Ilustrada no Cinema

 

 

Antonioni e o mal-estar social

Antonioni e o mal-estar social

 

O cartaz de “Blow Up” (1966), um dos nove que ilustram o topo deste blog, não está aí por acaso ou apenas por ser bonitinho. Poucos filmes me causaram tamanho impacto e ampliaram tanto meu interesse por cinema quanto esse primeiro filme em língua inglesa do italiano Michelangelo Antonioni.

Um filme que trata, no fundo, de um jovem inglês desgostoso e entediado, apesar de uma vida de sucesso como fotógrafo de modelos. Reflete a fome espiritual de um profissional rico, famoso, mas angustiado, que se lança ao acaso, para “flanar” por uma Londres fervilhante dos anos 60. E o acaso lhe permite fotografar um casal se beijando e um suposto assassinato.

A revelação do registro fotográfico, suas ampliações, cada vez maiores, e a busca por confirmar se houve de fato uma morte fascinam o fotógrafo, lhe despertam de novo o interesse pela vida. Toda essa saga existencialista é apresentada em planos longos e enquadramentos sempre belíssimos, marcas de Antonioni presentes ao longo de toda a sua obra.

Com David Hemmings e Vanessa Redgrave ótimos nos papéis principais e a trilha sonora jazzística de um alucinado Herbie Hancock, “Blow Up” conseguiu captar o mal-estar moderno, a essência de “As Babas do Diabo”, o conto inspirador escrito por outro gênio, o argentino Julio Cortázar.

Essa fúria, essa angústia espiritual como reflexo de uma vida fútil, transparece na seqüência abaixo, em que David Hemmings “orienta” modelos numa sessão de fotos. 

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Para ver Antonioni em DVD
Alguns dos principais longos de Antonioni foram lançados em DVD no Brasil. “Blow Up” saiu pela Warner. É difícil encontrá-lo à venda por aí, mas não é tão complicado achá-lo em locadores. Ainda entre os filmes falados em inglês, “Passageiro: Profissão Repórter” (1975) foi lançado pela Sony.

Os principais filmes em italiano de Antonioni saíram no Brasil pela Versátil. A distribuidora já lançou “As Amigas” (1954), “O Grito” (1957), “A Noite” (1960), “O Eclipse” (1962)  e “Deserto Vermelho” (1964). E ainda colocará no mercado “A Dama sem Camélias” (1953), “Os Vencidos” (1953) e “Identificação de uma Mulher” (1982).

“A Aventura” (1960), primeiro filme de Antonioni premiado em Cannes, saiu em DVD numa cópia muito ruim da Continental e ainda merece um relançamento adequado.

O diretor italiano ainda pode ser visto em segmentos de dois longas de episódios: “O Amor na Cidade” (1953, Versátil) e “Eros” (2004), seu último filme, lançado pela Imovision e, por enquanto, disponível apenas para locação.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h20 PM

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Bergman, por Domingos Oliveira

Bergman, por Domingos Oliveira

 
 
A seguir, um belo depoimento sobre Ingmar Bergman que o cineasta Domingos Oliveira ("Todas as Mulheres do Mundo", "Amores", "Carreiras") gentilmente redigiu para a Ilustrada. Muito do que ele escreve abaixo também vale, creio, para Michelangelo Antonioni, morto menos de 24 horas depois de seu colega sueco.
 
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Bergman fez a vida valer, por Domingos Oliveira
 
No futuro, as crianças cineastas aprenderão nas escolas que, entre o início do século 20 e o início do século 21, viveram três cineastas a quem nunca mais ninguém se comparou. Artistas que contaram a humanidade como aquele outro, russo, chamado Dostoiévski. Dizem que é preciso entender da vida para compreender a arte. A formulação está inversa. É preciso conhecer da arte para saber o que é a vida. A arte é o arauto. Ela conta aos homens aquilo que, confusos e torturados, eles não conseguem compreender. Devassam o intenso mistério da condição humana.

Charles Chaplin, sem dúvida, dos três é quem mais amou. Fellini atravessava com sua câmera as paredes finas do real e filmava o transcendente. Bergman talvez tenha sido menos divino, o mais humano desses três reis magos. E trouxe a alma para o cinema. Aquilo que é mais complexo no homem. O mais complexo da sua consciência. E descobriu, segundo declarou, a cor da alma: é vermelha.

O verdadeiro artista, como um Cristo, não vem ao mundo para julgá-lo e, sim, para salvá-lo. A luz que Bergman lançou sobre a cultura ocidental. A alegria e a beleza que fez chegar até nós, somente poderão ser justamente avaliadas nos confins da eternidade. Filmes como "Vergonha", "Sorrisos de uma Noite de Verão", "Gritos e Sussurros" e, particularmente, "Fanny e Alexander" (foto) não são simplesmente filmes. São "a coisa" em si.
 
