Ilustrada no Cinema

 

 

Os futuros blockbusters da Marvel

 
Simon Philips, presidente da Marvel Entertainment International, esteve nesta semana em São Paulo para falar das franquias que a maior editora de HQs do mundo vai botar nas telas em 2008, pelo menos três delas candidatas a filme mais visto do ano. São elas, pela ordem de estréia:
 
* "Iron Man" (foto), o filme do Homem de Ferro, com Robert Downey Jr. vestindo a armadura modernizada que lhe permite voar e derrotar vilões variados. O primeiro trailer caiu na rede na semana passada e, além dos bons efeitos, Downey Jr. parece bem no papel do milionário inventor Tony Stark, que se torna o herói enlatado. O filme, que tem ainda Gwyneth Paltrow e Jeff Bridges, estréia nos EUA em 4 de maio;
 
* "O Incrível Hulk", com Edward Norton na pele do dr. Bruce Banner, que se transforma no gigante esmeralda quando irritado, e Liv Tyler como seu par romântico, já ganhou repercussão por aqui graças às filmagens no Rio - aparentemente, o dr. Banner vai começar o filme escondido em algumas favela, mas isso não foi confirmado. O que está certo é que a equipe, que já esteve no Rio visitando locações, vai filmar na cidade no mês que vem. Philips também disse que o estúdio está tratando o filme como o "verdadeiro filme sobre o Hulk" e não uma seqüência do longa dirigido por Ang Lee, que teve bilheteria fraca. "Este filme é só ação, tem ritmo rápido, do jeito que sempre quisemos ver o Hulk. Nele, o personagem também vai ser claramente um herói, não um ser ambíguo; ele salva o mundo", disse. A estréia está marcada para 13 de junho;
 
* "Wolverine", o spin-off com o personagem mais popular da série "X-Men" (e um dos preferidos das HQs), vai ter Hugh Jackman reprisando o papel-título e está escalado para tomar as telas no feriado norte-americano de 4 de julho, o que já dá uma dimensão da expectativa que a Marvel tem no filme.  Todo o resto segue sem confirmação oficial, mas há muito chute on-line (o IMDb, por exemplo, marca a estréia do filme para 2009).
 
* Por fim, há "Punisher", mais uma tentativa da editora de emplacar um filme decente sobre o Justiceiro, um de seus melhores e mais adorados personagens. Já houve uma tentativa com o canastrão Dolph Lundgre, em 1989, e outra mais recente, de 2004, com Thomas Jane, ambas horrendamente frustradas. Até pela indefinição da data - Philips disse apenas que ele estréia no terceiro trimestre de 2008 -, é certamente a produção menos avançada entre as quatro estréias previstas para o ano que vem.
 
O ano também marca uma virada na estratégia da Marvel, que até então leiloava seus personagens entre os estúdios (ao contrário de sua principal concorrente, a DC Comics, que franqueia todas suas estrelas - como Super-Homem e Batman - para a Warner): "Iron Man" e "O Incrível Hulk" são as duas primeiras produções totalmente bancadas pela editora, que criou seu próprio estúdio animada pela mina de ouro que viraram os filmes de super-heróis em anos recentes.

Escrito por Marco Aurélio Canônico às 12h38 PM

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Cinema se faz ao vivo

Cinema se faz ao vivo

Cinema se faz ao vivo

“O meu mundo é estranho”, afirma Zé do Caixão. Já é madrugada de quinta no Cine Odeon, mas não se trata de uma reprise de um filme do clássico personagem de José Mojica Marins. É um fragmento de “O Projecionista”, trabalho do videoartista Nepal que integra o Cinema ao Vivo, um dos projetos mais interessantes deste Festival do Rio, por mexer com os limites do audiovisual.

Idealizado por Luiz DuVa e Márcia Derraik, o Cinema ao Vivo leva VJs, videoartistas e cineastas ao palco do Odeon. Com seus laptops, durante cerca de 20 minutos, eles improvisam ao vivo um remix de imagens e sons pré-gravados, criam uma obra experimental, não-linear, que na primeira sessão fez vibrar o chão da tradicional sala de cinema carioca. Esse tipo de proposta já vem sendo realizada há um tempinho no exterior e no Brasil, mas é rara em mostras cinematográficas.

Dos três trabalhos apresentados nesta madrugada, o de Nepal é o que mais dialoga com o cinema tradicional, pois usa como base “Um Cão Andaluz” (1929, foto), marco do surrealismo em película. À obra de Luis Buñuel e Salvador Dalí, Nepal acrescenta cenas de “Oh! Rebuceteio” (1984, de Cláudio Cunha), “Todas as Mulheres do Mundo” (1966, de Domingos de Oliveira), “Bad Girls Go to Hell” (1965, de Doris Wishman) e até de “World Amazing Videos”, um desses programas trash com registros de acidentes, que entopem a TV paga. As imagens são mostradas, repetidas e ritmadas por uma batida eletrônica que se mistura ao som original dos filmes.

A primeira sessão do Cinema ao Vivo foi completada por DuVa e Tomaz Klotzel. “Concerto Laptop”, de DuVa, foi a obra mais radical da noite, com imagens distorcidas do que parece ser um choque entre dois homens. Num ritmo violento, agressivo, são cenas irreconhecíveis individualmente, mas que, em conjunto, ganham força e sentido, e a tela fica dominada por borrões marrom-avermelhados, como se uma mistura de terra com sangue. Klotzel fechou a exibição com seu “Réquiem Granular”. Com a tela dividida em três quadros, o artista retrabalha imagens de arquivo do futebol brasileiro. É um cruzamento de cenas de treinos, jogos, dribles e tentos, desde a década de 50 até a final do Campeonato Paulista de 1977 e o gol de Basílio, que deu a taça ao Corinthians contra a Ponte Preta e tirou a equipe do jejum de títulos.

O Cinema ao Vivo continua no Festival do Rio até sábado. Sempre à meia-noite. Sempre no Cine Odeon. E os artistas mudam a cada dia. Hoje e amanhã, o coletivo Embolex vai misturar “Bang Bang”, de Andrea Tonacci, e “A Mulher de Todos”, de Rogério Sganzerla. Também amanhã e sábado, Rodrigo Minelli e Ronaldo Gino farão uma releitura de “Limite”, de Mário Peixoto, e o pessoal da Ludo Filmes vai remixar “A Volta dos Mortos-Vivos”, de George Romero. Medo!

Escrito por Leonardo Cruz (no Rio) às 12h43 PM

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Os adversários de 'O Ano'

Os adversários de 'O Ano'

Os adversários de 'O Ano'

E deu Cao Hamburger, como relata a Folha Online. Com a escolha de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" para concorrer a uma das cinco vagas ao Oscar, resta agora analisar quem também está na disputa. Dos 95 países convidados pela Academia a se inscrever, muitos ainda não definiram seus postulantes. Mas, entre os que têm candidato, fica claro que o longa brasileiro terá fortes adversários.

A França, por exemplo, apontou "Persépolis" (foto), a versão para o cinema da HQ de Marjane Satrapi _a animação foi premiada pelo júri em Cannes deste ano. Também buscará uma indicação o grande vencedor do festival francês: "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", de Cristian Mungiu, é o candidato da Romênia. Os alemães vão com "Do Outro Lado", de Fatih Akin, melhor roteiro em Cannes. "Lust, Caution", de Ang Lee, Leão de Ouro no Festival de Veneza, representará Taiwan. 

Há também cineastas veteranos concorrendo. O Canadá escolheu "L'Âge des Ténèbres", de Denys Arcand, premiado com Oscar de filme estrangeiro em 2003 por "Invasões Bárbaras". Andrzej Wajda, que recebeu um Oscar honorário em 2000, teve seu "Katyn" selecionado pela Polônia.

Ainda assim, pelos motivos listados no post abaixo, "O Ano" tem boas chances de ficar entre os cinco finalistas. Seu êxito dependerá essencialmente de uma eficiente campanha de divulgação entre os votantes. Como já comentou Cao Hamburger nesta tarde, o importante é "fazer com que as pessoas da seleção vejam [o filme]. Depois, é fazer com que elas gostem".

Escrito por Leonardo Cruz às 2h54 PM

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Quem será o brasileiro no Oscar?

Quem será o brasileiro no Oscar?

Quem será o brasileiro no Oscar?

Na tarde desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, o Ministério da Cultura anunciará o longa brasileiro que disputará uma vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar 2008. Os 18 candidatos serão avaliados por seis jurados _os cineastas Bruno Barreto e Hector Babenco, a jornalista Ana Paula Sousa, os críticos Rubens Ewald Filho e Pedro Butcher (da Folha) e o organizador da Mostra de SP, Leon Cakoff.

Os postulantes são: "A Grande Família – O Filme", "A História das Três Marias", "Antônia", "Batismo de Sangue", "Cidade dos Homens", "Fabricando Tom Zé", "Muito Gelo e Dois Dedos D’Água", "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", "O Céu de Suely", "O Cheiro do Ralo", “O Dono do Mar”, “Ó Paí, Ó”, “Passageiro – Segredos de Adulto”, “Primo Basílio”, “Proibido Proibir”, “Saneamento Básico – O Filme”, “Tropa de Elite” e “Três Irmãos de Sangue”.

Desses, a meu ver, três têm mais chances de levar a indicação. “Cidade dos Homens” e “Tropa de Elite” fazem conexão direta com “Cidade de Deus”, o maior sucesso do cinema brasileiro no exterior recentemente, e essa relação é um potencial atrativo para o júri da Academia _vale lembrar que a obra de Fernando Meirelles teve quatro indicações ao prêmio em 2002.

