Depois de algumas semanas de ausência, está de volta o podcast Ilustrada no Cinema, agora sob comando do crítico da Folha Sérgio Rizzo. Nesta semana, ele fala sobre o filme "Piaf - Um Hino de Amor" e sobre o bom desempenho de "Tropa de Elite" em sua estréia em São Paulo e no Rio. Como o podcast também vai ao ar na página principal da Folha Online, há ainda um comentário sobre o post abaixo, das peripécias publicitárias de David Lynch. Para ouvir, é só clicar no microfone.
Este post, dica do repórter Marco Aurélio Canônico, é um aperitivo para os fãs de David Lynch que aguardam a estréia de "Império dos Sonhos" (foto). O quebra-cabeças insolúvel do diretor já passou no Festival do Rio, será exibido na Mostra de SP e deve entrar em cartaz no dia 2 de novembro.
Nos últimos anos, o diretor americano tem trabalhado de forma cada vez mais independente, longe dos grandes estúdios. E como Lynch financia seus projetos pessoais? Com empreitadas comerciais como esta: uma propaganda para a grife Gucci. O vídeo, de pouco mais de um minuto, não deixa de ser um reclame de perfume, mas carrega o estilo de Lynch por todos os lados. Confira:
Mais legal que o comercial é o "making of", em que o diretor aparece conduzindo a equipe, orientando as modelos e pilotando a câmera. Olha só:
Por fim, uma outra peça publicitária do diretor de "Veludo Azul". É um comercial para a Prefeitura de Nova York, para convencer a população a não jogar lixo na rua. É bem mais antiga, circula na internet há um bom tempo. Talvez você já tenha visto. Se não, divirta-se.
A cineasta Lucia Murat marcou seu nome no cinema brasileiro a partir de 1989, quando seu primeiro longa, "Que Bom Te Ver Viva", foi o grande vencedor do Festival de Brasília. Ex-integrante do movimento estudantil e do grupo MR-8, ela recuperava naquele filme depoimentos de mulheres torturadas na ditadura militar. Desde então, Murat consolidou uma filmografia centrada em temas políticos e sociais do país, com "Doces Poderes" (1997), "Brava Gente Brasileira" (2000), "Quase Dois Irmãos" (2003) e "Olhar Estrangeiro" (2005). Seu mais recente filme é "Maré, Nossa História de Amor", que estreou no último Festival do Rio e que estará na programação da 31ª Mostra de SP. Uma releitura de "Romeu e Julieta" em um morro carioca, a nova obra deve chegar ao circuito comercial em maio de 2008 _alguns trechos já podem ser vistos no vídeo ao final deste post. A seguir, a cineasta gentilmente escolhe sua Filmoteca para o blog, com filmes que alteraram sua forma de ver o cinema.
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"A Regra do Jogo" (Jean Renoir, 1939, disponível em DVD) Um dos clássicos de todos os clássicos. Me formou como pessoa e cineasta. Tudo o que você precisa saber sobre como tratar de relações sociais a partir de personagens. Ou de como criar personagens a partir das relações sociais, em encadeamento maravilhoso.
"West Side Story" (Robert Wise, 1961, foto, disponível em DVD) e "Hair" (Milos Forman, 1979, disponível em DVD) Musicais que fizeram a história dos musicais. Especialmente o "West Side Story", que revi inúmeras vezes, decupando, antes de rodar meu último filme, "Maré, Nossa História de Amor". Em "West Side", redescobri os melhores bailarinos do mundo, observados por uma câmera que fazia parte do movimento. Em "Hair", que talvez esteja um pouco datado, encontrei a integração do movimento do cotidiano na dança.
"A Bela da Tarde" (Luis Buñuel, 1967) Filme-chave da minha geração, então recém-liberada. Era tudo o que precisávamos para falar de repressão e sexualidade. Todas queríamos ser a Belle. Voltou à minha cabeça por causa do filme de Manoel de Oliveira ("Belle Toujours"), que ainda não vi.
"Oldboy" (Park Chan-wook, 2003, disponível em DVD) Um dos filmes que mais me impactou nos últimos anos. Sua relação com a violência, a perversidade, a vingança, sentimentos humanos tratados visceralmente, sem concessões. Tudo isso numa história que está longe de ser realista, que não tem medo do exacerbado. Ela poderia ser, mas não é, e você sabe que não é. Mesmo assim, você não consegue se afastar. Do ponto de vista da direção, acho de uma maestria impressionante.
"Calle Santa Fe" (Carmen Castillo, 2007) Documentário de quase três horas de Carmen Castillo, que estava em Cannes 2007. Ao tratar da história que viveu com seu marido, dirigente do grupo revolucionário MIR assassinado na sua frente, ela fala despudoradamente da dor, da sobrevivência, da utopia perdida. É para chorar muito e depois se levantar, porque a vida continua.
"Nome Próprio" (Murilo Salles, 2007) Estreou neste último Festival do Rio e também estará na Mostra de SP. Um filme que acompanhei desde a montagem _o resultado é surpreendentemente poético, apesar de falar de um processo destrutivo. Para mim, é um belo filme sobre a dor do ato de criação e traz uma Leandra Leal excepcional.
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
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