Ilustrada no Cinema
 

Uma fraude chamada 'Johnny'

Uma fraude chamada 'Johnny'

Por Sylvia Colombo (da Reportagem Local)

A pior produção do cinema brasileiro desde a fraude de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", "Meu Nome Não É Johnny" atingiu nesta semana 1 milhão de espectadores no Brasil. É uma pena que, depois do show de roteiro e montagem de “Tropa de Elite”, um filme com a trama levada de modo tão arrastado e preguiçoso faça tanto sucesso. Era de se esperar pelo menos um pouco mais de rigor crítico por parte das platéias. 

Se o filme de Cao Hamburger procurava copiar as fórmulas de sucesso de filmes latino-americanos como “Kamchatka” ou “Machuca”, o de Mauro Lima descaradamente reúne ingredientes manjados da produção recente brasileira. Estão ali a malandragem carcerária de “Carandiru”, os horrores de uma prisão psiquiátrica de “Bicho de Sete Cabeças”, um banditismo nostálgico de “Cidade de Deus”, o encanto da violência e o “charme” do submundo urbano de filmes de Beto Brant.

A prática não se limita ao cinema nacional; "Johnny" absorve até elementos típicos de Quentin Tarantino. A certa altura, há um diálogo, conversa fiada, entre dois personagens que confundem Tarcísio Meira e Francisco Cuoco. Seria gracioso se não fosse uma verdadeira cópia de um recurso usado por Tarantino _sacar fantasmas do esquecimento e transformá-los em referência cult. A menção poderia ser um gesto carinhoso de reverência ao diretor norte-americano. Porém, num contexto de tantos pequenos plágios, a cena acaba virando só mais um deles.

“Meu Nome Não É Johnny” segue uma toada previsível. João Estrella é um garoto de classe média que era arruaceiro na infância e torna-se um adolescente revoltado após a separação dos pais. Num inocente encontro com amigos na praia, dá seu primeiro “pega”. E, do inocente baseado, logo se transforma em viciado em cocaína. Sem o apoio dos pais _a mãe, distante, e o pai, adoecido, com um apelativo câncer de pulmão_, João “se perde” nas drogas”. Dizer que essa trama é um exemplo de moralismo raso seria um chavão. Dá até preguiça.

Os falsos anos 80
A história se passa nos anos 80. E, para criar o clima dessa década, os recursos são os piores possíveis. Como se não bastasse João possuir um Passat e um punhado de gírias oitentistas surgirem a cada diálogo, tenta-se também criar, de um modo romântico e nostálgico, o contexto que produziu artistas como Cazuza. Adivinhe só, basta juntar rock, álcool, sexo e desesperança política, que o resultado imediato será a produção de sonhos e tragédias heróicas.

Só que tudo é tão mal-feito _o casting principalmente_, que essa idéia fracassa. O resultado é artificial não só porque os atores principais não conseguem entrar naturalmente no clima da época mas também porque os figurantes são ainda piores do que eles. Os convidados das festinhas de João Estrella, por exemplo, sempre aparecem rindo para a câmera. Até mesmo quando são expulsos depois do chilique da personagem de Cleo Pires (uma atração à parte de humor involuntário), ou, pior, quando o pai de João tem um ataque cardíaco fatal. Tudo embalado por clássicos da rebeldia classe média de então, com Titãs (“Polícia”, é claro) e outras faixas óbvias.

O clichê da salvação
E temos Cássia Kiss como juíza durona _cuja falta de envolvimento com o personagem só perde para Julia Lemmertz, incapaz de soltar uma lágrima convincente em cenas como a do julgamento que condena o filho. A juíza, no final, vê salvação no caso de João Estrella. Obviamente só porque ele é branco, sincero, tem um olhar de Selton Mello triste (irresistível, não?), e não parece de modo nenhum um bandido de verdade, negro e violento. Dizer que aqui está um outro clichê _seja da ficção, seja da vida real mesmo_ seria também fazer uma crítica repetitiva.

Cadê Selton Mello?
Por fim, onde está o excelente ator que protagonizou “Lavoura Arcaica”, a adaptação para o cinema do livro de Raduan Nassar? Apesar de, em “Meu Nome Não É Johnny”, Selton Mello ser exposto por todos os ângulos e com todas as expressões possíveis, não se vê ali nem um vestígio do talento que o ator demonstrou ao encarnar o atormentado André, do filme de Luiz Fernando Carvalho. É difícil adivinhar a que mais se presta o longa a não ser para abrir espaço para uma arrastada egotrip de Selton Mello.

