No podcast desta semana, o crítico Sérgio Rizzo comenta a estréia de "A Vida dos Outros", que deu o Oscar de filme estrangeiro em 2007 para o primeiro filme de Florian Henckel von Donnersmarck. Para ouvir, é só clicar no microfone.
Ontem, quando o Festival de Sundance divulgou a lista dos filmes que disputarão sua próxima edição _17/1 a 27/1_, "Tropa de Elite" estava entre os 16 concorrentes da categoria Cinema Mundial - Ficção. Hoje, não está mais. A relação mudou, mas continuou do mesmo tamanho _16 filmes, incluindo produções da Colômbia e do Panamá concorrem entre si.
Quem tomou a decisão de retirar "Tropa de Elite" da competição de Sundance foi Harvey Weinstein, o ex-Miramax e atual Weinstein Company, que detém os direitos de distribuição de "Tropa de Elite" fora do Brasil. É o que diz o cineasta Marcos Prado, sócio de José Padilha e produtor de "Tropa de Elite". Por que exatamente Harvey Weinstein fez isso, Prado não diz. "Todo mundo sabe que o Harvey é temperamental", brinca, dizendo esperar que ele tenha "uma boa carta na manga" para fazer o que fez.
Em entrevista à Folha na semana passada, Padilha contou que "Tropa de Elite" tinha recebido convite "dos principais festivais que abrem o ano", mas que faltava decidir se a carreira internacional do filme começaria pelos Estados Unidos ou pela Europa.
É provável que Harvey Weinstein esteja negociando com os festivais de Berlim (fevereiro) e Cannes (maio) uma vaga em suas competições. Participar da competição de Sundance não ajuda esses objetivos.
"Tropa de Elite" não será o único aspirante de um diretor brasileiro aos principais festivais europeus. "Cegueira", de Fernando Meirelles, tentará ir a Cannes. "174", a ficção de Bruno Barreto baseada no documentário "Ônibus 174", de Padilha, ambiciona estar em Berlim. Comenta-se que outro candidato a Berlim é "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas. Walter Salles tem ótimo histórico com o festival alemão, desde que "Central do Brasil" arrebatou os Ursos de Ouro e Prata (Fernanda Montenegro) em 1998.
Numa semana de prêmios para Cleópatra e Júlio César no cinema brasileiro, Alcino Leite Neto, com sua prodigiosa cultura cinéfila, nos faz lembrar que há ao menos mais um filme nacional que tem o Império Romano como tema. Trata-se de "Nos Tempos de Tibério César", produção de 1954-57, filmado na região de Três Corações (MG).
Longa de 80 minutos em preto-e-branco, "Tibério César" foi realizado pela Irmãos Brescia, companhia mineira capitaneada por Luiz Renato Brescia e sua família. O caráter caseiro se destaca na ficha técnica do filme, disponível no site da Cinemateca. Ettore Brescia assina a direção, a produção e o roteiro. Arnaldo Brescia é o cenógrafo e faz parte do elenco. Irene Brescia cuidou da música. E o próprio Luiz Renato fez a fotografia.
Alcino conta que o tosco épico mineiro transformou a frente da Igreja Católica da cidade de Lambari em entrada do palácio dos romanos pagãos. Segundo a "Enciclopédia do Cinema Brasileiro", de Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda, "a precariedade do filme inviabilizou a comercialização na época". Anos mais tarde, o longa foi relançado como "Centuriões Rivais", também sem sucesso.
E do que trata a história? A sinopse original do filme fala da disputa entre o legionário Horácio (Simeão Rezende) e o centurião Petrônio (Márcio Amaral) pelo amor da jovem Pompéia (Shirley Freitas), em meio à caça aos cristãos ordenada pelo império. Um trechinho do texto dá o tom da coisa:
"Roma, ano 35, tumultuava-se com as perseguições aos cristãos! Legionários romanos esquadrinhavam todos os recantos do Império Romano à destes contraventores das leis dos Césares!... Eram levados ao circo romano para o gáudio da população! Horácio, sobrinho do senador Gálio, em uma destas buscas, prende grande números de cristãos. Ao levá-los a Roma, resolve chegar ao palácio do tio para saber notícias de sua prima, a quem ama!"
A foto acima é extraída de "Minas Gerais - Ensaio de Filmografia", livro de Márcio da Rocha Galdino, lançado em 1983, que reconta a trajetória do cinema mineiro. É um dos poucos registros disponíveis da existência de "Nos Tempos de Tibério César". O filme consta do banco de dados da Cinemateca Brasileira, mas a instituição não possui nenhuma cópia dos negativos. Se nem a Cinemateca tem o longa, é bem possível que a obra esteja perdida. Ou alguém sabe onde encontrar uma cópia desse ícone trash?
