Ilustrada no Cinema
 

O "flop" dos independentes

O "flop" dos independentes

Ainda que edições recentes do Oscar e uma rápida olhada nos filmes em cartaz dêem a entender que o cinema independente/de arte vive boa fase, ele não vai bem, obrigado.

Ao menos na Warner Brothers. A companhia anunciou recentemente que vai fechar duas problemáticas divisões dedicadas ao segmento.

A Picturehouse, de filmes como “O Labirinto do Fauno”, e a Warner Independent Pictures, de “Marcha dos Pinguins”, vão encerrar atividades, fazendo cerca de 70 profissionais perderem seus empregos.

“Essa decisão reflete a realidade de um mercado em mudança e nossa necessidade de gerir prudentemente nosso negócio com eficiência crescente”, disse o presidente do estúdio, Alan F. Horn.

Ou seja, por mais que filmes como os dois citados tenham gerado interesse do público e do Oscar, por exemplo, no balanço final as contas não fecham.

Entre os recentes “flops” da Warner Independent estão “No Vale das Sombras” (Paul Haggis), que rendeu a insuficiente soma de US$ 6,7 milhões, e o oscarizado “Piaf”, que levou “apenas” US$ 10 milhões na América do Norte.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 1h16 PM

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O impacto dos blockbusters

O impacto dos blockbusters

O crítico da Folha Sérgio Rizzo comenta, no podcast desta semana, a estréia do filme "Speed Racer". Ou, melhor, fala sobre o impacto que a estréia deste blockbuster e "Homem de Ferro" causam no circuito brasileiro. Praticamente metade das salas de cinema do Brasil estão ocupadas pelos dois filmes. Para ouvir o podcast, clique no microfone abaixo.

Escrito por Sérgio Rizzo às 12h08 PM

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“Serras da Desordem” - O Retorno

“Serras da Desordem” - O Retorno

Por Cássio Starling Carlos

Dois anos depois de concluído, o brilhante “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci, vem sendo exibido discretamente em circuito comercial. Já passou por Belo Horizonte e São Paulo e está em cartaz no Rio e em Brasília.

A quase invisibilidade de sua passagem pelo mercado não esconde a potência que o filme carrega, anunciada nos prêmios de melhor direção e fotografia no Festival de Gramado de 2006, na escolha como melhor longa de 2006 na entrega do prêmio Jairo Ferreira e reiterada na recepção crítica que vem recebendo.

O espaço que jornais como a Folha e revistas eletrônicas como Trópico, Cinética e Contracampo já dedicaram para refletir o trabalho de Tonacci vem agora se consolidar na forma do livro recém-lançado “Serras da Desordem” (Editora Azougue, 144 págs.), com organização do crítico, professor e cineasta Daniel Caetano.

O volume traz cinco ensaios e uma longa entrevista com Tonacci que ampliam as possibilidades de análise do filme para muito além dos limites relativamente acanhados de sua recepção no âmbito jornalístico.

O professor Ismail Xavier abre com sua chave de ouro a reunião de textos com uma incisiva reflexão focada nas ambigüidades do material documental e ficcional que imbricam formas e conteúdos de “Serras da Desordem”, sua transformação incessante de sentidos que se impõe ao espectador ao mesmo tempo em que nos levam a abandonar os estereótipos culturais que aplicamos à representação do índio.

O crítico Luís Alberto Rocha Melo indaga o uso que Tonacci realiza de materiais de arquivos, pela qual o filme ultrapassa suas representações imediatas para se afirmar como interpretação da construção do país num determinado período histórico através de suas imagens.

Já a etnóloga Clarice Cohn se concentra no lugar que o índio Carapiru ocupa em meio às múltiplas instâncias narrativas que compõem o filme, trazendo para o livro uma saudável abordagem extra-cinematográfica.

O crítico Rodrigo de Oliveira expande o fio de sua interpretação do objeto único para as estratégias de encenação adotadas por Tonacci desde “Bang Bang”, seu primeiro longa, feito em 1970, passando pela experimentação com o olhar indígena em “Conversas no Maranhão” (1977).

O último ensaio é assinado por Daniel Caetano, que propõe uma aproximação do filme com “O Signo do Caos”, derradeiro trabalho de Rogério Sganzerla, numa leitura modulada por valiosas considerações acerca dos sentidos do realismo que os dois cineastas brasileiros renovam em diálogo fecundo com a tradição do cinema moderno.

Uma entrevista com Tonacci, conduzida por Daniel Caetano, dá espaço para o diretor explicitar o longo processo de construção da obra, desmistificar as opções de encenação do ator/personagem Carapiru e lançar luzes sobre suas preferências estéticas.

Com este material farto e instigante, o livro “Serras da Desordem” inaugura a coleção “Odeon”, que se propõe pensar as produções relevantes do cinema brasileiro contemporâneo.