Quando morre um artista assim, perde-se um amigo, sem dúvida. Mas não se deve lamentar a morte de gente gloriosa. O inocente Ingmar, tão preocupado com as besteiras daquele pastor que o criou, morreu em idade aceitável. Fez os mais belos filmes, comeu as mais belas mulheres. Ou seja, realizou a maior das façanhas, que é fazer a vida valer.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h18 AM

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Ingmar Bergman (1918-2007)

Ingmar Bergman (1918-2007)

Tinha algumas coisas para colocar no blog hoje, mas, com a morte de Bergman, fica tudo para depois. Agora, a melhor forma de homenagear o mais importante cineasta sueco é apresentar trechos de alguns de seus grandes filmes, inclusive de "O Sétimo Selo", cuja cena do jogo de xadrez com a morte já havia sido postada aqui dias atrás. Ao final, uma entrevista com o diretor, feita em 1970, dividida em três partes, e também novidades sobre lançamentos de filmes dele em DVD no Brasil.

"Gritos e Sussurros" (1972)
 
"Persona" (1966)
 
 
"Morangos Silvestres" (1957)
 
"O Sétimo Selo" (1957)
 
"O Silêncio" (1963)
 
"Saraband" (2003)
 
Entrevista com Bergman - Parte 1
 
Entrevista com Bergman - Parte 2
 
Entrevista com Bergman - Parte 3
 
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Os principais filmes de Ingmar Bergman foram distribuídos em DVD no Brasil pela Versátil, que prepara o lançamento de mais oito longas do diretor, a partir de 2008, incluindo "Monika e o Desejo" (1953), "Uma Lição de Amor" (1954) e "O Rosto" (1958). 

Escrito por Leonardo Cruz às 12h39 PM

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Ataque ao cinema latino

Ataque ao cinema latino

Foi com uma paulada no cinema latino-americano que Marco Müller, diretor do Festival de Veneza, explicou a exclusão de filmes da região na disputa pelo Leão de Ouro neste ano, que ocorre de 22/8 a 9/9. Para Müller, as 223 obras inscritas da AL não tinham "as qualidades que pedimos a um filme para Veneza: inovador, surpreendente, original". O prêmio principal de Veneza será disputado por 22 longas, 11 deles americanos ou ingleses (leia mais aqui).
 
Na manhã de ontem, enquanto o diretor de Veneza criticava o cinema latino, o roteirista e diretor uruguaio Sebastián Bednarik ("La Matinée", foto) estava em São Paulo, preparando-se para discutir com colegas seus do Paraguai, México e Equador sobre a "Nova Geografia" do cinema, do ponto de vista da América Latina.

O debate foi promovido pelo 2º Festival de Cinema Latino-Americano, no Memorial da América Latina, onde acontece a maioria das sessões e das atividades do festival. Após a conversa, Bednarik, 31, ponderou sobre o veredicto de Müller. Com a palavra, Bednarik:

"Não sei se Marco Müller falou isso expressando um gosto pessoal ou fazendo uma análise de outra natureza sobre se são bons ou ruins os filmes da América Latina. Talvez os filmes que mandaram para Veneza não fossem mesmo tão bons. Mas me soa muito estranho o que ele diz, porque tenho visto filmes latinos muito superiores aos europeus".

Brasileiro radicado no Paraguai há 10 anos, José Eduardo Alcázar ("entre 22 e 55 anos"), que estreou ontem no festival latino o longa digital "US/Nosotros", contra-ataca: "Quando foco é importante, o filme é uma merda. De que qualidade estamos falando? Acho isso um preciosismo, até uma alienação. Eu prefiro a mensagem, a proposta de uma visão que pode ser dos EUA, do Japão, não importa. O que importa é o olhar de um autor".

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Muito bem na fita
Se o cinema brasileiro foi totalmente ignorado por Marco Müller para a disputa do Leão de Ouro, ao menos um cineasta brasileiro recebeu do festival o espaço que merece. Júlio Bressane teve seu "Cleópatra" incluído na seção "Mestres de Veneza". Ao lado de quem? Woody Allen, Takeshi Kitano, Claude Chabrol, Manoel de Oliveira e Im Kwon-taek. Nada mal, não?! "Cleópatra", que ainda não tem data para estrear no Brasil, recontará a história da mítica rainha egípcia com Alessandra Negrini como a protagonista e Miguel Falabella como Júlio César.

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Os latinos mais poderosos
E, para fechar a conversa, a revista “Hollywood Reporter” divulgou hoje sua lista dos 50 latinos mais poderosos na indústria de TV e cinema dos EUA. Los Tres Amigos lideram a relação _os diretores Alfonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro aparecem no topo graças ao projeto conjunto de cinco filmes negociado com a Universal em maio. Fernando Meirelles surge no 20º lugar, com muitos elogios a “Cidade de Deus” e a “O Jardineiro Fiel”, e Walter Salles é o 25º, considerado “um dos mais urgentes cineastas trabalhando dentro e fora de Hollywood”.