Depois do artigo elogioso no "New York Times", "Tropa de Elite" chega agora a Sundance e dá mais um passo importante em sua carreira internacional. A revista "Variety" acaba de divulgar a lista dos filmes selecionados para a próxima edição do principal festival de cinema independente dos EUA, e o longa de José Padilha é o único brasileiro presente. O thriller policial estrelado Wagner Moura disputará com outros 15 filmes na categoria Cinema Mundial - Ficção, para a qual inicialmente foram inscritas 983 produções de 15 países.
A edição 2008 da tradicional mostra acontece em Park City, Utah, de 17 a 27 de janeiro. A lista completa dos selecionados, nas quatro categorias, está aqui (em inglês).
Junior Aragão/Divulgação Premiados em Brasília: Joel Pizzini, Paloma Rocha, Helena Ignez, Julio Bressane e Djin Sganzerla
Por Silvana Arantes (em Brasília)
A maior parte do público que foi ontem ao Teatro Nacional assistir à entrega dos prêmios do 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro esperava ver duas coisas que não aconteceram _a atriz brasiliense Rosane Mulholland e o longa paulista "Chega de Saudade" saírem vencedores. O resultado é que a platéia protestou quando ambos foram derrotados pela "Cleópatra" de Julio Bressane.
Mulholland, que interpreta a "Falsa Loura" de Carlos Reichenbach e a protagonista feminina de "Meu Mundo em Perigo" (José Eduardo Belmonte) viu o Candango ir parar nas mãos do produtor Tarcísio Vidigal, que o recebeu em nome de Alessandra Negrini, a Cleópatra. A ausência de Alessandra a poupou de ouvir as sonoras vaias com que o público reagiu ao anúncio de sua premiação.
Quando "Cleópatra" foi anunciado como melhor filme, o protesto foi ainda mais contundente. Levas de pessoas deixaram a sala, enquanto muitas outras vaiavam. Os que aprovaram o resultado se desdobraram para compensar o ruído de rejeição, aplaudindo Bressane de pé.
O protagonista de "Meu Mundo em Perigo", Eucir de Souza, ensaiou um delicado desagravo a Rosane. Tentou levá-la junto com ele ao palco, quando seu Candango de melhor ator foi anunciado. Ela recusou e ficou sentada em seu lugar, com um bico indisfarçável, que se desfez num sorriso quando, no palco, Eucir se referiu a ela como "uma grande, grande atriz", e a platéia o acompanhou com aplausos.
Foi o segundo troféu da vida de Eucir. Ambos saíram na mesma noite. O primeiro, um prêmio paralelo oferecido pelo jornal "Correio Braziliense", ele não ouviu ser anunciado. Estava nos movimentados arredores do teatro, comendo acarajé. Voltou correndo e disse: "É o primeiro prêmio que ganho na vida e não ouvi". Quando agarrou o Candango oficial, fez graça: "É o segundo prêmio que ganho na vida e desta vez eu ouvi", para em seguida se emocionar. "Desculpe fazer vocês me verem chorando de novo, mas desta vez é de alegria." Elias, seu personagem em "Meu Mundo em Perigo" sofre pra burro ao longo do filme. Eucir dedicou o troféu aos seus pais e avós. "A quem me amou antes de eu provar qualquer coisa".
Os seis troféus de "Cleópatra" e os dois de "Anabazys" foram um claro sinal do júri de aprovação à vertente mais autoral e sofisticada da disputa. Carlos Reichenbach, que trouxe sua marca pessoal num filme que tem pelo menos um dos pés no brega, ficou restrito a um único troféu _de atriz coadjuvante para Djin Sganzerla. "Amigos de Risco", de Daniel Bandeira, que fez sua estréia em longas com um método que a própria equipe definiu como semi-profissional (o título foi filmado em mini-DV e ampliado para 35 mm, num resultado que compromete a definição das imagens) foi o único a sair sem prêmios.
A premiação dos curtas em 35 mm deu a Bressane a companhia de um cineasta que também foi vaiado pelo público, mas deixou Brasília com um Candango. O pernambucano Leonardo Lacca, cujo "Décimo Segundo" o público reprovou vaiando, foi eleito melhor diretor. De resto, "Trópico das Cabras", de Fernando Coimbra, fez a festa dos Candangos na categoria curta em 35 mm _melhor filme segundo o júri oficial e o da crítica, melhor fotografia (Lula Carvalho), melhor atriz (Larissa Salgado) e prêmio de aquisição do Canal Brasil.
