Ilustrada no Cinema

 

 

Os vídeos e os duendes de Esmir Filho

Por Leonardo Cruz (no Rio)

Autor de bons curtas como “Saliva” (2007) e “Alguma Coisa Assim” (2006), Esmir Filho faz sua estreia em longas-metragens com o belo “Os Famosos e os Duendes da Morte”, apresentado em competição na noite de ontem no Festival do Rio.

O filme conta a história de um adolescente que vive numa pequena cidade gaúcha de raízes alemãs e que encontra na internet uma saída para o isolamento do interior do Rio Grande do Sul. Essa interação digital do personagem é ponto central do filme e resultado da pesquisa do cineasta para a obra: ele encontrou parte do elenco pela rede, em pesquisas entre os jovens descendentes de imigrantes da região do vale do Taquari, onde o longa foi rodado.

Para Esmir, seu filme é a peça principal de “um movimento integrado”, que transborda o cinema. Outra peça é o romance homônimo e autobiográfico de Ismael Caneppele, que inspirou o filme e que está sendo lançado pela editora Fina Flor.

Os outros dois braços do movimento estão na internet. Primeiro: os canais de Jingle Jangle no YouTube e no Flickr. No filme, Jingle Jangle é a garota misteriosa por quem o protagonista se interessa. Ele passa boa parte do tempo assistindo aos vídeos que ela grava e coloca no YouTube. Esses vídeos, que aparecem em vários momentos do filmes, estão na íntegra nesse canal de Jingle Jangle.

Segundo: as músicas de Nelo Johann, jovem gaúcho que compôs quase todas as canções de “Os Famosos e os Duendes da Morte”. Johann disponibiliza seu trabalho na internet desde 2001. São 16 discos inteiros (incluindo alguns EPs), divulgado na página dele no MySpace e pelo site 4shared.com, de troca gratuita de arquivos na rede.

“Eu queria que o filme juntasse várias formas de expressão que estavam soltas na internet. Que trouxesse uma voz, criasse uma rede entre essas pessoas”, diz Esmir Filho, que ficou conhecido na internet em 2006 pelo curta “Tapa na Pantera”, um dos primeiros grandes hits do YouTube no Brasil.

No vídeo no alto deste post, assista a um teaser do filme de Esmir Filho, que passa ainda nesta terça no Festival do Rio. O longa também será exibido na Mostra de SP em outubro e deve entrar em cartaz no país em fevereiro ou março de 2010. Abaixo, alguns dos vídeos de Jingle Jangle (em que ela aparece com Julian, outro personagem misterioso do filme). São ótimos para entender um pouco o espírito do longa.

Leia a cobertura diária do Festival do Rio na versão impressa da Ilustrada. A reportagem completa sobre "Os Famosos e os Duendes dos Mortos" será publicada na edição desta terça. 

Escrito por Leonardo Cruz às 3h05 PM

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Uma conversa com Jeanne Moreau

                                                                                    Divulgação

Por Leonardo Cruz (no Rio)

Na entrevista a seguir, concedida no Rio de Janeiro anteontem, a atriz francesa Jeanne Moreau, 81, fala sobre passagens importantes de sua carreira, do trabalho com grandes amigos, como Orson Welles, François Truffaut, Louis Malle e Luís Buñuel. Principal homenageada do Festival do Rio, ela também discute suas técnicas de interpretação e relembra as filmagens de “Joana Francesa”, que fez com Cacá Diegues em 1973, em Marechal Deodoro (Alagoas). Pela agenda apertada da atriz no Brasil, a conversa foi curta, apenas 40 minutos. E ficaram de fora questões sobre nomes importantes na carreira dela, como Antonioni, Fassbinder e Wenders.

A DESCOBERTA DO TEATRO
Vivi em Paris durante toda a ocupação, criada de forma bastante rigorosa. Era proibida de ler jornais, de ver filmes, de ir ao teatro. Mas, nos momentos de ausência do meu pai, ficava um pouco mais fácil. Minhas amigas costumavam ir ao teatro. Éramos um grupo de quatro garotas. Menti para meu pai e fui com elas ver uma apresentação em um teatro de Paris, numa tarde. E era “Antígona”. Quando vi aquela performance, soube que ali era o local onde gostaria de estar. Por causa da heroína da peça, que diz ‘não’ ao poder, que se rebela. Quando contei em casa que queria ser atriz, meu pai me estapeou.
Mas minha mãe me apoiava. Comecei a estudar no conservatório em 1937, mesma época em que peguei meus primeiros papéis na Comedie Française. Assinei um contrato com a Comedie em 1938 e comecei a fazer cinema naquela mesma época.

MALLE E TRUFFAUT
Conheci Louis em 1957, depois de fazer “A Rainha Margot”, o primeiro filme francês em Tecnicolor, um grande sucesso. Estava no teatro na época, com Peter Brook, encenando “Gata em Teto de Zinco Quente”, de Tennessee Williams, quando recebi a visita de dois representantes da produtora de Louis Malle. Ele já era conhecido na época pelo filme que fez com Jacques Costeau [“O Mundo Silencioso”]. Meu agente não queria que eu trabalhasse com Malle. Ele disse: “Esse homem só sabe filmar peixes”. Mas eu me interessei por Malle e por suas ideias, troquei de agente e fiz “Ascensor para o Cadafalso”.
Em 1957, estava com Louis em Cannes, para apresentar “Ascensor”, no antigo Palácio do Festival, quando vi um homem pequenino vindo em nossa direção. Era François Truffaut, que conhecia Louis. Em um momento em que Louis estava longe, François pediu meu telefone e disse que queria me mandar um livro. Era “Jules e Jim”.
Quando estávamos filmando “Jules e Jim”, o coprodutor, de repente, parou de acreditar no filme, nas cenas que vira filmadas, e foi embora. Tivemos que parar as filmagens. Eu já tinha feito um bom dinheiro naquela época. Então disse a François: tenho dinheiro. E virei coprodutora do filme.