Escrito por Leo Cruz e Silvana Arantes às 2h29 PM

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Billy Wilder faz o melhor noir

Billy Wilder faz o melhor noir

Quer saber o que é filme noir em poucas palavras? Então preste atenção em Walter Neff: "Eu o matei pelo dinheiro e pela mulher. Não consegui o dinheiro....e não consegui a mulher".

E quer saber qual é "O" filme noir? Então assista a "Pacto de Sangue" ("Double Indemnity", 1944), de Billy Wilder, que acaba de sair em DVD no Brasil pela Versátil, com o bom documentário sobre o longa "Sombras do Suspense" como material extra.

Hoje, depois de tantas imitações, a trama não parece nada original. Mas não se engane. A originalidade está aqui. Walter Neff (Fred MacMurray) é o eficiente e cínico vendedor de apólices de seguro que um dia vai bater à porta da pérfida e cachorra Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck, que formatou "A" imagem de femme-fatale em Hollywood com este filme).

Ela quer se livrar rapidinho de seu velho marido e ganhar uma fortuna de indenização. Apaixonado (ou melhor, excitado), Walter será o mané perfeito para ajudá-la no crime.
Com a ajuda do lendário escritor de romances policiais Raymond Chandler no roteiro, "Pacto de Sangue" nos lembra que o noir surgiu num momento em que a América tinha perdido definitivamente sua inocência. O público pedia tramas menos ingênuas e a idéia era retratar pessoas comuns cometendo atos nada nobres.

O filme, baseado em livro de James M. Cain, traz os elementos essenciais do gênero no cinema: narração em primeira pessoa, em off; fotografia com fortes contrastes entre o preto e o branco; cenários e enquadramentos expressionistas, que refletem a alma corrompida de seus personagens. Não bastasse isso, este é o primeiro grande filme do gênio Billy Wilder e traz atuações arrasadoras de Barbara Stanwyck (grande atriz de Hollywood à época, que inicialmente ficou com medo que esse papel fosse manchar sua imagem) e Edward G. Robinson, que deixou aqui seus habituais papéis de vilão para interpretar o implacável chefe de Walter.

Se você se empolgar, não deixe de ver "Dália Negra" (2006), de Brian De Palma, que sai agora para vendas em DVD pela Imagem. Esta é uma excepcional releitura do gênero, feita por um sujeito que adora contar histórias de perdição. Mas poucos entenderam. Teve gente que achou De Palma previsível demais. E tem gente que conhece a tradição noir de menos...

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 1h17 PM

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Filme legendado ou dublado?

Filme legendado ou dublado?

Boa reportagem de Pedro Butcher no boletim Filme B desta semana informa que cresceu a oferta de filmes dublados nas salas de cinema do país. O texto traz bons exemplos para indicar que o número de versões brasileiras não se restringe mais às produções exclusivamente infantis. “Transformers”, voltado para o público adolescente, foi lançado com 530 cópias, das quais 53% eram dubladas. “Duro de Matar 4.0” (foto), filme também de apelo ao público adulto, terá 15% de suas cópias dubladas; “A Volta do Todo Poderoso”, 50%.

A ação do mercado responde a uma demanda da platéia, especialmente fora dos grandes centros e em áreas de poder aquisitivo mais baixo. Em muitos desses locais, a procura por versões brasileiras de “Homem-Aranha 3”, “Piratas do Caribe 3” e “Quarteto Fantástico 2” foi maior do que pela cópia legendada.

O Brasil ainda está muito longe de virar a Alemanha, onde a grande maioria dos filmes é dublada, mas essa história revela uma mudança de hábito de parte dos espectadores. Estaria o público brasileiro com preguiça de ler no cinema? Para um exibidor, o aumento da procura pelo filme em português é reflexo da melhoria do som nas salas, de uma melhor dublagem e da oferta de filmes dublados na TV e em DVD. Para um distribuidor, é um caminho para levar mais espectadores às salas.

E você, caro leitor? Trocaria um filme legendado pela versão brasileira?

Escrito por Leonardo Cruz às 1h43 PM

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O cinema paulista, em dois tempos

O cinema paulista, em dois tempos

Começa daqui a pouco no CCBB paulistano uma boa mostra da produção recente do cinema paulista. Com curadoria do crítico e colaborador da Folha Paulo Santos Lima, “Do Curta ao Longa” apresenta dois filmes de nove cineastas de São Paulo. Como o próprio nome diz, serão um curta e um longa de cada um, numa programação que segue até domingo.

Paulo Sacramento e Eliane Caffé fazem hoje, às 19h30, um debate sobre seus filmes, sobre as diferenças do curta e do longa e sobre fazer cinema no país hoje. De Sacramento, a mostra do CCBB exibe “Juvenília” (1994) e “O Prisioneiro da Grade de Ferro” (2003). De Eliane, passam “Caligrama” (1995) e “Kenoma” (1998, foto). Também terão obras apresentadas os diretores Beto Brant, Lina Chamie, Ricardo Elias, José Roberto Torero, Laís Bodansky, Roberto Moreira e Toni Venturi.

