Ilustrada no Cinema
 

Notas sobre uma premiação

Notas sobre uma premiação

                                                             Hannibal Hanschke/Reuters

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

* Em 28 de novembro do ano passado, o Festival Sundance anunciou que exibiria “Tropa de Elite” em sua mostra competitiva. Horas depois, o distribuidor internacional do filme, Harvey Weinstein, decidiu tirar "Tropa" de Sundance, pois já negociava com o Festival de Berlim. Como ficou comprovado nesta tarde, Weinstein sabia bem o que estava fazendo.

* Algumas pessoas que entendem um bocado de cinema afirmaram que “Tropa de Elite” não teria chances de premiação em um festival de júri presidido pelo cineasta grego Costa-Gavras, autor de “Missing - Desaparecido” e “Z”. Por essa tese, um diretor “de esquerda”, muito politizado, não aprovaria um filme “de direita”, “reacionário”, como disseram alguns. Bem, ao que tudo indica, Costa-Gavras não achou o filme nada reacionário.

* E o Prêmio Especial do Júri para “Standard Operating Procedure”, de Errol Morris, confirma o tom político da premiação. O diretor de “Sob a Névoa da Guerra” apresentou um documentário sobre a tortura em Abu Ghraib e suas seqüelas e foi reconhecido por isso.

* Um dos primeiros passos para a decolagem da carreira internacional de “Tropa de Elite” foi um longo perfil, positivo, sobre o diretor José Padilha, publicado em 24 de novembro pelo “New York Times”. Depois da tarde de hoje, a rota para tal carreira está totalmente traçada. E o Oscar 2009 está no horizonte.

* Dez anos depois, Berlim volta a consagrar um filme brasileiro. E com uma obra que é o oposto de “Central do Brasil”, de Walter Salles. O que mudou nesses dez anos?

* Em tempo: Berlim também premiou outras três produções nacionais. O curta “Café com Leite” ganhou o Urso de Cristal, prêmio do júri jovem (Generation 14plus). Nada mal para Daniel Ribeiro, de apenas 25 anos, que fez nesse filme sua estréia na direção em 35 mm. "Mutum", de Sandra Kogut, recebeu menção especial do júri infantil (Generation Kplus). E o curta "Tá", de Felipe Sholl, levou o Teddy Award, para produções gays.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h59 PM

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A volta de Paul Thomas Anderson

A volta de Paul Thomas Anderson

De volta aos podcasts aqui no blog, o crítico Sérgio Rizzo comenta dois filmes concorrentes ao Oscar que estréiam nesta sexta: "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, e "Elizabeth - A Era de Ouro", de Shekhar Kapur. Para ouvir, clique no microfone.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h01 AM

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Um lugar para fazer experiências

Um lugar para fazer experiências

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

A turma do Cineclube Equipe retoma neste final de semana seus trabalhos em 2008. Inicia em São Paulo neste sábado, às 16h, a programação de seu primeiro semestre, que será voltada ao estudo de alguns autores que romperam com as convenções da narrativa cinematográfica clássica e buscaram novos caminhos estéticos. O ciclo Panorama Experiências do Cinema começa com a exibição de curtas de diretores da chamada vanguarda dos anos 20. Serão dez filmes nessa primeira sessão, incluindo obrigatórios como "Um Cão Andaluz", de Dalí e Buñuel, e obras de nomes centrais nas artes plásticas, como Man Ray, Marcel Duchamp e Fernand Léger. Deste último, por exemplo, será exibido "Ballet Mécanique" (foto). Às 18h, após a sessão, o professor da Faap e doutor em teoria literária João Guedes debaterá os filmes com a platéia.

A programação continua em março, com uma sessão sobre o cinema de Andy Warhol. O tema em abril será o cinema de invenção no Brasil dos anos 70; e os filmes de Jerry Lewis estarão em foco em maio. Para fechar o semestre, será exibido "Mal dos Trópicos", do tailandês Apichatpong Weerasethakul, um dos principais diretores do cinema asiático atual.

