Ilustrada no Cinema

 

 

Somos quatro entre mil

Somos quatro entre mil

 

Nesta semana, o diário britânico “The Guardian” publicou sua lista dos “mil filmes para ver antes de morrer”. Segundo o jornal, são obras essenciais, que melhor atestam as mais variadas formas de fazer cinema. Quantos brasileiros? Apenas quatro produções rodadas no Brasil estão entre as mil escolhidas _para os críticos do “Guardian”, o cinema nacional só passa a valer a pena em 1981, com “Pixote – a Lei do Mais Fraco” (foto), de Hector Babenco. O diretor também emplaca na lista “O Beijo da Mulher Aranha” (1985). Os outros dois lembrados pelo jornal são “Central do Brasil” (1998) e “Cidade de Deus” (2001), que cada vez mais se firmam no exterior como sinônimo de cinema brasileiro. E acabou. São só esses quatro. Nada de Glauber, de Nelson Pereira, de Tata Amaral ou de Beto Brant. Mas “Karatê Kid” está lá.


*

Quem passa por aqui com freqüência já deve ter visto alguma menção ao Olha Só, coluna eletrônica sobre cinema e TV que Ricardo Calil mantinha até ontem no site nomínimo. Como talvez você já saiba, o nomínimo fechou suas portas nessa sexta, por falta de grana e para prejuízo do bom jornalismo brasileiro. A notícia só não é tão ruim porque seis jornalistas do site já lançaram seus próprios blogs, nos quais darão continuidade ao bom trabalho que já vinham fazendo. Calil é um desses seis. Migrou sua coluna para o www.ricardocalil.com.br. Que seus leitores migrem com ele.

*

Ainda sobre sites de cinema, a Contracampo colocou no ar há alguns dias sua edição de número 87. Com a qualidade habitual, destaca uma análise mais aprofundada sobre a obra do francês Philippe Garrel, de "Amantes Constantes", uma reflexão sobre o cinema de ação atual e um pacote com três críticas de lançamentos de Antonioni em DVD. Vale dar uma passada por lá.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h11 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

SP finalmente vê o Leão de Ouro 2006

SP finalmente vê o Leão de Ouro 2006

Ao lado de "Juventude em Marcha" e "Síndromes e Um Século", "Em Busca da Vida" ("Still Life") foi um dos filmes-coqueluche entre os cinéfilos que acompanhavam a Mostra de São Paulo em outubro passado.

Razão havia de sobra: o filme fora o grande vencedor do Festival de Veneza, e seu diretor, Jia Zhang-ke já chamara a atenção no ano anterior, com o ótimo "O Mundo". Num desses imprevistos de festival de cinema, "Em Busca da Vida" foi exibido em uma cópia em beta, com problemas de imagem e de som.

Nesta sexta-feira, o filme será exibido pela primeira vez em película no circuito paulistano, dentro da Odisséia de Cinema, maratona de filmes madrugada adentro promovida pelo Espaço Unibanco. Para quem não conhece a Odisséia, paga-se R$ 16 para assistir a três filmes a partir da meia-noite. Quem ficar até a manhã de sábado tem direito a café da manhã. "Em Busca da Vida" abre a Odisséia na sala 2 e será seguido por um filme-surpresa, às 2h10, e pela comédia romântica "Baila Comigo", às 4h.

O filme de Jia Zhang-ke acompanha as viagens de um homem e de uma mulher à cidade de Fengjie, onde está sendo construída a gigantesca barragem hidrelétrica das Três Gargantas. O homem busca sua filha e sua ex-mulher, de quem está separado há 16 anos. A mulher procura o marido, que não vê há dois anos. As mudanças geográficas na região, com áreas inundadas para dar espaço à barragem, atravessam essa peregrinação.

Em meio às duas histórias, o cineasta chinês faz uma reflexão sobre o estado atual de seu país, equilibrando a cultura e a tradição milenares com o crescimento frenético e a constante transformação. Impressionam muito as imagens da vastidão continental chinesa, onde estão perdidos os personagens de Jia Zhang-ke.

Quem não estiver disposto a encarar a pré-estréia notívaga pode esperar até 20 de julho, quando "Em Busca da Vida" entra em cartaz no circuito paulistano. A seguir, um trechinho do vencedor do Leão de Ouro 2006.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h34 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

O manifesto dos hermanos

O manifesto dos hermanos

                                                                                                Efe

Os homens do manifesto: Gaggero, Armella, Iñárritu, Burman, Gaviria e Mejía

"Já existimos, agora exigimos." Esse é o título de uma carta aberta assinada por seis cineastas por melhores condições de produção, distribuição e divulgação dos filmes ibero-americanos, recém-divulgada na Espanha.

O grupo, liderado pelo mexicano Alejandro González Iñarritu, pelo argentino Daniel Burman e pelo colombiano Victor Gaviria, defende o crescimento do cinema ibero-americano nos últimos anos. Argumenta, com razão, que esses filmes "despertam um interesse crescente além de suas fronteiras, apesar de contar com poucos recursos, uma distribuição irregular e uma exibição deficiente". Completam o time os novatos Carlos Armella, Jorge Gaggero e Javier Mejía.

