Ilustrada no Cinema

 

 

Uma conversa com o diretor de "Deixe Ela Entrar"

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Tomas Alfredson, diretor do ótimo horror "Deixe Ela Entrar"

Por Leonardo Cruz

Um diretor de um filme de vampiros que nunca se interessou muito pelo cinema de horror. Essa aparente contradição talvez seja o segredo do sueco Tomas Alfredson, responsável por “Deixe Ela Entrar”, melhor longa de vampiros em muitos anos, obra de sutileza incomum em seu gênero.

O filme acompanha a amizade entre duas crianças de 12 anos, Oskar e Eli, durante um rigoroso inverno na periferia de Estocolmo. A diferença é que Eli é uma mini-Drácula, garotinha que ataca jugulares quando a fome aperta.

“Deixe Ela Entrar” é um dos destaques do SP Terror, festival que acontece até quinta-feira no cine Reserva Cultural, em São Paulo. O filme terá sua segunda (e última) sessão nesta quarta, às 21h. Por conta da exibição, Tomas Alfredson respondeu a algumas perguntas por e-mail. A seguir, a íntegra da conversa virtual.

Quando e por que você decidiu adaptar o romance original de John Lindqvist?
Peguei o romance de John há quatro anos, numa praia na Polônia, nas férias de verão. Li em 48 horas e não conseguia tirá-lo da cabeça. O elemento que mais me tocou foi a descrição direta, sem sentimentalismo, de Oskar, o menino intimidado, porque eu também passei por tempos difíceis na escola. Outro ponto que me impressionou no livro foi a ambientação seca da história, em um retrato fiel, sem espaço para nostalgia, do subúrbio sueco no começo dos anos 80.

Você precisou fazer alguma grande adaptação na história original?
No livro, o personagem Hakan é um pedófilo assumido. Abuso de crianças é um ingrediente muito forte para um filme. É muitas vezes usado de forma descuidada, para causar um efeito, caracterizar um personagem como muito-muito-louco-indecente, sem nenhuma profundidade.

Na versão para o cinema de “Deixe Ela Entrar”, isso teria prejudicado o foco. No filme, Hakan é uma aparição misteriosa. Para mim, ele é ou um “Oskar velho”, um antigo amor de Eli, ou o oposto, o único tipo de homem com quem ela é capaz de conviver, uma pessoa que ela despreza, porque amor e proximidade são as únicas coisas que a ameaçam.

Como foi a escolha do elenco? Você teve dificuldade para encontrar as crianças que fariam Eli e Oskar?
Na Suécia, não há atores mirins profissionais. Então, você sempre tem que começar do zero quando tem um projeto com crianças. Fizemos vários testes em toda a Suécia durante 12 meses. Tínhamos uma decisão assustadora a tomar: escolher os dois protagonistas. Mas acho que nossa escolha se revelou muito boa.

Como você preparou Lina Leandersson, uma menina de 12 anos, para interpretar um vampiro?
Dirigir crianças é um trabalho de desconstruir sequências em pedaços menores, mais compreensíveis. Não faz sentido tentar descrever a síntese de uma sequência, um longo intervalo de tempo, para crianças dessa idade.

Um exemplo. Uma sequência de quatro cenas:

A.     Um menino está andando triste pela rua, lambendo os lábios. Talvez ele esteja com fome?

B.     O garoto observa os doces em uma vitrine e olha para sua carteira vazia.

C.      Ele está sentado em sua cama, mastigando, cercado por 50 embalagens vazias de balas.

D.     O garoto vomita no banheiro. Ouvimos a mãe dele chamando para o jantar, mas ele não responde. 

Dessa sequência, talvez o espectador entendesse que o garoto está sem grana, que começou a roubar, que tem um distúrbio alimentar e que esconde tudo isso de sua mãe.

Essas quatro cenas provavelmente não seriam filmadas de forma contínua e talvez com intervalos de semanas entre si. Nessa sequência, eu orientaria o garoto da seguinte forma:

A.     “Você está indo da escola para casa. Quando chegar perto daquele carro azul, pare por quatro segundos e pense com muita vontade em um bife bem suculento.”

B.     “Olhe para os doces, eles parecem deliciosos. Depois, veja se você tem algum dinheiro na carteira.” A equipe do filme já teria entregado uma carteira ao garoto, sem que ele soubesse que ela está vazia. Assim, a reação do menino seria a mais espontânea possível.

C.      “Cara, você está muito cansado depois de comer todos estes doces.”

D.     “Você está doente, vomitando.” E provavelmente não diria nada sobre o chamado da mãe, cuja voz extra-plano seria inserida em outra ocasião.

Trabalhando assim, o ator mirim não tem que assumir a responsabilidade de toda a construção [do personagem] em cada bloco. Ao contrário, focamos no dia a dia e em ações e sentimentos compreensíveis.

Nem Kare [Hedebrant, que faz Oskar] nem Lina leram o roteiro antes. Eles recebiam suas cenas a cada manhã. Se fossem cenas curtas, eu as leria em voz alta, eles não receberiam nenhum papel. É claro que os pais deles já haviam lido e aprovado o roteiro.

