Ilustrada no Cinema
 

Estréia o podcast do blog

Estréia o podcast do blog

Ah, as maravilhas da tecnologia.

A Folha Online, de visual novo, estreou nesta semana uma série de podcasts de seus colunistas e blogueiros _e este site também entrou na dança. O primeiro boletim já está no ar, na home da Folha Online e no link abaixo, com comentários sobre três estréias desta sexta ("Ultimato Bourne", "O Grande Chefe" e "Santiago") e sobre o Festival de Curtas de SP.

Para ouvir, basta clicar e baixar o arquivo de MP3.

http://media.folha.uol.com.br/homepage/2007/08/23/ilustrada-no-cinema.mp3

Gostou? Legal. Detestou? Pode meter a bronca aí no comentário. Críticas são sempre bem-vindas e ajudarão a melhorar os próximos podcasts.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h12 PM

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10 indicações para o Festival de Curtas

10 indicações para o Festival de Curtas

Com 424 filmes nacionais e estrangeiros, começa nesta quinta a 18ª edição do Festival Internacional de Curtas de SP. Até o dia 1º de setembro o público paulistano poderá ver, de graça, em nove salas da cidade, uma boa parcela do que há de mais interessante na produção mundial de curtas.

A pedido do blog, a diretora do festival, Zita Carvalhosa, fez uma seleção de dez filmes imperdíveis, que servem como porta de entrada para quem quiser se aventurar pela programação nos próximos dias. Às indicações da Zita, numa divisão feita por ela.

Três estreantes brasileiros:
Vida Maria” (foto), de Marcio Ramos
Panorama Brasil 3 – Primeira sessão nesta sexta, às 19h, no MIS
Premiada animação sobre a vida de uma menina no interior do Nordeste

 
Alphaville 2007 D.C.” (trailer), de Paulinho Caruso
Panorama Brasil 9 – Primeira sessão neste sábado, às 20h, no CCSP
Curta experimental com Antônio Abujamra, José Luis Datena e Sheila Mello

O Lobinho Nunca Mente”, de Ian SBF
Panorama Brasil 8 – Primeira sessão na segunda, 27, às 16h, no Cinesesc
Um homem reflete sobre a vida após ficar paralisado em um acidente doméstico

Um master-piece de animação:
Meu Amor”, de Alexandre Petrov
Mostra Internacional 6 – Primeira sessão na segunda, 27, às 18h, na Cinemateca
Prêmio de melhor animação no Anima Mundi do Rio neste ano

Uma descoberta na tela, nos limites de várias passagens:
Repeter Alba Negra”, de Jeanne Faust
Especial Jeanne Faust – Primeira sessão nesta sexta, 20h, na Cinemateca
A artista transita entre o cinema e as artes plásticas, misturando ficção e realidade

E alguns filmes mais pessoais:
Trinta Anos” (foto), de Nicolas Lasnibat
Mostra Latina 2 – Primeira sessão nesta sexta, às 18h, na Cinemateca

A Casa das Oliveiras”, de Thouly Dosios
Mostra Internacional 5 – Primeira sessão na terça, 28, às 16h, no Cinesesc

Negociação da Paz”, de Jenifer Malmqvist
Mix Brasil – Primeira sessão na segunda, 27, às 21h, no Espaço Unibanco de Cinema

Pueril”, de Jean Pierre Dominguês e Fernando Faria Freitas
Oficinas Kinoforum 2 e Especial – Primeira sessão nesta sexta, às 17h, no MIS

Milan”, de Michaela Kezele
Política Viva – Primeira sessão na segunda, 27, às 22h, no Cinesesc

Escrito por Leonardo Cruz às 7h04 AM

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Filmoteca - Kleber Mendonça Filho

Filmoteca - Kleber Mendonça Filho

O pernambucano Kleber Mendonça Filho vem construindo nesta década uma sólida carreira como curta-metragista. Desde 2002, dirigiu quatro filmes, incluindo os ótimos “Vinil Verde” (2004) e “Eletrodoméstica” (2005). A partir desta sexta, sua obra mais recente, “Noite de Sexta, Manhã de Sábado”, terá quatro sessões no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, que acontece na cidade de amanhã até 1º de setembro. Além de cineasta, Kleber é também repórter e crítico de cinema do “Jornal do Commercio” e pilota o bom site Cinemascópio. A seguir, os cinco filmes que o diretor gentilmente escolheu para o Ilustrada no Cinema.

