“Jogo de Cena”, novo documentário de Eduardo Coutinho, provocou uma cena inédita no 35º Festival de Gramado. Pela primeira vez desde o início das sessões competitivas de longas brasileiros e estrangeiros, no domingo passado, a platéia aplaudiu em cena aberta, gargalhou nos momentos divertidos, fungou nos mais tocantes e, ao final, aplaudiu gritando “bravo!”.
O longa de Coutinho foi apresentado fora de concurso na noite de sexta, em seguida à entrega do troféu Kikito de Cristal ao diretor, em homenagem à sua carreira.
Coutinho define “Jogo de Cena” como “um filme sobre a representação e a vivência de algumas mulheres”. Diz que “estava interessado em saber como uma pessoa comum vira personagem [de si mesma] e se torna pública e como uma atriz volta a ser uma pessoa comum”.
Por isso, os relatos de “Jogo de Cena” são contados duas vezes _pela pessoa que os viveu e por uma atriz. Mas apenas três atrizes são largamente conhecidas do público: Marilia Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres. Com essas, o diretor conversa a respeito da atuação. Elas dizem como se prepararam, como se sentiram diante do diretor, que tipo de dificuldade tiveram.
Fernanda Torres, por exemplo, empacou ao “representar” uma garota de 20 anos que engravidou aos 18, sem desejar ter um filho. Agora, ela vive “o caos da maternidade”, porque há o amor pela filha, “mas também os sonhos, os sonhos aventureiros” dos quais está tendo de abrir mão, em nome da responsabilidade de cuidar sozinha do bebê.
Das atrizes não-famosas, o filme exibe apenas as cenas de interpretação, sem entrevistas posteriores com o diretor. E, nesses casos, não é fácil distinguir qual é a personagem “real” e qual é a atriz _daí o “jogo de cena”. A platéia de Gramado entregou-se ao jogo e deixou o Palácio dos Festivais debatendo animadamente quem era quem.
As mulheres anônimas do filme foram escolhidas num teste, divulgado em anúncios num jornal popular e nos vagões femininos do metrô do Rio de Janeiro. O anúncio buscava “mulheres acima dos 18 anos, com uma história para contar num filme documentário”.
As histórias que elas contam são sobre as relações com os filhos, os pais, os maridos, enfim, sobre seus afetos. Há os fatos e a maneira como elas os encaram, ou seja, a representação que têm do mundo e da própria vida. Portanto, a discussão sobre a representação em “Jogo de Cena” é feita em camadas superpostas e embaralha permanentemente a percepção do espectador.
Todos os depoimentos foram gravados num palco de teatro, com a platéia (vazia) ao fundo. Ontem à tarde, antes da sessão, Coutinho disse: “O filme é de uma monotonia visual absoluta. Mas eu o fiz assim, confiando que os gestos de alguém interessam aos outros”. A reação da platéia à noite demonstrou que o diretor não apostou errado.
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Ao ser homenageado com o troféu Kikito de Cristal pela carreira, Eduardo Coutinho fez uma lista de “pessoas físicas, que são as que importam” para agradecer. São os que o ajudaram a construir a carreira. A relação, numerosa, começava com Leon Hirszman (1938-1987) e terminava no amigo e produtor de seus últimos filmes João Moreira Salles.
Escrito por Silvana Arantes (em Gramado) às 10h49 AM
Antes de ver "Os Simpsons" no cinema, há algo que você precisa ler. Pouco antes da estréia do filme nos EUA, o jornal "USA Today" publicou uma "entrevista" com Homer Simpson. Obviamente, as respostas são da equipe de Matt Groening, o criador da série. A seguir, alguns trechos do pingue-pongue entre o repórter Scott Bowles e o idiota mais amado do mundo.
Pergunta: Você ainda parece manter um ótimo relacionamento com Marge após 20 anos. Qual o segredo de um casamento saudável?
Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.
Pergunta: Você conseguiu manter seu visual ao longo dos anos. Como faz?
Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.