Cada sessão custa R$ 4 e acontece sempre no auditório do Colégio Equipe (r. Bento Freitas, 223, Pinheiros). Para mais detalhes sobre a programação, dê um pulo no site do cineclube.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h45 AM

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Literatura no cinema: modos de usar

Literatura no cinema: modos de usar

Por Cássio Starling Carlos (crítico da Folha)

A inflação de filmes adaptados de livros em cartaz nos últimos meses chama a atenção até mesmo dos espectadores mais desavisados. Só de memória, a lista parece interminável: “Sangue Negro”, “Desejo e Reparação”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Eu Sou a Lenda”, “O Caçador de Pipas”, “O Amor nos Tempos do Cólera”, “A Bússola de Ouro”, “Lady Chatterley”, “A Lenda de Beowulf”... Ufa! E não deve parar tão cedo. Alguns creditam o aparente excesso a um suposto cansaço criativo de roteiristas. Pode até ser. O fato é que as relações dos filmes com a literatura são íntimas e tão antigas quanto o próprio cinema.

Também cansados de ver suas criações virarem lixo, alguns escritores resolveram botar a mão na massa em vez de liderar o coro dos resmungões. O caso mais recente é o do provocador francês Michel Houellebecq. Depois de ver seus romances “Extensão do Domínio da Luta” e “Partículas Elementares” virarem filmes sem grandes parentescos mentais com o original, decidiu ele mesmo dirigir a versão cinematográfica de “A Possibilidade de uma Ilha”, seu mais recente romance. Ninguém ainda viu o resultado, mas a expectativa é grande.

A França parece concentrar outros tipos desta espécie anfíbia, os escritores-cineastas. Salvo engano, a pioneira foi Marguerite Duras, autora do texto que está na origem de “Hiroshima, Meu Amor”, de Alain Resnais, e depois diretora de um punhado de títulos, alguns dos quais obras-primas pouquíssimo difundidas, como “India Song”, “Le Camion” e “Les Enfants”. Do mesmo território de Resnais saiu Alain Robbe-Grillet, que já era um autor de romances revolucionários quando escreveu o roteiro de “O Ano Passado em Marienbad”. Logo em seguida, iniciou uma carreira de cineasta que acumula dez títulos, todos desconhecidos por aqui.

Um caso menos conhecido é o de Georges Perec, o escritor que gostava de reinventar o romance a cada novo livro e que deixou pelo menos um espetacular e plenamente legível: “A Vida Modo de Usar”. Em dezembro, saiu em DVD na França seu filme de ficção “Un Homme qui Dort” (“Um Homem que Dorme”, foto acima), que ele assina com o diretor Bernard Queysanne. Alguns meses antes, outro lançamento, uma caixa sobre o autor, trouxe “Récits d’Ellis Island” (“Relatos de Ellis Island”), de 1980.

Este é, como Perec o define, um trabalho de memória de vidas anônimas, que se poderia classificar como um documentário. Nele, o escritor, ao lado do cineasta Robert Bober, mergulha no passado da pequena ilha Ellis, ao largo de Mannhatan, o local onde os recém-chegados na enorme vaga de imigração para os EUA no início do século 20 eram submetidos a um rígido controle e seleção antes de obterem (ou não) sua entrada no país.

Perec/Bober filmam o prédio de Ellis Island como um enorme campo de concentração desativado, uma zona limítrofe entre a vida (os EUA como terra prometida da liberdade) e a morte (a pobreza, as perseguições e todas as formas de totalitarismo nos territórios de origem). Ele próprio filho de judeus poloneses exilados na França, Perec diz a certa altura do trabalho: “O que eu, Perec, vim buscar aqui? A errância, a dispersão, o exílio. Ellis Island é o lugar por excelência do exílio, isto é, o lugar da ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum”.
 
Já “Un Homme qui Dort”, feito em 1974, é baseado num dos primeiros textos publicados pelo autor, em 1967. Aqui, como no cinema de outros escritores, o que se vê não se reduz à mera transposição do texto. Perec/Queysanne filmam um personagem deslocado da ordem social, seu isolamento e perambulação por Paris. As imagens são semelhantes às de uma câmera de vigilância, mostrada repetidamente no filme. Sobre as cenas, as palavras do livro são lidas por uma narradora, num tom sóbrio, que só se altera nos minutos finais.

Com esse tipo de organização audiovisual, Perec sugere que imagens não são nem duplicatas nem substitutas da escrita. Em seus filmes não há submissão da escrita ao filme nem do cinema à literatura, ambos co-existem tanto em paralelo como em curto-circuito. Um tipo de cinema muito pouco popular, certamente, mas que mostra, pelas mãos de escritores, que filmes podem ser muito mais que só a conversão de palavras em imagens. A seguir, um trecho de “Un Homme qui Dort”, com narração em francês e legendas em inglês.