Laís Bodanzky lembrou que o cinema pode machucar os diretores também na hora em que os filmes estão sendo feitos. Ela contou que viveu uma crise na primeira semana de filmagens de "Chega de Saudade", o que "é normal", questionando-se sobre aquele projeto especificamente e até sobre a validade de sua profissão. "Não quero reinventar a vida, quero viver a vida", dizia ao marido (e roteirista do longa) Luiz Bolognesi, quando ouviu dele a exortação: "Agora pára de falar e chama o elevador. Tem um carro lá embaixo te esperando para você ir trabalhar". A Luiz e ao seu carinhoso empurrão Laís dedicou o Candango.
Escrito por Silvana Arantes (em Brasília) às 3h03 PM
'Cleópatra' vence o Festival de Brasília e é vaiado
Por Silvana Arantes (em Brasília) e Leonardo Cruz
“Cleópatra” (foto), de Julio Bressane, é o grande vencedor do Festival de Brasília, que realiza neste momento sua cerimônia de encerramento na capital federal. A versão tropical da história da rainha egípcia ficou com o Candango de melhor filme e com mais outros cinco prêmios: atriz (Alessandra Negrini), fotografia (Walter Carvalho), direção de arte (Moa Batson), trilha sonora (Guilherme Vaz) e som (Leandro Lima).
O resultado reafirma a importância que o Festival de Brasília dá ao cinema autoral de Bressane. Filmes do diretor já haviam sido premiados em outras três edições do festival: 1982 (“Tabu”), 1997 (“Miramar”) e 2003 (“Filme de Amor).
“Chega de Saudade”, o longa-metragem que mais empolgou a platéia de Brasília, ficou com o prêmio de melhor filme pelo público. O júri ainda elegeu Laís Bodansky a melhor diretora e também deu a seu filme o Candango de melhor roteiro (Luiz Bolognesi).
“Meu Mundo em Perigo”, de José Eduardo Belmonte, ficou com os prêmios de melhor ator (Eucir de Souza) e ator coadjuvante (Milhem Cortaz) e com o prêmio da crítica. Djin Sganzerla foi escolhida e melhor coadjuvante por seu desempenho em “Falsa Loura”, de Carlos Reichenbach.
O júri concedeu ainda um prêmio especial ao documentário “Anabazys”, de Paloma Rocha e Joel Pizzini, que também ganhou melhor montagem (Ricardo Miranda).
Entre os curtas em 35 mm, o júri deu a "Trópico das Cabras" os Candangos de filme, atriz (Larissa Salgado) e fotografia (Lula Carvalho) _a obra de Fernando Coimbra também foi a preferida da crítica. Já o prêmio de direção foi para Leonardo Lacca, por "Décimo Segundo", enquanto o júri popular elegeu "Eu Sou Assim - Wilson Batista", de Luiz Guimarães de Castro.
Alguns e-mails e comentários enviados motivaram este complemento tardio no post. Primeiro, em resposta ao leitor Henrique, de São Paulo, informo que, quando este post foi escrito, os Candangos ainda não haviam sido entregues, por isso não há nada sobre as vaias. Sim, tanto Bressane quanto Alessandra Negrini foram vaiados na entrega de seus prêmios _como bem definiu a própria assessoria de imprensa do festival, foi a maior vaia da história de Brasília.
Por e-mail, um bom amigo lembra que é importante informar a composição do júri que tomou tal decisão polêmica. Vamos a ele: os atores Chico Diaz e Dira Paes, o crítico de cinema da Folha Inácio Araujo, os jornalistas João Paulo Pinto da Cunha e Mauro Ventura, o escritor e roteirista Marçal Aquino e o documentarista Manfredo Caldas.
A leitora Juliana, também de São Paulo, lamenta a falta de atenção aqui no blog (e na imprensa como um todo) à competição em 16 mm de curtas, médias e longas. Juliana, você tem razão. Para minimizar o problema, aqui vai a relação dos premiados na categoria.
