Ilustrada no Cinema

 

 

Trailers promissores


Por Cristina Fibe

Abaixo, dois ótimos trailers que caíram na rede recentemente:

“Where the Wild Things Are”, de Spike Jonze, com estreia no Brasil prevista para 16 de outubro

 

“Taking Woodstock”, de Ang Lee, que ainda está sem data de lançamento no Brasil (e que merece torcida organizada por sua estreia, já que o último filme de Lee, o premiado “Lust, Caution”, nunca chegou aos cinemas do país)

Escrito por Cristina Fibe às 5h23 PM

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Duas vezes Tarkovski

 
Cena de "A Infância de Ivan", de Andrei Tarkovski

Por Sérgio Rizzo

Há poucas semanas, os italianos Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e Federico Fellini (1920-1993) estavam em cartaz no CineSesc. Agora, surge outra oportunidade para quem mora em São Paulo conhecer ou rever, em tela grande e projeção em película, a obra de mais um cineasta singular da segunda metade do século 20, o russo Andrei Tarkovski (1932-1986), com a exibição -- até a próxima quinta-feira, dia 2 -- de seu primeiro longa, “A Infância de Ivan” (1962), na abertura da coletânea “Cinema Russo Moderno” do Cineclube do HSBC Belas Artes. (Atenção: a cópia tem um grave problema de som; ouve-se um forte zumbido durante quase toda a projeção.)

Sobre “Ivan”, lembremos um pouco do que o próprio Tarkovski conta no livro “Esculpir o Tempo” (Martins Fontes, tradução de Jefferson Luiz Camargo, 314 págs., R$ 59,70):

“O que me atraiu em ‘Ivan’, o conto de [Vladimir] Bogomolov?

Antes de responder a esta pergunta, devo dizer que nem toda a prosa pode ser transferida para a tela.

Algumas obras possuem uma grande unidade no que diz respeito aos elementos que a constituem, e a imagem literária que nelas se manifesta é original e precisa. Os personagens são de uma profundidade insondável, a composição tem uma extraordinária capacidade de encantamento, e o livro é indivisível. Ao longo de suas páginas, delineia-se a personalidade única e extraordinária do autor. Livros assim são obras-primas, e filmá-los é algo que só pode ocorrer a alguém que, de fato, sinta um grande desprezo pelo cinema e pela prosa de boa qualidade.

É extremamente importante enfatizar essa questão agora, quando chegou o momento de a literatura separar-se do cinema de uma vez por todas.
Outras obras em prosa distinguem-se pelas suas idéias, pela clareza e solidez de sua estrutura e pela originalidade do tema; esse gênero de literatura não parece preocupar-se com a elaboração estética das idéias que contém. Creio que ‘Ivan’, de Bogomolov, pertence a essa categoria.

Em termos puramente artísticos, permaneci frio diante do estilo narrativo seco, minucioso e fleumático desse conto, com suas digressões líricas a partir das quais se configura o caráter do herói, o tenente Galcev. Bogomolov atribui grande importância à exatidão do seu registro da vida militar e ao fato de ter sido, como ele se empenha em fazer com que acreditemos, uma testemunha de tudo o que acontece no conto.

Todas estas circunstâncias ajudaram-me a ver o conto como uma obra de prosa que podia ser facilmente adaptada para o cinema. Além do mais, a sua filmagem poderia conferir-lhe aquela intensidade estética de sentimentos que transformaria a idéia da história numa verdade confirmada pela vida.”

As relações entre a literatura e o cinema na obra de Tarkovski -- filho do escritor Arseni Tarkovski (1907-1989), cujos poemas espalham-se pela obra de Andrei -- ganham nova luz também com a publicação no Brasil do roteiro literário de seu segundo longa, “Andrei Rublióv” (Martins Fontes, tradução de Márcia Vinha, 312 págs., R$ 44), escrito em colaboração com o cineasta Andrei Konchalovski.

Abaixo, o trecho de abertura do livro, que recria a história do pintor que se transformou em monge, na virada do século 14 para o 15, e optou pelo voto de silêncio. Nesse prólogo, o cenário é a Batalha de Kulikov, em 1380, episódio-chave na formação da Rússia.

“Tinir de ferros, relinchar e clamor de moribundos; o ódio secular eleva-se ao céu incandescente e um guerreiro exangue cai sobre a poeira do chão, ao som de cascos de cavalos, rosto banhado em sangue.

Os cavaleiros combatem entre si, sabres curvos brilham no ambiente sufocante da batalha e os estandartes principescos, eriçados, agora se inclinam como as flechas dos tártaros. Gritos, pavor, morte. Camisões de linho estão escuros de sangue, cabeças raspadas estão perfuradas por flechas, escudos vermelhos, arruinados por machados, um cavalo deitado sobre o próprio dorso se debate, com a barriga cortada -- pó, clamores, morte.

E, quando os russos já não agüentam a pressão da cavalaria tártara, alça vôo de dentro da mata a incansável legião emboscada de Bóbrok [príncipe que comandava as tropas reservistas russas], que se desarvora campo afora, quase sem tocar a terra, e investe contra os tártaros, os faz recuar e os expulsa, enquanto os estandartes vermelhos voam sobre os cavaleiros brancos e vai ao chão, junto com o cavalo, na nuvem de pó, um tártaro enlouquecido de pavor...

O campo de Kulikov, abarrotado de cadáveres, cai na escuridão da noite, como que num desmaio.”

Os admiradores da extraordinária obra de Tarkovski agradeceriam se alguma distribuidora importasse o documentário-tributo “Conhecendo Andrei Tarkovski”, de Dmitri Trakovski (sic), exibido na Mostra Internacional de São Paulo em 2008.

Escrito por Sérgio Rizzo às 12h27 PM

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"Sobreviventes" vai além das situações-limite

                                                                                     Divulgação

"Sobreviventes", de Miriam Chnaiderman e Reinaldo Pinheiro

Por Cássio Starling Carlos

“Todo homem tem um fracasso na vida, não é isso?”, afirma indagando o primeiro dos entrevistados do documentário “Sobreviventes”, com direção de Miriam Chnaiderman e Reinaldo Pinheiro, uma das atrações do festival É Tudo Verdade neste fim de semana.

De um modo aparentemente conceitual, o trabalho seleciona e registra depoimentos de pessoas que passaram por situações-limite e sobreviveram a elas. Assim, conhecemos experiências variadas e aos poucos vemos ampliar a proposta do documentário, da demonstração de um conceito sob um modo ilustrativo para algo mais indefinível, menos palpável e nem por isso reduzido ao abstrato.

“Sobreviver”, define o dicionário, é “continuar a viver, a ser, a existir, depois de outras pessoas ou de outras coisas”. Desta definição, o trabalho de Chnaiderman e Pinheiro se concentra, na condução das entrevistas e na edição, em dois termos-chave: “continuar” e “depois”.

A sucessão de histórias nos permite compreender que duas forças estão em jogo nas situações de sobrevivência, que para continuar a existir é preciso insistir depois de algo que bloqueia ou lança a vida na contramão.

Os testemunhos, no entanto, não se reduzem a ilustrações de casos limítrofes, nem o documentário se aventura no campo das experiências de quem quase morreu e trouxe desse “por um triz” algum tipo de mensagem. O que vemos são os que fingiram de mortos para continuar a viver, os que foram dados como mortos, mas que de fato não haviam morrido, os condenados a morrer precocemente e que, porém, continuam aí compartilhando vida. E há também os que perderam tudo _casa, filhos, liberdade, o direito de circular e de existir, como os prisioneiros torturados por nossas ditaduras.

Com essa sobreposição de histórias e sentidos da sobrevida, “Sobreviventes” nos permite desligar aos poucos da mera contação de casos e alcançar algo mais significativo: aquilo a que agarramos com força quando a morte mostra sua cara.

Avaliação: bom

No É Tudo Verdade: "Sobreviventes" têm sessões no domingo (29), às 21h, e na segunda (30), às 15h, no Cinesesc; e em 2/4, às 13h, no CCBB-SP.

 

Escrito por Cássio Starling Carlos às 4h00 AM

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"Anabazys" e o protesto de Glauber em Veneza

                                                          Ronaldo Theobald/Divulgação

O cineasta Glauber Rocha, tema do documentário "Anabazys"

Por Silvana Arantes

 

O filme "Anabazys", de Joel Pizzini e Paloma Rocha, que estreia nesta sexta, é um extenso e rigoroso estudo sobre "A Idade da Terra", último filme de Glauber Rocha (1939-1981), de quem Paloma é filha.

Joel e Paloma fizeram o seu recorte a respeito dessa parte da obra de um cineasta cujos filmes são inesgotáveis. E não só eles. Os fatos e as anedotas em torno de Glauber também parecem não ter fim. Um bom exemplo está no documentário "Crítico", do crítico e cineasta Kleber Mendonça Filho, que comanda o blog Cinemascópio.

Para investigar a relação entre críticos e cineastas _e os efeitos dela nos filmes_, Kleber entrevistou muita gente que atua de um lado e de outro. Quando foi ouvir o crítico francês Michel Ciment, nome destacado da revista "Positif" e veterano colaborador do Festival de Cannes, Ciment desenterrou de seu baú de memórias uma história sobre Glauber durante o Festival de Veneza em que "A Idade da Terra" (1980) foi exibido.

