Ilustrada no Cinema

 

 

O desafio de Walter Lima Jr.

O desafio de Walter Lima Jr.

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta “Os Desafinados”, a volta de Walter Lima Jr. à direção 11 anos depois de “A Ostra e o Vento”. Para ouvir, basta clicar no microfone.

Escrito por Sérgio Rizzo às 3h31 PM

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O filme mais longo da história

O filme mais longo da história

 
 
Leitores de Proust, em fases anteriores do projeto de Véronique

Por Leonardo Cruz

Quer fazer parte do filme mais longo de todos os tempos? Há vagas para voluntários. Os requisitos: falar francês, ter um computador com internet e webcam e estar disposto a ler para a câmera um trecho de "Em Busca do Tempo Perdido", a mais célebre obra de Marcel Proust.

A história é a seguinte: a francesa Véronique Aubouy propõe criar uma longa e ininterrupta "web-filmagem" em que cerca de 3.000 pessoas lerão a íntegra dos sete volumes do clássico proustiano. O plano da cineasta prevê uma página para cada voluntário, que seria declamada diante da câmera na transmissão ao vivo. Véronique marcou o início das filmagens para 27 de setembro, às 9h, e calcula que seu filme terá cerca de 170 horas. Alguém aí conhece um filme com essa extensão?

A cineasta trabalha nesse projeto desde 1993, quando rodou na Eslovênia a leitura do primeiro volume do romance, "No Caminho de Swann", que consumiu 20 horas de filmagem. Nestes 15 anos, a história só cresceu: em julho último, Véronique apresentou na França 77 horas de seu "Proust Lido".

Ao filmar as leituras de Proust e reproduzi-las dessa forma, Véronique consegue, ao mesmo, difundir a obra de um grande autor, reinventar seu espaço na sociedade contemporânea e provocar uma reflexão sobre a passagem do tempo, nada mais proustiano.

Até agora, 743 pessoas se inscreveram no site do filme _a grande maioria é francesa (552 voluntários), mas há vietnamitas, tailandeses, americanos, senegaleses, ingleses, japoneses, egípcios e, claro, brasileiros. São estudiosos de literatura, professores de francês, amantes da obra de Proust e muitos curiosos.

Entre os 14 voluntários brasileiros estão Adalberto Muller, 42, professor da Universidade de Brasília e que desenvolve uma pesquisa sobre literatura na mídia, Bernadete Marantes, 45, que desenvolve em São Paulo uma tese sobre a moda proustiana, e Cristina Vieira, de Diamantina, que admite não falar francês, mas diz ter "verdadeira paixão por Proust e pela França".

A seguir, a própria Véronique explica, em francês, o projeto do filme mais longo da história.

Em tempo: o 14º voluntário brasileiro se inscreveu hoje, há poucos minutos. É o autor deste post.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h48 PM

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O diário de filmagens de Woody Allen

O diário de filmagens de Woody Allen

Por Leonardo Cruz

2 de janeiro: Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção.

Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência.

Assim começa o diário que Woody Allen fez para as filmagens de seu novo longa, "Vicky Cristina Barcelona". Trechos das anotações do diretor foram publicados nesse último final de semana pelo "New York Times", num texto cheio de piadas e gozações. A palhaçada é tanta que fica difícil crer que esse seja de fato o diário do cineasta _mais parece uma peça criada por ele especialmente para o "NYT", para promover o filme, que acaba de estrear nos EUA.

Entre outras "confidências", Allen conta que Scarlett Johansson e Penélope Cruz se apaixonaram por ele, que Javier Bardem é um ator inepto e que já prepara seu discurso de aceitação do Oscar. A seguir, mais trechos do diário, verdadeiro ou não, do cineasta, numa tradução livre deste blogueiro.

5 de março: Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo.

2 de abril: Ofereci o papel para Scarlett Johansson. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.

15 de junho: Trabalho finalmente em curso. Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: "U-hu!", com uma entonação enigmática.

26 de junho: Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Estava pensando que tenho muito em comum com o grande arquiteto. Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.

3 de agosto: O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estejam interessadas em mim?

10 de agosto: Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Tive que ler as falas para ele. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.

A versão integral desse texto, em inglês, pode ser lida aqui, no site do "NYT" (requer cadastro gratuito). Se a distribuidora brasileira não aprontar das suas, "Vicky Cristina Barcelona" entrará em cartaz no país em meados de novembro. A seguir, o trailer do longa de Woody Allen.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h29 PM

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Do outro lado do muro

Do outro lado do muro

Por Cássio Starling Carlos

Quase duas décadas depois da queda do Muro de Berlim, outro muro continua a nos impedir de conhecer a produção mais palpitante do cinema alemão recente. Enquanto o cinemão que vem de lá é divulgado como “novo”, uma grande fatia de realizações de diretores jovens e emergentes continua inédita ou quase, graças à miopia de festivais e distribuidores, “descobridores” apenas do óbvio.

