Ilustrada no Cinema
 

Mudanças no blog

Aos leitores mais freqüentes, um aviso importante: a partir da próxima segunda-feira, o repórter da Ilustrada Bruno Yutaka Saito assume a coordenação deste blog. Ficará tomando conta da lojinha até julho.

Eu saio para quatro meses de aprimoramento profissional na França e pretendo enviar colaborações parisienses nesse período. Ou seja, continuarei palpitando sobre cinema por aqui, mas mais esporadicamente. À bientôt.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h30 PM

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Os novos de Mike Nichols e Denys Arcand

Os novos de Mike Nichols e Denys Arcand

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta as principais estréias deste final de semana: a comédia política "Jogos do Poder", de Mike Nichols, e os dramas "A Era da Inocência", de Denys Arcand, e "Estamos Bem Mesmo Sem Você", de Kim Rossi Stuart. Para ouvir, clique no microfone.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h02 PM

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'Juno' faz ter saudade de 'Suspiria'

'Juno' faz ter saudade de 'Suspiria'

Por Cássio Starling Carlos (crítico da Folha)

Num dos tantos diálogos “fake” que pontuam “Juno”, a protagonista, numa conversa com o futuro pai adotivo de seu bebê, defende Dario Argento como o maior diretor de filmes de terror de todos os tempos. Ao sair do cinema, as lembranças do filme de Jason Reitman entraram em rápido processo de dissolução, e me deu uma vontade danada de rever “Suspiria” (fotos), clássico “gore” do cineasta italiano realizado em 1977 evocado por Juno no diálogo.

Nas locadoras com bom acervo ainda é possível encontrar uma edição comercializada por uma tal London Filmes. Mas de dar água na boca é a versão restaurada e com uma penca de extras que saiu na França em dezembro pela Wild Side.

Já existia uma edição especial, lançada nos EUA em comemoração dos 25 anos do filme, que continha um bom documentário sobre sua realização e o conjunto da obra de Argento.
A versão francesa, contudo, tem a vantagem de trazer a cópia restaurada sob supervisão do diretor de fotografia Luciano Tovoli, a mesma apresentada no último Festival de Cannes. E conta também com extras de peso, como duas longas entrevistas com Argento e o documentário “The Argento Connection”, que mostra como o diretor organiza suas criações em família (a começar pela filha, Asia, hoje musa underground).

Para alcançar o resultado, Argento e Tovoli utilizaram um estoque de velhas películas Technicolor, um processo no qual o tratamento de cada cor era feito em separado.

Mais que um ótimo criador de pesadelos, Argento se distingue por ser um cineasta obcecado com cores e adepto de construções visuais que remetem à pintura. Esta é uma tradição do cinema italiano que teve outro mestre em Mario Bava, um grande nome por aqui ainda pouco difundido.

Alguns vêem nas obras de Bava e Argento o legado de uma tradição barroca, forte na cultura italiana. Mas sem precisar alcançar as profundezas da erudição, a visão de “Suspiria” impressiona devido ao uso das cores.

A idéia de Argento em “Suspiria” foi fazer uma reinterpretação perversa da “Branca de Neve e os Sete Anões” de Walt Disney, transferindo a situação para uma escola de dança na Alemanha, onde uma jovem americana é submetida a uma sucessão de feitiçarias de teor sádico explícito.

Da animação de Disney, Argento preserva o uso predominante dos azuis e vermelhos, acentuando a irrealidade das situações por meio de choques cromáticos de alta intensidade.

Com seus cenários psicodélicos e suas cenas de violência que mais parecem HQs, “Suspiria” é um clássico pop que mereceria ser redescoberto num lançamento que faça justiça à sua sofisticação.

*

A seguir, o trailer da versão remasterizada de “Suspiria”. Como a imagem é do YouTube, a qualidade não é grande coisa, mas dá para ter uma idéia de como estava o filme antes e de como ficou após a restauração. No site do lançamento francês de “Suspiria”, há o mesmo trailer, mas com melhor resolução. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a obra de Argento, o site Dark Dreams, dedicado ao diretor, é uma boa porta de entrada.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 8h45 AM

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Próxima parada, Hollywoodland

Próxima parada, Hollywoodland

Por Sérgio Rizzo (crítico da Folha)

Duas moças com rosto de aspirante a estrela, mas nenhum filme concorrente ao Oscar no currículo, passaram no domingo pelo tapete vermelho do Kodak Theatre, em Los Angeles, e foram entrevistadas pela equipe do canal pago E!. Sorridentes e bem vestidas (se é que usar aqueles vestidos de festa em plena luz do dia indica elegância), Amanda Goldberg e Ruthanna Khalighi Hopper aproveitaram a carona do Oscar para falar de “Celebutantes”, romance que a Editora Rocco acaba de publicar no Brasil, em tradução de Pinheiro de Lemos.

Reconheceu os sobrenomes? O de Ruthanna, 33, é mais fácil de matar. Seu pai é o ator, diretor e roteirista Dennis Hopper, 71, que ajudou a estabelecer os alicerces da “nova Hollywood” com “Sem Destino” (1969). Sua mãe, terceira mulher de Dennis, é a atriz Daria Halprin, 50, que também participou daquele momento efervescente de renovação da indústria ao estrelar “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni. A própria Ruthanna já trabalhou como atriz em alguns filmes, mas não emplacou.

O pai de Amanda, estimados 33, é o produtor Leonard Goldberg, 74, que começou na TV, onde fez o seriado “As Panteras”. No cinema, assinou “Dormindo com o Inimigo” (1991) e os dois longas com as Panteras, entre outros. Sua mãe, Wendy Goldberg, é irmã da diretora de elenco Toni Howard, cujo maior sucesso é “Tootsie” (1982). Amanda também já tentou ser atriz, mas vem seguindo a trilha do pai – foi produtora associada, por exemplo, nos dois longas com as Panteras.