Oskar e Eli são outsiders, cada um ao seu modo. Esse é o elo que une os dois?
Sim. Sempre os considerei os dois lados da mesma moeda. Em termos dramáticos, eles são o mesmo personagem. Ela é o que ele precisa ser, representa os sentimentos que ele não pode extravasar, por ser frágil fisicamente.

Que filmes você viu e que livros leu na preparação para este filme? Que influências identifica no projeto?
Tento evitar a influência de outros cineastas quando faço um filme. Ouço música e estudo pinturas. No caso desse filme, vi muitas telas do pintor renascentista Hans Holbein [alemão, 1497/98-1543].

Qual sua opinião sobre filmes de horror? Você gosta do gênero? Tem favoritos?
Na verdade, sou totalmente ignorante em relação a filmes de horror _não que não goste deles, apenas nunca me interessei o suficiente. Suponho que, como qualquer criança, eu tenha visto Bela Lugosi correndo por aí como conde Drácula, em filmes em preto e branco na TV. Então, trabalhar com esse gênero foi uma experiência totalmente nova para mim. Se eu precisava de alguma informação sobre vampirismo, ligava para o autor [do romance original] e ele me explicava tudo.

Quais seus planos futuros? Já está trabalhando em algum novo filme?
Neste momento, estou envolvido com uma peça no Royal Dramatic Theatre de Estocolmo. Estreará em setembro. Estou analisando vários projetos internacionais, mas ainda não decidi nada.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h01 PM

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Um merecido prêmio a Ismail Xavier

                                                      Ricardo Nogueira/Folha Imagem

Ismail, autor de "O Olhar e a Cena", entre outros livros

Por Sérgio Rizzo

Informações relacionadas a prêmios acadêmicos só costumam circular no campo universitário; e, mesmo nele, em caráter também restrito. Desta vez, no entanto, mais gente ligada a cinema precisa saber da notícia: o professor e ensaísta paranaense Ismail Norberto Xavier acaba de receber aquela que talvez seja a mais respeitada distinção na área de comunicação no Brasil, o prêmio Luiz Beltrão, em sua categoria mais nobre, de “maturidade acadêmica”.

Instituído em 1997, o prêmio é outorgado anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e homenageia em seu nome um dos pioneiros na pesquisa de comunicação no país, o jornalista pernambucano Luiz Beltrão de Andrade de Lima (1918-1986). Seu objetivo é reconhecer “a excelência do trabalho realizado nas universidades por docentes e pesquisadores, bem como por entidades que fomentam estudos ou desenvolvem projetos comunicacionais relevantes para o desenvolvimento sociocultural do país”.

No comunicado oficial da premiação de 2009, a Intercom afirma que Ismail “tem contribuído para o engrandecimento dos estudos comunicacionais, com destacada atuação, reconhecida nacional e internacionalmente, nas pesquisas do cinema brasileiro e da crítica/estética cinematográfica”. Ele e os vencedores nas demais categorias receberão o prêmio em 6 de setembro, durante o 32º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, em Curitiba (PR).

Professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Ismail é autor de livros-chave na bibliografia sobre cinema em português, como “O Discurso Cinematográfico - A Opacidade e a Transparência” (1977), que apresenta, “dentro da faixa mais ampla possível, as mais significativas posturas estético-ideológicas que foram assumidas frente ao cinema ao longo de praticamente 60 anos (da primeira guerra mundial ao início dos anos 70)”, e “Alegorias do Subdesenvolvimento - Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal” (1993), que sintetiza teses defendidas na New York University, em 1982, e na USP, em 1989.

Mais recentemente, em “O Olhar e a Cena - Melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson Rodrigues” (2003), Ismail deu nova mostra da “maturidade acadêmica” destacada pela Intercom, com textos de alcance extraordinário; ele escreve com a mesma combinação de simplicidade, lucidez e erudição que pauta suas aulas, como sabem todos os que foram seus alunos ou assistiram a suas palestras e intervenções em debates.

Quem não o conhece, ou o conhece e quer revê-lo para cumprimentá-lo pelo prêmio Luiz Beltrão, pode assistir à sua participação no colóquio sobre o cineasta francês Jean Rouch que tem início hoje na Cinemateca Brasileira. Ismail participará da última mesa, na próxima sexta, sobre as relações entre Rouch e o Brasil, falando sobre “o transe e o êxtase” na obra de Rouch e na do brasileiro Arthur Omar.

Escrito por Sérgio Rizzo às 11h52 AM

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Dois livros, 5.000 filmes

Por Sérgio Rizzo

Mora em São Paulo, gosta de cinema e não tem compromisso para esta terça à noite? Duas sugestões de programa: o economista e pesquisador Antonio Leão da Silva Neto e o crítico Luciano Ramos vão autografar seus novos livros, que, juntos, reúnem informações sobre 5.005 filmes (seriam 5.060, mas 55 aparecem em ambos).

