Ilustrada no Cinema
 

A saga de Irina Palm

A saga de Irina Palm

A colaboradora de Paris Patrícia Klingl escreve sobre “Irina Palm”, uma co-produção entre Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra, dirigida por Sam Gambarski. O filme, indicado para a mostra competitiva do 57º Festival de Berlim, será distribuído no Brasil pela Imovision, mas ainda não tem uma data de estréia definida.

Irina Palm, por Patrícia Klingl

 

“Irina Palm” tinha todos os elementos para resultar em um dramalhão com forte apelo ao sexo. O filme conta a história de Maggie, uma respeitável viúva inglesa de meia-idade, que precisa juntar dinheiro para pagar a cirurgia de seu neto, doente em estado terminal. Desesperada, sem conseguir obter um empréstimo nem achar um emprego, ela se depara com um anúncio para trabalhar como “recepcionista” numa boate no bairro londrino do Soho.

 

O trabalho, muito bem-remunerado, consiste em prestar serviços a clientes através de uma abertura pela parede de uma cabine. Acontece que Maggie demonstra ter talento para exercer esta função, chegando mesmo a desbancar outras colegas de serviço. Devido à sua enorme clientela, a nova funcionária do “Sexy World” passa a atuar sob um nome artístico: Irina Palm.

 

O filme, contrariamente ao que possa parecer, não tem nada de dramático, vulgar ou sórdido. Parte disto se deve à escolha do diretor alemão Sam Gambarski em não mostrar nada de muito ousado, a partir do posicionamento da câmera. Mas a construção deste filme em algo comovente e edificante se deve à atuação de Marianne Faithfull no papel principal. Ícone dos anos 60 como cantora de rock e ex-namorada de Mick Jagger, a atriz representa toda a força desta personagem corajosa, disposta a fazer tudo por amor.

 

Marianne Faithfull, que recentemente representou o papel da mãe de “Maria Antonieta” no novo filme de Sofia Coppola, foi considerada forte candidata ao prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim por sua atuação em “Irina Palm”, perdendo para a alemã Nina Hoss, por “Yella”.

 

O filme ainda conta com a participação de Miki Manojlovic, o ator-fetiche de Emir Kusturica. Ele representa o papel do proprietário da boate que deve explicar à Maggie qual o trabalho que espera de sua “recepcionista”. É também ele quem descobre seu talento - depois de tocar em suas mãos - e quem cria seu nome artístico.

 

O filme se assemelha às comédias inglesas em que os personagens principais acham soluções pouco ortodoxas para acabar com a falta de dinheiro, como “Ou tudo ou nada”, “O Barato de Grace” e “Garotas do Calendário”. Além de divertido, “Irina Palm” também é um belo conto sobre o amor e a coragem de uma mulher.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h47 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

Os filmes de Cannes começam a chegar

Os filmes de Cannes começam a chegar

 

 

Em 2005, Gus Van Sant exibiu no Festival de Cannes “Últimos Dias”, seu primeiro filme depois de receber a Palma de Ouro por “Elefante” (2003). Você viu “Últimos Dias” nos cinemas brasileiros? Pouquíssima gente viu, porque o filme só passou no Festival do Rio e nunca chegou ao circuito comercial.

 

Agora Van Sant voltou a Cannes com mais um filme, “Paranoid Park” (foto acima), vencedor do prêmio do 60º aniversário do festival. A boa nova é que desta vez a obra do diretor americano entrará em cartaz no país, provavelmente ainda em 2007, pois teve seus direitos de exibição comprados pela distribuidora Imovision.

 

“Paranoid Park” não é a única das produções de Cannes com distribuição acertada no Brasil. Encerrado o festival, começam a pipocar informações sobre quais títulos devem aportar nas salas nacionais. Ainda entre os filmes que concorreram à Palma neste ano, a própria Imovision comprou também “Do Outro Lado”, do alemão Fatih Akin, prêmio de melhor roteiro no festival.

 

E não pára por aí. A Europa trará “My Blueberry Nights” (trailer abaixo), a estréia de Wong Kar-wai nos EUA, “À Prova de Morte”, o filme de Quentin Tarantino dentro de “Grindhouse”, “Persépolis”,  a animação de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud que levou o prêmio especial do júri, e “Le Scaphandre et le Papillon”, de Julian Schnabel, Palma de melhor diretor.

 

Também têm distribuição acertada no Brasil “Breath”, de Kim Ki-duk (Pandora), “No Country for Old Men”, dos irmãos Coen (UIP), “We Own the Night”, de James Gray (Califórnia), e “Zodíaco”, de David Fincher (Warner). Este último, que já havia estreado nos EUA antes de Cannes, chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira e vale o ingresso.

