Ilustrada no Cinema

 

 

Fuja do Carnaval! Vá ao cinema!

Fuja do Carnaval! Vá ao cinema!

Vai ficar em São Paulo no Carnaval? Tem alergia a confete, bailes e escolas de samba? Não sofra! Aqui vai um roteiro para você passar algumas boas horas no cinema durante o feriado prolongado.

SEXTA
Tim Burton no Belas Artes! O cinema da Consolação faz mais um Noitão, sua tradicional maratona de filmes madrugada adentro. O programa começa à meia-noite com "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (foto), em que Burton adapta musical sobre a vingança de um barbeiro injustamente condenado à prisão. Como sempre, Johnny Depp é o protagonista. Como sempre, Helena Bonham Carter faz o principal papel feminino. O Noitão prossegue com "XXY", longa da argentina Lucía Puenzo, prêmio da Semana da Crítica em Cannes-2007, e com um filme-surpresa. Quando o Sol rair, o maratonistas terão direito a café da manhã.

*

SÁBADO
O final de semana pode ser totalmente dedicado ao cinema nacional. No sábado, no centro da cidade, a mostra Cine Olido Brasil continua a exibir filmes produzidos em São Paulo a partir de 1990. São três longas tão interessantes quanto diversos em estilo e temática: às 15h, "Quanto Vale ou É Por Quilo" (foto), de Sérgio Bianchi; às 17h, "Sábado", de Ugo Giorgetti; e às 19h30, "Antônia", de Tata Amaral. Tudo de graça.

*

DOMINGO
No domingo, ainda com o cinema brasileiro em foco, a mostra Cinemateca SP apresenta longas que têm a capital paulista como tema ou cenário. Espaço para "A Via Láctea", de Lina Chamie, às 17h; "Não Por Acaso" (foto), de Philippe Barcinski, às 19h; e "Bem-Vindo a São Paulo", de Leon Cakoff, às 21h.

*

SEGUNDA
Tire o dia para ver os longas do Oscar. Dos cinco indicados a melhor filme, quatro já aportaram nos cinemas paulistanos. Comece, claro, pelo grande favorito: "Onde os Fracos Não Têm Vez" tem sessões em 16 salas; no Cine UOL Lumière, por exemplo, passa às 14h, 16h30, 19h e 21h30. Em cartaz desde o final do ano passado, "Conduta de Risco" ainda está em seis salas; no SP Market 5 é exibido às 13h25, 16h, e 21h.  "Desejo e Reparação" pode ser visto em sete cinemas, incluindo o Reserva Cultural 3, às 16h20, 18h50 e 21h20. Por último, a comédia teen "Juno" (foto), de Jason Reitman, tem pré-estréias em 17 salas, como o Frei Caneca Arteplex 6, onde passa às 17h40.

*

TERÇA
Se você conseguiu assistir a todos os filmes do Oscar ontem (e ainda tem energia), há boas opções "escondidas" no circuito paulistano. São filmes que estão em apenas uma sala ou duas salas, às vezes em só um horário, mas que merecem atenção. É o caso de dois nacionais: o documentário "O Engenho do Zé Lins" (foto), de Vladimir Carvalho, sobre o escritor paraibano, e o drama "A Casa de Alice", estréia de Chico Teixeira na ficção. O primeiro passa às 13h no Reserva Cultural 1. O segundo, às 15h, no HSBC Belas Artes. Também são ótimas pedidas "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, no Espaço Unibanco 5, às 16h40, e "Medos Privados em Lugares Públicos", de Alain Resnais, no Belas Artes, às 21h.

*

QUARTA
Se este roteiro começou com um "Barbeiro Demoníaco", é justo que acabe com um assassino em série. "The Great American Snuff Film" inaugura a Sessão do Comodoro em 2008, programa mensal organizado pelo cineasta Carlos Reichenbach. "GASF", de Sean Tretta, é a adaptação para o cinema da história do serial killer William Allen Grone, filmada, nas palavras de Reichenbach, "de maneira seca, quase tosca, muito distante da sofisticação dos produtos comercias de Hollywood, por isso mesmo muito mais realista e violento". É de graça, às 21h30, no Cinesesc.

Ainda na quarta, um pouco mais cedo, às 17h, o Cine Olido Brasil apresenta "Serras da Desordem", de Andrea Tonacci, um dos melhores longas brasileiros de 2006, ainda inédito em circuito comercial.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h57 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

A vez dos mais fortes

A vez dos mais fortes

 
Josh Brolin recebe o prêmio do sindicato dos atores
em nome do elenco de "Onde os Fracos Não Têm Vez"

Um final de semana para consolidar favoritismos. Os anúncios dos prêmios do Directors Guild of America (o sindicato dos diretores) e do Screen Actors Guild (a associação dos atores) fortaleceu ainda mais cineastas e intérpretes que já estavam no topo das apostas para o Oscar deste ano.

No sábado, o DGA concedeu seu principal prêmio a Joel e Ethan Coen, pela direção de “Onde os Fracos Não Têm Vez”, superando Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”), Tony Gilroy (“Conduta de Risco”), Sean Penn (“Na Natureza Selvagem”) e Julian Schnabel (“O Escafandro e a Borboleta”). A cerimônia do DGA é sem dúvida um bom termômetro do que deve acontecer em 24 de fevereiro _dos últimos 59 premiados pelo sindicato, 53 venceram o Oscar de melhor direção, inclusive Martin Scorsese no ano passado.

Ontem à noite, o elenco de “Onde os Fracos Não Têm Vez” foi eleito o melhor do ano pelo SAG, fortalecendo ainda mais as chances do longa para o principal prêmio da Academia _conquistar o voto da maioria dos intérpretes pode ser decisivo para ficar com a estatueta de melhor filme, pois, dos 5.830 eleitores do Oscar, 1.251 são atores.

O prêmio do SAG ainda reafirmou duas barbadas para o Oscar: Daniel Day-Lewis como melhor ator por “Sangue Negro” e Javier Bardem como melhor ator coadjuvante por “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Na categoria melhor atriz, o SAG escolheu Julie Christie, por seu papel em “Longe Dela”, sinal de que a britânica está alguns metros à frente da francesa Marion Cotillard na corrida pelo Oscar da categoria.

Se em muitas de suas principais categorias o Oscar parece caminhar para um resultado previsível, o prêmio do SAG deixou claro que ao menos o Oscar de atriz coadjuvante será bastante disputado. Ontem, Ruby Dee venceu por seu papel em “O Gângster”, deixando para trás a vencedora do Globo de Ouro na categoria, Cate Blanchett, e Amy Ryan, indicada a vários prêmios na temporada por “Medo da Verdade”.

Mas o mais interessante da noite foi o discurso do ator Josh Brolin ao aceitar o prêmio pelo elenco de “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Em menção ao impasse da greve dos roteiristas e ao êxito dos diretores na negociação com os estúdios, Brolin disse que este ano representa “uma cornucópia de mudança”. “E os estúdios estão implodindo, o que é divertido para nós atores.” Além de marcar sua posição política, Brolin ainda chamou os irmãos Coen de “freaky little people”.