O que torna um motivo a mais para ficar atento aos dois programas “Escolas Alemãs”, em cartaz no 19º Festival Internacional de Curtas. Ambos reúnem dez trabalhos produzidos por alunos de duas instituições, a HFF e a DFFB, e serão exibidos em seqüência, hoje, a partir das 16h, no Cinusp (r. do Anfiteatro, 181, Cid. Universitária), e amanhã, a partir das 18h, no Cinesesc (r. Augusta, 2.075).

Em meio a duas realizações em animação, “Meu Final Feliz” e “Nossa Natureza Maravilhosa”, bastante bem-sucedidas, pode passar despercebido o melhor título da seleção da Universidade de Cinema e TV Konrad Wolf, a HFF.

Trata-se de “O Que a Gota Saberia Sobre Isso?” (foto acima), um documentário bastante livre focado no cotidiano de imigrantes que trabalham na limpeza do Reichstag, o Parlamento alemão. Enquanto lustra as letras de uma imensa inscrição na pedra do piso do prédio, um empregado reflete sobre sua participação na vida civil do país. Suas palavras sobre o desinteresse em relação à política oficial dos partidos se sobrepõem a imagens de outros funcionários que limpam os vidros da construção, num jogo de significações que coloca no mesmo plano o dentro e o fora, o visível e o invisível.

A forma como o diretor Jan Zabeil expõe a questão contrasta com o modelo de cinema discursivo e paternalista de um Fatih Akin, por exemplo. Enquanto a política é surda, na percepção dos imigrantes que trabalham no prédio, o modo como os cineastas filmam a arquitetura carrega o silêncio da construção de uma eloqüência incômoda. Nessas imagens reverberam outras, feitas por Alexander Kluge, um dos cabeças do jovem cinema alemão dos anos 60, que em seu segundo curta, o assombroso "Brutalidade em Pedra", ousou filmar o poder nazista a partir das ruínas de seus delírios de grandeza.

Da seleção de outra escola, Deutsche Film und Fernsehakademie Berlin (DFFB), “Delírio de Negação” (foto acima) pode impressionar com sua demonstração de habilidades no terreno do fantástico. Entretanto, é numa chave aparentemente menor que três outros trabalhos selecionados se sobressaem.

As brincadeiras de duas crianças, uma garota russa e um menino germano-americano, no interior de um hotel é, num primeiro nível, jogo de espaços e disputa pela posse de objetos. "Dê-me Seus Sapatos", porém, vai além do lúdico e vira uma reflexão sobre Berlim no passado recente. O encerramento espacial propicia também outra saborosa disputa, desta vez na pele de um casal de amantes destrutivos, em “A Garota de Meias Amarelas”. Por fim, um passeio noturno de bicicleta desdobra-se em uma aventura tensa e carregada de signos em “Carro de Boy”.

Todos representam capacidades de mostrar que, ao nosso redor, existem outros e novos muros, invisíveis, mas não menos bloqueadores.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 11h16 PM

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Daniel Craig volta aos anos 70

Daniel Craig volta aos anos 70

Em uma semana fraca de estréias em SP, o crítico Sérgio Rizzo comenta "Reflexos da Inocência", longa inglês de Baillie Walsh, estrelado por Daniel Craig. Para ouvir, basta clicar no microfone.

Escrito por Sérgio Rizzo às 4h26 PM

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Um roteiro para o Festival de Curtas

Um roteiro para o Festival de Curtas

Por Leonardo Cruz

Como bem disse Sérgio Rizzo no post abaixo, este é o primeiro final de semana do Festival de Curtas de SP, o principal do gênero no país. Como todo evento desse porte, é difícil separar o joio do trigo, escolher o que ver em meio a 381 filmes. Então, aqui vai uma ajudinha. Fiz um recorte na programação de hoje (sexta), amanhã e domingo, escolhendo duas sessões por dia. Aproveite que é de graça e passe o final de semana no cinema.

SEXTA
16h - Panorama Paulista 1, no Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000)
"Emília Escreve um Diário", de Tata Amaral, é um dos seis curtas deste programa. A diretora de "Antônia" e "Um Céu de Estrelas" volta à periferia de SP para contar, em 3 minutos, a micro-história de uma menina de 7 anos.

22h - Dark Side, no Cinesesc (r. Augusta, 2.075)
É o programa de horror do festival, que já virou uma tradição do evento. Neste ano, três filmes brasileiros dividem a sessão com quatro produções estrangeiras, incluindo o inglês "As Garotas" (foto acima), de Sebastian Godwin, premiado em festival londrino.

SÁBADO
15h - França Animada, no Espaço Unibanco Augusta 4 (r. Augusta, 1.470)
Neste pacote de animações francesas, chama a atenção "É Sempre a Mesma História", um desenho-documentário de Anne Morin, e "O Dia de São Festim", premiado neste ano em Clermont Ferrand, a mais famosa mostra de curtas do mundo.