A ARTE E A NATUREZA HUMANA
Na minha vida, todos os filmes, mesmo os que não foram bem-sucedidos, construíram quem eu sou, não só a atriz mas principalmente a mulher. Minha vida toda é dedicada à tentativa de descobrir a natureza humana. Temos uma vida que nos é dada e precisamos fazer alguma coisa com ela. Não só ganhar dinheiro, casar, ter filhos, ficar velhos e morrer sem entender porque estamos neste mundo. Temos que buscar respostas. E eu sempre tive uma enorme curiosidade em relação à vida. Tenho certeza que morrerei sem ter entendido a natureza humana, mas não vou deixar de tentar.

BUÑUEL E WELLES
A criação de cada personagem é sempre diferente. Depende do diretor. Por exemplo, Don Luís [Buñuel, com quem ela fez “Diário de uma Camareira”] nunca falava sobre um filme ou um personagem. Nunca. Eu conhecia os filmes dele e intuía. Descobria o personagem só no set, pelas roupas que ele vestia.
Orson [Welles, com quem fez quatro filmes] era parecido, ele não intelectualizava. Você nunca sabia o que iria filmar. Ele não deixava você ver o roteiro. Só dava algumas indicações, mas também era tudo muito intuitivo. Gosto assim. Conheço atores que gostam de decorar suas falas, estudá-las, decorá-las. Eu nunca decoro minhas falas. Mas leio o roteiro todos os dias. Do começo ao fim, para ver como o personagem se encaixa.

FÚRIA NO SET (sobre a briga que teve com os irmãos Hakim, produtores de “Eva”, em 1962)
Estávamos muito desapontados, porque os produtores cortaram o dinheiro, curtaram cenas, não gostavam do filme, não corresponderam ao que esperávamos deles. Eu tinha imposto Joe Losey como diretor, e eles eram contra. Um dia, eles foram ao estúdio na Cinecittá. Havia uma mesa enorme no fundo, onde a equipe do filme comia. E havia uma faca grande para cortar pão. Eu ameacei um deles com uma faca. Disse que abriria o estômago dele, se ele não fosse embora. Ele foi.

FILMAGENS DE “JOANA FRANCESA” NO BRASIL
Sou uma eterna viajante. Estou sempre de malas prontas. E Cacá me convidou, fiquei encantada com a ideia, com a possibilidade de conhecer um novo país. O que mais me lembro é da cachaça. Bebíamos muito. Lembro do calor. Da Dona Maria, da fazenda em que filmamos perto de Marechal Deodoro. Não havia hotéis lá. Tive que dormir em um convento. Era obrigada a estar no quarto antes das dez da noite, enquanto os brasileiros da produção ficavam se divertindo. Lembro-me de ter acordado uma vez no meio da noite com duas freiras me olhando. Foi uma experiência muito poderosa, durante dois meses.
E, claro, outro momento forte foi gravar a canção de Chico [“Joana Francesa”, tema do filme]. Eu o conheci, Milton Nascimento e Caetano Veloso também estavam lá.

A “MALA” DO ATOR; A CRIAÇÃO DOS PERSONAGENS
Orson me dizia que ser ator é como ter nascido em um trem que ficará rodando por décadas sem parar. E você precisa ter todo o necessário em uma mala. Guarde nessa mala sua história, ideias, emoções. Não deixe nada para trás. E você a usa quando o personagem pede.
Quando tenho que retratar um ser humano nascido da imaginação, estou a serviço não só do diretor mas desse pessoa à qual entreguei minha carne, meu rosto, minha voz. Me entrego completamente para criar algo novo, que tem tudo de mim, mas que não se parece comigo.
E, quando acabo um filme, me separo totalmente do personagem. Algumas vezes nem vejo os filmes prontos. Porque já vi o filme de perto demais.

MEDO DO PALCO E OS AMIGOS QUE MORRERAM
Minha relação com os amigos que morreram é ainda tão importante quanto a que tenho com os vivos. Quando faço algo no palco, sempre há aquele momento de pânico, pouco antes da estreia, em que você esquece tudo, todo o trabalho que foi feito, a relação com outros atores, técnicos, o que o diretor espera de você. E de repente surge uma enorme calma. E eu dedico a noite a todas as pessoas que não estão lá. Amigos, família e todos esses homens e mulheres que foram e ainda são muito importantes para mim. Alguns atores encaram o palco como um ringue, como uma luta com o público. Eu não. Eu me entrego ao público com todo o amor de que sou capaz.

