O filme está fora de foco? Aperte 1. O som sumiu? Aperte 2. O cidadão ao seu lado está gravando toda a sessão com uma câmera de vídeo? Aperte 3. O amigão da fileira à sua frente não sai do celular? Aperte 4. Essas são as quatro opções da caixinha mágica acima, que a rede de cinemas Regal está distribuindo a parte de seus espectadores.
A Regal, uma das principais redes de multiplex dos EUA, criou essa ferramenta para que seus cinéfilos avisem à gerência das salas quando há problemas durante a sessão. O aparelhinho sem fio, no formato de walkie-talkie, chama-se Regal Guest Response System, já foi testado em 13 cinemas no ano passado e agora passou para 114 salas _recebem o brinquedo espectadores mais freqüentes, integrantes de um programa de fidelidade do Regal.
A rede afirma, em reportagem do "USA Today", que tomou a iniciativa porque "a etiqueta do consumidor tem se tornado cada vez mais um problema". Ou seja, como todos sabemos, o público não anda primando pela boa educação, especialmente nos multiplex. Daí a idéia do cinéfilo-bedel, que bem podia ser encampada por uma das grandes redes daqui, não?
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Ainda nessa campanha pelos bons modos no cinema, o colega blogueiro Ricardo Calil lançou nesta semana seu manual de etiqueta para as salas do país, propondo dez mandamentos de conduta aos espectadores. Se pelo menos metade fosse adotada, curtir um bom filme seria muito mais fácil. Dá uma olhada nas sugestões do Calil.
Se você gosta de cinema, com certeza conhece Al Pacino. Desde que surgiu para o grande público como Michael Corleone em "O Poderoso Chefão" (1972), Pacino consolidou seu nome como um dos grandes atores dos EUA. E envelheceu bem, ainda estrelando blockbusters como "13 Homens e um Novo Segredo" e filmes menos comerciais, como "O Mercador de Veneza".
Mas você conhece o Al Pacino diretor e produtor de cinema? Improvável. Entre um papel e outro, o ator desenvolveu alguns projetos pessoais, pôs dinheiro do bolso, mas pouquíssima gente viu, por uma razão simples: não foram lançados comercialmente. Dois desses projetos serão lançados em DVD neste mês nos EUA, numa caixa chamada "Al Pacino Collection".
O primeiro é "The Local Stigmatic", média-metragem de 1990, inspirado na peça inglesa de mesmo nome, de Heathcoate Williams, encenada por Pacino em Nova York em 1969. É a história de dois amigos que, bebendo e conversando em um pub, encontram um astro do cinema e decidem encher o cara de porrada. Pacino comprou os direitos da peça, foi seu produtor e protagonista do filme, que foi exibido no MoMA de Nova York em março de 1990 e nunca entrou em circuito.
O segundo é "Chinese Coffee", longa de 2000, também baseado em uma peça encenada por Pacino em NY. No texto, de Ira Lewis, a amizade de dois amigos, um escritor e um fotógrafo, é colocada em xeque quando o primeiro escreve um romance sobre o segundo. Pacino bancou todo os custos do filme e também o dirigiu e o estrelou. "Chinese Coffee" passou em alguns festivais e teve seus direitos de distribuição comprados pela Fox, que engavetou a obra.
Completa a caixa o único filme mais conhecido do público: "Ricardo 3º - Um Ensaio" (foto), de 1996, é a estréia de Pacino na direção, chegou ao circuito comercial dos EUA e também ao exterior. Estreou nos cinemas brasileiros em 1997 e, vez ou outra, ganha reprise no Telecine Cult. É um belo trabalho sobre o processo de montagem da peça de Shakespeare, mesclando trechos da encenação com bastidores e entrevistas.
Quem lança a "Al Pacino Collection" nos EUA é a Fox, e o braço brasileiro da distribuidora ainda não prevê o lançamento do pacote pelas bandas de cá. O jeito, ao menos por enquanto, é importar a coleção, que custa cerca de 30 doletas em sites estrageiros. Ou esperar que os filmes caiam na rede, nos e-mules da vida. Para os fãs do Al Pacino ator, "13 Homens e um Novo Segredo" estréia no próximo dia 22. A seguir, um trechinho de "The Local Stigmatic".