20h - Mostra Brasil 4, no Espaço Unibanco Pompéia 10 (r. Turiassú, 2.100)
Destaque para "Trópico das Cabras" (foto acima), de Fernando Coimbra, curta que levou cinco prêmios no último Festival de Brasília. Também vale prestar atenção em "Vestida", nova obra de Juliana Rojas, do ótimo "O Ramo".

DOMINGO
16h - Semana da Crítica em São Paulo, no Frei Caneca Arteplex 4 (r. Frei Caneca, 569)
Deve ser uma das sessões mais concorridas, por isso, chegue cedo para retirar seu ingresso. Se já estiverem esgotados, calma! A sessão será reprisada às 20h na mesma sala. Reúne os filmes exibidos na Semana da Crítica no último Festival de Cannes e inclui dois bons brasileiros: "A Espera", de Fernanda Teixeira, e "Areia", de Caetano Gotardo

22h - Internacional 1, no Cinesesc (r. Augusta, 2.075)
Outra sessão provavelmente disputada, com "Eu Sou Bob", de Donald Rice, escolhida a melhor comédia em Clermond Ferrand, "Cachorro Quente" (foto acima), novo trabalho do mestre da animação Bill Plympton.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h31 AM

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Retrato do montador quando universitário

Retrato do montador quando universitário

Por Sérgio Rizzo

Celebrado montador de “Cidade de Deus” (2002), “Diários de Motocicleta” (2004), “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (2006) e “Tropa de Elite” (2007), entre outros longas-metragens, Daniel Rezende estreou como diretor com o curta “Blackout” (foto acima), que participou do recente Festival de Gramado e encerra o programa Mostra Brasil 1 do 19º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, aberto ao público nesta sexta-feira, dia 22.

Escrito por Simone Alexal, fotografado por César Charlone (diretor de fotografia de “Cidade de Deus” e co-diretor de “O Banheiro do Papa”) e produzido pela O2 Filmes, “Blackout” tem Wagner Moura, Deo Teixeira, Augusto Madeira (prêmio de melhor ator na competição de curtas de Gramado) e o próprio Charlone no elenco.

O programa no qual será exibido traz outros quatro filmes: “Les Terra’s di Nadie”, de César Meneghetti, “O Presidente dos Estados Unidos”, de Camilo Cavalcante, “Dossiê Rê Bordosa”, de César Cabral (prêmios de roteiro e montagem em Gramado), e “Café com Leite”, de Daniel Ribeiro.

O público tem quatro oportunidades para assistir à Mostra Brasil 1: dia 22, sexta-feira, às 19h, na Cinemateca; dia 23, sábado, às 18h, no Centro Cultural São Paulo; dia 25, segunda-feira, às 20h, no Espaço Unibanco Pompéia; e dia 26, terça, às 20h, no Cinesesc.

Rezende estudou na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), sigla que, segundo brincadeira feita por ele em Gramado, provocando gargalhadas da platéia, significaria “Escola Superior de Patricinhas e Mauricinhos”. Abaixo, um trabalho escolar em vídeo, que procura apresentar a própria ESPM, feito quando o montador e agora diretor era aluno da instituição:

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Em São Paulo, voltou ao circuito teatral o espetáculo “O Que Refletem Esses Pedaços”, inspirado na obra do cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), com Renata Coloni e Rita Grillo sob direção de Nicole Aun. A nova temporada vai até 2 de outubro, com apresentações de terça a quinta, às 21h, no Espaço Cênico Ademar Guerra do Centro Cultural São Paulo. Aqui, post deste blog sobre a montagem.

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Aos internautas do Rio de Janeiro: nesta sexta-feira, dia 22, o economista Alfredo Bertini, criador do Cine PE (Festival do Audiovisual de Pernambuco), lança o livro “Economia da Cultura: A Indústria do Entretenimento e o Audiovisual no Brasil” (Saraiva, 240 págs., R$ 49). O evento será realizado às 17h, na Embaixada Cultural de Pernambuco, no Solar de Santa (Rua Aprazível, 39, Santa Tereza).

Escrito por Sérgio Rizzo às 2h16 PM

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Quando o cartaz é melhor que o filme

Quando o cartaz é melhor que o filme

Por Leonardo Cruz

Já falei um pouco sobre cartazes de cinema há dois meses, naquele post sobre lojas parisienses especializadas em "affiches de cinéma". Mas vale voltar ao assunto agora, porque há uma boa exposição sobre o tema em São Paulo.

A mostra "O Cinema em Cartaz" foi aberta na semana passada na Faap, com uma seleção de mais de 3.200 pôsteres do acervo da fundação. São cerca de 300 peças, divididas por autor (Ziraldo, Benício, Rogério Duarte etc.) ou temática (brasileiros, americanos, soviéticos etc.), e cada bloco é acompanhado por um painel explicativo.