*

Michel Gondry na Ilustrada
A Ilustrada de hoje publica um ótimo material sobre o cineasta francês Michel Gondry. Em entrevista a Marco Aurélio Canônico, o diretor de "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" analisa seus dois últimos lançamentos, "Sonhando Acordado" (2006) e "Be Kind Rewind" (2008), e fala sobre o recém-filmado "Tôkyô!". Acompanha a entrevista uma análise da obra do diretor, por Marcelo Rezende, editor da revista "Bravo!" e autor do livro "Ciência do Sonho - A Imaginação Sem Fim do Diretor Michel Gondry". Assinantes do UOL ou da Folha podem ler a entrevista e a análise aqui.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h12 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Uma fraude chamada 'Johnny'

Uma fraude chamada 'Johnny'

Por Sylvia Colombo (da Reportagem Local)

A pior produção do cinema brasileiro desde a fraude de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", "Meu Nome Não É Johnny" atingiu nesta semana 1 milhão de espectadores no Brasil. É uma pena que, depois do show de roteiro e montagem de “Tropa de Elite”, um filme com a trama levada de modo tão arrastado e preguiçoso faça tanto sucesso. Era de se esperar pelo menos um pouco mais de rigor crítico por parte das platéias. 

Se o filme de Cao Hamburger procurava copiar as fórmulas de sucesso de filmes latino-americanos como “Kamchatka” ou “Machuca”, o de Mauro Lima descaradamente reúne ingredientes manjados da produção recente brasileira. Estão ali a malandragem carcerária de “Carandiru”, os horrores de uma prisão psiquiátrica de “Bicho de Sete Cabeças”, um banditismo nostálgico de “Cidade de Deus”, o encanto da violência e o “charme” do submundo urbano de filmes de Beto Brant.

A prática não se limita ao cinema nacional; "Johnny" absorve até elementos típicos de Quentin Tarantino. A certa altura, há um diálogo, conversa fiada, entre dois personagens que confundem Tarcísio Meira e Francisco Cuoco. Seria gracioso se não fosse uma verdadeira cópia de um recurso usado por Tarantino _sacar fantasmas do esquecimento e transformá-los em referência cult. A menção poderia ser um gesto carinhoso de reverência ao diretor norte-americano. Porém, num contexto de tantos pequenos plágios, a cena acaba virando só mais um deles.

“Meu Nome Não É Johnny” segue uma toada previsível. João Estrella é um garoto de classe média que era arruaceiro na infância e torna-se um adolescente revoltado após a separação dos pais. Num inocente encontro com amigos na praia, dá seu primeiro “pega”. E, do inocente baseado, logo se transforma em viciado em cocaína. Sem o apoio dos pais _a mãe, distante, e o pai, adoecido, com um apelativo câncer de pulmão_, João “se perde” nas drogas”. Dizer que essa trama é um exemplo de moralismo raso seria um chavão. Dá até preguiça.

Os falsos anos 80
A história se passa nos anos 80. E, para criar o clima dessa década, os recursos são os piores possíveis. Como se não bastasse João possuir um Passat e um punhado de gírias oitentistas surgirem a cada diálogo, tenta-se também criar, de um modo romântico e nostálgico, o contexto que produziu artistas como Cazuza. Adivinhe só, basta juntar rock, álcool, sexo e desesperança política, que o resultado imediato será a produção de sonhos e tragédias heróicas.

Só que tudo é tão mal-feito _o casting principalmente_, que essa idéia fracassa. O resultado é artificial não só porque os atores principais não conseguem entrar naturalmente no clima da época mas também porque os figurantes são ainda piores do que eles. Os convidados das festinhas de João Estrella, por exemplo, sempre aparecem rindo para a câmera. Até mesmo quando são expulsos depois do chilique da personagem de Cleo Pires (uma atração à parte de humor involuntário), ou, pior, quando o pai de João tem um ataque cardíaco fatal. Tudo embalado por clássicos da rebeldia classe média de então, com Titãs (“Polícia”, é claro) e outras faixas óbvias.

O clichê da salvação
E temos Cássia Kiss como juíza durona _cuja falta de envolvimento com o personagem só perde para Julia Lemmertz, incapaz de soltar uma lágrima convincente em cenas como a do julgamento que condena o filho. A juíza, no final, vê salvação no caso de João Estrella. Obviamente só porque ele é branco, sincero, tem um olhar de Selton Mello triste (irresistível, não?), e não parece de modo nenhum um bandido de verdade, negro e violento. Dizer que aqui está um outro clichê _seja da ficção, seja da vida real mesmo_ seria também fazer uma crítica repetitiva.

Cadê Selton Mello?
Por fim, onde está o excelente ator que protagonizou “Lavoura Arcaica”, a adaptação para o cinema do livro de Raduan Nassar? Apesar de, em “Meu Nome Não É Johnny”, Selton Mello ser exposto por todos os ângulos e com todas as expressões possíveis, não se vê ali nem um vestígio do talento que o ator demonstrou ao encarnar o atormentado André, do filme de Luiz Fernando Carvalho. É difícil adivinhar a que mais se presta o longa a não ser para abrir espaço para uma arrastada egotrip de Selton Mello.

Escrito por Sylvia Colombo às 6h38 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

Entrevista com Ridley Scott

Entrevista com Ridley Scott

 
O diretor Ridley Scott (à dir.) e o elenco de "O Gângster" 

Por Teté Ribeiro (Colaboração para a Folha, em Nova York)

Estréia hoje no Brasil "O Gângster", 17º longa-metragem da carreira do inglês Ridley Scott, trama sobre a ascensão ao poder em Nova York de Frank Lucas, maior traficante de heroína da cidade nos anos 70, protagonizado por Denzel Washington. À Folha, o diretor de "Blade Runner", "Alien" e "Thelma e Louise" falou sobre sua facilidade para trabalhar com Russell Crowe (com quem já fez outros dois filmes), sobre a influência de "Operação França", de William Friedkin, no novo longa, e sobre a dificuldade para realizar as mais de 300 cenas previstas no roteiro de Steven Zaillian. A seguir, a íntegra da entrevista, realizada em duas partes, a primeira em Los Angeles e a segunda em Nova York, um mês depois.

Folha - Por que essa obsessão com o Russell Crowe?
Ridley Scott -
Não tenho a menor idéia. Talvez tenha alguma coisa a ver com a cultura, eu sou inglês, e o Russell é parte australiano, parte neozelandês. E nós dois somos muito diretos, falamos o que pensamos. Desde “Gladiador” acabamos ficando amigos, aí fica tudo mais fácil. No meu trabalho você perde muito tempo tentando conhecer o ator, para pode tirar dele o melhor personagem possível. Com o Russell, hoje em dia, essa parte está resolvida. E ele é obviamente um dos melhores atores do cinema, então por que não?

Folha - O que acontece quando vocês não concordam com alguma coisa? Você como diretor consegue impor sua decisão a uma pessoa tão cheia de opiniões como ele?
Scott - Nem sempre. Mas as brigas são sempre boas (risos). Ele é um ótimo ouvinte. Pode não concordar com você, mas nunca deixa de ouvir e tentar entender o seu ponto de vista.

