Ilustrada no Cinema

 

 

Mudanças no blog

Aos leitores mais freqüentes, um aviso importante: a partir da próxima segunda-feira, o repórter da Ilustrada Bruno Yutaka Saito assume a coordenação deste blog. Ficará tomando conta da lojinha até julho.

Eu saio para quatro meses de aprimoramento profissional na França e pretendo enviar colaborações parisienses nesse período. Ou seja, continuarei palpitando sobre cinema por aqui, mas mais esporadicamente. À bientôt.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h30 PM

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Os novos de Mike Nichols e Denys Arcand

Os novos de Mike Nichols e Denys Arcand

No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta as principais estréias deste final de semana: a comédia política "Jogos do Poder", de Mike Nichols, e os dramas "A Era da Inocência", de Denys Arcand, e "Estamos Bem Mesmo Sem Você", de Kim Rossi Stuart. Para ouvir, clique no microfone.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h02 PM

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'Juno' faz ter saudade de 'Suspiria'

'Juno' faz ter saudade de 'Suspiria'

Por Cássio Starling Carlos (crítico da Folha)

Num dos tantos diálogos “fake” que pontuam “Juno”, a protagonista, numa conversa com o futuro pai adotivo de seu bebê, defende Dario Argento como o maior diretor de filmes de terror de todos os tempos. Ao sair do cinema, as lembranças do filme de Jason Reitman entraram em rápido processo de dissolução, e me deu uma vontade danada de rever “Suspiria” (fotos), clássico “gore” do cineasta italiano realizado em 1977 evocado por Juno no diálogo.

Nas locadoras com bom acervo ainda é possível encontrar uma edição comercializada por uma tal London Filmes. Mas de dar água na boca é a versão restaurada e com uma penca de extras que saiu na França em dezembro pela Wild Side.

Já existia uma edição especial, lançada nos EUA em comemoração dos 25 anos do filme, que continha um bom documentário sobre sua realização e o conjunto da obra de Argento.
A versão francesa, contudo, tem a vantagem de trazer a cópia restaurada sob supervisão do diretor de fotografia Luciano Tovoli, a mesma apresentada no último Festival de Cannes. E conta também com extras de peso, como duas longas entrevistas com Argento e o documentário “The Argento Connection”, que mostra como o diretor organiza suas criações em família (a começar pela filha, Asia, hoje musa underground).

Para alcançar o resultado, Argento e Tovoli utilizaram um estoque de velhas películas Technicolor, um processo no qual o tratamento de cada cor era feito em separado.

Mais que um ótimo criador de pesadelos, Argento se distingue por ser um cineasta obcecado com cores e adepto de construções visuais que remetem à pintura. Esta é uma tradição do cinema italiano que teve outro mestre em Mario Bava, um grande nome por aqui ainda pouco difundido.

Alguns vêem nas obras de Bava e Argento o legado de uma tradição barroca, forte na cultura italiana. Mas sem precisar alcançar as profundezas da erudição, a visão de “Suspiria” impressiona devido ao uso das cores.

A idéia de Argento em “Suspiria” foi fazer uma reinterpretação perversa da “Branca de Neve e os Sete Anões” de Walt Disney, transferindo a situação para uma escola de dança na Alemanha, onde uma jovem americana é submetida a uma sucessão de feitiçarias de teor sádico explícito.

Da animação de Disney, Argento preserva o uso predominante dos azuis e vermelhos, acentuando a irrealidade das situações por meio de choques cromáticos de alta intensidade.

Com seus cenários psicodélicos e suas cenas de violência que mais parecem HQs, “Suspiria” é um clássico pop que mereceria ser redescoberto num lançamento que faça justiça à sua sofisticação.

*

A seguir, o trailer da versão remasterizada de “Suspiria”. Como a imagem é do YouTube, a qualidade não é grande coisa, mas dá para ter uma idéia de como estava o filme antes e de como ficou após a restauração. No site do lançamento francês de “Suspiria”, há o mesmo trailer, mas com melhor resolução. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a obra de Argento, o site Dark Dreams, dedicado ao diretor, é uma boa porta de entrada.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 8h45 AM

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Próxima parada, Hollywoodland

Próxima parada, Hollywoodland

Por Sérgio Rizzo (crítico da Folha)

Duas moças com rosto de aspirante a estrela, mas nenhum filme concorrente ao Oscar no currículo, passaram no domingo pelo tapete vermelho do Kodak Theatre, em Los Angeles, e foram entrevistadas pela equipe do canal pago E!. Sorridentes e bem vestidas (se é que usar aqueles vestidos de festa em plena luz do dia indica elegância), Amanda Goldberg e Ruthanna Khalighi Hopper aproveitaram a carona do Oscar para falar de “Celebutantes”, romance que a Editora Rocco acaba de publicar no Brasil, em tradução de Pinheiro de Lemos.

Reconheceu os sobrenomes? O de Ruthanna, 33, é mais fácil de matar. Seu pai é o ator, diretor e roteirista Dennis Hopper, 71, que ajudou a estabelecer os alicerces da “nova Hollywood” com “Sem Destino” (1969). Sua mãe, terceira mulher de Dennis, é a atriz Daria Halprin, 50, que também participou daquele momento efervescente de renovação da indústria ao estrelar “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni. A própria Ruthanna já trabalhou como atriz em alguns filmes, mas não emplacou.

O pai de Amanda, estimados 33, é o produtor Leonard Goldberg, 74, que começou na TV, onde fez o seriado “As Panteras”. No cinema, assinou “Dormindo com o Inimigo” (1991) e os dois longas com as Panteras, entre outros. Sua mãe, Wendy Goldberg, é irmã da diretora de elenco Toni Howard, cujo maior sucesso é “Tootsie” (1982). Amanda também já tentou ser atriz, mas vem seguindo a trilha do pai – foi produtora associada, por exemplo, nos dois longas com as Panteras.

E de que fala “Celebutantes”? De um mundo que as duas filhinhas de papai, com todo o respeito, conhecem desde que nasceram: Hollywood. A protagonista é Lola, filha de um diretor, que começa a trabalhar como assistente de um estilista de celebridades. Seu círculo é formado por gente como ela, de “sangue azul”, e por alpinistas que sonham ingressar na realeza.

Não é literatura de primeira, e nem mesmo tem essa pretensão. Quer apenas entreter o leitor (e alfinetar vizinhos) com outra divertida incursão pelo cotidiano de quem vive em Los Angeles às custas, em maior ou menor grau, da indústria do entretenimento. Cidade estranha, com gente esquisita.

Um trecho:

“Viro-me para descobrir que uma certa rainha do cinema adolescente (cuja propensão para comparecer aos lugares mais quentes sans calcinha lhe valeu uma segunda coroa, a de Rainha da Xoxota Oferecida) pôs em meu ombro nu as unhas cobertas por uma camada lascada de Black Satin da Chanel. Pelo menos ela não está mais assustadoramente esquelética, como ficou depois daquela dieta lamentável da Espiral da Morte. Embora seja uma laranja radioativa coberta de Day-Glo, outra vítima da doença contagiosa que atormenta as celebridades durante a temporada do Oscar.
- Lindo vestido – diz ela, com sorriso de aspartame.
- Obrigada.”