O crítico contou que ele e Glauber eram amigos cordiais, até o momento em que Ciment não gostou do filme de Glauber, e o cineasta passou a considerá-lo um opositor. Parênteses: Ismail Xavier ensina que a forma do duelo é fundamental na obra de Glauber, desde seu primeiro trabalho, "Pátio" (1959).

Voltando a Ciment, ele conta que estava no festival quando alguém se aproximou contando que um camponês muito moreno e maltrapilho estava fazendo um escândalo no lobby de um luxuoso hotel do Lido, que abrigava os convidados do festival. Como os brados do "camponês" eram numa língua incompreensível ao interlocutor de Ciment, ele julgou tratar-se de um protesto com reivindicações de fundo político ou social.

Era Glauber, que dava início à sua raivosa reação ao fato de "A Idade da Terra" não ter sido premiado em Veneza. Do discurso, Glauber partiu para uma passeata pela cidade, produzindo (também fora da tela) uma cena inesquecível aos espectadores que a testemunharam.

A seguir, o trailer do documentário de Joel Pizzini e Paloma Rocha.

Escrito por Silvana Arantes às 7h01 PM

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Assista ao novo curta de Almodóvar

Assista ao novo curta de Almodóvar

Por Leonardo Cruz

Abrazos Rotos”, o novo filme de Pedro Almodóvar, estreou há alguns dias na Espanha e ainda está longe dos cinemas brasileiros. Com distribuição no país pela Universal, não tem data de estreia definida.

Mas, enquanto o novo longa não vem, já é possível apreciar um aperitivo do diretor espanhol. Trata-se de “La Concejala Antropofaga”, curta que Almodóvar dirigiu durante as filmagens de “Abrazos” e que está quicando no YouTube há algumas semanas (dica do repórter Sandro Macedo).

No filme, a tal “vereadora antropófaga” do título é Carmen Machi, que interpreta Chon, a mesma personagem que faz em “Abrazos Rotos”. Desbocada, ela apresenta sua visão bastante peculiar dos prazeres da vida.

Ao final, preste atenção aos créditos. O diretor é Mateo Blanco. O roteirista, Harry ‘Huracán’ Caine. E quem são esses dois? São os nomes adotados pelo protagonista de “Abrazos Rotos”. Mais uma brincadeira do cineasta espanhol.

Abaixo, o filme em duas versões. Primeiro, em alta resolução, mas sem legendas (clique no botão HQ). Depois, em baixa, com legendas em português, traduzido no YouTube pelo grupo de artistas gaúchos VirtuComete.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h00 PM

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Os bastidores de uma filmagem no Irã

Os bastidores de uma filmagem no Irã

Por Leonardo Cruz

Cartas ao Presidente” abre nesta noite em São Paulo o É Tudo Verdade, principal festival de documentários do país. No longa, o diretor tcheco Petr Lom acompanha as viagens do líder Mahmoud Ahmadinejad pelas regiões mais pobres do país, em uma análise da popularidade (e do populismo) do mandatário iraniano.

Aos 40 anos, Lom faz seu terceiro longa documental. Antes deste, já havia realizado “Rapto de Noivas no Quirguistão” (2004) e “On a Tightrope” (2007), sobre uma minoria muçulmana que vive no noroeste da China.

Além da sessão de abertura, "Cartas ao Presidente" também mais quatro exibições no festival: nesta quinta, às 19h, e no sábado, às 17h, no Cinesesc; e em 1/4, às 15h e às 19h, no CCBB-SP. A seguir, a íntegra da entrevista que o diretor concedeu à Folha, por e-mail.

*

Seus filmes anteriores também tratam, de certa forma, de sociedades (ou conflitos sociais) pouco conhecidos no Ocidente. O que o atraiu a esses temas e lugares?
Fiz meu primeiro filme no Quirguistão por acaso. Como acadêmico, trabalhando para a CEU, uma universidade internacional financiada por George Soros, eu viaja muito pela Ásia Central. Foi assim que trombei com minha primeira história. E foi assim que comecei...
Gosto de viajar, gosto de aventura, e mais do que tudo, gosto de contar histórias desconhecidas, que podem fazer diferença no mundo.

Quanto tempo foi necessário para obter permissão para filmar no Irã? Como foram as negociações com o governo de Ahmadinejad?
Muito tempo. Quatro meses para conseguir a autorização de filmagem. Mais quatro para tirar o visto. E praticamente a maior parte dos nossos dias no Irã. Eram negociações intermináveis, um processo constante, forçando os limites, apenas para poder trabalhar direito.  Tinha sempre que convencer as autoridades que era um cineasta honrado, não um espião, alguém tentando degradar ou criticar o país (que é o que eles acham que a maioria dos jornalistas quer fazer).

Quem o ajudou nesses cinco meses no Irã?
Trabalhei com um produtor local, que cuidava das autorizações. Ele é amigo do conselheiro de imprensa do presidente Ahmadinejad. Eu tinha um aliado político. Não há como trabalhar de outro jeito no Irã. É preciso contatos.

Alguém do governo supervisionava seu trabalho? Você enfrentou censura direta? Teve que apagar alguma filmagem?
Sim. Havia alguma supervisão, mas de uma forma muito mais aleatória e caótica do que você pensa. Não tinha um “mentor” ou “supervisor” que me seguia o dia todo, como quando trabalhei na China. O controle no Irã era mais difuso e, talvez, mais secreto. Autoridades me disseram que eu estava sendo observado, então a censura mais forte foi minha própria auto-censura. Mas eu sabia que, para poder ficar no Irã, eu teria que apresentar um “tema positivo” às autoridades, algo que as agradasse e do qual eu não fugisse muito. Então escolhi o populismo de Ahmadinejad.
Algumas cenas foram apagadas, mas, em geral, pela policia, nas ruas, e quase sempre por “razões de segurança”, argumentando que eu não poderia filmar esta ou aquela instalação militar.

Você disse à rádio Free Europe que, após mostrar uma versão bruta do filme, enviou ao governo uma “versão mais acabada”. Era a versão final? Com as muitas críticas abertas ao governo?
Não. A versão final não foi mostrada. Mas um corte bruto de 90% do material que entrou na versão final foi mostrado ao vice-presidente do Irã, que aparece brevemente no filme. Ele não ficou exatamente satisfeito. Mas sua crítica principal é que eu era um “mau cineasta”. O conselheiro de imprensa do presidente reagiu melhor às filmagens que viu (que não incluíam as críticas dos estudantes). E Ahmadinejad também viu parte do corte bruto e se queixou da forma como o Irã é apresentado como um país pobre. Isso era inevitável, já que inicialmente minhas autorizações eram para acompanhar o presidente em suas caravanas pelo interior do país, que, a cada distrito, visitavam sempre os vilarejos mais pobres. Ahmadinejad queria que eu me concentrasse nas “grandes conquistas” do Irã, supostamente a base nuclear de Natanz. Mas eu nunca obtive autorização do próprio governo para filmar essa base.


O festival de cinema de Cingapura disse que seu filme foi aprovado por Ahmadinejad. Essa informação é correta?
Não. O projeto original foi aprovado. Teria que ter o aval do presidente. Mas é incorreto dizer que o governo iraniano teve qualquer participação na versão final do filme e em seu lançamento. Isso é uma bobagem. Eu não trabalho assim. Sou um cineasta independente e trabalho como quero.

Você enfrentou algum tipo de hostilidade da população?
Não. Certamente, não. Iranianos são muito hospitaleiros, pessoas maravilhosamente acolhedoras.  Em temperamento, creio, não são muito diferentes dos brasileiros. E sempre houve uma forte tradição de hospitalidade em relação ao estrangeiro, que deve sempre ser tratado como convidado.

Como você convenceu os iranianos a falar para a câmera? Especialmente os que criticam o governo?
Não precisei convencer ninguém. É claro que muitas pessoas tinham medo de falar diante da câmera, mas muitos jovens tinham gana de falar. Como se não fosse possível contê-los. E isso dá uma ideia do nível de descontentamento no país, especialmente em Teerã, entre os mais jovens.

Alguém sofreu algum tipo de punição por falar ao documentário?
Não e não acho que isso acontecerá. Especialmente porque os que criticam o regime foram filmados em um dos bairros mais ricos de Teerã. E tenho a impressão que esses privilegiados têm permissão para falar o que bem entendem.

O Irã tem cineastas famosos que não filmam mais no país. Kiarostami e Makhmalbaf estão na Europa. Panahi e Gohbadi não fazem filmes desde 2006. Você tentou contatar algum deles? Ou algum dos jovens diretores do país?
Meu produtor, que arrumou todas as minhas autorizações, é um jovem cineasta iraniano. O filme dele, que ele produziu do próprio bolso, foi censurado pelas autoridades, não pode ser exibido no país, o que é algo constante. E esse produtor me apresentou muitos outros cineastas locais. Tenho profunda admiração por eles, pelas tremendas dificuldades que enfrentam.

Você voltaria ao Irã?
Adoraria. Apesar das dificuldades (e francamente seria difícil fazer um filme sobre um chefe de Estado em qualquer país), gosto muito do país e dos iranianos.

*

Leia a cobertura completa sobre o festival É Tudo Verdade na versão impressa da Ilustrada desta quarta-feira.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 1h25 AM

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As belas fotos da doce vida

                                                                                 Fotos Divulgação

Fellini, Sofia Loren e Benigni, em retratos de Mimmo Cattarinich

 

Por Sérgio Rizzo

A extraordinária geração de cineastas italianos do Pós-Guerra dispensa apresentações, mas dois grandes fotógrafos de still que acompanharam sua fase de ouro (bem como a de profissionais de cinema de outros países), Mimmo Cattarinich e Willy Rizzo, são hoje quase desconhecidos pelas novas gerações de espectadores. Tanto melhor que ambos, por coincidência, sejam lembrados simultaneamente com exposições no Brasil e no Principado de Mônaco.