*

La Jetée” (Chris Marker, 1962, assista acima)
Objetivamente, este curta-metragem francês de 28 minutos traz ficção científica e viagem no tempo.  Filosoficamente, talvez aborde a importância das imagens que fazem parte das nosas vidas. Marker estabelece um estado de hipnose utilizando um formato de “foto-romance”, imagens estáticas acompanhadas por uma narração extraordinária que nos informa e sugere muita coisa. A projeção acaba, mas o filme continua, agora instalado na sua cabeça.

 

Vá e Veja” (Elem Klimov, 1985)
Em algum lugar entre uma fábula demente e um carnaval de selvageria existe esse filme de guerra que deixa na boca um gosto indescritível de cinema de horror. Criminosamente desconhecido para a grande maioria, “Vá e Veja” destruiu, para mim, a idéia de “filme de guerra”, pois os que eu já tinha visto antes de vê-lo, e os que eu ainda verei, passaram a ser/serão medidos a partir dele. Klimov, que na sua infância foi  evacuado de Stalingrado com a mãe, fugindo do cerco nazista, parece ter conseguido traduzir uma noção abstrata e surreal de “guerra”. Ele narra a embriaguez do terror de um garoto no front soviético em 1942, área  invadida pelas tropas de Hitler. Klimov evita quase que sistematicamente  os elementos comuns ao gênero, com câmera subjetiva, trabalho de som e o rosto do ator Aleksei Kravchenko, que fazem do filme o produto de um cinema incomum. “Vá e Veja” também deixa a sensação de que você acabou de ler uma obra importante da literatura russa, a cena da vaca no campo aberto é um dos inúmeros momentos que sugerem isso.

 

Trens Estreitamente Vigiados” (Jiri Menzel, 1966)
 Menzel passou o filme novo dele em Berlim neste ano, o agradável (e muitas vezes bem bonito) “I  Served the King of England”, que parece revisitar “Trens…”, feito 40 anos antes. “Trens Estreitamente Vigiados” é a história de um jovem funcionário numa estação de trem, durante a Segunda Guerra. Ele descobre as mulheres. Este filme peculiar é desconhecido para as gerações mais novas, muito embora tenha dado o Oscar de Filme Estrangeiro ao tcheco Menzel, na época com 27 anos. O que mais me agrada em Menzel (e neste filme, particularmente) é o seu olhar para as mulheres, comparável talvez (e apenas) ao de François Truffaut. É um olhar erótico, sexualizado, mas com um espanto verdadeiro de delicadeza.

 

The Beguiled” (Don Siegel, 1971)
No Brasil, é conhecido como “O Estranho que Nós Amamos”, mas o que me vem sempre à cabeça é “Não Há no Inferno Fúria Maior do que a de uma Mulher Humilhada”. Aqui, as mulheres também são essenciais, embora neste o tom seja um tanto diferente... Feito na grande era do cinema americano dos anos 70, “The Beguiled” se passa na Guerra Civil de 1861 e é a história de um soldado do norte (Clint Eastwood) que vai parar (ferido) num colégio interno para meninas, todas sulistas, carentes de atenção masculina. Esse vespeiro de sexualidade envolve desde a garotinha de 11 anos que descobre o homem na floresta (sequência impensável na Hollywood PG-13 de hoje) às colegas adolescentes ou jovens mulheres, e à diretora matriarcal madura. A presença do soldado no lindo casarão sulista gera uma situação humana guiada pelo pior que macho e fêmea são capazes de fazer uns com os outros. Não é careta. Um bônus para aliviar a tensão é ver Eastwood aprendendo com Siegel, em cada cena, como se faz cinema, algo que terminou sendo bem útil para Clint ao longo dos anos.

 

A Morte do Sr. Lazarescu” (Cristi Puiu, 2005)
A lista de dez filmes importantes desta década já está bem encaminhada e este certamente estará na minha. Com domínio total do realismo encenado, o romeno Cristi Puiu apresenta uma crônica de morte anunciada (já no título) sobre um aposentado que passa mal numa noite de sábado, em Bucareste. Socorrido por uma ambulância, ele fará uma turnê infernal por hospitais lotados, num quadro duro sobre desrespeito e também compaixão. Poderia ser um filme brasileiro, mas é romeno, e foi ele que deu início à atual onda romena que viu Cannes dar a Palma de Ouro 2007 ao também muito bom “4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias”. O equilíbrio entre o humor e o lento terror é estranhamente tocante, talvez por ambos serem verdadeiros e terem origem na vida, e não no teclado de algum roteirista malvadinho. Tristemente, esse filme não atraiu distribuidores brasileiros. De fato, a sinopse é matadora para o setor de vendas, muito embora a experiência de ver o filme em si seja riquíssima sob muitos aspectos.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h46 AM

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Qual a fórmula de sucesso de um filme?