Endereçada "às instituições, à indústria, aos distribuidores, exibidores etc.", a carta dos cineastas pede:
1) que o programa Ibermedia, que há uma década incentiva a produção ibero-americana, se volte também para a distribuição e a exibição dos filmes.
2) investimentos, com cursos, mestrados e seminários, na formação de cineastas e estudiosos.
3) a criação de uma rede estável e coordenada de salas de exibição de cinema ibero-americano na Europa e na América Latina, unindo centros culturais públicos e privados.
4) a maior exploração dos meios de distribuição e exibição digitais e a internet.
5) que as TVs públicas e privadas apóiem e exibam "mais decididamente" a filmografia ibero-americana.

A iniciativa dos hermanos é um bom instrumento de pressão _resta ver se terá alguma repercussão prática, tanto na Espanha quanto pelas bandas de cá. Ao menos por enquanto, não há sinal de reação.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h24 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

A onda do número 4

A onda do número 4

Agora que finalmente começa a passar a leva dos terceiros filmes, que domina salas e bilheterias neste ano, uma nova onda já se forma na indústria do cinema. Depois de “Homem-Aranha 3”, “Piratas do Caribe 3”, “Shrek 3º”, “Treze Homens...”, surgem as primeiras imagens, com aroma de naftalina, dos quartos filmes de franquias que marcaram os anos 80: “Indiana Jones” e “Rambo”.

O site indianajones.com colocou no ar cenas do primeiro dia de filmagens de “Indiana Jones and the City of the Gods”. O vídeo começa com um brinde de Steven Spielberg com a equipe: “Aqui estamos nós de novo, 18 anos depois. Como o tempo voa. Ninguém mudou. Todos parecemos os mesmos”. Depois, uma rápida seqüência de filmagem e só (veja aqui). Ao menos nesse vídeo, nem sinal de Harrison Ford, que, aos 65 anos, voltará a interpretar Indiana. A primeira imagem do ator caracterizado para o novo longa é essa aí de cima, divulgada na semana passada. O quarto filme da série tem estréia mundial prevista para 22 de maio de 2008.

Se “Indiana Jones 4” ainda está no início das filmagens, a quarta parte da franquia “Rambo” já está bem mais avançada. Trailers e fotos já vazaram na rede, o que permite ter uma boa idéia do que será “John Rambo” (sim, Sylvester Stallone descobriu que as pessoas têm nome e sobrenome). Aos 61 anos, Stallone voltar a “interpretar” seu atormentado ex-combatente de guerra. Agora ele vive na Tailândia, quietinho no seu canto, até que é convencido por um grupo de missionários cristãos a levá-los em seu barco a uma zona de guerra civil. A trupe é capturada pelos vilões locais e cabe a Sly comandar o resgate. Espaço para muita porrada e frases filosóficas como a que está no teaser abaixo: “Matar é tão fácil quanto respirar”. “John Rambo” também deve chegar aos cinemas em maio do ano que vem.

Bem antes desses dois veteranos, outro ícone dos 80 (e dos 90) chega ao quarto filme: “Duro de Matar 4.0” estréia nesta semana nos EUA e em 3 de agosto no Brasil. Lá vai de novo Bruce Willis, aos 52 anos, perseguir terroristas, que agora usam a internet (essa bandida) para tirar do ar as principais redes de computadores dos EUA. Completando a onda do número 4, 2008 deve ver também mais um “Parque dos Dinossauros”, cujo roteiro ainda está sendo desenvolvido. Como bem bradava o robozinho da antiga série “Perdidos no Espaço”: “Perigo, perigo!”

Escrito por Leonardo Cruz às 1h33 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Novo selo para filmes independentes

Novo selo para filmes independentes

Chama-se Lume Filmes o novo selo que começa a colocar bons títulos independentes no mercado brasileiro de DVDs. Com sede em São Luís, onde já atuava como produtora de eventos culturais, a distribuidora lança neste mês "Felicidade", o melhor filme do americano Todd Solondz. E já possui os direitos mais 27 filmes, que serão divididos entre a Coleção Lume e a Coleção Lume Clássicos.

Na primeira, filmes de diretores como Jim Jarmusch (o ultracult "Down By Law", foto acima), Emir Kusturica, David Lynch, Wong Kar-wai e Werner Herzog. Na segunda, obras de Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi e Otto Preminger.

A Lume também busca os direitos de filmes importantes do cinema marginal, como "A Margem", de Ozualdo Candeias. Mas ainda é tudo negociação. A seguir, o cronograma de lançamento da nova distribuidora até o final deste ano.