Se o internauta quiser um pouco menos de futilidades e um pouco mais de qualidade literária no trato do mesmo cenário, ótima opção é o inacabado “O Último Magnata”, romance de F. Scott Fitzgerald (1896-1940) inspirado no lendário produtor Irving Thalberg (1899-1936). Autor de “O Grande Gatsby” e “Suave é a Noite”, Fitzgerald trabalhou como roteirista em Hollywood. A versão para cinema de “O Último Magnata” (1976), dirigida por Elia Kazan e escrita pelo dramaturgo Harold Pinter, traz Robert De Niro no papel de super-produtor fictício Monroe Stahr.

Filmes recentes, como “Dália Negra” (2006), de Brian De Palma, e “Hollywoodland” (2006), de Allen Coulter, são outros entre as dezenas de exemplos de ficção sobre essa turma (embora ambos sejam inspirados em casos verídicos). Meus preferidos: “Crepúsculo dos Deuses” (1950, foto acima), de Billy Wilder, cujos ecos são ouvidos em “Cidade dos Sonhos” (2001), de David Lynch.

Escrito por Sérgio Rizzo às 11h40 AM

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Os Coen e a caixa de areia

Os Coen e a caixa de areia

                                                  Kevork Djansezian/Associated Press

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

Joel Coen agradeceu aos estúdios por permitirem que ele e o irmão "continuem a brincar no cantinho da caixa de areia". Esse é o espírito dos Coen. Quietos, no cantinho deles, vêm criando brinquedos exóticos há mais de duas décadas. E nesta noite tiveram o reconhecimento que mereciam, com a trinca filme-direção-roteiro, e garantiram um lugar maior na caixa de areia, e por muito mais tempo. Bom para eles, ótimo para quem gosta de cinema autoral.

O Oscar 2008 não teve o frisson do ano passado, com a histórica premiação para Scorsese. Nem a (desagradável) surpresa de "Crash" de 2006. Foi tudo meio morno, sonífero, do tom irônico-blasé dos agradecimentos lacônicos de Ethan Coen às piadas do apresentador Jon Stewart, bem mais insosso do que há dois anos e claramente prejudicado pelo impacto da greve dos roteiristas. Sua equipe teve pouco mais de dez dias para escrever todo o texto da premiação _o resultado foi um humor de sorrisos amarelos. A greve dos roteiristas também parece ter afetado a criatividade dos vencedores _não houve lá grandes discursos. Os melhores momentos ficaram com Javier Bardem em espanhol e Daniel Day-Lewis se curvando perante Helen Mirren. Fora isso, só os soluços habituais. 

Legião estrangeira
Se não fosse pelos Coen, os "estrangeiros" teriam sido maioria entre os vencedores do Oscar 2008. Das 24 categorias, 12 ficaram nas mãos de americanos, incluindo as três dos irmãos cineastas de "Onde os Fracos Não Têm Vez". As outras 12 foram divididas entre britânicos, franceses, italianos, espanhóis e um austríaco. Já absorvida por Hollywood, essa legião estrangeira dá um ar global à cerimônia, aumenta o interesse pela festa fora dos EUA e ajuda a impulsionar índices de audiência ao redor do mundo.

Melhor performance
"Ultimato Bourne" disputou três estatuetas (montagem e as duas de som) e ficou com as três, sempre derrotando "Onde os Fracos Não Têm Vez". Ninguém com mais de uma indicação teve tal desempenho. Justiça feita ao melhor filme de ação de 2007.

Maior injustiça
Tilda Swinton levou para casa o troféu que era de Cate Blanchett. Caso para recontagem? Ação judicial contra a PriceWaterhouseCoopers? Pelo menos não foi Ruby Dee, que, convenhamos, seria premiada por acertar um safanão em Denzel Washington.

Pior momento
O Oscar não seria muito melhor sem as execuções ao vivo das cinco candidatas a melhor canção? Especialmente em um ano em que três delas eram do filme "Encantada"? Ou será que os organizadores achavam que esse era o momento soneca da noite?

Escrito por Leonardo Cruz às 2h49 AM

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Quem vai levar o Oscar 2008?

Quem vai levar o Oscar 2008?

                                                                    Lucas Jackson/Reuters

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

E então? Quem vai levar os brinquedinhos aí de cima? Este blog já fez uma primeira rodada de palpites para o Oscar logo após o anúncio das indicações da Academia, em 22 de janeiro. Um mês depois, após muito estudo e reflexão, é hora da rodada final de previsões. E o que mudou nesses 30 dias? Rigorosamente nada! As apostas de vencedores do Ilustrada no Cinema em dez categorias continuam as mesmas. Sabedoria? Coerência? Teimosia? Picaretagem? Você decide.

O fato é que, se no Oscar do ano passado havia uma boa margem para zebra, principalmente na categoria melhor filme, neste ano parece tudo muito mais claro, previsível, sem muito espaço para azarões. Ao que interessa: o que diz nossa bola de cristal paraguaia, alimentada diretamente por todos os prêmios já distribuídos nos EUA nas últimas semanas e também pelos milhares de colunas e blogs americanos de "especialistas" em Oscar.

Melhor filme: "Onde os Fracos Não Têm Vez"
Chance de zebra? Não, não, não. O filme já ganhou os principais prêmios dos sindicatos dos atores, dos diretores, dos roteiristas, dos produtores e dos assassinos de aluguel. Preciso explicar mais?

Melhor diretor: Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Chance de zebra? Também não. Na história do Oscar, o vencedor do prêmio do sindicato dos diretores também ficou com esta estatueta em 88% das vezes.

Melhor ator: Daniel Day-Lewis ("Sangue Negro")
Chance de zebra? Não. Este milk-shake só tem um canudo.

Melhor atriz: Julie Christie ("Longe Dela")
Chance de zebra? Sim, alguma, uns 23,7%. Christie já ganhou muita coisa neste ano, mas alguns bons blogueiros gringos ainda apostam em Marion "Piaf" Cotillard.

Melhor ator coadjuvante: Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Chance de zebra? Alguém ousaria aborrecer Anton Chigurh?

Melhor atriz coadjuvante: Cate Blanchett ("Não Estou Lá")
Chance de zebra? Muuuuuuuita. Ruby Dee levou o prêmio do sindicato dos atores e subiu nas apostas nas últimas semanas. E Tilda Swinton também não pode ser descartada. Mas Cate, ah, Cate, segue em alta conta por aqui.

Melhor roteiro original: Diablo Cody ("Juno")
Chance de zebra? Remota. Se alguém tirar o prêmio da mulher-capeta, será Tony Gilroy, por "Conduta de Risco".

Melhor roteiro adaptado: Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Chance de zebra? Ainda menor. Assim como Diablo, os irmãos já levaram o troféu do sindicato dos roteiristas nesta categoria e devem fechar a trinca filme-direção-roteiro.

Melhor filme estrangeiro: "The Counterfeiters" (Áustria)
Chance de zebra? Sempre. Depois que o vencedor da Palma de Ouro em Cannes não entrou nesta lista, até o filme do Cazaquistão pode ganhar.

Melhor animação: "Ratatouille"
Chance de zebra? Por mais que "Persépolis" seja simpático, desde que esta categoria foi criada, o Oscar quase sempre acompanha o Annie, o principal prêmio do mundo da animação. E quem levou último Annie? O rato gourmet e sua gangue.

E você? Já tem seus palpites?