Já “O Ano” (foto) foi exibido no Festival de Berlim, onde foi bem-recebido pela imprensa americana. A história do garotinho deixado no Bom Retiro pelos pais em fuga tem elementos que costumam agradar à Academia: crianças como protagonistas (caso do tcheco “Kolya”, vencedor em 1996) e pano de fundo histórico importante (como “A Vida dos Outros”, premiado no ano passado). Além disso, a fascinação do menino por futebol e pela seleção tricampeã em 1970 representa um elo com um ponto fundamental da cultura brasileira. É um elemento regional inserido na trama de forma natural, sem parecer exótico como “Ó, Pai, Ó”.

Se tivesse que apostar, este blog colocaria suas fichas no filme de Cao Hamburger. Parece ser a obra com características para levar o júri a um consenso. Entre os demais candidatos, correm por fora “Antônia”, “Saneamento Básico” e “O Céu de Suely”. A eventual indicação desse último seria uma ótima surpresa.

E você, caro leitor? Em quem colocaria suas fichas?

*

'Paisà' de volta às bancas

Boa notícia. Depois de dois números com atualizações apenas na internet, a boa revista "Paisà" volta a ter edição impressa. O número 9, nas bancas de SP, Rio, BH e Porto Alegre, traz o cinema de Quentin Tarantino na capa, comenta "Ligeiramente Grávidos", de Judd Apatow, e lista os 25 melhores filmes franceses dos últimos 25 anos.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h52 PM

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Filmes da Mostra 1 - Perspectiva

Filmes da Mostra 1 - Perspectiva

A lista final ainda não está fechada, e outros filmes devem entrar, porém mais de 200 produções, como "Control" (foto), estão confirmadas na programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A seguir, a relação de todos os longas já definidos (seguindo os títulos adotados pela Mostra), divididos em três posts _este com a seção Perspectiva, outro com a Competição (jovens diretores) e mais um com as retrospectivas e exibições especiais. Nesse terceiro, falta a seção dedicada ao crítico de cinema francês Serge Daney, pois os filmes ainda estão sendo escolhidos. Para quem já está se programando, o festival paulistano acontece de 19 de outubro a 1º de novembro. Os pacotes de ingressos e permanentes estarão à venda a partir de 13 de outubro, na Central da Mostra, que uma vez mais estará instalada no Conjunto Nacional, da avenida Paulista.

Perspectiva

2 DIAS EM PARIS, de Julie Delpy (FRANÇA, ALEMANHA)
4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS, de Cristian Mungiu (ROMÊNIA)
A 15ª PEDRA, MANOEL DE OLIVEIRA E JOÃO BÉNARD DA COSTA EM CONVERSA FILMADA POR RITA AZEVEDO GOMES, de Rita Azevedo Gomes (PORTUGAL, BRASIL)
A DIFFERENT STORY (UN'ALTRA STORIA), de M. Battaglia, G. Donati, L. Schimmenti, A. Zulini (ITÁLIA)
A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA, de Zhang Yimou (CHINA)
A OUTRA MARGEM, de Luis Filipe Rocha (PORTUGAL)
A VIDA DOS OUTROS, de Florian Henckel von Donnersmarck (ALEMANHA)
ACROSS THE PLATEAU (CHUAN YUE GAO YUAN), de Zhang Zeming, Paul Liu (CHINA, AUSTRÁLIA)
ACROSS THE UNIVERSE, de Julie Taymor (EUA)
ANGEL (THE REAL LIFE OF ANGEL DEVERELL), de François Ozon (INGLATERRA, BÉLGICA, FRANÇA)
ARARAT - FOURTEEN VIEWS (ARARAT - 14 TESSARAN), de Don Askarian (HOLANDA, ALEMANHA, ARMÊNIA)
BEAUFORT (BUFOR), de Joseph Cedar (ISRAEL)
BEFORE I FORGET (AVANT QUE J'OUBLIE), de Jacques Nolot (FRANÇA)
BERLIN ROUND DANCE (BERLINER REIGEN), de Dieter Berner (ALEMANHA)
BOMB IT, de Jon Reiss (EUA)
BOXES, de Jane Birkin (FRANÇA)
BRANDO, de Mimi Freedman, Leslie Grief (EUA)
BREAKOUT, de Mike Eschmann (SUÍÇA)
CHILDHOODS (ENFANCES), de Vários (FRANÇA)
CONGORAMA, de Philippe Falardeau (CANADÁ, BÉLGICA, FRANÇA)
CONTROL, de Anton Corbjin (REINO UNIDO, EUA)
CRISTÓVÃO COLOMBO – O ENIGMA, de Manoel de Oliveira (PORTUGAL, FRANÇA)
DÉSENGAGEMENT, de Amos Gitaï (ALEMANHA, ITÁLIA, FRANÇA, ISRAEL)
DO OUTRO LADO (AUF DER ANDEREN SEITE), de Fatih Akin (ALEMANHA, TURQUIA)
DOL, de Hiner Saleem (CURDISTÃO, FRANÇA, ALEMANHA)
DRY SEASON (DARATT), de Mahamat-Saleh Haroun (FRANÇA, BÉLGICA)
EDUART, de Angeliki Antoniou (GRÉCIA, ALEMANHA)
EGG (YUMURTA), de Semih Kaplanoglu (TURQUIA, GRÉCIA)
EVERYONE'S FINE (ALLA MÅR BRA), de Rainer Hartleb (SUÉCIA)
FAY GRIM, de Hal Hartley (EUA, ALEMANHA, FRANÇA)
FLAMENCO MI VIDA, KNIVES OF THE WIND, de Peter Sempel (ALEMANHA)
FORGIVE ME (DÉLIVREZ-MOI), de Denis Chouinard (CANADÁ)
GETTING HOME (LUO YE GUI GEN), de Zhang Yang (HONG KONG, CHINA)
HEARTBEAT DETECTOR (LA QUESTION HUMAINE), de Nicolas Klotz (FRANÇA)
HOUSE OF THE SLEEPING BEAUTIES (HAUS DER SCHLAFENDEN SCHÖNEN), de Vadim Glowna (ALEMANHA)
HULA GIRLS (HULA GÂRU), de Lee Sang-il (JAPÃO)
IMPÉRIO DOS SONHOS, de David Lynch (FRANÇA, POLÔNIA, EUA)
IMPORT EXPORT, de Ulrich Seidl  (ÁUSTRIA)
IN THE CITIES (DANS LES VILLES), de Catherine Martin (CANADÁ)
IN THE SHADOW OF THE LIGHT, de Sarah Payton, Chris Teerink  (HOLANDA)
INTERVIEW, de Steve Buscemi (EUA, HOLANDA)
INVISIBLES, de I.Coixet. W.Wenders, F.León de Aranoa, M.Barroso, J.Corcuera (ESPANHA)
IRINA PALM, de Sam Garbarski (BÉLGICA, INGLATERRA)
IRONEATERS (EISENFRESSER), de Shaheen Dill-Riaz (ALEMANHA)
KEEPERS OF EDEN, de Yoram Porath (EQUADOR)
KICKS, de Albert ter Heerdt (HOLANDA)
LADY CHATTERLEY, de Pascale Ferran (BÉLGICA, FRANÇA, REINO UNIDO)