A programação completa está aqui. Na seqüência, “Juvenília”. Antes que você veja o curta de Sacramento, dois avisos: a cópia no YouTube não está das melhores, foi feita a partir de VHS; e o filme tem imagens muito fortes, repulsivas mesmo, e não são recomendadas aos mais sensíveis. Feitas essas ressalvas, aperte o play.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h45 PM

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Um novo cânone para o cinema nacional

Um novo cânone para o cinema nacional

Os colegas da “crítica independente” pedem espaço neste veículo da “mídia burguesa” para divulgar o mais recente número da revista “Paisà”. Ok, não resisti à brincadeira. Mas, sem revolta, companheiros, é apenas uma brincadeira. Ao que interessa: 18 críticos da “Paisà” e das revistas eletrônicas “Cinética”, “Contracampo”, “Almanaque Virtual” e “Cinequanon” se reuniram para reavaliar o cânone do cinema nacional. Votaram e chegaram a uma relação dos 20 filmes brasileiros mais importantes _na verdade 21, pois houve empate no vigésimo lugar.

Mais do que uma lista de favoritos, o resultado da eleição revela um pouco mais sobre o perfil desses novos críticos, seus gostos, suas visões de cinema e suas divergências entre si, como aponta Cléber Eduardo no ótimo ensaio que acompanha as obras escolhidas.

Além disso, a seleção da Paisà altera as bases, para usar a expressão de Cléber Eduardo, do “star system estético”. Na comparação com as duas eleições anteriores desse tipo, a da Folha (1999) e a da "Contracampo" (2002), há uma sensível alteração nas cinco primeiras posições: “Limite”, “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe” continuam lá, mas “Vidas Secas” e “O Bandido da Luz Vermelha” dão lugar a “São Paulo S.A.”, de Luís Sérgio Person, e a “Bang Bang” (foto), de Andrea Tonacci.

O quadro de votações por diretor confirma o equilíbrio na seleção entre cinemanovistas e marginais. Os quatro primeiros colocados foram, nesta ordem, Rogério Sganzerla, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Andrea Tonacci. A seguir, os dez primeiros filmes na seleção da Paisà. Estes e os outros 11 estão no site da revista, onde cada título recebe um comentário explicativo, o que dá à iniciativa uma dimensão didática _a relação se torna uma porta de entrada para quem quer conhecer um pouco mais do que há de melhor no cinema brasileiro.

1 – “Limite”, de Mário Peixoto (1931)
2 – “Terra em Transe”, de Glauber Rocha (1967)
3 – “Bang Bang”, de Andrea Tonacci (1970)
4 – “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha (1964)
5 – “São Paulo S.A.”, de Luis Sérgio Person (1965)
6 – “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla (1968)
7 – “A Mulher de Todos”, de Rogério Sganzerla (1969)
8 – “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho (1984)
9 – “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos (1963)
10 – “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Roberto Santos (1965)

Escrito por Leonardo Cruz às 11h49 AM

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Sete atores para Bob Dylan

Sete atores para Bob Dylan

Dica do repórter da Ilustrada Marco Aurélio Canônico: caiu no YouTube um trecho de “I’m Not There”, cinebiografia de Bob Dylan escrita e dirigida por Todd Haynes (do ótimo “Longe do Paraíso”), que deve estrear lá fora até o final deste ano. Com o sugestivo subtítulo “Suposições em um Filme a Respeito de Dylan”, o longa tem sete atores para representar o cantor e compositor americano. Cada um interpreta um aspecto da vida do músico _Christian Bale, Richard Gere e Heath Ledger estão entre os Dylans de “I’m Not There”.

A seqüência a seguir mostra um diálogo entre o músico e o poeta Allen Ginsberg, autor central da geração beat americana. Alguém aí reconhece quem está interpretando Bob Dylan nesta cena?

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Errol Morris estréia blog no “NYT”
Quem já viu “Sob a Névoa da Guerra” sabe que Errol Morris é um dos grandes nomes do cinema documental da atualidade. Enquanto finaliza seu novo doc (sobre os casos de tortura em Abu Ghraib), o diretor estreou há alguns dias um blog no “New York Times”. Chama-se Zoom e é sobre fotografia. Em seu post inaugural (infelizmente o único até agora), Morris faz um pequeno ensaio sobre a importância da legenda para o significado da imagem. Escrito assim parece meio idiota, mas a reflexão de Morris é interessante e vale também para o cinema: sem contexto, sem qualquer informação ou legenda, o que uma imagem nos diz?