Escrito por Sylvia Colombo às 6h38 PM

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Entrevista com Ridley Scott

Entrevista com Ridley Scott

 
O diretor Ridley Scott (à dir.) e o elenco de "O Gângster" 

Por Teté Ribeiro (Colaboração para a Folha, em Nova York)

Estréia hoje no Brasil "O Gângster", 17º longa-metragem da carreira do inglês Ridley Scott, trama sobre a ascensão ao poder em Nova York de Frank Lucas, maior traficante de heroína da cidade nos anos 70, protagonizado por Denzel Washington. À Folha, o diretor de "Blade Runner", "Alien" e "Thelma e Louise" falou sobre sua facilidade para trabalhar com Russell Crowe (com quem já fez outros dois filmes), sobre a influência de "Operação França", de William Friedkin, no novo longa, e sobre a dificuldade para realizar as mais de 300 cenas previstas no roteiro de Steven Zaillian. A seguir, a íntegra da entrevista, realizada em duas partes, a primeira em Los Angeles e a segunda em Nova York, um mês depois.

Folha - Por que essa obsessão com o Russell Crowe?
Ridley Scott -
Não tenho a menor idéia. Talvez tenha alguma coisa a ver com a cultura, eu sou inglês, e o Russell é parte australiano, parte neozelandês. E nós dois somos muito diretos, falamos o que pensamos. Desde “Gladiador” acabamos ficando amigos, aí fica tudo mais fácil. No meu trabalho você perde muito tempo tentando conhecer o ator, para pode tirar dele o melhor personagem possível. Com o Russell, hoje em dia, essa parte está resolvida. E ele é obviamente um dos melhores atores do cinema, então por que não?

Folha - O que acontece quando vocês não concordam com alguma coisa? Você como diretor consegue impor sua decisão a uma pessoa tão cheia de opiniões como ele?
Scott - Nem sempre. Mas as brigas são sempre boas (risos). Ele é um ótimo ouvinte. Pode não concordar com você, mas nunca deixa de ouvir e tentar entender o seu ponto de vista.

Folha - Sentiu diferença em trabalhar com dois protagonistas, sendo um seu grande conhecido e outro em sua primeira colaboração com você?
Scott - Pessoalmente sim, mas profissionalmente não. Os dois são atores que fazem lição de casa, que estudam o personagem, decoram as falas e pensam em como vão andar, falar, agir. Aí é fácil dirigir. Bons atores conhecem bem seus personagens, amadores acreditam que o talento vai trazer uma idéia brilhante na última hora. E idéias brilhantes só costumam aparecer em quem está completamente à vontade com o material que têm.

Folha - E você, o quanto se prepara?
Scott - Eu também faço minha lição de casa direitinho. E tenho mais de 40 anos como diretor, portanto, posso confiar um pouco mais nos meus instintos hoje em dia. Eu sei que vou escolher os melhores lugares para botar as câmeras no set mesmo se nunca tiver visto o set. E acho que posso dizer sem parecer presunçoso que sei iluminar uma cena para ter o clima que eu quero que tenha. Mas, sem intimidade com o material, sem ler o texto mil vezes, sem estudar cada cena mil vezes, não há instinto que salve um diretor.

Folha - Você acha que o fato de ser de outro lugar facilitou de alguma forma o seu jeito de entender e mostrar o Harlem?
Scott - Acho que sim. Quando você mora em um lugar, raramento o vê. Você se acostuma tanto a ele que não enxerga os aspectos mais interessantes, fica menos sensível aos detalhes do lugar. Eu moro nos Estados Unidos grande parte do tempo há muitos anos, meu escritório é em Los Angeles, mas tento manter meu olhar tão fresco quanto era quando cheguei neste país pela primeira vez. E ainda sou muito um inglês, isso não sai tão fácil assim de uma pessoa.

Folha - E que Nova York você prefere, a de hoje, que é segura, cara, ou a dos anos 60, talvez mais criativa, mas mais perigosa?
Scott - Eu gosto mais da de hoje em dia. Um lugar não seguro é muito interessante no cinema e nas fotos, mas para viver e trabalhar é chato. E até o Giuliani era um inferno. Hoje em dia acho que é a cidade mais importante do mundo e a mais segura entre as maiores.