LOST IN BEIJING (PING GUO), de Li Yu (CHINA, foto)
LOVE SONGS (LES CHANSONS D´AMOUR), de Christophe Honoré (FRANÇA)
MEDO DA VERDADE (GONE BABY GONE), de Ben Affleck (EUA)
MEMORY OF SEPTEMBER, de Hiroshi Toda (JAPÃO)
MID-AFTERNOON BARKS (XIA WU GOU JIAO), de Zhang Yuedong (CHINA)
NACIDO Y CRIADO, de Pablo Trapero (ARGENTINA)
NADINE, de Erik de Bruyn (HOLANDA, BÉLGICA)
NANKING, de Bill Guttentag, Dan Sturman (EUA)
NO COUNTRY FOR OLD MEN, de Ethan e Joel Coen (EUA)
NOSSO TEMPO (KAAL), de Bappaditya Bandopadhyay (ÍNDIA)
O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD, de Andrew Dominik (EUA, CANADÁ)
O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN, de Robin Swicord (EUA)
O PREÇO DA CORAGEM (A MIGHTY HEART), de Michael Winterbottom (EUA)
ONE OF OUR OWN, de Abe Levy (EUA)
OS CORPOS MORTOS DOS VIVOS (DIE TOTEN KÖRPER DER LEBENDEN), de Peter Kern (ÁUSTRIA)
PARANOID PARK, de Gus Van Sant (FRANÇA, EUA)
PINTORA AOS 4 ANOS (MY KID COULD PAINT THAT), de Amir Bar-Lev (EUA)
POTOSI, THE JOURNEY (POTOSI, LE TEMPS DU VOYAGE), de Ron Havilio (FRANÇA, ISRAEL)
ROLLING STONES, SYMPATHY FOR THE DEVIL, de Jean-Luc Godard (INGLATERRA)
SCREAMERS, de Carla Garapedian (REINO UNIDO, EUA)
SHADOWS (SENKI), de Milcho Manchevski (MACEDÔNIA)
SHELTER (RIPARO), de Marco Simon Puccioni (ITÁLIA, FRANÇA)
SKY IN DECEMBER (JUNI GATSU NO SORA), de Hiroshi Toda (JAPÃO)
SONHANDO ACORDADO (LA SCIENCE DES RÊVES), de Michel Gondry (FRANÇA, ITÁLIA)
SOUNDS OF SAND (SI LE VENT SOULÈVE LES SABLES), de Marion Hänsel (BÉLGICA, FRANÇA)
SURVIVING MY MOTHER, de Émile Gaudreault (CANADÁ)
TERANGA BLUES, de Moussa Sene Absa (SENEGAL, FRANÇA)
THE ELEVENTH HOUR, de Nadia Conners, Leila Conners Petersen (EUA)
THE GIRLS FROM BRAZIL (HAYLADOT MBRAZIL), de Nili Tal (ISRAEL, BRASIL)
THE HALFMOON FILES, de Philip Scheffner (ALEMANHA)
THE ISLAND (OSTROV), de Pavel Lounguine (RÚSSIA)
THE LEGACY (L'HERITAGE), de Gela Babluani, Temur Babluani (GEÓRGIA, FRANÇA)
THE LIGHTHOUSE (MAYAK), de Maria Saakyan (ARMÊNIA, RÚSSIA)
THE MAN FROM LONDON (A LONDONI FÉRFI), de Béla Tarr (HUNGRIA, FRANÇA, ALEMANHA)
THE OPTIMISTS (OPTIMISTI), de Goran Paskaljevic (SÉRVIA)
THE REAL STATE (EL ESTADO DE LAS COSAS), de Marcos Loayza (BOLÍVIA)
THE REST IS SILENCE (RESTUL E TACERE), de Nae Caranfil (ROMÊNIA)
THE SHADOW WITHIN, de Silvana Zancolo (ITÁLIA)
THE TRACEY FRAGMENTS, de Bruce McDonald (CANADÁ)
THE TRAP (KLOPKA), de Srdan Golubovic (SÉRVIA, ALEMANHA, HUNGRIA)
THE VISION (DRISHTANTHAM), de M.P.Sukumaran Nair (ÍNDIA)
THE WALTZ (VALZER), de Salvatore Maira (ITÁLIA)
THE WITNESSES (LES TÉMOINS), de André Téchiné (FRANÇA)
THE YELLOW HOUSE (LA MAISON JAUNE), de Amor Hakkar (FRANÇA, ARGÉLIA)
UM JOGO DE VIDA OU MORTE (SLEUTH), de Kenneth Branagh (EUA)
VALENTE (THE BRAVE ONE), de Neil Jordan (EUA, AUSTRÁLIA)
VOGELFREI, de Janis Kalejs, Gatis Smits, Janis Putnins, Anna Viduleja (LETÔNIA)
WAITER (OBER), de Alex van Warmerdam (HOLANDA)
WINDS FROM ZERO, de Toshi Shoya (JAPÃO)
YOU THE LIVING (DU LEVANDE), de Roy Andersson (SUÉCIA)
YOUNG YAKUZA, de Jean-Pierre Limosin (FRANÇA)
ZOO, de Robinson Devor (EUA)

Escrito por Leonardo Cruz às 9h26 AM

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Filmes da Mostra 2 - Competição (jovens diretores)

Filmes da Mostra 2 - Competição (jovens diretores)

A BANDA (BIKUR HATIZMORET), de Eran Kolirin (ISRAEL, FRANÇA)
A TIME FOR FISHES (ZEIT DER FISCHE), de Heiko Aufdermauer (ALEMANHA)
A WHITE BALLAD (UNA BALLATA BIANCA), de Stefano Odoardi (ITÁLIA)
ABSOLUTE BEGINNER (ALEJA GOWNIARZY), de Piotr Szczepanski (POLÔNIA)
ALL THE INVISIBLE THINGS (HEILE WELT), de Jakob M. Erwa (ÁUSTRIA)
AMOUR FOU (AUFTAUCHEN), de Felicitas Korn (ALEMANHA)
ANYTIME SOON (ESAS NO SON PENAS), de Anahí Hoeneisen, Daniel Andrade (EQUADOR)
AO CACHORRO DESCONHECIDO (FÜR DEN UNBEKANNTEN HUND), de Dominik Reding, Benjamin Reding (ALEMANHA)
AWAY FROM HER, de Sarah Polley (CANADÁ, foto acima)
BENEATH THE SAME MOON (SOTTO LA STESSA LUNA), de Carlo Luglio (ITÁLIA)
BUDDHA'S LOST CHILDREN, de Mark Verkerk (HOLANDA)
CHAMAMÉ - MUSIC, PEOPLE, POETRY, de Cosima Lange (ALEMANHA, ARGENTINA)
DE CABEÇA PARA BAIXO (PREVRTENO), de Igor Ivanov (MACEDÔNIA, CROÁCIA)
DEFICIT, de Gael García Bernal (MÉXICO)
DISTANCE (YUAN LI), de Wei Tie (CHINA)
FACING THE DAY (STO SA SOBOM PREKO DANA), de Ivona Juka (CROÁCIA)
FOUL GESTURE (TNUAH MEGUNA), de Tzahi Grad (ISRAEL)
FRANCE, de Serge Bozon (FRANÇA)
GARAGE, de Lenny Abrahamson (IRLANDA)
HAFNER´S PARADISE (HAFNERS PARADIES), de Günter Schwaiger (ÁUSTRIA, ESPANHA)
HAVE YOU ANOTHER APPLE? (BAAZ HAM SIB DAARI), de Bayram Fazli (IRÃ)
IDENTITY - THE TRUE STORY OF JUAN PIRAS PERON (IDENTITÀ – LA VERA STORIA DI JUAN PIRAS PERÓN), de Chiara Bellini (ITÁLIA)
IN YOUR WAKE (NOS RETROUVAILLES), de David Oelhoffen (FRANÇA)
IT'S BETTER IF GABRIELA DOESN'T DIE (MEJOR ES QUE GABRIELA NO SE MUERA), de Sergio Umansky (MÉXICO)
JESUS, SPIRIT OF GOD (ISSA, ROH-E KHODA), de Nader Talebzadeh (IRÃ)
KARGER, de Elke Hauck (ALEMANHA)
LA LEON, de Santiago Otheguy (ARGENTINA, FRANÇA)
LOVE RUNS FASTER THAN BLOOD, de Hideki Kitagawa (JAPÃO)
LUMO, de Bent-Jorgen Perlmutt (CONGO, EUA)
MILITARY INTELLIGENCE AND YOU, de Dale Kutzera (EUA)
MOEBIUS REDUX - A LIFE IN PICTURES, de Hasko Baumann (ALEMANHA, CANADÁ)
MUST READ AFTER MY DEATH, de Morgan Dews (ESPANHA, EUA)
NENHUM (NOBODY), de Shawn Linden (CANADÁ)

O BANHEIRO DO PAPA, de Enrique Fernández, César Charlone (BRASIL, URUGUAI, FRANÇA, foto)
O QUE SEI DE LOLA (LO QUE SÉ DE LOLA), de Javier Rebollo (ESPANHA, FRANÇA)
O ZELADOR, de Daren Bartlett (REINO UNIDO)
ON EVIL GROUNDS (AUF BÖSEM BODEN), de Peter Koller (ÁUSTRIA)
PADRE NUESTRO, de Christopher Zalla (EUA)
PANCHO VILLA, A REVOLUÇÃO NÃO ACABOU, de Francesco Taboada Tabone (MÉXICO)
POSTCARDS FROM LENINGRAD (POSTALES DE LENINGRADO), de Mariana Rondón (VENEZUELA)
RAZORTOOTH, de Patricia Harrington (EUA)
RETURN TO GOREE (RETOUR À GORÉE), de Pierre-Yves Borgeaud (SUÍÇA, LUXEMBURGO)
ROMEO & JULIETTE, de Yves Desgagnés (CANADÁ)
SISTERS OF NO MERCY (MEINE HÖLLE EUROPA), de Lukas Roegler (ALEMANHA, NIGÉRIA)
SNIPERS VALLEY (MÖRDERISCHER FRIEDEN), de Rudolf Schweiger (ALEMANHA)
SOMBRAS DA NOITE (AUX FRONTIERES DE LA NUIT), de Nasser Bakhti (SUÍÇA)
STOLEN HOLIDAYS (LES PETITES VACANCES), de Olivier Peyon (FRANÇA)
THE ART OF CRYING (KUNSTEN AT GRAEDE I KOR), de Peter Schønau Fog (DINAMARCA)
THE BIG SELLOUT (DER GROSSE AUSVERKAUF), de Florian Opitz (ALEMANHA)
THE CAVE SIDE OF LIFE (IL LATO GROTTESCO DELLA VITA), de Federica Di Giacomo (ITÁLIA)
THE CREAM (LA CRÈME), de Reynald Bertrand (FRANÇA)
THE DOORMAN, de Wayne Price (EUA)
THE EMPIRE OF EVIL (IM REICH DES BÖSEN), de Mohammad Farokhmanesh (ALEMANHA)
THE HOTTEST STATE, de Ethan Hawke (EUA)
THE ORCHESTRA OF PIAZZA VITTORIO (L’ORCHESTRA DI PIAZZA VITTORIO), de Agostino Ferrente (ITÁLIA)
THE OTHER (EL OTRO), de Ariel Rotter (ARGENTINA, FRANÇA, ALEMANHA)
THE SWINGING DOLL (LA MUÑECA DEL ESPACIO), de David Moncasi (ESPANHA)
THE WAR ON DRUGS, de Sebastian J. F. (ÁUSTRIA)
THE WHISPER OF THE SAND (EL RUMOR DE LA ARENA), de Jesús Prieto, Daniel Iriarte (ESPANHA)
THEY TURNED OUR DESERT INTO FIRE, de Mark Brecke (SUDÃO, CHADE, EUA)
TRESSETTE - A STORY OF AN ISLAND (TRESETA), de Drazen Zarkovic, Pavo Marinkovic (CROÁCIA)
TWO EMBRACES (DOS ABRAZOS), de Enrique Begné (MÉXICO)
USED PARTS (PARTES USADAS), de Aarón Fernández (MÉXICO, FRANÇA, ESPANHA)
UTOPIA 79, de Joan Lopez (ESPANHA)
WE ARE TOGETHER (THINA SIMUNYE), de Paul Taylor (REINO UNIDO)
WHOLETRAIN, de Florian Gaag (ALEMANHA, POLÔNIA)
YEAR OF THE FISH, de David Kaplan (EUA)