Folha - Sentiu diferença em trabalhar com dois protagonistas, sendo um seu grande conhecido e outro em sua primeira colaboração com você?
Scott - Pessoalmente sim, mas profissionalmente não. Os dois são atores que fazem lição de casa, que estudam o personagem, decoram as falas e pensam em como vão andar, falar, agir. Aí é fácil dirigir. Bons atores conhecem bem seus personagens, amadores acreditam que o talento vai trazer uma idéia brilhante na última hora. E idéias brilhantes só costumam aparecer em quem está completamente à vontade com o material que têm.

Folha - E você, o quanto se prepara?
Scott - Eu também faço minha lição de casa direitinho. E tenho mais de 40 anos como diretor, portanto, posso confiar um pouco mais nos meus instintos hoje em dia. Eu sei que vou escolher os melhores lugares para botar as câmeras no set mesmo se nunca tiver visto o set. E acho que posso dizer sem parecer presunçoso que sei iluminar uma cena para ter o clima que eu quero que tenha. Mas, sem intimidade com o material, sem ler o texto mil vezes, sem estudar cada cena mil vezes, não há instinto que salve um diretor.

Folha - Você acha que o fato de ser de outro lugar facilitou de alguma forma o seu jeito de entender e mostrar o Harlem?
Scott - Acho que sim. Quando você mora em um lugar, raramento o vê. Você se acostuma tanto a ele que não enxerga os aspectos mais interessantes, fica menos sensível aos detalhes do lugar. Eu moro nos Estados Unidos grande parte do tempo há muitos anos, meu escritório é em Los Angeles, mas tento manter meu olhar tão fresco quanto era quando cheguei neste país pela primeira vez. E ainda sou muito um inglês, isso não sai tão fácil assim de uma pessoa.

Folha - E que Nova York você prefere, a de hoje, que é segura, cara, ou a dos anos 60, talvez mais criativa, mas mais perigosa?
Scott - Eu gosto mais da de hoje em dia. Um lugar não seguro é muito interessante no cinema e nas fotos, mas para viver e trabalhar é chato. E até o Giuliani era um inferno. Hoje em dia acho que é a cidade mais importante do mundo e a mais segura entre as maiores.

Folha - Mas empobreceu culturalmente, não? Os artistas iniciantes que moravam em Nova York nos anos 60, 70, não conseguiriam viver na cidade nos dias de hoje.
Scott - Pode ser, mas a TV tem mais culpa nisso do que o Giuliani (risos). E o avanço da tecnologia deu uma banalizada no entretenimento, eu vejo as pessoas com seus iPods minúsculos vendo filmes que foram feitos para ser vistos no cinema e acho o fim do mundo. Não é possível que as pessoas não tenham nada melhor para fazer do que assistir um filme numa tela de 2 cm por 4 cm. Me falaram que é muito útil e tal, e eu sei que devo parecer um velho gagá falando isso, mas nada me convence que um aparelho tão pequeno possa servir como tela de cinema.

Folha - Foi muito difícil fazer a transição da publicidade para o cinema? E é verdade que todo publicitário sonha em ser cineasta?
Scott - A publicidade foi minha escola de cinema. Fiz mais de 2.000 comerciais antes de começar a fazer cinema, e no mundo inteiro. Então foi muito fácil, enfrentei muitos problemas no set que depois apareceram em outras formas nos filmes que eu dirigi. E acho que sim, todo publicitário quer ser cineasta, pelo menos no começo. Tem gente que acaba se apaixonando por aquela linguagem mais rápida e não se sente frustrado em dedicar sua vida a vender o produto dos outros. Mas eu não seria feliz fazendo só isso.

Folha - Você produz muito mais do que dirige hoje em dia. O que te faz escolher uma história para dirigir?
Scott - O que eu leio. Tenho que me apaixonar perdidamente pelo roteiro, senão não tenho energia para todo o trabalho que vem pela frente. Para produzir vale um tesão passageiro, porque sei que não vou ser obrigado a passar um ano só pensando naquele assunto. Mas, quando me apaixono, me apaixono mesmo, profundamente, por isso costumo produzir todos os filmes que eu dirijo.

Folha - Você se dá melhor com dramas que com comédias…
Scott - E você quer saber por que meu último filme (“Um Bom Ano”, também com Russell Crowe) foi um fracasso, não é? Não sei. O pior é que vivo ouvindo de outros atores e de jornalistas que me entrevistam como eles gostaram do filme. Isso me deixa louco. Por que não avisaram os amigos, por que não levaram uma caravana aos cinemas? Por que não escreveram mais sobre ele?

Folha - Uma das informações mais chocantes de “O Gangster” é o uso dos aviões do Exército para transporte de heroína. Mas isso não é muito bem explicado no filme. Como a CIA não ficou sabendo? E quantos soldados e capitães do Exército estavam envolvidos?
Scott -
Isso seria outro filme! A história é complicada, não teria como contar sem banalizar, e o filme já conta duas histórias, não teria como entrar em uma terceira. Mas é óbvio que a CIA também estava envolvida, e que vários soldados, pilotos, capitães estavam envolvidos. Era uma outra quadrilha, uma outra máfia.

Folha - E algum deles foi processado quando Frank finalmente foi preso e decidiu entregar os policiais corruptos?
Scott -
Não, ninguém do Exército foi julgado por isso. O processo do Frank foi centrado na polícia de Nova York e nos traficantes que operavam na cidade. E pelo mesmo motivo que eu não entrei nessa história no filme. Se o processo envolvesse a CIA e o Exército, não ia durar os dois meses que durou, mas sim décadas. E o que o Ritchie Roberts queria era limpar a polícia e prender mais traficantes.

Folha - Como está o Frank Lucas hoje em dia?
Scott - Não muito bem, ele precisa de uma cadeira de rodas para se movimentar, tem uma forma muito severa de artrite. Ele está feliz e entusiasmado com o sucesso do filme, mas não está em sua melhor forma. Ele ama o filme e ama falar sobre os seus dias de glória, ele tem muita saudade do dinheiro e do poder.

Folha - Ele tem algum dinheiro?
Scott - Aparentemente não. Ele vive quase como um mendigo hoje em dia. Mas a família continua em volta dele, e ele foi ao set quase todos os dias, então pelo menos alguma pensão ele deve ter. Eu não perguntei, não entrei em detalhes. A gente queria saber muito sobre o passado dele, mas quase nada sobre o presente. 

Folha - E ele se arrepende de alguma coisa?
Scott - Não. De nada. Eu fiz essa mesma pergunta, e ele me olhou com cara de assustado e perguntou: "O que eu teria para me arrepender?".

Folha - Tem uma fala no filme que poderia explicar pelo menos uma coisa que o Frank Lucas teria para se arrepender: de não ter desistido do negócio antes de ser pego. É o produtor de heroína asiático que diz “sair no auge não é a mesma coisa que desistir”. Essa fala não é do Frank, então?
Scott - Não, essa frase é do Steven Zaillian, o roteirista do filme, que é brilhante. Ninguém teria a ousadia de fazer essa sugestão para o Frank daquela época. Talvez a mãe dele, que era muito próxima, mas ela não queria saber de onde vinha todo o dinheiro do filho. A mulher devia saber, mas também não discutia o trabalho do marido. Esse roteiro é das melhores coisas que eu li nos últimos anos.

