Ilustrada no Cinema
 

Gondry ensina: primeiro “ação!”, depois “rec”

Gondry ensina: primeiro “ação!”, depois “rec”

 
Michel Gondry (centro) orienta Mos Def e Jack Black
caracterizados como os personagens de "Conduzindo Miss Daisy"

Por Sérgio Rizzo

Um dos mais badalados realizadores de vídeos musicais e peças publicitárias de sua geração, o francês Michel Gondry, 45, já assinou quatro longas de ficção, mas apenas o segundo, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), escrito por ele, Pierre Bismuth e Charlie Kaufman (roteirista de “Quero Ser John Malkovich” e “Adaptação”), foi lançado aqui nos cinemas. O primeiro, “A Natureza Quase Humana” (2001), também escrito por Kaufman, saiu direto em DVD.

A estatística vai melhorar um pouco a partir de 12 de dezembro, quando a Europa planeja lançar, com número reduzido de cópias, o mais recente deles, “Rebobine, por Favor” (2008). Mas, já na próxima terça-feira, dia 2, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo abrirá ao público “Rebobine, por Favor - A Exposição”, que permanecerá em cartaz até 11 de janeiro.

Hoje (sexta-feira) pela manhã, a imprensa visitou o espaço e conversou com Gondry, que participará amanhã de um bate-papo co-promovido pela Cinnamon Label — responsável pela vinda dele e da exposição ao Brasil — e pela Folha, logo depois da exibição do filme. Na próxima segunda-feira, ele fará sessão de autógrafos de seu livro “You’ll Like This Film Because You’re in It: The Be Kind Rewind Protocol” (Você gostará deste filme porque está nele: o protocolo “Rebobine, por Favor”) no restaurante Paris 6 (rua Haddock Lobo, 1.240), das 11h às 13h.

Gondry contou que havia recebido um convite da galeria Deitch, de Nova York, para montar uma exposição em torno do que desejasse. Optou então por retomar a idéia-chave de “Rebobine, por Favor” — em que dois amigos (Jack Black e Mos Def) realizam versões caseiras de filmes como “Os Caça-Fantasmas” (1984) e “Robocop” (1987) — para montar cenários em que os visitantes fossem capazes de realizar curtas-metragens, de acordo com certas regras e depois de um rápido workshop.


A dupla refazendo cena de "Os Caça-Fantasmas"

Não se tratava, explicou Gondry, de “ensinar” a ninguém a produção audiovisual. O objetivo era possibilitar que desconhecidos vivessem juntos uma experiência lúdica. “Hoje, tudo conspira para que as pessoas fiquem em casa. Gosto do conceito de levá-las para fora”, disse. “A idéia também não é pôr esses filmes caseiros no YouTube. Fora de contexto, eles perdem o sentido original.”

Os interessados em participar da experiência em São Paulo devem se inscrever pelo site da exposição. Gondry sugeriu que a organização do evento seja capaz, como ocorreu em Nova York, de incluir em cada grupo visitantes que estejam passando naquele momento pelo espaço, para aumentar a “mistura”.

Os parâmetros incluem uma hora para realização de toda a filmagem e edição feita na própria câmera. Cada tomada será definitiva e a eventual trilha sonora precisará ser executada no momento da captação. Gondry lembra que o operador de câmera deve primeiro gritar “ação!” e só depois apertar a tecla “rec”. Se fizer o inverso, observa o cineasta, o grito será ouvido no filme...

O cardápio de cenários à disposição de cada equipe reúne um bar ou mercearia, um Fusca para tomadas externas e outro para internas, o interior de uma cabine de trem, uma cozinha ou sala, um quarto, uma locação de floresta e outra de “periferia” (como ela é descrita no cartaz indicativo, com lixo e destroços), um muro com pichações e dois aparelhos com miniaturas (um de carros e o outro de um trem) para simular movimentação.

O espaço inclui uma réplica da videolocadora de “Rebobine, por Favor”, quatro figurinos (incluindo a armadura de “Robocop” e o vestido de “Conduzindo Miss Daisy”, ambos usados por Black) e uma sala de exibição para que os grupos assistam a seus filmes, além de um brechó com roupas e adereços.

Para assinantes da Folha ou do UOL, um pouco mais sobre Gondry: entrevistas de Adriana Ferreira Silva e de Marco Aurélio Canônico com o cineasta; artigo de Marcelo Rezende, autor de “Ciência do Sonho - A Imaginação sem Fim do Diretor Michel Gondry”, resenhado por mim; críticas de Inácio Araujo, Bruno Yutaka Saito e Sérgio Davila sobre “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”; e reportagem de Saito sobre a retrospectiva dedicada a Gondry pelo Resfest 2003.

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h14 PM

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52 mil fragmentos de Hitchcock

52 mil fragmentos de Hitchcock

                                                                           Fotos Reprodução


A cena-chave de "O Homem que Sabia Demais", na
versão original de 1934 e na refilmagem de 1956 

Por Leonardo Cruz

Talvez você já conheça o "1000 Frames de Hitchcock". Eu nunca tinha visto. Trombei nele hoje, num link no site da "Cahiers du Cinéma". É fascinante, prato cheio para quem estuda cinema. Apaixonado pelos filmes de Alfred Hitchcock, o inglês Dave Pattern criou um site com mil frames de cada um dos 52 filmes do cineasta britânico, de "O Jardim dos Prazeres" (1925) a "Trama Macabra" (1976).

Se fossem exibidos na velocidade normal de um filme, a 24 quadros por segundo, Pattern teria criado clips de pouco mais de 41 segundos de cada longa. Mas é evidente que a idéia não é essa, seria impossível resumir qualquer obra cinematográfica assim. Mas, vistas uma a uma, as mil imagens para cada filme selecionadas por Pattern permitem analisar com cuidado o estilo do cineasta, seus enquadramentos, a direção de arte. E acompanhar a evolução visual de sua obra.

Outro exercício interessante é comparar os fragmentos das produções inglesas do diretor e suas refilmagens hollywoodianas, como as duas imagens que ilustram este post, das duas versões de "O Homem que Sabia Demais".

Cada filme também tem seu padrão de cor analisado de duas formas: frame a frame (como neste de "Os Pássaros") ou o pacote completo de fotogramas, sobrepostos na vertical, como neste caso de "Um Corpo que Cai", que se revela um filme em que o vermelho se sobressai.

Depois de compilar os 52 longas de Hitchcock, Dave Pattern criou ainda, em seu blog pessoal, interessantes seleções de imagens por temas, como beijos, facas, pernas femininas e jornais. É nesse site que Pattern deixa mais clara ainda sua fixação por Hitchcock, reunindo todo tipo de notícia ligada ao diretor. Um exemplo? Você sabia que a fabricante de brinquedos Mattel lançou nos EUA uma Barbie inspirada no personagem de Tippi Hedren em "Os Pássaros"? Olha só:


Escrito por Leonardo Cruz às 10h11 PM

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O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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