O cinema e o leitor agradecem! 

Escrito por Cássio Starling Carlos às 4h19 PM

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Tudo em família

Tudo em família

Por Bruno Yutaka Saito

Filmes sobre família não são necessariamente “filmes família”. Ao contrário, quando o campo em questão é o cinema independente, ou com ares mais alternativos, eles têm mais cara é de filme de terror. Dois lançamentos recentes em DVD são bons exemplos.

Chegando direto ao formato, “Margot e o Casamento” (“Margot at the Wedding”) é o novo longa de Noah Baumbach (de “A Lula e a Baleia”).

Margot (Nicole Kidman) é a escritora de meia-idade que viaja a Long Island para o casamento de sua irmã, Pauline (Jennifer Jason Leigh), com o traste Malcom (Jack Black). Elas estão brigadas há tempos, e resolvem fazer as pazes.

O que parece guiar o longa, no entanto, é uma profunda devoção ao estilo e ao clima dos filmes de John Cassavetes. Ficam evidentes a colaboração íntima e cúmplice entre atores e diretor, uma tensão permanente no ar, algo claustrofóbica, necessária quando o assunto é família (as disfuncionais, ao menos). O mérito de Baumbach é fazer parecer que a câmera flutua entre os atores, sempre entrando no meio das cenas, dando ao espectador certa sensação de proximidade.

Diz Baumbach à revista “Sight & Sound”: “Um encontro de família pode trazer o melhor e o pior de você, com pessoas freqüentemente regredindo a atos infantis. Além disso, membros de uma família dividem uma história, uma linguagem secreta, uma série de questões de orgulho e suposições etc., mas quando todos se tornam mais velhos, essas questões se quebram, e eu estou interessado em como as pessoas lidam com isso”.

Já em outro extremo, nada realista, está o registro de David Lynch para questões pessoais. Seu primeiro longa, o cultuado “Eraserhead” (1977) finalmente ganha lançamento em DVD no Brasil.

Longa-metragem que têm mais a ver com os primeiros trabalhos de videoarte de David Lynch, “Eraserhead” não têm uma estrutura convencional. Pode parecer óbvio, para quem assistiu a “Cidade dos Sonhos” ou “Império dos Sonhos”, mas o fato é que em “Eraserhead” estamos em um lugar não-identificado, que poderia ser a Terra ou qualquer outro planeta, época ou dimensão. E as pessoas não se parecem muito com pessoas, são criaturas/monstros literais.

No sentido simbólico, são metáforas claras de Lynch para um drama que ele vivia na época. Ele buscava representar seu medo da paternidade. Enquanto Lynch não chega ao Brasil para sua palestra, “Eraserhead” é fundamental para se entender as paisagens mentais do artista.

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 12h37 PM

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Ethan Coen, Mamet, Castellitto

Ethan Coen, Mamet, Castellitto

Por Sérgio Rizzo (em Nova York)

“Isto aqui não é David Mamet!”, diz um dos personagens para se defender dos insultos do outro. Ambos protagonizam um debate que parece eleitoral, mas que gira em torno da obediência aos Dez Mandamentos. O sujeito que insulta o colega (e a platéia), colérico com o comportamento da humanidade, se veste com uma bata branca e tem os cabelos longos e rebeldes; o outro, mais gentil e ponderado, usa paletó e gravata. Eles representam dois aspectos de Deus, ou da idéia de Deus, ou do humor que Ethan Coen extrai de figuras divinas em chave contemporânea.

A cena pertence a “Debate”, a última das três peças curtas que somam 85 minutos e compõem o espetáculo “Almost an Evening”, que estreou em Nova York no início do ano, no Linda Gross Theater (casa da Atlantic Theater Company, que produz a peça), e prossegue em cartaz no Theatres at 45 Bleecker Street, pequeno teatro off-Broadway, no Village. No domingo (dia 4), havia cerca de 50 espectadores – em sala com capacidade para o dobro.

A estréia de Ethan Coen no teatro – ele também é autor dos livros “Gates of Eden”, de contos, e “The Drunken Driver Has The Right of Way”, de poemas – está em plena sintonia com o tom de humor dos filmes realizados com o irmão, Joel Coen. “Debate” fica para o fim porque é a mais longa e divertida, com a estrutura de peça-dentro-da-peça: o tal confonto entre o Deus que Julga (F. Murray Abraham) e o Deus que Ama (Mark Linn-Baker) é um espetáculo teatral; quando termina, acompanhamos o que ocorre em um restaurante com um casal que assistiu ao espetáculo e com um dos atores. No final, volta-se ao espetáculo, na apresentação seguinte.