Folha - O filme tem quase três horas, dois personagens principais e dezenas de coadjuvantes mas não é complicado de entender, você não sai se perguntando quem é quem, o que um personagem quis dizer com isso ou aquilo. É tudo mérito do roteiro?
Scott -
Não, peraí, eu também tenho mérito nisso. Foi um pesadelo dirigir esse filme, tem mais de 300 cenas, em mais de 100 locações, uma edição toda picotada. Por isso mesmo eu trabalhei muito na pré e na pós-produção, para não parecer uma colagem de videoclipes, o que acho insuportável, mas também para o espectador não perder interesse em uma história enquanto estivesse assistindo a partes da outra. E para se relacionar de alguma forma com os personagens secundários também, para não ficar a história de dois homens fortes e um bando de gente sem características em volta, o que acontece muito em filmes assim.

Folha - Que avaliação você faz deste filme?
Scott - Estou muito feliz com o resultado, acho que é um bom filme. Mas não é “Shrek”, ou um desses filmes de família, feitos para agradar todo mundo. “O Gângster” é um filme de gente grande, com problemas sérios, soluções difíceis. Acho que vai dar tudo certo. E esta é uma resposta muito britânica, muito subestimada (risos).

Folha - O Francis Ford Coppola, que dirigiu o filme de gângster mais famoso do mundo, foi muito questionado na época por glorificar a imagem do mafioso. Você espera uma reação parecida com essa ao seu gângster?
Scott - Acho que o que foi glorificado no caso do Don Corleone foi seu respeito às suas tradições. Parecia um filme sobre uma família real, não uma família de criminosos. O jeito como o Coppola decidiu filmar “O Poderoso Chefão” é muito grandioso, quase como uma ópera. Não estou criticando, só apontando um estilo, que não é o meu estilo. Para o meu filme, minhas inspirações vieram mais de “Operação França”. No meu filme a violência do personagem principal aparece muito mais, está sempre claro que ele pode explodir a qualquer momento, então imagino que isso tire um pouco dessa aura muito pomposa dos criminosos do filme do Coppola.

Folha - E essa é a versão final do filme? Ou em 25 anos nós vamos assistir à versão do diretor de “O Gângster”?
Scott - (Risos) O filme é esse, essa é a minha versão. Isso não acontece mais comigo. Em “Blade Runner”, que agora está sendo lançado com a versão que eu queria desde o começo, eu não era produtor e estava começando a carreira de diretor, não tive como não ceder às pressões do estúdio. Por isso, neste ano, que é o aniversário de 25 anos do filme, decidi comemorar com o lançamento da minha versão definitiva.

Folha - Mas e a versão definitiva que foi lançada 5 anos atrás?
Scott - Aquela segunda edição foi feita meio às pressas. Todo mundo sabia que o final do filme tinha sido alterado, mas ninguém tinha visto a versão original. Quando o estúdio resolveu lançar a versão do diretor, eu estava ocupado com outros projetos e não tive tempo de procurar todos os takes que queria incluir, então só alteramos o final. Mas eu não fiquei satisfeito, aquele é um filme muito importante para mim, provavelmente o que mais me marcou, por tudo que deu certo e por tudo que deu errado, então quis refazer, desta vez com tempo e com dedicação.

Folha - Então esta é a versão definitiva de “Blade Runner”?
Scott - É. Esse é o filme que eu queria ter lançado em 1982.

*

A seguir, o trailer de "O Gângster".

*

Leia mais (assinantes UOL ou Folha):
Crítica de "O Gângster", por Pedro Butcher

Escrito por Teté Ribeiro às 4h26 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

'Johnny' é o primeiro sucesso nacional de 2008

'Johnny' é o primeiro sucesso nacional de 2008

 

Está consolidado o primeiro sucesso de público do cinema nacional em 2008. Depois de bons números em três semanas e meia em cartaz, "Meu Nome Não É Johnny" ultrapassou ontem à noite a marca de 1 milhão de espectadores no país e entrou para um grupo bem restrito. No ano passado, por exemplo, apenas três longas brasileiros atraíram mais de 1 milhão de pessoas aos cinemas: "Tropa de Elite", "A Grande Família, o Filme" e "Xuxa Gêmeas".

Como ainda está em cartaz em mais de 170 salas do país, o filme estrelado por Selton Mello tem boas chances de repetir (ou superar) o desempenho de "Tropa", que fez 2,4 milhões ao longo de três meses. De quebra, o sucesso do filme catapultou as vendas do livro homônimo de Guilherme Fiúza, que entrou para as listas de mais vendidos.

*

Um jeito simpático de homenagear SP
"O Signo da Cidade" estréia hoje em São Paulo com ingressos promocionais a R$ 1. O valor simbólico é uma forma inteligente e simpática de homenagear o aniversário da cidade _os produtores, ao que parece, apostam que a estréia baratinha encherá as 11 salas da capital e que o bom desempenho neste primeiro dia ajudará no boca-a-boca positivo do filme, bem-recebido no último Festival do Rio.

Dirigido por Carlos Alberto Riccelli, escrito e estrelado por Bruna Lombardi e ambientado em São Paulo, "O Signo" poderá ser visto amanhã por R$ 1 nas seguintes salas: ABC Plaza Shopping 8, Bristol 7, Cine TAM/Sala Nova York, Frei Caneca Unibanco Arteplex 4, HSBC Belas Artes/Sala Villa-Lobos, Interlar Aricanduva 7, Jardim Sul 2, Market Place Cinemark 5, Metrô Tatuapé 3, Shopping D 8 e Villa-Lobos 2.

Mas aproveite, porque é só amanhã. A partir de sábado, você terá de pagar os tradicionais preços exorbitantes se quiser ver "O Signo da Cidade".

*

Palma de Ouro em SP: só em projeção digital
Muito aguardado desde que venceu a Palma de Ouro em Cannes no ano passado, "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" finalmente estréia nesta sexta. Mas vale um aviso aos navegantes: ao menos em São Paulo, o longa só será exibido em projeção digital _a boa e velha película foi esquecida nas três salas em que "4 Semanas" estará em cartaz.

Sorte de quem pôde ver o filme do romeno Cristian Mungiu em película, na última Mostra ou no Festival do Rio. Porque, como sabemos, o sistema digital utilizado por grande parte do circuito exibidor brasileiro está a anos-luz do equipamento de ponta usado lá fora e ainda é muito inferior à qualidade da projeção tradicional.

Ainda bem que, ao menos em São Paulo, o excelente "Paranoid Park", de Gus Van Sant, terá apenas uma sala com projeção digital e outras seis com película.

*

Heath Ledger, o poeta viciado
Fãs cariocas de Heath Ledger podem ver nos próximos dias um longa inédito do ator no circuito comercial do Rio de Janeiro. É "Candy", do diretor australiano Neil Armstrong, em que Ledger interpreta um poeta viciado em heroína. O longa passa nesta sexta, às 16h, e no dia 31, às 19h. Sempre no CCBB carioca.