*

Para ver o Oscar no domingo
A única emissora a transmitir o Oscar na íntegra do Brasil será a TNT, a partir das 22h30, com comentários de Chris Nicklas e Rubens Ewald Filho. Na TV aberta, a Globo repetirá o que fez no ano passado: mutila o começo da cerimônia e entra no ar só após o "BBB8". Os comentários serão de Maria Beltrão e José Wilker. Uma boa alternativa para quem prefere ouvir o som original é ligar a tecla SAP da TV e sintonizar o rádio na BandNews FM, onde o crítico da Folha e colunista deste blog Sérgio Rizzo analisará a cerimônia.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h32 AM

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Quatro estréias na disputa do Oscar

Quatro estréias na disputa do Oscar

No podcast desta semana, Sérgio Rizzo comenta as quatro estréias desta semana que concorrem ao Oscar no domingo: "Juno", "Senhores do Crime", "Persépolis" e "Na Natureza Selvagem". O crítico também faz suas apostas para as principais categorias no prêmio da Academia. Para ouvir, basta clicar no microfone.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h13 AM

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'Hitler', o filme, está em São Paulo

'Hitler', o filme, está em São Paulo

Por Cássio Starling Carlos (crítico da Folha)

“Um filme não só arrojado pelo radicalismo de sua realização mas também desconcertante, como uma criança indesejada numa era de crescimento populacional zero.” Com tais palavras exatas e ironia cortante, a ensaísta norte-americana Susan Sontag definiu, num texto de 1979, o monumental “Hitler, um Filme da Alemanha”, de Hans Jürgen Syberberg.

Diretor alemão inclassificável, Syberberg misturou literatura, teatro, ópera e música na composição de um cinema que parece tudo, menos cinema no sentido banal que consumimos hoje. Seu “Hitler”, feito em 1977, é considerado por muitos sua obra máxima. E quem se dispuser a enfrentar as dificuldades que a experiência impõe, as mais de sete horas de duração, divididas em quatro partes, serão apresentadas de hoje a domingo no ciclo “A Alemanha e a Segunda Grande Guerra”, em exibição no Centro Cultural São Paulo.

Contemporâneo da geração que protagonizou o novo cinema alemão, a partir de 1962, Syberberg nunca se deixou identificar com facilidade. Apesar disso, há traços em comum com obras como as de Alexander Kluge e Rainer Werner Fassbinder, entre os quais se destacam a assumida referência ao teatro de Brecht e a necessidade de enfrentar os traumas da história alemã e, sobretudo, não levar em conta o nazismo como um período superado e ultrapassado.

Dessa reaproximação, seu “Hitler” é um ápice tanto em conteúdos quanto em estética. O espectador desavisado não deve esperar nada parecido com “A Queda - As Últimas Horas de Hitler”. Há uma ética dentro da estética de Syberberg que não admite a reconstituição naturalista de Hitler como protagonista de um filme de ação. O que vemos em “Hitler” são vários atores em cena revezando-se com marionetes na figura do ditador. E não há ação. Em seu lugar vemos imagens do espetáculo nazista projetadas num telão, enquanto num palco atores transitam e declamam, e discursos de autoridades nazistas se sobrepõem à trilha de temas clássicos e operísticos.

A estratégia do diretor é não permitir ao público a identificação neutra de Hitler a um outro, reconhecer e apontar o vilão de sempre. Sua intenção maligna é estabelecer um nexo nunca antes ousado, explícito na equação Hitler = Nós.

Um “nós” que inclui todos os alemães, que Syberberg tira do lugar seguro de vítimas do nazismo para colocá-los no papel de agentes, de atores de um processo, de diretores de uma grande obra, por isso chamada “Hitler, um Filme da Alemanha”.

Mas também um “nós” que nos inclui, que nos tira do lugar passivo de espectadores e nos conduz a identificar no mundo pós-Hitler um conjunto evidente de características da sociedade de homens superiores sonhada por Hitler.

Como alerta Susan Sontag no final de seu ensaio, “após assistir a ‘Hitler, um Filme da Alemanha’”, damo-nos conta de que existe o filme de Syberberg _e depois todos os outros que admiramos”.

*

Quem estiver fora de São Paulo ou não conseguir ir ao CCSP pode assistir a “Hitler, um Filme da Alemanha” na internet. É evidente que a microtela disponível na rede não se compara à experiência de assistir ao longa em um cinema de verdade. Ainda assim, dá para ter uma idéia do que se trata a obra de Syberberg. O filme está aqui (na versão original, em alemão) ou aqui (na versão com narração e legendas em inglês).

Escrito por Cássio Starling Carlos às 8h20 AM

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O festival em que você escolhe os filmes

O festival em que você escolhe os filmes

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

Quais os melhores filmes de 2007? Pergunta velha, né?! É, mas vale a pena respondê-la no site do Sesc, para participar da seleção dos longas que formarão a 34ª edição do Festival Melhores Filmes do Ano. Os mais votados serão exibidos no Cinesesc de 8 a 24 de abril, em uma eleição dividida entre escolhas do público e da crítica.

Quem entrar no site do Sesc poderá votar em produções brasileiras e estrangeiras em quatro categorias: filme, diretor, ator e atriz. Estão na lista os 68 longas nacionais _de "3 Efes" a "Odiquê?"_ e os 263 internacionais _de "100 Escovadas Antes de Dormir" a "Zodíaco"_ lançados comercialmente no Brasil em 2007.

No festival do ano passado, as escolhas de 69 críticos e 8.400 internautas e freqüentadores do Cinesesc resultaram na seleção de 50 filmes _entre os estrangeiros, o vencedor de público e imprensa foi "Caché", de Michael Haneke; entre os nacionais, os espectadores preferiram "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, e os jornalistas elegeram "O Céu de Suely", de Karim Aïnouz.

E na mostra deste ano? Os palpites deste blog, nada originais, são os filmes que pipocaram em várias listas de melhores divulgadas no final do ano passado: "Em Busca da Vida" (foto), de Jia Zhang-ke, e "Santiago", de João Moreira Salles.

A eleição vai até 2 de março, e a programação do festival deve ser divulgada no início de abril. E você? Já definiu seu voto?

Escrito por Leonardo Cruz às 6h56 AM

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Fidel Castro, o astro do cinema

Fidel Castro, o astro do cinema

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

O cinema é uma boa porta de entrada para quem quiser entender o que representaram para Cuba os 49 anos de poder de Fidel Castro. O Internet Movie Database registra mais de uma dúzia de filmes em que o ditador cubano é protagonista ou coadjuvante. Há dois registros de Fidel como ator, em produções americanas pré-Revolução. Sempre segundo o IMDb, Fidel foi figurante na comédia "Easy to Wed" (1946), com Lucille Ball, e no musical "Holiday in Mexico", também de 1946. Mas eram apenas pontas, e Fidel nem foi creditado nesses longas. O que interessa mesmo são os filmes pós-Revolução, a maioria documentários, em que Fidel aparece como ele mesmo, no exercício do comando.

