Nesta semana, o diário britânico “The Guardian” publicou sua lista dos “mil filmes para ver antes de morrer”. Segundo o jornal, são obras essenciais, que melhor atestam as mais variadas formas de fazer cinema. Quantos brasileiros? Apenas quatro produções rodadas no Brasil estão entre as mil escolhidas _para os críticos do “Guardian”, o cinema nacional só passa a valer a pena em 1981, com “Pixote – a Lei do Mais Fraco” (foto), de Hector Babenco. O diretor também emplaca na lista “O Beijo da Mulher Aranha” (1985). Os outros dois lembrados pelo jornal são “Central do Brasil” (1998) e “Cidade de Deus” (2001), que cada vez mais se firmam no exterior como sinônimo de cinema brasileiro. E acabou. São só esses quatro. Nada de Glauber, de Nelson Pereira, de Tata Amaral ou de Beto Brant. Mas “Karatê Kid” está lá.
*
Quem passa por aqui com freqüência já deve ter visto alguma menção ao Olha Só, coluna eletrônica sobre cinema e TV que Ricardo Calil mantinha até ontem no site nomínimo. Como talvez você já saiba, o nomínimo fechou suas portas nessa sexta, por falta de grana e para prejuízo do bom jornalismo brasileiro. A notícia só não é tão ruim porque seis jornalistas do site já lançaram seus próprios blogs, nos quais darão continuidade ao bom trabalho que já vinham fazendo. Calil é um desses seis. Migrou sua coluna para o www.ricardocalil.com.br. Que seus leitores migrem com ele.
*
Ainda sobre sites de cinema, a Contracampo colocou no ar há alguns dias sua edição de número 87. Com a qualidade habitual, destaca uma análise mais aprofundada sobre a obra do francês Philippe Garrel, de "Amantes Constantes", uma reflexão sobre o cinema de ação atual e um pacote com três críticas de lançamentos de Antonioni em DVD. Vale dar uma passada por lá.
Razão havia de sobra: o filme fora o grande vencedor do Festival de Veneza, e seu diretor, Jia Zhang-ke já chamara a atenção no ano anterior, com o ótimo "O Mundo". Num desses imprevistos de festival de cinema, "Em Busca da Vida" foi exibido em uma cópia em beta, com problemas de imagem e de som.
Nesta sexta-feira, o filme será exibido pela primeira vez em película no circuito paulistano, dentro da Odisséia de Cinema, maratona de filmes madrugada adentro promovida pelo Espaço Unibanco. Para quem não conhece a Odisséia, paga-se R$ 16 para assistir a três filmes a partir da meia-noite. Quem ficar até a manhã de sábado tem direito a café da manhã. "Em Busca da Vida" abre a Odisséia na sala 2 e será seguido por um filme-surpresa, às 2h10, e pela comédia romântica "Baila Comigo", às 4h.
O filme de Jia Zhang-ke acompanha as viagens de um homem e de uma mulher à cidade de Fengjie, onde está sendo construída a gigantesca barragem hidrelétrica das Três Gargantas. O homem busca sua filha e sua ex-mulher, de quem está separado há 16 anos. A mulher procura o marido, que não vê há dois anos. As mudanças geográficas na região, com áreas inundadas para dar espaço à barragem, atravessam essa peregrinação.
Em meio às duas histórias, o cineasta chinês faz uma reflexão sobre o estado atual de seu país, equilibrando a cultura e a tradição milenares com o crescimento frenético e a constante transformação. Impressionam muito as imagens da vastidão continental chinesa, onde estão perdidos os personagens de Jia Zhang-ke.
Quem não estiver disposto a encarar a pré-estréia notívaga pode esperar até 20 de julho, quando "Em Busca da Vida" entra em cartaz no circuito paulistano. A seguir, um trechinho do vencedor do Leão de Ouro 2006.
Efe Os homens do manifesto: Gaggero, Armella, Iñárritu, Burman, Gaviria e Mejía
"Já existimos, agora exigimos." Esse é o título de uma carta aberta assinada
por seis cineastas por melhores condições de produção, distribuição e divulgação
dos filmes ibero-americanos, recém-divulgada na Espanha.