O reformulado saguão do Cinesesc, em São Paulo, abriga até 5 de abril a mostra “O Mago da Luz”, com fotos de Cattarinich. No catálogo, distribuído gratuitamente, a curadora Patrícia Oliveira observa que as fotos desse romano —que freqüentava já na infância os estúdios do produtor Dino De Laurentiis, onde trabalhava seu pai— promovem “uma viagem pela história do cinema”.

“São imagens que denotam paciência e olhar agudo, curiosidade e paixão”, afirma Patrícia. “E também uma enorme cumplicidade com a equipe técnica e os artistas. E mais: manifestam uma personalidade marcante aliada a uma ‘certa’ invisibilidade.” Sophia Loren, Vittorio De Sica, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini, Bernardo Bertolucci e Pedro Almodóvar são alguns dos profissionais que Cattarinich retratou nas fotos da exposição.

Já Willy Rizzo —com o qual não guardo nenhum parentesco; sou apenas o feliz proprietário de um exemplar autografado de seu “Starsociety”, publicado em 1994, com fotos (todas comentadas por ele) de Joan Crawford, Brigitte Bardot, Gene Kelly e Henri Langlois, entre muitos outros— se notabilizou não apenas como fotógrafo de gente do cinema mas de personalidades as mais variadas, que registrou para dezenas de capas de revistas, com destaque para a francesa “Paris Match”.

Apesar da diversidade de seu portfólio, a exposição dedicada a ele pela Opera Gallery de Mônaco (“Willy Rizzo - O Fotógrafo e as Estrelas”) privilegiou os personagens cinematográficos.

Má notícia para quem teria condições de dar um pulo até lá: a exposição foi encerrada na última sexta-feira.

Boa notícia para todos nós: o web site continua no ar; as fotos podem ser capturadas e impressas.

Minhas favoritas são as três abaixo, de Brigitte Bardot, Françoise Dorléac —precocemente falecida irmã mais velha de Catherine Deneuve— e Monica Vitti. E as suas?

 

Escrito por Sérgio Rizzo às 5h06 PM

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Uma atriz melhor que seus filmes

Uma atriz melhor que seus filmes

Por Cássio Starling Carlos

No momento da desaparição prematura de Natasha Richardson, nesta quarta, aos 45 anos, a pessoa sai de cena e no lugar dela ficam as personagens.

Em vez de ser lembrada apenas como a filha de Vanessa Redgrave e Tony Richardson ou como a mulher de Liam Neeson, o que Natasha legou foram poucas e boas aparições no cinema.

Atriz mais interessante que seus filmes, seu olhar inoculava as personagens que habitou com um tanto de enigma. Foi o que seduziu, primeiro, Ken Russel, diretor mais preocupado em fetichizar imagens, o que irrita mas também pode funcionar, como a encarnação de Natasha como a criadora de Frankenstein, Mary Shelley, em “Gothic”.

É também pela beleza melancólica que a torna espécie de ícone em estado puro que sua presença emprestou interesse a dois trabalhos medianos de Paul Schrader, “O Sequestro de Patty Hearst” e “Uma Estranha Passagem em Veneza”.

Mais uma vez foi a beleza carregada de mistério que impede de desaparecer no esquecimento “A Decadência de uma Espécie”, adaptação frouxa de Harold Pinter do inquietante romance “O Conto da Aia” de Margaret Atwood dirigido por Volker Schlöndorff.

Já madura e menos exuberante, pôde ser vista ao lado da mãe em meio a um elenco estelar no pouco reluzente “Ao Entardecer”.

De cabelos castanhos e no papel da durona diretora do colégio, sua despedida do cinema acabou sendo o ligeiro “Garota Mimada”.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 4h13 PM

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"Gran Torino" é sobre aprender a mudar, diz Clint

                                                                                     Divulgação

Thao e Kowalski, o encontro de culturas em "Gran Torino" 

Por Leonardo Cruz

Na noite do último dia 25, Clint Eastwood recebeu em Paris uma Palma de Ouro especial por toda sua obra no cinema. Foi apenas a segunda vez em sua história que o Festival de Cannes entregou tal prêmio _a primeira havia sido em 1997, para o sueco Ingmar Bergman.

Nada mais justo. Com 78 anos de idade e 54 de carreira, Clint é um dos mais importantes cineastas americanos na ativa, de trajetória só comparável à de outros três gigantes: Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Woody Allen.

Após despontar como ator nos anos 60 em filmes como “Por um Punhado de Dólares”, de Sergio Leone, e “Meu Nome É Coogan”, de Don Siegel, ele percorreu um caminho entre a atuação, fonte de prazer, dinheiro e fama, e a direção, sua maior satisfação profissional.

Viveu personagens que se tornaram célebres, como o detetive justiceiro Harry, o sujo, em “Perseguidor Implacável” (1971) e mais quatro longas. E realizou trabalhos premiados e elogiados pela crítica, como “Os Imperdoáveis” (1992).

No mesmo 25 de fevereiro, horas antes do tributo na França, o cineasta atendeu a Folha por telefone, na única entrevista ao Brasil para falar sobre “Gran Torino”. No novo filme, Clint dirige e interpreta Walt Kowalski, metalúrgico aposentado, que mora em um bairro empobrecido da Detroit de indústria automotiva decadente. Gran Torino é o Ford 1972 que Kowalski guarda na garagem, memória do passado próspero.

Veterano da Guerra da Coreia, ele mantém uma bandeira americana na entrada de casa e detesta seus vizinhos. São de uma comunidade hmong, etnia asiática que apoiou os EUA na Guerra do Vietnã, foi perseguida após o conflito e, em boa parte, fugiu para o Ocidente.

A ação do filme nasce dessa convivência entre o americano racista e rancoroso e os asiáticos da porta ao lado, em especial o jovem Thao. Xenofobia, crise dos valores da família e da igreja e negação da vingança como justiça social emergem em “Gran Torino”, ótima síntese das questões centrais da obra mais recente do diretor.

O filme, que estreia na próxima sexta no país, é o tema deste primeiro trecho da entrevista exclusiva. No post seguinte, o diretor faz um balanço da carreira.

*

Muitos de seus filmes mostram uma sociedade em declínio moral. Em “Gran Torino”, há também a decadência econômica. Isso reflete o espírito dos EUA hoje?
De certa forma, sim. Principalmente da região de Detroit, onde a indústria automobilística, antes símbolo do país e que hoje produz carros que ninguém mais quer, espera ser resgatada pelo governo. É um pouco sobre essa região em depressão, de fábricas fechadas e desemprego.
“Gran Torino” está no meio disso tudo, porque Walt Kowalski é um aposentado com problemas ligados a pessoas de dentro e de fora de seu círculo social. Muitos de seus amigos e contemporâneos estão mortos. E ele tem problemas com a igreja, com sua família, e seus preconceitos o colocam em choque com a vizinhança. Até que ele percebe que esses vizinhos asiáticos são mais voltados para a família do que ele é.

O contraste entre valores ocidentais e orientais foi algo que o atraiu no roteiro de Nick Schenk?
Sim. Gosto desse espírito de Kowalski, de homem obstinado. E também do fato de ele conseguir mudar, aprender algo. É isso que o filme resume: não importa a idade, sempre há algo a aprender sobre a vida, as pessoas e tolerância.

Críticos nos EUA disseram que Kowalski é uma espécie de Harry, o sujo, na velhice. Mas Kowalski carrega um forte sentimento de culpa pelo que fez na Coreia, e a forma como resolve as coisas em “Gran Torino” fazem dele o oposto da figura do vingador.
Creio que as pessoas concluíram apressadamente essa relação com “Dirty Harry”, sem refletir muito ou observar essa questão sob outro ângulo. Vejo o personagem como você colocou. Walt Kowalski é uma pessoa diferente. Tem que lidar com uma série de problemas que Harry nunca enfrentou.

Kowalski é uma espécie de resposta a Harry e àquela visão romântica do vingador dos anos 70?
Não estou tentando fazer um comentário sobre os anos 70. Os anos 70 foram os anos 70. E isso é agora. Mas, se há ou não alguma resposta escondida, eu desconheço. Só penso sobre “Gran Torino” no tempo presente. Nesse personagem e em seus problemas de agora. Kowalski me traz lembranças da época em que eu era militar. Senti que era capaz de compreendê-lo. Apesar de não ter ido à Guerra da Coreia, conheci muita gente que foi e que passou por aquilo que Kowalski passou. E você faz coisas malucas quando é jovem, coisas que, quando olha para trás, revê com certo arrependimento.

Dúvidas sobre a autoridade religiosa estão presentes em “Gran Torino” e em outros filmes recentes seus, como “Menina de Ouro” e “A Troca”. Por que esse é um tema tão relevante?
Não sei explicar. Em “Menina de Ouro”, isso era parte da estrutura do roteiro. Frankie Dunn [o personagem de Clint naquele filme] tinha uma atitude de confronto em relação a seu padre, uma coisa quase sádica. Ia à igreja todos os dias para confrontar o padre. Mas Kowalski é uma pessoa que simplesmente não quer ser importunado pela igreja. Não é o crente que sua mulher foi, mas volta para fazer uma confissão e pôr sua vida em ordem.