*

Amanhã tem mais
Quem se der ao trabalho de passar por aqui amanhã poderá ler uma entrevista com Ridley Scott, feita por Teté Ribeiro. O diretor de "Blade Runner" fala sobre "O Gângster", seu novo longa, que estréia nesta sexta no país.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h16 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Estúdios x independentes

Estúdios x independentes

Ótimo vídeo, tirado do blog Awards Daily.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h01 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Palpites para o Oscar 2008

Palpites para o Oscar 2008

O Oscar divulgou nesta manhã suas indicações, e o blog já aciona sua bola de cristal paraguaia para apontar favoritos e prováveis vencedores nas principais categorias. Aos palpites:

Melhor filme
A disputa deve ficar entre “Onde os Fracos não Têm Vez” e “Sangue Negro”, os dois com o maior número de indicações (oito) e que tiveram até agora o melhor desempenho na temporada de prêmios nos EUA. "Desejo e Reparação" e "Conduta de Risco" correm por fora, e "Juno" é a "Pequena Miss Sunshine" de 2008 _independente, simpático, divertido, mas não tem a força de seus adversários.

Melhor diretor
Os irmãos Coen (“Onde os Fracos Não Têm Vez”) são a melhor aposta, mas Julian Schnabel (“O Escafandro e a Borboleta”) e Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”) não podem ser descartados.

Melhor ator
Daniel Day-Lewis (“Sangue Negro”)  é a grande barbada do Oscar. Só Johnny Depp (“Sweeney Todd") ameaça, mas a quilômetros de distância.
 
Melhor ator coadjuvante
Outra barbada: Javier Bardem (“Onde os Fracos Não Têm Vez”, foto acima). 
 
Melhor atriz
A disputa deve ficar entre Julie Christie (“Longe Dela”) e Marion Cotillard (“Piaf – um Hino ao Amor”), com ligeira vantagem para a primeira.

Melhor atriz coadjuvante
Cate Blanchett concorre tanto como melhor atriz quanto como coadjuvante. Deve ficar com o prêmio nesta categoria por "I'm Not There". 
 
Melhor longa de animação
“Ratatouille”. Os ratinhos não devem ter dificuldade para bater "Persépolis" e "Tá Dando Onda".
 
Melhor filme em língua estrangeira
“The Counterfeiters”, de Stefan Ruzowitzky. O filme austríaco tem os elementos que a Academia gosta: episódio inspirado em fatos reais, judeus, nazistas.  
 
Melhor roteiro original
Se na disputa por melhor filme “Juno” e “Conduta de Risco" são azarões, aqui são os grandes favoritos. Diablo Cody, autora de "Juno", é uma boa aposta.

Melhor roteiro adaptado
Aqui a bola de cristal paraguaia embaça, mas parece mostrar um ligeiro favoritismo para "Onde os Fracos Não Têm Vez".

Escrito por Leonardo Cruz às 1h25 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Conheça os 5 filmes que superaram 'O Ano'

Conheça os 5 filmes que superaram 'O Ano'

Como você já deve saber, "O Ano" não é Brasil no Oscar. Enrole a bandeira, guarde a camisa da seleção na gaveta e deixe as esperanças ufanistas para 2009 (com "Tropa de Elite", quem sabe?). A seguir, um breve perfil e o trailer de cada um dos cinco filmes que ficaram com as indicações para melhor estrangeiro. Não só tiraram o longa de Cao Hamburger como também deixaram para trás dois diretores veteranos e premiados: Denys Arcand, que concorria com "A Era da Inocência", e Giuseppe Tornatore, com "A Desconhecida".

*

“The Counterfeiters” (os falsários), de Stefan Ruzowitzky (Áustria)
Presos pelo regime nazista, um famoso escroque judeu e um grupo de profissionais com habilidades manuais são forçados a produzir moeda falsa, a ser usada pelo Reich. Baseado num episódio real, foi bem-recebido pela imprensa americana no Festival de Berlim do ano passado. Tem boas chances de levar o prêmio da Academia neste ano.

*

“Beaufort”, de Joseph Cedar (Israel)
Pelotão de jovens soldados israelenses é encarregado de explodir o forte Beaufort, ato que marca o fim da retirada do exército israelense do Líbano. O filme deu a Cedar o prêmio de melhor direção no Festival de Berlim no ano passado.

*

“Mongol”, de Sergei Bodrov (Cazaquistão)
Biografia da juventude de Genghis Khan, que viveu como escravo antes de se tornar conquistador de um império, que se estendeu da Coréia à Hungria. Sergei Bodrov já havia sido indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 1996, com "Prisioneiro das Montanhas".

“Katyn”, de Andrzej Wajda (Polônia)
A história do massacre de milhares de poloneses prisioneiros de guerra cometido pelo serviço secreto russo, em 1940. Aos 81 anos, o veterano Wajda já levou um Oscar honorário em 2000 e foi indicado em outras três ocasiões. O resgate de um importante episódio histórico tem tudo para agradar aos votantes da Academia.

*

“12”, de Nikita Mikhalkov (Rússia)
Doze homens são encarregados de julgar uma adolescente tchetchena suspeita de matar o padrasto russo. Remake de “Doze Homens e uma Sentença” (1957). Terceira indicação de Mikhalkov, que já venceu em 1994 com "O Sol Enganador".

*

E você? O que achou das indicações de melhor filme estrangeiro?

Escrito por Leonardo Cruz às 12h39 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

'Variety' está de olho em José Padilha

'Variety' está de olho em José Padilha

                                                      Marlene Bergamo/Folha Imagem

A revista americana "Variety" apresenta em sua edição de hoje sua já tradicional lista "10 directors to watch". Uma vez por ano, a principal publicação sobre a indústria do entretenimento escolhe dez diretores em ascensão, cineastas em quem vale a pena ficar de olho.

Na nova lista, José Padilha, o diretor de "Tropa de Elite" e "Ônibus 174", é o único sul-americano selecionado _aparece ao lado de diretores de filmes que se destacaram em 2007, como o romeno Cristian Mungiu, do premiado "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", e o americano Tony Gilroy, roteirista da série "Bourne" e diretor do interessante "Conduta de Risco".

No perfil do diretor brasileiro, a "Variety" resume as polêmicas envolvendo o lançamento de "Tropa de Elite" e o sucesso de público do longa. No texto, Padilha deixa clara a relação de admiração que tem com o cinema americano: "Quero dirigir um filme nos EUA. É a Meca do cinema. Tenho um estilo que deriva de minha formação no documentário. É a forma de conduzir a câmera, dirigir os atores, que eu acredito que funcionará bem nos EUA".

*

A alma do negócio
Com a exibição neste final de semana em Los Angeles dos nove candidatos finais às cinco vagas no Oscar de filme estrangeiro, "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" emplaca um anúncio de página inteira na capa da "Variety". Dê uma olhada:

*

O jovem cinema brasileiro em foco
Começa hoje e vai até o próximo dia 26 a 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Sob curadoria de Cleber Eduardo, crítico e editor da revista Cinética, o festival apresentará 126 filmes e tem a juventude brasileira como tema. Para justificar a escolha, Cleber identifica uma renovação na produção de cinema no Brasil nos últimos anos, tese comprovada pelo número de diretores que estrearam no país desde 2000: 160.