De graça, a exposição permite conhecer um bocado sobre história do design de cartazes no Brasil, da litografia para o off-set, do uso da fotografia, das diferentes tendências visuais ao longo das décadas. Por tabela, dá para aprender um pouquinho de história do cinema também.

 

E há exemplares nacionais belíssimos, que são bons motivos para dar um pulo na Faap. É o caso da criação de Calazans Neto para "Barravento" (Glauber Rocha, 1960), a de Lina Bo Bardi para "Bahia de Todos os Santos" (Triguerinho Neto, 1960) e a de Carybé para a versão ao cinema de "Seara Vermelha", o livro de Jorge Amado filmado por Alberto D'Aversa em 1964. E muitos pôsteres são melhores que seus filmes, como a maioria dos de Ziraldo nos anos 60 e 70, incluindo "Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera" (Roberto Farias, 1966).

Entre os cartazes estrangeiros, destaque para raridades húngaras, polonesas e soviéticas, como o pôster de Ctihgept para "A General" (Buster Keaton, 1927). Há ainda excelentes alemães, como os de "Berlim, Sinfonia de uma Cidade" (Walter Ruttmann, 1927) e Metrópolis (Fritz Lang, também 1927).

 

Além das 300 peças fixadas nas paredes, dois projetores completam a mostra: um exibe todos os 3.200 cartazes do acervo, enquanto o outro apresenta pôsteres que a Faap não possui, mas que considera importantes para a história do cinema.

Nem tudo são flores. Há um ou outro filme com nome errado, como "Quando Voam as Cegonhas", de Kalatozov, que virou "Quando os Cisnes Passam". Há um ou outro cartaz de "autor desconhecido" cujo nome do autor está claramente identificado no pôster. O folder da exposição é muito bem resolvido visualmente, mas traz textos confusos, cheios de erros de português, e um mapa da mostra com indicações trocadas. Não é o fim do mundo, mas um projeto tão bom como esse merecia mais cuidado nos detalhes.

A Faap fica na rua Alagoas, em Higienópolis, em São Paulo, e a exposição pode ser visitada de terça a sexta, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h. Continuará em cartaz até 12 de setembro. E é na faixa.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h02 AM

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O zumbido de Tarantino

O zumbido de Tarantino

Por Cássio Starling Carlos

Todo mundo já sabe que o marketing viral é uma arma cada vez mais disseminada pelos subterrâneos da internet. Algo que os “gênios” ainda precisam estudar é a eficácia da antecipação, isto é, o quanto antes um “buzz” (literalmente, “zumbido”) deve ser lançado para dominar o mundo Depois de ler o esclarecedor livro de Edward Jay Epstein comentado aqui na semana passada, comecei a desconfiar de tudo que venha da indústria do entretenimento.

Pode ser também que, quando a gente comece a se interessar por um tema, veja sinais dele por toda parte. É o que anda acontecendo comigo em relação ao próximo projeto anunciado de Quentin Tarantino, “Inglorious Bastard”. Os sinais vêm sendo emitidos desde o encerramento do último Festival de Cannes, quando Tarantino anunciou que começaria a filmar em outubro e que o filme estaria pronto para sua première em Cannes-2009.

No início de julho foi a vez de circular na velocidade da internet um arquivo que trazia supostamente uma versão do roteiro, com a capa acima, manuscrita. Não demorou para que aparecessem “resenhas” do roteiro, algumas já devidamente chamando o futuro resultado de “obra-prima”. No tratamento que ainda anda solto por aí, este “Inglorious Bastard” traz as marcas de sempre de Tarantino, com seu coquetel pop de referências, piscadelas para cinéfilos (os personagens germânicos fazem brincadeiras com nomes do cinema alemão) e indica mais uma de suas estimulantes retomadas de gêneros (aqui a “exploitation” do filme de ação de guerra).

Há poucas semanas o “buzz” começou a se mover na direção do elenco. Em meio a rumores, desmentidos e estupefações, veio à tona uma tarantinice típica com a escalação, até agora, de Brad Pitt, Mike Myers, Simon Pegg (que andou desmentindo) e da überdeusa Nastassja Kinski.
No início de agosto, o “buzz” se renovou com o lançamento em DVD, nos EUA, do “Inglorious Bastard” que deu início a toda a movimentação. O “original”, feito em 1978 pelo italiano Enzo G. Castellari, ganhou uma edição de luxo em três discos com horas de material supérfluo que acompanha um filme que dura 95 minutos.

As aspas que acompanham a palavra “original” no parágrafo acima se referem ao cinema praticado por Castellari neste e nas outras dezenas de títulos que ele cometeu. Cultuado por Tarantino, o cinema de segunda mão de Castellari é pura perda de tempo mesmo para aqueles que se interessam pela estratégia de reciclagem que define o cinema-pastiche do diretor de "Kill Bill". O trecho a seguir já é uma mostra disso. 

