Ilustrada no Cinema

 

 

Bastidores de "Wolverine"

Por Cristina Fibe

Como prometido, está publicada na Ilustrada de hoje a matéria sobre "X-Men Origens: Wolverine". Nos posts abaixo, as entrevistas com os principais envolvidos na turbulenta produção.

Do roteiro à estreia (com direito a cancelamento no México, por causa da gripe suína), muita coisa deu errado. Mas o principal assunto, é claro, é o vazamento do filme na internet, que pode afetar o resultado nas bilheterias.

A equipe recebeu os jornalistas para falar sobre esse e outros temas nos estúdios da Fox, em Los Angeles, em mesas montadas ao ar livre, numa rua cenográfica. Ideia criativa, pensamos. Mas, por um desses azares da vida, ventava sem parar, e entrevistados e entrevistadores tentaram driblar o frio durante três horas de conversa (foram cerca de 15 minutos com cada um dos oito entrevistados).

Antes, uma observação: a crítica já está falando mal de "Wolverine". O mistério, por enquanto, é o que o público vai achar. Voltem para contar, por favor.

Escrito por Cristina Fibe às 3h01 AM

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Wolverine - parte 2

Por Cristina Fibe

                                                             Divulgação

O protagonista, Hugh Jackman, como Wolverine

Primeiro, uma observação sobre o físico do australiano Hugh Jackman, 40, já que é disso que todos tanto falam (homem mais sexy do mundo, sério?). Pessoalmente, ele me pareceu ter a pele alaranjada, talvez por causa de bronzeamento artificial. E, mesmo deixando esse detalhe pra lá, achei a beleza dele superestimada. Além disso, como protagonista e produtor de "Wolverine", ele deu uma entrevista bem dentro do esperado, tomando cuidado para não falar nada que "abalasse" a credibilidade do filme. Sem charme. E, mais frágil do que seu personagem, foi um dos atores que mais passou frio durante a conversa com os quatro jornalistas presentes, que fizeram as perguntas a seguir.

Temos que começar falando sobre o vazamento na internet...

Agora parece que foi há muito tempo, já superei isso. Na hora, é claro, partiu meu coração, fiquei muito chateado, mas agora eu só penso: sou um fã de cinema e, se as pessoas querem mesmo ver um filme, elas vão querer ver no cinema.

Alguém te abordou na rua para dizer que viu o filme (vazado) e gostou?

Não, c'mon, alguém vai assistir e ainda vai me dizer que viu a versão para download? Não, é meio... ninguém vai me dizer isso.

Por medo?

É... c'mon, é meu filme, e fazendo o download você está participando disso, então... não.

Você está feliz com o trabalho duplo, como produtor e ator?

Sim, muito. Foi uma honra ser considerado parceiro desses caras (da Fox), havia muitas coisas sobre produção que eu não sabia. E gostei, provavelmente fez com que atuar ficasse mais interessante, eu fiquei mais envolvido com todo o processo.

Que mudanças foram feitas no roteiro, entre a primeira versão, de David Benioff, e a final?

Boa pergunta. Mudou o final, que não estava funcionando. O começo mudou também, foi uma ideia do Gavin, achei fantástica. Ele queria trabalhar com uma das grandes HQs dos X-Men, "Origem". E alguns personagens entraram e saíram. Mas a essência da história é a mesma.

Quanta musculação você fez para esse filme? Você foi colocado em uma gaveta de "homem sexy", precisa atender às expectativas...

Não, c'mon! Você faz soar como se eu trabalhasse por isso. Não sei como isso aconteceu, é meio engraçado... Mas seria melhor se tivesse acontecido quando eu tinha 21 anos. Não me leva muito longe dentro de casa...

Mas foi um papel bem físico.

Tive que treinar por um ano antes do início das filmagens. Foi um treinamento intenso, de duas fases. A primeira, de crescimento, e a fase de "enxugar", porque o mais importante para mim é que ele fosse magro, animalesco, poderoso e perigoso. Não queria que ele fosse bonito.

Há uma ótima imagem do Wolverine em uma HQ, escapando sem roupa do Stryker, na "Arma X", e ele está andando pela neve, é uma imagem tão animalesca... Eu, na verdade, insisti para fazer a cena nu por causa disso. Porque queria essa coisa animalesca.

Você usou dublê em muitas cenas?

90% do tempo era eu. O pulo na cachoeira era eu, é claro...

O personagem é bem menos violento do que o personagem original. Foi uma opção sua? Ou da Fox?

Bom, é a primeira pergunta desse tipo que me fazem. Na maioria das perguntas, especialmente na Europa, eles dizem que é muito violento (risos).

Mas quase não há sangue.

Porque é inapropriado. Você precisa reconhecer que o filme é visto também por adolescentes, e você nunca conseguiria a classificação indicativa que os permitisse ver. Isso é impensável, fazer um filme e excluir a maior parte da base de fãs do personagem. Eles se inspiram nele, de alguma forma. Seria errado. Eu vejo que há uma tentação de fazer uma versão mais adulta de Wolverine. Nos quadrinhos, ele mata pessoas só porque tem um surto de ódio. Ele passa por um acampamento e corta a cabeça de duas pessoas inocentes, depois percebe o que fez -isso seria inapropriado.

E haverá sequência de "Wolverine"?

Não sei... Tenho falado com roteiristas a respeito, eu amo a história japonesa das HQs, nunca escondi isso, então eu estaria aberto. Mas agora estou empolgado com este filme, espero que os fãs gostem e, sabe, não tenho interesse em contar uma história que ninguém quer ouvir, então vamos ver o que acontece no início de maio.

Por último: você concorda com a sentença dada aos responsáveis pelo site Pirate Bay [quatro pessoas foram condenadas a um ano de prisão e multa]? 

É muito difícil, não sei os detalhes do processo. Não sei qual foi a defesa deles, mas me parecia bem escassa, eles estavam tentando dizer que de maneira nenhuma estavam encorajando a pirataria, pareceu um pouco entregar o jogo. A defesa pareceu um pouco fraca.

Escrito por Cristina Fibe às 2h53 AM

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Wolverine - parte 3

Por Cristina Fibe 

                                                                                    Divulgação

Hugh Jackman e Gavin Hood durante as filmagens

Trechos da conversa com o diretor do filme, o sul-africano Gavin Hood ("Tsotsi").

Conte-nos sobre o vazamento...

Foi um choque, um sentimento de que o seu trabalho inacabado de repente caiu nas mãos de outra pessoa. Quando você faz um filme, sabe que em algum momento ele vai cair nas mãos do público e você terá que encarar os comentários, mas ao menos você quer que esteja finalizado, antes de alguém roubar seu produto e começar a comentá-lo.

Você se sente vulnerável, depois bravo, depois pensa "ok, vamos continuar". No fim, acho que as pessoas reagiram bem, a maioria dos fãs e da imprensa disse "aconteceu a coisa errada, não vejam isso". Acho que vai ficar tudo bem, mas nunca se sabe qual é o efeito real.

E qual foi a reação da Fox, com tanto dinheiro em jogo?

Pois é, foi um choque muito grande para todos, grandes reuniões imediatamente, muitos advogados envolvidos, técnicos procurando o culpado, o FBI entrou...

E há novidades?

Eles definitivamente estão chegando ao culpado, mas seria errado eu dizer algo, porque não sei, e geraria um rumor terrível. Sinto quase pena de quem fez isso, porque talvez tenha sido apenas um cara que pensou "hehe, vai ser legal", e ele poderia estar com sérios problemas, pode ficar sete anos na cadeia, que coisa estúpida de se fazer.

Era uma versão sem pós-produção, ou realmente estavam faltando cenas [como disse a Fox, à época do lançamento]?

Não acho que estavam faltando cenas específicas, talvez alguma coisa fora de ordem, ou que ainda não tínhamos certeza se seria um pouco mais curta ou longa, mas o principal era que mais de 400 efeitos visuais não estavam completos, a música era temporária, a resolução não era a melhor. Era um rascunho, mas a história ainda fazia sentido. É como fazer uma escultura. A forma está lá, mas agora você faz o polimento e a melhora, e depois entrega a versão pronta. Algumas pessoas parecem gostar mesmo da versão pirata, fico feliz, mas não é a melhor maneira de ver o filme.