Em números, Leão ganha de Ramos, com larga vantagem. Pudera: a segunda edição de seu “Dicionário de Filmes Brasileiros - Longa-Metragem”, com 1.152 páginas, traz verbetes sobre 4.194 filmes produzidos entre 1908 e 20 de abril de 2009, mais 337 “prontos para lançamento ou em produção/finalização”, e 239 “inacabados ou projetos não realizados”. Total: 4.770, ou cerca de 23% a mais do que a primeira edição, de 2002, com 944 páginas, que reuniu verbetes sobre 3.883 títulos.

O novo volume, patrocinado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, será distribuído gratuitamente a instituições educacionais e culturais. Como não chegará às livrarias, uma boa oportunidade de levá-lo para casa é comparecer à noite de lançamento, no Espaço Cultural 2001 Vídeo (av. Sumaré, 1.744), a partir das 19h30, e preencher um cadastro obrigatório.

Não muito longe dali, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073), a partir de 18h30, Ramos vai autografar “Os Melhores Filmes Novos - 290 Filmes Comentados e Analisados” (Contexto, 336 páginas, R$ 43). De acordo com o critério de seleção do autor, apresentado na introdução, “filmes novos” seriam longas-metragens lançados no Brasil entre 2005 e 2008. “Eu assisti a praticamente todos (quase 2.000) e selecionei os 290 melhores”, explica. A seleção, no entanto, inclui também longas que só chegaram ao circuito comercial brasileiro em 2009, como “O Leitor”, “Foi Apenas um Sonho” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Cerca de 19%, ou 55 títulos, são nacionais, que ocupam um capítulo à parte; os demais são organizados por aventura, comédia, documentário, drama, fantasia, história e infantil. Como todo recorte, o de Ramos é sujeito a divergências. “Santiago”, por exemplo, não foi selecionado, mas “16 Quadras”, “A Caçada” e “O Despertar de uma Paixão”, sim. A maioria dos filmes tem direito a uma página; alguns, a duas. E cem deles -- “em respeito àqueles leitores que, apesar de seu interesse pelo cinema, não disponham de tempo para se dedicar a todos eles” -- ganham uma bandeirinha: são os “imperdíveis”, segundo Ramos. “Boleiros 2”, “Lost Zweig”, “O Sonho de Cassandra” e “O Segredo de Berlim” estão entre os que mereceram a distinção.

*

No podcast do blog, um comentário sobre os três filmes com Selton Mello em cartaz nos cinemas brasileiros.

Escrito por Sérgio Rizzo às 11h50 AM

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Uma rápida explicação e um aviso

A explicação:

Este blog ficou parado na semana passada, e tal pasmaceira se deveu, em boa parte, ao pequeno terremoto cultural da última quinta. Com a morte de Michael Jackson, todos os esforços de quem faz o Ilustrada no Cinema se concentraram na cobertura do fato. Com isso, não foi possível colocar no ar alguns posts previstos para quinta e sexta. Acabada a correria, as atividades do blog voltam ao normal a partir de hoje.

O aviso:

Assim como os ativistas iranianos, o David Lynch e o Wanderley Luxemburgo, este blog também tem agora um canal no Twitter.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h43 AM

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“Empire” ganha um belo presente de aniversário

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Sam Neill, que fez "Parque dos Dinossauros" com Spielberg,
em foto para a edição especial da revista "Empire"

Por Cássio Starling Carlos

“Quando me convidaram para ser editor especial do número de comemoração dos 20 anos da revista eu disse imediatamente: ‘Cadê o dinheiro?’” A declaração bem-humorada e desavergonhada de Steven Spielberg abre o editorial do número deste mês da britânica “Empire”.

Com dinheiro de sobra, Spielberg pôde realizar um trabalho memorável, no qual obviamente se destaca sua ideia de cinema e alguns de seus protagonistas (como os molequinhos de “Goonies”, hoje todos marmanjos), retratados num portfólio produzido com a excelência habitual.

Os perfis guardam o material mais suculento, com destaque para um de Clint Eastwood cujo enfoque são os dois reconhecidos pais espirituais de seu trabalho como diretor: Sergio Leone e Don Siegel. Um trecho desta entrevista foi publicado com exclusividade pelo jornal britânico “The Independent”.

Outro trunfo da edição que encerra o material especial são as memórias de Jack Nicholson das filmagens de “O Iluminado”, acompanhado de uma lista dos projetos kubrickianos que nunca viram a luz do dia (entre os quais constam adaptações de “O Perfume”, de Patrick Süskind, e de “O Pêndulo de Foucault”, de Umberto Eco _que teria recusado a proposta devido ao desapontamento provocado pela versão que Jean-Jacques Annaud fez de “O Nome da Rosa”).

Já sobre si mesmo, o editor foi mais modesto, protagonizando apenas uma (dispensável) “entrevista” em que um bando de amigos faz perguntas tais como “Por que a maioria dos diretores americanos usa barba?” ou “Quando você vai me convidar para aparecer num de seus filmes?” ou ainda “Qual seu restaurante italiano favorito?”.

Muito mais interessante é o questionário enviado a 12 diretores que a edição supõe representar a diversidade de filmes de hoje. Em meio a questões inúteis como “qual o segredo da direção?” ou “você tem ou já teve um boné de beisebol ou barba?”, duas podem interessar particularmente ao público cinéfilo: 1) “Qual plano você mais gosta de um filme?”; 2) “Qual filme você gostaria de ter dirigido?”.