Você teve que fazer alguma grande mudança no roteiro?
Não. O roteiro original estava muito bom. Mudei alguns diálogos e algumas coisas aqui e ali, mas, em geral, o roteiro estava em boa forma. Filmei da maneira como estava.

Alguma cena foi mais difícil de filmar em “Gran Torino”?
Toda cena tem seus pequenos obstáculos. O grande desafio foi trabalhar com a cultura hmong, usando pessoas reais, amadoras, sem atores de grande experiência. Mas todo mundo entendeu o projeto e fez um bom trabalho.

Como você os preparou?
Eles trabalharam muito por si mesmos. Eu só cuidava da atmosfera das cenas, para que todos entrassem no clima que eu queria. Eles perceberam que, se para mim o resultado estava bom, para eles também.

Thao e Kowalski são, de formas distintas, “outsiders” em suas comunidades. Esse é um elemento de ligação entre os dois?
Sem dúvida. Walt tem reticências, mas sente prazer em tutorar o garoto e orientá-lo até o ponto em que ele aprende a ética do trabalho e uma profissão. Walt espera ser uma influência sobre Thao, quer que ele tenha uma vida melhor. Minha intenção sempre foi a de que o filme mantivesse um tom de esperança.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h38 AM

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"Kurosawa teve grande influência sobre mim"

                                                                                                  Divulgação

"Yojimbo" (1961), filme que levou Clint a filmar com Sergio Leone

Por Leonardo Cruz

“Se não gostasse de Kurosawa, minha vida teria sido muito diferente.” Neste segundo trecho da entrevista exclusiva à Folha, Clint Eastwood volta no tempo e conta que decidiu fazer “Por um Punhado de Dólares” por saber que o longa era inspirado em “Yojimbo”, filme sobre samurai mercenário, do japonês Akira Kurosawa, de quem era fã.

Afirma ainda que “Os Imperdoáveis” foi uma virada em sua carreira, reclama dos “brinquedos” digitais de Hollywood e crava: “A história é o rei”.

*

Qual o papel de Sergio Leone e Don Siegel em sua carreira?
Os dois foram muito importantes. Sergio estava fazendo uma experiência importante, um diretor europeu, italiano, trabalhando com um gênero americano e fazendo faroestes muito estilizados, operísticos. E a forma corajosa como ele fazia esses filmes me serviu de base. Com Don Siegel era um outro tipo de diretor, um contador de histórias urbano. Aprendi muito com os dois. E também com diretores com quem nunca trabalhei, vendo seus filmes ao longo da vida.

Por exemplo?
John Ford. Quando eu estava crescendo, ele era uma enorme influência para todo mundo. Howard Hawks também, além de [Frank] Capra e [Alfred] Hitchcock. Esses eram os que eu mais acompanhava.

E fora dos EUA?
Sempre fui um grande fã de Akira Kurosawa. Foi esse apreço que me fez atuar em “Um Punhado de Dólares”. Só fui filmar com Sergio Leone porque sabia que ele estava fazendo uma refilmagem de “Yojimbo”, um dos grandes filmes de Kurosawa. Mesmo sem nunca ter trabalhado com ele, Kurosawa teve grande influência na minha vida, pelo fato de que gostava demais de seus filmes. Se eu não gostasse, provavelmente não teria feito “Por um Punhado de Dólares” e minha vida teria sido muito diferente.

Então, você deve sua carreira a Kurosawa?
Sim, sim [risos].

Nos anos 60 e 70, você fez muitos filmes de gênero _faroestes e policiais. Os anos 80, com longas como “Bird”, foram uma transição?
De certa forma, sim. É verdade que nos anos 70 eu já dirigia, fiz filmes como “Josey Wales, o Fora-da-Lei”. Mas foi nos anos 80 que meu trabalho como diretor tomou uma forma mais definida. Uma espécie de preparação para os anos 90, quando comecei a filmar meus melhores trabalhos, a começar por “Os Imperdoáveis”, em 1992, e depois com filmes como “Um Mundo Perfeito” e “As Pontes de Madison”.

“Os Imperdoáveis” foi um ponto de virada?
Sim, sem dúvida.

O sucesso como ator permitiu que você abrisse a Malpaso, sua produtora, já nos anos 70. Quando decidiu que queria dirigir?
Sempre quis dirigir. Decidi no fim dos anos 60 e, no início dos 70, já estava filmando.

Então sempre preferiu dirigir a atuar?
Sim. Como diretor, tenho liberdade para contar as histórias que quero. E não preciso ficar na frente das câmeras o tempo todo e ser acusado de má atuação [risos].

Acha que teria se firmado como diretor sem a Malpaso?
Provavelmente, não. Sempre me interessei pelos bons argumentos, em vez de só fazer o trabalho pelo dinheiro e seguir em frente. Mas nem sempre os estúdios estão interessados nas melhores histórias, ou nas histórias que considero mais interessantes. Por isso a Malpaso foi fundamental.

Fazer cinema hoje é mais difícil do que no passado?
Não creio. Acho que o cinema está bem e sempre esteve bem. O cinema nunca enfrentou uma grande crise. Nem econômica nem de criatividade, pois sempre houve público interessado em ver filmes e artistas interessados em criá-los.

Mas, hoje, o que atrapalha o cinema às vezes são os “brinquedos”. E por “brinquedos” eu me refiro à enorme habilidade atual de criar grandes efeitos especiais. Isso pode ser uma ótima ferramenta, mas às vezes esses “brinquedos” se tornam a coisa mais importante de um filme, deixando a história de lado. É um erro. A história é o principal, a história é o rei.

Você tem atuado cada vez menos nos últimos anos. Perdeu o interesse pela atuação ou faltam bons personagens mais velhos?
É um pouco das duas coisas. Não sei quantos bons papéis para caras com 78 anos ainda aparecerão no futuro. Mas, se alguma boa história aparecer, com um bom personagem, eu o farei. Só não estou procurando papéis. Sinto muito prazer em dirigir os filmes e assistir à atuação dos outros.

Você já dirigiu quase 30 filmes e atuou em mais de 50. Tem um favorito?
Ai, Deus... Não sei.

“Os Imperdoáveis”?
Certamente é um deles. Mas gosto muito dos mais recentes, “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro”, “A Troca”, “Gran Torino”. Mas não tenho um grande favorito. Talvez em alguns anos eu consiga olhar para trás e escolher um deles. Hoje é difícil demais. Mas “Os Imperdoáveis” certamente estaria no topo da lista.

Como ex-prefeito de Carmel, como vê a política dos EUA?
Precisamos de bons políticos. Espero que o presidente Obama vire um deles, mas é cedo para saber, porque só o que sabemos dele é o que vimos na eleição. E campanha é só conversa. Mas estou otimista.

Seu próximo filme, “The Human Factor”, é sobre um episódio da presidência de Nelson Mandela na África do Sul em 1995. É uma coincidência fazê-lo agora, quando há um presidente negro nos EUA?
Não foi programado. Faria “The Human Factor” antes, mas resolvi adiá-lo ao ler o roteiro de “Gran Torino”. O fato é que sempre fui grande admirador de Mandela, acho a trajetória dele admirável, e ele fez coisas fantásticas para a reunificação da África do Sul. Coisas que espero de Obama faça nos EUA a partir de agora.

*

Leia mais na versão impressa da Ilustrada (exclusivo para assinantes Folha ou UOL):
Análise da obra de Clint Eastwood como diretor, por Inácio Araujo
Análise da carreira dele como ator, por Sérgio Rizzo

Escrito por Leonardo Cruz às 2h35 AM

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Doc sobre presidente do Irã abre o É Tudo Verdade

                                                                                     Divulgação

Ahmadinejad em ação em "Cartas ao Presidente", de Petr Lom

Por Leonardo Cruz

Formado em filosofia da política pela Universidade Harvard, o tcheco Petr Lom largou a vida acadêmica em 2003 para se dedicar ao documentário. E até agora só escolheu temas espinhosos. Em 2004 fez "Rapto de Noivas no Quirguistão", sobre a prática usual para arrumar esposa na ex-república soviética. Três anos depois, em "On a Tighrope", foi ao noroeste chinês para mostrar o cotidiano dos uighur, minoria muçulmana que vive sob vigília constante de Pequim.

Seu novo documentário não foge à regra e acompanha três viagens do polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao interior do país e mostra como o líder local é popular entre os iranianos mais pobres.

"Cartas ao Presidente" será visto pela primeira vez no Brasil no próximo dia 25, na abertura em São Paulo do Festival É Tudo Verdade. A sessão inaugural, no Cinesesc, é só para convidados, mas o filme estará na programação regular do evento, sempre gratuito e que acontecerá até 5 de abril.

O longa, exibido no último Festival de Berlim, tem como eixo uma das principais políticas populistas do presidente: o estímulo a que a população lhe escreva, contando seus problemas; a prática já rendeu 9 milhões de cartas. Ahmadinejad faz crer que lê tudo pessoalmente, mas mantém uma equipe para elaborar respostas.

"Este é um documentário observacionista sobre o populismo do presidente Ahmadinejad e o apoio que ele recebe do Irã rural religioso", explicou Lom, em texto do catálogo do último festival de documentários de Amsterdã. "O material rodado que vocês vão ver é exclusivo e único. Sou o único cineasta estrangeiro que teve permissão para acompanhar o presidente."

