilha sonora,  tudo remete aos norte-americanos.

Não é o tipo de produção que procura o público. É o tipo de filme que seduz o público. Quando este estende a mão, ele é agarrado e puxado para uma orgia. E, depois, não há muito o que pensar, já que os sentidos são entorpecidos.

No mais, “VIPs” evoca a validade daquela piada que acrescenta ao “gênero” “cinema brasileiro”, o “gênero” “filme com Wagner Moura/Lázaro Ramos/Selton Mello”.

O que mais interessa em “VIPs” é o fator extra-fílmico. Ganha valor no que poderia ser, e não no que efetivamente mostra na tela.

É mais provável que Wagner Moura esteja no longa pela sua popularidade tremenda do momento, capaz de atrair multidões. Mas não deixa de ser interessante ver um ator hoje tão indissociável de sua persona, tão identificável como o Capitão Nascimento, na pele de personagem principal de um filme em que a identidade é fator central.

Wagner Moura não é mais um ator, um rosto/corpo em branco, com uma identidade para ser construída filme a filme. Ele, neste momento, é Wagner Moura interpretando um personagem X. O que não o torna um ator ruim, pelo contrário. Por isso, o acerto, talvez inconsciente, da sequência final, em que Wagner está do lado oposto daquele de “Tropa”.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 12h29 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O tapa de Bressane

É necessário desacelerar em Tiradentes. São três os lugares de exibição de filmes na Mostra: a tenda, o cine-teatro e o cine-praça, montado ao ar livre. Todos pertos um do outro, mas é necessário andar mais rápido para não perder as sessões. Mas não muito.

São ruas estreitas as de Tiradentes, repletas de pedras. Se você não prestar atenção, se você não escolher a pedra certa em qual pisar, é fácil cair ou torcer o pé. O melhor mesmo é andar devagar. E, nesse ritmo, observar a paisagem local e pensar no filme visto há pouco. Alguns, no entanto, têm pressa, e entopem as ruas com seus carros potentes. Carros para quem não consegue andar alguns poucos quarteirões e tem pressa sabe-se lá do quê.

É nessa toada que penso nas palavras sempre sábias, provocadoras e demolidoras de Júlio Bressane, ontem, durante o debate sobre e com Paulo Cezar Saraceni.

O encontro seguia tom ameno, com perguntas da platéia sobre o histórico de Saraceni, que mostrou seu mais recente filme, “O Gerente”, no festival. Nas palavras finais, Bressane acendeu o debate.

"É necessário apertar os parafusos."

Bressane nos lembrou de nossa mediocridade. Sim, somos todos medíocres, medianos, permanecemos na média, enquanto caminhamos para o fim inevitável. O que é que nos eleva, o que é que nos faz sentir um pouco vivos, o que nos faz correr contra a corrente e nos confere individualidade? Não me refiro a cargos, salários, estrelismos, mas o que nos faz justificar minimamente a nossa existência? “Um esforço para sair da pasta medíocre.”

Bressane é um provocador, sabemos, e sua presença em debates sempre rende temas relevantes. Ele criticava a platéia por não levantar questões relevantes, por não discutirmos propriamente “O Gerente”, filme que permite inúmeras leituras.

Tudo é um sintoma, acredita Bressane. “O Gerente” é mais do que um filme, ele é um representante, feito hoje, de um tempo que não existe mais. Não apenas tempo histórico, mas de uma percepção que se perdeu e se apresenta anacrônica.

O que é usufruir um filme hoje? Para Bressane, temos filmes guloseima, consumidos depois do prato principal, algo supérfluo, ingerido sem necessidade, mais por reflexo do que por uma busca, que não alimenta, engolido após já estarmos saciados.

“É uma exigência medieval, hoje não há mais tempo para a observação sensível”, disse Bressane. O que sobra, diz, é a escória da usura –que justifica o salário. Consumimos por desespero.

Bressane nos dá um tapa, e penso se a ignorância é uma fatalidade imposta ou uma opção inconsciente.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 3h53 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O novo cinema em Tiradentes

Em Tiradentes, não há sala de cinema. Mas, em todos os começos de ano, turistas (principalmente de Minas Gerais), profissionais do cinema e jornalistas do Brasil inteiro deixam a região quase intransitável para ver e discutir filmes. Algo muito além dos habituais 7.002 habitantes, segundo o IBGE.

Estou aqui desde ontem, a convite da organização da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, para cobrir o festival. Entre os cinéfilos, o festival está em rota ascendente há pelo menos uns cinco anos. A fama foi o que me atraiu: Tiradentes é conhecida como a mostra brasileira mais aberta às experimentações de linguagem cinematográfica.

Ainda é cedo para dizer se a informação procede, mas a abertura oficial, ontem, foi particularmente significativa. Na tenda montada para o festival, personalidades discursaram e o filme de abertura, “O Gerente”, de Paulo Cezar Saraceni, foi exibido.

Não havia filme mais significativo para a escolha.