Por que você se desentendeu com o estúdio?

Nossos desentendimentos foram sobre o estilo... Reconheci que o filme era parte de uma franquia, mas eu também queria que fosse um filme independente. Há decisões quando você faz um filme - figurino, por exemplo, eu queria que fosse mais real (do que os dos outros três longas). Ambientei o filme mais no mundo real. Os sets eram mais reais, e o estúdio reclamou.

Mas essas coisas você discute, às vezes tem que convencer as pessoas. Mas, no fim, o importante é que às vezes não é lá nem cá, é no meio. E algumas vezes aprendi com eles. Ninguém tem todas as respostas do mundo. Você não pode ter medo do debate, desde que seja respeitoso, e mesmo que seja apaixonado. Entendo que eles me confiaram algo que é muito, muito importante para o estúdio, e você não pode fazer um filme como esse sem que o estúdio tenha opiniões, te peça coisas. Mas também seria ingênuo da parte deles pensar que o diretor não teria opiniões. Sou uma pessoa forte, eles são pessoas fortes, às vezes discutimos, mas nunca com desrespeito. Espero que tenhamos feito um filme que os tenha deixado feliz -eu estou feliz com ele.

Você fez o filme que queria?

Sim, acho que sim. É claro que há coisas que poderiam ser um pouco mais assim ou assado, mas é assim em todos os filmes. Fazer um filme não é como andar em uma linha reta, é mais como surfar uma onda. Você tem que estar aberto ao que está vindo em sua direção. Você tem um plano, e aí o ator acha algo diferente, o diretor de fotografia oferece uma ideia, você vai mudando... E, se fizer direito, fica ainda melhor, porque há o benefício de você estar com pessoas talentosas.

Escrito por Cristina Fibe às 2h44 AM

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Wolverine - parte 4

Por Cristina Fibe
                                                                                    Reprodução

A produtora Lauren Donner, 59

Finalmente, a entrevista com a responsável pela produção do filme, Lauren Shuler Donner, que, pelo que se sabe, encheu os ouvidos de Gavin Hood durante todo o processo.

Estávamos conversando sobre o vazamento do filme. Como você se sentiu? No que o fato muda o lançamento do filme?

Terrível. Meu maior medo é que vamos perder muito dinheiro na bilheteria, e o problema com isso é que, se o filme não render o suficiente, não há razão nenhuma para o estúdio fazer outro. O fato é que custa dinheiro, e só se justifica se for bem na bilheteria. Se as pessoas decidirem ficar em casa porque viram na internet, não haverá mais filmes a vazar.

E também me sinto muito mal por todos aqueles que trabalharam no filme durante a pós-produção. A equipe de efeitos visuais trabalhou por cinco semanas seguidas, sem parar, sete dias por semana, 14 horas por dia. E não é justo com eles, que trabalharam tanto. O trabalho deles merece ser visto na tela grande.

Você sabe quem vazou o filme?

Estamos investigando, junto com o FBI. Isso aconteceu uma vez, com o “Hulk” do Ang Lee. Eles acharam o cara e deram a ele sete anos de prisão. Então o FBI está envolvido, a Fox trouxe times de advogados e detetives, todo tipo de coisa. Acho que eles chegaram a como aconteceu, não sei se já sabem quem o fez. Tenho certeza de que quando o acharem, ele estará em todo lugar, e esse cara vai pegar dez anos, eu espero, ou mais. É um crime! É roubo.

O que você mais gosta de fazer em um filme?

Em geral, minha parte favorita é o casting. Gosto de desenvolver o roteiro, mas gosto muito do casting e da edição. É como reescrever o roteiro, levando a história à frente, desenvolvendo o personagem. São as melhores partes para mim.

A filmagem... A pré-produção é sempre o melhor, porque é quando o produtor está mais no controle. Então gosto da pré, de ter certeza de que temos tudo, vamos filmar nos lugares certos, que os sets estão sendo construídos direito, os figurinos estão benfeitos. Quando começamos a filmar, estou lá, abrindo a minha boca grande atrás do diretor, mas discretamente —dependendo do diretor.

Você e Gavin Hood tiveram desentendimentos durante as filmagens...

Não, não tivemos desentendimentos, quer dizer, bem, olhe, tenho certeza de que no local em que você trabalha, o jornal ou seja lá quem te emprega... vocês não concordam o tempo todo. Você tem as suas ideias, eles têm as deles. Eles são a gerência, você é criativo. Então o que sai disso, em geral, é saudável. Às vezes, ele via as coisas de uma maneira, eu, de outra. E aí conversávamos, e o que fosse melhor para o filme ganhava. Foi bom.

Foi interessante que, uma vez de volta [a Los Angeles —as filmagens aconteceram na Austrália], na sala de edição, estávamos em total sintonia. Foi uma experiência ótima. Então acontece em qualquer produção. Nunca vi 100% de concordância com o diretor.

Você fez o casting junto com o Hugh Jackman?

Com o Gavin. E é claro que depois passávamos todas as decisões por Hugh, não contratamos ninguém sem falar com ele. As grandes decisões criativas passavam por ele, quem estaria no filme, o roteiro, esse tipo de coisa.

Quanto custou o filme?

Eu nunca, nunca falo sobre orçamentos, de nenhum dos meus filmes, nesses 30 anos de produção. Mas posso dizer que não foi tão caro assim, não foi o mais caro dos quatro “X-Men”.

O primeiro roteiro, de David Benioff, foi bastante modificado. Ele já viu o filme? Está satisfeito com o resultado?

Não sei. Mostramos a ele o filme, e ele falou “yeah...”. É sempre difícil, porque não era tudo de autoria dele. E ele é um grande escritor.

Como você faz de um filme desse tipo um sucesso? Porque ele já sai cercado de expectativas. Como você começa?

Pois é. Eu me escondo debaixo das cobertas! É amedrontador. Temos que ir melhor do que os três últimos filmes. Melhor do que qualquer outro filme lançado agora. Do que qualquer outro filme até o verão, porque queremos nos segurar. Temos apenas que nos sentar e não ficar com a primeira ideia, pensar uma segunda, uma terceira, até sermos o mais original possível. Há muitos filmes de ação por aí, como fazer diferente Nesse mundo da ação, temos um pouco de sorte, porque nossos personagens têm poderes, então podemos ser originais usando os poderes das maneiras mais fabulosas e eficientes.

Escrito por Cristina Fibe às 8h06 PM

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Relíquias de De Niro

Por Cristina Fibe

                                                                                     Divulgação

De Niro faz testes de maquiagem para "Touro Indomável"

Mais de 1.300 caixas com objetos da carreira de Robert De Niro, doados em 2006 pelo ator, foram abertas à consulta pública, neste mês, pelo Harry Ransom Center, da Universidade do Texas em Austin. A dica é do "New York Times".

São figurinos, objetos de cena, roteiros originais com anotações do ator, registros fotográficos de roupa e maquiagem, cartazes etc., tudo avaliado em mais de US$ 5 milhões, segundo o centro de pesquisas. Relíquias relacionadas a 69 filmes feitos entre os anos 60 e este século. Dá até vontade de ir ao Texas (de máscara, por favor!).

 

Escrito por Cristina Fibe às 2h57 PM

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De Wolverine a Valentino

Por Cristina Fibe

Vim passar o fim de semana em Los Angeles, para entrevistar atores, diretor e produtora de “X-Men Origens: Wolverine”, e aproveitei para ir ao cinema ver outro filme: “Valentino - O Último Imperador, que talvez nunca entre em circuito no Brasil.

Um erro óbvio. O ótimo documentário de Matt Tyrnauer, da “Vanity Fair”, que foi concluído no ano passado e rodou o mundo em festivais (esteve no do Rio, inclusive), teve sessão lotada, com aplausos no final, como que para homenagear a importante figura da história da moda, que anunciou sua saída da própria marca em 2007.

É num clima de adeus que o jornalista/diretor traça, com modéstia e reverência, o perfil do estilista em seus últimos anos de trabalho. Quando começamos a nos irritar com as atitudes de um mimado Valentino, o filme logo nos lembra que o italiano está é brigando para não chorar, enquanto sente sua criação de 45 anos ser tomada “pelo dinheiro” que manda na indústria.