Desses todos, um dos mais famosos está disponível na íntegra no YouTube. Trata-se de "Comandante", o longa-metragem que Oliver Stone fez com Fidel em 2003. O diretor de "Platoon" (1986) e "JFK" (1991) teve total acesso à rotina do homem mais poderoso de Cuba e realizou um documentário que mescla imagens de arquivo e entrevistas feitas em Havana. No YouTube, "Comandante" está dividido em 12 partes. Para encontrá-las, basta digitar "Fidel Castro Oliver Stone" no campo de busca, ou clicar aqui. A primeira parte vai a seguir. Dê uma olhada.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h44 AM

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Francis Ford Coppola, o publisher

Francis Ford Coppola, o publisher

                                                   Cos Aeleney/Sony Pictures Classics

Por Sérgio Rizzo (crítico da Folha)

Na cerimônia do Oscar-2007, há cerca de um ano, Francis Ford Coppola foi entregar o prêmio de melhor direção a Martin Scorsese em companhia de outros dois peso-pesados da mesma geração, George Lucas e Steven Spielberg. Aquele Coppola é o que os fãs de cinema conhecem bem, profissional multitarefa (diretor, roteirista e produtor, eventualmente compositor, montador e ator) que, só para continuar no território do Oscar, recebeu 14 indicações e cinco prêmios – como roteirista por “Patton, Rebelde ou Herói?” (1970) e “O Poderoso Chefão” (1972), e como produtor, diretor e roteirista por “O Poderoso Chefão 2” (1974).

O pai Carmine, a irmã Talia Shire, a mulher Eleanor (de quem saiu há pouco nos EUA a versão especial em DVD de “Hearts of Darkness – A Filmmaker’s Apocalypse”, documentário sobre as filmagens conturbadas de “Apocalypse Now”), os filhos Sofia e Roman e o sobrinho Nicolas Cage nos lembram também que a paixão por fazer cinema contaminou mais gente na família.

Afastado da direção por uma década, entre “O Homem que Fazia Chover” (1997) e “Youth Without Youth” (2007), Francis se dedicou nesse período a outras atividades, como tocar uma vinícola, administrar um centro cultural em San Francisco e publicar uma revista trimestral, “Zoetrope: All-Story”.

É uma dos raríssimos títulos a trazer sobre o logo de capa, como no pôster de um filme, crédito para seu criador: “Francis Ford Coppola presents”. Fundada em 1997 por Francis e pela escritora Adrienne Brodeur, ela carrega o nome do zootrópio, aparelho óptico que já batizou outras pessoas jurídicas na carreira do cineasta, a produtora American Zoetrope e os Zoetrope Studios.

Na penúltima edição, com data de outono (do hemisfério Norte) e preço de capa US$ 6,95, o designer convidado é o ator inglês Tim Roth, que apresenta fotos de sua autoria feitas na Romênia durante as filmagens de “Youth Without Youth” (lançado como um filme nanico nos EUA, com 18 cópias, e sem data de estréia prevista para o Brasil). “Foi um período extraordinário para mim, e me lembro dele com profundo afeto”, diz Roth no texto introdutório.

A edição de outono traz ainda os contos “The Russian”, do cineasta Ethan Coen, que disputa no próximo domingo o Oscar por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e “Seattle”, do escritor Jonathan Baumbach, pai do cineasta Noah Baumbach (“A Lula e a Baleia”). A quarta capa funciona como capa alternativa, dedicada a “Youth Without Youth”. Basta virar a revista de cabeça para baixo e, nesse outro fluxo de leitura, conhecer a “edição comemorativa” ao filme, que inclui a íntegra do romance do romeno Mircea Eliade (traduzido para o inglês por Mac Linscott Ricketts) que inspirou o roteiro.

Esse novo pacote de artigos reúne entrevistas de Eleanor Coppola com Roth e com a atriz romena Alexandra Maria Lara e ensaios da historiadora Wendy Doniger e do montador Walter Murch. A jóia, no entanto, é uma entrevista de Francis concedida... ao próprio Francis. Na verdade, trata-se de uma carta ao leitor escrita no formato de pergunta e resposta, com elegante ironia.

Pela internet, já é possível comprar a edição de inverno da “All-Story” (capa acima), comemorativa de seu 10º aniversário. Uma das atrações é “Hotel Chevalier”, roteiro do curta-metragem de Wes Anderson que virou prólogo de “Viagem a Darjeeling” (2007).

Escrito por Sérgio Rizzo às 7h10 AM

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Notas sobre uma premiação

Notas sobre uma premiação

                                                             Hannibal Hanschke/Reuters

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

* Em 28 de novembro do ano passado, o Festival Sundance anunciou que exibiria “Tropa de Elite” em sua mostra competitiva. Horas depois, o distribuidor internacional do filme, Harvey Weinstein, decidiu tirar "Tropa" de Sundance, pois já negociava com o Festival de Berlim. Como ficou comprovado nesta tarde, Weinstein sabia bem o que estava fazendo.

* Algumas pessoas que entendem um bocado de cinema afirmaram que “Tropa de Elite” não teria chances de premiação em um festival de júri presidido pelo cineasta grego Costa-Gavras, autor de “Missing - Desaparecido” e “Z”. Por essa tese, um diretor “de esquerda”, muito politizado, não aprovaria um filme “de direita”, “reacionário”, como disseram alguns. Bem, ao que tudo indica, Costa-Gavras não achou o filme nada reacionário.

* E o Prêmio Especial do Júri para “Standard Operating Procedure”, de Errol Morris, confirma o tom político da premiação. O diretor de “Sob a Névoa da Guerra” apresentou um documentário sobre a tortura em Abu Ghraib e suas seqüelas e foi reconhecido por isso.

* Um dos primeiros passos para a decolagem da carreira internacional de “Tropa de Elite” foi um longo perfil, positivo, sobre o diretor José Padilha, publicado em 24 de novembro pelo “New York Times”. Depois da tarde de hoje, a rota para tal carreira está totalmente traçada. E o Oscar 2009 está no horizonte.

* Dez anos depois, Berlim volta a consagrar um filme brasileiro. E com uma obra que é o oposto de “Central do Brasil”, de Walter Salles. O que mudou nesses dez anos?

* Em tempo: Berlim também premiou outras três produções nacionais. O curta “Café com Leite” ganhou o Urso de Cristal, prêmio do júri jovem (Generation 14plus). Nada mal para Daniel Ribeiro, de apenas 25 anos, que fez nesse filme sua estréia na direção em 35 mm. "Mutum", de Sandra Kogut, recebeu menção especial do júri infantil (Generation Kplus). E o curta "Tá", de Felipe Sholl, levou o Teddy Award, para produções gays.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h59 PM

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A volta de Paul Thomas Anderson

A volta de Paul Thomas Anderson

De volta aos podcasts aqui no blog, o crítico Sérgio Rizzo comenta dois filmes concorrentes ao Oscar que estréiam nesta sexta: "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, e "Elizabeth - A Era de Ouro", de Shekhar Kapur. Para ouvir, clique no microfone.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h01 AM

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Um lugar para fazer experiências

Um lugar para fazer experiências

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

A turma do Cineclube Equipe retoma neste final de semana seus trabalhos em 2008. Inicia em São Paulo neste sábado, às 16h, a programação de seu primeiro semestre, que será voltada ao estudo de alguns autores que romperam com as convenções da narrativa cinematográfica clássica e buscaram novos caminhos estéticos. O ciclo Panorama Experiências do Cinema começa com a exibição de curtas de diretores da chamada vanguarda dos anos 20. Serão dez filmes nessa primeira sessão, incluindo obrigatórios como "Um Cão Andaluz", de Dalí e Buñuel, e obras de nomes centrais nas artes plásticas, como Man Ray, Marcel Duchamp e Fernand Léger. Deste último, por exemplo, será exibido "Ballet Mécanique" (foto). Às 18h, após a sessão, o professor da Faap e doutor em teoria literária João Guedes debaterá os filmes com a platéia.