Folha - Mas empobreceu culturalmente, não? Os artistas iniciantes que moravam em Nova York nos anos 60, 70, não conseguiriam viver na cidade nos dias de hoje.
Scott - Pode ser, mas a TV tem mais culpa nisso do que o Giuliani (risos). E o avanço da tecnologia deu uma banalizada no entretenimento, eu vejo as pessoas com seus iPods minúsculos vendo filmes que foram feitos para ser vistos no cinema e acho o fim do mundo. Não é possível que as pessoas não tenham nada melhor para fazer do que assistir um filme numa tela de 2 cm por 4 cm. Me falaram que é muito útil e tal, e eu sei que devo parecer um velho gagá falando isso, mas nada me convence que um aparelho tão pequeno possa servir como tela de cinema.

Folha - Foi muito difícil fazer a transição da publicidade para o cinema? E é verdade que todo publicitário sonha em ser cineasta?
Scott - A publicidade foi minha escola de cinema. Fiz mais de 2.000 comerciais antes de começar a fazer cinema, e no mundo inteiro. Então foi muito fácil, enfrentei muitos problemas no set que depois apareceram em outras formas nos filmes que eu dirigi. E acho que sim, todo publicitário quer ser cineasta, pelo menos no começo. Tem gente que acaba se apaixonando por aquela linguagem mais rápida e não se sente frustrado em dedicar sua vida a vender o produto dos outros. Mas eu não seria feliz fazendo só isso.

Folha - Você produz muito mais do que dirige hoje em dia. O que te faz escolher uma história para dirigir?
Scott - O que eu leio. Tenho que me apaixonar perdidamente pelo roteiro, senão não tenho energia para todo o trabalho que vem pela frente. Para produzir vale um tesão passageiro, porque sei que não vou ser obrigado a passar um ano só pensando naquele assunto. Mas, quando me apaixono, me apaixono mesmo, profundamente, por isso costumo produzir todos os filmes que eu dirijo.

Folha - Você se dá melhor com dramas que com comédias…
Scott - E você quer saber por que meu último filme (“Um Bom Ano”, também com Russell Crowe) foi um fracasso, não é? Não sei. O pior é que vivo ouvindo de outros atores e de jornalistas que me entrevistam como eles gostaram do filme. Isso me deixa louco. Por que não avisaram os amigos, por que não levaram uma caravana aos cinemas? Por que não escreveram mais sobre ele?

Folha - Uma das informações mais chocantes de “O Gangster” é o uso dos aviões do Exército para transporte de heroína. Mas isso não é muito bem explicado no filme. Como a CIA não ficou sabendo? E quantos soldados e capitães do Exército estavam envolvidos?
Scott -
Isso seria outro filme! A história é complicada, não teria como contar sem banalizar, e o filme já conta duas histórias, não teria como entrar em uma terceira. Mas é óbvio que a CIA também estava envolvida, e que vários soldados, pilotos, capitães estavam envolvidos. Era uma outra quadrilha, uma outra máfia.

Folha - E algum deles foi processado quando Frank finalmente foi preso e decidiu entregar os policiais corruptos?
Scott -
Não, ninguém do Exército foi julgado por isso. O processo do Frank foi centrado na polícia de Nova York e nos traficantes que operavam na cidade. E pelo mesmo motivo que eu não entrei nessa história no filme. Se o processo envolvesse a CIA e o Exército, não ia durar os dois meses que durou, mas sim décadas. E o que o Ritchie Roberts queria era limpar a polícia e prender mais traficantes.

Folha - Como está o Frank Lucas hoje em dia?
Scott - Não muito bem, ele precisa de uma cadeira de rodas para se movimentar, tem uma forma muito severa de artrite. Ele está feliz e entusiasmado com o sucesso do filme, mas não está em sua melhor forma. Ele ama o filme e ama falar sobre os seus dias de glória, ele tem muita saudade do dinheiro e do poder.

Folha - Ele tem algum dinheiro?
Scott - Aparentemente não. Ele vive quase como um mendigo hoje em dia. Mas a família continua em volta dele, e ele foi ao set quase todos os dias, então pelo menos alguma pensão ele deve ter. Eu não perguntei, não entrei em detalhes. A gente queria saber muito sobre o passado dele, mas quase nada sobre o presente. 

Folha - E ele se arrepende de alguma coisa?
Scott - Não. De nada. Eu fiz essa mesma pergunta, e ele me olhou com cara de assustado e perguntou: "O que eu teria para me arrepender?".