A seguir, o trailer de "Cartas ao Presidente", atualmente em exibição no SXSW, festival de música e cinema de Austin, nos EUA.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h33 PM

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A ressurreição dos anos 80

                                                                        Fotos Divulgação

A fantasia de "A História Sem Fim" (1984) deve ser refilmada

Por Cássio Starling Carlos

Quando os sinais de reincidência dos anos 80 começaram a aparecer, primeiro nos eternos refluxos da moda, depois na sonoridade de jovens bandas, seus sobreviventes devem ter começado a temer pelo pior: aquela estética horrenda poderia retornar? Por enquanto ela se encontra por aí, diluída em “looks”, ritmos e retorno de anti-heróis celebrando a decadência (ou alguém pensa que Mickey Rourke em “O Lutador” vai além disso?).

Mas algo pior já se delineia no horizonte: o remake de alguns sucessos daquela década. A emergente onda não se resume à mera reativação de franquias como “O Exterminador do Futuro”, cuja quarta parte, “Salvação”, estreia já já. O sinal mais claro do tsunami de remakes, de fato, aportou aqui na ressurreição sem efeitos (de medo, não de bilheteria) de Jason em “Sexta Feira 13”. O assassino de Cristal Lake continua serial e mais um retorno foi anunciado para o segundo semestre de 2010.

Seu amiguinho de sangue, Fred Krueger, mesmo desaconselhado por seu mentor Wes Craven, anuncia um retorno iminente, com início das filmagens previstas para o próximo mês. E hoje é a vez de conferir a “reinvenção” em 3-D de “Dia dos Namorados Macabro”, cujo original é de 1981.

Outros monstros daquela década se remexem na tumba. James Braddock, o sanguinário coronel que eternizou Chuck Norris como herói do pop-porrada, anuncia uma reencarnação atualizada aos novos tempos de Guerra do Iraque.

Os “baixinhos” dos anos 80 também poderão reviver suas manhãs embaladas pela Xuxa quando estiver pronto “Poderoso Thor”. As últimas notícias anunciam o adiamento do projeto, com previsão de lançamento em 2012. O que ninguém explica direito é por que o “shakespeariano” Kenneth Branagh foi o escolhido para a direção do martelo mágico.

Dois outros remakes devem agradar a fãs de muitas idades. A dupla de produtores Kathleen Kennedy e Frank Marshall (nutrida à base dos sucrilhos de Spielberg e responsável por “O Curioso Caso de Benjamin Button”) está renegociando os direitos de refilmagem “História Sem Fim”, a fantasia que muito moleque dos anos 80 hoje deve considerar um clássico.

E, depois de muitas negociações fracassadas, em breve deve começar a ganhar vida uma nova versão de “Viagem Fantástica”, a ótima ficção dentro do corpo humana filmada por Richard Fleischer em 1966 e reinventada de modo delirante por Joe Dante em 1987 no incrível “Viagem Insólita”.

Mas resta uma dúvida: será que daqui a pouco teremos que rever em novas roupas e cores “A Garota de Rosa-Shocking”?



"A Garota de Rosa-Shocking" (1986). Que roupas! Que penteados!

Escrito por Cássio Starling Carlos às 11h36 AM

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Cantet em SP e a confusão no Reserva Cultural

                                                                                     Divulgação

A sala de aula de "Entre os Muros da Escola", de Cantet

Por Sérgio Rizzo

Com ar de quem está um pouco cansado pela maratona de viagens, o diretor Laurent Cantet, 47, caminha pelo saguão do cine Reserva Cultural, em São Paulo, na última quarta-feira à noite, enquanto mais de 200 pessoas abarrotam a sala 1 para assistir a uma pré-estreia de “Entre os Muros da Escola”, seu quarto longa-metragem – os anteriores são “Recursos Humanos” (1999), “A Agenda” (2001) e “Em Direção ao Sul” (2005).

Quando nos cumprimentamos, ele se apressa em esclarecer uma dúvida que, pelo tom da pergunta, lá no fundo o preocupa: “Nós vamos discutir educação ou cinema?”. Cantet se refere ao debate logo depois da pré-estreia, que mediarei. Respondo que, provavelmente, falaremos de educação e cinema. “É que não me sinto à vontade para falar sobre educação”, diz ele. Mais tranquilo ao saber que haveria educadores no encontro, ele relaxa, muda de assunto e depois continua a passear pelo saguão.

Mas, como se viu em seguida, não havia motivo para preocupação: pai de um adolescente e diretor de um dos melhores filmes já realizados sobre o que ocorre no cotidiano de uma escola, o vencedor da Palma de Ouro em Cannes-2008 tinha muito a falar sobre educação. Só não queria, explicou na abertura do debate, que o encarassem e também a seu filme como portadores de respostas. De fato, “Entre os Muros da Escola” mostra a crise da escola como instituição, mas deixa que o espectador formule seu juízo a respeito.

O debate teve a participação da cineasta Laís Bodanzky (“Bicho de Sete Cabeças”, “Chega de Saudade”) e dos professores Julio Groppa Aquino, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, e José Ernesto Bologna, do Colégio Bandeirantes. A estrela, no entanto, foi Cantet, a quem foram dirigidas todas as dezenas de perguntas encaminhadas pelo público, boa parte delas sobre os procedimentos de realização do filme e sobre a representação da escola promovida pela sua adaptação do romance homônimo de François Bégaudeau (Martins Fontes, 260 págs., R$ 29,90). Boa parte do que Cantet disse no debate havia sido relatado por ele na entrevista de Silvana Arantes que a versão impressa da Folha publicou na última terça.

Estaria tudo muito bem, não fosse um incidente que envolveu cerca de 200 pessoas e atrasou em 40 minutos o início da sessão. Como os ingressos estavam esgotados desde domingo, havia uma lista de espera com mais de 100 pessoas; muitos outros interessados foram até lá sem saber da situação. Poucos conseguiram lugar. Enquanto a sala 1, de 190 lugares, promovia a pré-estreia de “Entre os Muros da Escola”, as outras três salas do cinema continuavam com sua programação normal. Alguns dos sem-ingresso argumentaram, em vão, que ao menos uma poderia também exibir o filme de Cantet.

Hoje, a seção "A Cidade é Sua", da Folha, recebeu a seguinte reclamação:

“Amplamente divulgado pela internet, pela própria Folha e outros órgãos de comunicação, a pré-estreia de ‘Entre os Muros da Escola’ frustrou centenas de educadores que não conseguiram ingressos para assistir ao filme e participar do debate, que ocorreu em seguida. Tudo porque os organizadores (cine Reserva Cultural) deram antecipadamente os ingressos a um ‘renomado colégio paulistano’ (Colégio Bandeirantes) em troca do patrocínio do evento com debatedores, oferecendo-lhes um coquetel. Enquanto isso, ‘uma lista de espera de mais de 160 nomes de educadores’ de colégios ou entidades públicas ficou a ver navios... Desrespeito, falta de educação e a transgressão da lei de defesa do consumidor é o mínimo que ocorreu. Abraços, Marco Antonio Santos.”

Questionado sobre o relato do leitor, Jean Thomas Bernardini, sócio-proprietário do cine Reserva Cultural, enviou a seguinte resposta:

"De fato, a sala 1 (a maior da Reserva Cultural) estava com seus ingressos esgotados para a sessão de Entre os Muros da Escola e debate posterior com o seu diretor, Laurent Cantet. O interesse do público foi enorme. No entanto, não é correta a informação do leitor de que ingressos foram dados ao colégio. Parte dos ingressos foi vendida para essa escola. Os outros foram colocados à venda. Como deve saber, a sala de cinema tem uma capacidade máxima de lugares e, em qualquer sessão de cinema, quando os ingressos esgotam, não há mais possibilidade de venda, ou seja, o público está sujeito à lotação da sala. Gostaríamos de ter contemplado todos os interessados, mas não foi possível. Abriu-se então uma lista de espera e, dessa relação, 35 pessoas puderam entrar. Apenas lamentamos que um senhor que se declara ‘educador’ se sinta ‘desrespeitado’ somente pelo fato de não ter entrado num lugar com ingressos esgotados.”

*

Para quem estiver menos interessado na confusão e mais em "Entre os Muros da Escola", basta clicar no microfone abaixo. O filme de Cantet é também o tema do podcast desta semana.

Escrito por Sérgio Rizzo às 7h59 PM

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Clint volta à África para filmar Mandela

                                                                                     Divulgação

Clint orienta a equipe nas filmagens de "Gran Torino", em Detroit

Por Leonardo Cruz

Em 1990, Clint Eastwood foi à Zâmbia e ao Zimbábue para dirigir e protagonizar uma versão ficcional da saga do cineasta John Huston à caça de um elefante durante as filmagens de “Uma Aventura na África”. Era “Coração de Caçador”, o 14º longa de Clint como diretor.

Agora, neste mês de março, Clint Eastwood está de volta ao continente africano para dirigir seu 30º filme. Trata-se de “The Human Factor”, que deve ficar pronto no segundo semestre e que tem em seu centro o líder sul-africano Nelson Mandela.

O longa é baseado no livro “Playing the Enemy”, de John Curlin, que conta como Mandela, em 1995, já presidente da África do Sul, usou a Copa de Mundo de rúgbi para quebrar barreiras raciais e unir o país em torno da equipe nacional. Mandela é interpretado por Morgan Freeman, com quem Clint já trabalhou em “Menina de Ouro” e Os Imperdoáveis”. E Matt Damon faz o capitão da seleção sul-africana de rúgbi.