“Waiting”, que abre “Almost an Evening”, recria um purgatório com cara de repartição pública. Ali, um pobre coitado (Joey Slotnick) arrasta-se de sala em sala na tentativa de liberar a sua ida para o céu, mas os funcionários do lugar não colaboram – ou, como se desconfia, talvez façam apenas a sua parte. “Four Benches”, a peça curta intermediária, ironiza a trajetória de um britânico (Tim Hopper) nos EUA por meio de quatro encontros com outros homens em bancos, dois deles em saunas.

Assinada por Neil Pepe, diretor artístico do Atlantic Theater desde 1992, a montagem tem Abraham (o Salieri de “Amadeus”) como destaque em elenco de tipos bem marcantes – atores que poderiam estar em “Fargo” ou “O Grande Lebowski”. “Almost an Evening” cairia muito bem em um dos teatros da Praça Roosevelt, em São Paulo. Sugiro o ator Marco Antônio Pâmio -que adaptou recentemente “Edmond”, de David Mamet, e tem familiaridade com esse gênero de humor negro norte-americano- para cuidar da tarefa.

Além da frase mencionada lá em cima, há outra referência (indireta) a Mamet no espetáculo, quando alguém faz uma piada com jiu-jítsu (leia abaixo). São inserções carinhosas, ninguém tenha dúvida: Ethan Coen admira o talento de Mamet e Neil Pepe dirigiu textos do dramaturgo e cineasta, como “American Buffalo” e “Romance”.

“Brazilian jiu-jítsu”

“Cinturão Vermelho”, o filme de David Mamet ambientado no universo do “Brazilian jiu-jítsu” de Los Angeles, estreou em Nova York na última sexta-feira (dia 2), em três cinemas. Na sessão nobre de sábado, no complexo Loews/AMC próximo ao Lincoln Center, havia cerca de 20 pessoas em uma sala com capacidade para 300. Enquanto isso, “Homem de Ferro” abarrotava outras salas do multiplex e fazia o banheiro masculino ter fila muito maior do que o feminino, coisa rara ali.

A “Folha” assistiu a dois dias de filmagens, em junho do ano passado, em Los Angeles. Era fácil perceber, na ocasião, o entusiasmo de Mamet com o jiu-jitsu e com seus professores brasileiros. Esse envolvimento foi parar nas cenas de lutas, muito bem coreografadas. O que cerca a ação -incluindo os personagens brasileiros feitos por Alice Braga, a mulher do protagonista (Chiwetel Ejiofor), e Rodrigo Santoro, que faz seu irmão- não corresponde à densidade de personagens e à agilidade de diálogos a que faz referência aquela brincadeira de Ethan Coen e Neil Pepe em “Almost an Evening”. Para dizer o mínimo.

Castellitto em “Nárnia”

Depois de David Mamet dirigir filme sobre “Brazilian jiu-jitsu”, Philip Glass fazer a trilha sonora de um filme de Woody Allen (“O Sonho de Cassandra”) e Robert Downey Jr. interpretar super-herói de HQ (“Homem de Ferro”), outro encontro improvável de 2008: o ator italiano Sergio Castellitto (“Concorrência Desleal”, “Não se Mova”) como um vilão de filme da Disney em “As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian”.

A Folha assistiu nesta segunda-feira (dia 5) a uma pré-estréia do filme, em Nova York, em uma ampla sala da rua 42, com cerca de 600 espectadores; metade eram crianças e adolescentes. A meninada aplaudiu meia dúzia de vezes – em grandes feitos dos mocinhos, em um beijo anunciado o filme inteiro e quando acontece ao personagem de Castellitto, o Rei Miraz, o que você já imagina que vá acontecer, mesmo que não tenha lido o livro.

Público que vibra com a derrocada do vilão só pode deixar o ator que o interpreta satisfeito. Boa, Castellitto.

(O jornalista Sérgio Rizzo viaja a Nova York a convite da Disney.)

Escrito por Sérgio Rizzo às 12h45 PM

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Sucesso em 3D

Sucesso em 3D

Por Silvana Arantes

“Hannah Montana” fez 16,6 mil espectadores em sua estréia no Brasil, na semana passada. O volume de público não impressiona, se considerado isoladamente. Levando-se em conta que o filme ocupou apenas cinco salas (equipadas com tecnologia 3D), no entanto, vê-se que o título adolescente alcançou a excepcional média de 3.252 espectadores por cópia. O site Filme B observou que “é a melhor média de um filme 3D desde a implantação do formato no país, em outubro de 2006”. A segunda melhor média do fim de semana retrasado foi de “Quebrando a Banca” _693 espectadores por cópia. Enquanto isso, nos EUA, esquenta a discussão sobre a implantação de salas 3D, que os grandes da indústria querem acelerar.

Escrito por Silvana Arantes às 4h28 PM

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O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo (em férias). O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe da Ilustrada, em especial das repórteres Silvana Arantes e Lúcia Valentim Rodrigues.

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