Junho
"Felicidade" (Todd Solondz, 1998)
"Reconstrução de um Amor" (Christoffer Boe, 2003)

Julho
"Felizes Juntos" (Wong Kar-wai, 1997)
"Na Companhia de Homens" (Neil LaBute, 1997)

Setembro
"Exótica" (Atom Egoyan, 1994)
"Luna Papa" (Bakhtyar Khudojnazarov, 1999)
"Filhos de Hiroshima" (Kaneto Shindô, 1952, Lume Clássicos)
"Madre Joana dos Anjos" (Jerzy Kawalerowicz, 1961, Lume Clássicos)

Outubro
"Down by Law" (Jim Jarmusch, 1986)
"Gothic" (Ken Russell, 1986)

Novembro
"Underground" (Emir Kusturica, 1995)
"O Sucesso a Qualquer Preço" (James Foley, 1992)
"Mãe e Filha" (Yazujiro Ozu, 1949, Lume Clássicos)
"O Cardeal" (Otto Preminger, 1963, Lume Clássicos)

Dezembro
"Eraserhead" (David Lynch, 1977)
"Stroszek" (Werner Herzog, 1977)

Para o ano que vem, ficam grandes filmes como "Contos da Lua Vaga", de Mizoguchi, e "O Fundo do Coração", de Francis Ford Coppola.

*

Leia mais sobre os lançamentos, especialmente "Felicidade", na versão impressa da Ilustrada do próximo domingo.

*

Este post inaugura uma nova seção no blog, voltada aos lançamentos do mercado de DVD, um pedido antigo de alguns leitores. A prioridade aqui será para os lançamentos de filmes raros, inéditos nos cinemas ou há muito tempo fora de cartaz.

Escrito por Leonardo Cruz e Bruno Saito às 4h02 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Lançamentos em DVD | PermalinkPermalink #

Na cabeça de Tarantino

Na cabeça de Tarantino

O curta "Tarantino's Mind" fez sucesso quando foi exibido na abertura do Festival do Rio do ano passado. Numa mesa de restaurante, Selton Mello revela a Seu Jorge sua teoria de conexões entre os filmes do diretor de "Kill Bill" e "Cães de Aluguel" _seriam todos uma obra só, um grande épico, como define o próprio Mello.

Dirigido por Bernardo Dutra e Manitou Felipe da Silva, que assinam sob o pseudônimo 300 ML, "Tarantino's Mind" caiu há um tempinho na internet. Chegou ao radar do blog nesta semana; dica da repórter da Ilustrada Raquel Cozer.

Disponível no YouTube e no Google Video, tem potencial para se transformar em um cult do curta-metragem nacional. Somando os dois portais, "Tarantino's Mind" já foi visto por mais de 90 mil pessoas e só recebeu comentários positivos. Não é para menos, é pop puro. Confira.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h55 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Filmoteca - Rodrigo Moreno

Filmoteca - Rodrigo Moreno

Boa chance para conversar sobre cinema hoje: o cineasta argentino Rodrigo Moreno realiza uma palestra gratuita, aberta ao público, na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo. A partir das 17h30, será exibido “O Guardião”, primeiro longa-solo de Moreno, premiado no Festival de Berlim de 2006 e lançado no Brasil também no ano passado. Na sequência, às 19h30, o cineasta conversa com a platéia. De amanhã a sexta, no mesmo local, ele fará um workshop de direção (pago, R$ 480). A seguir, uma seleção de filmes favoritos feita por Rodrigo Moreno para o Ilustrada no Cinema. 

Close Up” (Abbas Kiarostami, 1990)
Este talvez seja um dos melhores filmes que já vi. Uma obra-prima sobre o que é real e o que não é, a fronteira imprecisa entre ficção e documentário.

Adeus, Dragon Inn” (Tsai Ming Liang, 2003)
O filme mais radical de Tsai. Aqui ele apresenta e executa suas idéias sobre mise en scene de uma forma incrivelmente refinada.

Aguirre, a Cólera dos Deuses” (Werner Herzog, 1972, disponível em DVD)
Pensei que precisaria mencionar ao menos um filme de Herzog e escolhi este porque foi o primeiro que vi. Mas seria capaz de listar mais quatro títulos deste gênio. Para mim, ele é um dos poucos POETAS do nosso tempo.

Maridos” (John Cassavetes, 1970)
O grande mistério de Cassavetes sempre será saber o que é improvisado e o que é planejado. Tudo parece caótico, mas há uma grande cabeça no comando dessa anarquia. Uma grande cabeça que constantemente cruza a linha entre o atrás e o diante da câmera, Cassavetes deve ser o herói de qualquer diretor. Seus filmes só puderam ser feitos graças à sua independência como produtor, o que lhe deu total liberdade como diretor.

Elefante” (Gus Van Sant, 2003, disponível em DVD)
O filme como um conceito. Uma obra-prima de direção.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h45 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Filmoteca | PermalinkPermalink #

Jorge Furtado homenageia o cinema

Jorge Furtado homenageia o cinema

Quarto longa-metragem de Jorge Furtado, “Saneamento Básico, o Filme” tem dois elementos fundamentais para se tornar um sucesso de público neste ano: é uma das mais engraçadas comédias nacionais recentes, protagonizada por um elenco global, com ótimos atores de intensa exposição na TV. Ao mesmo tempo, é uma bela homenagem ao cinema, especialmente o italiano, e uma sátira ao seu modo de produção, especialmente o brasileiro.