Ele negava, evitava o assunto, mas sabia que era a hora de parar, antes que não o deixassem mais desenhar suas criações para que fossem feitas uma a uma, sem máquina de costura, com complicados cortes e bordados resolvidos à mão. Que inveja dá de Julia Roberts, que, além de ganhar um Oscar, ainda o recebeu (em 2001, por “Erin Brockovich”) com um dos mais bonitos vestidos que já pisaram no Kodak Theatre. São poucas, muito poucas, as que podem ostentar uma das obras de alta-costura do estilista. Disponível no YouTube, o longo discurso da atriz permite ter uma boa visão do desenho de Valentino.

E, se você chegou até aqui porque gosta de moda, leia os comentários do editor Alcino Leite Neto sobre o "ano de Coco Chanel nos cinemas", no blog Última Moda.

Sobre o “Wolverine”, fica pra quinta-feira, data de estreia do filme, quando conto (quase) tudo sobre as entrevistas, na Ilustrada. E volto aqui para fechar o assunto.

Escrito por Cristina Fibe às 4h44 AM

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A gênese de "W."

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta "W.", a cinebiografia do ex-presidente dos EUA George W. Bush dirigida por Oliver Stone, que estreia hoje no Brasil. Rizzo indica o site oficial do filme , em que Stone fala sobre as fontes de pesquisas usadas para escrever o roteiro do filme. Para ouvir o podcast, clique no microfone:

Escrito por Sérgio Rizzo às 3h21 PM

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John Cassavetes, o “gênio acidental”

Divulgação

Peter Falk e Gena Rowlands em "Uma Mulher sob Influência"

Por Sérgio Rizzo

A geração que renovou Hollywood na virada dos anos 60 para os 70 o considerava uma inspiração, bem como os independentes que surgiram no cenário norte-americano nos anos 80. O tempo passa e John Cassavetes (1929-1989) se mantém firme como referência de cinema autoral e vigoroso, como lembrará o próximo ciclo do Cineclube do HSBC Belas Artes .

Serão exibidos quatro de seus 12 longas como diretor: “Faces” (1968), de 24 a 30 de abril; “Uma Mulher sob Influência” (1974), de 1 a 7 de maio; “Noite de Estréia” (1977), de 8 a 4 de maio; e, por último, o primeiro -- “Sombras” (1959), de 15 a 21 de maio.

“Não é tão importante que as pessoas gostem de seus filmes. O que importa mesmo é que você goste do que faz”, disse Cassavetes na frase que o crítico Marshall Fine, autor também de estudos sobre o cineasta Sam Peckinpah e o ator Harvey Keitel, usa como epígrafe para “Accidental Genius -- How John Cassavetes Invented the American Independent Film” (Gênio acidental -- como John Cassavetes inventou o cinema independente norte-americano), publicado em 2005.

Abaixo, o trecho inicial da introdução:

“Em 1989, ano em que John Cassavetes morreu, as maiores bilheterias de Hollywood foram ‘Batman’, ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’ e ‘Máquina Mortífera 2’. Mas foi também o ano de filmes como ‘Meu Pé Esquerdo’, ‘Cinema Paradiso’, o ‘Henrique V’ de Kenneth Branagh, ‘Faça a Coisa Certa’ e, de modo mais significativo, ‘sexo, mentiras & videotape’. Foram filmes que chamaram novamente a atenção para o cinema independente nos EUA -- muitos deles feitos com a mesma escassez de recursos e a ousadia que caracterizaram a obra de Cassavetes.

Nos 16 anos desde a sua morte, o cinema independente passou por diversas encarnações, à medida que os estúdios tentaram cooptar o espírito e o sentimento desses filmes indisciplinados, criando divisões de clássicos ou especializadas. Mas, enquanto produtoras como Sony Classics, Fox Searchlight e outras se tornaram parte do cenário convencional, uma nova onda de insurgentes produtoras independentes floresceu como cogumelos. E, todo ano, o Sundance Festival é inundado por cineastas guiados por uma necessidade irrefreável de expressar algo que só poderia caber em celuloide -- ou em vídeo de alta-definição, no século 21.

Essa era a paixão de John Cassavetes. E o mundo do cinema independente -- turbulento, controverso, atrevido, escandaloso -- é o seu legado.”

O livro de Fine permanece inédito no Brasil, mas a Nova Fronteira publicou em 1992 “John Cassavetes”, do crítico francês Thierry Jousse (tradução de Newton Goldman e Tati Moraes, 184 págs., a partir de R$ 10 em sebos da Estante Virtual). A seguir, um trecho do primeiro capítulo, “Cena primitiva: o teatro”, em que Jousse aponta Cassavetes como representante de uma geração “de atores impregnados de um jogo em que o físico e o psicológico estão intimamente ligados, como no teatro dessa época”.


Gena Rowlands e John Marley em "Faces"

“O teatro está presente no próprio fundamento do cinema de Cassavetes. É como a imagem especular, o duplo, a parte rechaçada, a base secreta, a outra cena, a fundação esquecida de seus filmes. Neles, em primeiro lugar, o texto desempenha um papel bem mais decisivo do que se supõe, sendo frequentemente, senão de origem teatral, pelo menos muito impregnado pela estrutura dramática do teatro. ‘Faces’ ou ‘Uma Mulher sob Influência’ foram escritos, primeiramente, em forma de textos teatrais, depois adaptados para o cinema pelo próprio Cassavetes.

As longas sequências desses filmes, que respeitam a unidade de local e de tempo e que garantem o melhor desempenho do ator — ele se movimenta livremente no interior de uma cenografia mais elaborada do que aparenta —, são semelhantes às cenas e aos atos de uma peça de teatro em forma de ‘happening’. A sequência final de ‘Faces’ é particularmente reveladora. A cena é uma escada enquadrada de frente em plano fixo: dois personagens, o casal Forst, ocupam as extremidades da escada. Ambos saem de cena — um depois do outro, e um de cada lado —, deixando o campo insondavelmente vazio. Enquanto isso, o espectador hesita em sair da sala, como se ficasse à espera da salvação improvável do grupo. Da mesma forma, no final de ‘Uma Mulher sob Influência’, Mabel e Nick Longhetti (Gena Rowlands e Peter Falk) apagam lenta e metodicamente as luzes da casa antes de fechar a cortina da janela, gesto que indica, sem dúvida, o fim da representação.

Do teatro, Cassavetes retém essencialmente a teatralidade, isto é, uma hiperexpressão do corpo, do gesto, da palavra, um trabalho com a postura e sua transformação em espetáculo, de certa forma a essência do teatro, porém reinvestida no e pelo cotidiano. O teatro de ‘Faces’ e ‘Uma Mulher sob Influência’ é íntimo e delirante, pequenas representações privadas em que são feitas certas improvisações nunca terminadas, no sentido tradicional de uma peça. Pensa-se naquelas sequências loucas de ‘Faces’ em que Richard (John Marley), Freddie (Fred Draper) e Jeannie (Gena Rowlands) imitam freneticamente, em aparente desordem, farsas de teatro e cinema, piadas dúbias e canções.

Pantomimas grotescas, extravagantes, desenfreadas, em que a teatralização do corpo não remete exatamente a uma referência teatral, mas se torna como que uma propriedade ontológica do corpo humano, que literalmente movimenta a teatralidade no cotidiano. Em ‘Uma Mulher sob Influência’, as ‘performances’ de Mabel Longhetti são como longos ‘happenings’ imprevisíveis e perigosos, em que o teatro, como um excesso do corpo, se metamorfoseia e ganha dimensão de existência. O teatro é o corpo em cena, mas até o ponto em que essa ‘mise em scène’ se manifesta na vida. Cassavetes inscreve o teatro na vida, ou melhor, encurrala o instante em que a vida se torna teatro.”

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h31 PM

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MoMA homenageia uma grande força invisível

 Patrick Kovarik - 11.jan.08/France Presse
O diretor Mike Nichols durante lançamento de "Jogos do Poder"

Por Cássio Starling Carlos

Anda cansado de tanto pretenso autor que não passa de promessa? Uma alternativa é dar uma olhada na filmografia de um “artesão”, aquele tipo de diretor eficiente e relativamente impessoal para o qual os críticos torcemos o nariz e só às vezes tardiamente descobrimos o quanto de prazer ou elegância seus filmes guardavam.