Carlos Reichenbach estreou como diretor em 1968, com o curta "Esta Rua Tão Augusta" e com "Alice", episódio do longa "As Libertinas". Desde então, assinou filmes importantes do cinema brasileiro, como "Filme Demência" (1985) e "Anjos do Arrabalde" (1986). No momento, finaliza "Falsa Loura", seu 15° longa, que deve ficar pronto no segundo semestre. O cineasta também edita o blog Reduto do Comodoro, no qual opina sobre cinema, conta os passos de seu novo filme e divulga as sessões do... Reduto do Comodoro. Uma vez por mês, Reichenbach comanda a exibição de uma obra de algum diretor esquecido ou desconhecido por estas praias. É sempre (ou quase) na primeira quarta-feira, de graça, no paulistano Cinesesc. E nesta quarta, às 21h30, tem sessão. O Reduto do Comodoro apresenta "A Morta-Viva" ("I Walked with a Zombie", 1943), de Jacques Tourner, o mesmo diretor de "Cat People". Dá uma olhadinha no trailer no pé deste post. A seguir, Carlos Reichenbach colabora com a Filmoteca e escolhe cinco filmes que viraram sua cabeça.
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"O Desprezo" (Jean-Luc Godard, 1963) O mais deflagrador dos filmes que vi na vida e a mais contundente reflexão sobre o cinema como meio de expressão.
"Dois Destinos" (Valerio Zurlini, 1962) Um dos filmes mais melancólicos e amargos da história. Cinema que aspira a pintura e a música. "Bem-aventurados os pobres de espírito que passaram pela vida sem nunca experimentar a renúncia ou a transgressão."; a epígrafe final de "Dois Destinos" mudou algumas vidas, incluindo a minha.
"Vidas Secas" (Nelson Pereira dos Santos, 1963) O melhor filme brasileiro de todos os tempos. Paulo Emílio Salles Gomes, quando lecionava na Escola Superior de Cinema São Luiz, nos obrigou a assisti-lo mais de seis vezes. Durante duas aulas seguidas nos falou de Seu Tomás da bolandeira, o personagem essencial do romance de Graciliano Ramos, que Nelson eliminou imageticamente em sua adaptação para o cinema. Foi então que aprendi que fidelidade ao texto literário não pressupõe subserviência.
"Cão Branco" (Samuel Fuller, 1982) O filme que eu gostaria de ter assinado. Todos os recursos da técnica e da gramática cinematográficas _do travelling circular revelador e espacial à câmera lenta e ao "chassis reversível" de alto impacto_ a serviço da emoção genuína. Por trás da história de um adestrador de cães negro que tenta reverter a fúria racista de um cão branco, um libelo crucial contra a intolerância. Tão pungente e radical que os distribuidores americanos tiveram medo de lançá-lo nos cinemas.
"Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador-Geral da República" (Damiano Damiani, 1971) Uma porrada no estômago (e na consciência), como há muito tempo o cinema não ousa mais experimentar. A inclusão na lista, além de reafirmar a importância de um grande realizador pouco valorizado, serve para lembrar ao Leon Cakoff da necessidade urgente de uma retrospectiva Damiani na Mostra de São Paulo, com a presença do próprio (foto).
Na sua opinião, quem são os grandes reis da comédia? A Ilustrada deste domingo, em sua versão impressa, ouviu 30 repórteres e críticos de cinema para saber quais os melhores comediantes da história do cinema. Cada eleitor escolheu seus três melhores no exterior e no Brasil.
Como era de esperar, deu Charles Chaplin na cabeça. O criador de Carlitos foi o favorito de 12 dos votantes. O segundo lugar foi para Buster Keaton, e Jerry Lewis completou o pódio. Na enquete nacional, o vencedor foi Oscarito, seguido por Grande Otelo e Mazzaropi.
Os escolhidos deste blogueiro não foram lá muito bem na contagem final. Groucho Marx (Viva, Freedônia!!), meu favorito, foi o sexto colocado. E Jacques Tati (foto), o tio que todos gostaríamos de ter, terminou em quinto lugar. Dos três primeiros, apenas Buster Keaton também levou meu voto. Entre os comediantes brasileiros, fui de Mussum. Forévis!
E você? O que pensa? Alguém importante ficou de fora? Para quem iria seu voto nessa enquete dos melhores comediantes do cinema?
A seguir uma sequência de “Luzes da Ribalta”, na qual Chaplin e Keaton dividem a cena. Divirta-se.
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A lista completa com todos os votos e comentários dos 30 jornalistas/eleitores está na Ilustrada Online.
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
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