Pergunta: Há alguma coisa que você não comeria?
Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.
Pergunta: Sua ficha na usina nuclear de Springfield é totalmente manchada. Como você nunca foi demitido?
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.
Pergunta: Quais são suas posições políticas?
Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.
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A versão integral do texto, em inglês, pode ser lida aqui. Para quem vai assistir ao filme, uma dica: fique até o final dos créditos, pois a pequena Maggie reserva uma surpresinha. A seguir, mais um trailer de "Os Simpsons, o Filme".
"O cinema ainda não morreu, mas não vai muito bem de saúde." O diagnóstico, feito neste Festival de Gramado, é do cineasta Jorge Furtado, que está em cartaz nos cinemas com "Saneamento Básico - O Filme" (foto).
Os dois longas anteriores de Furtado, "O Homem que Copiava" e "Meu Tio Matou um Cara", foram vistos por aproximadamente 700 mil pessoas cada um. Ele é o autor também de "Houve Uma Vez Dois Verões", além do antológico curta "Ilha das Flores".
Para "Saneamento Básico - O Filme", Furtado e seus sócios da Casa de Cinema de Porto Alegre (que foi homenageada em Gramado por seus 20 anos de existência) esperavam público semelhante, mas o longa está na casa dos 120 mil espectadores.
"Talvez eu esteja sendo pessimista demais, mas acho que vamos ter que explicar para os nossos netos como era o cinema", disse Furtado, quando refletia sobre a maré baixa dos filmes brasileiros nas bilheterias.
Com desesperança, mas sem amargura, o diretor disse que procura explicações para esse fenômeno olhando primeiro para si. Interrogou-se, então, sobre por que tem ido menos ao cinema, ao mesmo tempo em que nunca viu tantos filmes. Concluiu que o fato de agora os filmes estarem sempre ao alcance, em DVD, retirou da ida ao cinema "o sentido de urgência" que isso já teve, algo que "quem nasceu depois do vídeo cassete nem sabe o que é". Ou seja, ao deixar de ser a única chance de ver os filmes, o cinema tornou-se dispensável.
Embora as salas de cinema possam estar perdendo sentido, não é o caso de deixar de produzir filmes, salientou Furtado. "Os filmes continuam necessários. A minha dúvida é sobre o modelo de lançamento." Especificamente sobre o caso brasileiro, a dúvida aumenta.
"Se se confirmarem até o fim do ano os números de queda de público brasileiro [cerca de 14% em relação a 2006, até aqui], a gente vai ter que enfrentar o dilema de saber que no Brasil se investem R$ 300 milhões na produção de filmes, para 5 milhões de pessoas assistirem. Vamos ter que pensar um pouco", disse.
Furtado fez essas reflexões nesta tarde de quarta, durante entrevista organizada pelo festival. Ontem à noite, na homenagem prestada à Casa de Cinema no Palácio dos Festivais, ele e seus sócios preferiram agradecer os que ajudaram a construir os 20 anos de história da produtora _especialmente os 656 atores e 1.422 técnicos que trabalharam nos filmes da Casa.
Escrito por Silvana Arantes (em Gramado) às 3h48 PM
Eis um interessante caso sobre como filmes podem ser distribuídos.
À primeira vista, "Four Eyed Monsters" seria apenas mais um entre as centenas de filmes independentes que pipocam nos EUA a cada ano. Estréia na direção do casal Susan Buice e Arin Crumley, o longa ficou pronto no final de 2005, começou a rodar o circuito de festivais nos EUA e ficou duas semanas em cartaz numa sala de Nova York.
Mesmo sem um lançamento nacional, o filme rendeu neste ano aos cineastas duas indicações ao Spirit Awards, o Oscar dos independentes. E rendeu também milhares e milhares de dólares em dívidas para Susan e Arin _os dois foram personagens do "New York Times" numa reportagem sobre como falir fazendo cinema.