À trama: os moradores de uma pequena comunidade da serra gaúcha se unem para solicitar à prefeitura local verba para a construção de uma fossa para tratamento de esgoto. O casal Marina (Fernanda Torres) e Joaquim (Wagner Moura) leva o pedido ao município e ouve que não há dinheiro para saneamento básico. Mas há para um vídeo de dez minutos, R$ 10 mil que haviam sido liberados pelo governo federal para um projeto agora abandonado. Se a verba não for usada, terá de ser devolvida.

Com a ajuda de sua irmã, Silene (Camila Pitanga), e do namorado dela, Fabrício (Bruno Garcia), Marina e Joaquim encampam o projeto do vídeo. Farão um filme sobre a fossa, na crença que conseguirão usar a maior parte do dinheiro para a obra em si e não para o curta.

Quando a trupe começa a fazer a ficção “O Monstro da Fossa”, os personagens de Furtado são apresentados aos desafios de todas as etapas de realização de um filme: escrever um roteiro, negociar patrocínio, escolher o elenco, produzir cenário, figurino e efeitos visuais, filmar e finalmente montar.

Na mesma toada dos curtas e longas anteriores de Furtado, “Saneamento” é um filme de linguagem direta, clara, que fala à platéia sem rodeios, mas que guarda, para quem acompanha o cinema mais de perto, algumas boas piadas internas e ao menos duas cenas encantadoras protagonizadas pelo Joaquim de Wagner Moura, de longe o personagem mais interessante do longa.

*

Anote na agenda: “Saneamento Básico, o Filme” estréia no Brasil em 20 de julho. Seu site está no ar e vale uma visita. Tem entrevistas com elenco e equipe, fotos, trailers e trechos da trilha sonora, quase toda composta por músicas italianas.

Para quem quiser conhecer um pouco mais a obra de Jorge Furtado, seus principais curtas estão disponíveis no site PortaCurtas, incluindo os ótimos “Ilha das Flores”, "O Dia em que Dorival Encarou a Guarda" e “Barbosa”.

A seguir, o trailer de “Saneamento Básico”.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h03 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

Greve nos cinemas da Espanha

Greve nos cinemas da Espanha

 

Lei do Cinema na Espanha: 1 Almodóvar para cada 3 Shreks

Na mais quente temporada cinematográfica dos últimos anos, os exibidores espanhóis radicalizaram. Vão manter seus cinemas fechados na próxima segunda. É um protesto contra a nova Lei do Cinema, que ainda está em discussão no país, mas já desagrada o setor.

O principal ponto da discórdia é a "cota de tela", mecanismo que existe também no Brasil, para proteger o filme nacional contra a concorrência estrangeira. Aqui, a cota estabelece um número de dias obrigatórios de exibição de filmes brasileiros para cada cinema _de acordo com a quantidade de salas de cada complexo.

Lá, é um pouco diferente. A imposição é que seja exibido um filme espanhol ou europeu para cada três de terceiros países _ou seja, os Estados Unidos entram nessa conta.

A Federação dos Cinemas da Espanha diz que a medida "é injusta, incondicional e inútil". Mais uma vez, é uma questão de saber quem paga a conta. Os exibidores espanhóis gostariam que ela fosse parar nas mãos dos estúdios americanos, as majors, a quem acusam de "abuso de poder". Eles acusam também o governo espanhol de falta de coragem para enfrentá-los.

Aqui no Brasil, os exibidores também discordam da cota de tela. Argumentam que, para cumpri-la, às vezes são obrigados a passar filmes brasileiros para salas vazias, tendo prejuízo. Quem descumpre a cota é multado. Os que defendem a existência da cota dizem que ela é um importante mecanismo de regulação do mercado, serve ou para "corrigir assimetrias", em tucanês, ou para enfrentar a "distorção de um mercado pautado pela hegemonia de Hollywood", na outra língua.

Embora batam bastante o pé contra a cota de tela, é difícil imaginar os exibidores brasileiros numa atitude semelhante à dos espanhóis. Salvo se progredir a intenção do governo brasileiro de estabelecer uma "cota de tela regional", envolvendo os países que compõem o Mercosul mais a Venezuela. Aí sim, pode ser...

Escrito por Silvana Arantes às 3h11 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Filmoteca - Carlos Alberto Mattos

Filmoteca - Carlos Alberto Mattos

 

O jornalista Carlos Alberto Mattos, 53, já tem quase 30 anos de crítica de cinema e é um dos principais especialistas em documentários no país. Atualmente, resenha filmes para o jornal "O Globo" e para o site www.criticos.com.br, além de manter o DocBlog, ponto obrigatório para quem se interessa pelo cinema não-ficcional. Tem cinco livros lançados _sobre Walter Lima Jr., Eduardo Coutinho, Carla Camurati, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla_ e um ainda inédito, sobre Vladimir Carvalho. A seguir, ele apresenta seus cinco filmes favoritos.

*

"8 e 1/2" (Federico Fellini, 1963, disponível em DVD)
A descoberta do cinema moderno à margem da aridez intelectual. A libertação do tempo narrativo, a incorporação da dúvida como modelo de criação, a mescla de realismo, onirismo e fantasmagoria, tudo isso me saltou aos olhos quando vi esse filme pela primeira vez, recém-saído da adolescência. Desde então, passei a apontá-lo como meu filme predileto.