A programação continua em março, com uma sessão sobre o cinema de Andy Warhol. O tema em abril será o cinema de invenção no Brasil dos anos 70; e os filmes de Jerry Lewis estarão em foco em maio. Para fechar o semestre, será exibido "Mal dos Trópicos", do tailandês Apichatpong Weerasethakul, um dos principais diretores do cinema asiático atual.

Cada sessão custa R$ 4 e acontece sempre no auditório do Colégio Equipe (r. Bento Freitas, 223, Pinheiros). Para mais detalhes sobre a programação, dê um pulo no site do cineclube.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h45 AM

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Literatura no cinema: modos de usar

Literatura no cinema: modos de usar

Por Cássio Starling Carlos (crítico da Folha)

A inflação de filmes adaptados de livros em cartaz nos últimos meses chama a atenção até mesmo dos espectadores mais desavisados. Só de memória, a lista parece interminável: “Sangue Negro”, “Desejo e Reparação”, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Eu Sou a Lenda”, “O Caçador de Pipas”, “O Amor nos Tempos do Cólera”, “A Bússola de Ouro”, “Lady Chatterley”, “A Lenda de Beowulf”... Ufa! E não deve parar tão cedo. Alguns creditam o aparente excesso a um suposto cansaço criativo de roteiristas. Pode até ser. O fato é que as relações dos filmes com a literatura são íntimas e tão antigas quanto o próprio cinema.

Também cansados de ver suas criações virarem lixo, alguns escritores resolveram botar a mão na massa em vez de liderar o coro dos resmungões. O caso mais recente é o do provocador francês Michel Houellebecq. Depois de ver seus romances “Extensão do Domínio da Luta” e “Partículas Elementares” virarem filmes sem grandes parentescos mentais com o original, decidiu ele mesmo dirigir a versão cinematográfica de “A Possibilidade de uma Ilha”, seu mais recente romance. Ninguém ainda viu o resultado, mas a expectativa é grande.

A França parece concentrar outros tipos desta espécie anfíbia, os escritores-cineastas. Salvo engano, a pioneira foi Marguerite Duras, autora do texto que está na origem de “Hiroshima, Meu Amor”, de Alain Resnais, e depois diretora de um punhado de títulos, alguns dos quais obras-primas pouquíssimo difundidas, como “India Song”, “Le Camion” e “Les Enfants”. Do mesmo território de Resnais saiu Alain Robbe-Grillet, que já era um autor de romances revolucionários quando escreveu o roteiro de “O Ano Passado em Marienbad”. Logo em seguida, iniciou uma carreira de cineasta que acumula dez títulos, todos desconhecidos por aqui.

Um caso menos conhecido é o de Georges Perec, o escritor que gostava de reinventar o romance a cada novo livro e que deixou pelo menos um espetacular e plenamente legível: “A Vida Modo de Usar”. Em dezembro, saiu em DVD na França seu filme de ficção “Un Homme qui Dort” (“Um Homem que Dorme”, foto acima), que ele assina com o diretor Bernard Queysanne. Alguns meses antes, outro lançamento, uma caixa sobre o autor, trouxe “Récits d’Ellis Island” (“Relatos de Ellis Island”), de 1980.

Este é, como Perec o define, um trabalho de memória de vidas anônimas, que se poderia classificar como um documentário. Nele, o escritor, ao lado do cineasta Robert Bober, mergulha no passado da pequena ilha Ellis, ao largo de Mannhatan, o local onde os recém-chegados na enorme vaga de imigração para os EUA no início do século 20 eram submetidos a um rígido controle e seleção antes de obterem (ou não) sua entrada no país.

Perec/Bober filmam o prédio de Ellis Island como um enorme campo de concentração desativado, uma zona limítrofe entre a vida (os EUA como terra prometida da liberdade) e a morte (a pobreza, as perseguições e todas as formas de totalitarismo nos territórios de origem). Ele próprio filho de judeus poloneses exilados na França, Perec diz a certa altura do trabalho: “O que eu, Perec, vim buscar aqui? A errância, a dispersão, o exílio. Ellis Island é o lugar por excelência do exílio, isto é, o lugar da ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum”.
 
Já “Un Homme qui Dort”, feito em 1974, é baseado num dos primeiros textos publicados pelo autor, em 1967. Aqui, como no cinema de outros escritores, o que se vê não se reduz à mera transposição do texto. Perec/Queysanne filmam um personagem deslocado da ordem social, seu isolamento e perambulação por Paris. As imagens são semelhantes às de uma câmera de vigilância, mostrada repetidamente no filme. Sobre as cenas, as palavras do livro são lidas por uma narradora, num tom sóbrio, que só se altera nos minutos finais.

Com esse tipo de organização audiovisual, Perec sugere que imagens não são nem duplicatas nem substitutas da escrita. Em seus filmes não há submissão da escrita ao filme nem do cinema à literatura, ambos co-existem tanto em paralelo como em curto-circuito. Um tipo de cinema muito pouco popular, certamente, mas que mostra, pelas mãos de escritores, que filmes podem ser muito mais que só a conversão de palavras em imagens. A seguir, um trecho de “Un Homme qui Dort”, com narração em francês e legendas em inglês.

*

Acontece em São Paulo
Aos leitores paulistanos, três dicas de programação fora do circuito comercial. Na próxima terça, começa no Centro Cultural São Paulo a mostra “A Alemanha e a Segunda Grande Guerra”, que terá a exibição em quatro partes do fundamental “Hitler, um Filme da Alemanha”, de Hans-Jürgen Syberberg. A Cinemateca abre na próxima quarta um ciclo com sete filmes de Jacques Démy, o gênio musical da Nouvelle Vague francesa. E no CCBB, também na quarta, tem início a “Cinema Japonês – 100 Anos de Japão no Brasil”, com 20 filmes que cobrem o período de 1931 a 2004.

Escrito por Cássio Starling Carlos às 9h20 AM

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O furacão Madonna em Berlim

O furacão Madonna em Berlim

                                                      Miguel Villagran/Associated Press

Madonna dá autógrafos após conceder entrevista em Berlim

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Em cenas de tietagem explícita, centenas de jornalistas receberam Madonna com efusivos aplausos e gritos de "uhu!", quando a cantora chegou hoje para a entrevista coletiva de seu primeiro filme como cineasta, "Filth & Wisdow" (obscenidade e sabedoria), exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim.

Mesmo com a acolhida calorosa, Madonna parecia nervosa como uma estreante, diante do batalhão de repórteres de cinema. Os ombros ficaram quase todo o tempo da entrevista erguidos na direção das orelhas; vez ou outra, sua voz e seu rosto tremiam levemente e ela não conseguia reter duas perguntas feitas em seguida. "Qual é mesmo a segunda pergunta?", foi a frase que a diretora mais repetiu na entrevista, até que explicou: "O problema é que, quando vocês fazem uma segunda pergunta muito provocativa, eu esqueço a primeira".