Escrito por Leonardo Cruz às 9h14 AM

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Filmes da Mostra 3 - Retrospectivas

Filmes da Mostra 3 - Retrospectivas

Retrospectiva Jean Paul Civeyrac

MAN´S GENTLE LOVE (LE DOUX AMOUR DES HOMMES)
NEITHER EVE NOR ADAM (NI D´ÈVE NI D´ADAM)
SPIRITS (FANTÔMES)
THE LONELY (LES SOLITAIRES)
TODAS AS BELAS PROMESSAS (TOUTES CES BELLES PROMESSES)
TROUGH THE FOREST (À TRAVERS LA FORÊT, foto acima)

 

Retrospectiva Jia Zhang-ke

DONG
O MUNDO (SHIJIE)
PICKPOCKET (XIAO WU)
PLATAFORMA (ZHANTAI)
PRAZERES DESCONHECIDOS (REN XIAO YAO)
STILL LIFE (SANXIA HAOREN)
USELESS (WU YONG)

 

Seleção FESPACO (principal festival de cinema africano)

ALI ZAOUA, de Nabil Ayouch (MARROCOS)
AU NOM DU CHRIST, de Roger Gnoan M´Bala (COSTA DO MARFIM)
BAARA, de Souleymane Cissé (MALI)
BUUD YAM, de Gaston J-M Kaboré (BURQUINA FASSO)
DJELI, de Fadika Kramo-Lanciné (COSTA DO MARFIM)
DRUM, de Zola Maseko (ÁFRICA DO SUL)
FINYÉ, de Souleymane Cissé (MALI)
GUIMBA - UN TYRAN, UNE EPOQUE, de Cheick Oumar Sissoko (MALI)
HEREMAKONO - EN ATTENDANT LE BONHEUR, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
HERITAGE AFRICA, de Kwaw Ansah (GANA)
HISTOIRE D´UNE RENCONTRE, de Brahim Tsaki (ARGÉLIA)
LES MILLE ET UNE MAINS, de Souhel Benbarka (MARROCOS)
MUNA MOTO, de Jean-Pierre Dikongué-Pipa (CAMARÕES)
PIECES D´IDENTITES, de Mweze Dieudonné Ngangura (CONGO)
SARRAOUNIA, de Med Hondo (MAURITÂNIA)
TILAÏ, de Idrissa Ouedraogo (BURQUINA FASSO)
LE WAZZOU POLYGAME, de Oumarou Ganda (NIGÉRIA)

 

Seleção Claude Lelouch

CROSSED TRACKS (ROMAN DE GARE)
LE COURAGE D’AIMER

 

Exibições especiais

O PASSADO, de Hector Babenco (BRASIL, ARGENTINA)
BRAND UPON THE BRAIN, de Guy Maddin (CANADÁ, EUA)
TABU, de Friedrich Wilhelm Murnau (EUA, ALEMANHA)
CANÇÕES DO SEGUNDO ANDAR (SANGER FRAN ANDRA VANINGEN), de Roy Andersson (SUÉCIA)
À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA, de José Mojica Marins (BRASIL)
ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER, de José Mojica Marins (BRASIL)
ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO, de José Mojica Marins (BRASIL)

Escrito por Leonardo Cruz às 9h03 AM

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Notas do Festival do Rio

Notas do Festival do Rio

A versão de "Tropa de Elite" (foto) que abriu o Festival do Rio, na quinta _em projeção digital, com todos os atores "brilhando" na tela_ teve legendas em inglês. Mas, quando o filme for exibido nos países estrangeiros, não será assim. Wagner Moura gravou versão em inglês da narração que seu personagem faz da história. A decisão de ter a voz de Wagner não coberta por legendas foi do distribuidor internacional Harvey Weistein. Ele avaliou que o "off" é um ponto fundamental do filme para envolver o espectador e que a adesão não seria a mesma caso a narração tivesse de ser acompanhada por legendas.

*

Dezenas de atores e os diretores de quase todos os filmes concorrentes prestigiaram a abertura do Festival do Rio. Quanto "Tropa de Elite" terminou, Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli, Breno Silveira e Walter Lima Jr. trocavam impressões sobre ele, no canto da sala. Lírio Ferreira ficou na turma que não conseguiu lugar no Cine Odeon e terminou vendo o filme no vizinho Palácio, assim como Martinália.

Perderam o momento descontraído da noite. Foi quando Mariana Ximenes, que dividia a apresentação da cerimônia com Ney Latorraca, tropeçou na palavra "consolidar", em que o texto oficial se referia à pujança da cinematografia brasileira. Saiu "consodolidar", e ela pediu a Latorraca que repetisse "a deixa", para ela voltar o texto. Ele repetiu, só que fazendo graça, com sotaque "americano". E Mariana tentou outra vez. Em vão. Saiu "consodolidar" outra vez, para gargalhada geral. Dela, inclusive.

*

Empolgadíssimo com a repercussão de "Tropa de Elite", o diretor Marcos Prado ("Estamira"), que é sócio de José Padilha na Zazen Produções e co-produziu com ele o filme, previu 7,5 milhões de espectadores para o longa no Brasil. Sim, 7,5 milhões! Não há quem, no mercado, referende essa estimativa. Mesmo os que apostam em sucesso de "Tropa de Elite" acham que o horizonte dele está entre o resultado de "Cidade de Deus" (3 milhões) e o de "Carandiru" (4,6 milhões). Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da Globo Filmes (que não está em "Tropa de Elite"), ouviu a previsão, respirou fundo, pensou um minuto e disse: "Tomara!".

*

O Festival do Rio criou o blog Notícias do Front, para destacar filmes que considera bons, mas que não foram tão badalados pela imprensa. A página entrou no ar nesta semana com comentários sobre a seção "Pocket Films", sobre a obra do norte-americano Stanley Nelson e sobre os filmes do cubano Fernando Pérez, de "Suíte Havana" e, agora, "Madrigal".

Escrito por Silvana Arantes (no Rio) às 4h46 PM

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Mostra de SP traz Jia Zhang-ke

Mostra de SP traz Jia Zhang-ke

Um dos principais destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano vem da China. O festival paulistano fará uma retrospectiva com todos os longas de Jia Zhang-ke, o premiado diretor de "Em Busca da Vida". O principal cineasta chinês em atividade virá ao Brasil para acompanhar a exibição de seus filmes e deve participar de ao menos um debate com o público.

Na seção especial dedicada a Jia estará "Useless" ("Inútil"), sua obra mais recente, sobre a indústria da moda em seu país, escolhido melhor documentário na mostra Horizontes do último Festival de Veneza.

A 31ª edição da Mostra de SP acontece de 19 de outubro a 1º de novembro, e os sete longas de Jia Zhang-ke confirmados para o evento são:

"Useless" (2007)
"Em Busca da Vida" (2006)
"Dong" (2006)
"O Mundo" (2004)
"Prazeres Desconhecidos" (2002)
"Plataforma" (2000)
"Pickpocket" (1997)

A seguir, trailers de "Useless" e "Prazeres Desconhecidos" e trechos de "Pickpocket". 

Escrito por Leonardo Cruz às 6h22 PM

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Com vocês, José Wilker e Lírio Ferreira

Com vocês, José Wilker e Lírio Ferreira

A semana está um bocado corrida na Ilustrada, por isso o blog meio parado nestes dias. Mas vai ficar mais animado a partir de amanhã, quando começa o Festival do Rio, que levará aos cariocas cerca de 400 filmes e será aberto por "Tropa de Elite", em sua primeira sessão oficial.

Enquanto o festival e suas notícias não chegam, um post rápido, apenas para colocar no ar este vídeo, com uma imitação de José Wilker e Lírio Ferreira feita pelos atores Marcelo Adnet e Silvio Guindane. Caiu no YouTube há alguns dias. É uma tremenda bobagem, mas uma bobagem muito divertida.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h49 PM

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Reichenbach, os piratas e a internet

Reichenbach, os piratas e a internet

Luciana Benaduce Figueiredo

Em post há alguns dias em seu Reduto do Comodoro, Carlos Reichenbach confessou não ter resistido à tentação. Comprou num camelô na Lapa paulistana o DVD pirata de “Tropa de Elite”, num pacote com “Ultimato Bourne” e “Duro de Matar 4.0”.

O texto em que Reichenbach admite seu pecadilho é uma interessante reflexão sobre o mercado da pirataria e o compartilhamento de filmes. E mais interessante por ser a visão de um cineasta, alguém, em tese, diretamente preocupado com a proteção de seus direitos autorais.