Pode ser que a idade ou a pátina do tempo enobreça o trabalho de alguns deles ou que suas qualidades venham à tona antes de serem ressaltadas em algum esforçado obituário. O exemplo mais recente é o de Mike Nichols, objeto de uma retrospectiva no prestigioso MoMA de Nova York.

Como todo diretor, grande, médio ou pequeno, a filmografia de Nichols tem seus altos e baixos. E não fosse o respeito de praxe à longevidade (o diretor está com 77 anos), muita gente deve ter considerado a escolha do MoMA um tanto fora de propósito.

Afinal, o cinema de ator de Nichols pouco ou nunca desperta entusiasmo da crítica além da sua celebrada habilidade em conseguir interpretações memoráveis. E é isso que tanto busca esse “homem invisível”, como o define o texto publicado no “The New York Times” no último domingo, no qual Nichols defende vantagens como evitar o personalismo: “Se você quer ser uma lenda, Deus ajuda e é fácil. Basta fazer uma coisa só. Você pode, digamos, ser o mestre do suspense. Mas se quer ser tão invisível quanto possível, você pode se divertir fazendo um tanto de coisas diferentes”.

Ele soa mais encantador (e modesto) quando se refere ao trabalho de atores, reforçando mais uma vez o talento mais imediatamente perceptível em qualquer um dos filmes que dirigiu:

“A atuação cinematográfica foi inventada há menos de cem anos, quer dizer, a atuação sonora. Você sabe que Harold Bloom escreveu que fomos inventados por Shakespeare? É uma ideia fascinante e infinitamente sugestiva. Com ela se pode entender que foi no cinema falado que a vida interior começou a aparecer. Podemos ver acontecimentos nas faces das pessoas sem que nada tenha sido planejado nem ensaiado. É nisso que Greta Garbo era tão mestra: ter pensamentos que não teriam ocorrido antes daquela tomada. E também podemos ver isso dar saltos tremendos com Brando e Montgomery Clift e depois com Meryl Streep”.

Ou ainda:

“A emoção maior acontece quando mil pessoas estão sentadas no escuro, olhando a mesma cena, e todas apreendem algo que não está sendo dito. Esta é a grande vibração, o milagre _o que nos prende aos filmes para sempre. É o que gostaríamos de poder fazer na vida real. Todos vendo algo e compreendendo juntos, sem que ninguém tenha que dizer uma palavra. Aí está uma boa razão para que o melhor som que uma plateia possa fazer _tanto no teatro quanto no cinema_ é som nenhum, apenas o silêncio absoluto”.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 2h47 PM

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O que é "Sinédoque"?

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo fala sobre o filme “Sinédoque, Nova York”, que estreia nesta sexta-feira. Este é o primeiro filme dirigido pelo roteirista Charlie Kaufman, célebre pelas intrincadas tramas de longas de Spike Jonze, Michel Gondry e George Clooney. Rizzo comenta também o significado do título do filme. Para ouvir o podcast, clique no microfone:

Escrito por Sérgio Rizzo às 8h27 PM

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Seu rosto, por Michel Gondry

Por Cristina Fibe
                                                                                          

Em um site oficial cujos objetivos me escapam, o cineasta Michel Gondry vende itens como um rolo de papel higiênico com desenhos e ideias dele (US$ 13,95).

Mas o melhor não é isso: se você mandar uma foto, ele (será ele mesmo?) desenha o seu retrato e te manda pelo correio, por US$ 19,95! Cuidado: ele avisa que a obra poderá ser incorporada também a qualquer outra coisa vendida no site (ou seja: o desenho do seu rosto, assinado por ele, pode ir parar no papel higiênico...).

Escrito por Cristina Fibe às 5h35 PM

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Dez filmes na sala de aula

Por Bruno Yutaka Saito

A relação entre professores e alunos é das mais célebres do cinema. Basta notar que dois bons filmes atualmente em cartaz, “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet, e “Simplesmente Feliz”, de Mike Leigh, dão uma atualizada nesse gênero à parte. O primeiro, uma incômoda visão sobre multiculturalismo e caráter, o segundo, verdadeiro lobo em pele de cordeiro, tem na figura da professorinha irritantemente alegre uma reflexão muitas vezes amarga sobre maneiras de estar e sobreviver no mundo.

A seguir, uma listagem de 11 filmes (todos disponíveis em DVD no Brasil) que abordam, de uma maneira ou de outra, essa complicada relação. Não são os melhores, nem os mais importantes, apenas filmes que de certa maneira deixaram suas marcas. Para você, quais são os principais filmes sobre a escola? (aliás, o título do post está como "Dez filmes", já que eu tinha esquecido de incluir "Sociedade dos Poetas Mortos")

“Zero em Comportamento” (1933)
Direção: Jean Vigo

Produção mais conhecida de Vigo, “Zero em Comportamento” é o modelo para os filmes que abordam crianças se rebelando contra o “sistema”. Vigo mostra alunos que retornam das férias para as aulas e se deparam com adultos que tentam “discipliná-los”. A produção pode ser vista no excelente DVD duplo “Jean Vigo Integral”, lançado pela Versátil no ano passado, com os outros filmes do diretor: “A Propósito de Nice” (1930), “A Natação por Jean Taris” (1931) e “O Atalante” (1934).

“Os Incompreendidos” (1959)
Direção: François Truffaut

Primeiro longa-metragem de Truffaut, “Os Incompreendidos” é também o primeiro filme com o personagem Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud ainda adolescente), que seria retomado em mais quatro produções do diretor. Com muitos elementos autobiográficos de Truffaut, “Os Incompreendidos” faz ainda referências a “Zero em Comportamento” ao contar, quase em chave documental, o dia-a-dia do rebelde e quase marginal Doinel, dos problemas com os pais à sua conturbada relação com os professores e a escola.

“Ao Mestre com Carinho” (1967)
Direção: James Clavell

Clássico dos clássicos no quesito “professor que enfrenta alunos ariscos e acaba ganhando o coração de todos”. Sidney Poitier encontrou o papel de sua vida no engenheiro desempregado Mark Thackeray, que vai lecionar jovens no bairro operário de East End, em Londres.

“If” (1968)
Direção: Lindsay Anderson

Filme que se tornou indissociável das agitações do Maio de 68 francês, “If” ajudou a celebrizar a imagem rígida e sisuda que ainda temos sobre as escolas britânicas. Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1969, “If” é também a produção que levou seu ator principal, Malcolm McDowell, a ser escolhido por Stanley Kubrick como o insano Alex de outro clássico, “Laranja Mecânica” (1971). A impactante sequência final (sonho ou realidade?) é inesquecível. “If” acabou de ser lançado em DVD no Brasil pela Lume.

“Na Idade da Inocência” (1976)
Direção: François Truffaut

Truffaut retoma o tema da infância e da escola, mas agora com um olhar diferente do de “Os Incompreendidos”. Desta vez, os professores não são os inimigos, e a escola não é vista como local de abusos e castigos. “Na Idade da Inocência” faz, ainda, bela reflexão sobre o tornar-se adulto, na memorável fala final do ator Jean-François Stévenin, um dos professores.

“Pink Floyd - The Wall” (1982)
Direção: Alan Parker

Música, imagens e a poesia do Pink Floyd resultaram num dos mais viscerais gritos contra as opressões da escola. Difícil não esquecer, por exemplo, a cena em que os estudantes caem em moedores de carne, além dos versos de “Another Brick in the Wall, Part 2”: “We don’t need no education/We don’t need no thought control/...Teachers, leave them kids alone”

“O Clube dos Cinco” (1985)
Direção: John Hughes

“Clássico” da rebeldia juvenil dos anos 80, só compete com “Curtindo a Vida Adoidado” (leia abaixo). É o filme “cabeça” de John Hughes, o cineasta que melhor soube captar o espírito jovem (mainstream) da década. De personalidades diferentes, cinco estudantes têm que cumprir uma pena por diferentes problemas de conduta: passar um sábado à tarde na escola e escrever uma redação.