Se todo este “buzz” estiver mesmo sendo eficaz em sua coordenação, daqui a um ano estaremos ansiosos com a vinda do “Inglorious Bastard” de Tarantino para as edições 2009 do Festival do Rio e/ou da Mostra de SP. Depois, esperaremos sentados a estréia comercial durante meses, graças ao desmazelo de alguma distribuidora que fará de conta nunca ter ouvido zumbidos na vida.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 10h28 PM

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Futebol no cinema

Futebol no cinema

No podcast desta semana, o crítico da Folha Sérgio Rizzo comenta a estréia do filme “Show de Bola”, co-produção Alemanha/Brasil que aborda o futebol. Estrelado por Thiago Martins (de “Era uma Vez...”), o filme aborda um jovem de favela carioca que sonha em se tornar jogador do Fluminense. Para ouvir o podcast, clique no microfone abaixo:


Escrito por Sérgio Rizzo às 6h22 PM

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Na ponta do mouse

Na ponta do mouse

Por Sérgio Rizzo

A Associação de Combate à Pirataria Audiovisual (ALPA), organização francesa que representa os interesses de produtores e distribuidores de cinema, divulgou na semana passada os números que julga corresponderem ao volume de filmes baixados pela internet no país.

De acordo com o que disse ao jornal “Le Monde” o diretor-geral da ALPA, Frédéric Delacroix, cerca de 450 mil cópias ilegais de filmes são baixadas diariamente por computadores conectados à internet no país. O montante se aproxima, segundo a organização, do número de ingressos vendidos nos cinemas. “Estamos diante de um fenômeno gigantesco que põe em risco a indústria do cinema e do audiovisual”, afirmou.

Para chegar a essa estimativa, de cálculo dificílimo, a ALPA pesquisou de novembro a julho o tráfego de downloads de uma lista de cem filmes mais requisitados, franceses e estrangeiros. Nessa malha, os downloads efetivos corresponderiam, por conta de limitações tecnológicas, a aproximadamente 40% da demanda. Ou seja: se houvesse capacidade para atender a todos os internautas que buscaram as versões piratas, o volume diário superaria um milhão de cópias.

Durante o período da pesquisa, o campeão foi a comédia “Bienvenue Chez les Ch’tis”, estrondoso sucesso de bilheteria, que teria sido baixada 682 mil vezes desde março. Suas cópias piratas começaram a ser oferecidas na rede apenas quatro dias depois do lançamento nos cinemas.

* * *

No Brasil, nem mesmo os bons números de julho conseguiram impedir que o movimento nos cinemas em 2008 continue inferior ao de 2007. De acordo com dados do Filme B, o público de janeiro a julho deste ano foi de 55,1 milhões (contra 57,3 milhões em 2007). A queda, agora equivalente a 3,9%, correspondia a 11,5% até junho.

O público de filmes estrangeiros diminuiu 1,5%, caindo de 52,1 milhões para 51,3 milhões. Já o público de filmes nacionais despencou 27,6%, passando de 5,2 milhões de espectadores, de janeiro a julho de 2007, para 3,7 milhões no mesmo período deste ano (“Meu Nome Não É Johnny”, sozinho, fez 2 milhões; os demais títulos dividiram o restante). Com isso, a ocupação de mercado pelo produto nacional recuou de 9,1% em 2007 para 6,9% em 2008.

* * *

Para os internautas do Rio de Janeiro, dois eventos acadêmicos organizados pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ:

Na próxima terça-feira (dia 19), às 14h30, na sala 140 da ECO-UFRJ, Luciana Martins falará sobre um pioneiro do cinema na região amazônica na palestra “Silvino Santos: Imagem e Modernidade no Brasil”. Luciana é professora de Estudos Brasileiros no Birkbeck Colege da Universidade de Londres.

Na quarta-feira (dia 20), às 15h, no Auditório Moniz Aragão (Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ), Randal Johnson fará a aula inaugural do PPGCOM em torno do tema “A Tela Distante: O Cinema Brasileiro Visto de Fora”‘. Professor do Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia em Los Angeles, além de diretor do Instituto Latino-Americano da instituição, Johnson escreveu “Literatura e Cinema - Macunaíma: do Modernismo ao Cinema Novo” (T. A. Queiroz), “Cinema Novo x 5: Masters of Contemporary Brazilian Cinema” (University of Texas Press) e “Brazilian Cinema” (University of Austin), entre outros livros.

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h00 PM

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Uma indústria a todo vapor

Uma indústria a todo vapor

Por Cássio Starling Carlos

Diante do termo “indústria do cinema” muita gente ainda projeta o imaginário do capitalismo de séculos passados, com fábricas e usinas lançando em massa séries de produtos padronizados. Uma extensa reflexão “crítica” sobre os mecanismos da “indústria cultural” nos acostumou a enxergar, para o bem e para o mal, os filmes produzidos na escala hollywoodiana com as mesmas características que cobrem desde a fábrica de biscoitos até a montadora de automóveis. Como todo este imaginário, obviamente tais modelos de produção foram completamente ultrapassados.