Confira as respostas:

Catherine Hardwicke (“Aos Treze”, “Crepúsculo”)
1) O globo ocular voando em “Uma Noite Alucinante 2” (Sam Raimi, 1987)
2) “Blade Runner” (Ridley Scott, 1982)

Danny Boyle (“Trainspotting”, “Quem Quer Ser um Milionário”)
1) Qualquer um de “Sangue Negro” (Paul Thomas Anderson, 2007)
2) “Apocalypse Now” (Francis Ford Coppola, 1979)

J. J. Abrams (“Missão Impossível 3”, “Star Trek”)
1) São tantos, mas fico com a primeira aparição de Grace Kelly em “Janela Indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954)
2) “Núpcias de Escândalo” (George Cukor, 1940)

James Cameron (“O Exterminador do Futuro”, “Titanic”)
1) São dois: o do osso e o da espaçonave em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (Stanley Kubrick, 1968). Dois milhões de anos do progresso técnico humano em um único corte de gênio.
2) “Parque dos Dinossauros” (Steven Spielberg, 1993)

Paul Greengrass (“Vôo United 93”, “O Ultimato Bourne”)
1) O último plano de “O Poderoso Chefão 2” (Francis Ford Coppola, 1974)
2) “A Batalha de Argel” (Gillo Pontecorvo, 1966)

Pedro Almodóvar (“Tudo Sobre Minha Mãe”, “Volver”)
1) O da lâmina cortando o globo ocular em “Um Cão Andaluz”, de Buñuel (1929)
2) “A Dama de Shangai” (Orson Welles, 1947)

Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chihiro”, “O Castelo Animado”)
1) O que Wyatt Earp caminha de braços dados com Clementine em “Paixão dos Fortes” (John Ford, 1946)
2) Nenhum

Sam Mendes (“Beleza Americana”, “Foi Apenas um Sonho”)
1) Em “Taxi Driver”, De Niro ao telefone, Scorsese faz uma panorâmica e nos deixa olhando um corredor vazio. É a coisa mais solitária que já vi.
2) “Taxi Driver” (Martin Scorsese, 1976)

David Fincher (“Clube da Luta”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”)
1) A entrada de Omar Sharif em “Lawrence da Arábia” (David Lean, 1962)
2) “Janela Indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954) ou “Muito Além do Jardim” (Hal Ashby, 1979)

Andrew Stanton (“Procurando Nemo”, “Wall-E”)
1) Quando Lawrence acaba de atravessar o Sinai em “Lawrence da Arábia”, vemos sua face fatigada e um soldado britânico grita do outro lado do Canal de Suez: “Quem é você?”
2) “Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988)

M. Night Shyamalan (“O Sexto Sentido”, “A Vila”)
1) São tantos que a lista não teria fim
2) “A Última Sessão de Cinema” (Peter Bogdanovich, 1971)

Guillermo Del Toro (“O Labirinto do Fauno”, “Hellboy”)
1) Boris Karloff caminhando pelo quadro no “Frankenstein” de James Whale (1931) e o monstro nadando sob Julie Adams em “O Monstro da Lagoa Negra” (Jack Arnold, 1954)
2) “O Fantasma do Paraíso” (Brian De Palma, 1974) e “A Noiva de Frankenstein” (James Whale, 1935)

Escrito por Cássio Starling Carlos às 4h23 PM

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Um retrato afetuoso de Arnaldo Baptista

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta o documentário "Loki" e a forma delicada como o filme retrata seu protagonista, o músico Arnaldo Baptista, um dos criadores dos Mutantes. Para ouvir, basta clicar no microfone.

 

Escrito por Sérgio Rizzo às 4h05 PM

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Conheça os vampiros de Guillermo Del Toro

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Del Toro, cujo livro "Noturno" sai no Brasil em agosto, pela Rocco

Por Leonardo Cruz

Um Boeing 777 com 210 passageiros a bordo aterrissa normalmente no aeroporto de Nova York. Assim que a aeronave para na pista, suas luzes se apagam. Todas, interiores e exteriores. A torre de controle tenta contato com os pilotos. Sem resposta. O avião permanece inerte por muitos minutos, sem nenhuma manifestação da tripulação e dos passageiros.
 
Assim começa “Noturno”, nova obra do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, do premiado “O Labirinto do Fauno” (2006). Mas “Noturno” não é um novo filme, e sim um livro. O primeiro volume de uma trilogia de terror, sobre uma Nova York atacada por vampiros, numa invasão iniciada por um vírus.
 
Escrito em parceria com o americano Chuck Hogan, autor de narrativas de suspense, “Noturno” foi lançado nos EUA no mês passado e em alguns países da Europa nas últimas semanas. Chegará às livrarias brasileiras em agosto, pela editora Rocco.
 