E o que atraiu Clint Eastwood ao projeto? “O fato é que sempre fui um grande admirador de Nelson Mandela, acho a trajetória dele admirável e ele fez algumas coisas fantásticas pela reunificação da África do Sul”, contou o cineasta à Folha, na única entrevista que concedeu a um veículo brasileiro para falar sobre “Gran Torino”. Nesse ótimo novo trabalho, ele acumula direção, produção, trilha sonora e o papel principal.

“Gran Torino” acompanha a rotina de um ex-metalúrgico e veterano da Guerra da Coreia em um bairro empobrecido de Detroit. E Clint vive esse velho preconceituoso, xenófobo, que se vê obrigado a lidar com seus novos vizinhos, uma família de origem asiática.

O longa entra em cartaz nos cinemas brasileiros no próximo dia 20, mas já tem pré-estreia neste final de semana em São Paulo. “Gran Torino” é o principal destaque do Noitão, maratona de filmes madrugada adentro que o cine HSBC Belas Artes realiza mensalmente. A jornada deste mês acontece nesta sexta, 13, a partir da meia-noite. Custa R$ 18, dá direito a mais dois filmes e café, já na manhã de sábado.

A íntegra da entrevista que fiz com Clint Eastwood será publicada na versão impressa da Ilustrada nos próximos dias. A seguir, um trechinho de “Gran Torino” que mostra a paixão que o protagonista tem por seu antigo carro, o Ford 1972 que dá título ao filme. Para assistir, digite a senha: clint. E para ler um pouco mais sobre o filme, clique aqui.


Escrito por Leonardo Cruz às 8h57 AM

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"Pechinchas" para cinéfilos na Christie's

                                                                           Fotos Reprodução

Pôster de "007 contra Dr. No" = até 3.000 libras na Christie's

Por Leonardo Cruz

Está com dinheiro sobrando? A crise não abalou sua conta bancária? Então talvez você queira gastar uns trocados no leilão da Christie's desta quarta-feira, para o qual a repórter Cristina Fibe me alertou. Nada de obras de arte roubadas de palácios orientais nem telas perdidas de pintores famosos. A casa londrina venderá cartazes raros de cinema e, como é de seu feitio, com tudo muito baratinho.

 

Esse pôster polonês de "Blow Up", por exemplo, é um dos mais em conta. A Christie's espera arracadar por ele entre 300 e 500 libras, ou seja, de R$ 980 a R$ 1.840. Dinheiro de pinga, não? Nessa mesma faixa de preço estão outras peças originais, como um "Help!" polonês ou um "À Beira do Abismo" francês.

São 241 itens à venda, e Audrey Hepburn é a atriz que aparece no maior número deles, 19, mesma quantidade de cartazes dedicados a longas de James Bond. Hepburn protagoniza dois dos pôsteres mais caros do leilão, um cartaz italiano de "Sabrina" e um americano de "Bonequinha de Luxo". Por cada um deles, a Christie's estima que obterá até 5.000 libras, ou R$ 16.400. O Bond mais caro é a imagem do alto deste post, avaliado em até 3.000 libras.

 

Já Alfred Hitchcock é o cineasta mais bem representado no pacote, com pôsteres de 11 filmes seus à venda. Inclusive um original da famosa obra criada por Saul Bass para promover "Um Corpo que Cai", também arrematável por até 3.000 libras.

E aí? Vale o investimento? Se sim, quebre seu porquinho, prepare o checão e entre no site da Christie's às 10h desta quarta-feira. É possível acompanhar o leilão on-line e fazer seus lances. Quem preferir guardar seus reais para investimentos mais nobres ainda pode passear pela página da casa inglesa e apreciar alguns belos exemplares, imagens que viraram símbolos do cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h02 PM

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7 docs + 7 ficções nacionais

                                                                                     Divulgação

Rosane Mulholland, a "Falsa Loura" de Carlos Reichenbach

 Por Leonardo Cruz

Uma segunda chance para ver 14 filmes interessantes que passaram pelos cinemas brasileiros no ano passado. Essa é a proposta de uma mostra de sete documentários e sete ficções que acontece em São Paulo nas próximas duas semanas.

A convite da CPFL, os críticos Amir Labaki e Inácio Araujo selecionaram os longas que serão apresentados no cine Reserva Cultural a partir de segunda-feira, 16 de março. A mostra será aberta por um debate sobre cinema documental, mediado por Labaki, com os diretores Eduardo Escorel e Carlos Nader e a jornalista Neuza Barbosa. Na sequência, será exibido “Pan-Cinema Permanente”, longa de Nader sobre o poeta Waly Salomão, um dos melhores filmes brasileiros de 2008. A primeira semana continua com mais seis documentários, dos quais este blog recomenda vivamente “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, “O Advogado do Terror”, de Barbet Schoreder; e “O Tempo e o Lugar”, de Escorel.

Segundo Labaki, sua seleção privilegiou, em um leque amplo de temas e estilos, filmes que romperam com "os vetores dominantes" na produção de documentários de anos anteriores. "No caso internacional, a linha de documentários engajados, em resposta à Guerra ao Terror da era Bush. No caso brasileiro, o da ênfase em obras que estreitavam o diálogo documentário/ficção. Creio que o vetor internacional foi superado (basta ver a lista 2009 do Oscar, por exemplo) e que o brasileiro foi enganoso, motivado sobretudo pela coincidência de três obras que se desenvolviam, aliás de formas bastante distintas, a partir da fronteira documentário/ficção: 'Jogo de Cena', 'Juízo' e 'Serras da Desordem'."

As ficções da segunda semana foram escolhidas pelo Inácio, que optou por uma seleção nacional, longas por ele batizados de “os esquecidos”. O crítico explica: “São filmes que me parecem muito bons, me agradaram muito. São fortes, inovadores. Mas, por alguma razão, não encontraram seu público e merecem ser vistos”.

Entre as ficções nacionais estão dois grandes longas lançados em 2008: “Terra Vermelha”, de Marco Becchis, e “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci. O ciclo será encerrado na quinta, 26, com um debate do qual participará o próprio Tonacci, Inácio e a psicanalista Maria Rita Kehl.

Veja a programação completa:

16/3
19h30 - Mesa-redonda com Neuza Barbosa, Eduardo Escorel, Carlos Nader, com abertura do curador Amir Labaki.
Em seguida: “Pan-Cinema Permanente
”, de Carlos Nader

17/3
19h30 - “O Aborto dos Outros
”, de Carla Gallo
21h15 - “O Advogado do Terror
”, de Barbet Schoreder

18/3
19h30 - “Personal Che
”, de Douglas Duarte e Adriana Mariño
21h15 - “O Tempo e o Lugar
”, de Eduardo Escorel

19/3
19h30 - “Joy Division
”, de Grant Gee
21h15 - “Condor
”, de Roberto Mader

23/3
19h30 - “Encarnação do Demônio
”, de José Mojica Marins
21h15 - “Falsa Loura
”, de Carlos Reichenbach

24/3
19h30 - “Corpo
”, de Rossana Foglia e Rubens Rewald
21h15 - “Terra Vermelha
”, de Marco Becchis

25/3
19h30 - “Deserto Feliz
”, de Paulo Caldas
21h15 - “Cleópatra
”, de Júlio Bressane

26/3
19h30 - Mesa-redonda com Andrea Tonacci, Maria Rita Kehl e coordenação do curador Inácio Araujo
Em seguida: “Serras da Desordem
”, de Andrea Tonacci

*

A propósito, o crítico Inácio Araujo inaugurou no fim da semana passada o Cinema de Boca em Boca, seu blog no UOL. Vale o pageview.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h59 PM

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Engenhocas que indicam filmes

                                                                                 Fotos Reprodução
   
Quatro indicações do site Clerkdogs para quem gostou de
“Quem Quer Ser um Milionário?”: “Pather Panchali”,
“Cidade de Deus”,“Quiz Show” e “Os Esquecidos”

Por Cássio Starling Carlos

O sucesso de publicações como “1.001 Filmes para Ver Antes de Morrer” indica que, por mais que se considere o público de cinema informado, ele continua a demandar algum tipo de referência, que pode ser atendida desde com a cotação dos filmes que estreiam até com as tentativas, muitas vezes canhestras, de “ajuda” pelos funcionários de locadoras.

Se você é daqueles que se sente perdido só de pensar em escolher um filme, não sabe por onde começar ou teme passar por desinformado, a internet acaba de pôr em funcionamento duas geringonças ao seu modo costumeiro, quero dizer, “interativas”.

Ambas estrearam em fase beta, o que ainda serve de desculpas para alguns vacilos. A falta de uma base de dados mais consistente é o problema mais evidente do jinni, que promete encontrar “aquilo que você quer assistir” de um modo “customizável” e com base num tal “genoma de filmes”.

As opções de navegação restringem-se a elementos temáticos ou de gêneros. O site também diz que pode sugerir um filme de acordo com seu estado de humor ou adequado a um clima (o da intimidade, claro, não o senegalês que nos assola). Sob esse tópico, o jinni classifica filmes em categorias-adjetivos, tais como “emocionais”, “sinceros”, “tocantes”, “espertos”, “duros” “excitantes”, “estilosos”, “perturbadores”, e por aí vai.