Para saber de fato como são feitos os filmes que vemos hoje e que vêm daquele território que ainda chamamos de Hollywood uma leitura indispensável é um livro que acaba de ser lançado no Brasil pela Summus. “O Grande Filme: Dinheiro e Poder em Hollywood”, do jornalista Edward Jay Epstein, é um daqueles livros que todo mundo que consome filmes, games ou programas de TV deveria ler para saber como funciona a imensa máquina do entretenimento nos dias atuais e como ela se organiza para ocupar o que chamamos de nosso “tempo livre”.

A maior vantagem do esforço de Jay Epstein é ter recolhido uma enorme massa de informações, além de estudos históricos sobre o modelo e complementado com entrevistas. Com isso em mãos, o autor evitou produzir um livro para especialistas. Em vez de partir direto para análises, Jay Epstein adota a estratégia contrária, começando por estabelecer nexos entre a clássica Hollywood (a do sistema de estúdios, cuja crise começa por volta do fim dos anos 40) e a “nova” (a dirigida pelos interesses financeiros, capitais estrangeiros e apropriação prioritária pela indústria de equipamentos eletrônicos).

Para esclarecer a passagem transformadora entre as duas, o autor traça o percurso biográfico de seis executivos, todos de algum modo líderes de conglomerados de mídia e seguidores de lições ensinadas pelo pioneiro Walt Disney (segundo o autor, criador do novo sistema com sua lógica de oferta de produtos licenciados).
Como toda transformação, esta também não foi súbita. Atravessou os turbulentos anos 70 e só se consolidou de fato a partir da década seguinte, com a entrada no mercado de duas novas formas de distribuição e consumo de imagens: os canais a cabo e o videocassete.

Evoluídos para formas muito mais maleáveis de circulação, como o VoD, TiVO e as mais recentes mídias digitais, tais formatos inverteram por completo o eixo da economia de produção das imagens. “Hoje, mais de 85% da renda dos estúdios provêm das pessoas que jogam games ou assistem a DVDs e televisão em casa”, esclarece Jay Epstein. Por maior que seja a bilheteria conquistada por um “blockbuster”, a arrecadação da exibição em salas de um filme é superada em cerca de cinco vezes pelo que o autor chama de “ponta final” _vendas para o consumidor doméstico, exibições na TV e licenciamento de produtos.

Enquanto isso, no Brasil, sobram defensores da reserva de mercado gritando argumentos em relação à ocupação obscena das salas de cinema pelas gigantescas produções americanas.
À gritaria tampouco reagem os tubarões hollywoodianos, donos de um negócio que devora sem nenhuma forma de resistência a fatia muito mais polpuda do consumo doméstico. Ou alguém ainda acha que as enormes TVs de alta definição são usadas para decorar paredes?

Escrito por Cássio Starling Carlos às 10h14 AM

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A vez do cinema silencioso

A vez do cinema silencioso

No podcast desta semana, o crítico da Folha Sérgio Rizzo fala sobre a 2ª Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, que acontece na Cinemateca Brasileira em SP, de sexta (dia 8) ao dia 17, com entrada gratuita. Serão exibidos 29 filmes, de diretores como Humberto Mauro, Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu. Além da qualidade das produções, o crítico ressalta que a maioria dos filmes terá acompanhamento sonoro ao vivo, com a participação de 22 músicos. A programação completa pode ser verificada no site www.cinemateca.com.br.

Para ouvir o podcast, clique no microfone abaixo:

Escrito por Sérgio Rizzo às 9h44 PM

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Meu limão, meu limoeiro

Meu limão, meu limoeiro

Por Sérgio Rizzo

Depois de abrir na última terça-feira o 12º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, “Lemon Tree” (2008) entra em cartaz nesta sexta-feira (8). É o sétimo longa-metragem de ficção realizado pelo israelense Eran Riklis, 54. Diretor e roteirista (com Suha Ahaf) de “A Noiva Síria” (2004), inspirado em fatos verídicos ocorridos na fronteira entre Israel e Síria, ele se baseou aqui também em outra história real, a de uma mulher palestina que entrou na Justiça para proteger suas oliveiras quando o ministro da Defesa de Israel se mudou para a casa ao lado.

No filme, uma viúva palestina (Hiam Abbass, de “Paradise Now”, “Free Zone” e “A Noiva Síria”) defende seus limoeiros, vistos como ameaça pelo serviço de segurança do novo vizinho, o ministro de Defesa (Doron Tavory), mas não pela mulher dele (Rona Lipaz-Michael). Riklis conversou com a Folha sobre “Lemon Tree” e o cinema israelense. Abaixo, um resumo da entrevista.