Se por um lado deu sinais de que estava tensa, por outro, Madonna exibiu muito bom humor e esperteza nas respostas. Exemplos: quando um jornalista francês perguntou se ela havia pedido conselho a diretores veteranos ou se havia dirigido do modo como bem quis, estreando no cinema "like a virgin", alguns repórteres aplaudiram a pergunta. Ela então sorriu e disse: "Não foi tão inteligente assim...".

Outro repórter, antes da pergunta, disse que ela estava linda e agradeceu-a por vir a Berlim. E emendou lembrando que ela usou "Erótica" na trilha do filme, que esta canção foi feita há 20 anos e que o fez pensar em que importância tem o sexo e o erotismo na vida dela agora, que está casada e com filhos.

Madonna disse: "De repente seu elogio [de que ela estava linda] não está mais parecendo tão atraente. Não sei quem te disse que ser casada e ter filhos significa que 'Erotica' não faz mais parte da sua vida'". E desafiou o jornalista, perguntando, primeiro, se ele era casado. Diante da resposta ("Solteiro"), ela concluiu. "Venha falar comigo de novo quando você for casado".

Assim como a coletiva de Madonna, a sessão de "Filth & Wisdow" para a imprensa hoje de manhã foi concorridíssima, com direito a princípio de empurra-empurra. Na saída, o que mais se ouviam eram comentários de gente surpresa de haver gostado do filme.

O longa conta a história de três personagens que vivem em Londres. A.K. (Eugene Hutz) é um imigrante ucraniano que se define como filósofo, poeta e líder de uma banda _e que faz programas para sobreviver. Ele divide um apartamento com Juliette (Vicky Mclure), uma funcionária de uma farmácia que tem planos de ajudar crianças na África, e com Holly (Holly Weston), uma dançarina de casa noturna que deseja ser bailarina. A trama se desenvolve a partir das questões que os três enfrentam no dia-a-dia para tentar realizar seus sonhos.

*

Leia mais sobre o Festival de Berlim (para assinantes UOL ou Folha):
Mais detalhes sobre o filme de Madonna
Nanni Moretti estrela drama sobre perda e luto

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 5h28 PM

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Por que riu, riu por quê?

Por que riu, riu por quê?

Por Sérgio Rizzo (crítico da Folha)

Ao menos em um quesito Woody Allen, 72, leva vantagem inquestionável sobre qualquer outro cineasta norte-americano de sua geração, como Francis Coppola, 69, e Martin Scorsese, 65: a bibliografia. Dois títulos lançados no final de 2007 nos EUA reforçaram a estante considerável de livros dedicados à sua obra: “Conversations with Woody Allen”, do jornalista norte-americano Eric Lax, que concedeu entrevista em dezembro à Folha sobre os 36 anos de convívio com o diretor, e “Woody Allen – An Essay on the Nature of the Comical”, do filósofo alemão Vittorio Hösle.

Enquanto Lax organiza por temas as entrevistas que fez com Allen desde 1971, deixando que prevaleça o discurso do próprio cineasta sobre o seu trabalho, Hösle pede inicialmente desculpas ao leitor dos EUA por não ser um especialista em cinema e também por não ser norte-americano. Ele diz acreditar, no entanto, que essas “limitações” de seu breve ensaio (96 páginas, incluindo notas e índice remissivo) talvez possam ajudar a entender por que os filmes de Allen fazem tamanho sucesso na Europa (o que ele não julga ser acidental) e a demonstrar como ele se tornou um “comediante profundamente filosófico”.

A presença da filosofia na obra do cineasta já ocupou todo um livro, “Woody Allen and Philosophy”, resenhado quase dois anos atrás pela Folha, além de ensaios em coletâneas como “O Que Sócrates Diria a Woody Allen” e “Carta Aberta de Woody Allen para Platão”, ambos do espanhol Juan Antonio Rivera (Ed. Planeta), e “De Hitchcock a Greenaway pela História da Filosofia”, do argentino Julio Cabrera (Nankin Editorial). A originalidade de Hösle está em se concentrar na “essência da natureza do cômico” que menciona no título, apontando quais as chaves acionadas pelo cineasta para provocar o riso no espectador segundo conceitos sobre o humor apresentados por Charles Darwin, Henri Bergson e Arthur Schopenhauer, entre outros.

“Está longe de ser um acidente que o universo cômico de Woody Allen tenha florescido no último terço do século 20 em Nova York, a Atenas da modernidade. Isso pressupõe a crise do monoteísmo no Ocidente, bem como a revolução sexual e, ao mesmo tempo, uma certa nostalgia pelo mundo antigo”, afirma Hösle.

Allen vem trabalhando nos últimos anos um pouco mais próximo da verdadeira Atenas, na Inglaterra e na Espanha. Mas “Cassandra’s Dream” (foto acima), seu mais recente longa-metragem, tem quase nada a ver com o percurso cômico analisado por Hösle. Há apenas dois ou três momentos rápidos de humor em uma história sombria a respeito da crise de consciência de dois irmãos (Ewan McGregor e Colin Farrell) que cometem um crime.

Para azar de Allen, esse ponto de partida é muito semelhante ao de “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (foto acima), de Sidney Lumet, com Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke como os irmãos. A diferença é que Lumet (com roteiro da estreante Kelly Masterson) vai muito além na exploração das implicações psicológicas _e, por que não, filosóficas_ da situação do que Allen.

A favor de Lumet, contam ainda uma estrutura narrativa mais elaborada, com uso significativo de tempo, espaço e foco narrativo (a de Allen é linear), e o desenho mais acurado de personagens secundários, um dos quais (o pai, interpretado por Albert Finney) terá importância crucial para a trama (os secundários de Allen são mera escada para os irmãos).

O internauta em breve também poderá compará-los. “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto”, distribuído pela Europa, tem estréia prevista para 4 de abril; “Cassandra’s Dream”, distribuído pela Imagem, deve entrar em cartaz em 1º de maio.

PS - Atenção, internautas de Nova York: a brilhante carreira de Lumet, 83, será homenageada nesta e na próxima semana por uma retrospectiva da sala alternativa Film Forum.

Escrito por Sérgio Rizzo às 9h38 AM

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Caetano, Escorel e João Saldanha no É Tudo Verdade

Caetano, Escorel e João Saldanha no É Tudo Verdade

Por Leonardo Cruz (editor-assistente da Ilustrada)

O novo longa de Eduardo Escorel e um pacote de filmes sobre nomes importantes da cultura do país são alguns dos destaques da seleção nacional do 13º É Tudo Verdade, o principal festival de documentários do país.

Trinta docs brasileiros, entre curtas, médias e longas, foram escolhidos pelo crítico e diretor da mostra, Amir Labaki, e distribuídos pelos vários programas do evento que, neste ano, acontecerá em São Paulo e no Rio de Janeiro de 26/3 a 6/4 e em Brasília de 7 a 13/4.

Eduardo Escorel, veterano diretor e montador, autor de documentários como “Bethânia Bem de Perto” (1966), “1930 - Tempo de Revolução” (1990) e “Vocação do Poder” (2005), apresentará no festival “O Tempo e o Lugar” (foto acima), longa sobre Genivaldo, um pequeno agricultor do semi-árido alagoano e líder político regional. Escorel registrou imagens do personagem em três momentos ao longo de 11 anos e identificou nele uma trajetória política cronologicamente semelhante à do presidente Lula.