Em uma entrevista ao diário espanhol “El País”, Del Toro contou que inicialmente planejava fazer uma minissérie de TV, por acreditar que o projeto tinha “um largo arco dramático, que não poderia ser resumido nas duas horas de um filme nem em um livro”. Apresentou a ideia ao braço televisivo da Fox _a emissora lhe respondeu que estava mais interessada em uma comédia.

Foi então que o cineasta-escritor decidiu alterar seu plano inicial, acertou a parceria com Hogan e transformou a minissérie em uma trilogia. O jornal espanhol colocou em seu site o primeiro capítulo do romance, e já dá para sentir a pegada de “Noturno”. Aqui vai um trechinho da edição em espanhol:

"Cuando se acercó a la parte superior del avión, el viento se detuvo. Hay que señalar algo sobre las condiciones climáticas de la pista de estacionamiento del JFK: el viento nunca se detiene. Nunca jamás. Siempre hay viento en la pista; allí, donde los aviones vienen y van, entre los saladares y el helado oceano Atlántico al otro lado de Rockaway. Pero, de repente, todo se hizo realmente silencioso, tanto que Lo se quitó los grandes protectores de felpa para estar segura de lo que sucedía. Creyó escuchar un martilleo en el interior del avión, pero no tardó em comprender que era tan sólo el latido de su propio corazón.
Encendió su linterna y alumbró el costado derecho de la nave.

Siguió el rayo circular de la luz, y notó que el fuselaje aún estaba húmedo y resbaladizo tras el aterrizaje, y sintió un repentino olor a lluvia de primavera. Iluminó la larga hilera de ventanas con la linterna, pero todas las persianas estaban cerradas.

Se asustó, pues eso era muy extraño. Se sintió apabullada por el enorme avión de 250 millones de dólares y 150.000 toneladas de peso. Tuvo una sensación fugaz, pero fría y palpable de estar ante una bestia semejante a un dragón; un demônio que solo aparentaba estar dormido, y que en realidad era capaz de abrir sus ojos y su horrible boca en cualquier momento. Fue como un relámpago psíquico, un escalofrío que la recorría com la fuerza de un orgasmo al revés, tensionando y anudándolo todo.

Entonces notó que una de las persianas estaba levantada. Los vellos de la nuca se le erizaron tanto que tuvo que poner su mano sobre ellos para aquietarlos, como apaciguando a uma mascota nerviosa. Ella no había visto esa persiana antes. Siempre había estado abierta: siempre.

Tal vez...

La oscuridad se agitaba en el interior del avión, y Lorenza sintió que algo la estaba observando.

Gimió inútilmente como una niña. Estaba paralizada. Uma punzante avalancha de sangre, precipitándose como si acatara una orden, le apretó la garganta...

Y entonces ella entendió de manera inequívoca: algo iba a devorarla..."


A íntegra desse primeiro capítulo pode ser lida aqui. A seguir, um vídeo em que Del Toro conta (em inglês) mais detalhes da trilogia.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h10 PM

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"À Deriva" abrirá o Festival de Paulínia

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Laura Neiva e Vincent Cassel, em "À Deriva", de Heitor Dhalia

Por Leonardo Cruz

Exibido na seção Um Certo Olhar do último Festival de Cannes, “À Deriva”, de Heitor Dhalia, terá sua primeira exibição no Brasil no mês que vem, na abertura da segunda edição do Festival de Cinema de Paulínia.

Com Vincent Cassel e Débora Bloch, o terceiro longa de Dhalia acompanha as relações de uma família durante uma temporada na praia, sob o olhar de Filipa, 14, a adolescente da família, interpretada pela estreante Laura Neiva. O filme foi bastante aplaudido ao final de sua sessão em Cannes, definido por Thierry Frémaux, diretor-geral do festival, como “um belo filme de um jovem cineasta”.

“À Deriva” encabeça uma seleção de 12 longas da mostra de Paulínia, que acontece de 9 a 16 de julho. Serão seis ficções e seis documentários na programação, formada em sua maioria por filmes nacionais inéditos. Os títulos escolhidos devem ser anunciados na próxima semana.

Confirmado esse pacote de inéditos, Paulínia, cidade do interior paulista, dará um passo importante para consolidar sua posição no circuito brasileiro de festivais. O evento já começou bem no ano passado, quando lançou “A Encarnação do Demônio”, a volta do veterano José Mojica Marins, e “Feliz Natal”, a estreia na direção de Selton Mello.

A seguir, o trailer de “À Deriva”, que entra em cartaz no circuito comercial brasileiro em 31 de julho.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h40 PM

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"Apenas o Fim" e "Cantoras do Rádio"

 
 

"Apenas o Fim" e "Cantoras do Rádio"

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta duas estreias nacionais: a ficção "Apenas o Fim", de Matheus Souza, e o documentário "Cantoras do Rádio", de Gil Baroni e Marcos Avellar. Para ouvir, basta clicar no microfone.

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h11 PM

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O Oscar dos trailers 2009

Por Sérgio Rizzo

De fundamental importância na campanha de promoção de um longa-metragem, sobretudo a partir da popularização da internet, os trailers foram motivo de brincadeiras em diversos filmes recentes que falam da indústria cinematográfica ou resvalam nela, como “O Amor Não Tira Férias” (2006), em que Cameron Diaz interpreta uma montadora especializada na atividade, “Trovão Tropical” (2008) e “Um Louco Apaixonado” (2008).