“Procuro sempre inspiração para meus filmes nas histórias que ouço ou leio. A história de ‘Lemon Tree’ ocorreu na realidade, mas não teve muita atenção da mídia. Um dia, fazia pesquisas na internet quando soube de uma mulher que foi à Justiça para proteger suas oliveiras depois que o ministro de Defesa se mudou para o lado. O caso tinha todos os elementos que amo e que considero importantes: uma situação política vista de uma perspectiva humana, pessoas afetadas por decisões tomadas muito longe delas. Era uma história que trazia tudo o que tenho a dizer, e quero dizer, sobre o triste conflito no Oriente Médio. Nem mesmo precisei fazer muita pesquisa. Simplesmente comecei a escrever o roteiro. Com ‘A Noiva Síria’, aconteceu quase o mesmo. Eu fazia um documentário sobre as fronteiras (‘Vegvul Natan’ ou ‘Borders’, 1999), fui ver um casamento druso na fronteira entre Israel e Síria, e testemunhei fatos parecidos com os que acontecem no filme. Novamente, a vida foi a minha inspiração.”

“‘A Noiva Síria’ foi um grande sucesso em Israel, tanto com os críticos quanto com o público. ‘Lemon Tree’ não se saiu bem e minha explicação para isso é que ainda é difícil para os israelenses lidar com a realidade amarga dos conflitos, especialmente com os palestinos, e ‘Lemon Tree’ é sobre uma palestina que enfrenta o Estado de Israel, o que é demais para engolir. Mas estou certo de que ele terá uma vida nova na TV e em DVD. Ambos os filmes foram um grande sucesso fora de Israel. Recentemente, ‘Lemon Tree’ foi um grande êxito de bilheteria na França. De qualquer forma, acredito em abordagem global. Faço filmes para pessoas de todo o mundo. Assim, o sucesso não é uma questão local, mas universal.”

“Penso que o cinema de Israel ainda pode fazer mais para contribuir na busca pela paz na região. Meus filmes sozinhos não são o bastante, e penso que não há muitos outros lidando com esses assuntos. Não acho que filmes possam mudar o mundo, mas eles certamente podem ajudar as pessoas a pensar de modo diferente ou, ainda melhor, a parar por um momento e a refletir sobre certos temas. Em geral, as pessoas têm um modo muito restrito e pré-concebido de pensar. Quando elas assistem a um filme que as toca, ele mudará a sua maneira de enxergar os problemas e talvez consiga também mudar suas ações no futuro.”

“Conheci Hiam Abbass quando escolhia o elenco de ‘A Noiva Síria’ e tivemos uma ótima experiência juntos. Quando comecei a escrever ‘Lemon Tree’, sabia que queria escrever para ela o papel de Salma. Assim, Suha (Ahaf, co-roteirista) e eu escrevemos mais ‘facilmente’ a partir dessa inspiração. E Hiam é, de fato, maravilhosa. Ela tem toda a dor, esperança e força que você pode esperar desse tipo de mulher, e pode ser uma inspiração para o público.”

“Pensei que a personagem da mulher do ministro seria muito importante para balancear a história do lado israelense e gostei da idéia de duas mulheres em lados opostos da fronteira que criam uma ligação virtual entre elas. Esse é o verdadeiro coração da história —um conto de solidão em ambos os lados da fronteira, concentrado em mulheres que foram apanhadas em suas vidas, famílias, história e sociedade.”

“Não tenho certeza se as mulheres podem fazer mais do que os homens pela busca da paz. Temos visto ao longo da história mulheres em posições de poder que não fizeram boas coisas pela humanidade... Assim, apesar do meu foco em mulheres, não se trata de um discurso sobre o poder das mulheres, ou em defesa da alternativa feminina em relação à masculina. Penso que é um discurso sobre pessoas, e é sempre importante lembrar que, por trás de cada manchete nos jornais e de cada reportagem na TV, há pessoas que continuam a sofrer, que continuam tentando sobreviver à loucura em torno delas. Essa é a história de Salma, e é também a história de Mira, e possivelmente também a história de Navon, o ministro da Defesa, que também leva uma vida solitária, mas não sabe disso.”

“Minha grande inspiração foi Jean Renoir, por causa de seus valores humanistas. Mas fui influenciado por muitos cineastas: Ken Loach, Bernardo Bertolucci, Andrei Tarkóvsky, John Huston, Roman Polanski, Billy Wilder. Todos em virtude de sua perspicácia visual e/ou grande habilidade para contar uma história de forma clara e envolver o público. Em Israel, admiro todos os cineastas, por causa de sua dedicação e da capacidade de lutar para fazer o melhor sob condições que estão longe das ideais. E, no plano mundial, admiro todos os cineastas que integram a cena ‘indie’ em todos os países, alguns por escolha própria, outros não...”