“Curtindo a Vida Adoidado” (1986)
Direção: John Hughes

No ano seguinte a “O Clube dos Cinco”, Hughes criou o herói de toda uma geração. Ferris Bueller é o adolescente malandro, boa-praça, querido por todos na escola —menos, é claro, pelo seu arqui-inimigo, o diretor. A escola, aqui, é vista como o contraponto para o “dia de folga” de Ferris, que “resolve curtir a vida enquanto ainda dá tempo”.

“Sociedade dos Poetas Mortos” (1989)
Direção: Peter Weir

No papel do professor de poesia John Keating, Robin Williams mudou a vida não apenas dos rapazes de uma repressora escola, mas de toda uma geração de espectadores. “Sociedade dos Poetas Mortos” popularizou, para o grande público, a expressão latina “carpe diem”, que pode ser traduzido como “aproveite o momento”. Difícil não se emocionar ou não querer buscar algo mais da vida após ver esse filme (principalmente quando é visto por jovens). Robin Williams viraria um ator esquecível pouco depois, mas a cena final é marcante.

“Ser e Ter” (2002)
Direção: Nicholas Philibert

Sucesso do cinema francês, o documentário vai até o interior do país para registrar crianças de quatro a dez anos de uma sala de aula. Não é apenas a relação aluno x professor que está em jogo, mas sim a própria formação da personalidade, do indivíduo.

“Escola de Rock” (2003)
Direção: Richard Linklater

Bobagem das mais divertidas, “Escola do Rock” é mais do que mero veículo para o comediante (muitas vezes irritante) Jack Black. Ainda que não apareça aqui nada muito autoral do irregular Richard Linklater, “Escola do Rock” é anárquico na medida em que inverte os papéis de mestre e alunos. Claro, no final as coisas se constróem para que haja uma “mensagem”, mas o tom é dos mais acertados.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 11h12 PM

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Katharine Hepburn dirige a própria entrevista

Por Cristina Fibe

Ele já entrevistou Orson Welles, Alfred Hitchcock e inúmeras outras estrelas de cinema. Não elege uma preferida, mas sim a mais difícil de convencer: Katharine Hepburn (1907-2003). Pois a atriz um dia disse o "sim" ao americano Dick Cavett e entrou em seu estúdio, rearranjou o cenário, deu palpites em tudo e começou a falar.

Em série de vídeos disponíveis no You Tube, ele conta "o milagre" que foi fazê-la expor sua privacidade (pela primeira vez na televisão, segundo diz) e exibe a longa e espontânea conversa com a atriz. "Ela concordou em vir ao estúdio apenas para um teste, para dar uma olhada, ver como se sentia, olhar as câmeras, as luzes, as cadeiras, a temperatura, chamou o carpete de feio... e me surpreendeu ao dizer: 'Por que não fazemos agora?'", conta Cavett.

Abaixo, as duas primeiras partes da entrevista - a introdução pelo apresentador e os bastidores, quando Katharine nem sabia que as câmeras estavam ligadas.

 

 

Escrito por Cristina Fibe às 1h33 PM

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Anticristo

 
Por Cristina Fibe

Trailer da semana: o do novo filme do Lars Von Trier, "Antichrist", com Willem Dafoe. Medo.

Por falar em medo, olha o que o diretor Robert Rodriguez fez depois de "Planeta Terror":

A Warner acaba de avisar que o filme de Rodriguez, sob o título brasileiro "A Pedra Mágica", estreia por aqui em 21 de agosto.

Escrito por Cristina Fibe às 4h59 PM

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A volta de Wajda

 
 

A volta de Wajda

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo fala sobre o cineasta polonês Andrzej Wajda, que retornou às telas de SP em dose dupla neste fim de semana.
Seu penúltimo longa, "Katyn" (2007), que recria episódio da Segunda Guerra em que oficiais poloneses foram capturados pelos soviéticos, acabou de entrar em cartaz.
E, na sexta-feira, o CCBB exibiu "Terra Prometida" (1975), dentro da mostra Cem Anos da Cinematografia Polonesa.


Para ouvir o podcast, clique no microfone:

Escrito por Sérgio Rizzo às 8h06 PM

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Você sabe quem é?

Por Cristina Fibe

                                                                                    Divulgação

Anna Chlumsky, a Vada de “Meu Primeiro Amor”, está de volta às telas, aos 28 anos (18 depois do primeiro “My Girl”, ao lado de Macaulay Culkin).

Formada em relações internacionais, casada com um soldado que serviu no Afeganistão, Anna andou meio apagada, apesar de participações na Broadway e em séries como “Law and Order” e “30 Rock”. Neste ano, a menina volta aos cinemas em “In the Loop”, comédia do escocês Armando Iannucci estrelada pelo “soprano” James Gandolfini, bastante elogiada após exibição no festival de Sundance.

Ainda sem data de estreia no Brasil, o filme satiriza os bastidores da invasão ao Iraque em 2003, com um pé nos EUA e outro no Reino Unido, onde será lançado na semana que vem. "Todos passam por um período em que não sabem se valorizar. É bom ter tido um pouco de trauma. E também, do contrário, todos te odiariam! Eu preferiria ter sido um pouco infeliz a ser excluída pela sociedade", avaliou Anna ao “Guardian”. Aqui, a versão em inglês do perfil que ela ganhou no jornal.

 

Escrito por Cristina Fibe às 7h17 PM

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Duas vezes Wajda

Por Sérgio Rizzo

                                                                               Divulgação

Cena de "Katyn", que estreia hoje nos cinemas do país

Antes que o saudoso - e ponha saudoso aí - Krzysztof Kieslowski (1941-1996) se consolidasse como um dos principais realizadores dos anos 80 e 90, cinema polonês era, ao menos por aqui, quase um sinônimo de Andrzej Wajda. Quem já era crescido nos anos 70, acompanhava o noticiário internacional e ia também ao cinema deve se lembrar da conexão entre a ascensão do sindicato Solidariedade (e de seu líder Lech Walesa, depois eleito presidente), o enfrentamento da herança stalinista no Leste Europeu e os filmes de Wajda que tratavam, a quente, das transformações políticas na Polônia.

Longas como “O Homem de Mármore” (1977), “Sem Anestesia” (1978), “O Maestro” (1980) e “O Homem de Ferro” (1981) eram vistos com imenso interesse no Brasil, em festivais e nos cinemas, não só porque abriam janelas para a compreensão das sociedades do bloco sob controle soviético, mas porque vivia-se por aqui uma ditadura militar, e esses filmes, embora ambientados em outras (e difíceis) circunstâncias históricas, pareciam também falar das nossas.

Pois bem: Wajda está de volta, em dose dupla. Seja bem-vindo. "Katyn" (2007), seu penúltimo longa, entrou nesta semana em cartaz, e "Terra Prometida" (1975) será exibido na mostra 100 Anos da Cinematografia Polonesa, no CCBB. Na edição de hoje da Ilustrada, o crítico Cássio Starling Carlos assina crítica (link para assinantes) sobre "Katyn", que disputou o Oscar de filme estrangeiro em 2008 (perdeu para o austríaco "Os Falsários", também sobre episódios da Segunda Guerra Mundial). O CCBB exibirá "Terra Prometida" (em DVD) nos próximos dias 10 (às 19h) e 18 (às 17h15).

Wajda é autor de "Um Cinema Chamado Desejo" (tradução de Vera Mourão, Ed. Campus, 168 págs.), publicado no Brasil em 1989 e fora de catálogo - mas havia, quando este texto foi escrito, cerca de 40 exemplares, a partir de módicos R$ 7,50, à disposição dos interessados nos sebos que integram o site Estante Virtual.

"Escrevendo este livro, indaguei-me por vezes a quem endereçá-lo", diz Wajda no primeiro capítulo. "Ao longo do caminho compreendi que o destinatário sou eu." Assim, em agudo e poético exercício de autorreflexão, ele examina diversos aspectos da realização (argumento, roteiro, atores, tomadas, som), sempre conectados à sua experiência. Abaixo, uma canja, retirada do capítulo "O Triste Dia da Estreia":

"A formação de um artista deveria se dar através de uma só disciplina, se seu objetivo é a aprendizagem da arte, e não da técnica.

Aconselho aos jovens diretores a aprendizagem de três artes: a música, a literatura e a pintura. Cada uma dessas três disciplinas permite compreender o que diz respeito ao cinema – e daí tirar conclusões.