“O Tempo e o Lugar” é um dos sete filmes nacionais que concorrerão ao Prêmio Janela para o Contemporâneo, o principal do festival, no valor de R$ 100 mil. Os outros seis postulantes são: “João Saldanha”, de André Siqueira e Beto Macedo, sobre o famoso jornalista e técnico de futebol; “Pan-Cinema Permanente”, de Carlos Nader, perfil do poeta Waly Salomão; “Ninguém Sabe o Duro que Dei - Wilson Simonal”, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, sobre o cantor que fez sucesso nos anos 60 e 70. E ainda: “O Aborto dos Outros”, de Carla Gallo, investigação sobre o aborto legal no Brasil; “Sumidouro”, de Cris Azzi, sobre a migração de duas comunidades que viviam em áreas alagadas para a contrução de uma hidrelétrica; e “Dia dos Pais”, de Julia Murat e Leonardo Bittencourt, uma viagem por cidades da antiga região de café em busca de informações sobre a família da diretora.

Vale destacar ainda a criação neste ano do programa Vidas Brasileiras, que terá como foco cinco biografias: a do escritor Antonio Callado, em “A Paixão Segundo Callado”, do experiente diretor José Joffily; a do músico Caetano Veloso, em “Errante Navegante”, de Fernando Andrade; a do ator Paulo Gracindo, em “Paulo Gracindo - O Bem-Amado”, de seu filho Gracindo Jr; a do músico Waldick Soriano, em “Waldick Sempre no Meu Coração”, dirigido pela atriz Patrícia Pillar; e a do músico Mário Rocha, em “Procura-se”, de Rica Sato.

Além dessas duas seções, o É Tudo Verdade terá mais 18 filmes brasileiros em outros programas. E ainda faltam os documentários estrangeiros, não anunciados até agora. Os demais docs nacionais são:

COMPETIÇÃO DE CURTAS
"Beijo na Boca Maldita", de Yanko del Pino 
"Clarita", de Thereza Jessouroun 
"Dossiê Rê Bordosa", de Cesar Cabral 
"Ivy Katu - Terra Sagrada", de Eduardo Duwe 
"Mar de Dentro", de Paschoal Samora 
"O Menino e o Bumba", de Patrícia Cornils 
"Ocidente", de Leonardo Sette 
"Remo Usai – Um Músico para o Cinema", de Bernardo Uzeda 
"Solidão Pública", de Daniel Aragão 
"Solitário Anônimo", de Debora Diniz 
"Tarabatara", de Julia Zakia  
   
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
"De Braços Abertos", de Bel Noronha 
"Entre a Luz e a Sombra", de Luciana Burlamaqui 
"Moro na Tiradentes", de Henri Arraes Gervaiseau e Claudia Mesquita 
"Quilombo, do Campo Grande aos Martins", de Flavio Frederico 
"O Último Kuarup Branco", de Bhig Villas Bôas 
"Carta a Ratzinger", de Moara Rossetto Passoni
 
FOCO LATINO-AMERICANO  
"Pachamara", de Erik Rocha

Escrito por Leonardo Cruz às 9h33 AM

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Aplausos e flores para a equipe de 'Tropa' em Berlim

Aplausos e flores para a equipe de 'Tropa' em Berlim

                                                        John Macdougall/France Presse

Wagner Moura, José Padilha e Maria Ribeiro, em Berlim 

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Terminou agora há pouco a sessão oficial competitiva de "Tropa de Elite" no Festival de Berlim. A platéia reagiu com aplausos moderados. Mas isso não necessariamente significa desapreço ao filme. Quando perguntei ao espectador alemão sentado ao meu lado se ele não havia gostado do filme, já que aplaudia com pouco entusiasmo, a resposta foi: "Gostei, sim. É um filme muito pesado, mas acho que não poderia ser de outro jeito. Se você quer mudar essa realidade, tem de mostrá-la com todas as letras".

O tom sóbrio foi também o que Padilha adotou quando subiu ao palco, antes de chamar sua equipe. "Muito obrigado. Estamos todos muito honrados de estar aqui no Festival de Berlim. Estamos honrados, mas obviamente não podemos estar felizes, por causa desta situação no Brasil." Em seguida, ele chamou ao palco os integrantes da equipe que vieram a Berlim _os atores Wagner Moura (intensamente aplaudido) e Maria Ribeiro (única mulher no grupo, recebeu do festival um delicado arranjo de flores), o fotógrafo Lula Carvalho, o assistente de direção Rafael Salgado, o produtor Marcos Prado, o distribuidor internacional Harvey Weinstein e o co-produtor argentino Eduardo Costantini, entre outros.

"Não tenho muita experiência em sessões de festival, mas achei que foi boa", comentou Wagner na saída, antes de ser abordado por uma família de fãs brasileiras _duas filhas adolescentes com a mãe, que frisou: "A mãe também quer foto [ao lado do ator]".

Durante a sessão, o público teve um único momento de descontração. A risada foi grande na cena em que, durante o curso de treinamento dos novos oficiais do Bope, o Capitão Nascimento pronuncia a palavra "estratégia" em diversas línguas _com pequeníssimas variações. Quando ele fala em alemão, o público gargalhou.

A primeira sessão de "Tropa de Elite" em Berlim, de manhã, para a imprensa, foi marcada por um atropelo. Diferentemente do que acontece com todos os outros longas, a cópia com legendas em inglês não estava disponível _por razões ainda não esclarecidas. Foi exibida uma versão legendada em alemão, que é preparada para a projeção na sessão oficial. A alternativa dos jornalistas que não falam nem alemão nem português era usar tradução simultânea em fones de ouvido, que o festival disponibiliza. Mas, com seus diálogos sobrepostos e velozes, "Tropa de Elite" não é a obra mais indicada para esse tipo de expediente. Jornalistas que usaram o fone comentavam que ficaram sem a tradução de parte do conteúdo do filme.

Na entrevista coletiva após a projeção da manhã, Padilha estava afiado. Criticou a polícia, os traficantes, a crítica cinematográfica. Disse que fez esse filme para mostrar que é insustentável a situação de um país em que a polícia acredita que violência se combate com mais violência. Ele respondeu perguntas sobre a pirataria, a reação do público brasileiro ao filme e disse (em três ocasiões) que é a favor da legalização das drogas.

Ao abordar o debate provocado por "Tropa de Elite" no Brasil, que classificou como o maior da história do país em torno de um filme, ele disse que temos o hábito de interpretar de modo distinto a cinematografia americana e nossa própria. "Quando Scorsese, que é um dos meus ídolos como diretor e esteve neste festival [com "Shine a Light", o filme de abertura, hors-concours] faz um filme como 'Os Bons Companheiros', ninguém diz que ele é pró-máfia. Eu fui acusado de ser radical de direita porque fiz 'Tropa de Elite', um filme com o ponto de vista de um policial, e fui acusado de ser radical de esquerda quando fiz 'Ônibus 174', com a perspectiva do seqüestrador [do coletivo no Rio, Sandro Nascimento]".

