Ilustrada no Cinema
 

Os futuros blockbusters da Marvel

 
Simon Philips, presidente da Marvel Entertainment International, esteve nesta semana em São Paulo para falar das franquias que a maior editora de HQs do mundo vai botar nas telas em 2008, pelo menos três delas candidatas a filme mais visto do ano. São elas, pela ordem de estréia:
 
* "Iron Man" (foto), o filme do Homem de Ferro, com Robert Downey Jr. vestindo a armadura modernizada que lhe permite voar e derrotar vilões variados. O primeiro trailer caiu na rede na semana passada e, além dos bons efeitos, Downey Jr. parece bem no papel do milionário inventor Tony Stark, que se torna o herói enlatado. O filme, que tem ainda Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges, estréia nos EUA em 4 de maio;
 
* "O Incrível Hulk", com Edward Norton na pele do dr. Bruce Banner, que se transforma no gigante esmeralda quando irritado, e Liv Tyler como seu par romântico, já ganhou repercussão por aqui graças às filmagens no Rio - aparentemente, o dr. Banner vai começar o filme escondido em algumas favela, mas isso não foi confirmado. O que está certo é que a equipe, que já esteve no Rio visitando locações, vai filmar na cidade no mês que vem. Philips também disse que o estúdio está tratando o filme como o "verdadeiro filme sobre o Hulk" e não uma seqüência do longa dirigido por Ang Lee, que teve bilheteria fraca. "Este filme é só ação, tem ritmo rápido, do jeito que sempre quisemos ver o Hulk. Nele, o personagem também vai ser claramente um herói, não um ser ambíguo; ele salva o mundo", disse. A estréia está marcada para 13 de junho;
 
* "Wolverine", o spin-off com o personagem mais popular da série "X-Men" (e um dos preferidos das HQs), vai ter Hugh Jackman reprisando o papel-título e está escalado para tomar as telas no feriado norte-americano de 4 de julho, o que já dá uma dimensão da expectativa que a Marvel tem no filme.  Todo o resto segue sem confirmação oficial, mas há muito chute on-line (o IMDb, por exemplo, marca a estréia do filme para 2009).
 
* Por fim, há "Punisher", mais uma tentativa da editora de emplacar um filme decente sobre o Justiceiro, um de seus melhores e mais adorados personagens. Já houve uma tentativa com o canastrão Dolph Lundgre, em 1989, e outra mais recente, de 2004, com Thomas Jane, ambas horrendamente frustradas. Até pela indefinição da data - Philips disse apenas que ele estréia no terceiro trimestre de 2008 -, é certamente a produção menos avançada entre as quatro estréias previstas para o ano que vem.
 
O ano também marca uma virada na estratégia da Marvel, que até então leiloava seus personagens entre os estúdios (ao contrário de sua principal concorrente, a DC Comics, que franqueia todas suas estrelas - como Super-Homem e Batman - para a Warner): "Iron Man" e "O Incrível Hulk" são as duas primeiras produções totalmente bancadas pela editora, que criou seu próprio estúdio animada pela mina de ouro que viraram os filmes de super-heróis em anos recentes.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h38 PM

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Cinema se faz ao vivo

Cinema se faz ao vivo

Cinema se faz ao vivo

“O meu mundo é estranho”, afirma Zé do Caixão. Já é madrugada de quinta no Cine Odeon, mas não se trata de uma reprise de um filme do clássico personagem de José Mojica Marins. É um fragmento de “O Projecionista”, trabalho do videoartista Nepal que integra o Cinema ao Vivo, um dos projetos mais interessantes deste Festival do Rio, por mexer com os limites do audiovisual.

Idealizado por Luiz DuVa e Márcia Derraik, o Cinema ao Vivo leva VJs, videoartistas e cineastas ao palco do Odeon. Com seus laptops, durante cerca de 20 minutos, eles improvisam ao vivo um remix de imagens e sons pré-gravados, criam uma obra experimental, não-linear, que na primeira sessão fez vibrar o chão da tradicional sala de cinema carioca. Esse tipo de proposta já vem sendo realizada há um tempinho no exterior e no Brasil, mas é rara em mostras cinematográficas.

Dos três trabalhos apresentados nesta madrugada, o de Nepal é o que mais dialoga com o cinema tradicional, pois usa como base “Um Cão Andaluz” (1929, foto), marco do surrealismo em película. À obra de Luis Buñuel e Salvador Dalí, Nepal acrescenta cenas de “Oh! Rebuceteio” (1984, de Cláudio Cunha), “Todas as Mulheres do Mundo” (1966, de Domingos de Oliveira), “Bad Girls Go to Hell” (1965, de Doris Wishman) e até de “World Amazing Videos”, um desses programas trash com registros de acidentes, que entopem a TV paga. As imagens são mostradas, repetidas e ritmadas por uma batida eletrônica que se mistura ao som original dos filmes.

A primeira sessão do Cinema ao Vivo foi completada por DuVa e Tomaz Klotzel. “Concerto Laptop”, de DuVa, foi a obra mais radical da noite, com imagens distorcidas do que parece ser um choque entre dois homens. Num ritmo violento, agressivo, são cenas irreconhecíveis individualmente, mas que, em conjunto, ganham força e sentido, e a tela fica dominada por borrões marrom-avermelhados, como se uma mistura de terra com sangue. Klotzel fechou a exibição com seu “Réquiem Granular”. Com a tela dividida em três quadros, o artista retrabalha imagens de arquivo do futebol brasileiro. É um cruzamento de cenas de treinos, jogos, dribles e tentos, desde a década de 50 até a final do Campeonato Paulista de 1977 e o gol de Basílio, que deu a taça ao Corinthians contra a Ponte Preta e tirou a equipe do jejum de títulos.