Existe, claro, a chance de pedir uma indicação a partir de um título que você tenha admirado, à espera de filmes na mesma linha. Tentei dois testes e as respostas foram estranhas. Surpreendente, no bom sentido, são as recomendações para quem, por exemplo, já viu “Quem Quer Ser um Milionário?”, gostou e quer mais. Das três indicações duas eram de relevo: um Altman “menor”, “Prêt-à-Porter”, e o imenso “Em Busca do Ouro”, de Chaplin.

Já o teste com “Cidadão Kane” trouxe respostas inexplicáveis. O intacto “Barry Lindon”, de Kubrick, apareceu perdidão em meio à biopic quadradona “Sylvia - Paixão Além das Palavras” e ao dizem-que-simpático “Coisas que Você Pode Dizer Só de Olhar para Ela”, que Rodrigo (filho de Gabriel) García dirigiu antes de ter passado a atender, sempre com bastante competência, as ordens dos roteiristas de “A Sete Palmos” e “In Treatment”.

Na mesma linha, o Clerkdogs é mais eficiente na lógica associativa que propõe. No teste de “Quem Quer Ser um Milionário?” o site oferece um bom volume de respostas, que vão da inevitável comparação com “Cidade de Deus” à proximidade temática com “Quiz Show - A Verdade dos Bastidores” ou à conexão étnica com as bobagens de Mira Nair.

Mas faz o favor de incluir nas sugestões a imensa jóia do cinema indiano que é “Pather Panchali”, de Satyajit Ray, além de contrabandear bons clássicos, entre os quais “Os Esquecidos”, o “Oliver Twist” de David Lean, “Vítimas da Tormenta”, de De Sica, e o “Pixote” de Babenco (com erro no cartaz).

Nada mal!

*

Para quem entende inglês, o Clerkdogs colocou no YouTube um tutorial do site. É meio tosco, mas dá uma ideia da proposta.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 4h16 PM

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"Milionário", o filme x "Milionário", o livro

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo compara "Quem Quer Ser um Milionário?", de Danny Boyle, com o livro de Vikas Swarup no qual o filme foi inspirado. E apresenta também "Frost/Nixon", longa de Ron Howard, com roteiro de Peter Morgan. Para ouvir, basta clicar no microfone.

Escrito por Sérgio Rizzo às 9h52 PM

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Alan Moore contra "Watchmen"

                                                                            Fotos Divulgação

Quem você preferiria encontrar à noite, numa rua deserta: o criador
de "Watchmen", Alan Moore, ou Rorschach, personagem da série?

Por Pedro Cirne (em Los Angeles)

O roteirista Alan Moore, que escreveu a minissérie "Watchmen", detestou a adaptação dirigida por Zack Snyder. Mesmo sem a ter assistido. Nas entrevistas que concede, Moore diz nem considerar a hipótese de ver o filme, o que, é claro, é motivo de uma ponta de desapontamento para a equipe da produção.
 
"Tenho grande respeito por ele, é claro", disse Snyder há duas semanas, em entrevista em Los Angeles. "Mas antes mesmo de eu entrar no projeto, ele já havia dito que não assistiria ao filme. Como fã, tudo o que eu posso fazer é respeitá-lo. Não vou pedir a ele que assista."
 
A raiva de Moore contra Hollywood vem de muito tempo. Crítico a tudo (inclusive à indústria de quadrinhos, onde trabalha), o roteirista britânico primeiro atacava as adaptações de suas histórias e personagens aos cinemas. Depois, passou a exigir que os filmes não tivessem seu nome nos créditos.
 
"Ele não vai assistir ao filme e pedir desculpas pelas críticas, nós sabemos", lamentou o ator Matthew Goode. Ele faz o personagem Ozymandias e disse compreender a reação de Moore. "Não posso culpá-lo por não querer ver o filme, depois do que aconteceu com algumas obras dele que já foram adaptadas ao cinema", afirmou.
 
Entre os filmes que adaptaram HQs escritas por ele, estão "Do Inferno" (dirigido por Albert Hughes e Allen Hughes, de 2001); "A Liga Extraordinária" (de Stephen Norrington, 2003); "V de Vingança" (de James McTeigue, 2005); e "Constantine" (de Francis Lawrence, 2005 - o filme é baseado em histórias escritas por outro autor, Garth Ennis, mas o personagem-título foi criado por Moore).
 
Amigo de Moore, o desenhista Dave Gibbons, que ilustrou "Watchmen", disse que nem mesmo fala com ele sobre a minissérie que criaram juntos: "Respeito muito o Alan e converso com ele com frequência, mas ele não fala sobre 'Watchmen', e eu respeito. É uma opção dele". Questionado por um jornalista se levaria uma cópia do filme para Moore assistir, Gibbons respondeu, rindo: "Vá você levar o filme para ele ver. Eu é que não vou!".

(Leia a cobertura completa sobre o filme "Watchmen" na versão impressa da Ilustrada desta quinta-feira.)

O jornalista Pedro Cirne, editor do UOL Notícias, viajou a Los Angeles a convite da distribuidora Paramount.

Obs: este post foi apagado por acidente, ficou algumas horas fora do ar e depois foi recuperado. Infelizmente, os comentários foram perdidos. Peço desculpas aos leitores pela lambança. Leonardo Cruz.

Escrito por Pedro Cirne às 7h12 PM

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Depois do “fim da música”, o do cinema?

                                                                                    Divulgação

"A Chegada de um Trem à Estação Ciotat" (1895),
dos Lumière, marco inaugural do cinema

Por Sérgio Rizzo

Em sua mais recente crônica no site Sintonia Fina, “O fim da música”, o jornalista, crítico e produtor musical Nelson Motta propõe tema polêmico para debate.

“Assim como Fukuyama proclamou o ‘fim da história’, pode-se dizer que estamos vivendo o ‘fim da música’”, diz ele, referindo-se às ideias sobre o suposto triunfo do liberalismo político e econômico apresentadas pelo ensaísta norte-americano Francis Fukuyama no livro “O Fim da História” (1992).

“(Fim da música) Não no sentido apocalíptico ou de extinção, mas de saturação”, explica Motta. “Já temos música demais, há muito tempo, antes mesmo de todas estarem disponíveis na internet. Imagine que, no tempo em que você lê esta crônica, milhares de músicas, de todos os gêneros, estão sendo feitas no mundo inteiro e disponibilizadas na rede. Com certeza, apenas uma parte infinitesimal terá, por qualquer critério, alguma qualidade. O resto será puro lixo, apenas poluição sonora.”

De acordo com Motta, programas de computador permitem hoje que “qualquer um” faça música, “sem saber música e sem tocar qualquer instrumento”. “Depois do rap - a forma mais livre de música, porque não exige saber cantar nem tocar, bastam um beat e versos ritmados - nunca foi tão fácil fazer música. Ou pior, lixo musical, porque para fazer música boa, e bom rap, é preciso talento, que raros têm. Depois do rap, o que ainda se pode fazer de menos, em termos musicais?”

E desafia: “Quem pode produzir hoje uma ópera ou um musical da Broadway, não melhor, mas pelo menos no nível dos melhores? Como ousar canções de amor sofisticadas depois de tudo que Cole Porter e Tom Jobim fizeram? Como reinventar o rock, a MPB, a bossa nova, o soul, o folk, o flamenco?”

Talvez por esse motivo, na avaliação de Motta, a produção musical moderna mais interessante seja “a derivada da eletrônica e do hip hop, das fusões de ritmos e timbres, principalmente porque nada, melhor ou pior, já foi feito antes”.

Como este é um blog de cinema, e não de música, perguntas: seria possível trocar a palavra “música” por “cinema” na crônica de Motta e sustentar raciocínio semelhante, concluindo que exista também no campo do audiovisual uma “saturação”, com “imagens demais, há muito tempo”? E a “produção cinematográfica mais interessante” seria também alguma espécie de fusão que não guarde paralelo com nada, “melhor ou pior”, que tenha sido realizado antes?

Escrito por Sérgio Rizzo às 12h53 PM

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Confirmado o recorde de "Se Eu Fosse Você 2"

Por Silvana Arantes

Agora é oficial. Está confirmado o recorde de "Se Eu Fosse Você 2", como previsto aqui no blog ontem à noite. Com o resultado da bilheteria desta segunda-feira, o filme de Daniel Filho soma agora 5.324.387 espectadores, em nove semanas em cartaz. Assim, supera "2 Filhos de Francisco", o recordista anterior, e torna-se o longa-metragem nacional mais visto no país desde 1995, ano da retomada da produção no cinema brasileiro.

Escrito por Silvana Arantes às 1h07 PM

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Um recorde prestes a cair

                                                                                     Divulgação

Tony Ramos em "Se Eu Fosse Você 2", virtual novo recordista

Por Silvana Arantes

Está em 5.309.638 espectadores o público de "Se Eu Fosse Você 2", somados os dados de bilheteria do filme neste final de semana. Isso quer dizer que faltam 10.039 espectadores para a comédia de Daniel Filho bater o recorde de público que "2 Filhos de Francisco" estabeleceu em 2005 (5.319.677 espectadores) e se tornar o filme nacional de maior público desde a retomada da produção do cinema brasileiro _a partir de 1995.