Escrito por Leonardo Cruz às 2h10 PM

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Cinema brasileiro no Festival de Locarno

Cinema brasileiro no Festival de Locarno

Sete cineastas brasileiros estão a caminho do 60° Festival de Locarno, que acontece na cidade suíça de 1º a 11 de agosto e cujo pôster é esse aí acima. O fotógrafo e diretor Walter Carvalho será membro do júri da competição internacional _em que não há filmes brasileiros.

Dois longas e três curtas brasucas foram convidados. A documentarista Maria Augusta Ramos (do ótimo "Justiça") estreará "Juízo" na seção "Diretores do Presente" da mostra. O festival destaca o filme (ao lado do argentino "Estrellas", de Federico León e Marco Martinez) como exemplo da tendência de filmes que "exploram temas sociais e, como gênero [cinematográfico], ficam a meio caminho entre o documentário e a ficção".  O também documentarista Kiko Goifman participa da seção "Aqui e em Outro Lugar" com seu "Handerson e as Horas", já exibido neste ano por aqui, no Festival É Tudo Verdade.

Os autores dos três curtas convidados são Carlos Adriano, com "Das Ruínas à Rexistência", Pablo Lobato, com "Outono", e Helvécio Marins e Clarissa Compolina, com o já premiado em festivais brasileiros "Trecho".

Locarno terá ainda homenagens ao diretor taiwanês Hou-Hsiao-Hsien, à produtora argentina Lita Stantic ("O Pântano", de Lucrecia Martel) e ao ator francês Michel Piccoli, além de muitas outras coisas legais. A programação completa está disponível no site do festival, em inglês ou italiano.

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Cronenberg e Arcand em Toronto
Outro festival que aos poucos divulga seus selecionados é o de Toronto. A mostra internacional, cujo nível melhora a cada ano, anunciou hoje os diretores canadenses que terão seus filmes exibidos de 6 a 15 de setembro.

E dois grandes nomes do cinema atual estão na lista: "Eastern Promises", novo longa de David Cronenberg, terá uma sessão de gala em Toronto, assim como "L'Âge des Ténèbres", de Denys Arcand, que fez sua estréia mundial no Festival de Cannes.

O filme de Cronenberg terá novamente Viggo Mortensen, o protagonista do ótimo "Marcas da Violência". Pela sinopse do filme, o ator americano interpreta o russo Nikolai, motorista de um clã do crime organizado em Londres, que se envolve com Anna (Naomi Watts), parteira que acidentalmente descobre evidências contra os mafiosos.

Comprado pela distribuidora Playarte, "Eastern Promises" deve estrear no Brasil em 30 de novembro. Aí vai o trailer.

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Cao Hamburger em debate em SP
O diretor do premiado "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" participa nesta quinta, às 21h, do debate de encerramento do ciclo Jardins de Infância, tema da programação do Cineclube do HSBC Belas Artes.
Cao foi convidado para falar de sua experiência em filmar com crianças _antes de o "Ano", ele já havia feito "Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme". O debate é gratuito e deve lotar o Belas Artes _para quem quiser acompanhar, é bom chegar cedo, para retirar ingresso na bilheteria.

Escrito por Leo Cruz e Silvana Arantes às 3h26 PM

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A homenagem a Ismail Xavier

A homenagem a Ismail Xavier


Reunir na mesma mostra filmes obrigatórios da história do cinema e ótimas obras contemporâneas é o principal mérito da homenagem ao professor e crítico de cinema Ismail Xavier que começa hoje na Cinemateca Brasileira em São Paulo. O Festival Brasileiro de Cinema Universitário selecionou filmes analisados pelo professor da USP ao longo de sua carreira em livros e artigos, e o choque positivo entre o novo e o antigo se dá já a partir desta noite, quando serão exibidos o elogiado “Serras da Desordem” (2006), do brasileiro Andrea Tonacci, e “Pickpocket” (1959, pôster acima), do francês Robert Bresson. Amanhã à noite, após a exibição de “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel, haverá um debate sobre o cinema pelo olhar de Ismail Xavier. O ciclo, sempre gratuito, segue até domingo, e a programação completa vai a seguir.

Hoje
19h - “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci
21h30 - “Pickpocket”, de Robert Bresson
 
Amanhã
17h30 - “Um Cão Andaluz”, “Eu Sou Vida, Eu Não Sou Morte” e “Sermões: a História de Antônio Vieira”
19h30 - Debate com José Pasta Júnior, Sônia Salsztein, Leandro Saraiva e Adilson Inácio
 
Quinta
18h30 - “Flores de Shangai”, de Hsiao-hsien Hou
21h - “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho
 
Sexta
18h30 - “Tempo de Nascer, Tempo de Morrer”, de Hsiao-hsien Hou
21h - “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha
 
Sábado
15h30 - “O Eclipse”, de Michelangelo Antonioni
19h - “Terra em Transe”, de Glauber Rocha
21h15 - “Cidadão Kane”, de Orson Welles
 