E de que fala “Celebutantes”? De um mundo que as duas filhinhas de papai, com todo o respeito, conhecem desde que nasceram: Hollywood. A protagonista é Lola, filha de um diretor, que começa a trabalhar como assistente de um estilista de celebridades. Seu círculo é formado por gente como ela, de “sangue azul”, e por alpinistas que sonham ingressar na realeza.

Não é literatura de primeira, e nem mesmo tem essa pretensão. Quer apenas entreter o leitor (e alfinetar vizinhos) com outra divertida incursão pelo cotidiano de quem vive em Los Angeles às custas, em maior ou menor grau, da indústria do entretenimento. Cidade estranha, com gente esquisita.

Um trecho:

“Viro-me para descobrir que uma certa rainha do cinema adolescente (cuja propensão para comparecer aos lugares mais quentes sans calcinha lhe valeu uma segunda coroa, a de Rainha da Xoxota Oferecida) pôs em meu ombro nu as unhas cobertas por uma camada lascada de Black Satin da Chanel. Pelo menos ela não está mais assustadoramente esquelética, como ficou depois daquela dieta lamentável da Espiral da Morte. Embora seja uma laranja radioativa coberta de Day-Glo, outra vítima da doença contagiosa que atormenta as celebridades durante a temporada do Oscar.
- Lindo vestido – diz ela, com sorriso de aspartame.
- Obrigada.”

Se o internauta quiser um pouco menos de futilidades e um pouco mais de qualidade literária no trato do mesmo cenário, ótima opção é o inacabado “O Último Magnata”, romance de F. Scott Fitzgerald (1896-1940) inspirado no lendário produtor Irving Thalberg (1899-1936). Autor de “O Grande Gatsby” e “Suave é a Noite”, Fitzgerald trabalhou como roteirista em Hollywood. A versão para cinema de “O Último Magnata” (1976), dirigida por Elia Kazan e escrita pelo dramaturgo Harold Pinter, traz Robert De Niro no papel de super-produtor fictício Monroe Stahr.

Filmes recentes, como “Dália Negra” (2006), de Brian De Palma, e “Hollywoodland” (2006), de Allen Coulter, são outros entre as dezenas de exemplos de ficção sobre essa turma (embora ambos sejam inspirados em casos verídicos). Meus preferidos: “Crepúsculo dos Deuses” (1950, foto acima), de Billy Wilder, cujos ecos são ouvidos em “Cidade dos Sonhos” (2001), de David Lynch.

Escrito por Sérgio Rizzo às 11h40 AM

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Os Coen e a caixa de areia

Os Coen e a caixa de areia

                                                  Kevork Djansezian/Associated Press

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

Joel Coen agradeceu aos estúdios por permitirem que ele e o irmão "continuem a brincar no cantinho da caixa de areia". Esse é o espírito dos Coen. Quietos, no cantinho deles, vêm criando brinquedos exóticos há mais de duas décadas. E nesta noite tiveram o reconhecimento que mereciam, com a trinca filme-direção-roteiro, e garantiram um lugar maior na caixa de areia, e por muito mais tempo. Bom para eles, ótimo para quem gosta de cinema autoral.

O Oscar 2008 não teve o frisson do ano passado, com a histórica premiação para Scorsese. Nem a (desagradável) surpresa de "Crash" de 2006. Foi tudo meio morno, sonífero, do tom irônico-blasé dos agradecimentos lacônicos de Ethan Coen às piadas do apresentador Jon Stewart, bem mais insosso do que há dois anos e claramente prejudicado pelo impacto da greve dos roteiristas. Sua equipe teve pouco mais de dez dias para escrever todo o texto da premiação _o resultado foi um humor de sorrisos amarelos. A greve dos roteiristas também parece ter afetado a criatividade dos vencedores _não houve lá grandes discursos. Os melhores momentos ficaram com Javier Bardem em espanhol e Daniel Day-Lewis se curvando perante Helen Mirren. Fora isso, só os soluços habituais. 

Legião estrangeira
Se não fosse pelos Coen, os "estrangeiros" teriam sido maioria entre os vencedores do Oscar 2008. Das 24 categorias, 12 ficaram nas mãos de americanos, incluindo as três dos irmãos cineastas de "Onde os Fracos Não Têm Vez". As outras 12 foram divididas entre britânicos, franceses, italianos, espanhóis e um austríaco. Já absorvida por Hollywood, essa legião estrangeira dá um ar global à cerimônia, aumenta o interesse pela festa fora dos EUA e ajuda a impulsionar índices de audiência ao redor do mundo.

Melhor performance
"Ultimato Bourne" disputou três estatuetas (montagem e as duas de som) e ficou com as três, sempre derrotando "Onde os Fracos Não Têm Vez". Ninguém com mais de uma indicação teve tal desempenho. Justiça feita ao melhor filme de ação de 2007.

Maior injustiça
Tilda Swinton levou para casa o troféu que era de Cate Blanchett. Caso para recontagem? Ação judicial contra a PriceWaterhouseCoopers? Pelo menos não foi Ruby Dee, que, convenhamos, seria premiada por acertar um safanão em Denzel Washington.

Pior momento
O Oscar não seria muito melhor sem as execuções ao vivo das cinco candidatas a melhor canção? Especialmente em um ano em que três delas eram do filme "Encantada"? Ou será que os organizadores achavam que esse era o momento soneca da noite?

Escrito por Leonardo Cruz às 2h49 AM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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