A ESTREIA COMO DIRETORA (com “Lumière”, de 1976)
Queria contar uma história sobre relacionamentos entre atrizes, algo que surgiu de uma conversa com François Truffaut. Sempre dizem que as atrizes se odeiam, são inimigas. Eu achava tudo isso estranho, coisa de americano. Mas, quando casei com um americano [o diretor William Friedkin], descobri que essa competição existe nos EUA, porque o mercado é diferente, a razão pela qual eles fazem cinema é diferente. A bilheteria é muito mais importante, e surgem essas brigas.
Por causa disso, comecei a escrever a partir de minha própria experiência. Conversei com Orson sobre isso. Ele foi a única pessoa que me encorajou a dirigir. Disse que eu conhecia a profissão, que estava sempre no set, e que tinha um desejo poderoso. E que, com um bom diretor de fotografia, eu conseguiria resolver qualquer dúvida técnica que tivesse.
Quando falei com François, ele não gostou da história. Mandei o roteiro para ele. E ele me devolveu cheio de anotações. Já não era mais minha história, era dele. Me arrependo de não ter guardado aquele roteiro.

O FILME QUE NÃO FEZ
Tinha um plano de fazer um filme sobre grandes atrizes na velhice. Sete grandes atrizes do cinema americano desde o nascimento do cinema. Comecei com Lillian Gish, fiz contato com Bette Davis e Ava Gardner. Greta Garbo também aceitou participar, desde que eu não filmasse o rosto dela. Eu queria filmar o andar dela. Na época, o produtor do filme, de quem eu era bastante próxima, ficou muito doente. Teve câncer no cérebro e se foi. E eu decidi abandonar o projeto.

A IMPORTÂNCIA DO CINEMA
O cinema, como toda arte, representa uma rebelião de uma certa parte da sociedade. É muito saudável para qualquer país ter um cinema forte, que discuta as questões. E eu sou e sempre fui uma rebelde.

*

Leia mais sobre Jeanne Moreau na versão impressa da Folha deste sábado (Ilustrada, pág. E5).

Escrito por Leonardo Cruz às 1h56 AM

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Os filmes da 33ª Mostra de SP

                                                                                 Fotos Divulgação

"35 Shots of Rhum", de Claire Denis, um dos filmes imperdíveis

Por Leonardo Cruz

Ainda falta pouco mais de um mês para a 33ª Mostra de SP, mas grande parte da programação do festival já está definida. Mais de 200 longas estão confirmados para o evento, que acontece de 22 de outubro a 5 de novembro. Muitos outros ainda devem entrar, e alterações ainda podem acontecer. A seguir, a lista dos filmes estrangeiros definidos até o momento, em ordem alfabética e seguindo os títulos divulgados pela Mostra. Os títulos em negrito são apostas e/ou recomendações do blog. Ao final do post, estão as homenagens e retrospectivas, que também ainda estão sujeitas a acréscimos e modificações.

“1ª Vez 16 mm”, de Rui Goulart (Portugal)
“35 Shots of Rum”, de Claire Denis (França)
“500 Dias com Ela”, de Marc Webb (EUA)

“A Farewell to Hemingway”, de Svetoslav Ovtcharov (Bulgária)
"A Fita Branca", de Michael Haneke (Áustria)

“A Frozen Flower”, de Yu Ha (Coreia)
“A Man who Ate his Cherries”, de Payman Haghani (Irã)
“À Procura de Eric”, de Ken Loach (Inglaterra)
“A Religiosa Portuguesa”, de Eugéne Green (Portugal)

“A Zona”, de Sandro Aguilar (Portugal)
“Accidents Happen”, de Andrew Lancaster (Austrália)

"Aconteceu em Woodstock", de Ang Lee (EUA)
“Adam”, de Max Mayer (EUA)
“Adam Resurrected”, de Paul Schrader (EUA)
“Altiplano”, de Peter Brosens e Jessica Woodworth (Alemanha)
“Amer”, de Hélène Cattet e Bruno Forzani (Bélgica, França)
“American Swing”, de Jon Hart e Mathew Kaufman (EUA)
“Amor en Tránsito”, de Lucas Blanco (Argentina)
“Amreeka”, de Cherien Dabis (EUA)
“Anaphylaxis”, de Ayman Mokhtar (Reino Unido)
“Ander”, de Roberto Castón (Espanha)
“Art Inconsequence”, de Robert Kaltenhaeuser (Alemanha)
“Arte de Roubar”, de Leonel Vieira (Portugal)

“Backyard”, de Carlos Carrera (México)
“Bad Day to Go Fishing”, de Alvaro Brechner (Espanha, Uruguai)
“Bathory”, de Juraj Jakubisko (Eslováquia)
“Be Calm and Count to Seven”, de Ramtin Lavafipour (Irã)
“Being Mr. Kotschie”, de Norbert Baumgarten (Alemanha)
“Beket”, de Davide Manuli (Itália)
“Bilal”, de Sourav Sarangi (Índia)
“Borderline”, de Lyne Charlebois (Canadá)
“Bright Star”, de Jane Campion (Reino Unido)
“Buddenbrooks”, de Heinrich Breloer (Alemanha)

“Carmel”, de Amos Gitaï (Israel, França)
“Chasing Che”, de Alireza Rofougaran (Irã)
“Cinerama”, de Inês de Oliveira (Portugal)
“Coffin Rock”, de Rupert Glasson (Austrália)
“Cold Souls”, de Sophie Barthes (EUA)
“Colin”, de Marc Price (Reino Unido)
“Comrade Couture”, de Marco Wilms (Alemanha)
“Cooking with Stella”, de Dilip Mehta (Canadá)
“Courting Condi”, de Sebastian Doggart (EUA, Reino Unido)
“Coweb”, de Xin Xin Xiong (Hong Kong, China)
“Crap’s Game”, de Ali Özgentürk (Turquia)