As escolas de cinema se gabam de ensinar tudo isso ao mesmo tempo e rápido. Ora, a sensibilização pela música não é a música, a história e a teoria da literatura não são a literatura. Uma educação plástica não é a pintura.

Devo à escola de Lodz as amizades que lá pude fazer e o fato de que essa escola me garante sempre a renovação de meus colaboradores artísticos. Foi dessa escola que saiu Edward Klosinski, que conheci como estagiário e que, depois, foi meu assistente, antes de se tornar, para tantos de meus filmes recentes, meu cinegrafista e maravilhoso companheiro de trabalho.

Minha educação artística, devo-a à Academia de Belas-Artes, mas a 'melhor escola de cinema do mundo' me ensejou uma prática do cinema. É difícil para mim pronunciar-me não somente sobre a escolha de uma escola, mas sobre o processo mais eficaz que conduz ao ofício de diretor de cinema. Convém até mesmo perguntarmo-nos se esse ofício e sua situação social continuam a ser o que eram.

No belo romance de Joseph Roth, 'A Cripta dos Capuchinhos', uma velha aristocrata, escandalizada ao saber que a noiva de seu filho confecciona objetos de palha, exclama: 'Para onde vai o mundo, se se fabricam objetos preciosos com materiais miseráveis!'.

A modéstia de meios da maior parte da produção de cinema e de televisão não deu lugar – como esperávamos – a uma liberdade artística e política do cinema. Nada mais fez que empobrecer o ofício de diretor, que fornece sucedâneos da arte cada vez mais desvalorizados."

Escrito por Sérgio Rizzo às 5h15 PM

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Os melhores do ano

                                                       Divulgação

Cena de "Personal Che", que abre a programação

Começa nesta quinta-feira, dia 9, o tradicional Festival Sesc Melhores Filmes. É a oportunidade para rever, em tela grande, as melhores produções que estiveram em cartaz no ano passado no Brasil, de acordo com votação do público e da crítica. Em sua 35ª edição, entram 54 filmes, de blockbusters aos chamados filmes de arte, de brasileiros a estrangeiros. Veja se você concorda com a seleção:

FESTIVAL SESC MELHORES FILMES - 2009
Onde: Cinesesc (r. Augusta, 2.075, Cerqueira César, SP, tel. 0/xx/11/3087-0500)
Quando: de 9 a 16 de abril
Quanto: R$ 8; pacote para 15 filmes: R$ 80 (a compra do pacote dá direito a 15 ingressos, sendo um ingresso por sessão) e R$ 40 (desconto para quem votou pelo site ou no cinema); site: www.sescsp.org.br; e-mail: email@cinesesc.sescsp.org.br


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

QUINTA-FEIRA, DIA 9

14h30 - “Personal Che”
Direção: Douglas Duarte, Adriana Marino.
Direção: Colômbia/EUA/Brasil, 2007, 86 min, livre.

17h - “Um Beijo Roubado”
Direção: Wong Kar-wai.
Produção: França/China/Hong Kong, 2007, 97 min, 10 anos.
Com: Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman.

19h - “Era Uma Vez...”
Direção: Breno Silveira
Produção: Brasil, 2008, 118 min, 2007, 97 min, 14 anos.
Com: Thiago Martins, Vitoria Frate, Rocco Pitanga.

21h30 - “Vicky Cristina Barcelona”
Produção: EUA/Espanha, 2008, 96 min, 14 anos.
Direção: Woody Allen.
Com: Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem.

SEXTA-FEIRA, DIA 10

14h30 - “Quando Estou Amando”
Produção: França, 2006, 112 min.
Direção: Xavier Giannoli.
Com: Gérard Depardieu, Cécile De France, Mathieu Amalric.

17h  “Juno”
Produção: EUA, 2007, 92 min, 10 anos.
Direção: Jason Reitman.
Com: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner.

19h  “O Segredo do Grão”
Produção: França, 2007, 151 min, 14 anos.
Direção: Abdel Kechiche.
Com: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Faridah Benkhetache.

21h30  “Encarnação do Demônio”
Produção: Brasil, 2007, 90 min, 18 anos.
Direção: José Mojica Marins.
Com: José Mojica Marins, Milhem Cortaz, Jece Valadão.

SÁBADO, DIA 11

14h30  “O Garoto Cósmico”
Produção: Brasil, 2007, 76 min, livre.
Direção: Ale Abreu.

17h  “Persépolis”
Produção: França, 2007, 95 min, 12 anos.
Direção: Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi.

19h  “Batman  O Cavaleiro das Trevas”
Produção: EUA, 2008, 152 min, 12 anos.
Direção: Christopher Nolan.
Com: Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger.

21h30  “Linha de Passe”
Produção: Brasil, 2008, 113 min, 16 anos.
Direção: Walter Salles, Daniela Thomas.
Com: Sandra Corveloni, Vinícius de Oliveira.

DOMINGO, DIA 12

14h30  “Wall-E”
Produção: EUA, 2008, 105 min, livre.
Direção: Andrew Stanton.

17h  “Paranoid Park”
Produção: França/EUA, 2007, 81 min, 16 anos.
Direção: Gus Van Sant.
Com: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen.

19h  “Nome Próprio”
Produção: Brasil, 2007, 120 min, 18 anos.
Direção: Murilo Salles.
Com: Leandra Leal, Frank Borges, Luciano Bortoluzzi.

21h30  “Onde os Fracos Não Tem Vez”
Produção: EUA, 2007, 122 min, 16 anos.
Direção: Ethan Coen, Joel Coen.
Com: Tommy Lee Jones, Javier Bardem.

SEGUNDA-FEIRA, DIA 13

14h30  “O Caçador de Pipas”
Produção: EUA, 2007, 122 min, 14 anos.
Direção: Marc Forster.
Com: Saïd Taghmaoui, Shaun Toub.

17h  “Senhores do Crime”
Produção: EUA/Reino Unido, 2007, 100 min, 16 anos.
Direção: David Cronenberg.
Com: Viggo Mortensen, Naomi Watts.

19h  “Meu Nome Não É Johnny”
Produção: Brasil, 2008, 107 min, 14 anos.
Direção: Mauro Lima.
Com: Selton Mello, Cléo Pires, Júlia Lemmertz.

21h30  “Não Estou Lá”
Produção: Alemanha, 2007, 135 min, 12 anos.
Direção: Todd Haynes.
Com: Christian Bale, Cate Blanchett, Marcus Carl Franklin.

TERÇA-FEIRA, DIA 14

14h30  “Falsa Loura”
Produção: Brasil, 2007, 103 min, 16 anos.
Direção: Carlos Reichenbach
Com: Rosanne Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar.

17h  “Vicky Cristina Barcelona”

19h  “Luz Silenciosa”
Produção: México/França/Holanda, 2007, 127 min.
Direção: Carlos Reygadas.
Com: Cornelio Wall Fehr, Miriam Toews, María Pankratz.

21h30  “Um Conto de Natal”
Produção: França, 2008, 150 min, 14 anos.
Direção: Armaud Desplechin.
Com: Catherine Deneuve, Mathieu Amalric, Chiara Mastroianni.

QUARTA-FEIRA, DIA 15

14h30  “SICKO - $O$ Saúde”
Produção: EUA, 2007, 113 min, livre.
Direção: Michael Moore.

17h  “Longe Dela”
Produção: Canadá, 2006, 110 min, 12 anos.
Direção: Sarah Polley.
Com: Julie Christie, Michael Murphy.

19h  “Meu Nome Não É Johnny”

21h30  “Onde os Fracos Não Tem Vez”

QUINTA-FEIRA, DIA 16

14h30  “Linha de Passe”

17h  “Falsa Loura”

19h  “Não Estou Lá”

21h30  “Pan-Cinema Permanente”
Produção: Brasil, 2008, 83 min.
Direção: Carlos Nader.


Cena de "Pan-Cinema Permanente"

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 4h38 PM

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Trailers - parte 2

Por Cristina Fibe

Segue, para quem ainda não viu, o trailer de "Jean Charles", filme que vai lembrar (é bom nunca esquecer) do assassinato cruel e escandaloso (além de impune) do brasileiro que tentava a vida em Londres, pelas mãos da polícia inglesa.