*

Acontece em São Paulo
Aos leitores paulistanos, três dicas de programação fora do circuito comercial. Na próxima terça, começa no Centro Cultural São Paulo a mostra “A Alemanha e a Segunda Grande Guerra”, que terá a exibição em quatro partes do fundamental “Hitler, um Filme da Alemanha”, de Hans-Jürgen Syberberg. A Cinemateca abre na próxima quarta um ciclo com sete filmes de Jacques Démy, o gênio musical da Nouvelle Vague francesa. E no CCBB, também na quarta, tem início a “Cinema Japonês – 100 Anos de Japão no Brasil”, com 20 filmes que cobrem o período de 1931 a 2004.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 9h20 AM

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O furacão Madonna em Berlim

O furacão Madonna em Berlim

                                                      Miguel Villagran/Associated Press

Madonna dá autógrafos após conceder entrevista em Berlim

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Em cenas de tietagem explícita, centenas de jornalistas receberam Madonna com efusivos aplausos e gritos de "uhu!", quando a cantora chegou hoje para a entrevista coletiva de seu primeiro filme como cineasta, "Filth & Wisdow" (obscenidade e sabedoria), exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim.

Mesmo com a acolhida calorosa, Madonna parecia nervosa como uma estreante, diante do batalhão de repórteres de cinema. Os ombros ficaram quase todo o tempo da entrevista erguidos na direção das orelhas; vez ou outra, sua voz e seu rosto tremiam levemente e ela não conseguia reter duas perguntas feitas em seguida. "Qual é mesmo a segunda pergunta?", foi a frase que a diretora mais repetiu na entrevista, até que explicou: "O problema é que, quando vocês fazem uma segunda pergunta muito provocativa, eu esqueço a primeira".

Se por um lado deu sinais de que estava tensa, por outro, Madonna exibiu muito bom humor e esperteza nas respostas. Exemplos: quando um jornalista francês perguntou se ela havia pedido conselho a diretores veteranos ou se havia dirigido do modo como bem quis, estreando no cinema "like a virgin", alguns repórteres aplaudiram a pergunta. Ela então sorriu e disse: "Não foi tão inteligente assim...".

Outro repórter, antes da pergunta, disse que ela estava linda e agradeceu-a por vir a Berlim. E emendou lembrando que ela usou "Erótica" na trilha do filme, que esta canção foi feita há 20 anos e que o fez pensar em que importância tem o sexo e o erotismo na vida dela agora, que está casada e com filhos.

Madonna disse: "De repente seu elogio [de que ela estava linda] não está mais parecendo tão atraente. Não sei quem te disse que ser casada e ter filhos significa que 'Erotica' não faz mais parte da sua vida'". E desafiou o jornalista, perguntando, primeiro, se ele era casado. Diante da resposta ("Solteiro"), ela concluiu. "Venha falar comigo de novo quando você for casado".

Assim como a coletiva de Madonna, a sessão de "Filth & Wisdow" para a imprensa hoje de manhã foi concorridíssima, com direito a princípio de empurra-empurra. Na saída, o que mais se ouviam eram comentários de gente surpresa de haver gostado do filme.

O longa conta a história de três personagens que vivem em Londres. A.K. (Eugene Hutz) é um imigrante ucraniano que se define como filósofo, poeta e líder de uma banda _e que faz programas para sobreviver. Ele divide um apartamento com Juliette (Vicky Mclure), uma funcionária de uma farmácia que tem planos de ajudar crianças na África, e com Holly (Holly Weston), uma dançarina de casa noturna que deseja ser bailarina. A trama se desenvolve a partir das questões que os três enfrentam no dia-a-dia para tentar realizar seus sonhos.

*

Leia mais sobre o Festival de Berlim (para assinantes UOL ou Folha):
Mais detalhes sobre o filme de Madonna
Nanni Moretti estrela drama sobre perda e luto

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 5h28 PM

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Por que riu, riu por quê?

Por que riu, riu por quê?

