Ilustrada no Cinema
 

O brilho de Berlim

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Fatih Akin ("Contra a Parede"), Wolfgang Becker ("Adeus Lenin"), Daniel Brühl (idem), Martina Gedeck ("A Vida dos Outros"), Brian De Palma(dispensa apresentações) e Steven Soderbergh (idem) são alguns dos nomes que confirmaram presença na sessão de "Shine a Light" (foto), o filme de Martin Scorsese com os Rolling Stones, que abriu oficialmente o Festival de Berlim, agora há pouco (19h).

Estão todos vendo um ótimo filme, na minha modesta opinião. "Shine a Light" já foi exibido numa concorrida sessão para a imprensa, no início da tarde aqui (são três horas à frente em relação ao Brasil).

O documentário em torno de um show da banda dá a impressão de que Scorsese filmou com seriedade, mas descontraído e divertindo-se, que é exatamente o que ele disse que queria fazer, depois de "Os Infiltrados".

O show é intercalado com imagens de arquivo _entrevistas bizarras e matérias jornalísticas que lembram as detenções de Mick Jagger e Keith Richards_ e precedido por um documentário dentro do documentário, que mostra a preparação para as filmagens.

Do show (e do filme), uma das coisas que impressionam é a participação de Buddy Guy, cantando com Jagger "Champagne and Reefer". Guy é fotografado de um jeito que você entende por que Scorsese chama Bob Richardson de "o melhor fotógrafo do mundo". No palco, Jagger toca (gaita) enquanto Buddy Guy canta. Depois, Buddy Guy toca junto de Richards. Em todos os momentos, parece haver um diálogo entre os três, mediado pela música, mas também além dela. Acho que me compliquei nesta explicação. É daquelas coisas que, para entender, melhor vendo, porque se trata de uma sensação dada essencialmente pela imagem. Com as (minhas) palavras, não vai dar para explicar muito melhor. O curioso é que justamente na participação de Buddy Guy o filme se autocensura.

Quando ele está deixando o palco, Jagger se "despede", gritando ao microfone: "Buddy 'Mother Fucker' Guy". E aquela campainha _piiiiiiiii_ substitui o "mother fucker". Fica só a insinuação.

Sobre esse filme, Scorsese também disse que alguma coisa tinha acontecido nos últimos 20 minutos do show. Eles correspondem ao bis, quando a platéia está com-ple-ta-men-te nas mãos da banda, e Jagger não perde a chance de conduzi-la. Sem querer estragar muito, só vou dizer que termina com "(I Can't Get No) Satisfaction".

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 5h52 PM

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