 

Outro assunto: "NYTimes" e "Guardian" discutem nesta semana se a Pixar está se tornando ou não muito pouco "comercial". Analistas ligados a Wall Street não acham que "Up", que abrirá Cannes em 3D, tem suficiente apelo para conquistar o grande público (ou: render muuuuuito dinheiro). Segundo o "NYTimes", o filme custou cerca de US$ 175 milhões.

Uma das figuras entrevistadas duvida que o velhinho protagonista conquiste as crianças (eu duvido que não, mas não mexo com ações):

Escrito por Cristina Fibe às 12h49 PM

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20 anos de cadeia

Por Cristina Fibe                                                                                                           

                                                                                     Divulgação

A Ilustrada de hoje publica (só na edição paulista) matéria sobre o documentário tcheco “René”, de Helena Trestikova, 59, exibido hoje e amanhã no É Tudo Verdade.

Helena acompanhou ao longo de 20 anos René Plasil, um transgressor compulsivo, para quem roubar sempre foi mais fácil do que trabalhar. No início do filme, sabemos que ele saqueou o apartamento dela; no final, ele some com uma câmera da produção.

Abaixo, a íntegra da entrevista em que Helena conta o que tanto a encantou no personagem, com quem se envolveu emocionalmente e a quem ajudou a publicar três livros escritos na prisão. A diretora recebeu a Folha durante sessão de “René”, na última quarta-feira, no CCBB-SP, e preferiu um tradutor para responder às perguntas a seguir.

Como você conheceu René Plasil?

No início, não sabia nada sobre ele. Conheci René [em 1988] num projeto sobre delinquentes jovens em uma prisão para menores. Esse projeto originou um ciclo de quatro filmes sobre esses meninos, e René me pareceu o mais interessante. O primeiro filme terminou com ele saqueando meu apartamento. Foi para mim uma coisa fora do comum, e pensei que seria uma pena parar de observar um personagem desses. Senti isso como uma espécie de mensagem.

E como decidiu fazer esse investimento, acompanhá-lo por tanto tempo?

Pareceu-me que René conseguia refletir muito bem a sua situação. Mas eu não podia nem pensar em como a história se desenvolveria. Essa é a base desse tipo de documentário: o diretor não influencia a história.

Então você acha que não influenciou o desenvolvimento do filme, mesmo ajudando René a publicar o primeiro livro dele?

Em certo sentido, sim. Eu tentava dar impulsos, mas a decisão era dele. Ele simplesmente podia decidir não escrever.

E como se estabeleceu a relação entre vocês? Você pagava pelas entrevistas. Também pagava para ele te escrever cartas?

René recebia cachê por dia, como se faz com qualquer ator. Pelo livro, recebeu da editora. No último ano de filmagens, pedi que escrevesse cartas sobre certos tópicos, e ele também recebia por isso. Algumas dessas cartas usei, mas a maioria das que estão no filme ele me escreveu por vontade própria.

E você respondia?

Sim, por escrito.

E como era a relação de vocês? Era uma relação maternal, de amizade ou só de diretora e objeto?

Todas as alternativas. A relação não é nada definido. Às vezes, me sentia feliz quando ele escrevia, às vezes, sentia raiva, às vezes, pena. Pena por ele perder a vida assim.

E como conseguiu manter essa relação depois que ele roubou seu apartamento? Pensou em desistir?

Não, queria continuar, pensei que era parte da minha profissão e que valeria a pena continuar observando esse personagem.

E você o perdoou pelo roubo?

Penso que sim, que o perdoei, afinal isso tinha tudo a ver com o personagem que ele queria nos mostrar.

Ele quis te dar material para o filme?

Talvez sim. Uma vez, depois que o filme foi feito, nós dois estávamos em uma exibição e perguntaram a ele por que não me devolvia a câmera [dada a ele pela produção, para que gravasse seu período em liberdade]. Ele respondeu que talvez essa atitude fosse a que esperavam dele.

Quanto de encenação e quanto de René há no filme?

Essa seria uma pergunta melhor para fazer a ele. É verdade que ele é muito inteligente e logo percebeu qual é o fundamento do documentário. Mas, ao mesmo tempo, acho que todas as divagações dele são verdadeiras.

Escrito por Cristina Fibe às 12h48 AM

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20 anos de cadeia - parte 2

Por Cristina Fibe

Abaixo, a continuação da entrevista com a diretora Helena Trestikova. E um trailer de "René" em tcheco.

 

Fora das gravações, vocês dois se encontravam? Você costumava mandar a ele coisas que pedia, na prisão?

Às vezes nos víamos quando estava solto, ou eu mandava livros para ele [na prisão], dava apoio espiritual.

Pelo que se entende do filme, a mãe de René não o viu mais.

Não, ela parou de vê-lo. Parece-me que, como tinha cinco filhos, não conseguia tratar de todos.

E como ele está hoje? Vocês se veem? Ele já está de volta à cadeia?

Desde que terminou o filme, ele ainda está em liberdade, o que é um recorde para ele. Estamos em contato permanente. Ele agora está acompanhando o filme nas projeções na República Tcheca. E até aqui, enquanto estou na América do Sul, ele me escreve mensagens sobre as suas experiências. Essas projeções acontecem em várias cidades, então ele escreve, às vezes, que as discussões são muito legais ou, às vezes, uma merda.

Ele está vivendo disso agora? Ou trabalhando com alguma outra coisa?

Quando ele trabalha oficialmente, todo o dinheiro que ganha tiram dele para pagar dívidas. Então ele não trabalha oficialmente. Houve uma época em que trabalhou como motorista para prostitutas, mas o problema é que ele não tem habilitação. No fim das contas, teve um acidente e destruiu um carro que talvez fosse emprestado. Hoje, vive só de cachês por essas discussões com o público, e em breve será publicada uma reedição de um livro dele.

Quando saíram as primeiras edições de obra dele, ele as esqueceu na prisão. Então foi a uma biblioteca e roubou seus próprios livros. Agora, que começou essa nova vida, de exibições do filme, ele “teve” que roubar uma agenda para poder marcar os compromissos! Vale a pena observar alguém assim.

O filme começa com René falando sobre o abandono pelos pais. Você tomou essa decisão por achar que essa é uma explicação para os problemas com o crime?

Sim, acho que ele não conseguiu perdoar os pais por eles o deixarem. Parece-me que toda essa vida de protesto é uma reação a esse fato. A posição que ele tomou, que surgiu desse protesto contra os pais, hoje é contra todos. Agora, como o filme já saiu, ele está numa situação nova, diferente, ele se transformou, de um canalha, uma pessoa desesperada, em um herói —que recebe atenção das mulheres, principalmente das que gostam de salvar esse tipo de homem. Sinto que ele começa a definir a sua relação com o mundo.

E com você?

Comigo a relação dele não mudou muito, porque ele nunca se demonstrou contra mim. O que mudou nele é que começou a realmente trabalhar. Os cachês dele não são muito altos, sendo que antigamente ele nem atravessava a rua por tal dinheiro. Ele ia direto roubar. Hoje, quer trabalhar por pouco dinheiro, mas honesto.

E de saúde, como ele está?

Eu recebo essa pergunta muito. Mas deveria ser para ele. Ele diria que a esclerose [múltipla, diagnosticada recentemente] que se dane —vou conviver com isso enquanto puder me mexer.

No fim do filme, ele comenta a influência que um diretor tem sobre o seu objeto. Qual é a influência que você teve sobre ele?

Espero que tenha influenciado ele de tal maneira que agora esteja pensando que consegue criar algo por si próprio. Porque, até agora, ele só tinha experiência com a destruição. Pela primeira vez, descobriu ser capaz de criar algo. E que pode ser admirado também pelos atos construtivos, e não destrutivos.

E que rumo a sua vida tomará, com a conclusão desse projeto de 20 anos?

Mesmo com o fim do projeto, nós já filmamos várias situações novas dele. Esse método de observar por muito tempo as pessoas, já comecei vários que ainda não terminaram, e quero me dedicar só a esse método.

Você pode contar alguns desses projetos?

Estamos terminando um filme sobre uma viciada em drogas, com 13 anos de observação, e estamos fazendo uma observação sobre as moças que estudaram na escola para enfermeiras, isso já tem 20 anos. E estamos continuando.