Melhor Filme: "Convite para Jantar com o Camarada Stalin", de Ricardo Alves Junior Melhor Direção: Ricardo Alves Junior, por "Convite para jantar com o Camarada Stalin" Melhor Ator: Arduino Colassanti, por "Esconde Esconde", de Álvaro Furlan Melhor Atriz: Suzanna Kruger, também por "Esconde Esconde" Melhor Roteiro: Alvaro Furloni, também por "Esconde Esconde" Melhor Fotografia: Tomas Peres Silva, por "Convite para Jantar com o Camarada Stalin" Melhor Montagem: Marina Meliande, por "O Labirinto", de Gleysson Spadetti Premio Especial do Júri: "O Criador de Imagens", de Diego Hoefel e Miguel Freire Menção Honrosa: "Sistema Interno", de Carolina Durão
Escrito por Leo Cruz e Silvana Arantes às 11h19 PM
Somente ontem, no último dia da mostra competitiva do 40° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a platéia que a cada noite lota o Cine Brasília se levantou, em peso, para aplaudir. Não era a um filme que se endereçava a ovação, mas a uma pessoa _dona Lúcia Rocha, mãe do cineasta Glauber Rocha (1939-81).
Dona Lúcia estava no palco, para a apresentação do último longa concorrente, "Anabazys", documentário de Joel Pizzini e Paloma Rocha (filha de Glauber com Helena Ignez), sobre a realização de "A Idade da Terra" (1980), último filme de Glauber.
Quando Paloma disse: "Este filme é resultado de um grande projeto que estamos fazendo no Tempo Glauber, entidade que minha avó fundou, para a preservação e a difusão da obra do meu pai", a platéia a interrompeu com aplausos. Dona Lúcia deu, então, um passo à frente e viu o público continuar aplaudindo-a, agora de pé. "Este é o palco das emoções", disse.
Na tela, ecoou pouco depois o discurso feérico de Glauber, extraído do "making of" de "A Idade da Terra" e de entrevistas que ele deu no Festival de Veneza, onde o filme foi rechaçado pela imprensa italiana, suspeitosa de que Glauber havia abandonado o marxismo para se converter ao pensamento religioso e ao apoio à ditadura militar brasileira.
Não haviam sido muito diferentes as reações, no Brasil, às declarações de Glauber em apoio ao general Ernesto Geisel _que ele antevia como executor de uma política de distensão, em direção à redemocratização do país. O isolamento intelectual e as dificuldades para obter o dinheiro pra realizar "A Idade da Terra" são aspectos fartamente abordados por Glauber em "Anabazys", até o ponto de ele se ver como um cineasta "entre a genialidade e o sacrifício". "Sou o João Goulart do cinema. Vocês me deram o golpe" e "Fiquei de castigo ideológico" são outras de suas declarações a respeito.
Quando analisa "a conspiração da mediocridade" que sujeita o fazer artístico no país, ele define a forma como encara a tensão existente na arte industrial que é o cinema: "Uma coisa é conquistar o público. Outra coisa é explorar o público. O cineasta deve viver a aventura da conquista".
Paloma Rocha dedicou a sessão aos atores glauberianos, a Helena Ignez e ao seu padrasto, Rogério Sganzerla, lembrando que o DVD de "O Bandido da Luz Vermelha", vencedor do Festival de Brasília em 1968, havia sido lançado durante a tarde de ontem. Após a sessão, Joel Pizzini, assediado por jornalistas, falava da contraditória figura que Glauber representa hoje no cinema brasileiro: "Ele é o farol e também o fantasma".
Escrito por Silvana Arantes (em Brasília) às 1h57 PM
Com seu primeiro longa, "Bicho de Sete Cabeças", Laís Bodanzky deixou o Festival de Brasília consagrada por sete troféus Candango, em 2000. Ontem, o segundo filme da diretora, "Chega de Saudade" (foto), estreou no festival com calorosa acolhida do público. Mas, no debate em torno dele, hoje à tarde, o diretor Edgar Navarro ("Eu Me Lembro"), confessou-se frustrado. "O filme é ótimo. Mas eu esperava mais. É um filme ótimo que qualquer um faria. De Laís Bodanzky eu queria mais", disse Navarro, tocando na questão que é o tema de fundo da disputa que se desenrola neste festival _de que modo(s) a marca autoral é capaz de se conjugar com o gosto popular no cinema brasileiro?
Antes da intervenção de Navarro, Laís havia dito que ouve com freqüência a observação de que foi longo demais o intervalo entre seu primeiro e seu segundo filmes. Nesse tempo, ela e o roteirista Luiz Bolognesi, com quem é casada, idealizaram e executaram o projeto Cine Tela Brasil, de exibições itinerantes de títulos brasileiros para populações de baixa renda e/ou que moram muito longe das salas de cinema.