Cientes de que não conseguiriam uma distribuição nacional e para tentar tirar o pé da lama, os diretores se tornaram os primeiros a colocar a versão integral de um longa-metragem no YouTube, numa promoção com o site Spout, de críticas de cinema escritas por internautas. Funciona assim: antes do filme no YouTube, Susan e Arin explicam seu dilema e convidam os espectadores a se cadastrarem no Spout. Para cada novo cadastro, eles ganham 1 dólar.
O esquema com o Spout foi repetido no MySpace. Até agora, os diretores juntaram US$ 43 mil _a meta é chegar a US$ 100 mil. Além disso, puseram cópias à venda no site oficial de "Four Eyed Monsters", em DVD (US$ 15) ou para download em alta resolução (de US$ 3 a US$ 8).
A iniciativa alimenta ao menos duas questões.
Qual o sentido de exibir um longa no YouTube? Agüentar tela minúscula e resolução meia-boca por 72 minutos (a duração de "Four Eyed Monsters") é tortura para quem gosta de cinema. Susan Buice e Arin Crumley parecem saber disso e usam a exibição no site como um "teaser", uma forma de chamar a atenção para sua obra. A página do filme no YouTube foi acessada mais de 800 mil vezes, e os diretores crêem que uma parte desse público terá interesse em comprar o DVD ou fazer o download em alta.
Numa época em que não há espaço suficiente nas salas para a quantidade de filmes produzidos, será a internet uma forma viável de distribuição comercial? Uma alternativa real, rentável, para longas que não terão espaço nas salas de exibição? Tenho dúvidas, especialmente enquanto houver os programas de compartilhamento gratuitos, os P2Ps. Por que alguém pagaria US$ 3 para baixar um filme que já está de graça, com a mesma resolução, no Emule e nos Torrents da vida? Esse raciocínio vale não só para os filmes pequenos, independentes, mas também para as grandes produções, já vendidas para download no exterior.
A seguir, "Four Eyed Monster", na versão integral. Se você não tiver tempo nem paciência para ver tudo, assista ao menos os primeiros minutos _há uma bela seqüência inicial.
Durante o debate realizado nesta tarde de quarta no Festival de Gramado sobre “Deserto Feliz” (foto), longa de Paulo Caldas que participa da competição pelos Kikitos, o diretor deixou no ar uma pergunta: quem precisa de preparadores de elenco?
Quando a discussão sobre “Deserto Feliz” girou em torno da relação de Caldas com os atores do filme e sobre como fez a escolha da atriz estreante em cinema Nash Laila para interpretar a protagonista, ele fez um breve pedido de desculpas a eventuais preparadores de elenco que estivessem na platéia, para depois dizer:
“Existe uma tendência no cinema brasileiro de usar preparadores de elenco. Em alguns filmes, a necessidade do preparador de elenco é óbvia. Mas, quando você tem um grande ator e um diretor, não sei o que um intermediário pode fazer no meio dessa relação”. E arrematou citando um diálogo que teve com o veterano cineasta Ruy Guerra sobre o tema. “O Ruy Guerra me disse outro dia: ‘Se eu não vou dirigir os atores, o que vou fazer no filme?’”.
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Quando o debate sobre “Deserto Feliz” se aproximava do fim, o crítico gaúcho Marcus Mello tomou a palavra, para elogiar o título, do qual se disse “orgulhoso”. Mello lamentou que a reação da platéia na sessão oficial competitiva, ontem à noite, tenha sido comedida.
“Fico pensando que, há vinte anos, nos bons tempos de Gramado, esse filme seria aplaudido de pé”, disse, e acrescentou que só não se levantou para aplaudir porque é “muito tímido’.
Outro participante do debate não se fez de rogado. “Mas o filme é genial, então vamos aplaudir agora”,disse, já se levantando, num gesto seguido por boa parte da platéia do debate.