Folha - Tem uma fala no filme que poderia explicar pelo menos uma coisa que o Frank Lucas teria para se arrepender: de não ter desistido do negócio antes de ser pego. É o produtor de heroína asiático que diz “sair no auge não é a mesma coisa que desistir”. Essa fala não é do Frank, então?
Scott - Não, essa frase é do Steven Zaillian, o roteirista do filme, que é brilhante. Ninguém teria a ousadia de fazer essa sugestão para o Frank daquela época. Talvez a mãe dele, que era muito próxima, mas ela não queria saber de onde vinha todo o dinheiro do filho. A mulher devia saber, mas também não discutia o trabalho do marido. Esse roteiro é das melhores coisas que eu li nos últimos anos.

Folha - O filme tem quase três horas, dois personagens principais e dezenas de coadjuvantes mas não é complicado de entender, você não sai se perguntando quem é quem, o que um personagem quis dizer com isso ou aquilo. É tudo mérito do roteiro?
Scott -
Não, peraí, eu também tenho mérito nisso. Foi um pesadelo dirigir esse filme, tem mais de 300 cenas, em mais de 100 locações, uma edição toda picotada. Por isso mesmo eu trabalhei muito na pré e na pós-produção, para não parecer uma colagem de videoclipes, o que acho insuportável, mas também para o espectador não perder interesse em uma história enquanto estivesse assistindo a partes da outra. E para se relacionar de alguma forma com os personagens secundários também, para não ficar a história de dois homens fortes e um bando de gente sem características em volta, o que acontece muito em filmes assim.

Folha - Que avaliação você faz deste filme?
Scott - Estou muito feliz com o resultado, acho que é um bom filme. Mas não é “Shrek”, ou um desses filmes de família, feitos para agradar todo mundo. “O Gângster” é um filme de gente grande, com problemas sérios, soluções difíceis. Acho que vai dar tudo certo. E esta é uma resposta muito britânica, muito subestimada (risos).

Folha - O Francis Ford Coppola, que dirigiu o filme de gângster mais famoso do mundo, foi muito questionado na época por glorificar a imagem do mafioso. Você espera uma reação parecida com essa ao seu gângster?
Scott - Acho que o que foi glorificado no caso do Don Corleone foi seu respeito às suas tradições. Parecia um filme sobre uma família real, não uma família de criminosos. O jeito como o Coppola decidiu filmar “O Poderoso Chefão” é muito grandioso, quase como uma ópera. Não estou criticando, só apontando um estilo, que não é o meu estilo. Para o meu filme, minhas inspirações vieram mais de “Operação França”. No meu filme a violência do personagem principal aparece muito mais, está sempre claro que ele pode explodir a qualquer momento, então imagino que isso tire um pouco dessa aura muito pomposa dos criminosos do filme do Coppola.

Folha - E essa é a versão final do filme? Ou em 25 anos nós vamos assistir à versão do diretor de “O Gângster”?
Scott - (Risos) O filme é esse, essa é a minha versão. Isso não acontece mais comigo. Em “Blade Runner”, que agora está sendo lançado com a versão que eu queria desde o começo, eu não era produtor e estava começando a carreira de diretor, não tive como não ceder às pressões do estúdio. Por isso, neste ano, que é o aniversário de 25 anos do filme, decidi comemorar com o lançamento da minha versão definitiva.

Folha - Mas e a versão definitiva que foi lançada 5 anos atrás?
Scott - Aquela segunda edição foi feita meio às pressas. Todo mundo sabia que o final do filme tinha sido alterado, mas ninguém tinha visto a versão original. Quando o estúdio resolveu lançar a versão do diretor, eu estava ocupado com outros projetos e não tive tempo de procurar todos os takes que queria incluir, então só alteramos o final. Mas eu não fiquei satisfeito, aquele é um filme muito importante para mim, provavelmente o que mais me marcou, por tudo que deu certo e por tudo que deu errado, então quis refazer, desta vez com tempo e com dedicação.

Folha - Então esta é a versão definitiva de “Blade Runner”?
Scott - É. Esse é o filme que eu queria ter lançado em 1982.

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A seguir, o trailer de "O Gângster".