Nos EUA, empresas e os quase anônimos profissionais da área disputam há dez anos o Prêmio Golden Trailer. A cerimônia de premiação deste ano foi realizada no último dia 4, no cinema do Directors Guild (o sindicato norte-americano dos diretores), em Los Angeles.

Foram distribuídos prêmios em 62 categorias, incluindo spots para TV e pôsteres. Apesar da quantidade, é um dos raros eventos na área do audiovisual em que os vencedores podem ser exibidos na íntegra. Além disso, a sessão possibilita notar também como o material de promoção muitas vezes é superior ao próprio filme, sugerindo algo que o espectador depois não encontra (aspecto ironicamente destacado pela categoria Golden Fleece, ou Velo de Ouro, a “lã dourada” que cobriria a “ovelha”).

Abaixo, o resultado nas principais categorias. Entre parênteses, o nome da produtora responsável. As datas de lançamento são do portal Filme B.

Ação: “Velozes e Furiosos 4”, AV Squad

Animação/para família: “WALL-E”, Craig Murray Productions

Comédia: “Bruno”, The Ant Farm (estreia prevista no Brasil para 31 de julho)

Documentário: “O Equilibrista”, The Edit Pool

Drama: “Frost/Nixon”, Empire Design

Horror: “Alma Perdida”, Buddha Jones

Independente: “O Lutador”, Mark Woollen & Associates

Música: “Onde Vivem os Monstros”, The Ant Farm (estreia prevista no Brasil para 23 de outubro)

Romance: “(500) Days of Summer”, Mark Woollen & Associates (estreia prevista no Brasil para 13 de novembro)

Suspense: “Anjos e Demônios”, Trailer Park

Videogame: “Star Wars: The Force Unleashed”, Eyestorm Productions

Voz over: “Trovão Tropical”, Buddha Jones

Mais trash: “One-Eyed Monster”, The Refinery (sem previsão de lançamento no Brasil)

Mais original: “My Winnipeg”, Kinetic Trailers (exibido na Mostra Internacional de São Paulo, sem previsão de lançamento no Brasil)

Megaprodução do verão 2009: “Star Trek”, Aspect Ratio

Velo de Ouro: “The Spirit”, Seismic Productions

Escrito por Sérgio Rizzo às 3h48 PM

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Filmes de primeira fora do circuito oficial

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"A Carreira de Suzanne", de Rohmer, em cartaz na Cinemateca

Por Cássio Starling Carlos

Chegamos à metade do ano e a queixa recorrente nestes dias entre críticos e frequentadores assíduos do chamado cinema autoral se concentra na mediocridade do que estamos vendo. A culpa, no entanto, se deve à programação ou à safra? Difícil responder, já que só tendo visto “tudo” para jogar a culpa na oferta.

Enquanto isso, quando dá preguiça de apostar em alguma opção em cartaz no circuito, existem duas saídas: recorrer ao DVD ou conferir o circuito alternativo, aquele que ocupou a antiga função cultural dos cineclubes e têm garantido (e muitas vezes expandido) a oferta de ciclos informativos e de formação, preenchendo lacunas e fazendo retornar obras há muito fora de circulação.

A oferta deste circuito só neste mês e no próximo dá a impressão de que nós, cinéfilos paulistanos, vivemos num paraíso não muito distante do parisiense. A Cinemateca, por exemplo, encerra ao longo deste mês a impecável programação do ciclo “Mademoiselle Nouvelle Vague”, que agora se concentra na produção de Godard e Rohmer dos anos 60. Paralelamente, suas salas abrigam desde sexta um amplo ciclo “Cinema Marginal Brasileiro”, com curadoria do superespecialista Eugênio Puppo e previsão de término apenas em dezembro.  

Depois de apresentar uma retrospectiva completa do francês Jacques Tati, o CCBB prepara para este mês um ciclo que exibirá 12 longas do desconhecido diretor alemão Helmut Käutner (1908-1980), cuja filmografia começou em pleno regime nazista e se estendeu por quatro décadas. A cereja do bolo do mês fica para o dia 24, quando chega a São Paulo, depois de etapas no Rio e em Brasília, a ineditíssima mostra de 33 trabalhos de Chris Marker.

Simultaneamente, o Reserva Cultural sediará de 25 de junho a 2 de julho o mais novo festival da cidade, o SP Terror – Festival Internacional de Cinema Fantástico, que apresentará 25 títulos, parte inéditos, e uma promissora Mostra Especial, de filmes marcantes do gênero.

Azar do circuito oficial se a programação continuar bocejante, porque logo em seguida, de 6 a 12 de julho, começa a 4ª edição do Festival Latino-Americano de SP, que se espalhará por sete salas, todas com entrada franca. Será a vez de conferir desde os primeiros trabalhos, ainda em curtas, de nomes como o argentino Daniel Burman, até o reencontro de Gael García Bernal e Diego Luna em “Rudo y Cursi” e o ainda inédito “No Meu Lugar”, estreia no longa de Eduardo Valente.