Nesse espírito, o festival criou a seção Aurora, reservada a autores em início de carreira (até o terceiro longa). Sete longas concorrerão nessa categoria aos prêmios da crítica e do júri jovem. A mostra decidiu também homenagear dois atores que ganharam espaço nas telas nesta década: João Miguel e Rosanne Mulholland _cada um terá três filmes exibidos. Por fim, o debate Juventude em Trânsito discutirá a forma como os jovens são abordados no cinema brasileiro.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h07 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Berlim terá Scorsese e mais 2 brasileiros

Berlim terá Scorsese e mais 2 brasileiros

Gostou do pôster da 58ª edição do Festival de Berlim? O simpático cartaz deste ano foi exibido pela primeira vez na Alemanha hoje, quando também foi anunciado o filme de abertura da mostra. É "Shine a Light", o documentário de Martin Scorsese sobre os Rolling Stones, definido assim pelo diretor do festival, Dieter Kosslick: "Scorsese conseguiu capturar na tela grande a pura essência de uma banda ícone". Ok, Kosslick tem todo o interesse do mundo em falar bem do filme da sessão de gala de seu festival, mas quem viu "No Direction Home", o doc de Scorsese sobre Bob Dylan, sabe bem o que o cineasta americano é capaz de fazer com mitos da música.

Berlim também definiu nesta semana a programação de curtas, e dois filmes brasileiros foram selecionados. A carioca Anna Azevedo participa da mostra competitiva com "Dreznica", documentário experimental com depoimentos em off de deficientes visuais. Agora em seu quarto curta, Anna já foi premiada em Berlim em 2006 com "BerlinBall", vencedor do Berlin Today Award, competição para novos diretores.

O outro curta brasileiro no festival é "Café com Leite", filme de estréia do paulistano Daniel Ribeiro, 25, sobre um casal gay que tem sua rotina alterada quando um dos parceiros assume a guarda de seu irmão caçula. A obra de Ribeiro disputará o Urso de Cristal na seção Geração 14Plus, o júri jovem de Berlim. "Café com Leite" estreou no último Festival de Brasília, onde recebeu o Prêmio Aquisição Canal Brasil, e estará na 11ª Mostra de Tiradentes, que começa nesta sexta.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h07 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

'O Ano' está entre os 9 finalistas do Oscar

'O Ano' está entre os 9 finalistas do Oscar

Aumentaram sensivelmente as chances de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" (foto) conquistar uma das cinco indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A Academia de Hollywood acaba de anunciar os nove filmes (de um total de 63) que participarão da rodada final de votações para definir os indicados, e o longa-metragem de Cao Hamburger está entre eles.

Os nove escolhidos são:
The Counterfeiters", de Stefan Ruzowitzky (Áustria)
"O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger (Brasil)
"A Era da Inocência", de Denys Arcand (Canadá)
Beaufort”, de Joseph Cedar (Israel)
"A Desconhecida", de Giuseppe Tornatore (Itália)
"Mongol", de Sergei Bodrov (Cazaquistão)
Katyn”, de Andrzej Wajda (Polônia)
12”, de Nikita Mikhalkov (Rússia)
Armadilha”, de Srdan Golubovic (Sérvia)

Tão importante quanto a lista dos escolhidos é a relação dos que ficaram de fora. Cinco filmes premiados em Cannes em 2007 não entraram entre os nove finalistas: o romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", de Cristian Mungiu; o francês "Persépolis", de Marjane Satrapi; o alemão "Do Outro Lado", de Fatih Akin, o argentino "XXY", de Lucía Puenzo, e o mexicano "Luz Silenciosa", de Carlos Reygadas.
 
Dos selecionados, há três cineastas já premiados no Oscar de filme estrangeiro: Nikita Mikhalkov ("O Sol Enganador", 1995), Giuseppe Tornatore ("Cinema Paradiso", 1988) e Denys Arcand ("As Invasões Bárbaras", 2003). Além deles, o polonês Wajda recebeu em 2000 uma estatueta honorária pelo conjunto da carreira. Também vale prestar atenção em "Beaufort", que deu ao israelense Joseph Cedar o prêmio de melhor diretor em Berlim-2007.

O sistema de votação no Oscar funciona da seguinte forma: na primeira fase, encerrada com o anúncio de hoje, os 63 filmes na disputa da categoria foram vistos por um comitê de centenas de integrantes da Academia _os votos deles definiram essa lista de nove.

Agora, na fase 2, um novo comitê é formado com dez votantes da fase 1, escolhidos por sorteio. A eles se juntam mais dez convidados, vindos de Los Angeles e Nova York. No próximo final de semana, esses 20 jurados assistirão aos nove finalistas e escolherão os cinco.

O Oscar anunciará seus indicados em todas as categorias na manhã da próxima terça-feira, dia 22. Se a greve dos roteiristas não atrapalhar muito, a cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá em 24 de fevereiro, em Los Angeles.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h35 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Roteiristas piqueteiros vencem o Globo de Ouro

Roteiristas piqueteiros vencem o Globo de Ouro


Jorge Camara, com todo seu charme e carisma,
anuncia o prêmio para "Desejo e Reparação"

E o grande vencedor do Globo de Ouro foi... o WGA!

Não, o sindicato dos roteiristas dos EUA não concorria oficialmente em nenhuma categoria, mas foi o grande ganhador em Los Angeles. E o tamanho dessa vitória se deu na ausência de rostos famosos no Beverly Hilton Hotel, substituídos por jornalistas da NBC e pelo presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, Jorge Camara. Todos com um grande sorriso amarelo nos lábios, numa entrevista coletiva que durou apenas meia hora. Sim, a greve dos roteiristas ganhou o histórico Globo de Ouro de 2008. E os caras nem precisaram fazer piquete.

Mas a noite teve outros vencedores. Vamos a eles.

Os europeus: o prêmio dos correspondentes estrangeiros foi dominado por... estrangeiros, principalmente os europeus. O melhor filme em drama foi “Desejo e Reparação”, adaptação de um romance do britânico Ian McEwan. O melhor ator em drama, o inglês Daniel Day-Lewis (“Sangue Negro”). A melhor atriz (drama), Julie Christie, britânica nascida na Índia. A francesa Marion Cotillard foi a vencedora em comédia ou musical por “Piaf”. E o espanhol Javier Bardem levou o troféu de ator coadjuvante por “Onde os Fracos Não Têm Vez”. E não pára por aí: o melhor diretor foi Julian Schnabel, americano que dirigiu a produção francesa “O Escafandro e a Borboleta”. E, para fechar o pacote, “Ratatouille”, animação da Pixar, é verdade, mas também de alma francófona.

“Desejo e Reparação”: a obra de Joe Wright concorria a sete prêmios. Só levou dois, mas ficou com o mais importante: melhor filme na categoria drama. E também o de melhor trilha sonora. Está consolidado um favorito ao Oscar (se é que haverá Oscar).

“Onde os Fracos Não Têm Vez”: roteiro para os irmãoes Coen e ator coadjuvante para Bardem. Somando os outros prêmios da temporada até aqui, é outro filme que ganha muita força para o Oscar.

“Sweeney Todd”: o longa de Tim Burton dominou foi o principal vencedor em comédia/musical, com o Globo de melhor filme e o de melhor ator para Johnny Depp.