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Leia mais (assinantes UOL ou Folha):
Crítica de "O Gângster", por Pedro Butcher

Escrito por Teté Ribeiro às 4h26 AM

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'Johnny' é o primeiro sucesso nacional de 2008

'Johnny' é o primeiro sucesso nacional de 2008

 

Está consolidado o primeiro sucesso de público do cinema nacional em 2008. Depois de bons números em três semanas e meia em cartaz, "Meu Nome Não É Johnny" ultrapassou ontem à noite a marca de 1 milhão de espectadores no país e entrou para um grupo bem restrito. No ano passado, por exemplo, apenas três longas brasileiros atraíram mais de 1 milhão de pessoas aos cinemas: "Tropa de Elite", "A Grande Família, o Filme" e "Xuxa Gêmeas".

Como ainda está em cartaz em mais de 170 salas do país, o filme estrelado por Selton Mello tem boas chances de repetir (ou superar) o desempenho de "Tropa", que fez 2,4 milhões ao longo de três meses. De quebra, o sucesso do filme catapultou as vendas do livro homônimo de Guilherme Fiúza, que entrou para as listas de mais vendidos.

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Um jeito simpático de homenagear SP
"O Signo da Cidade" estréia hoje em São Paulo com ingressos promocionais a R$ 1. O valor simbólico é uma forma inteligente e simpática de homenagear o aniversário da cidade _os produtores, ao que parece, apostam que a estréia baratinha encherá as 11 salas da capital e que o bom desempenho neste primeiro dia ajudará no boca-a-boca positivo do filme, bem-recebido no último Festival do Rio.

Dirigido por Carlos Alberto Riccelli, escrito e estrelado por Bruna Lombardi e ambientado em São Paulo, "O Signo" poderá ser visto amanhã por R$ 1 nas seguintes salas: ABC Plaza Shopping 8, Bristol 7, Cine TAM/Sala Nova York, Frei Caneca Unibanco Arteplex 4, HSBC Belas Artes/Sala Villa-Lobos, Interlar Aricanduva 7, Jardim Sul 2, Market Place Cinemark 5, Metrô Tatuapé 3, Shopping D 8 e Villa-Lobos 2.

Mas aproveite, porque é só amanhã. A partir de sábado, você terá de pagar os tradicionais preços exorbitantes se quiser ver "O Signo da Cidade".

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Palma de Ouro em SP: só em projeção digital
Muito aguardado desde que venceu a Palma de Ouro em Cannes no ano passado, "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" finalmente estréia nesta sexta. Mas vale um aviso aos navegantes: ao menos em São Paulo, o longa só será exibido em projeção digital _a boa e velha película foi esquecida nas três salas em que "4 Semanas" estará em cartaz.

Sorte de quem pôde ver o filme do romeno Cristian Mungiu em película, na última Mostra ou no Festival do Rio. Porque, como sabemos, o sistema digital utilizado por grande parte do circuito exibidor brasileiro está a anos-luz do equipamento de ponta usado lá fora e ainda é muito inferior à qualidade da projeção tradicional.

Ainda bem que, ao menos em São Paulo, o excelente "Paranoid Park", de Gus Van Sant, terá apenas uma sala com projeção digital e outras seis com película.

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Heath Ledger, o poeta viciado
Fãs cariocas de Heath Ledger podem ver nos próximos dias um longa inédito do ator no circuito comercial do Rio de Janeiro. É "Candy", do diretor australiano Neil Armstrong, em que Ledger interpreta um poeta viciado em heroína. O longa passa nesta sexta, às 16h, e no dia 31, às 19h. Sempre no CCBB carioca.

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Amanhã tem mais
Quem se der ao trabalho de passar por aqui amanhã poderá ler uma entrevista com Ridley Scott, feita por Teté Ribeiro. O diretor de "Blade Runner" fala sobre "O Gângster", seu novo longa, que estréia nesta sexta no país.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h16 PM

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Estúdios x independentes

Estúdios x independentes

Ótimo vídeo, tirado do blog Awards Daily.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h01 PM

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Palpites para o Oscar 2008

Palpites para o Oscar 2008

O Oscar divulgou nesta manhã suas indicações, e o blog já aciona sua bola de cristal paraguaia para apontar favoritos e prováveis vencedores nas principais categorias. Aos palpites:

Melhor filme
A disputa deve ficar entre “Onde os Fracos não Têm Vez” e “Sangue Negro”, os dois com o maior número de indicações (oito) e que tiveram até agora o melhor desempenho na temporada de prêmios nos EUA. "Desejo e Reparação" e "Conduta de Risco" correm por fora, e "Juno" é a "Pequena Miss Sunshine" de 2008 _independente, simpático, divertido, mas não tem a força de seus adversários.