 

"Taxi Driver" (Martin Scorsese, 1976, disponível em DVD)
Em sua obra-prima, Scorsese empacotou o melhor do cinema estadunidense das últimas décadas: movimento, individualismo, obsessão, violência, catarse, ironia. Marcou o auge de uma geração de atores, que incluía De Niro, Keitel e Foster. A trilha do Bernard Herrmann é um clássico. De que mais se precisa para um grande filme? "Crepúsculo dos Deuses", de Billy Wilder, também caberia nesse nicho.


"Cabra Marcado para Morrer" (Eduardo Coutinho, 1984, disponível em VHS)
O mais extraordinário documentário brasileiro foi que primeiro chamou minha atenção para as potencialidades do cinema de não-ficção, hoje meu principal objeto de estudo. Um caso raro de filme que preencheu um vácuo histórico; era pessoal, nacional e universal ao mesmo tempo; e interveio na realidade ao ponto de mudar o futuro dos seus personagens. De quebra, ainda mudou a história do documentário no Brasil. Dziga Vertov, em seu "O Homem com a Câmera", surtiu efeito semelhante no meu apreço pelo cinema documental. 

"Lavoura Arcaica" (Luiz Fernando Carvalho, 2001, disponível em DVD)
Poderia citar "Limite", de Mário Peixoto, mas preferi ficar com um filme que reeditou o mesmo impacto poético e o mesmo “diferencial” em relação aos figurinos médios do cinema brasileiro em suas respectivas épocas. Fruto de uma atitude corajosa e perfeccionista, é um dos três ou quatro mais belos filmes brasileiros de todos os tempos. Imagino que qualquer obra literária sonhe com uma adaptação deste calibre às telas, em que livro e filme co-habitam uma mesma moradia.

"A Noviça Rebelde" (Robert Wise, 1965, disponível em DVD)
Parece brincadeira, mas é verdade. Sei que o filme é cafona e quadrado, mas o que posso fazer, se foi o meu primeiro cult, o primeiro a me fazer voltar ao cinema e descobrir que ali era um bom lugar para estar? Até hoje me compraz cantarolar Rodgers, rever Salzburgo e torcer por Maria. E, cá entre nós, "Something Good" é tudo de bom em matéria de canção.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h10 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Filmoteca | PermalinkPermalink #

Animações exóticas

Animações exóticas

A Índia pode virar o próximo pólo produtor de animação do mundo. E, diferentemente da grande massa de filmes de Bollywood (a Hollywood indiana), essa produção vai começar a ser exportada e pode até chegar ao Brasil.

O canal seria a megaindústria Disney, que fechou ontem um acordo com o estúdio Yash Raj Films para produzir animações dubladas por estrelas da Índia.

De olho no grande mercado consumidor do país, o contrato prevê pelo menos um filme por ano e já tem o primeiro longa da lista: "Roadside Romeo", previsto para 2008, com canções, cenas de ação e danças, bem ao estilo bollywoodiano. O filme, a ser falado em hindi por Saif Ali Khan e Kareena Kapoor, conta a história de um cãozinho abandonado nas ruas da capital.

Mark Zoradi, diretor de mercado da Disney, disse em Mumbai que essa cooperação firmada "ajudará a aprofundar a compreensão da cultura indiana". "Sozinhos não poderíamos fazer um bom filme indiano."

Vem de outro país totalmente desconhecido em qualquer área audiovisual a primeira animação em 3D árabe: o Kuwait, que vai ser primeiro a usar esse tipo de tecnologia, na película "Moghamarat Nafout" (foto).

A obra, co-produzida por Egito e Kuwait, tem roteiro de Mahmoud Saber e é dirigida por Tarek Rashed. O TR Studio foi fundado em 1995 e é especializado em cartuns para comerciais e séries de televisão infantis, principalmente para o mercado egípcio, onde foi divulgado o projeto.

*

O Anima Mundi, que comemora seus 15 anos a partir do dia 29 deste mês no Rio e no dia 11 de julho em São Paulo, já está antenado com essa safra de lugares exóticos e promete filmes do Egito (o curta "Had Tang/Someone Els") e Tailândia (o longa "Khan Kluay", que estará em competição).

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 3h04 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Você conhece o E.T. turco?

Você conhece o E.T. turco?

O diário inglês "The Guardian" criou em seu site uma seção chamada Clip Joint. É um trabalho de garimpagem no YouTube para reunir cenas de filmes que dialoguem entre si. Estreou no mês passado e já encontrou coisas bacanas, como os melhores momentos do Festival de Cannes e as grandes interpretações de Paul Newman. Mas o que entrou no ar nesta terça é impagável: trechos de refilmagens de blockbusters feitas fora dos EUA.