“Gosto do trabalho de Fernando Meirelles e Walter Salles. Mas, olhando para os tempos em que vivi no Brasil (1968-1971), gostava da obra de Ruy Guerra (amei ‘Os Fuzis’) e de Glauber Rocha, claro. Sou quase um carioca... Vivi no Rio, em Copacabana, e estudei na Escola Americana. Tinha 14 anos quando cheguei e um pouco mais de 16 quando saí. Foram anos formadores. Vivi no Rio porque meu pai era conselheiro científico de Israel para a América Latina e trabalhava na Embaixada.”

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h08 PM

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O poder do padrinho

O poder do padrinho

Por Cássio Starling Carlos

Para a maioria dos filmes o tempo é um processo infalível de maldição. Já para poucos outros o passar dos anos funciona como progresso no sentido da graça. Um exemplo são as variações nas muito freqüentes listas de melhores de todos os tempos. Desde que a mania foi inventada nos anos 50 pela publicação britânica “Sight & Sound”, a presença de títulos com pouca idade sempre se manteve rarefeita. Na última seleção, publicada em 2002, o único “jovem” (quero dizer, título com menos de 40 anos) a obter um lugar entre os dez primeiros foi a dobradinha “O Poderoso Chefão” 1 e 2.

Era simples conferir o valor do trabalho de Coppola nesses dois filmes (finalizados como trilogia pelo injustamente considerado “menor” “O Poderoso Chefão 3”). Uma coleção especial, lançada em 2004, reunira os três filmes numa caixa, completada por um quarto DVD bem nutrido de extras. E encontrava-se com facilidade em locadoras com bom acervo.

Mas para quem viu ou adquiriu esta versão, vale um aviso: pelo menos os dois primeiros filmes da série acabam de deixar de ser aqueles que integravam o pacote. Explica-se: com o sucesso alcançado, os negativos dos filmes foram rodados à exaustão. Resultado: o filme que circulava, desde as versões exibidas na TV nos anos 70, passando pelas obsoletas cópias em VHS até as relativamente recentes edições em DVD, não passa de pálida imitação ou completa adulteração do original que estreou nos cinemas em 1972.

Não é só para efeito de marketing que a caixa de DVDs lançada na semana passada vem acompanhada do subtítulo “The Coppola Restoration”. O trabalho de restauração, executado por técnicos da Paramount, trouxe à tona outro filme. Com a consultoria rigorosa de Gordon Willis, fotógrafo da trilogia, os escuros e as luzes que se intercalam e se confrontam ao longo dos três longas recuperaram sua intensidade.

Willis inovou o modo de fotografar da época ao adotar um procedimento singular para alcançar os tons escuros que caracterizam a imagem de “O Poderoso Chefão”. Em amplas seções de cenas certas, a baixíssima luminosidade impedia que o negativo fosse exposto, alcançando um grau de tons escuros que não existia no cinema. Em contraposição, Willis concebeu uma pátina dourada nas seções com incidência de luz focalizada, sobretudo nos rostos, obtendo extraordinários efeitos dramáticos. Já em certas cenas em espaços abertos superiluminados, como na seqüência do casamento na abertura do primeiro título, arrisca-se nos limites da saturação, criando uma variação de tons e luminosidades que reiteram a saga sentimental dos Corleone.

Com o excesso de copiagem, os tons escuros perderam nuances enquanto os dourados e rosados se tornaram amontoados de laranjas indistintos. Pior ainda foi o que aconteceu com a fotografia em cenas com luz difusa, que ganharam aparência de esfumaçadas, totalmente ausentes da concepção original.

A mudança mais impactante pode ser verificada na cena chave em que o personagem de Al Pacino atira no capitão de polícia e no mafioso, selando seu destino no mundo do crime. Com a restauração das cores e luzes, vê-se a atuação de Pacino toda concentrada nos movimentos de músculos da face, antes apagada pelo obscurecimento da imagem.

O documentário “Emulsional Rescue”, que integra o pacote dos extras da versão restaurada, explica estes e outros detalhes técnicos do processo e compara as alterações sofridas pela película em 25 anos. Depois de assisti-lo, basta apertar o “play” do DVD de “O Poderoso Chefão” 1 e 2 para logo descobrir por que o tempo faz bem para alguns poucos e lança tantos outros na fogueira do esquecimento.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 11h37 AM

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Cinema judaico

Cinema judaico

No podcast desta semana, o crítico da Folha Sérgio Rizzo comenta o 12º Festival de Cinema Judaico, que acontece entre 5 e 10 deste mês. Serão exibidos 35 filmes, em cinco salas de São Paulo, entre eles “Lemon Tree” e “Os Falsários”. Mais informações no site www.fcjsp.com.br

Para ouvir o podcast, clique no microfone:


 

Escrito por Sérgio Rizzo às 6h17 PM

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