Qual a fórmula de sucesso de um filme?

É possível calcular a fórmula de sucesso de um filme? Sim, responde o professor de psicologia da Universidade da Califórnia Dean Simonton. Na última sexta, o acadêmico comandou o simpósio "Criatividade e os Filmes", no encontro anual da Associação Americana de Psicologia.

Aos seus colegas, Simonton relatou as conclusões a que chegou após submeter milhares de longas ficcionais, falados em inglês, a uma bateria de testes estatísticos, incluindo o coeficiente de correlação de Pearson, cuja fórmula é esta coisinha simples: 

Com base em sua pesquisa, Simonton concluiu que, nos EUA, um sucesso de crítica tem mais chances de ser:
1) um drama de censura R (inadequado para menores de 17 anos);
2) adaptado de um livro ou de uma peça premiada;
3) inspirado em uma história real; e
4) roteirizado pelo diretor ou pelo autor do livro/peça original.

E é incomum que esse sucesso de crítica seja:
1) seqüência ou refilmagem;
2) comédia ou musical;
3) um lançamento de férias;
4) um projeto de grande orçamento; e
5) estréie em muitas salas ou tenha grande bilheteria no primeiro final de semana.

Um exemplo? Dos filmes que estrearam neste ano nos EUA, o que mais se encaixa nessas características é "Zodíaco" (foto), de David Fincher, que obteve críticas positivas tanto lá quanto cá.

Além do simpósio, o professor Dean Simonton apresentará em livro sua tese sobre as chaves para o êxito de um filme, incluindo também as características mais prováveis de um sucesso de público. A obra, em produção, terá o sugestivo título: "Grandes Fitas: Estudos Científicos de Criatividade Cinematográfica e Estética".

Escrito por Leonardo Cruz às 7h26 PM

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Mais uma chance à película

Mais uma chance à película

Em tempos em que pululam nos cinemas as projeções digitais e em DVD, muitas vezes com baixa qualidade, é bom ver uma proposta que trilhe o caminho contrário. Trate-se do "Última Chance em 35", programa do Sesc Santana que exibe bons filmes obrigatoriamente em película de 35 milímetros, ou seja, respeitando o formato para o qual o filme foi concebido.

O título do ciclo é um tanto radical. Ninguém imagina, por exemplo, que esta será a última chance para ver em 35 mm os filmes de Luchino Visconti, o diretor que é tema da programação deste mês. Ainda assim, a escolha do nome reflete a realidade do cinema atual, no qual a película gradualmente perde espaço para o digital.

Neste ano, o "Última Chance" já apresentou longas de Woody Allen, Quentin Tarantino e Pedro Almodóvar. Sempre de graça. Para este mês, o diretor escolhido foi o italiano Luchino Visconti, do qual já foram exibidos "Belíssima" e "Rocco e seus Irmãos". Nesta terça, às 20h, o filme em cartaz é "Morte em Veneza" (foto), a primorosa adaptação para o cinema do romance de Thomas Mann. Na terça que vem, no mesmo horário, será a vez de "O Inocente".

Para setembro, está previsto um ciclo de quatro filmes de Ingmar Bergman. Segundo o pessoal do Sesc Santana, a mostra já estava programa antes da morte do cineasta sueco. Serão apresentados "O Sétimo Selo" (4/9), "Morangos Silvestres" (11/9), "Gritos e Sussurros" (18/9) e "O Ovo da Serpente" (25/9). Boa oportunidade para quem nunca viu Bergman em tela grande. Faz muita diferença.

Outro ponto positivo do "Última Chance" é levar uma programação de cineclube para a zona norte de São Paulo, hoje tomada por cinemas que se restringem aos filmes do circuito comercial. Oferece Visconti e outros biscoitos finos para uma platéia que, se quisesse ir ao cinema perto de casa, tinha de se contentar com blockbusters.

*

João Moreira Salles debate "Santiago"

O melhor filme do ano até agora estréia na próxima sexta. É o documentário "Santiago", de João Moreira Salles, já comentado por aqui em março, quando das primeiras exibições públicas do filme, no Festival É Tudo Verdade.

Para quem não quiser esperar até sexta e tiver interesse em ouvir o que João Moreira Salles tem a dizer, o programa obrigatório acontece já na noite desta terça, a partir das 20h, no Cine Bombril (ex-Cinearte), em SP. O diretor participará de um debate com o público logo depois da exibição do longa, numa pré-estréia promovida pela Folha.

Como o evento é gratuito e a sala 2 do Bombril é pequena, é bem provável que fique lotado. Os ingressos serão distribuídos a partir das 19h; convém chegar bem mais cedo que isso.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h19 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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