Domingo
14h - “Vive l’Amour”, de Tsai-ming Liang
16h00 - “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock
18h30 - “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla
20h30 - “No Decurso do Tempo”, de Wim Wnders

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Kitano satiriza o cinema japonês
Chama-se “Kantoku Banzai” o novo longa de Takeshi Kitano, que estreou no mês passado no Japão (e, por enquanto, só passou por lá mesmo). É a história de um diretor de cinema que, em busca de um sucesso na carreira, cria pequenas histórias dentro do filme, saltando de um estilo a outro. Ainda não há previsão de estréia do novo Kitano no Brasil _e é bom lembrar que o anterior dele, "Takeshi's" também não chegou ao circuito comercial brasileiro. Nessas horas, só mesmo o E-mule salva. RMAX, o “leitor japonês” do Ilustrada no Cinema, viu "Kantoku Banzai" logo após a estréia e escreveu um texto bastante elogioso em seu blog. E aí vai o trailer. Você não fala japonês? Tudo bem, eu também não. O que importa é pegar o espírito da coisa.

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A morte faz 50 anos
Um dos grandes clássicos do cinema e dos melhores filmes do sueco Ingmar Bergman, “O Sétimo Selo” completa 50 anos em 2007. Para lembrar a data, o pessoal do “Guardian” incluiu o início do filme numa lista das melhores seqüências de abertura da história do cinema. A escolha faz muito sentido: 50 anos depois, ainda impressiona ver o encontro entre a morte e o cavaleiro vivido por Max Von Sydon e a disputa de xadrez que se segue, com a vida do templário em jogo. Vale rever.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h10 PM

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O fenômeno Rashevski

O fenômeno Rashevski

Um minifenômeno de público se forma no cinema de São Paulo: até ontem, "O Tango de Rashevski" já tinha sido visto por 5.558 pessoas. É pouco? É. Na comparação com qualquer blockbuster, não é quase nada. Mas os detalhes do lançamento revelam que é bastante coisa.

"O Tango de Rashevski" (foto) estreou em 29/6 em apenas uma sala da cidade, o HSBC Belas Artes, quase sem divulgação e com pouco alarde de jornais e revistas. Além disso, é uma produção pequena, franco-belga, relativamente antiga (de 2003), longa de estréia do diretor Sam Garbarski.

Para comparar, "O Balconista 2", continuação do filme cult de Kevin Smith, que estreou na mesma data em três salas, não chegou aos 4 mil espectadores.

História de uma família judaica belga, "O Tango de Rashevski" parece ser um desses filmes que faz sua carreira pelo boca a boca positivo. A morte da matriarca, logo no início do longa, leva filhos e netos a repensarem seus laços e suas relações com o judaísmo. É evidente que o tema atraiu a comunidade judaica paulistana, de forte presença na região do Belas Artes _vale lembrar que a CIP, a Congregação Israelita Paulista, fica ali pertinho.

Mas "Rashevski" não se resume a um "filme para a comunidade". Como escreveu Cássio Starling Carlos na Ilustrada, a obra usa o humor e o drama para propor o entendimento contra preconceitos e racismos. É uma comédia dramática em defesa da conciliação social, que resulta em muitos rostos sorridentes na platéia ao final da sessão.

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Paris é uma festa
Uma dica para quem viu e gostou de "Paris Te Amo", o filme em episódios sobre a capital francesa. A sala 4 do Unibanco Arteplex exibe nesta noite, de graça, outro longa em segmentos, de 1965, sobre o mesmo tema: "Paris Visto por..." traz seis curtas assinados por Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jean Rouch, Jean-Luc Godard, Jean Douchet e Jean-Daniel Poullet. A sessão começa às 21h30. Como é gratuita, convém chegar cedo.

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A Cinética faz 1 ano
A Cinética, boa revista eletrônica de cinema comandada pelos críticos Cléber Eduardo e Eduardo Valente, completa seu primeiro ano no ar e, para celebrar, realiza uma série de atividades até o início de agosto. Na segunda, dia 16, às 21h, no Cinesesc, exibe "Conceição - Autor Bom É Autor Morto", de André Sampaio, Cinthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro _o filme coletivo será precedido pelo curta "Jonas e a Baleia", de Felipe Bragança.

Depois, nos dias 23, 25, 30/7 e 1/8, integrantes da revista ministram quatro aulas-palestras, sobre o cinema contemporâneo atual, brasileiro e estrangeiro. Esse ciclo é gratuito e as inscrições devem ser feitas aqui.

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Paulo César Peréio é um gênio

Escrito por Leonardo Cruz às 12h09 PM

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Mais filmes, menos público

Mais filmes, menos público

Na capa da versão impressa da Ilustrada de hoje, a repórter Silvana Arantes aponta o descompasso que atingiu o cinema no país no primeiro semestre: em comparação com o mesmo período do ano passado, cresceu em 39% o número de estréias de filmes nacionais, e caiu 14,7% o público das produções brasileiras.