“Daniel & Ana”, de Michel Franco (México, Espanha)
“Dark Buenos Aires”, de Ramon Termens (Espanha, Argentina)
“Dear Lemon, Lima”, de Suzi Yoonessi (EUA)
“Delphi - 6”, de Rakeysh Omprakash Mehra (Índia)
“Desperados on the Block”, de Tomasz Emil Rudzik (Alemanha)
“Dogtooth”, de Yorgos Lanthimos (Grécia)
“Dorfpunks”, de Lars Jessen (Alemanha)


O grego "Dogtooth", prêmio da Um Certo Olhar em Cannes

“Efeitos Secundários”, de Paulo Rebelo (Portugal)
“El Sistema”, de Paul Smaczny, Maria Stodtmeier (Alemanha)
"Eastern Plays", de Kamen Kalev (Bulgária)

“Every Little Step”, de James D. Stern e Adam Del Deo (EUA)
“Everyone Else”, de Maren Ade (Alemanha)

“Fence”, de Toshi Fujiwara (Japão)
“Film Is a Girl & a Gun”, de Gustav Deutsch (Áustria)

"Food Inc.", de Rebert Kenner (EUA)
“Formosa Betrayed”, de Adam Kane (EUA, Tailândia)
“Frontier Blues”, de Babak Jalali (Irã, Reino Unido, Itália)
“Futebol Brasileiro”, de Miki Kuretani (Japão)

“German Souls”, de Martin Farkas, Matthias Zuber (Alemanha)
“Germany 09”, de Fatih Akin, Tom Tykwer e outros (Alemanha)
“Go Get Some Rosemary”, de Joshua e Ben Safdie (EUA)
“Green Water”, de Mariano de Rosa (Argentina)

“Hair India”, de Raffaele Brunetti e Marco Leopardi (Itália)
“Hangtime”, de Wolfgang Groos (Alemanha)
“Havan York”, de Luciano Larobina (México)
“Heiran”, de Shalizeh Arefpour (Irã)
“Henri-Georges Clouzot’s Inferno”, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea (França)
“Huacho”, de Alejandro Fernández Almendras (Chile)
“Humpday”, de Lynn Shelton (EUA)

“Ibrahim Labyad”, de Marwan Hamed (Egito)
“Initiation”, de Peter Kern (Áustria)
“Into The Lion’s Den”, de Nicolas Bénac, Cedric Robion (França)
"Irene", de Alain Cavalier (França)

"Katalin Varga", de Peter Strickland (Romênia)
“Kalandia - A Checkpoint Story”, de Neta Efrony (Israel)
“Kicks”, de Lindy Heymann (Reino Unido)
“Kids and Kids”, de Zhang Feng (China)
“King Hugo and His Dumsel”, de Franco De Peña (Polônia, Venezuela)

“La Guerre des Fils de la Lumière Contre les Fils des Ténèbres”, de Amos Gitaï (França)
“La Pivellina”, de Rainer Frimmel e Tizza Covi (Áustria, Itália)

"Les Beaux Gosses", de Riad Sattouf (França)
"Les Herbes Folles", de Alain Resnais (França)
“Life in the Building Blocks”, de Alfredo Hueck, Carlos Caridad (Venezuela)
“Little Joe”, de Nicole Haeusser (EUA)
“London River”, de Rachid Bouchareb (Reino Unido, França, Argélia)

“Madholal Keep Walking”, de Jaí Tank (Índia)
“Mamachas of the Ring”, de Betty M Park (Bolívia, EUA)
“Menino Peixe”, de Lucía Puenzo (Argentina)
“Miss Stinnes Motors Round the World”, de Erica von Moeller (Alemanha)
“Morrer como um Homem”, de João Pedro Rodrigues (Portugal, França)
“Mother”, de Bong Joon-ho (Coreia)

“O Cerco - A Democracia nas Malhas do Neoliberalismo”, de Richard Broullitte (Canadá)
“O Fantástico Sr. Raposo”, de Wes Anderson (EUA)
"O Imaginário do Dr. Parnassus", de Terry Gilliam (Reino Unido)

“Of Heart and Courage, Ballet Bejart Lausanne”, de Arantxa Aguirre (Espanha)
“Of Parents and Children”, de Vladimir Michalek (República Tcheca)
“On Foot”, de Fereydoun Hasanpour (Irã)
“One Week”, de Michael McGowan (Canadá)
“Only When I Dance”, de Beadie Finzi (Reino Unido)
“Os Sorrisos do Destino”, de Fernando Lopes (Portugal)
“Outrage”, de Kirby Dick (EUA)
“Oye Lucky! Lucky Oye!", de Dibakar Banerjee (Índia)


"Politist, Adjectiv", mais um destaque do cinema romeno

“Paperplanes”, de Simon Szabó (Hungria)
“Partners”, de Frederic Mermoud (França, Suíça)
“Peter & Vandy”, de Jay Di Pieto (EUA)
“The Private Lives of Pippa Lee”, de Rebecca Miller (EUA)
“Playground”, de Libby Spears (EUA)

"Politist, Adjectiv", de Corneliu Porumboiu (Romênia)
“Prank”, de Péter Gárdos (Hungria)

"Polytechnique", de Denis Villeneuve (Canadá)