Após comentar a qualidade dos três filmes comprados, o diretor chegou às seguintes lições, que valem tanto para produtores quanto para espectadores:

“Só liberar cópias em DVD com marca d´água da empresa produtora, em toda extensão da imagem (de preferência, daquelas pouco discretas), durante o acabamento final do filme; evitar comprar ‘gato por lebre’ ou ficar suscetível à má qualidade de mídias vagabundas, dando sempre preferência aos DVDs selados.
No entanto, confesso que não me transformei num títere da antipirataria, pois continuo defendendo o direito de ter acesso a obras importantes, raras e não-comercializadas. Para isso, existe a democratização do compartilhamento. Eu mesmo pretendo futuramente disponibilizar gratuitamente alguns filmes de minha lavra, nos torrents e nos e-mules da vida.”

Numa conversa por e-mail, Reichenbach confirmou a intenção de ver ao menos parte de sua obra disponível na rede e aprofundou seu ponto de vista: “ É evidente que só poderei disponibilizar os filmes sobre os quais detenho poder majoritário (não são muitos), mas acho que esta é mais uma postura política e pessoal. Sou totalmente favorável a idéia do Creative Commons; ora, quem deve decidir ou não se abre mão dos direitos autorais é o próprio autor, e ponto”.

Um desses filmes sob poder majoritário do diretor é o necessário “Lilian M – Relatório Confidencial” (1974/75). Segundo ele, a entrada de sua obra na rede ainda depende de um maior aprendizado do funcionamento das ferramentas de compartilhamento e da definição de quais de seus longas estarão disponíveis em vídeo ou DVD.

Enquanto a produção de Reichenbach não chega à internet, o diretor indica três sites que permitem ver/baixar filmes de graça, legalmente, e comenta: “Não fossem endereços como estes, jamais teríamos a chance de ter acesso às obras do anarquista Otto Mühl, ao único filme de Samuel Beckett ('Film', 1965), ao extraordinário 'The Amazing Mr. X', do banido pelo macarthismo Bernard Vorhaus, e até de alguns primeiros filmes de Roger Corman”.

Tem muita coisa boa mesmo. Aproveite.

http://www.ubu.com/film/index.html
http://www.publicdomaintorrents.com/
http://www.archive.org/index.php

Escrito por Leonardo Cruz às 9h29 AM

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No universo onírico de Kar-wai

No universo onírico de Kar-wai

Você já sofreu por amor? Ou, melhor, você já foi abandonado(a) por alguém, sem entender direito por que, e desde então sua vida anda meio estranha? Se sim, já é meio caminho andado para entender o que é o universo de Wong Kar-wai. Universo que está presente em dois filmes do diretor chinês recém-lançados em DVD: "Felizes Juntos" (1997, Lume Filmes, foto) e "Dias Selvagens" (1991, Imagem Filmes, só para locação).
 
Essas duas produções reúnem todas as características que tornaram Kar-wai mais do que mero objeto de culto entre cinéfilos (a narração em off, para desespero dos professores de roteiro, cortes abruptos, trilha nostálgica e ocidental etc.). Seus filmes são, antes de tudo, objetos de fetiche, onde a forma tem poder determinante, quase ofuscante, mas não esvazia a força poética e cinematográfica do que está sendo contado.
 
Em "Felizes Juntos", um casal chinês gay que vive às turras resolve ir à Argentina (eles querem ver as cataratas do Iguaçu). Terminam. Resolvem ficar em Buenos Aires. Um deles vira porteiro de boate. O outro, michê. E eles sofrem, enquanto são embalados pelo mais melancólico dos tangos. "Felizes Juntos" marca o reconhecimento "oficial" de Kar-wai, que ganhou o prêmio de melhor diretor em Cannes com o longa.
 
"Dias Selvagens" é outro tipo de marco. Trata-se do pontapé numa espécie de trilogia de Kar-wai, que seria seguida por "Amor à Flor da Pele" (2000) e "2046" (2004). Não espere, no entanto, algo que realmente ligue "Dias Selvagens" a esses dois outros filmes.
 
Neste longa, ambientado nos anos 60, Leslie Cheung é o Don Juan que vai abandonando mulheres apaixonadas, até o dia em que resolve ir atrás de sua verdadeira mãe biológica.
 
A conexão entre os três filmes está no clima, na eterna temática que Kar-wai repete em toda a sua obra, e que, volta e meia, lhe rende comparações com Michelangelo Antonioni. Kar-wai também se pergunta: o que é real, o que é imaginário? Foi um sonho? O que é o passar do tempo e a memória?
 
O único porém desses dois lançamentos são os extras, que se resumem a textos e trailers (a edição norte-americana de "Felizes Juntos", da Kino Vídeo, por exemplo, traz extras como um documentário de 59 minutos sobre o filme). Mesmo assim, são DVDs necessários, e pouco a pouco as distribuidoras estão completando essa lacuna nas lojas. De Kar-wai, há ainda, no Brasil, "Amor à Flor da Pele", "Conflito Mortal" (nome tosco para "As Tears Go By") e "Eros", em que ele dirige um dos episódios. Se você procurar bastante, vai achar em VHS o fundamental "Amores Expressos" e "Anjos Caídos".

A seguir, o trailer de "Dias Selvagens".

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 3h24 PM

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Amos Gitaï não é israelense?

Amos Gitaï não é israelense?

Boa história trazida pelo "Jornal da Mostra", informativo do festival de cinema paulistano. Ninguém duvida que Amos Gitaï seja o principal cineasta israelense em atividade. Ninguém? Bem, parte do governo israelense não concorda muito com essa frase.

Na semana passada, a Autoridade de Radiodifusão Israelense, órgão público, voltou atrás em um acordo com Gitaï, que previa a liberação de US$ 200 mil para "Disengagement" (foto), o mais novo filme do diretor. Pelo acerto, a obra passaria na TV israelense, que também teria direito a exibir os últimos nove longas do autor.

O comitê de TV da ARI recusou o acordo por unanimidade, e seus membros argumentaram que Gitaï não é um artista israelense, que não mora no país há muitos anos e que seus filmes são politicamente controversos, dado o pendor à esquerda.

Gitaï nasceu em Haifa, Israel, em 1950. Passa parte do tempo lá, parte em Tel Aviv e parte em Paris. Seus filmes têm o mérito de abordar o conflito no Oriente Médio de forma plural, olhando para todos os lados, problematizando ações palestinas e também israelenses.

O "Haaretz", um dos principais diários de Israel, publicou parte da carta do advogado de Gitaï ao comitê da ARI. O trecho mais interessante: "Parece que as justificativas para rejeição (do acordo) eram infundadas ou baseadas em informações erradas ou que não foram examinadas, para dizer o mínimo... É desnecessário notar que todos os filmes de Gitaï foram filmados e editados em Israel".

A Mostra ainda não divulgou sua programação deste ano, mas confirma que "Disengagement" será exibido no festival de SP, que acontece de 19 de outubro a 1º de novembro. O novo longa do diretor é um drama sobre a relação de dois irmãos e tem como pano de fundo a saída de Israel da faixa de Gaza. Foi filmado na França e em Israel e, apesar de estrelado por Juliette Binoche, também tem atores e produtores israelenses.  E foi exibido na noite de gala do festival de Haifa. Parece um bocado israelense, não?!

Escrito por Leonardo Cruz às 6h03 PM

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Destaques do Festival do Rio

Destaques do Festival do Rio

O Festival do Rio divulgou nesta segunda a lista com os destaques internacionais de sua programação _a edição 2007 começa no próximo dia 20 e terá cerca de 300 filmes, divididos em 20 seções.

Alguns filmes premiados nos principais festivais europeus deste ano serão exibidos pela primeira vez no Brasil durante a mostra carioca. Exemplos? Vamos lá: de Veneza virão "Se, Jie" ("Luxúria, Cuidado"), de Ang Lee (Leão de Ouro, foto), "It's a Free World", de Ken Loach (melhor roteiro), e "I'm Not There", de Todd Haynes (Prêmio Especial do Júri). De Cannes, "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", de Cristian Mungiu (Palma de Ouro), e "Paranoid Park", de Gus van Sant (Prêmio Especial do 60º Aniversário).

Além desses premiados, muitos outros estrangeiros merecem atenção. Da relação divulgada pelo festival, aí vai uma triagem do que parece obrigatório, a começar, claro e finalmente, por Lynch.