Saraceni é um dos fundadores do cinema novo, e um dos resistentes do cinema de invenção. Para ele, a arte e a poesia é o que importam. Cinema não se trata de mercadoria. È uma forma de ver o mundo, de viver o mundo, de existir. Saraceni sofreu um AVC há alguns anos, e impressiona ver como seu filme (ele não lançava nada desde 2003) é radical, provocador, nada acomodado.

“O Gerente” é Ney Latorraca, homem que circula entre a alta sociedade carioca e escandaliza a todos ao extravasar o hábito de morder a mão das senhoras. Foi baseado em um conto de Carlos Drummond de Andrade.

Na tenda não havia apenas moradores de Tiradentes, claro. Mas seria interessante se fosse, se tivéssemos apenas olhos desacostumados a ver cinema da maneira que ele deve ser vistos: numa tela grande, ao lado de outras pessoas.

Nesse mundo hipotético, imagino o impacto que um filme como “O Gerente” deve causar. Não temos ali as facilidades do cinema-produto, do cinema-televisão, do cinema que conta historinhas. Saraceni cria um filme-delírio, poético, em que o passado se mistura ao tempo presente e que, em determinado momento, mira diretamente para os desejos mais escondidos, inconfessáveis, do próprio espectador. Estariam olhos “virgens” melhor preparados para receber aquele jorro de experimentações. Ou, ao contrário, os olhos virgens estariam definitivamente fechados e inacessíveis?
 
Ao sair da tenda, lá pela meia-noite, o impacto. Aliás, uma das coisas que fazem a experiência de freqüentar uma sala de cinema algo ainda essencial, é o contraste entre o mundo interior da sala escura e o mundo exterior, “real”.

Pois no mundo real, quase não consegui andar entre as ruelas estreitas de calçamento irregular, de pedras. É aquele cenário que nos remete ao passado histórico, inconfidentes, barroco, luta contra a monarquia, Joaquim José da Silva Xavier etc.

Um cenário secular habitado por multidões de adolescentes e pré-adolescentes, arrumados com suas roupas de sair, prontos para paquerar e badalar. Hordas e hordas de jovens sedentos por diversão. Fico imaginando se o gerente do filme encontraria alguma mão para se apaixonar. Somos todos, de alguma forma, vampiros, mortos-vivos (isso tem a ver com o debate que aconteceu hoje, com o Júlio Bressane, mas deixo para o próximo post).

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 4h42 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Clint, o sereno

O cinema norte-americano tem uma longa relação com o além. Não me refiro a filmes de terror. Pense em “Ghost”, “Sexto Sentido” e, agora, “Além da Vida”, de Clint Eastwood.

O sucesso de tais filmes está ligado a fatores religiosos e crenças do espectador? Nem sempre.

É uma outra crença que entra em jogo: gostar de filmes em que tudo se encaixa no final, onde as coisas terminam fazendo um mínimo de sentido. Um cinema mais clássico.

De certa maneira, é como acreditar em vida após a morte. No final, há um alívio. Também tudo se encaixa, tudo faz sentido, e tudo, por mais doloroso que tenha sido o caminho, acaba ficando confortável.

Volta e meia, sempre haverá um detrator a criticar a crença em relação a esse tipo de filme. Clint Eastwood também é alvo fácil de outro tipo de detrator. Não são poucos que acusam o diretor de brega, açucarado, excessivamente melodramático.

“Além da Vida” vira, assim, alvo fácil. Ele estreia num momento interessante para os brasileiros, que têm visto uma onda de filmes ligados ao tema: “Chico Xavier”, “Aparecida”, “Nosso Lar”.

Penso no médium interpretado por Matt Damon no filme de Clint e no Chico Xavier do longa brasileiro. São basicamente dois mundos diferentes, duas visões de cinema. Um é galã, herói romântico. O brasileiro, por mais que seja baseado numa figura real, tem a sua personalidade fílmica calcada na interpretação e nas escolhas do ator Nelson Xavier. É um personagem essencialmente brasileiro, batalhador, sofrendo as consequências de ter nascido num país de Terceiro Mundo.

Para o brasileiro Daniel Filho, não existe essa coisa de cinema autoral. “Gosto do cinema bem narrado, de entender a história que estou vendo. Não gosto de filme de experimentação. Godard, para mim, acabou no primeiro. Não uso o cinema como uma exibição pessoal minha. Uso para montar uma história”, disse Daniel Filho em uma entrevista.

Não há, portanto, nos filmes de Daniel algo autoral _desde que não se considere o padrão Globofilmes algo autoral. É ruim? Não necessariamente.
Já Clint, mesmo trabalhando num gênero que lhe é estranho, com um roteiro que não é de sua autoria, consegue dar continuidade a temas que vem trabalhando nos últimos anos.

A morte está sempre por perto em filmes como “Menina de Ouro”, “Gran Torino”, “Sobre Meninos e Lobos”, “Cartas de Iwo Jima” etc.