Cate Blanchett: a grande atriz de Hollywood da atualidade ganhou como coadjuvante por fazer um papel de homem! A melhor das sete encarnações de Bob Dylan em “I’m Not There”.

“O Escafandro e a Borboleta”: Schnabel já tinha sido escolhido melhor diretor em Cannes no ano passado. Repetiu a dose no Globo de Ouro e ainda levou o prêmio de filme estrangeiro.

O canal E! e a CNN: Aos 45 minutos do 2º tempo, as duas redes fecharam com a NBC para transmitir o Globo de Ouro. Enquanto isso, a TNT, emissora original da cerimônia, passava “Mestre dos Mares” dublado.

E a noite teve também seus perdedores.


AMPTP, NBC e HFPA: a liga dos estúdios, a rede transmissora oficial do prêmio e a associação que o organiza perderam milhões e milhões de dólares. Nas contas da WGA, só o prejuízo desta noite seria suficiente para atender as demandas dos roteiristas.

“Juno”: o candidato a “filme indie fofinho do ano” disputava em três categorias. Não faturou nenhuma, para desespero do repórter da Ilustrada e blogueiro Thiago Ney.

“Conduta de Risco”: quatro indicações, incluindo melhor filme. E nada. E George Clooney ainda perdeu para Daniel Day-Lewis.

*

Piada pronta: no ano marcado pela briga de roteiristas e estúdios, o Globo de Ouro foi vencido por um filme chamado... "Reparação". E derrotando... "Onde os Fracos Não Têm Vez". A lista completa dos vencedores está aqui.

*

Cabeças começaram a rolar
O final de semana só não foi perfeito para os roteiristas porque a categoria sofreu uma verdadeira machadada no fim da sexta-feira: o estúdio ABC, parte do grupo Disney, dispensou mais de 20 profissionais, na mais forte reação do patronato à greve até agora. Roteiristas de séries de TV foram os mais afetados: autores de programas como “Scrubs”, “That ‘70S Show” e “Curb Your Enthusiasm” receberam o bilhete azul. Segundo a revista “Variety”, a Warner também prepara dispensas, mas em menor escala. E a greve continua.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h07 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Roterdã seleciona 6 filmes brasileiros

Roterdã seleciona 6 filmes brasileiros

                                                                   Igor Pessoa/Divulgação

O 37º Festival de Roterdã, que ocorre entre o próximo dia 23 e 3 de fevereiro, selecionou seis longas-metragens brasileiros para suas mostras paralelas. Um é inédito por aqui: "Fim da Linha" (foto), longa de estréia de Gustavo Steinberg, co-roteirista de "Cronicamente Inviável".

"Estômago", de Marcos Jorge; "Ainda Orangotangos", de Gustavo Spolidoro; e "Deserto Feliz", de Paulo Caldas, embora ainda não tenham estreado no Brasil, já são conhecidos do público de festivais como a Mostra de São Paulo e o Festival do Rio _em que "Estômago" levou os prêmios de melhor filme pelo júri popular, diretor, ator (João Miguel) e o prêmio especial do júri.

Completam a lista dois filmes que já cumpriram suas carreiras nos cinemas nacionais: "Mutum", de Sandra Kogut, e "A Casa de Alice", de Chico Teixeira. Todos eles concorrem a um prêmio de 10 mil euros (R$ 26 mil). "Fim da Linha" já foi premiado em Roterdã, com um incentivo para o desenvolvimento do roteiro e outro para a pós-produção.

Apesar da expressiva participação brasileira _os seis longas nacionais foram anunciados numa lista de 22 filmes_, não há nenhum título do país entre os sete que disputam o prêmio principal, o Tigre. A representação latinoamericana na principal mostra competitiva ficou por conta de um argentino ("Cordero de Dios", de Lucía Cedron) e um chileno ("El Cielo, La Tierra y la Lluvia", de José Luis Torres Leiva).

No ano passado, "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis, não apenas competiu, como levou um troféu, com a justificativa do reconhecimento à sua "crueza, energia, força visual e por nos fazer lembrar a falta de opções dos que nascem em ambientes isolados e devastados, sem nunca nos deixar esquecer o enorme poder dos elementos da natureza".

*

Com o título de "The Famous and the Dead" (o célebre e o defunto), o projeto de longa de Esmir Filho (dos curtas "Alguma Coisa Assim" e "Saliva") está entre os 25 projetos que participam do Mercado de Co-produção de Berlim (10/2 a 12/2). É a produtora Dezenove (de Sara Silveira, Maria Ionescu e Carlos Reinchenbach) que tentará encontrar na Alemanha parceiros que invistam no projeto.

Escrito por Leo Cruz e Silvana Arantes às 6h36 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Os concorrentes de 'Tropa' em Berlim

Os concorrentes de 'Tropa' em Berlim

O Festival de Berlim anunciou nesta quarta uma leva de filmes selecionados para sua mostra competitiva. Ficou mais claro agora quais obras disputarão com "Tropa de Elite" os Ursos de Ouro e de Prata no evento que acontece na capital alemã de 7 a 17 de fevereiro. Dos nove filmes divulgados hoje, destaque para as novas obras de cineastas veteranos, como o inglês Mike Leigh ("Happy-Go-Lucky"), o francês Robert Guédiguian ("Lady Jane France") e o japonês Yoji Yamada ("Kabei"). Também merece registro a volta de Johnnie To, com "Sparrow Hong Kong", e de Isabel Coixet, com "Elegy USA", filme inspitado no livro "O Animal Agonizante", de Philip Roth. Os outros quatro que integram o pacote são "Feurherz", do italiano Luigi Falorni, "Caos Calmo", do também italiano Antonello Grimaldi, "Julia France", de Erick Zonca (o mesmo de "A Vida Sonhada dos Anjos"), e "Restless", do israelense Amos Kollek.

Esses filmes se juntam aos outros oito que já haviam sido escolhidos em dezembro. Dos 17 longas que serão analisados pelo júri presidido por Costa-Gavras, surgem também como potenciais favoritos "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson (turbinado pela temporada de prêmios nos EUA) e "S.O.P. - Standard Operating Procedure", o novo documentário de Errol Morris, sobre o escândalo de Abu Ghraib e a guerra ao terror americana.

Vale lembrar que Berlim-2008 terá também uma grande retrospectiva da obra de Luis Buñuel, com os 32 filmes por ele dirigidos, a começar pela cópia restaurada e com acompanhamento ao vivo do clássico surrealista "Um Cão Andaluz". O cineasta italiano Francesco Rosi será homenageado pelo festival com um prêmio pela carreira e um ciclo com 13 de seus filmes, incluindo o premiado "O Caso Mattei" (1972).

*

TNT também esnoba o Globo de Ouro
Para a TNT, sem glamour não tem graça. A emissora paga chegou a anunciar a exibição do evento do próximo domingo, com comentários de Rubens Ewald Filho, mas desistiu oficialmente hoje, depois que o luxo, a riqueza e o tapete vermelho viraram apenas uma entrevista coletiva, sóbria, jornalística. Com isso, nenhum canal no Brasil transmitirá o que sobrou do Globo de Ouro. No lugar da coletiva, a TNT exibirá o filme "Mestre dos Mares", de Peter Weir. E tome Russell Crowe!