Escrito por Cristina Fibe às 12h47 AM

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Contra a pirataria

Por Cristina Fibe

Na semana do histórico vazamento de “Wolverine” (veja matéria da Ilustrada de hoje), uma campanha britânica tenta nova estratégia para convencer o espectador a ir ao cinema (ou a ver filmes de qualquer maneira que não seja de graça!).

A campanha “You Make The Movies”, lançada hoje nos cinemas do Reino Unido, tenta nos convencer de que somos essenciais para injetar dinheiro até nas megaproduções —essas que, como “Wolverine”, dificilmente dão prejuízo, mesmo que sejam baixadas por 50 mil pessoas ao mesmo tempo em poucas horas.

O “Guardian” parece botar fé na série —publicou matéria ontem elogiando a tentativa de explicar ao público que o dinheiro que gasta no ingresso contribui para a qualidade das produções, em lugar de comparar a pirataria com o roubo de um carro.

No site da campanha, dá pra ver também os clipes originais que inspiraram cada anúncio. Abaixo, o que remete a cena de "Tubarão".

Escrito por Cristina Fibe às 10h04 PM

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Reta final do É Tudo Verdade

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta o encerramento, em São Paulo, da 14ª edição do festival É Tudo Verdade. Entre os destaques, estão os filmes do final de semana estão “Z32”, de Avi Mograbi; “Garapa”, de José Padilha, e “René”, de Helena Trestikova. Mais informações no site do festival. Para ouvir o podcast, clique no microfone abaixo:

 

Escrito por Sérgio Rizzo às 7h38 PM

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Carreiras deprimentes

Por Cristina Fibe

                                                                                    Divulgação

       Burt Reynolds ficou com a segunda posição

Para quem gosta de listas, o site de humor Cracked.com fez uma boa, com as “seis páginas mais deprimentes do IMDb”.
Começa com uma fulana que conseguiu entrar para a base de dados cinematográfica só com “papéis” como “garota de biquíni” e “garota na festa”.
Passa por nomes como F. Scott Fitzgerald  e Burt Reynolds e termina com o famoso Fijad Hageb, imortalizado por um só papel, em filme de 1987 que tem Warren Beatty e Dustin Hoffman. E, nesta semana, sua popularidade ainda subiu 93% no “starmeter” do IMDb! Culpa da lista!

Escrito por Cristina Fibe às 6h45 PM

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Música para molhar os olhos

                                   Johannes Eisele - 12.fev.09/Reuters

Maurice Jarre no Festival de Berlim, onde recebeu prêmio pela carreira

Por Cássio Starling Carlos

Certos filmes são lembrados por conta de suas histórias. Outros, menos numerosos, ficam guardados graças ao poder de suas imagens. Poucos há, no entanto, dos quais não nos esquecemos devido à impregnação, sutil ou pesada, de sua música.

Entre estes, com certeza estão alguns para os quais Maurice Jarre emprestou seus talentos. Morto aos 84 anos, no último domingo, em decorrência de um câncer, o compositor francês certamente entrou para a história do espetáculo menos por ter sido o autor da vinda de Jean-Michel Jarre ao mundo e mais pela parceria produtiva _para ambos_ com o cineasta britânico David Lean.

Os maiores sucessos de Lean foram também aqueles para os quais Jarre criou trilhas e temas grudentos. Daqueles que, gostemos ou não, nos lembramos com carinho ou irritação. O mais inevitável de todos foi o “Tema de Lara”, que persegue com sua melosidade as intermináveis mais de três horas de “Doutor Jivago", épico sobre o médico russo que tenta sobreviver às agruras impostas pelo regime soviético.

Menos insistente e muito mais encantadora em sua solenidade é a trilha que Jarre criou para “Lawrence da Arábia”, exata ao enfatizar em cada fotograma que acompanha a monumentalidade que sustentava o ideal de cinema de David Lean. A fidelidade entre o francês e o britânico se manteve nos trabalhos seguintes _“A Filha de Ryan”, em 1970, e “Passagem para a Índia”, em 1984_, o que denota, além da cumplicidade, a eficiência dos resultados. Não à toa, a parceria abrilhantou também a estante doméstica de Jarre, com três Oscars _por “Lawrence da Arábia”, “Doutor Jivago” e “Passagem para a Índia”.

 

A associação com o cinema de grande espetáculo não parecia inscrita nos genes desse músico que começou discretamente regendo música de cena para teatro, convidado pelo encenador e ator Jean Vilar, no início dos anos 50.

Em 1952, ensaia seus primeiros passos no cinema, ao compor a partitura para “Hotel des Invalides”, um documentário em curta-metragem do sempre interessante diretor Georges Franju. Daí em diante permanecerá fiel a Franju, compondo as trilhas para “La Tête Contre les Murs” (59), “Olhos sem Rosto” (60), “Pleins Feux sur l’Assassin” (61), “Thérèse Desqueyroux” (62) e “Judex” (63).

Em sua primeira fase, ainda na França, esboçou colaborações com dois nomes fortes que antecipam a eclosão da nouvelle vague: para Alain Resnais, musicou o documentário “Toda a Memória do Mundo” (56) e para Jacques Demy, o curta “Le Bel Indifférent” (57). Mas nunca participou do movimento, deixando o campo livre para as composições mais nuançadas e encantadoras de Georges Delerue e Michel Legrand.

O passaporte para Hollywood foi carimbado com “Sempre aos Domingos”, de 1962, pelo qual recebeu a primeira indicação ao Oscar (receberia outras cinco, além das três que venceu) e chamou a atenção do produtor Darryl F. Zanuck, que o contratou para executar a trilha de “O Mais Longo dos Dias”. Com a desistência do até então fiel Malcolm Arnold para compor os temas de “Lawrence da Arábia”, Lean recebeu a indicação de Jarre por intermédio de Zanuck.

Daí para frente o compositor francês acumulou mais de uma centena de trabalhos, nem todos memoráveis, na companhia de muitos nomes de peso (John Frankenheimer, William Wyler, René Clément, Richard Brooks, Anatole Litvak, Henry Hathaway, Karel Reisz, Luchino Visconti, Alfred Hitchcock, George Stevens, John Huston, Paul Newman, Richard Fleischer, Elia Kazan, Volker Schlöndorff, Peter Weir, Clint Eastwood e Michael Cimino).
E também emprestou sua grife para facilitar as emoções em “Jesus de Nazaré”, “Atração Fatal”, “Sociedade dos Poetas Mortos”, “Caminhando nas Nuvens” e “Ghost - Do Outro Lado da Vida”.

Um veredicto acerca de seu talento? Deixamos a cargo de João Máximo, que em seu essencial “A Música do Cinema” indaga “se há palavra que possa definir o Jarre de toda essa extensa filmografia, ei-la: correção. Nem bombástico como nos trabalhos com Lean nem apagado como nas primeiras experiências francesas, mas apenas correto. De uma correção que não abre mão do que for preciso, seja a música clássica com que se garante em ‘Atração Fatal’, seja antiga canção de sucesso como ‘Unchained Melody’, de Alex North & Hy Zaret, em ‘Ghost’”.

Na rede alguns trabalhos de Jarre podem ser vistos e escutados.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 11h17 PM

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‘Wolverine’ cai na rede

Por Cristina Fibe

                                                                                    Divulgação                                                                                                                                        

Com estreia no Brasil prevista para o fim deste mês (30/4), “X-Men Origens: Wolverine” vazou na internet.

Uma cópia de boa qualidade, mas ainda com efeitos especiais inacabados, já está entre os arquivos mais baixados em sites de download.

A Fox, responsável pela distribuição do filme nos cinemas, ainda não se manifestou sobre o vazamento*. Mais detalhes na Ilustrada de amanhã.

*pequena correção: A Fox já disse à “Variety” que a versão na rede é um “rough cut” (um corte “bruto”, um rascunho), sem alguns dos efeitos e com cenas faltando. O arquivo teria ainda som e música temporários e uma aparência mais escura do que o produto final. O estúdio afirmou que não está claro quem são os responsáveis, mas que eles são identificáveis e serão punidos.

Escrito por Cristina Fibe às 2h39 PM

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