Exibindo filmes, Laís disse que aprendeu muito sobre como fazê-los. "A gente sempre imagina o tal 'grande público' achando que, para dialogar com ele, é preciso nivelar por baixo, como a TV muitas vezes faz." Com a experiência do Cine Tela Brasil, a diretora disse haver descoberto que não é bem assim, que um público não-familiar ao cinema é capaz de perceber sutilezas e apreciar filmes complexos. Citou o exemplo da poesia de Arnaldo Antunes em "Bicho de Sete Cabeças", que era elogiada por quem nunca antes tivera contato com a obra do músico.
A Navarro, Laís respondeu com franqueza e sem confrontação: "Sei que, por causa do 'Bicho...', havia uma grande expectativa sobre meu segundo filme. Por isso tive tanto frio na barriga [na hora de apresentá-lo, ontem à noite]. Mas te digo que fiz 'Chega de Saudade' com toda a minha concentração. Fui até aonde consegui. Talvez esse seja o meu limite".
O ator Stepan Nercessian, que interpreta um dos personagens de destaque no filme, pediu então a palavra e questionou o ponto de vista de Navarro. "Talvez leve algum tempo para entendermos que o 'algo mais' de que você sente falta nesse filme é justamente o fato de que ele não tem um 'algo mais'. Não há um herói, uma vítima, ninguém que queira romper com nada neste filme. Lá, somos todos apenas o que somos: pessoas vivendo com suas limitações. O que você viu é o que você é."
*
A estréia de "Chega de Saudade" está prevista para 21 de março de 2008. Os irmãos produtores Caio e Fabiano Gullane disseram que pretendem lançá-lo nos mesmos moldes adotados para "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", que fez aproximadamente 400 mil espectadores _estréia em várias capitais simultaneamente, mas com poucas cópias em cada uma. A seguir, o trailer do longa de Laís Bodansky.
Escrito por Silvana Arantes (em Brasília) às 5h54 PM
O filme brasileiro na final do concurso do YouTube
Chama-se “Laços” o único filme brasileiro selecionado para a fase final do Project Direct, concurso criado em outubro pelo YouTube, no qual internautas de sete países foram convidados a enviar ao portal um curta-metragem de ficção, de até 7 minutos, cuja história respeitasse três regras estabelecidas pelo cineasta Jason Reitman, de “Obrigado por Fumar”.
Os 20 escolhidos por Reitman e sua equipe foram anunciados no último sábado. O YouTube não informa quantos projetos foram inscritos nem a divisão por países, mas a maior parcela dos selecionados é americana. São 11 curtas dos EUA, quatro espanhóis, dois ingleses, um italiano, um canadense e um brasileiro. Não há nenhum da França, o sétimo país participante, porém um dos filmes americanos é parcialmente falado em francês.
O finalista brasileiro é um projeto familiar de duas profissionais que trabalham com TV e cinema. A diretora Flávia Lacerda e a roteirista Adriana Falcão criaram a história de um encontro entre uma garota em fuga e um aparente desconhecido. Quem faz a protagonista é a filha de Adriana, Clarice, também compositora e intérprete da música-tema de “Laços”. Ela divide a cena com o amigo Célio Porto _os dois descobriram o concurso e deram o primeiro passo para que o filme fosse feito.
“Mais caseiro, impossível. Meu marido fez a câmera. O motorista fez o grip. Foi uma verdadeira ação entre amigos”, conta a diretora. “Laços” foi rodado no Rio de Janeiro, numa área residencial perto do Horto. Por ser uma competição internacional, os criadores queriam uma locação neutra, de apelo universal, no mesmo espírito do roteiro. As gravações duraram apenas um dia, feitas com uma câmera mini-DV. O curta custou entre R$ 2.000 e R$ 2.500, estima Flávia Lacerda _o principal investimento foi a diária da ilha de edição.
Profissional da Globo, Flávia foi assistente de direção nas minisséries “Auto da Compadecida” e “Caramuru”, já dirigiu quadros do “Fantástico” e capítulos da novela “Belíssima” e co-dirigiu a série “Sexo Frágil”, com o cineasta João Falcão, marido da roteirista de “Laços”. Experiente, Adriana Falcão está entre os autores dos longas “Se Eu Fosse Você”, “Irma Vap - O Retorno” e “A Máquina” e também escreveu episódios da série “A Grande Família”.
Os 20 finalistas podem ser vistos no YouTube, e o vencedor será escolhido pelos internautas. O portal promete anunciar o ganhador no próximo dia 5, quando também entrará no ar uma galeria com os 200 melhores curtas inscritos. Para assistir a “Laços”, basta clicar no vídeo acima. Mas, para votar nele (ou nos outros 19 concorrentes), é preciso entrar no site do Project Direct.
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
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