"Inland Empire", de David Lynch (França/EUA, trailer abaixo)
"Les Témoins", de André Techiné (França)
"Fay Grim", de Hal Hartley (EUA)
"Hei Yan Quan" ("Eu Não Quero Dormir Sozinho"), de Tsai Ming-liang (Taiwan)
"Rescue Dawn", de Werner Herzog (EUA)
"Ne Touchez pas la Hâche", de Jacques Rivette (França)
"A Mighty Heart", de Michael Winterbottom (EUA)
"Une  Vieille Maitresse", de Catherine Breillat (França) 
"Sicko", de Michael Moore (EUA)
"La Fille Coupée en Deux", de Claude Chabrol (França)
"Death  Proof", de Quentin Tarantino (EUA)
"Bashing", de Masahiro Kobayashi (Japão)
"Solnze" ("O Sol"), de Alexander Sokurov (Rússia)
"Le Papier ne Peut pas Envelopper la Braise", de Rithy Panh (França)
"Control", de Anton Corbijn (Reino Unido)
"El otro", de Ariel Rotter (Argentina)
"Nacido y Criado", de Pablo Trapero (Argentina)
"Déficit", de Gael García Bernal (México)

Escrito por Leonardo Cruz às 8h11 PM

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Chorinho com suco de soja

Chorinho com suco de soja

A jornalista da Folha Beatriz Peres conta a seguir o insólito e lamentável episódio por ela testemunhado no Frei Caneca Unibanco Arteplex neste 7 de Setembro:

Feriado nacional na sexta-feira, sala 8 do Arteplex lotada de velhinhos reunidos para ver “Brasileirinho” (foto), de Mika Kaurismäki. Antes de se apagarem as luzes, dois rapazes sorridentes aparecem na frente da tela e explicam que, para promover uma marca de suco de soja, seríamos convidados a participar de uma “propaganda interativa”.  Hã? “É para quebrar um pouco da rigidez do cinema”, dizem. Hã?? E informam as regras: teríamos que fazer bastante barulho quando a propaganda fosse exibida antes dos trailers. Valia bater o pé no chão, falar ao celular, gritar e bater palmas. O objetivo: fazer (com o barulho) uma embalagem do suco estourar e encher um copo. Ah, tá. E aposto comigo mesma: ninguém vai fazer barulho nenhum, certo? Claro que não: erradíssimo. Na hora da tal propaganda, os moços sorridentes reaparecem e, como líderes de torcida, comandam os velhinhos na algazarra até a tal embalagem explodir. A platéia se diverte um pouco e pede suco grátis. “Na saída”, respondem os sorridentes. Melhor assim. Para ser pior do que essa cena, só se garçons resolvessem distribuir a bebida durante a exibição do filme. “Brasileirinho”, o razoável documentário de Kaurismäki sobre chorinho, poderia ter passado sem essa.

*

Mais sobre William Friedkin
Quem também gostou do ótimo “Possuídos” precisa fazer um passeio pelo site da revista “Paisà”. Está no ar há alguns dias um dossiê sobre a obra do diretor, com cotação e comentário para cada um de seus filmes. Boa oportunidade para descobrir (ou relembrar) que a carreira do cineasta vai muito além de “O Exorcista”.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h31 AM

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'Tropa de Elite' e o tiro no pé

'Tropa de Elite' e o tiro no pé

Depois do episódio das cópias que foram parar nos camelôs, o filme “Tropa de Elite” voltou a ser notícia nestes dias, em nova polêmica. Reportagem publicada hoje pela Folha informa que um grupo de 23 oficiais da PM querem que a Justiça impeça a exibição do longa-metragem de José Padilha.

Após assistir ao filme num DVD pirata, Rogério Roca, advogado dos policiais militares, disse que “Tropa de Elite” “causa danos” à corporação e que os autores do filme “enxovalharam a PM, o Bope e os policiais”. Roca buscará uma liminar que impeça a exibição da obra no dia 20, no Festival do Rio, e sua estréia nacional, em 12 de outubro.

Num segundo estágio, o advogado pretende mover uma ação por danos morais, pedindo indenizações, o pagamento de direitos de imagem e a retirada de cenas que desagradaram aos militares.

Direto ao ponto: tentar censurar uma obra de arte é dar um tiro no pé. Por mais que inspirado em fatos reais, “Tropa de Elite” é uma peça de ficção _recentemente, são raríssimos no Brasil os casos de filme cuja exibição tenha sido impedida por ordem judicial.

Se nenhuma Corte tiver a idéia maluca de atender aos desejos de Roca e seus contratantes, este novo episódio servirá apenas para fazer o que os PMs aparentemente não querem: dar mais visibilidade ao longa de Padilha.

De polêmica em polêmica, “Tropa de Elite” vai chamando a atenção cada vez mais, aqui e lá fora. O londrino “Guardian” nesta semana descreveu o filme como uma espécie de “Cidade de Deus 2” _e todos sabemos como os ingleses adoraram o original de Fernando Meirelles.

Além do talento já demonstrado por Padilha em “Ônibus 174” e do boca-boca positivo de quem já viu o longa, os fatos fora das telas estão ajudando a transformar “Tropa de Elite” no filme mais aguardado deste final de ano. Se o lançamento for bem-feito, o resultado deve aparecer na bilheteria.

*

Campanha de marketing ou não, caiu no YouTube o que parece ser um trecho de cinco minutos do filme. Aí vai. 

Escrito por Leonardo Cruz às 11h18 AM

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Todd Haynes captura as mutações da vida

Todd Haynes captura as mutações da vida

 

Por Pedro Butcher (crítico da Folha, em Veneza)

 

Constante promessa entre os diretores da nova geração do cinema americano, Todd Haynes mostrou, no Festival de Veneza, um filme que confirma seu talento. “I’m Not There”, que foi exibido nesta terça-feira, na competição pelo Leão de Ouro, era um projeto cercado de grande expectativa, tanto pelo gigantismo de seu tema (uma cinebiografia de Bob Dylan) quanto pela originalidade da proposta (seis atores interpretam fases e aspectos diferentes da vida do cantor e compositor). E o resultado mostra que a proposta não era puro exibicionismo, e sim a evolução natural de um cinema que procura comungar pesquisa de linguagem e um certo grau de comunicação, que não encerre o filme em um nicho fechado.

 

Haynes conseguiu, enfim, o que vinha buscando desde o começo de sua carreira: captar o fluxo da vida e as metamorfoses que sofremos fugindo dos elementos que costumam servir de leito para a narrativa convencional (a trajetória do herói, os “três atos” do roteiro, e, principalmente, as “causas” que determinam o destino dos personagens). O objeto do filme é perfeito para isso: Bob Dylan é, ao mesmo tempo, um artista em eterna transformação e um homem coerente com alguns princípios básicos.

 

“I’m Not There” reproduz essa idéia dentro de sua própria estrutura, de forma muito bem-sucedida. Épico, musical, drama intimista, faroeste, "road movie", comédia _o filme se transforma na medida em que seu personagem “pede”. E Haynes faz o pequeno milagre de conferir uma estranha organicidade a tudo isso.

 

Os atores ajudam. Eles vivem personagens com nomes diferentes mas que, fica muito evidente, representam facetas ou fases de um mesmo homem, Bob Dylan. Do menino negro Marcus Carl Franklin, que faz o pequeno Dylan, fugitivo e já apaixonado por determinados aspectos da música tradicional americana, a Cate Blanchett, que incorpora Dylan na fase mais conturbada de sua carreira, quando ele incorporou uma banda de rock e foi considerado um traidor do folk e da canção de protesto.

 

“I’m Not There” tem distribuição garantida no Brasil. Antes de assistir ao filme, uma dica. Vale correr atrás de dois grandes documentários sobre Dylan: “No Direction Home”, de Martin Scorsese (2005), “e Don’t Look Back”, de D.A. Pennebaker, clássico do cinema direto de 1967. A seguir, o trailer do longa de Todd Haynes.

 

Escrito por Pedro Butcher (em Veneza) às 6h56 PM

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Entrevista com Brian De Palma - Parte 1

Entrevista com Brian De Palma - Parte 1

Por Pedro Butcher (crítico da Folha, em Veneza)

Em setembro do ano passado, quando estava no Festival de Toronto para apresentar “Dália Negra”, Brian De Palma foi procurado por um representante da produtora HDNet Films com uma proposta: desenvolver um filme de U$ 5 milhões, sobre qualquer tema, desde que realizado em vídeo digital de alta definição.

De Palma respondeu que concordaria, se encontrasse um assunto adequado ao formato. Pouco depois, tomou conhecimento de um incidente da Guerra do Iraque em que soldados americanos de um posto de controle estupraram uma garota de 14 anos, massacraram sua família, atiraram no rosto dela e incendiaram seu corpo. “Como esses garotos podem ter chegado a esse ponto? Procurando respostas, li blogs de soldados, assisti a seus vídeos amadores, surfei pelos seus websites e pelo material postado no YouTube. Estava tudo lá, e tudo em vídeo”.

O resultado desse trabalho foi exibido pela primeira vez na sexta-feira passada, na competição do Festival de Veneza, provocando alto impacto. “Redacted”, que também será exibido no Festival de Toronto e tem estréia garantida no Brasil, é a recriação ficcional desse episódio brutal na forma de um documentário multiforme, reproduzindo os meios de captação e reprodução da imagem digital hoje: diários filmados, documentários amadores, câmeras de vigilância, testemunhos online. Na verdade, trata-se praticamente de uma refilmagem de “Pecados da Guerra”, que De Palma realizou em 1989, sobre um episódio muito semelhante ocorrido na Guerra do Vietnã.

Inconformado com a repetição de erros do passado e com a situação da mídia nos Estados Unidos hoje, De Palma fez um filme profundamente político, não só pelo seu conteúdo, mas também pela proposta de uma reflexão em torno do estatuto da imagem nos dias de hoje. “Redacted” significa “editado”, numa referência à forma como a informação sobre a Guerra do Iraque vem sendo veiculada pelos grandes meios de comunicação _“na base da omissão, da mentira e da censura”, nas palavras do diretor. Em entrevista à Folha, Brian De Palma transbordou sua indignação com a guerra e criticou, ainda, a indústria do cinema americano.

Folha - Depois da primeira exibição de “Redaced”, a platéia parecia um tanto atônita, sem saber como reagir ao filme. Você já acompanhou uma projeção pública? O que achou da reação?
Brian de Palma -
Antes de Veneza, mostrei o filme para poucos amigos, produtores e distribuidores. Notei essa mesma reação, em todas as exibições que fiz. Não sei bem por que, talvez por ser algo novo as pessoas ainda não saibam exatamente como processar o que viram.  Quando você faz algo inovador, é natural que perguntem o que é isso. Mas, na verdade, só estou apresentando um material na forma como eu o descobri. Procurei determinadas informações, e a forma do filme evoluiu naturalmente dessa pesquisa. Fiz “Redacted” da maneira que me pareceu a mais correta para expor o tipo de material que encontrei.