Por Sérgio Rizzo (crítico da Folha)

Ao menos em um quesito Woody Allen, 72, leva vantagem inquestionável sobre qualquer outro cineasta norte-americano de sua geração, como Francis Coppola, 69, e Martin Scorsese, 65: a bibliografia. Dois títulos lançados no final de 2007 nos EUA reforçaram a estante considerável de livros dedicados à sua obra: “Conversations with Woody Allen”, do jornalista norte-americano Eric Lax, que concedeu entrevista em dezembro à Folha sobre os 36 anos de convívio com o diretor, e “Woody Allen – An Essay on the Nature of the Comical”, do filósofo alemão Vittorio Hösle.

Enquanto Lax organiza por temas as entrevistas que fez com Allen desde 1971, deixando que prevaleça o discurso do próprio cineasta sobre o seu trabalho, Hösle pede inicialmente desculpas ao leitor dos EUA por não ser um especialista em cinema e também por não ser norte-americano. Ele diz acreditar, no entanto, que essas “limitações” de seu breve ensaio (96 páginas, incluindo notas e índice remissivo) talvez possam ajudar a entender por que os filmes de Allen fazem tamanho sucesso na Europa (o que ele não julga ser acidental) e a demonstrar como ele se tornou um “comediante profundamente filosófico”.

A presença da filosofia na obra do cineasta já ocupou todo um livro, “Woody Allen and Philosophy”, resenhado quase dois anos atrás pela Folha, além de ensaios em coletâneas como “O Que Sócrates Diria a Woody Allen” e “Carta Aberta de Woody Allen para Platão”, ambos do espanhol Juan Antonio Rivera (Ed. Planeta), e “De Hitchcock a Greenaway pela História da Filosofia”, do argentino Julio Cabrera (Nankin Editorial). A originalidade de Hösle está em se concentrar na “essência da natureza do cômico” que menciona no título, apontando quais as chaves acionadas pelo cineasta para provocar o riso no espectador segundo conceitos sobre o humor apresentados por Charles Darwin, Henri Bergson e Arthur Schopenhauer, entre outros.

“Está longe de ser um acidente que o universo cômico de Woody Allen tenha florescido no último terço do século 20 em Nova York, a Atenas da modernidade. Isso pressupõe a crise do monoteísmo no Ocidente, bem como a revolução sexual e, ao mesmo tempo, uma certa nostalgia pelo mundo antigo”, afirma Hösle.

Allen vem trabalhando nos últimos anos um pouco mais próximo da verdadeira Atenas, na Inglaterra e na Espanha. Mas “Cassandra’s Dream” (foto acima), seu mais recente longa-metragem, tem quase nada a ver com o percurso cômico analisado por Hösle. Há apenas dois ou três momentos rápidos de humor em uma história sombria a respeito da crise de consciência de dois irmãos (Ewan McGregor e Colin Farrell) que cometem um crime.

Para azar de Allen, esse ponto de partida é muito semelhante ao de “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (foto acima), de Sidney Lumet, com Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke como os irmãos. A diferença é que Lumet (com roteiro da estreante Kelly Masterson) vai muito além na exploração das implicações psicológicas _e, por que não, filosóficas_ da situação do que Allen.

A favor de Lumet, contam ainda uma estrutura narrativa mais elaborada, com uso significativo de tempo, espaço e foco narrativo (a de Allen é linear), e o desenho mais acurado de personagens secundários, um dos quais (o pai, interpretado por Albert Finney) terá importância crucial para a trama (os secundários de Allen são mera escada para os irmãos).

O internauta em breve também poderá compará-los. “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”, distribuído pela Europa, tem estréia prevista para 4 de abril; “Cassandra’s Dream”, distribuído pela Imagem, deve entrar em cartaz em 1º de maio.

PS - Atenção, internautas de Nova York: a brilhante carreira de Lumet, 83, será homenageada nesta e na próxima semana por uma retrospectiva da sala alternativa Film Forum.

Escrito por Sérgio Rizzo às 9h38 AM

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Caetano, Escorel e João Saldanha no É Tudo Verdade

Caetano, Escorel e João Saldanha no É Tudo Verdade

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

O novo longa de Eduardo Escorel e um pacote de filmes sobre nomes importantes da cultura do país são alguns dos destaques da seleção nacional do 13º É Tudo Verdade, o principal festival de documentários do país.