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 4h36 PM

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Reforços para o blog

Aviso aos navegantes: a partir desta semana, o Ilustrada no Cinema passa a contar com dois ótimos colaboradores fixos, os críticos de cinema da Folha Sérgio Rizzo e Cássio Starling Carlos. Os dois, que já vinham escrevendo esporadicamente neste espaço, agora farão posts semanais sobre cinema. Rizzo escreverá às terças-feiras e estréia amanhã comentando um ensaio sobre Woody Allen lançado recentemente nos EUA. Os textos de Cássio sairão sempre às quintas.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h11 PM

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Livro de Philip Roth ganha versão no cinema

Livro de Philip Roth ganha versão no cinema

Por Silvana Arantes (em Berlim)

O romance “O Animal Agonizante”, de Philip Roth, ganhou uma versão cinematográfica dirigida pela catalã Isabel Coixet, que disputa o Urso de Ouro e foi exibida ontem no Festival de Berlim.

Rodado nos EUA, onde se passa a trama de Roth, “Elegy” (elegia) tem a espanhola Penélope Cruz no papel da estudante de literatura de origem cubana Consuela Castilla, que vive um romance com um professor 30 anos mais velho do que ela (Ben Kingsley). “Li o livro há seis anos e fiquei obcecada por ele. Passei esse tempo sonhando em interpretar Consuela e torcendo para que o filme saísse”, disse a atriz.

Roth não leu o roteiro (adaptado de seu livro por Nicholas Meyer), mas telefonou para Coixet na noite anterior ao início das filmagens, com um lembrete, segundo ela contou em Berlim. “Ele disse: ‘Lembre-se de que o corpo tem muito mais memórias do que o cérebro”.

A paixão por uma mulher jovem e bela faz o habitualmente seguro de si professor Kepesh temer a própria decadência física, enxergar os homens mais jovens como rivais insuperáveis e supor que será efêmero o interesse dela por ele.

Após uma crise no romance, Consuela, por sua vez, enfrenta um problema que a torna mais vulnerável do que Kepesh. “Acho que sentimentos desse tipo dependem de com quem você se relaciona. Algumas pessoas fazem você se sentir mais velho em meia hora, enquanto outras fazem você se sentir eterno”, disse Kingsley.

O concorrente iraniano ao Urso de Ouro, “Avaz-E Gonjeshk-Ha” (o canto dos pardais), de Majid Majidi, também estreou ontem. “Escolhi esse título pelo paradoxo que ele contém, já que os pardais não cantam”, disse Majidi. “São pássaros nada exigentes, satisfazem-se com um simples grão. Usei-os para representar o ser humano.”

O filme enfoca uma família da zona rural, cujo pai, depois de perder o emprego como tratador de avestruzes, tenta ganhar dinheiro trabalhando como condutor de moto-táxi em Teerã. “Avaz-E Gonjeshk-Ha” constrói-se como uma história edificante em que a ambição seda os valores humanistas e a solidariedade os recupera.

*

NOTAS BERLINENSES

El día que (no) me quieras
“Quando ninguém mais me aplaudir, entenderei que estou cantando mal e terei de parar. Por enquanto, dizem que estou cantando lindamente”, afirmou Juan Carlos Godoy, 85, um dos mestres do tango enfocados no documentário argentino “Café de los Maestros”, de Miguel Kohan, que estreou ontem na mostra Panorama.

No estaleiro
“Walter Salles não está aqui hoje, porque estava com 40 graus de febre e não pôde viajar”, contou na entrevista coletiva sobre “Café de los Maestros” a produtora argentina Lita Stantic, que foi parar no projeto a convite de Salles, co-produtor.

Buenos compañeros
Quem apresentou a Walter Salles a idéia de registrar em filme os decanos do tango argentino foi o músico Gustavo Santaolalla, vencedor de dois Oscars (“O Segredo de Brokeback Mountain”, “Babel”), que fez a trilha de “Diários de Motocicleta” para Salles. “Walter e eu desenvolvemos não apenas uma parceria profissional, mas uma boa amizade”, disse Santaolalla.

La tradutora soy yo
Na entrevista coletiva de “Elegy”, que transcorria em inglês, Penélope Cruz respondeu em espanhol, a pedido de uma jornalista de seu país, a pergunta sobre sua relação com a diretora Isabel Coixet e que diferença vê em ser dirigida por uma mulher.

Penélope lembrou que já foi dirigida por mulheres duas outras vezes, disse que admira o trabalho de Coixet e que não vê diferença alguma em ser dirigida por um homem ou uma mulher. Quando a atriz concluiu sua resposta, Coixet se apressou: “Deixa que eu traduzo para o inglês. Gente, ela disse que eu sou uma puta diretora genial”.

Dúvida cruel
“Firefleis in the Garden” (vaga-lumes no jardim), do estreante Dennis Lee, exibido fora de competição no sábado, levantou uma enorme interrogação: como a superestrela Julia Roberts foi parar num filme tão, mas tão fraco como esse? Ela não veio a Berlim promover o filme, e a pergunta ficou no ar.

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 12h53 PM

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O brilho de Berlim

Por Silvana Arantes (em Berlim)

Fatih Akin ("Contra a Parede"), Wolfgang Becker ("Adeus Lenin"), Daniel Brühl (idem), Martina Gedeck ("A Vida dos Outros"), Brian De Palma(dispensa apresentações) e Steven Soderbergh (idem) são alguns dos nomes que confirmaram presença na sessão de "Shine a Light" (foto), o filme de Martin Scorsese com os Rolling Stones, que abriu oficialmente o Festival de Berlim, agora há pouco (19h).

Estão todos vendo um ótimo filme, na minha modesta opinião. "Shine a Light" já foi exibido numa concorrida sessão para a imprensa, no início da tarde aqui (são três horas à frente em relação ao Brasil).

O documentário em torno de um show da banda dá a impressão de que Scorsese filmou com seriedade, mas descontraído e divertindo-se, que é exatamente o que ele disse que queria fazer, depois de "Os Infiltrados".

O show é intercalado com imagens de arquivo _entrevistas bizarras e matérias jornalísticas que lembram as detenções de Mick Jagger e Keith Richards_ e precedido por um documentário dentro do documentário, que mostra a preparação para as filmagens.

Do show (e do filme), uma das coisas que impressionam é a participação de Buddy Guy, cantando com Jagger "Champagne and Reefer". Guy é fotografado de um jeito que você entende por que Scorsese chama Bob Richardson de "o melhor fotógrafo do mundo". No palco, Jagger toca (gaita) enquanto Buddy Guy canta. Depois, Buddy Guy toca junto de Richards. Em todos os momentos, parece haver um diálogo entre os três, mediado pela música, mas também além dela. Acho que me compliquei nesta explicação. É daquelas coisas que, para entender, melhor vendo, porque se trata de uma sensação dada essencialmente pela imagem. Com as (minhas) palavras, não vai dar para explicar muito melhor. O curioso é que justamente na participação de Buddy Guy o filme se autocensura.

Quando ele está deixando o palco, Jagger se "despede", gritando ao microfone: "Buddy 'Mother Fucker' Guy". E aquela campainha _piiiiiiiii_ substitui o "mother fucker". Fica só a insinuação.

Sobre esse filme, Scorsese também disse que alguma coisa tinha acontecido nos últimos 20 minutos do show. Eles correspondem ao bis, quando a platéia está com-ple-ta-men-te nas mãos da banda, e Jagger não perde a chance de conduzi-la. Sem querer estragar muito, só vou dizer que termina com "(I Can't Get No) Satisfaction".

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 5h52 PM

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