“Ramirez”, de Albert Arizza (Espanha)
“Red Sunrise”, de Gianfranco Pannone (Itália)
“Salvage”, de Lawrence Gough (Reino Unido)
“Samson & Delilah”, de Warwick Thornton (Austrália)
“Searching for the Elephant”, de S. K. Jhung (Coreia)
“Sede de Sangue”, de Park Chan-wook (Coreia)
“Sex Volunteer”, de Kyeong-duk Cho (Coreia)

“She, a Chinese”, de Xioalu Guo (China)
“Shirin”, de Abbas Kiarostami (Irã)
“Should I Really do It?”, de Ismail Necmi (Turquia)
“Singularidades de uma Rapariga Loura”, de Manoel de Oliveira (Portugal)
“Sleeping Soungs”, de Andreas Struck (Alemanha)
“Spiral”, de Jorge Pérez Solano (México)
“Still Walking”, de Hirokazu Kore-Eda (Japão)
“Super Star”, de Tahmineh Milani (Irã)
“Sweet Rush”, de Andrzej Wajda (Polônia)

"Tales From the Golden Age", de Cristian Mungiu e outros (Romênia)
"The 40th Door”, de Elchin Musaoglu (Azerbaijão)
“The Anarchist’s Wife”, de Marie Noëlle, Peter Sehr (Alemanha)
“The Arrivals”, de Claudine Bories, Patrice Chagnard (França)
“The Dispensables”, de Andreas Arnstedt (Alemanha)
“The Invention of Flesh”, de Santiago Loza (Argentina)
“The Mermaid and the Diver”, de Mercedes Moncada Rodriguez (Espanha, México)
“The Misfortunates”, de Felix van Groeningen (Bélgica)
“The Nature of Existence”, de Roger Nygard (EUA)
“The People I’ve Slept With”, de Quentin Lee (Canadá, EUA)
“The Pope’s Miracle”, de Pepe Valle (México)
“The Red Spot”, de Marie Miyayama (Alemanha)
“The Room in the Mirror”, de Rubi Gaul (Alemanha)
“The Stoning of Soraya M.”, de Cyrus Nowrasteh (EUA)
 “The Wolberg Family”, de Axelle Ropert (França)
“This Very Instant”, de Manuel Huerga (Espanha)
“Tide of Sand”, de Gustavo Montiel Pagés (México-Argentina)
“Todos Mentem”, de Matías Piñeiro (Argentina)
“Tokyo!”, de Michel Gondry, Leos Carax, Bong Joon-ho (França, Japão, Alemanha)
“Tom Zé Astronauta Libertado” (Tom Zé Liberated Astronaut), de Ígor Iglesias González (Espanha)
“Tomorrow at Dawn”, de Denis Dercourt (França)
“Trimpin: O Som da Invenção”, de Peter Esmonde (EUA)
“Tsar”, de Pavel Luguin (Rússia)

"Twenty", de Abdolreza Kahani (Irã)

“Under Rich Earth”, de Malcoml Rogge (Canadá, Equador)
“Unmade Beds”, de Alexis dos Santos (Inglaterra)
“Unmistaken Child”, de Nati Baratz (Israel)


"Vincere", de Marco Bellocchio, destaque de Cannes-09

"Vincere", de Marco Bellocchio (Itália)

“Ward Number 6”, de Karen Shakhnazarov (Rússia)
“West of Pluto”, de Henry Bernadet, Myriam Verreault (Canadá)
“When the Lemons Turned Yellow...”, de Mohammad Reza Vatandoost (Irã)
“White on Rice”, de Dave Boyle (EUA, Japão)
“Wolson: Aria of the Straits”, de Ota Shinichi (Japão)
“Worldrevolution”, de Klaus Hundsbichler (Áustria)

“Zapping-Alien@Mozart-Balls”, de Vitus Zepichal (Alemanha, Áustria)
“Zero”, de Pawel Borowski (Polônia)

RETROSPECTIVA DE THEO ANGELOPOULOS
“Dust of Time”
“Paisagem na Neblina”
“A Eternidade e um Dia”
“O Passo Suspenso da Cegonha”
“Um Olhar a Cada Dia”
“O Vale dos Lamentos”

RETROSPECTIVA DE GIAN VITTORIO BALDI (filmes dirigidos e produzidos por ele)
 “Fuoco!”, de Gian Vittorio Baldi (Itália)
“Il Cielo Sopra di Me”, de Gian Vittorio Baldi (Itália)
“Luciano, una Vita Bruciata”, de Gian Vittorio Baldi (Itália)
“Nevrijeme, Il Temporale”, de Gian Vittorio Baldi (Itália)
“Ultimo Giorno di Scuola Prima Delle Vacanze di Natale”, de Gian Vittorio Baldi (Itália)
“Appunti Per Un’Orestiade Africana”, de Pier Paolo Pasolini (Itália)
“Cronaca di Anna Magdalena Bach”, de Danièle Huillet, Jean-Marie Straub (Itália)
“Diario di una Schizofrenica”, de Nelo Risi (Itália)
“Porcile”, de Pier Paolo Pasolini (Itália, França)

PANORAAM DO CINEMA SUECO
“Corações em Conflito”, de Lukas Moodysson
“Metropia”, de Tarik Saleh

“Mr. Governor”, de Mans Mansson
“Quase Elvis” (Almost Elvis), de Petra Revenue
“The Ape”, de Jesper Ganslandt
“The Eagle Hunter’s Son”, de Renè Bo Hansen
“The Great Adventure”, de Arne Sucksdorff
“The King of Ping Pong”, de Jens Jonsson
“The Swimsuit Issue”, de Mans Herngren