Trinta docs brasileiros, entre curtas, médias e longas, foram escolhidos pelo crítico e diretor da mostra, Amir Labaki, e distribuídos pelos vários programas do evento que, neste ano, acontecerá em São Paulo e no Rio de Janeiro de 26/3 a 6/4 e em Brasília de 7 a 13/4.

Eduardo Escorel, veterano diretor e montador, autor de documentários como “Bethânia Bem de Perto” (1966), “1930 - Tempo de Revolução” (1990) e “Vocação do Poder” (2005), apresentará no festival “O Tempo e o Lugar” (foto acima), longa sobre Genivaldo, um pequeno agricultor do semi-árido alagoano e líder político regional. Escorel registrou imagens do personagem em três momentos ao longo de 11 anos e identificou nele uma trajetória política cronologicamente semelhante à do presidente Lula.

“O Tempo e o Lugar” é um dos sete filmes nacionais que concorrerão ao Prêmio Janela para o Contemporâneo, o principal do festival, no valor de R$ 100 mil. Os outros seis postulantes são: “João Saldanha”, de André Siqueira e Beto Macedo, sobre o famoso jornalista e técnico de futebol; “Pan-Cinema Permanente”, de Carlos Nader, perfil do poeta Waly Salomão; “Ninguém Sabe o Duro que Dei - Wilson Simonal”, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, sobre o cantor que fez sucesso nos anos 60 e 70. E ainda: “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, investigação sobre o aborto legal no Brasil; “Sumidouro”, de Cris Azzi, sobre a migração de duas comunidades que viviam em áreas alagadas para a contrução de uma hidrelétrica; e “Dia dos Pais”, de Julia Murat e Leonardo Bittencourt, uma viagem por cidades da antiga região de café em busca de informações sobre a família da diretora.

Vale destacar ainda a criação neste ano do programa Vidas Brasileiras, que terá como foco cinco biografias: a do escritor Antonio Callado, em “A Paixão Segundo Callado”, do experiente diretor José Joffily; a do músico Caetano Veloso, em “Errante Navegante”, de Fernando Andrade; a do ator Paulo Gracindo, em “Paulo Gracindo - O Bem-Amado”, de seu filho Gracindo Jr; a do músico Waldick Soriano, em “Waldick Sempre no Meu Coração”, dirigido pela atriz Patrícia Pillar; e a do músico Mário Rocha, em “Procura-se”, de Rica Sato.

Além dessas duas seções, o É Tudo Verdade terá mais 18 filmes brasileiros em outros programas. E ainda faltam os documentários estrangeiros, não anunciados até agora. Os demais docs nacionais são:

COMPETIÇÃO DE CURTAS
"Beijo na Boca Maldita", de Yanko del Pino 
"Clarita", de Thereza Jessouroun 
"Dossiê Rê Bordosa", de Cesar Cabral 
"Ivy Katu - Terra Sagrada", de Eduardo Duwe 
"Mar de Dentro", de Paschoal Samora 
"O Menino e o Bumba", de Patrícia Cornils 
"Ocidente", de Leonardo Sette 
"Remo Usai – Um Músico para o Cinema", de Bernardo Uzeda 
"Solidão Pública", de Daniel Aragão 
"Solitário Anônimo", de Debora Diniz 
"Tarabatara", de Julia Zakia  
   
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
"De Braços Abertos", de Bel Noronha 
"Entre a Luz e a Sombra", de Luciana Burlamaqui 
"Moro na Tiradentes", de Henri Arraes Gervaiseau e Claudia Mesquita 
"Quilombo, do Campo Grande aos Martins", de Flavio Frederico 
"O Último Kuarup Branco", de Bhig Villas Bôas 
"Carta a Ratzinger", de Moara Rossetto Passoni
 
FOCO LATINO-AMERICANO  
"Pachamara", de Erik Rocha

Escrito por Leonardo Cruz às 9h33 AM

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Aplausos e flores para a equipe de 'Tropa' em Berlim

Aplausos e flores para a equipe de 'Tropa' em Berlim

                                                        John Macdougall/France Presse

Wagner Moura, José Padilha e Maria Ribeiro, em Berlim 

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Terminou agora há pouco a sessão oficial competitiva de "Tropa de Elite" no Festival de Berlim. A platéia reagiu com aplausos moderados. Mas isso não necessariamente significa desapreço ao filme. Quando perguntei ao espectador alemão sentado ao meu lado se ele não havia gostado do filme, já que aplaudia com pouco entusiasmo, a resposta foi: "Gostei, sim. É um filme muito pesado, mas acho que não poderia ser de outro jeito. Se você quer mudar essa realidade, tem de mostrá-la com todas as letras".