Como "Se Eu Fosse Você 2" está em cartaz em 287 salas no país, é quase certo que esse recorde caia com o público das sessões desta segunda-feira. Uma conta rápida mostra como a quebra da marca é praticamente certa: se o público desta segunda em cada uma dessas 287 salas for de apenas 35 espectadores, já terá sido o suficiente. Na semana passada, a média diária de público do filme era mais de 300 pessoas por sala.

O número total de espectadores que os filmes brasileiros conquistaram em 2008 ainda não está disponível. Na melhor das hipóteses, terão sido 10,6 milhões, para um total de 91 estreias. Sozinha, a comédia de Daniel Filho já fez a metade disso.

No ano passado, uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha para o Sindicato dos Distribuidores identificou que a comédia é o gênero preferido do público quando se trata de escolher filmes nacionais. A franquia "Se Eu Fosse Você" é um reforço a essa tese. Resta saber quantas sequências mais de sucesso ela conseguirá emplacar. Não há dúvida sobre a realização do número três, provavelmente para 2011.

Escrito por Silvana Arantes às 7h04 PM

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O que esperar de "Moscou", de Eduardo Coutinho

                                                                                    Divulgação

"Moscou", o encontro entre Coutinho, o Galpão e Tchecov

Por Leonardo Cruz e Lucas Neves

Filmes novos de importantes cineastas nacionais, obras premiadas em festivais estrangeiros, debates sobre a produção atual de documentários no mundo. É animadora a programação do festival É Tudo Verdade 2009, divulgada hoje em São Paulo.

E o grande destaque na programação nacional trata-se, sem dúvida, do novo longa de Eduardo Coutinho. O mais importante documentarista do país fará no festival a estreia de "Moscou", projeto realizado com o Galpão, tradicional grupo teatral mineiro.

No filme, Coutinho acompanha o dia-a-dia do Galpão durante as leituras e ensaios de "As Três Irmãs", peça de Anton Tchecov que fascina o documentarista. "Adoro o texto; vi pela primeira vez há 50 anos e ficou na minha cabeça. Foi idéia fixa", contou o cineasta à Folha há quase um ano, na época em que filmava o Galpão.

Foi ele quem propôs a encenação de "As Três Irmãs" ao Galpão, que topou a empreitada por conta da celebração de seus 25 anos e convidou o diretor Enrique Diaz para ensaiar a peça. E o que se pode esperar de "Moscou"? Nada de teatro filmado quadradão, como já deve imaginar quem conhece os filmes anteriores de Coutinho, como "Jogo de Cena" (2007) e "Edifício Master" (2002).

Segundo o diretor, o que mais o interessava era o processo da encenação e não o resultado final da montagem. "Como se constrói um espetáculo em condições difíceis e tensas de tempo [três semanas]? Não é didático, para ensinar. Por isso, não vai ser na ordem [1º dia, 2º dia...], pode ter uma fala que se repita três vezes... É para que as pessoas se emocionem vendo o filme, independentemente de gostarem de teatro", declarou Coutinho.

Já na época das gravações, há um ano, o cineasta tinha ideia clara do tamanho do desafio a que se propusera: "O teatro são fragmentos de vida, entende? Não neo-realistas; altamente formais, criados, mas ainda assim fragmentos. E esse processo fragmentário é essencial para mim. Não quero mostrar duas horas e meia de Tchecov no final. Se fosse para fazer isso, seria mais fácil com um texto menor, mais simples e com mais ação. Mas a dificuldade é que vale a pena".

*

"Garapa" e mais
Além de "Moscou", outra estreia de peso no festival deste ano será "Garapa", o primeiro filme de José Padilha depois do sucesso de público com "Tropa de Elite". Longa sobre o cotidiano de fome de três famílias do Ceará, "Garapa" foi apresentado em fevereiro no Forum, mostra paralela do Festival de Berlim.

Outros cinco títulos nacionais completam a disputa pelo troféu e pelo prêmio de R$ 100 mil que o festival oferece. “A Chave da Casa”, de Paschoal Samora e Stela Grisotti, acompanha dois palestinos de origem iraquiana em dois tempos, primeiro em um campo de refugiados na Jordânia; depois, na nova vida no Brasil. “Corumbiara”, de Vincent Carelli, é sobre o massacre de índios em Rondônia em 1985, e “Sobreviventes”, trabalho experimental de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro.

Há ainda duas biografias: “Cildo”, de Gustavo Rosa de Moura, sobre o artista plástico Cildo Meireles, e “Cidadão Boilesen”, de Chaim Litewski, sobre o empresário dinamarquês Henning Albert Boilesen, ligado à repressão à luta armada no Brasil.

Já a mostra internacional do É Tudo Verdade apresenta alguns títulos premiados nos principais festivais de documentários mundo afora. Do principal deles, o de Amsterdã, virão dois longas: "VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado", longa dinamarquês que foi o grande vencedor da edição 2008 da mostra holandesa, e "Esquecido Papai", doc alemão que ganhou o prêmio especial do júri.

*

O festival e o impacto da crise
A crise econômica internacional já deixa marcas na edição deste ano do evento. Segundo Amir Labaki, diretor do festival, o evento deste ano terá um orçamento mais enxuto, com redução de 15% em relação ao ano passado. Isso significa um orçamento de cerca de R$ 1,7 milhão, a ser coberto pelos patrocinadores, Petrobras e CPFL à frente, via Lei Rouanet.

Na prática, em sua 14ª edição, o festival mudou sua estrutura e foi dividido em duas partes. As mostras competitivas (de longas e curtas, nacionais e internacionais) acontecem neste primeiro semestre, bem como a conferência anual sobre documentário e a retrospectiva da obra do cineasta convidado, o israelense Avi Mograbi. Para o segundo semestre, provavelmente agosto, ficaram as mostras especiais, com sessões não-competitivas, de filmes que serão definidos até julho.

Com essa divisão, a primeira etapa do É Tudo Verdade acontecerá de 25 de março a 5 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro e de 14 a 26 de abril em Brasília, o que significa uma redução do número de cidades do evento. Em 2008, Recife, Bauru e Caxias do Sul também receberam a mostra. Em São Paulo, o É Tudo Verdade acontecerá em seis salas: Cinesesc, CCBB, Sesc Paulista, Cinemark Eldorado, Cinemateca Brasileira e Cinusp.

O ponto positivo é que o evento manteve todas as sessões gratuitas, algo cada vez mais raro nos grandes festivais de cinema brasileiros. A seguir, a programação completa da competição.

Competição nacional (longas e médias)
"A Chave da Casa", de Paschoal Samora e Stela Grisotti (SP, 68 min)
"Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski (RJ, 92 min)
"Cildo", de Gustavo Rosa de Moura (RJ, 84 min)
"Corumbiara", de Vincent Carelli (PE, 117 min)
"Garapa", de José Padilha (RJ, 110 min)
"Moscou", de Eduardo Coutinho (RJ, 80 min)
"Sobreviventes", de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro (SP, 52 min)

Competição nacional (curtas)
"A Arquitetura do Corpo", de Marcos Pimentel (MG, 21 min)
"A Casa dos Mortos", de Débora Diniz (DF, 24 min)
"Chapa", de Tatiana Toffoli (SP, 18 min)
"Confessionário", de Leonardo Sette (PE, 15 min)
"Leituras Cariocas", de Consuelo Lins (RJ, 13 min)
"Nello’s", de André Ristum (SP, 25 min)
"No Tempo de Miltinho", de André Weller (RJ, 18 min)
"Samba de Quadra", de Gustavo Mello e Luiz Ferraz (SP, 16 min)
"Ser Tão", de Luis Guilherme Guerreiro (RJ, 20 min)

Competição internacional (longas e médias)
"Am I Black Enough For You? - A História de Billy Paul", de Goran Olsson (Suécia, 85 min)
"Esquecido Papai", de Rick Minnich e Matt Sweetwood (Alemanha, 84 min)
"O Esquecimento", de Heddy Honigmann (Holanda-Alemanha, 94 min)
"O Maior Restaurante Chinês do Mundo", de Weijun Chen (China, 80 min)
"Perturbados", de Kazuhiro Soda (Japão, 135 min)
"Problema É Comigo", de Juliette Veber (Nova Zelândia, 82 min)
"René", de Helena Trestikova (República Tcheca, 83 min)
"Retorno a Fortin Olmos", de Patrício Coll e Jorge Goldenberg (Argentina, 104 min)
"Segundas Sangrentas & Tortas de Morango", de Coco Schrijber (Holanda, 87 min)
"Tias Duronas", de Kim Longinotto (Reino Unido, 104 min)
"Tudo É Relativo", de Mikala Krogh (Dinamarca, 75 min)
"VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado", de Anders Hogsbro Ostegaard (Dinamarca, 85 min)

Competição internacional (curtas)
"Areias Vermelhas", de David Procter (Reino Unido, 25 min)
"Arrancando a Alma", de Bárbara Klutinis (EUA, 18 min)
"Bem Longe de Casa", de Marika Vaisanen (Finlândia, 15 min)
"Chirola", de Diego Mondaca (Bolívia, 25 min)
"Coração Negro", de Ada Bligaard Soby (Dinamarca, 23 min)
"Escravos - Um Documentário de Animação", de Hanna Heilborn e David Aronowitsch (Suécia, 15 min)
"O Segredo", de Edgar Feldman (Portugal, 25 min)
"Segunda Vida", de Anna Thommen (Suíça, 19 min)
"Zietek", de Bartosz Blaschke (Polônia, 17 min)

Escrito por Leonardo Cruz e Lucas Neves às 6h58 PM

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