“Os Emigrantes” (The Emigrants), de Jan Troell
“Everlasting Moments”, de Jan Troell
“The New Land”, de Jan Troell
“Who Saw Him Die?”, de Jan Troell

“Gabrielle”, de Hasse Ekman
“Girl with Hyacinths”, de Hasse Ekman
“Ombyte Av Tág”, de Hasse Ekman
“The Banquet”, de Hasse Ekman
“Wandering with The Moon”, de Hasse Ekman

HOMENAGEM A FANNY ARDANT
"Cinza Sangue”, de Fanny Ardant (França)
“A Mulher do Lado”, de François Truffaut (França)
“Crimes de Autor”, de Claude Lelouch (França)
“De Repente, Num Domingo”, de François Truffaut (França)

*

Leia mais na versão impressa da Ilustrada deste sábado (pág. E6)

Escrito por Leonardo Cruz às 7h36 AM

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Brillante Mendoza por Brillante Mendoza

                                                                                     Divulgação

O filipino Brillante Mendoza: oito filmes em cinco anos

Por Leonardo Cruz

Brillante Mendoza chega nesta quinta a São Paulo como principal convidado do Indie, o festival que acontece até o próximo dia 24 no Cinesesc. Nome ascendente no circuito internacional de festivais, o cineasta filipino disputou a Palma de Ouro em Cannes em 2008, com “Serbis”, e em 2009, com “Kinatay”, pelo qual recebeu o prêmio de melhor diretor. Na semana passada, apresentou no Festival de Veneza seu segundo filme do ano, “Lola”, que também disputou o Leão de Ouro.

O público do Indie poderá ver, de graça, sete dos oito longas de Mendoza _só “Lola” não veio. A convite do blog, o diretor filipino comentou cada um dos filmes que serão exibidos por aqui. Leia abaixo.

“Massagista” (2005)
A rotina de Iliac, massagista de clientela gay, moralmente dividido entre o trabalho e a origem de família religiosa.
Quando: amanhã, às 24h; quarta, às 22h40

“Foi o trabalho que mudou minha vida. Alterou minha perspectiva sobre cinema, me fez abandonar a publicidade. Acho que poderia ter feito um filme melhor, mas fiquei satisfeito com o resultado. No fundo é uma história de amor. Mas eu não queria que fosse uma história romântica, melodramática, sobre um cara fazendo massagem em um prostíbulo. Queria mostrar as coisas como elas eram, o tipo de gente que vivia lá, sem filtros.”

“A Professora” (2006)
A vida numa comunidade indígena filipina pelos olhos de uma garota de 13 anos que alfabetiza adultos, num esforço para que eles votem nas eleições.
Quando: segunda, às 16h30

“Eu tinha vontade de retratar essas pessoas, que habitam uma região de montanhas e são conhecidos como ‘africanos filipinos’, porque são negros e têm cabelos encaracolados. É um povo socialmente deslocado, isolado, e isso me atraía. Nessa época, depois de ‘Massagista’, tive muitas ofertas para fazer filmes comerciais, mas abri mão, porque eu já tinha feito publicidade. Seria quase a mesma coisa."

“Kaleldo” (2006)
As relações entre um pai dominador e suas três filhas ao longo de uma temporada de verão nas Filipinas.
Quando: sábado, às 20h20; quinta, às 22h20

“Tentei fazer uma experiência, um filme um pouco mais comercial, com atores famosos nas Filipinas, mas mantendo meu estilo, minhas ideias. Por causa do elenco, foi meu filme de maior sucesso no país. Mas não funcionou.”

“John John” (2007)
Thelma é a assistente social contratada para dar abrigo e cuidar de órfãos até que eles sejam adotados.
Quando: domingo, às 18h30

“Esse é um assunto muito caro para mim, porque tenho uma filha adotiva. Não tinha como errar, porque é um tema ao qual eu estava emocionalmente muito ligado. Consegui contar a história ao meu modo, com liberdade para fazer o que queria.”

“Tirador” (2007)
Batedores de carteiras e políticos em campanha se misturam nas favelas de um bairro comercial de Manila.
Quando: sábado, às 16h45; terça, às 22h

“É um olhar cínico sobre o sistema político filipino. No começo, um filme sobre os pequenos ladrões, mas, no fundo, uma crítica aos grandes trapaceiros que dominam a política do país.”

“Serbis” (2008)
Um cinema decadente, que exibe filmes pornôs e atrai garotos de programa, é também a casa de uma família.
Quando: domingo, às 22h50

“Em um país muito católico e conservador como as Filipinas, quis discutir o que é moral e o que é imoral. E o que uma família é capaz de fazer para continuar junto, unida.”

“Kinatay” (2009)
Para ganhar um dinheiro extra, um aspirante a policial se envolve no sequestro de uma prostituta.
Quando: hoje, às 20h30 (apenas para convidados)

“É todo baseado em um depoimento real, um comentário sobre como atua a polícia filipina e como a vida cotidiana no país é perigosa.”