O tom sóbrio foi também o que Padilha adotou quando subiu ao palco, antes de chamar sua equipe. "Muito obrigado. Estamos todos muito honrados de estar aqui no Festival de Berlim. Estamos honrados, mas obviamente não podemos estar felizes, por causa desta situação no Brasil." Em seguida, ele chamou ao palco os integrantes da equipe que vieram a Berlim _os atores Wagner Moura (intensamente aplaudido) e Maria Ribeiro (única mulher no grupo, recebeu do festival um delicado arranjo de flores), o fotógrafo Lula Carvalho, o assistente de direção Rafael Salgado, o produtor Marcos Prado, o distribuidor internacional Harvey Weinstein e o co-produtor argentino Eduardo Costantini, entre outros.

"Não tenho muita experiência em sessões de festival, mas achei que foi boa", comentou Wagner na saída, antes de ser abordado por uma família de fãs brasileiras _duas filhas adolescentes com a mãe, que frisou: "A mãe também quer foto [ao lado do ator]".

Durante a sessão, o público teve um único momento de descontração. A risada foi grande na cena em que, durante o curso de treinamento dos novos oficiais do Bope, o Capitão Nascimento pronuncia a palavra "estratégia" em diversas línguas _com pequeníssimas variações. Quando ele fala em alemão, o público gargalhou.

A primeira sessão de "Tropa de Elite" em Berlim, de manhã, para a imprensa, foi marcada por um atropelo. Diferentemente do que acontece com todos os outros longas, a cópia com legendas em inglês não estava disponível _por razões ainda não esclarecidas. Foi exibida uma versão legendada em alemão, que é preparada para a projeção na sessão oficial. A alternativa dos jornalistas que não falam nem alemão nem português era usar tradução simultânea em fones de ouvido, que o festival disponibiliza. Mas, com seus diálogos sobrepostos e velozes, "Tropa de Elite" não é a obra mais indicada para esse tipo de expediente. Jornalistas que usaram o fone comentavam que ficaram sem a tradução de parte do conteúdo do filme.

Na entrevista coletiva após a projeção da manhã, Padilha estava afiado. Criticou a polícia, os traficantes, a crítica cinematográfica. Disse que fez esse filme para mostrar que é insustentável a situação de um país em que a polícia acredita que violência se combate com mais violência. Ele respondeu perguntas sobre a pirataria, a reação do público brasileiro ao filme e disse (em três ocasiões) que é a favor da legalização das drogas.

Ao abordar o debate provocado por "Tropa de Elite" no Brasil, que classificou como o maior da história do país em torno de um filme, ele disse que temos o hábito de interpretar de modo distinto a cinematografia americana e nossa própria. "Quando Scorsese, que é um dos meus ídolos como diretor e esteve neste festival [com "Shine a Light", o filme de abertura, hors-concours] faz um filme como 'Os Bons Companheiros', ninguém diz que ele é pró-máfia. Eu fui acusado de ser radical de direita porque fiz 'Tropa de Elite', um filme com o ponto de vista de um policial, e fui acusado de ser radical de esquerda quando fiz 'Ônibus 174', com a perspectiva do seqüestrador [do coletivo no Rio, Sandro Nascimento]".

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 4h36 PM

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Reforços para o blog

Aviso aos navegantes: a partir desta semana, o Ilustrada no Cinema passa a contar com dois ótimos colaboradores fixos, os críticos de cinema da Folha Sérgio Rizzo e Cássio Starling Carlos. Os dois, que já vinham escrevendo esporadicamente neste espaço, agora farão posts semanais sobre cinema. Rizzo escreverá às terças-feiras e estréia amanhã comentando um ensaio sobre Woody Allen lançado recentemente nos EUA. Os textos de Cássio sairão sempre às quintas.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h11 PM

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Livro de Philip Roth ganha versão no cinema

Livro de Philip Roth ganha versão no cinema

Por Silvana Arantes (em Berlim)

O romance “O Animal Agonizante”, de Philip Roth, ganhou uma versão cinematográfica dirigida pela catalã Isabel Coixet, que disputa o Urso de Ouro e foi exibida ontem no Festival de Berlim.