Por exemplo? Da Turquia, um remake de "E.T.", no qual o pequeno alienígena não é tão simpático quanto o de Spielberg e libera uma flatulência altamente tóxica quando em perigo. Os turcos também são responsáveis por um novo "Guerra nas Estrelas" (pôster acima), que rouba cenas do original de George Lucas e cola com seqüências em que um Luke Skywalker local combate um monstrengo vermelho com golpes de caratê. Para os mais curiosos (ou corajosos), o Google Video tem a versão integral do filme, neste link.

Nessa mesma linguagem de "cinema-gilete", o nigeriano Faruk Ashu-Brown fez o seu próprio "Titanic", com Céline Dion, mas bem mais trash que o original.

As duas refilmagens indianas são mais, digamos, profissionais. John Belushi parece ter ressuscitado em Nova Déli para interpretar um Super-Homem rechonchudo e com costeletas à Elvis. Ele voa com sua Lois Lane, canta e dança com a moça nos braços. Fechando o pacote há ainda a versão de "Uma Babá Quase Perfeita", com um Robin Williams mais moreninho.

A seguir, os dois favoritos deste blog: o "E.T." turco e o "Superman" indiano. Divirta-se. 

Escrito por Leonardo Cruz às 6h19 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Gus Van Sant mergulha no ácido

Gus Van Sant mergulha no ácido

Gus Van Sant ainda nem lançou comercialmente seu novo filme, "Paranoid Park", e a revista "Variety" já anuncia seu próximo projeto. O cineasta dirigirá a adaptação ao cinema de "O Teste do Ácido do Refresco Elétrico", de Tom Wolfe.

No livro, de 1967, Wolfe narra a saga do escritor Ken Kesey e seus Festivos Gozadores, grupo que atravessou os EUA nos anos 60 para alardear as benesses do LSD. A bordo do Furthur (foto acima), um antigo ônibus escolar convertido ao estilo viajandão, Kesey cruzou o país fazendo seus testes de ácido com voluntários, em eventos regados ao som da banda Grateful Dead, ainda em início de carreira. A vida dos Festivos Gozadores ficou mais complicada a partir de 1966, quando o LSD se tornou ilegal nos EUA. Kesey chegou a ser detido por posse de maconha, simulou um suicídio para enganar a polícia e fugiu para o México.

"O Teste do Ácido do Refresco Elétrico", lançado no Brasil pela Rocco, é o terceiro livro de Wolfe, retrato aprofundado da contra-cultura americana e de uma parcela importante do movimento hippie. O roteiro da adaptação ficará nas mãos de Dustin Lance Black, que escreveu alguns episódios do bom seriado "Big Love", sobre uma família polígama nos EUA.

A relação entre Van Sant e Ken Kesey é antiga. O escritor, autor de "O Estranho no Ninho", fez uma ponta em "Até as Vaqueiras Ficam Tristes", e Van Sant dedicou a ele "Gerry", mais um de seus grandes filmes e infelizmente inédito no circuito de cinema comercial brasileiro.

Vale lembrar que, ao contrário de "Gerry", "Paranoid Park" está comprado pela distribuidora Imovision e deve estrear no país ainda neste ano. A seguir, um trechinho do filme, que recebeu um prêmio especial da 60ª edição do Festival de Cannes.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h52 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Multiplex cria o cinéfilo-bedel

Multiplex cria o cinéfilo-bedel

 
O filme está fora de foco? Aperte 1. O som sumiu? Aperte 2. O cidadão ao seu lado está gravando toda a sessão com uma câmera de vídeo? Aperte 3. O amigão da fileira à sua frente não sai do celular? Aperte 4. Essas são as quatro opções da caixinha mágica acima, que a rede de cinemas Regal está distribuindo a parte de seus espectadores.
 
A Regal, uma das principais redes de multiplex dos EUA, criou essa ferramenta para que seus cinéfilos avisem à gerência das salas quando há problemas durante a sessão. O aparelhinho sem fio, no formato de walkie-talkie, chama-se Regal Guest Response System, já foi testado em 13 cinemas no ano passado e agora passou para 114 salas _recebem o brinquedo espectadores mais freqüentes, integrantes de um programa de fidelidade do Regal.
 
A rede afirma, em reportagem do "USA Today", que tomou a iniciativa porque "a etiqueta do consumidor tem se tornado cada vez mais um problema". Ou seja, como todos sabemos, o público não anda primando pela boa educação, especialmente nos multiplex. Daí a idéia do cinéfilo-bedel, que bem podia ser encampada por uma das grandes redes daqui, não?
 
*
 
Ainda nessa campanha pelos bons modos no cinema, o colega blogueiro Ricardo Calil lançou nesta semana seu manual de etiqueta para as salas do país, propondo dez mandamentos de conduta aos espectadores. Se pelo menos metade fosse adotada, curtir um bom filme seria muito mais fácil. Dá uma olhada nas sugestões do Calil.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h39 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Um Al Pacino desconhecido

Um Al Pacino desconhecido

Se você gosta de cinema, com certeza conhece Al Pacino. Desde que surgiu para o grande público como Michael Corleone em "O Poderoso Chefão" (1972), Pacino consolidou seu nome como um dos grandes atores dos EUA. E envelheceu bem, ainda estrelando blockbusters como "13 Homens e um Novo Segredo" e filmes menos comerciais, como "O Mercador de Veneza".