*

Confira mais trechos da entrevista com Brillante Mendoza na pág. E6 da versão impressa da Ilustrada desta quinta.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h25 AM

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Uma alternativa ao Festival do Rio

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"A Fuga da Mulher-Gorila", um dos filmes
da nova Semana dos Realizadores

Por Leonardo Cruz

Um cinema brasileiro mais autoral, mais arriscado, menos preocupado com resultados comerciais a curto prazo. E que busca espaço para ser visto. Essa é a proposta da Semana dos Realizadores, mostra organizada por um grupo de diretores (e curadores de festivais) que começa nesta sexta no Rio.

Há cerca de dez dias, Eduardo Valente, Felipe Bragança, Gustavo Spolidoro, Helvécio Marins Jr., Kléber Mendonça Filho, Lis Kogan e Marina Meliande colocaram de pé o evento, que apresentará 19 filmes, entre curtas, médias e longas, no Unibanco Arteplex, na praia de Botafogo.

A inspiração, como o nome deixa claro, é a Quinzena dos Realizadores, a mostra paralela ao Festival de Cannes que surgiu há 40 anos como um desafogo para uma produção que não cabia mais na programação oficial. Nesse raciocínio, a Semana se coloca como uma alternativa ao Festival do Rio, que vai de 24/9 a 8/10 e exibe mais de 300 títulos.

"O Festival do Rio cresceu muito, reunindo filmes muitos diferentes entre si, numa programação sem um rumo muito claro", diz Valente, crítico de cinema, editor da revista Cinética e cineasta. "E esse cinema de matriz mais autoral ficaria deslocado, marginal demais na programação", completa o diretor de "No Meu Lugar", apresentado em Cannes neste ano e que passará na Semana.

Além de "No Meu Lugar", outros destaques da mostra são "A Fuga da Mulher-Gorila", de Felipe Bragança e Marina Meliande, recém-exibido no Festival de Locarno, e "Morro do Céu", de Gustavo Spolidoro, o mesmo de "Ainda Orangotangos".

Valente rebate o argumento que o projeto seria a "Semana dos Recusados", de longas que teriam sido rejeitados pelo Festival do Rio. "Boa parte desses filmes nem foi inscrita no festival. Três receberam convite para participar, mas não quiseram", comenta o diretor, que evita uma posição de confronto com a maior mostra de cinema carioca. "Não queremos atentar contra ninguém nem criar polêmicas. Só queremos que esses filmes sejam de fato vistos."

A programação completa e o manifesto de seus criadores estão disponíveis na íntegra no blog da Semana dos Realizadores.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h11 PM

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Festival de Veneza, a segunda metade

Por Leonardo Cruz (em Veneza)

A exibição dos filmes em competição pelo Leão de Ouro acabou nesta sexta, e os vencedores do Festival de Veneza serão conhecidos amanhã. Se a primeira metade da mostra teve em Claire Denis, Chéreau, Michael Moore e Herzog como destaques, a segunda parte apresentou três grandes longas e ao menos outros três bons filmes.

1. “Lola”: De repente, Brillante Mendoza baixou em Veneza. Foi o segundo filme-surpresa da competição. E a segunda produção do ano do cineasta filipino, que já faturou o prêmio de direção em Cannes-09 por “Kinatay”. Em “Lola”, Mendoza deixa de lado a violência e a escatologia explícitas dos filmes anteriores e faz uma obra em que o elemento visual mais forte é a água. Chove quase o tempo todo no filme, rodado numa alagada periferia de Manila, cheia de canais ladeados por cortiços. Esse cenário contribui para a atmosfera carregada de “Lola”, filme que acompanha o cotidiano de duas idosas unidas por um crime: o neto de uma matou o neto da outra. Enquanto uma organiza o funeral, a outra tenta tirar o parente da cadeia. A questão judicial ganha força conforme o longa avança e faz de “Lola” uma discussão sobre o valor da vida, a honra dos mortos e como sobreviver na pobreza. O melhor filme da competição do festival.

2. “A Single Man”: De repente, Tom Ford virou cineasta. Todo-poderoso do mundo da moda, ex-diretor de grifes como Gucci e Yves Saint Laurent, Ford mostrou em Veneza, no último dia do festival, um drama muito potente, que deve ter cortado o coração de Ang Lee, o presidente do júri. É a adaptação de um romance escrito em 1964 pelo americano Christopher Isherwood, sobre um homem que tenta superar a perda do namorado, com quem viveu por 16 anos. Colin Firth interpreta esse professor em depressão, cujo desinteresse pela vida se reflete na palheta de cores do filme. Quando ele está mal, se arrastando em sua rotina, as imagens são esmaecidas, desbotadas. Quando melhora, o filme se enche de cores fortes e vibrantes. Essa solução visual é a grande marca de “A Single Man”, que trata não só da dificuldade de curar feridas como também, de forte sutil, do preconceito aos homossexuais nos EUA.

3. “Lebanon”: a surpresa de Veneza 2009. Samuel Maoz lutou na Guerra do Líbano em 1982 e passou 27 anos digerindo sua experiência no conflito. Fez um ou outro curta e ganhava a vida com comerciais. E trouxe a Veneza seu primeiro longa, uma reconstituição ficcional dos dias que passou enfiado em um tanque israelense, entrando em território libanês. Um filme claustrofóbico, em que o espectador só vê aquilo que Maoz viu: o interior sujo, apertado e escuro do blindado, e o campo de batalha, sob a perspectiva limitada da mira do canhão do tanque.