Se no primeiro semestre de 2006 5,6 milhões de espectadores assistiram a 28 longas feitos no país, neste ano foram 4,8 milhões de pessoas para 39 títulos. A maior bilheteria nacional até agora foi de “A Grande Família, o Filme” (foto), público de 2 milhões; a menor foi “Lua Cambará”, 59 pessoas.

A reportagem então ouve cineastas, produtores, distribuidores e exibidores em busca de uma resposta para essa queda. Não há consenso: alguns apontam para os filmes,  que talvez não estejam “encontrando o gosto do público”, como diz Rodrigo Saturnino Braga, diretor da distribuidora Columbia/Buena Vista. Outros, como o produtor Diler Trindade, citam o “dinheiro curto para quem gosta de cinema nacional: as classes populares”. Já Orlando Senna, secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, lembra o desequilíbrio entre a divulgação de blockbusters americanos e a de filmes nacionais. Para ele, a propaganda das produções brasileiras não é o suficiente para atrair o público na disputa com os estrangeiros.

Assinantes da Folha ou do UOL podem ler a íntegra da reportagem aqui.

E para você, caro leitor? Qual a chave para desvendar essa questão do cinema brasileiro? Os filmes nacionais não têm sido capazes de se comunicar com o grande público? A divulgação é insuficiente? O ingresso está caro demais? Qual sua opinião?

Escrito por Leonardo Cruz às 9h42 AM

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O cinema nacional no 2º semestre

O cinema nacional no 2º semestre

O boletim semanal Filme B divulga nesta semana uma relação de estréias brasileiras previstas para o segundo semestre. De acordo com o levantamento, são 36 títulos, a começar por "Fabricando Tom Zé" (trailer abaixo), o bom e premiado documentário de Décio Mattos Jr. sobre o músico tropicalista, que estréia nesta sexta. Dos filmes com data definida, alguns já foram vistos e recomendados aqui no blog: "Saneamento Básico, o Filme", de Jorge Furtado (20/7), "Santiago", de João Moreira Salles (17/8) e "A Casa de Alice", de Chico Teixeira (12/10). Outras boas apostas (de qualidade, não necessariamente de público) do segundo semestre são "Querô" (17/8, foto acima), de Carlos Cortez, filme premiado no Festival de Brasília inspirado em texto de Plínio Marcos, "Cidade dos Homens" (31/8), de Paulo Morelli, a versão para o cinema do seriado da TV, e "O Passado" (26/10), adaptação de Hector Babenco para o romance de Alan Pauls, com Gael García Bernal.

Outro longa importante que não está na lista do Filme B, mas que deve estrear no início de setembro, é "Serras da Desordem", de Andrea Tonacci, vencedor do Festival de Gramado do ano passado e do Prêmio Jairo Ferreira, criado neste ano por cinco revistas de cinema nacionais. O filme, que mistura reconstituição e trechos documentais para contar a história de um índio errante, tem recebido elogios dos principais críticos do país.

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Mudando radicalmente de assunto: três amigos diretores de cinema montaram um site em que recuperam e comentam trailers de filmes B dos anos 60 e 70. Chama-se Trailers from Hell e foi lançado recentemente por Joe Dante ("Gremlins"), John Landis ("Um Lobisomem Americano em Londres") e Edgar Wright (o mais jovem dos três, autor de um dos falsos trailers de "Grindhouse"). Ao falar sobre o trailer de "O Terror", por exemplo, Dante conta como Roger Corman, que acabara de filmar "O Corvo", resolveu aproveitar o cenário, parte do elenco e alguns rolos de filme disponíveis para fazer mais um filme, de final meio sem pé nem cabeça. Vale dar um pulo lá.  

Escrito por Leonardo Cruz às 1h16 PM

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Selton Mello será Jean Charles no cinema

Selton Mello será Jean Charles no cinema

O ator Selton Mello interpretará no cinema o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia inglesa em um metrô de Londres em julho de 2005, após ser confundido com um terrorista. Selton neste momento está no Rio rodando “Feliz Natal”, sua estréia na direção de longas-metragens, e antecipou o cronograma das filmagens para poder viver Jean Charles neste segundo semestre.

“Jean Charles”, o filme, tem direção do brasileiro radicado na Inglaterra Henrique Goldman e retratará a vida do eletricista mineiro e de seus parentes em Londres nos anos de 2005 e 2006. Falado em português e com filmagens no Reino Unido e no Brasil, mostrará também as relações entre o imigrante e sua família em Gonzaga, interior de Minas Gerais. Selton Mello, acima em cena de "O Cheiro do Ralo", também é mineiro.

O longa surgiu inicialmente como um projeto para a rede de TV britânica BBC, para ser exibido em julho passado, quando a morte de Jean Charles completasse um ano. Após investir o equivalente a R$ 1 milhão na pré-produção do filme, a emissora decidiu cancelar o projeto, pelo fato de o processo sobre o assassinato ainda estar em andamento na Justiça londrina e por divergências de enfoque entre Goldman, que queria ressaltar o lado brasileiro da história, e os editores da BBC, mais interessados numa perspectiva dos ingleses.