Mas você conhece o Al Pacino diretor e produtor de cinema? Improvável. Entre um papel e outro, o ator desenvolveu alguns projetos pessoais, pôs dinheiro do bolso, mas pouquíssima gente viu, por uma razão simples: não foram lançados comercialmente. Dois desses projetos serão lançados em DVD neste mês nos EUA, numa caixa chamada "Al Pacino Collection".

O primeiro é "The Local Stigmatic", média-metragem de 1990, inspirado na peça inglesa de mesmo nome, de Heathcoate Williams, encenada por Pacino em Nova York em 1969. É a história de dois amigos que, bebendo e conversando em um pub, encontram um astro do cinema e decidem encher o cara de porrada. Pacino comprou os direitos da peça, foi seu produtor e protagonista do filme, que foi exibido no MoMA de Nova York em março de 1990 e nunca entrou em circuito.

O segundo é "Chinese Coffee", longa de 2000, também baseado em uma peça encenada por Pacino em NY. No texto, de Ira Lewis, a amizade de dois amigos, um escritor e um fotógrafo, é colocada em xeque quando o primeiro escreve um romance sobre o segundo. Pacino bancou todo os custos do filme e também o dirigiu e o estrelou. "Chinese Coffee" passou em alguns festivais e teve seus direitos de distribuição comprados pela Fox, que engavetou a obra.

Completa a caixa o único filme mais conhecido do público: "Ricardo 3º - Um Ensaio" (foto), de 1996, é a estréia de Pacino na direção, chegou ao circuito comercial dos EUA e também ao exterior. Estreou nos cinemas brasileiros em 1997 e, vez ou outra, ganha reprise no Telecine Cult. É um belo trabalho sobre o processo de montagem da peça de Shakespeare, mesclando trechos da encenação com bastidores e entrevistas.

Quem lança a "Al Pacino Collection" nos EUA é a Fox, e o braço brasileiro da distribuidora ainda não prevê o lançamento do pacote pelas bandas de cá. O jeito, ao menos por enquanto, é importar a coleção, que custa cerca de 30 doletas em sites estrageiros. Ou esperar que os filmes caiam na rede, nos e-mules da vida. Para os fãs do Al Pacino ator, "13 Homens e um Novo Segredo" estréia no próximo dia 22. A seguir, um trechinho de "The Local Stigmatic".

Escrito por Leonardo Cruz às 9h48 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Filmoteca - Carlos Reichenbach

Filmoteca - Carlos Reichenbach

Carlos Reichenbach estreou como diretor em 1968, com o curta "Esta Rua Tão Augusta" e com "Alice", episódio do longa "As Libertinas". Desde então, assinou filmes importantes do cinema brasileiro, como "Filme Demência" (1985) e "Anjos do Arrabalde" (1986). No momento, finaliza "Falsa Loura", seu 15° longa, que deve ficar pronto no segundo semestre. O cineasta também edita o blog Reduto do Comodoro, no qual opina sobre cinema, conta os passos de seu novo filme e divulga as sessões do... Reduto do Comodoro. Uma vez por mês, Reichenbach comanda a exibição de uma obra de algum diretor esquecido ou desconhecido por estas praias. É sempre (ou quase) na primeira quarta-feira, de graça, no paulistano Cinesesc. E nesta quarta, às 21h30, tem sessão. O Reduto do Comodoro apresenta "A Morta-Viva" ("I Walked with a Zombie", 1943), de Jacques Tourner, o mesmo diretor de "Cat People". Dá uma olhadinha no trailer no pé deste post. A seguir, Carlos Reichenbach colabora com a Filmoteca e escolhe cinco filmes que viraram sua cabeça. 

*

"O Desprezo" (Jean-Luc Godard, 1963)
O mais deflagrador dos filmes que vi na vida e a mais contundente reflexão sobre o cinema como meio de expressão.

 

"Dois Destinos" (Valerio Zurlini, 1962)
Um dos filmes mais melancólicos e amargos da história. Cinema que aspira a pintura e a música. "Bem-aventurados os pobres de espírito que passaram pela vida sem nunca experimentar a renúncia ou a transgressão."; a epígrafe final de "Dois Destinos" mudou algumas vidas, incluindo a minha.

 

"Vidas Secas" (Nelson Pereira dos Santos, 1963)
O melhor filme brasileiro de todos os tempos. Paulo Emílio Salles Gomes, quando lecionava na Escola Superior de Cinema São Luiz, nos obrigou a assisti-lo mais de seis vezes. Durante duas aulas seguidas nos falou de Seu Tomás da bolandeira, o personagem essencial do romance de Graciliano Ramos, que Nelson eliminou imageticamente em sua adaptação para o cinema. Foi então que aprendi que fidelidade ao texto literário não pressupõe subserviência.

 

"Cão Branco" (Samuel Fuller, 1982)
 O filme que eu gostaria de ter assinado. Todos os recursos da técnica e da gramática cinematográficas _do travelling circular revelador e espacial à câmera lenta e ao "chassis reversível" de alto impacto_ a serviço da emoção genuína. Por trás da história de um adestrador de cães negro que tenta reverter a fúria racista de um cão branco, um libelo crucial contra a intolerância. Tão pungente e radical que os distribuidores americanos tiveram medo de lançá-lo nos cinemas.