Escrito por Silvana Arantes (em Gramado) às 1h12 PM
O longa “Nacido y Criado” (nascido e criado), de Pablo Trapero, segundo título apresentado na disputa estrangeira neste 35º Festival de Gramado, é um bom exemplo de algo que críticos atentos à cinematografia argentina andam observando: com a superação da crise econômica, o cinema argentino pôde voltar-se ao indivíduo.
O colapso da economia argentina em 2001 _e seus devastadores efeitos sobre a população_ pareceu tornar a crise um imperativo temático no cinema. Daí vieram filmes como “Buena Vida Delivery”, em que a pobreza rebaixa o comportamento moral dos personagens, ou “O Abraço Partido”, permeado pelo desejo de abandonar o país. Agora, com a relativa estabilidade econômica do que os argentinos chamam a “Era K. [de Kirchner]”, esse pano de fundo não mais se impõe.
Trapero, que vem de abordar a classe média baixa na numerosa “Família Rodante”, trata em “Nacido y Criado” de um núcleo familiar menor _pai, mãe e filha_ pertencente a uma escala social mais elevada.
A descrição da vida que levam ocupa a abertura do filme. Têm um belo e descolado apartamento, cuidado por uma empregada uniformizada; um trabalho “cool” (são designers de interiores) e um estilo de vida desencanado _numa semana de muito trabalho, decidem fazer uma pausa e viajar por uns dias com a filhinha, que faltará à escola.
Um episódio trágico na viagem fará Santiago (Guillermo Pfening) mergulhar num inferno pessoal, que ele decide viver no gelado e isolado cenário da Patagônia. “Nacido y Criado” pode ser visto como uma investigação sobre a dor e a culpa _e a possibilidade de superá-las. Mas não se trata da história de um país, e sim de uma trajetória pessoal, pessoalíssima.
Em tempo: o diretor brasileiro Walter Salles, que notou o talento de Trapero desde que ele despontou com “Mundo Grua”, é produtor associado de “Nacido y Criado”. A produtora Videofilmes, de Salles, despachou equipamentos para as filmagens na inóspita Patagônia. Apesar disso, o filme ainda não tem previsão de estréia no Brasil.
Escrito por Silvana Arantes (em Gramado) às 9h58 AM
O Festival de Gramado, que deu a partida em sua 35ª edição no último domingo, está tentando fazer (mais uma) correção de rumo em seu perfil. Gramado já foi um importante festival para o cinema brasileiro. Quando a produção nacional rareou, na crise do início dos anos 90, ele foi buscar socorro na dos países vizinhos, tornando-se um “festival do cinema brasileiro e latino”.
Nos 2000, com a indústria nacional reaquecida, Gramado rebaixou os latinos e alçou ficções e documentários nacionais (primeiro, em competições separadas; depois, unidos) ao seu foco principal. Com tanto vaivém, foi perdendo personalidade e importância e, principalmente, bons filmes, que acabaram migrando para outras mostras.
Desde o ano passado, os gaúchos tentam reconquistar prestígio. Contrataram os críticos José Carlos Avellar e Sérgio Sanz para cuidar da programação. Para escolher os seis concorrentes brasileiros deste ano _os documentários “Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais” (Carlos Prates) e “Condor” (Roberto Mader) e as ficções “Deserto Feliz” (Paulo Caldas), “Olho de Boi” (foto acima, Hermano Penna), “Otávio e as Letras” (Marcelo Masagão) e “Valsa para Bruno Stein” (Paulo Nascimento)_ Avellar disse que usou um critério duplo. Os filmes teriam de ser “expressões pessoais, artísticas” e também ter estréia nos cinemas prevista para breve, para que “o festival pudesse contribuir” com a carreira dos filmes nas salas.
Pela cartilha informal do mercado cinematográfico, esses dois critérios parecem excludentes, já que filmes que sejam “expressões pessoais, artísticas” normalmente interessam à menor parcela do público, enquanto os realizados deliberadamente para entreter abocanham as grandes platéias.