O grupo, liderado pelo mexicano Alejandro González Iñarritu, pelo
argentino Daniel Burman e pelo
colombiano Victor Gaviria,
defende o crescimento do cinema ibero-americano nos últimos anos. Argumenta, com
razão, que esses filmes "despertam um interesse crescente além de suas
fronteiras, apesar de contar com poucos recursos, uma distribuição irregular e
uma exibição deficiente". Completam o time os novatos Carlos Armella, Jorge Gaggero e Javier Mejía.
Endereçada "às instituições, à indústria, aos distribuidores, exibidores
etc.", a carta dos cineastas pede: 1) que o programa Ibermedia, que há uma
década incentiva a produção ibero-americana, se volte também para a distribuição
e a exibição dos filmes. 2) investimentos, com cursos, mestrados e
seminários, na formação de cineastas e estudiosos. 3) a criação de uma rede
estável e coordenada de salas de exibição de cinema ibero-americano na Europa e
na América Latina, unindo centros culturais públicos e privados. 4) a maior
exploração dos meios de distribuição e exibição digitais e a internet. 5) que
as TVs públicas e privadas apóiem e exibam "mais decididamente" a filmografia
ibero-americana.
A iniciativa dos hermanos é um bom instrumento de pressão _resta ver se terá
alguma repercussão prática, tanto na Espanha quanto pelas bandas de cá. Ao menos
por enquanto, não há sinal de reação.
Agora que finalmente começa a passar a leva dos terceiros filmes, que domina salas e bilheterias neste ano, uma nova onda já se forma na indústria do cinema. Depois de “Homem-Aranha 3”, “Piratas do Caribe 3”, “Shrek 3º”, “Treze Homens...”, surgem as primeiras imagens, com aroma de naftalina, dos quartos filmes de franquias que marcaram os anos 80: “Indiana Jones” e “Rambo”.
O site indianajones.com colocou no ar cenas do primeiro dia de filmagens de “Indiana Jones and the City of the Gods”. O vídeo começa com um brinde de Steven Spielberg com a equipe: “Aqui estamos nós de novo, 18 anos depois. Como o tempo voa. Ninguém mudou. Todos parecemos os mesmos”. Depois, uma rápida seqüência de filmagem e só (veja aqui). Ao menos nesse vídeo, nem sinal de Harrison Ford, que, aos 65 anos, voltará a interpretar Indiana. A primeira imagem do ator caracterizado para o novo longa é essa aí de cima, divulgada na semana passada. O quarto filme da série tem estréia mundial prevista para 22 de maio de 2008.
Se “Indiana Jones 4” ainda está no início das filmagens, a quarta parte da franquia “Rambo” já está bem mais avançada. Trailers e fotos já vazaram na rede, o que permite ter uma boa idéia do que será “John Rambo” (sim, Sylvester Stallone descobriu que as pessoas têm nome e sobrenome). Aos 61 anos, Stallone voltar a “interpretar” seu atormentado ex-combatente de guerra. Agora ele vive na Tailândia, quietinho no seu canto, até que é convencido por um grupo de missionários cristãos a levá-los em seu barco a uma zona de guerra civil. A trupe é capturada pelos vilões locais e cabe a Sly comandar o resgate. Espaço para muita porrada e frases filosóficas como a que está no teaser abaixo: “Matar é tão fácil quanto respirar”. “John Rambo” também deve chegar aos cinemas em maio do ano que vem.
Bem antes desses dois veteranos, outro ícone dos 80 (e dos 90) chega ao quarto filme: “Duro de Matar 4.0” estréia nesta semana nos EUA e em 3 de agosto no Brasil. Lá vai de novo Bruce Willis, aos 52 anos, perseguir terroristas, que agora usam a internet (essa bandida) para tirar do ar as principais redes de computadores dos EUA. Completando a onda do número 4, 2008 deve ver também mais um “Parque dos Dinossauros”, cujo roteiro ainda está sendo desenvolvido. Como bem bradava o robozinho da antiga série “Perdidos no Espaço”: “Perigo, perigo!”
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.