Rodado nos EUA, onde se passa a trama de Roth, “Elegy” (elegia) tem a espanhola Penélope Cruz no papel da estudante de literatura de origem cubana Consuela Castilla, que vive um romance com um professor 30 anos mais velho do que ela (Ben Kingsley). “Li o livro há seis anos e fiquei obcecada por ele. Passei esse tempo sonhando em interpretar Consuela e torcendo para que o filme saísse”, disse a atriz.

Roth não leu o roteiro (adaptado de seu livro por Nicholas Meyer), mas telefonou para Coixet na noite anterior ao início das filmagens, com um lembrete, segundo ela contou em Berlim. “Ele disse: ‘Lembre-se de que o corpo tem muito mais memórias do que o cérebro”.

A paixão por uma mulher jovem e bela faz o habitualmente seguro de si professor Kepesh temer a própria decadência física, enxergar os homens mais jovens como rivais insuperáveis e supor que será efêmero o interesse dela por ele.

Após uma crise no romance, Consuela, por sua vez, enfrenta um problema que a torna mais vulnerável do que Kepesh. “Acho que sentimentos desse tipo dependem de com quem você se relaciona. Algumas pessoas fazem você se sentir mais velho em meia hora, enquanto outras fazem você se sentir eterno”, disse Kingsley.

O concorrente iraniano ao Urso de Ouro, “Avaz-E Gonjeshk-Ha” (o canto dos pardais), de Majid Majidi, também estreou ontem. “Escolhi esse título pelo paradoxo que ele contém, já que os pardais não cantam”, disse Majidi. “São pássaros nada exigentes, satisfazem-se com um simples grão. Usei-os para representar o ser humano.”

O filme enfoca uma família da zona rural, cujo pai, depois de perder o emprego como tratador de avestruzes, tenta ganhar dinheiro trabalhando como condutor de moto-táxi em Teerã. “Avaz-E Gonjeshk-Ha” constrói-se como uma história edificante em que a ambição seda os valores humanistas e a solidariedade os recupera.

*

NOTAS BERLINENSES

El día que (no) me quieras
“Quando ninguém mais me aplaudir, entenderei que estou cantando mal e terei de parar. Por enquanto, dizem que estou cantando lindamente”, afirmou Juan Carlos Godoy, 85, um dos mestres do tango enfocados no documentário argentino “Café de los Maestros”, de Miguel Kohan, que estreou ontem na mostra Panorama.

No estaleiro
“Walter Salles não está aqui hoje, porque estava com 40 graus de febre e não pôde viajar”, contou na entrevista coletiva sobre “Café de los Maestros” a produtora argentina Lita Stantic, que foi parar no projeto a convite de Salles, co-produtor.

Buenos compañeros
Quem apresentou a Walter Salles a idéia de registrar em filme os decanos do tango argentino foi o músico Gustavo Santaolalla, vencedor de dois Oscars (“O Segredo de Brokeback Mountain”, “Babel”), que fez a trilha de “Diários de Motocicleta” para Salles. “Walter e eu desenvolvemos não apenas uma parceria profissional, mas uma boa amizade”, disse Santaolalla.

La tradutora soy yo
Na entrevista coletiva de “Elegy”, que transcorria em inglês, Penélope Cruz respondeu em espanhol, a pedido de uma jornalista de seu país, a pergunta sobre sua relação com a diretora Isabel Coixet e que diferença vê em ser dirigida por uma mulher.

Penélope lembrou que já foi dirigida por mulheres duas outras vezes, disse que admira o trabalho de Coixet e que não vê diferença alguma em ser dirigida por um homem ou uma mulher. Quando a atriz concluiu sua resposta, Coixet se apressou: “Deixa que eu traduzo para o inglês. Gente, ela disse que eu sou uma puta diretora genial”.

Dúvida cruel
“Firefleis in the Garden” (vaga-lumes no jardim), do estreante Dennis Lee, exibido fora de competição no sábado, levantou uma enorme interrogação: como a superestrela Julia Roberts foi parar num filme tão, mas tão fraco como esse? Ela não veio a Berlim promover o filme, e a pergunta ficou no ar.

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 12h53 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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