Melhor diretor
Os irmãos Coen (“Onde os Fracos Não Têm Vez”) são a melhor aposta, mas Julian Schnabel (“O Escafandro e a Borboleta”) e Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”) não podem ser descartados.

Melhor ator
Daniel Day-Lewis (“Sangue Negro”)  é a grande barbada do Oscar. Só Johnny Depp (“Sweeney Todd") ameaça, mas a quilômetros de distância.
 
Melhor ator coadjuvante
Outra barbada: Javier Bardem (“Onde os Fracos Não Têm Vez”, foto acima). 
 
Melhor atriz
A disputa deve ficar entre Julie Christie (“Longe Dela”) e Marion Cotillard (“Piaf – um Hino ao Amor”), com ligeira vantagem para a primeira.

Melhor atriz coadjuvante
Cate Blanchett concorre tanto como melhor atriz quanto como coadjuvante. Deve ficar com o prêmio nesta categoria por "I'm Not There". 
 
Melhor longa de animação
“Ratatouille”. Os ratinhos não devem ter dificuldade para bater "Persépolis" e "Tá Dando Onda".
 
Melhor filme em língua estrangeira
“The Counterfeiters”, de Stefan Ruzowitzky. O filme austríaco tem os elementos que a Academia gosta: episódio inspirado em fatos reais, judeus, nazistas.  
 
Melhor roteiro original
Se na disputa por melhor filme “Juno” e “Conduta de Risco" são azarões, aqui são os grandes favoritos. Diablo Cody, autora de "Juno", é uma boa aposta.

Melhor roteiro adaptado
Aqui a bola de cristal paraguaia embaça, mas parece mostrar um ligeiro favoritismo para "Onde os Fracos Não Têm Vez".

Escrito por Leonardo Cruz às 1h25 PM

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Conheça os 5 filmes que superaram 'O Ano'

Conheça os 5 filmes que superaram 'O Ano'

Como você já deve saber, "O Ano" não é Brasil no Oscar. Enrole a bandeira, guarde a camisa da seleção na gaveta e deixe as esperanças ufanistas para 2009 (com "Tropa de Elite", quem sabe?). A seguir, um breve perfil e o trailer de cada um dos cinco filmes que ficaram com as indicações para melhor estrangeiro. Não só tiraram o longa de Cao Hamburger como também deixaram para trás dois diretores veteranos e premiados: Denys Arcand, que concorria com "A Era da Inocência", e Giuseppe Tornatore, com "A Desconhecida".

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“The Counterfeiters” (os falsários), de Stefan Ruzowitzky (Áustria)
Presos pelo regime nazista, um famoso escroque judeu e um grupo de profissionais com habilidades manuais são forçados a produzir moeda falsa, a ser usada pelo Reich. Baseado num episódio real, foi bem-recebido pela imprensa americana no Festival de Berlim do ano passado. Tem boas chances de levar o prêmio da Academia neste ano.

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“Beaufort”, de Joseph Cedar (Israel)
Pelotão de jovens soldados israelenses é encarregado de explodir o forte Beaufort, ato que marca o fim da retirada do exército israelense do Líbano. O filme deu a Cedar o prêmio de melhor direção no Festival de Berlim no ano passado.

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“Mongol”, de Sergei Bodrov (Cazaquistão)
Biografia da juventude de Genghis Khan, que viveu como escravo antes de se tornar conquistador de um império, que se estendeu da Coréia à Hungria. Sergei Bodrov já havia sido indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1996, com "Prisioneiro das Montanhas".

“Katyn”, de Andrzej Wajda (Polônia)
A história do massacre de milhares de poloneses prisioneiros de guerra cometido pelo serviço secreto russo, em 1940. Aos 81 anos, o veterano Wajda já levou um Oscar honorário em 2000 e foi indicado em outras três ocasiões. O resgate de um importante episódio histórico tem tudo para agradar aos votantes da Academia.

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“12”, de Nikita Mikhalkov (Rússia)
Doze homens são encarregados de julgar uma adolescente tchetchena suspeita de matar o padrasto russo. Remake de “Doze Homens e uma Sentença” (1957). Terceira indicação de Mikhalkov, que já venceu em 1994 com "O Sol Enganador".

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E você? O que achou das indicações de melhor filme estrangeiro?

Escrito por Leonardo Cruz às 12h39 PM

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O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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