Parece pouco? Pois será difícil escolher, já que do dia 8 até 19/7 o CCBB volta a roubar as atenções com o ciclo “O Cinema de Ernst Lubitsch”, com 14 filmes do diretor alemão que já era grande desde pequeno e é mais conhecido pela fase no cinema americano.

Da seleção, dez títulos serão exibidos em película, com destaque para o devaneio egípcio em “Os Olhos da Múmia” e para “Sapataria Pinkus”, um dos primeiros trabalhos de Lubitsch que sobreviveu e no qual já se encontra em pleno vigor a marca de seu humor.

“Ninotchka” e “Ser ou Não Ser”, dois clássicos tardios da fase americana, também serão exibidos em película. Motivo mais que suficiente para voltarmos a eles no momento oportuno.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 3h34 PM

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De série pornô a drama oscarizado

Por Cristina Fibe

Estreia hoje "A Partida", delicado drama japonês que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano -derrotando o israelense "Valsa com Bashir" e o francês "Entre os Muros da Escola", favoritos. Até o diretor, Yojiro Takita, 53, ficou surpreso, e subiu ao palco sem saber o que dizer (é verdade que ele também não domina o inglês...).

Famoso no Japão por dirigir uma série de comédia pornô (os chamados "pink films", em que as cenas sexuais são mais "soft"), o diretor explica um pouco por que decidiu falar sobre a morte em "A Partida", que demorou de 10 a 15 anos para ser concluído. O filme acompanha um violoncelista que, orquestra dissolvida, acaba conseguindo um emprego de preparador de cadáveres (num belo ritual, na frente da família, ele troca, limpa e arruma o corpo a ser enterrado).

Veja a íntegra da conversa, no mês passado, mediada por um tradutor (inglês/japonês).

PERGUNTA - Trata-se do primeiro roteiro de Kundo Koyama a ser filmado. Gostaria de saber o que o fez apostar no projeto.

YOJIRO TAKITA - Quando eu li o roteiro pela primeira vez, ainda era o primeiro rascunho, estava em desenvolvimento. O que achei interessante foi a profissão do protagonista e o fato de o filme lidar com a morte. Não achei isso deprimente de forma nenhuma, achei refrescante, e foi isso o que me atraiu no projeto.

PERGUNTA - Como você define o filme? É uma comédia de humor negro, um drama, um romance?

TAKITA - Acho que contém todos os elementos mencionados. Em primeiro lugar, é um drama familiar, e uma história de esperança. E o fato de você me perguntar qual é o gênero significa que você pode não ter conseguido encaixá-lo em um só. Então cabe à plateia ou aos críticos definir a que gênero pertence, se pertence a algum.

PERGUNTA - Qual é a principal mensagem que você pretende passar? Que as pessoas deveriam lidar melhor com a morte?

TAKITA - Você está certa. A morte é uma coisa na qual as pessoas procuram não pensar, tendemos a desviar os olhos. Minha esperança é que, por meio do filme, confrontando a morte pelas ações dos personagens, sejamos capazes de reavaliar a morte e a vida em si.

PERGUNTA - E como você lida com a morte?

TAKITA - Antes de fazer esse filme, eu não tinha uma visão concreta da vida e da morte. Em parte porque eu não tinha a morte me cercando, e também porque era uma coisa da qual tinha medo, que evitava, como a maioria das pessoas. O que percebi fazendo o filme é que a morte não é algo a se temer, e o filme me deu a coragem para encará-la.

PERGUNTA - É verdade que o filme levou dez anos para ser feito?

TAKITA - De dez a 15 anos, da concepção, passando pelo desenvolvimento, até a conclusão. Não é como se tivéssemos trabalhado na produção durante todo esse tempo. Essas coisas acontecem, você faz intervalos... então todo o processo levou esse tempo.

PERGUNTA - Foi difícil financiá-lo, por isso a demora?

TAKITA - Não demorou porque não conseguimos financiamento, quero deixar isso claro. A maior parte desse tempo foi gasto na tentativa de entender como lidar com esse tema tão difícil. Quando decidimos como fazer o filme, foi, é claro, difícil conseguir que muitas pessoas ficassem empolgadas para entrar nesse projeto.

PERGUNTA - E, depois de concluído, ainda levou mais de um ano para ser lançado no Japão. Por quê?

TAKITA - Acho que muitas pessoas envolvidas no filme não sabiam como fazer o marketing, como vendê-lo, por causa do assunto. E os distribuidores tiveram dificuldades para decidir o timing certo para lançá-lo. Mas eles conseguiram fazer muitas exibições pelo mundo [em festivais], porque acharam que isso seria importante, pela natureza do filme, e gastaram o tempo necessário para levá-lo aos cinemas.

PERGUNTA - E como o Oscar mudou o rumo do filme?

TAKITA - Acho que mais pessoas se interessaram, a bilheteria no Japão cresceu e as vendas do filme no mercado internacional aumentou. O Oscar foi muito bom para nós, definitivamente, nos trouxe muita coisas boas.

PERGUNTA - E como o prêmio muda sua carreira? Está pensando em trabalhar fora do Japão, recebeu convites?