O Cinema ao Vivo continua no Festival do Rio até sábado. Sempre à meia-noite. Sempre no Cine Odeon. E os artistas mudam a cada dia. Hoje e amanhã, o coletivo Embolex vai misturar “Bang Bang”, de Andrea Tonacci, e “A Mulher de Todos”, de Rogério Sganzerla. Também amanhã e sábado, Rodrigo Minelli e Ronaldo Gino farão uma releitura de “Limite”, de Mário Peixoto, e o pessoal da Ludo Filmes vai remixar “A Volta dos Mortos-Vivos”, de George Romero. Medo!

Escrito por Leonardo Cruz (no Rio) às 12h43 PM

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Os adversários de 'O Ano'

Os adversários de 'O Ano'

Os adversários de 'O Ano'

E deu Cao Hamburger, como relata a Folha Online. Com a escolha de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" para concorrer a uma das cinco vagas ao Oscar, resta agora analisar quem também está na disputa. Dos 95 países convidados pela Academia a se inscrever, muitos ainda não definiram seus postulantes. Mas, entre os que têm candidato, fica claro que o longa brasileiro terá fortes adversários.

A França, por exemplo, apontou "Persépolis" (foto), a versão para o cinema da HQ de Marjane Satrapi _a animação foi premiada pelo júri em Cannes deste ano. Também buscará uma indicação o grande vencedor do festival francês: "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", de Cristian Mungiu, é o candidato da Romênia. Os alemães vão com "Do Outro Lado", de Fatih Akin, melhor roteiro em Cannes. "Lust, Caution", de Ang Lee, Leão de Ouro no Festival de Veneza, representará Taiwan. 

Há também cineastas veteranos concorrendo. O Canadá escolheu "L'Âge des Ténèbres", de Denys Arcand, premiado com Oscar de filme estrangeiro em 2003 por "Invasões Bárbaras". Andrzej Wajda, que recebeu um Oscar honorário em 2000, teve seu "Katyn" selecionado pela Polônia.

Ainda assim, pelos motivos listados no post abaixo, "O Ano" tem boas chances de ficar entre os cinco finalistas. Seu êxito dependerá essencialmente de uma eficiente campanha de divulgação entre os votantes. Como já comentou Cao Hamburger nesta tarde, o importante é "fazer com que as pessoas da seleção vejam [o filme]. Depois, é fazer com que elas gostem".

Escrito por Leonardo Cruz às 2h54 PM

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Quem será o brasileiro no Oscar?

Quem será o brasileiro no Oscar?

Quem será o brasileiro no Oscar?

Na tarde desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, o Ministério da Cultura anunciará o longa brasileiro que disputará uma vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar 2008. Os 18 candidatos serão avaliados por seis jurados _os cineastas Bruno Barreto e Hector Babenco, a jornalista Ana Paula Sousa, os críticos Rubens Ewald Filho e Pedro Butcher (da Folha) e o organizador da Mostra de SP, Leon Cakoff.

Os postulantes são: "A Grande Família – O Filme", "A História das Três Marias", "Antônia", "Batismo de Sangue", "Cidade dos Homens", "Fabricando Tom Zé", "Muito Gelo e Dois Dedos D’Água", "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", "O Céu de Suely", "O Cheiro do Ralo", “O Dono do Mar”, “Ó Paí, Ó”, “Passageiro – Segredos de Adulto”, “Primo Basílio”, “Proibido Proibir”, “Saneamento Básico – O Filme”, “Tropa de Elite” e “Três Irmãos de Sangue”.

Desses, a meu ver, três têm mais chances de levar a indicação. “Cidade dos Homens” e “Tropa de Elite” fazem conexão direta com “Cidade de Deus”, o maior sucesso do cinema brasileiro no exterior recentemente, e essa relação é um potencial atrativo para o júri da Academia _vale lembrar que a obra de Fernando Meirelles teve quatro indicações ao prêmio em 2002.

Já “O Ano” (foto) foi exibido no Festival de Berlim, onde foi bem-recebido pela imprensa americana. A história do garotinho deixado no Bom Retiro pelos pais em fuga tem elementos que costumam agradar à Academia: crianças como protagonistas (caso do tcheco “Kolya”, vencedor em 1996) e pano de fundo histórico importante (como “A Vida dos Outros”, premiado no ano passado). Além disso, a fascinação do menino por futebol e pela seleção tricampeã em 1970 representa um elo com um ponto fundamental da cultura brasileira. É um elemento regional inserido na trama de forma natural, sem parecer exótico como “Ó, Pai, Ó”.

Se tivesse que apostar, este blog colocaria suas fichas no filme de Cao Hamburger. Parece ser a obra com características para levar o júri a um consenso. Entre os demais candidatos, correm por fora “Antônia”, “Saneamento Básico” e “O Céu de Suely”. A eventual indicação desse último seria uma ótima surpresa.

E você, caro leitor? Em quem colocaria suas fichas?

*

'Paisà' de volta às bancas

Boa notícia. Depois de dois números com atualizações apenas na internet, a boa revista "Paisà" volta a ter edição impressa. O número 9, nas bancas de SP, Rio, BH e Porto Alegre, traz o cinema de Quentin Tarantino na capa, comenta "Ligeiramente Grávidos", de Judd Apatow, e lista os 25 melhores filmes franceses dos últimos 25 anos.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h52 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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