Escrito por Leonardo Cruz às 9h55 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Suecos convidam: roube este filme! De novo!

Está no ar há alguns dias a nova empreitada da League of Noble Peers, grupo sueco que defende o compartilhamento gratuito de filmes na internet. É o "Steal This Film 2", documentário em que a liga faz um resumo das operações dos grandes estúdios para evitar que sites e internautas coloquem filmes de graça na rede.

Com cerca de 50 minutos, a obra traz depoimentos de promotores, advogados, especialistas em legislação de direitos autorais e criadores de sites de compartilhamento como o Mininova _todos defensores de uma política de "copyleft".

Como o próprio nome indica, o novo filme é uma continuação: o "Steal This Film 1" tratava exclusivamente de uma ação contra o também sueco Pirate Bay, o maior portal de difusão de arquivos na rede (com links para baixar filmes, músicas, jogos e programas de computador). O site chegou a ser fechado pela polícia em maio de 2006, mas voltou a funcionar poucos dias depois.

Lançado no final de 2006, o primeiro filme foi baixado 2,7 milhões de vezes e visto por 4,86 milhões de pessoas, segundo as contas dos produtores. "Steal This Film 2" chegou à rede no último dia 28 e pode, claro, ser baixado de graça no site da Liga (com legendas em português). Está também no YouTube, dividido em cinco partes (mas sem legendas).

A imagem de abertura do documentário resume as intenções dos autores, ao ironizar mensagem antipirataria divulgadas em DVDs. Um trechinho do texto:

"Não busque permissão para copiar este filme. Qualquer um que interromper a distribuição deste trabalho, ou impedir outros de fazê-lo, será banido. Todos os recursos passíveis de uso para compartilhar este filme devem ser empregados."

Em seu site, o grupo sueco já anuncia o próximo plano: "The Oil of the 21st Century", outro documentário, sobre a propriedade intelectual, o tal petróleo do novo século, Segundo os autores, não será focado apenas na discussão de produtos culturais, abordará também áreas como biologia e a medicina. O projeto ainda está no papel; quando sair, uma coisa é certa: estará na rede e de graça.

A seguir, o primeiro trecho de "Steal This Film 2".

Escrito por Leonardo Cruz às 5h33 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cancelado, Globo de Ouro vira entrevista coletiva

Cancelado, Globo de Ouro vira entrevista coletiva

Depois de muita confusão, agora é oficial: o Globo de Ouro subiu no telhado. A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que organiza a premiação, e a rede NBC, que o transmite, decidiram transformar a tradicional festa no Beverly Hilton Hotel em uma entrevista à imprensa, na qual os vencedores de 25 categorias serão anunciados, sem tapete vermelho, trajes black-tie e apresentadores fazendo piadinhas.

A entrevista coletiva será realizada no mesmo hotel, na noite do próximo domingo, quando aconteceria a cerimônia de gala. Foi a solução encontrada pelos organizadores para tentar minimizar os efeitos do boicote do sindicato dos atores ao Globo de Ouro. Na sexta, a entidade anunciou que nenhum de seus indicados participaria do evento em apoio à greve dos roteiristas de Hollywood, que já dura mais de dois meses. Os próprios escritores haviam prometido um piquete na porta do Beverly Hilton durante o tapete vermelho.

Em comunicado no site do Globo de Ouro, Jorge Camara, o presidente da associação, lamentou: "Estamos todos muito decepcionados que nossa tradicional cerimônia de premiação não acontecerá neste ano e que milhões de espectadores ao redor do mundo não poderão ver seus astros favoritos celebrando suas excelentes conquistas de 2007 no cinema e na TV. Nos reconforta um pouco, entretanto, saber que os vencedores do Prêmio Globo de Ouro deste ano serão anunciados na data originalmente programada".

A rede NBC, segundo a imprensa americana, chegou a planejar um especial ao vivo, com a reação dos vencedores, direto das diversas celebrações organizadas pelos estúdios previstas para ocorrer no domingo no próprio Hilton. Seria uma forma de manter o tapete vermelho e a romaria de artistas, que chegariam para as festas pós-coletiva. Mas o plano foi refutado pelo sindicato dos roteiristas, que decidiu manter sua manifestação no Beverly Hilton, se as celebrações dos estúdios fossem confirmadas. Resultado: os próprios estúdios também cancelaram suas festas.

Muita coisa ainda será definida nos próximos dias, mas o que já está claro é que a união entre roteiristas e atores resultou numa enorme demonstração de força da classe artística de Hollywood. A segunda-feira foi ainda mais importante para os grevistas, pois, horas antes do cancelamento da cerimônia do Globo de Ouro, a United Artists anunciou um acordo com o sindicato dos roteiristas. Os detalhes não foram revelados, mas em tese foi atendida a demanda por uma fatia mais gorda dos lucros com as novas mídias. É o primeiro grande estúdio americano a ceder aos piqueteiros.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h24 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Um Globo de Ouro como nenhum outro

Um Globo de Ouro como nenhum outro

 
O tapete vermelho do Globo de Ouro ficará vazio?

Esqueça os indicados. Esqueça a disputa pelos prêmios. A atual greve de roteiristas nos EUA deve mudar totalmente a cara da edição deste ano do Globo de Ouro. Parados há cerca de dois meses para renegociar direitos nas vendas de DVDs e downloads de filmes e séries, os roteiristas anunciaram nesta semana que farão um piquete no próximo domingo em Los Angeles, durante a cerimônia da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que organiza o evento.

A situação ficou ainda mais crítica ontem à noite, quando o sindicato dos atores anunciou apoio ao protesto dos roteiristas no Globo de Ouro. O presidente do sindicato Alan Rosenberg disse que há  um consenso na categoria e que nenhum dos mais de 70 atores indicados ao prêmio ultrapassará as linhas de piquete. “Nós aplaudimos nossos membros por esta notável demonstração de solidariedade com os roteiristas em greve”, disse Rosenberg à revista “Variety”. Além dos indicados, nenhum ator aceitou o convite para entregar os Globos.

Se tudo continuar como está, o cenário que você verá na TV na noite do próximo dia 13, domingo, será assim: roteiristas marchando com placas e cartazes na entrada do Beverly Hilton Hotel, enquanto, lá dentro, a cerimônia acontecerá esvaziada, sem os rostinhos conhecidos do star system hollywoodiano.

Essa perspectiva caótica fez com que Jorge Camara, presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, divulgasse ontem a seguinte nota: “Nossa associação foi colocada em uma posição extramente difícil com a atual greve dos roteiristas. Estamos fazendo todos os esforços para encontrar uma solução que permita a realização do Globo de Ouro com a presença da comunidade artística. Esperamos anunciar na segunda-feira uma resolução para essa desagradável situação”. Animador, não?!

Se Camara não desfizer esse nó, a 65ª edição do Globo de Ouro será das mais interessantes de sua história. E ninguém estará tão interessado assim em conhecer os vencedores. Aliás, quem eram mesmo os indicados?

*

Depois de uma pausa para as festas, o blog volta às suas atividades normais. Um bom ano a todos, sempre no cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h25 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Blog Ilustrada no Cinema O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.