Um filme por dia, de graça

Um dos nomes centrais do cinema experimental/documental a partir dos anos 60, o lituano radicado nos EUA Jonas Mekas (foto) continua na ativa e oferece em seu site oficial, gratuitamente, um filme por dia.
Desde 1º de janeiro de 2007, Mekas iniciou a exibição de uma série de 365 curtas, de menos de 5 minutos em média, um a cada dia. São cenas do cotidiano do cineasta (declamando poemas num bar, comendo morangos em Paris) e das pessoas que o cercam, no mesmo tom autobiográfico de obras que marcaram a carreira do realizador, como "Walden" (1969).
Se isoladamente esses filmetes não causam muito impacto, em conjunto os curtas compõem um diário da vida do protagonista, Mekas, um jovem artista de 84 anos.
O download, em formato MP4, é gratuito para o filmete do dia; basta fazer um cadastro no site e baixar. A proposta prevê que o público acompanhe o ritmo de exibição, veja apenas um curta a cada 24 horas. Para assistir aos anteriores, é necessário pagar 2 dólares para cada download, o que torna a brincadeira bem cara, pois a novelinha de Mekas já está no capítulo 241. Ainda assim, vale acompanhar a partir de agora, pois o projeto é interessante, e o velhinho, cheio de boas idéias.
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Mekas na "Senses of Cinema", Antonioni na "Contracampo"
Cheguei ao site de Mekas e ao seu projeto, após ler uma entrevista com ele na nova edição da ótima revista eletrônica australiana "Senses of Cinema", a do trimestre julho-setembro, que finalmente entrou no ar há alguns dias.
O diretor fala de seus projetos atuais e recém-finalizados e mais uma vez se define como um "filmador" ("filmer") e não como um "cineasta" ("filmmaker"). E por quê? Ele responde: "Eu apenas filmo minha vida. Não tenho planos nem roteiros. Não tenho idéia do que farei com a filmagem. Mas cineastas normalmente têm um roteiro, têm uma idéia, querem fazer um filme. Eles sabem, mais ou menos, o que aquele filme será e o que eles querem que seja. Eles coletam material para fazer esse filme. E os considero cineastas; eles fazem filmes. Eles têm um programa, um plano, uma idéia. Eu não tenho. Eu só filmo".
Outra ótima revista eletrônica que colocou sua nova edição no ar recentemente é a brasileira "Contracampo", capitaneada por Ruy Gardnier. O site nacional presta bom serviço a quem gosta de cinema ao publicar oito artigos de Michelangelo Antonioni sobre o fazer cinematográfico, uma entrevista antiga com o diretor e um depoimento de Monica Vitti sobre as filmagens de "A Aventura".
O pacote da "Contracampo" permite compreender melhor os conceitos de Antonioni, as idéias que moviam seu trabalho, indo além dos obituários publicados na imprensa brasileira à época da morte do diretor. Recomendo especialmente a leitura de "Para mim fazer um filme é viver", no qual o diretor relembra seu primeiro contato com a câmera.
Ainda na edição 88 da revista, um bom dossiê sobre a obra de Alain Resnais e outros mimos. Vale dar um passeio por lá.