Folha - Como foi o trabalho de pesquisa?
De Palma -
Basicamente, usei as ferramentas de busca da internet. Juntei mais de cem páginas de material e descobri tudo o que você vê no filme, não inventei absolutamente nada. O que selecionei e o que ficou na versão final é baseado em material de plena confiança. Está tudo lá. Nem sempre pudemos identificar a origem de certos materiais, que por isso não foram usados. Mas apenas por uma questão legal, não duvidei da veracidade deles.

Folha - Além da pesquisa virtual, você chegou a conversar com soldados?
De Palma -
Sim, vários. A pesquisa não se limitou à internet. E o mais impressioannte é que as histórias são as mesmas, exatamente as mesmas do Vietnã! Os veteranos se fazem as mesmas perguntas, dizem as mesmas coisas: “O que fomos fazer lá? Todo mundo parece me odiar! Que diabos é isso? Meu amigo expliodiu atrás de mim!”. É exatamente a mesma história que contei em “Pecados da Guerra”.

Folha - Você encontrou muitas barreiras legais enquanto desenvolvia este filme?
De Palma -
Sim. Precisei consultar advogados para saber o que poderia ser usado o tempo todo. O material que cai na internet não é de domínio público se você for fazer um filme de ficção. E isso é uma loucura. Nunca entendi direito como funciona essa legislação. Em nosso país, se você faz uma obra de ficção baseada em algo que supostamente aconteceu de verdade, pode facilmente ser processado pelas pessoas que viveram a história _mesmo depois de essa história ter sido publicada, impressa e transmitida pela televisão infinitas vezes. O argumento utilizado é que o cinema é um meio comercial, mas então eu pergunto: a televisão não é um meio comercial? É difícil entender porque perdemos tanto tempo com isso... Gostaria, por exemplo, de usar uma frase dita por um soldado numa determinada situação, mas não pude fazê-lo. Tudo, no filme, é ficcionalizado, mas não menos verdadeiro.

Folha - Como foi esse processo de “ficcionalização”?
De Palma -
No fundo, fácil, porque na verdade já fiz esse filme antes. Conhecia o material dramático. Só me reaproximei daquela história em um novo país, o Iraque, sem precisar me afastar do material real que chegou às minhas mãos.

Folha - Por que a maior parte dos americanos não chegou a esse material, se ele está todo disponível na internet?
De Palma -
Isso é curioso. Não sei por que, mas toda a forma como a informação circula mudou, e muita gente ainda não sabe como chegar até ela. Do Vietnã para cá, acho que o aspecto do mundo que sofreu a maior transformação foi a mídia, que hoje não informa, mas esconde a informação. É preciso fazer um filme sobre isso: o que aconteceu com a mídia? Que tipo de transformação se efetuou? A primeira Guerra do Golfo, por exemplo, foi impressionante. Parecia um show de fogos de artifício. Ninguém via onde as bombas caíam, eram apenas luzes no céu. Mas, Deus do céu, aquelas bombas estavam caindo sobre pessoas!

Folha - Ter feito esse filme em vídeo foi um ato político?
De Palma -
Não, o vídeo não é político por ser vídeo, é apenas um meio que está aí, disponível. O fato é que surgiu toda uma nova indústria criativa a partir do vídeo e da tecnologia digital e nós não fazemos idéia de onde ela vai parar. Toda vez que me conecto na internet, descubro alguma coisa nova. Há correspondentes de televisão em várias partes do mundo que transmitem programas ao vivo, de suas próprias casas. Hoje, cada um pode ter seu próprio programa de TV. Isso é uma revolução.

(continua no post abaixo)

Escrito por Pedro Butcher (em Veneza) às 6h59 AM

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Entrevista com Brian De Palma - Parte 2

Entrevista com Brian De Palma - Parte 2

Folha - Antes desse filme, você já estava amplamente familiarizado com a internet?
De Palma -
Sim, adoro computadores, sou muito interessado no desenvolvimento da tecnologia, nas novas formas de captar e usar a imagem. Está tudo mudando muito rápido. Presto atenção na minha filha para saber o que está aparecendo.

Folha - Como você espera que seu filme seja recebido nos Estados Unidos?
De Palma -
Fiz esse filme o mais silenciosamente possível, não queria que a notícia vazasse e algo pudesse atrapalhar nosso processo de trabalho. Tenho certeza de que “Redacted” vai desagradar muita gente. Sua primeira exibição está sendo aqui no Festival de Veneza. Acredito que, nos Estados Unidos, a reação vai ser bastante polarizada. A direita vai chamá-lo de propaganda comunista. Será uma reação forte.  Já está sendo, aliás, antes mesmo do filme ser exibido.

Folha - Qual será, na sua opinião, o desenvolvimento da guerra a partir de agora? Haverá uma retirada em um curto espaço de tempo?
De Palma -
Não. Essa guerra ainda vai durar muito tempo. Provocamos um caos e agora fica difícil sair dele. Alguém acreditou, algum dia, que nossa presença no Iraque tornaria algo melhor? Obviamente não sabemos nada! O que estamos fazendo lá? Mas a consciência do desastre está cada vez maior. Talvez com o novo Congresso, as coisas comecem a mudar. O desenrolar dessa guerra foi tão ruim e há tanta mentira que não há como evitar que as coisas venham à tona. É por isso que vamos ver mais filmes sobre esse assunto. Ainda não vi o filme de Paul Haggis [“In the Valley of Elah”, também em exibição em Veneza], mas tenho certeza de que é muito interessante. Oliver Stone vai fazer um novo filme sobre o Vietnã, e muitos outros estão vindo por aí.

Folha - Você é a favor de uma retirada imediata?
De Palma -
Não sou político nem militar, não me considero com elementos suficientes para dizer qual a saída para essa situação. Só sei que não deveríamos estar lá, simples  assim! O Oriente Médio é uma área complicada, que foi dividida e explorada. Árabes têm sido mortos há décadas. Já passamos por isso, lemos nossos livros de história, mas estamos nós de novo, invadindo, matando, estuprando, recolhendo todos os recursos. Até o Império cair e sermos expulsos. O que há de novo nisso? Minha maior esperança é que há um limite físico, no sentido de que não temos gente o suficiente para continuar mandando para a guerra.

Folha - Por que, no fim do filme, você exibe fotos reais e faz questão de deixar claro que essas fotos são reais, em uma cartela explicativa?
De Palma -
Num filme como esse é preciso deixar claro o que é verdadeiro e o que é falso. Vivemos na era da reality TV, não quis reproduzir esse tipo de lógica no filme.

Folha - Você pretende continuar a fazer filmes políticos?
De Palma -
Não sei. Estou muito indignado com o grau de corrupção nos Estados Unidos hoje. Certamente quero fazer um filme sobre isso. Também quero fazer outro filme usando essa mesma técnica, mas ainda não sei exatamente o quê.

Folha - Depois dessa experiência, você chegou a pensar em dirigir um documentário “puro”?
De Palma -
Sim, se fosse um filme no estilo do cinema direto, o que sempre me interessou. Mas isso consumiria muito tempo; é preciso ficar dois, três anos acompanhando alguém para obter alguma coisa interessante, e tenho muitas idéias de ficção na minha cabeça.

Folha - Você acredita que seu filme possa mudar alguma coisa?
De Palma -
Não quero mudar nada, mas espero, sim, fazer as pessoas entenderem melhor o que esses soldados têm passado e lutar para que esses fatos não sejam esquecidos. Moro numa região da Califórnia próxima do hospital dos veteranos. Vejo, todos os dias, veteranos caminhando nas ruas com um olhar absolutamente perdido, distante. Parece que estão caminhando por Marte... Não podem mais se comunicar, se relacionar com suas comunidades. As relações se destroçam depois de experiências como essa. É uma história terrível atrás da outra, o que deve continuar por décadas. Essas pessoas estão profundamente traumatizadas. Foi assim no Vietnã. Não temos idéia do tamanho do dano psicológico que sofreram.

Folha - É possível voltar à ficção depois de um filme como esse?
De Palma -
Não sei... Quero ainda fazer muitos filmes, mas filmes que sejam do meu interesse, do coração. Estou cansado de lidar com todo o “mambo jambo” do cinema. Todos os executivos de Hollywood, hoje, vieram da televisão. Veja bem: há muita coisa boa na televisão, principalmente na TV a cabo, mas esses executivos simplesmente não entendem nada de cinema. Eles querem produzir coisas que possam passar no horário nobre.

Folha - Como está o projeto da continuação de “Os Intocáveis”?
De Palma -
Ainda estamos procurando o ator ideal para interpretar Al Capone, mas não encontramos. Não tenho idéia se esse será meu próximo filme, mas esse projeto ainda está vivo.

Folha - Como vê as perspectivas de sua carreira, daqui para adiante?
De Palma -
Qual é o objetivo de uma carreira cinematográfica hoje? Fazer um sucesso atrás do outro? Mas por quê? Depois que você juntou um certo dinheiro, qual é o sentido em ganhar mais dinheiro? Essa é a grande questão. Quando fiz “Missão Impossível”, meu filme de maior sucesso, Tom Cruise veio me perguntar se queria fazer “MI2”. Mas por quê? O que pode haver de interessante criativamente aí? Vejam Sam Raimi, um diretor tão talentoso, e o que ele tem feito? Vai passar o resto da vida fazendo “Homem-Aranha”! Vão fazer mais três filmes! Sinceramente, esse é um preço alto demais para ganhar 1 bilhão de dólares... Na minha idade, aproveito o que me resta. Estou feliz com os filmes que fiz, e quero fazer com que todos os dias sobre este solo que piso sejam bons dias.