No ano passado, o Kikito de melhor filme foi divido entre “Anjos do Sol”, de Rudi Lagemann, e “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci. O filme de Tonacci ainda não estreou. O de Lagemann fez 80 mil espectadores. Confrontado com esses resultados, Avellar diz que o festival quer dar sua contribuição, mas não é capaz de “mudar o mercado”.
Cabe a pergunta: faz sentido ter um festival com o objetivo de aumentar o público de filmes feitos para pouco público? Avellar diz que “essa pergunta pode ser feita também no contracampo: faz sentido ter um festival para impulsionar o público dos filmes comerciais, que já terão grande público?” É fato. Mas isso leva então a outra pergunta: para que servem os festivais? Como hoje há pelo menos 120 deles sendo feitos no Brasil (quase todos com benefício da renúncia fiscal) não seria mal encontrar uma boa resposta.
Escrito por Silvana Arantes (em Gramado) às 11h39 AM
O “New York Times” deu um valioso presente a seus leitores neste final de semana: dois artigos, um sobre Antonioni, outro sobre Bergman. O primeiro escrito por Martin Scorsese. O segundo, por Woody Allen. Ambos os textos têm tom de depoimento, mais do que análise, e revelam um pouco da personalidade desses dois cineastas americanos contemporâneos.
Em “O homem que libertou o filme”, Scorsese relembra a primeira vez que viu “A Aventura” (1961) e o impacto que a obra teve em sua relação com o cinema. O trecho que mais me agrada vai a seguir, no qual o diretor de “Touro Indomável” compara as obras de Antonioni e Fellini.
“ ‘A Aventura’ me causou um dos mais profundos choques que tive no cinema, maior do que ‘Acossado’ ou ‘Hiroshima, Mon Amour’ (feitos por outros dois mestres modernos, Jean-Luc Godard e Alain Resnais, ambos ainda vivos e atuantes). Ou ‘A Doce Vida’. Naquela época havia dois campos _as pessoas que gostavam do filme de Fellini e os que gostavam de ‘A Aventura’. Eu sabia que estava firmemente do lado de Antonioni, mas, se você me perguntasse na época, não tenho certeza se teria conseguido explicar por quê. Amava os filmes de Fellini e admirava ‘A Doce Vida’, mas eu fui desafiado por ‘A Aventura’. O filme de Fellini me comoveu e me entreteu, mas o de Antonioni mudou minha percepção de cinema e o mundo ao meu redor e fez com que os dois parececem ilimitados. (Dois anos depois eu me reencontrei com Fellini e tive o mesmo tipo de epifania com ‘8 ½’.)”
Já em “O homem que fez as perguntas difíceis”, Woody Allen conta como soube da morte do diretor, relembra algumas conversas que teve com ele e descreve hábitos do diretor sueco, como nesta passagem:
“Bergman, apesar de todas as suas manias e obsessões filosóficas e religiosas, era um contador de histórias nato, que não deixava de entreter mesmo quando sua mente estava dramatizando as idéias de Nietzsche ou Kierkegaard. Eu costumava ter longas conversas telefônicas com ele. Ele as fazia a partir da ilha onde vivia. Nunca aceitei seus convites para visitá-lo porque a viagem de avião me incomodava, e eu não achava agradável voar em uma pequena aeronave para algum ponto perto da Rússia para, eu previa, almoçar iogurte. Sempre discutimos filmes, e sempre deixei que ele falasse mais, porque me sentia privilegiado de ouvir seus pensamentos e idéias. Ele projetava filmes para si mesmo todo dia e nunca cansou de assisti-los. De todos os tipos, mudos e falados. Para dormir, assistia a uma fita que não o fizesse pensar e o relaxasse da ansiedade, algumas vezes um filme de James Bond.”
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Notícias de Gramado
A repórter Silvana Arantes está em Gramado para cobrir para a Ilustrada o festival de cinema da serra gaúcha, iniciado na noite de ontem. Textos dela também devem pintar por aqui nos próximos dias.
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo (em férias). O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe da Ilustrada, em especial das repórteres Silvana Arantes e Lúcia Valentim Rodrigues.
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