Geralmente, ao fim dos filmes de Clint, costumo ficar com o coração apertado, mas aliviado ao mesmo tempo.

Por mais que os conflitos mostrados durante o filme sejam, muitas vezes, terríveis de suportar, há uma serenidade no encerramento. Talvez muito disso venha da própria personalidade de Clint. Atores costumam dizer que o set de Clint é um dos mais tranquilos e calmos de todos. Ele não grita “Ação”. Simplesmente pede para os atores começarem a cena. Há um senso de sabedoria que contamina a todos, segundo relatos.

É uma bela metáfora para a vida em si.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 5h39 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cinefilia viva


"Os Incompreendidos"

François Truffaut é um dos grandes enigmas do cinema. Não me refiro aos seus filmes, como “Os Incompreendidos”,

belos e nada herméticos como alguns realizados por colegas de geração, Godard principalmente.

Continua um dos grandes mistérios da história da arte entender como o Truffaut pré-diretor, pré-crítico e pré-persona pública, um jovem desconhecido de 22 anos, conseguiu escrever um texto que ajudaria a mudar os rumos do cinema francês e, depois, do cinema mundial.

Publicado no número 31 da revista “Cahiers du Cinéma”, em janeiro de 1954, o artigo “Uma Certa Tendência do Cinema Francês”, em suas cerca de 15 páginas, colocou em xeque o establishment cinematográfico de seu país. Truffaut atacava veementemente o padrão de qualidade então vigente, a “qualidade francesa”, de diretores veteranos e consagrados internacionalmente.

A a partir daí, num resumo em ritmo demasiadamente acelerado, Truffaut e os colegas de geração defenderam a “política dos autores” na mesma revista e, mais tarde, partiram da militância crítica para a criação de seus próprios filmes. Era a nova geração, a nouvelle vague, tomando o poder.

Essa é uma das histórias, a central, do livro “Cinefilia”, de Antoine Baecque, que será lançado na segunda quinzena de fevereiro pela Cosac Naify. Baecque, ex-crítico e editor da “Cahiers”, faz o retrato de seis críticos, André Bazin, George Sadoul, François Truffaut, Roger Tailleur, Bernard Dort e Serge Daney, para entender um fenômeno que atingiu sua plenitude com repercussões de peso nos anos 50 e 60.

Para a geração do pós-guerra, a paixão não era apenas pelos filmes. Era, naquele momento, necessário colocar o filme em debate, entender, analisar. Textos, revistas, livros e críticos específicos passavam a ser alvo de similar dedicação por parte dos cinéfilos.

Geração que teve nos “jovens turcos” da “Cahiers du Cinéma” seus expoentes mais célebres e influentes. Pois é a cinefilia que faz Truffaut e Chabrol verem em Hitchcock algo mais do que um bom técnico. É a cinefilia que impulsiona a admiração por gente como Samuel Fuller, nomes hoje inquestionavelmente grandes.

Um tom saudosista percorre a leitura de “Cinefilia”. É o retrato de uma época que não volta mais, que pode soar démodé nos dias atuais. A cinefilia descrita no livro é praticamente um ato religioso, que vê na relação espectador-público uma relação sagrada. A sala de cinema é quase uma sacristia, e o filme exibido na tela, uma revelação e manifestação divina. Aos abençoados é permitido entrar em contato com uma realidade superior, mais elevada, menos mundana.

Nos dias de hoje, vemos tal relação com mais força em épocas de mostras de cinema, já que as salas, principalmente as de shoppings, são templos de consumo de pipoca, e não de revelação “divina”.

A cinefilia está morta?

Reproduzo trecho de “Cinefilia”:

“A propósito da multiplicação dos cineclubes no imediato pós-guerra, o elemento central da retomada da cinefilia, ele [André Bazin] propunha que ‘O futuro historiador do cinema deverá concentrar-se mais na espantosa revolução que está em via de se operar no consumo cinematográfico do que nos progressos técnicos no decurso desses mesmos anos’”.

A cinefilia está transformada, metamorfoseada, intimidada, mas nunca morta.

Truffaut burilou “Uma Certa Tendência do Cinema Francês” durante dois anos antes da publicação. Seria possível algo assim hoje, em tempos de tweets mais rápidos do que a conexão de sinapses? E poderia um texto, hoje, capaz de tamanho poder transformador? Especulações são apenas exercício de imaginação.

Mas vejo a cinefilia atualmente como uma prática ainda mais secreta e alternativa do que em seus tempos áureos. E, se hoje não há mais contexto histórico ou lugares físicos para ela se expor como antes, a cinefilia sobrevive nas comunidades que devoram torrents e acumulam gigabytes nos computadores, em DVDs e pen drives. O desespero do cinéfilo agora é dar conta de tantos filmes para assistir em casa e, ainda assim, conseguir tempo para desenvolver um pensamento crítico _e sentir prazer depois de tudo isso.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 11h57 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Blog Ilustrada no Cinema O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.