(Esta é a versão integral da entrevista com Brian De Palma, cujos principais trechos foram publicados na capa da versão impressa da Ilustrada desta terça-feira.)

Escrito por Pedro Butcher (em Veneza) às 6h55 AM

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A morte de Mário Carneiro

A morte de Mário Carneiro

Morreu o fotógrafo e cineasta Mário Carneiro, informa Carlos Alberto Mattos em seu DocBlog. Tinha 77 anos, sofria de câncer. Seu funeral será no Cemitério São João Batista, no Rio, nesta tarde, às 17h. Um dos principais diretores de fotografia da história do cinema brasileiro, Carneiro trabalhou em filmes como "Porto das Caixas", "Todas as Mulheres do Mundo" e "Di". Quem viu "500 Almas", sua última obra, sabe da importância de sua fotografia para a excelência do documentário de Joel Pizzini. A perda de um artista é sempre maior quando este ainda estava na ativa, produzindo como Carneiro ainda produzia até recentemente.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h45 AM

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Um filme fabuloso em seu cinema rústico

Um filme fabuloso em seu cinema rústico

Numa época em que os multiplex se proliferam, não há mais cinemas em São Paulo como o Gemini, sala da avenida Paulista de charme decadente, estacionada no passado, em algum momento dos anos 80. Para nossa sorte, não virou igreja nem bingo.

Localizado numa galeria, o Gemini é na prática um cinema de rua, pois sua entrada fica a cerca de 20 passos da calçada da alameda Joaquim Eugênio de Lima. Exibe vários filmes por dia (atualmente sete), em sessões alternadas, driblando a limitação física de suas duas salas. E funciona como último refúgio de bons longas, lugar onde aquela fita bacana fica algumas semanas, depois de ter rodado o circuito e antes de sair de cartaz.

Na tarde deste último domingo, desisti de meu Palestra após um primeiro tempo de baile cruzeirense e fui ao Gemini ver “Possuídos” (“Bug”), de William Friedkin. O novo trabalho do diretor de “O Exorcista” me fôra muito bem recomendado por amigos.

A diferença do Gemini para os cinemarks da vida começa já na bilheteria. Os ingressos, naqueles grandes talonários antigos, não trazem o nome do filme nem o horário da sessão. De relevante, cada bilhete (laranja ou roxo) apresenta apenas a inscrição “inteira” ou “meia”.

Um escadão leva à entrada das duas salas. Sofazões velhos, mas em bom estado, bancos de madeira, carpete estampado puído e bonbonnière com pipoca baratinha. Banheiros de azulejo vinho até o teto, muito limpos, com sabonete líquido e papel-toalha.

A sala 1 tem 379 poltronas de couro, daquelas em que o espectador se afunda. O mesmo carpete estampado puído reveste tudo e ataca as vítimas de rinite. Começa a projeção (imagem razoável, som ok) e me dou conta que “Possuídos” nasceu para ser exibido no Gemini, um cinema Rústico, como o nome do motel americano onde a ação se desenrola.

Agnes (Ashley Judd) é a garçonete que vive num quarto desse motel, traumatizada pelo desaparecimento do filho pequeno e assombrada pela possível volta do marido, um presidiário solto sob condicional. Ela conhece Peter (Michael Shannon), ex-militar atordoado por experiências recentes no Golfo Pérsico.

Peter e Agnes se descobrem alvo de ataques de microinsetos, pulgões que deixam pequenas feridas em seus corpos _ao longo da sessão, sinto estranhas coceiras nas pernas, não sei se reais ou imaginárias.

Fato ou paranóia, a ação dos pulgões detona um contra-ataque desenfreado de Agnes e Peter, que fazem de tudo para dar cabo dos insetos, num filme que cresce e eletriza mais a cada minuto.

Saí de “Possuídos” com aquele misto de perplexidade e fascinação que só as grandes obras despertam. E feliz por tê-lo visto numa sala que, de forma muito peculiar, está à sua altura.

Voltarei ao Gemini nas próximas semanas. Quando comprei meu ingresso, não resisti à promoção e paguei mais 3 reais por um bilhete extra, que pode ser usado em qualquer sessão num prazo de um mês.

Voltarei com gosto. Vida longa a William Friedkin. Vida longa ao Gemini.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h41 AM

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Woody Allen faz filme hipnotizante

Woody Allen faz filme hipnotizante

Por Pedro Butcher (crítico da Folha, em Veneza)

O grande destaque do Festival de Veneza neste domingo foi a pré-estréia mundial do novo longa-metragem de Woody Allen, “Cassandra’s Dream”. Sem contar com o diretor no elenco, o filme marca a volta de Allen ao suspense depois do pequeno “divertissment” de “Scoop – O Grande Furo”. Mas o tom, agora, é ainda mais soturno do que em “Match Point” (o mais bem sucedido entre seus filmes recentes).

Outra vez situado em Londres, “Cassandra’s Dream” traz Ewan McGregor e Colin Farrell como dois irmãos de origem modesta, que acabam cometendo um crime bárbaro em nome da ascensão social. Mas, se em “Match Point” o acaso era determinante para os rumos do protagonista, agora é o destino que está em jogo, numa recriação contemporânea da tragédia grega.

McGregor vive o irmão arrivista, que mente para sua namorada dizendo-se um empresário do ramo hoteleiro. Farrell é um mecânico de automoveis que contrai uma grande dívida em função de seus vícios (pôquer e corridas de cachorro). Os dois precisam ganhar muito dinheiro rapidamente, e a oportunidade surge quando seu tio Howard (esse sim um bem-sucedido empresário do ramo da hotelaria) lhes faz uma proposta indecente.

“Cassandra’s Dream” é muito bem resolvido do ponto de vista do roteiro (apesar do fim um pouco abrupto), mas é, sobretudo, a mais bem filmada das obras recentes de Allen. Com elegância e economia de meios, Allen fez um filme hipnotizante, que conta com uma trilha sonora original, assinada por Philip Glass, que muito contribui para a atmosfera densa.

Na entrevista coletiva do filme, Allen estava cabisbaixo e aparentemente cansado _talvez por ter acabado de rodar, há apenas cinco dias, seu mais novo filme, todo rodado em Barcelona. Sobre o projeto espanhol, falou: “é uma comédia dramática, com elementos românticos. Uma história de amor com algumas coisas divertidas no meio. Ainda não tenho um título, mas assim que o material tomar uma forma, sei que ele vai aparecer”.

Ewan McGregor contou que filmar com Allen é uma experiência única: “Você precisa estar à altura. Ele filma rápido, em planos únicos, cenas com muito diálogo, sem fazer muita cobertura. Então, você precisa estar preparado. Ele até dá liberdade para improvisar, mas você nao se sente tão bem improvisando quando o texto foi escrito por Woody Allen. As palavras estão muito bem colocadas...”.

Escrito por Pedro Butcher (em Veneza) às 10h10 AM

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Veneza tem domingo mitológico

Veneza tem domingo mitológico

Por Pedro Butcher (crítico da Folha, em Veneza)

O domingo do Festival de Veneza girou em torno de grandes mitos. Além da recriação da tragédia grega por Woody Allen em “Cassandra’s Dream”, o brasileiro Júlio Bressane apresentou “Cleópatra”, sua versão para o mito da rainha egípcia, e o neo-zelandês Andrew Dominik (de “Chopper”, inédito no Brasil, estreando em Hollywood) exibiu “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, uma nova versão para o mito do lendário bandido do Velho Oeste americano, estrelada por Brad Pitt.

O filme de Bressane, mais uma poderosa recriação audiovisual de grandes temas, feita na tradição modernista brasileira, teve uma ótima recepção na sessão para a imprensa (no sábado) e gerou bastante interesse na entrevista coletiva, realizada neste domingo. Bressane explicou que, como o mito de Cleópatra praticamente não teve ressonância em português, sua primeira preocupação foi “forjar imagens de Cleópatra dentro da lírica da língua portuguesa”. O roteiro partiu de uma longa pesquisa, que o cineasta definiu como uma “semiótica de Cleópatra”, buscando fontes textuais (como Plutarco), musicais e pictóricas. “Meu filme é o fragmento de um grande tema, que é a tirania”, definiu.

Alessandra Negrini, a atriz que vive Cleópatra, também presente na coletiva, explicou que o filme é dividido em duas partes: “na primeira, apolínea, marcada pelo relacionamento entre a rainha e Júlio Cesar, Cleópatra ainda está marcada pela política e pela razão; na segunda, dionisíaca, quando está apaixonada por Marco Antônio, ela é puro desejo”.

Exibido na competição pelo Leão de Ouro, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (trailer abaixo) oferece uma releitura para o mais tradicional dos gêneros americanos, o faroeste. Andrew Dominik retoma uma história que já passou pelas mãos de Samuel Fuller e Anthony Mann, fazendo o caminho inverso desses mestres. Apesar de ser visualmente muito bonito (uma indicação ao Oscar de fotografia, para Roger Deakins, é uma barbada), o filme se excede tanto em relação às motivações psicológicas que teriam levado Robert Ford a matar seu parceiro de crime com um tiro pelas costas como na composição das imagens, sempre emolduradas pelas tintas de uma grande “criação artística”.

Escrito por Pedro Butcher (em Veneza) às 10h03 AM

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