 

Há ainda outros filmes que passaram pela Croisette, mas fora da competição oficial. Casos de “A Mighty Heart”, de Michael Winterbottom, “And Along Come Tourists”, filme alemão que passou na seção Um Certo Olhar, “Control”, cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis, e “13 Homens e um Novo Segredo”, a terceira parte da série com George Clooney e seus asseclas.

 

Bacana, não? Sem dúvida, mas este blog ainda não descobriu se alguém comprou os dois grandes vencedores de Cannes-2007. Aparentemente, a Palma de Ouro "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, do romeno Cristian Mungiu, e o Grande Prêmio "Mogari no Mori" (Floresta de Mogari), da japonesa Naomi Kawase, ainda não têm distribuidor por aqui.

 

Escrito por Leonardo Cruz, Lúcia Valentim Rodrigues e Silvana Arantes

Escrito por Leonardo Cruz às 9h32 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

O elenco de Cegueira

O elenco de Cegueira

 

 

Depois de muita especulação, saíram mais alguns nomes do elenco de "Blindness", o próximo projeto internacional de Fernando Meirelles. A versão para o cinema de "Ensaio sobre a Cegueira" terá Danny Glover, Gael García Bernal e Alice Braga, além de Julianne Moore, que já havia confirmado sua presença durante o Festival de Cannes.

 

Na história de José Saramago, Moore deve ficar com o papel da mulher do médico, a única capaz de enxergar em meio à epidemia de cegueira que atinge uma cidade. E os outros três atores? Alguns palpites (e, ao menos por enquanto, apenas palpites):

 

Danny Glover parece um bom nome para interpretar o velho com a venda, um dos primeiros a ficar cego e um dos personagens principais da trama do escritor português.

 

A brasileira Alice Braga poderia ser "a rapariga de óculos escuros", prostituta que também logo sucumbe à "brancura insondável" que atinge as vítimas da peste.

 

E o mexicano Gael García Bernal? O oftalmologista? Gael parece um pouco jovem demais para o papel do médico, o marido de Julianne Moore. É evidente que, na adaptação ao cinema, tudo pode mudar, mas, no original, o casal já está na meia-idade.

 

Se não o médico, que outro papel caberia a Gael? Uma boa opção é o ladrão, o homem que rouba o carro da primeira vítima da cegueira e também é um dos protagonistas da trama.

 

E Daniel Craig? Cujo nome chegou a ser confirmado no elenco pela "Hollywood Reporter", mas depois desmentido por Fernando Meirelles? Por enquanto, continuará sendo "apenas" James Bond.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h51 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Tim Burton e seus novos projetos

Tim Burton e seus novos projetos

 

Trombei outro dia no YouTube, quase por acaso, com “Vincent”, um dos primeiros filmes de Tim Burton. Perdão aos leitores que já conhecem este curta-metragem em animação, mas para mim foi uma bela descoberta e mais uma confirmação de que Burton é um dos poucos cineastas do mundo hoje capazes de criar fábulas com elementos de horror e fantasia, sem perder a inteligência e o senso crítico.

 

“Vincent”, de 1982, apresenta o garoto Vincent Malloy, que aos sete anos sonha em se tornar o ator Vincent Price, famoso por estrelar filmes de terror dos anos 60 e 70, como “O Abominável Dr. Phibes”. A trama é contada por meio de um poema, escrito por Burton e narrado por Price, que morreria 11 anos depois.

 

A novidade desta história toda é que “Vincent” voltará às telas nos EUA até o final deste ano, dentro do projeto em 3D digital de Tim Burton. A Disney lançou nos cinemas no ano passado uma versão em três dimensões de “O Estranho Mundo de Jack”. A versão 3D do longa será exibida novamente em outubro, e o curta “Vincent”, também adaptado ao formato, abrirá as sessões. Não há previsão de exibição do pacote no Brasil, que, salvo engano, tem apenas uma sala adaptada ao sistema 3D digital, no Shopping Eldorado, em São Paulo.

 

Ainda sobre Tim Burton, o cineasta conclui em Londres as gravações de “Sweeney Todd”, o primeiro musical de sua carreira. Para contar a história do barbeiro inglês que é serial killer nas horas vagas, o cineasta terá novamente Johnny Depp como o protagonista, e sua mulher Helena Bohan Carter, como a cúmplice do assassino. Sacha “Borat” Baron Cohen também está no elenco.

 

O filme deve ter sua estréia mundial no fim de agosto, no próximo Festival de Veneza, onde Burton receberá um prêmio especial pelo conjunto da carreira. “Sweeney Todd” deve desembarcar em terras brasucas em 18 de janeiro de 2008.

 

Enquanto o novo Tim Burton não vem, vale conferir (ou rever) “Vincent”, em 2D mesmo e legendado em português por Thales Mion. Como se vê a seguir, Burton já tinha, no início da carreira, o senso de humor sinistro (e irônico) que domina seus filmes atuais. 

 

Escrito por Leonardo Cruz às 8h26 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.