TAKITA - Ainda não decidi o que eu quero daqui pra frente. Quero deixar acontecer o que for acontecer, e pretendo aceitar qualquer desafio que se coloque no meu caminho.

PERGUNTA - Você pareceu muito surpreso na cerimônia do Oscar. Achou que não tinha chance alguma de vencer?

TAKITA - Havia alguns candidatos fortes, que nos disseram serem favoritos ao prêmio. Com toda honestidade, não achei que fôssemos ganhar. Mas é claro que, sendo um dos indicados, no fundo eu achava que havia uma chance bem pequena de ganharmos. Mas, quando chegou o momento do anúncio, fiquei chocado e tive dificuldade de distinguir se era sonho ou realidade. E é claro que fiquei muito feliz.

PERGUNTA - E é verdade que você ficou famoso no Japão com uma série de comédia pornô? Como entrou nessa área?

TAKITA - Para ser honesto, era a única oportunidade que eu tinha para trabalhar com produção de filmes. Os estúdios não estavam contratando, e eu só consegui emprego em empresas independentes. No processo, de lágrimas e risadas, o que absorvi em termos de filmagem é o que permitiu que eu fosse o cineasta que sou hoje. Há algo muito orgânico no processo de fazer um filme, e muito disso eu aprendi tendo essa experiência.

PERGUNTA - Por quanto tempo trabalhou nisso? Foi uma série de quantos filmes?

TAKITA - Fiz cerca de 20 filmes do gênero, chamado de "pink" no Japão. Não é igual ao "hardcore" que você encontra nos Estados Unidos ou em outras partes do mundo. São mais "softcore", contêm cenas sensuais ou sexuais, algumas são de comédia, outras mais sérias. Mas é um gênero muito diferente do que você pode pensar. Para quem está interessado em mim por causa dos filmes que fiz no começo da carreira, pode ser muito decepcionante ver "A Partida".

PERGUNTA - E quão diferente é dirigir um filme "pink" e uma ficção não pornô?

TAKITA - Não é nem um pouco diferente. Estamos fazendo filmes e não há nenhuma diferença.

PERGUNTA - Você já fez mais um filme depois de "A Partida", não? Do que trata? E quais os seus próximos projetos?

TAKITA - O filme a que você se refere se chama "Tsurikichi Sanpei", ainda não possui título em inglês. É baseado em uma história de pescador, uma HQ que eu costumava ler quando criança. O filme basicamente analisa a sociedade atual japonesa pelos olhos do protagonista pescador. É um filme que fiz depois de "A Partida" e que já foi lançado no Japão. Sobre os meus próximos projetos, ainda não decidi, ando muito ocupado, graças ao Oscar. Quando as coisas se acalmarem conseguirei decidir o que fazer daqui pra frente. Estou considerando uma série de projetos.

Escrito por Sérgio Rizzo às 8h23 AM

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E, além de tudo, Julianne Moore escreve

                                                 Alexandre Ermel/Divulgação
Julianne Moore em cena de "Ensaio sobre a Cegueira"

Por Sérgio Rizzo

Todo mundo conhece a Julianne Moore de "Short Cuts - Cenas da Vida" (1993), "Tio Vânia em Nova York" (1994), "Boogie Nights" (1997), "Magnólia" (1999), "Longe do Paraíso" (2002), "As Horas" (2002) e "Ensaio sobre a Cegueira" (2008), entre outros longas. E a Julianne Moore dos livros infantis "Freckleface Strawberry" (2007) e "Freckleface Strawberry and the Dodgeball Bully" (2009)?

Trata-se da mesma Julianne Moore, que completará 49 anos em 3 de dezembro. No momento, a escritora anda mais atarefada do que a atriz. Tem visitado programas de TV para falar do segundo livro, que entrou há três semanas na lista de best-sellers infantis do "The New York Times" (está em 5º lugar), e feito leituras para crianças em livrarias dos EUA. Na semana passada, por exemplo, esteve na Bookends de Ridgewood (New Jersey). É provável que alguns marmanjos tenham aparecido por lá com filhos ou sobrinhos para ouvir a Julianne. Nada como ter filhos ou sobrinhos nessas ocasiões.

A protagonista dos livros, ilustrados por LeUyen Pham, é uma garota ruiva e sardenta como a própria atriz _"Freckleface Strawberry", apelido da personagem, é algo como "morango sardento". Abaixo, ela explica a origem autobiográfica do apelido:

 

Aqui, em podcast da Amazon, uma longa entrevista em que Julianne fala sobre sua experiência como escritora infantil. No fim, a pedido da apresentadora, dá uma canja, lendo um trecho de “Freckleface Strawberry and the Dodgeball Bully”.

Internautas dos EUA podem acompanhar as próximas leituras de Julianne Moore na relação de “autores na estrada” da editora Bloomsbury. Ainda não havia nada programado quando este post foi escrito, mas dia desses ela pode aparecer no seu bairro, e ainda autografar um livro para seu filho. Ou sobrinho. Ou filho de um amigo, ou do vizinho, sei lá.

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h31 PM

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