 

"Confissões de um Comissário de Polícia ao Procurador-Geral da República" (Damiano Damiani, 1971)
Uma porrada no estômago (e na consciência), como há muito tempo o cinema não ousa mais experimentar. A inclusão na lista, além de reafirmar a importância de um grande realizador pouco valorizado, serve para lembrar ao Leon Cakoff da necessidade urgente de uma retrospectiva Damiani na Mostra de São Paulo, com a presença do próprio (foto).

*

Escrito por Leonardo Cruz às 8h45 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Filmoteca | PermalinkPermalink #

Quem são os reis da comédia?

Quem são os reis da comédia?

 

Na sua opinião, quem são os grandes reis da comédia? A Ilustrada deste domingo, em sua versão impressa, ouviu 30 repórteres e críticos de cinema para saber quais os melhores comediantes da história do cinema. Cada eleitor escolheu seus três melhores no exterior e no Brasil.

 

Como era de esperar, deu Charles Chaplin na cabeça. O criador de Carlitos foi o favorito de 12 dos votantes. O segundo lugar foi para Buster Keaton, e Jerry Lewis completou o pódio. Na enquete nacional, o vencedor foi Oscarito, seguido por Grande Otelo e Mazzaropi.

 

Os escolhidos deste blogueiro não foram lá muito bem na contagem final. Groucho Marx (Viva, Freedônia!!), meu favorito, foi o sexto colocado. E Jacques Tati (foto), o tio que todos gostaríamos de ter, terminou em quinto lugar. Dos três primeiros, apenas Buster Keaton também levou meu voto. Entre os comediantes brasileiros, fui de Mussum. Forévis!

 

E você? O que pensa? Alguém importante ficou de fora? Para quem iria seu voto nessa enquete dos melhores comediantes do cinema?

 

A seguir uma sequência de “Luzes da Ribalta”, na qual Chaplin e Keaton dividem a cena. Divirta-se.

 

*

A lista completa com todos os votos e comentários dos 30 jornalistas/eleitores está na Ilustrada Online.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h08 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

A saga de Irina Palm

A saga de Irina Palm

A colaboradora de Paris Patrícia Klingl escreve sobre “Irina Palm”, uma co-produção entre Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra, dirigida por Sam Gambarski. O filme, indicado para a mostra competitiva do 57º Festival de Berlim, será distribuído no Brasil pela Imovision, mas ainda não tem uma data de estréia definida.

Irina Palm, por Patrícia Klingl

 

“Irina Palm” tinha todos os elementos para resultar em um dramalhão com forte apelo ao sexo. O filme conta a história de Maggie, uma respeitável viúva inglesa de meia-idade, que precisa juntar dinheiro para pagar a cirurgia de seu neto, doente em estado terminal. Desesperada, sem conseguir obter um empréstimo nem achar um emprego, ela se depara com um anúncio para trabalhar como “recepcionista” numa boate no bairro londrino do Soho.

 

O trabalho, muito bem-remunerado, consiste em prestar serviços a clientes através de uma abertura pela parede de uma cabine. Acontece que Maggie demonstra ter talento para exercer esta função, chegando mesmo a desbancar outras colegas de serviço. Devido à sua enorme clientela, a nova funcionária do “Sexy World” passa a atuar sob um nome artístico: Irina Palm.

 

O filme, contrariamente ao que possa parecer, não tem nada de dramático, vulgar ou sórdido. Parte disto se deve à escolha do diretor alemão Sam Gambarski em não mostrar nada de muito ousado, a partir do posicionamento da câmera. Mas a construção deste filme em algo comovente e edificante se deve à atuação de Marianne Faithfull no papel principal. Ícone dos anos 60 como cantora de rock e ex-namorada de Mick Jagger, a atriz representa toda a força desta personagem corajosa, disposta a fazer tudo por amor.

 

Marianne Faithfull, que recentemente representou o papel da mãe de “Maria Antonieta” no novo filme de Sofia Coppola, foi considerada forte candidata ao prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim por sua atuação em “Irina Palm”, perdendo para a alemã Nina Hoss, por “Yella”.

 

O filme ainda conta com a participação de Miki Manojlovic, o ator-fetiche de Emir Kusturica. Ele representa o papel do proprietário da boate que deve explicar à Maggie qual o trabalho que espera de sua “recepcionista”. É também ele quem descobre seu talento - depois de tocar em suas mãos - e quem cria seu nome artístico.

 

O filme se assemelha às comédias inglesas em que os personagens principais acham soluções pouco ortodoxas para acabar com a falta de dinheiro, como “Ou tudo ou nada”, “O Barato de Grace” e “Garotas do Calendário”. Além de divertido, “Irina Palm” também é um belo conto sobre o amor e a coragem de uma mulher.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h47 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Blog Ilustrada no Cinema O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico.

BUSCA NO BLOG


RSS

ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.