Após a desistência da BBC, Goldman decidiu retomar o projeto do início e começou a reescrever o roteiro para a ficção, que será co-produzida pela carioca TV Zero. Não é a primeira vez que o cineasta adapta para o cinema uma história real _em 2001, ele dirigiu o longa “Princesa”, baseado na trajetória de um travesti brasileiro na Itália.

Escrito por Leo Cruz e Silvana Arantes às 8h29 AM

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Hey, ho, let's go

Hey, ho, let's go

Joey Ramone morreu em 2001, mas, nesta quarta, os bordões que incendiavam o público durante os shows dos Ramones poderão ser escutados em alto e bom som novamente. A Sessão do Comodoro exibe "Rock'n'Roll High School", às 21h30, no Cinesesc (r. Augusta, 2.075, tel. 0/xx/11/3082-0213), com entrada franca.

Rebatizado de "Catedráticos do Rock" pelo criador da sessão, o cineasta Carlos Reichenbach, o longa celebra os três anos do projeto que traz sempre produções raras/cults/bizarras.

E é de se perguntar por que "Rock'n'Roll High School" (1979, foto), de Allan Arkush, nunca estreou no Brasil, já que o país foi uma espécie de segundo lar para a banda de Nova York. Sempre meio esnobados lá fora, o grupo era venerado e lotava shows por aqui, tanto que os amigos gringos dos Ramones adoravam tirar um sarro e chamá-los de "Los Ramones".

Mas o longa não se restringe aos fãs da banda. Como a produção é de Roger Corman, o rei dos filmes B, espere por uma produção de baixo orçamento, repleta de tons de nonsense, soluções criativas e nenhuma preocupação com o politicamente correto. Um dos co-diretores e co-autores do argumento é Joe Dante ("Gremlins").

A trama é uma bobagem deliciosa, típica comédia aloprada de high school americana, mas sem peitinhos de fora: garota fanática pelos Ramones lidera revolta dos alunos de uma escola contra a nova e repressora diretora. Além de incrível registro de época, "Rock'n'Roll High School" nos faz lembrar de como os Ramones pareciam ter saído das páginas de uma história em quadrinhos. A figura esquisitíssima de Joey, sujeito alto, magérrimo e torto, é a síntese da anti-estrela por excelência.

E, se você se lembrar de "High School Musical" ou da recente invasão da reitoria da USP, isso não será por mero acaso. A seguir, o trailer de "Rock'n'Roll High School".

Escrito por Bruno Yutaka Saito às 5h07 PM

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As peripécias amorosas de Antoine Doinel

As peripécias amorosas de Antoine Doinel

 

Em uma entrevista para a TV francesa no início dos anos 80, François Truffaut contou que o ciclo de filmes sobre seu personagem mais fascinante, Antoine Doinel, surgiu quase por acaso. Interpretado pelo ainda garoto Jean-Pierre Léaud, Doinel protagonizara “Os Incompreendidos” em 1959 e não havia planos para seu retorno às telas. Mas em 1961, Truffaut foi convidado para dirigir um dos segmentos de “Amor aos 20 Anos”, obra em cinco episódios rodada na França, na Alemanha, na Itália, na Polônia e no Japão.


A parte que cabia ao cineasta francês virou “Antoine e Colette” (foto). Se “Os Incompreendidos” abordava a conturbada infância de Doinel, o alter-ego de Truffaut, “Antoine e Colette” tratava, em 30 minutos, da primeira aventura amorosa do personagem, com o mesmo estilo e a mesma temática que marcariam os outros três filmes da série: “Beijos Proibidos” (1968), “Domicílio Conjugal” (1970) e “Amor em Fuga” (1979).


Quase todos inéditos em DVD no Brasil, esses filmes estarão disponíveis até setembro no mercado nacional, pela coleção “As Aventuras de Antoine Doinel”. Lançada pela Versátil, a série começou com “Os Incompreendidos”, numa edição muito bem cuidada, que trouxe “Antoine e Colette” como um dos extras.


Nesta semana, chega às lojas “Beijos Proibidos”. Recém-saído do Exército, Doinel arruma emprego numa agência de detetives e, mais importante, conhece Christine (a então estreante Claude Jade), jovem que invadiria sua vida e, por tabela, os filmes seguintes da série. A seguir, o trailer original, já com a canção “Que Reste-t-il de Nos Amours”, de Charles Trenet, uma das marcas de “Beijos Proibidos”.


Para os fãs de Truffaut, a Versátil lança ainda “Domicílio Conjugal” em agosto, “Amor em Fuga” em setembro e “As Duas Inglesas e o Amor” em outubro.
 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h31 PM

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