4. “Soul Kitchen”: Fatih Akin descobriu que a vida não é só cheia de desgraças. “Soul Kitchen” é o mais perto que um alemão conseguiria chegar de uma comédia amalucada, “screwball”, sobre o dono de um restaurante vagabundo, que só serve fritura e comida congelada, na periferia de Berlim. Ele está na pior, cheio de dívidas, ameaçado pela vigilância sanitária, largado pela namorada e com uma hérnia de disco que o impede de cozinhar. Duas pessoas fazem sua vida mudar: seu irmão, que deixa a cadeia com uma condicional para trabalhar no restaurante, e um novo chef biruta. O cozinheiro é o responsável pelas melhores piadas do filme _Birol Ünel, que já trabalhara com Akin em “Contra a Parede”, cria um personagem que mistura Gordon Ramsey com Klaus Kinski. É o filme alto-astral de Veneza.

5. “Survival of the Dead”: Romero não se cansa de inventar jeitos de colocar seus zumbis em cena. Agora, tomou como base um clássico do faroeste e o encheu de mortos-vivos. O filme inspirador é “Da Terra Nascem os Homens” (1958), de Willian Wyler, e a briga por terras que opunha duas famílias na obra original foi trocada por uma rixa entre clãs sobre o que fazer com os mortos-vivos: exterminá-los ou domesticá-los, à espera de uma cura para a morte. Não há diálogo possível entre as duas famílias, tudo é resolvido no chumbo, num filme em que os humanos passam mais tempo matando uns aos outros do que aos zumbis. E é essa mensagem de desumanização que interessa a Romero. Um filme que valeria só por sua cena final, um duelo de zumbis à luz da Lua.

6. “Mr. Nobody”: Cinéfilos moderninhos farão fila para ver este filme do belga Jaco Van Dormael sobre “efeito borboleta”. Jared Leto é Nemo Nobody, último homem prestes a morrer de causas naturais, em 2092. Ele relembra sua vida, ou melhor, as muitas variantes de sua vida, a partir de uma decisão que tomou na infância: escolher entre o pai e a mãe no momento do divórcio. Essas cinco ou seis vidas hipotéticas são contadas de forma entrelaçada, num longa em sintonia com os trabalhos de Charlie Kaufman e Michel Gondry.

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Acompanhe a cobertura diária do Festival de Veneza na versão impressa da Ilustrada.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h21 PM

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Festival de Veneza, um primeiro balanço

Por Leonardo Cruz (em Veneza)

Encerrado o sexto dia do Festival de Veneza, já é possível apontar alguns destaques da competição pelo Leão de Ouro e afirmar que 2009 já se mostra bem mais interessante que 2008. A seguir, alguns highlights desta primeira metade do festival, que vai até o próximo sábado.

1. “White Material” - Sem dúvida o melhor filme da competição até aqui. É a veterana Claire Denis, diretora francesa pouco conhecida no Brasil, mas de grandes filmes como “Beau Travail” (2001). Agora, ela dirige Isabelle Huppert num filme que tem como cenário Camarões à beira de uma guerra civil. Huppert é a francesa branca que tem uma fazenda de café no meio de um país negro em convulsão social. Contrariando todos os avisos, ele decide ficar e defender sua propriedade. É um filme sobre a incapacidade de enxergar, de ver o que se passa ao nosso redor, e sobre o que é o sentimento de posse, sobre coisas e pessoas.

2. “Persécution” - Patrice Chéreau conta a história de um homem rancoroso (Romain Duris), agressivo com os amigos, em crise constante com a namorada (Charlotte Gainsbourg) e que, de súbito, começa a ser perseguido por um desconhecido. Um filme em que tudo parece fora de lugar, sobre os tempos angustiados em que vivemos.

3. Duas Vezes Herzog - O diretor alemão dominou o final de semana. Depois de exibir sua refilmagem de “Vício Frenético” na sexta, reapareceu no sábado, com o filme-surpresa “My Son, My Son, What Have Ye Done?”. No primeiro, Herzog se afasta radicalmente do original de Abel Ferrara. Seu “The Bad Lieutenant” é quase uma paródia do filme de 1992, ao mesmo tempo que uma reflexão sobre a América ficou mais cínica desde então. “My Son, My Son” é tudo o que você poderia esperar de uma parceria entre Herzog e David Lynch (que assina a produção). Brad Macallam (Michael Shannon) é o homem que mata a mãe a golpes de espada e se tranca em casa com reféns. Ele ainda possui dois flamingos de estimação, mora numa casa cor de rosa e crê ter encontrado o rosto de Deus no rótulo de uma lata de aveia. Sacou o espírito?

4. “Capitalism, a Love Story” - Ah, esse Michael Moore. Sensacionalista, manipulador, autocentrado, o documentarista americano usa todos esses defeitos para fazer um filme extremamente engraçado e sedutor sobre a relação que os EUA têm com seu sistema econômico. Leia a crítica completa aqui.

5. “35 Vues du Pic Saint Loup” - depois do ótimo “Não Toque no Machado” (2007), Jacques Rivette retorna com uma comédia dramática bem-humorada e de enorme leveza. Sergio Castellito interpreta um viajante que cruza a França em seu Porsche conversível e encontra pelo caminho Kate (Jane Birkin), uma ex-acróbata que reencontra sua trupe circense após 15 anos de ausência. Se no filme anterior Rivette explorava os espaços fechados de um convento para construir sua ficção, aqui o picadeiro do circo é o espaço para desenvolver as relações de seus personagens.

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Acompanhe a cobertura diária do Festival de Veneza na versão impressa da Ilustrada.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h22 PM

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