Ilustrada no Cinema
 

Julianne Moore confirma: estrelará Cegueira

 

Fernando Meirelles diz que o contrato não está assinado, mas o material de divulgação oficial do filme "Savage Grace" (foto), que a atriz Julianne Moore estrela na Quinzena dos Realizadores em Cannes diz o seguinte, no perfil dedicado à moça:

"Graças à extensão de seu repertório, Julianne Moore se destacou tanto em grandes produções quanto em filmes independentes. Ela filmará em breve 'Cegueira', de Fernando Meirelles, adaptação do romance homônimo [na verdade, "Ensaio Sobre a Cegueira"] de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura".

"Savage Grace", de Tom Kalin, baseado no romance homônimo (de novo!) de Natalie Robins e Steven ML Aronson, fez furor há pouco na Croisette. Na verdade, a presença de Moore levou um batalhão de jornalistas e fotógrafos ao razoavelmente pequeno espaço dedicado às entrevistas coletivas da Quinzena dos Realizadores.

E Julianne Moore não teve dúvida: confirmou a todos que fará o filme de Meirelles e não poupou elogios ao cineasta brasileiro.

 

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Fernando Meirelles também virá a Cannes, para a sessão oficial na mostra Um Certo Olhar de " El Baño del Papa", dirigido por Cesar Charlone (que fotografará "Cegueira") e Enrique Fernandez e do qual a O2, de Meirelles, é co-produtora.

 

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Daniel Craig, apontado pelo IMDB como certo no elenco de "Cegueira", é outro que freqüenta a Croisette, para divulgar o filme "The Golden Compass", em que ele contracena com Nicole Kidman, que não veio, porque está filmando na Austrália o longa homônimo (ei, de novo!) de Baz Lurhmann.

E por fim: Julianne Moore é perfeita para o papel da mulher do médico, que é, de fato, a protagonista de "Ensaio sobre a Cegueira".

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 2h52 PM

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O cinema coreano atual (parte 1)

O cinema coreano atual (parte 1)

O que você conhece sobre o cinema sul-coreano atual? Se depender do circuito exibidor brasileiro, pouca coisa. Nos últimos anos, entraram em cartaz no país apenas os filmes de Kim Ki-duk e Park Chan-wook. Alguns diretores fundamentais no novo cinema coreano, que estréiam seus filmes nos principais festivais do mundo, permanecem desconhecidos das salas brasileiras. Esse déficit diminui um pouco hoje com a estréia de "O Hospedeiro", terror nada convencional de Bong Joon-ho, cujo "Memórias de um Assassino" havia saído aqui direto em DVD.

A seguir, o crítico da Ilustrada Cássio Starling Carlos apresenta, em duas partes, um dicionário básico dos principais cineastas sul-coreanos em atividade. São oito nomes, peças-chave para entender por que Europa e EUA têm voltados seus olhos para o cinema desse país. E como assisti-los? Ao menos por enquanto, apenas importando DVDs ou recorrendo aos E-mules da vida.

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O cinema coreano atual (parte 1)

por Cássio Starling Carlos

Bonh Joon-ho - Retoma o filme de gênero com uma interpretação em que mistura ironia política e sátira social.

Filmografia: "Barking Dogs Never Bite" (2000), "Memórias de um Assassino" (2003, disponível em DVD, foto acima) e "O Hospedeiro" (2006)

 

 

Hong Sang-soo - O mais francês dos cineastas coreanos, enfoca a crise dos relacionamentos a partir de situações ordinárias com um cinema sem efeitos, calcado na observação dos afetos e em sua dissolução.

Filmografia: "The Day a Pig Fell Into the Well" (1996), "The Power of Kangwon Province" (1998), "Virgin Stripped Bare by her Bachelors" (2000), "Turning Gate" (2002), "Woman Is The Future of Men" (2004), "Tale of Cinema" (2005), "Woman on the Beach" (2006, foto acima)

 

Im Kwon-taek - Com uma estética mais próxima do formato clássico, esse veterano diretor, capaz de executar tarefas que percorrem todos os gêneros em uma filmografia já na casa da centena de títulos, busca na história da Coréia o manancial para seus retratos de indivíduos e suas rebeldias pela sobrevivência.

Filmografia selecionada: "Adada" (1987), "Sopyonje" (1993), "As Montanhas de Taebaek" (1995), "Chunhyang – Amor Proibido" (2000, disponível em DVD), "Pinceladas de Fogo" (2002), "Low Life" (2004, foto acima)

 

 

 

Im Sang-soo - Outro cineasta que aprofunda as possibilidades do filme de gênero, como o thriller policial e o melodrama familiar, em interpretações pessoas e estilisticamente impecáveis.

Filmografia: "Girl’s Night Out" (1998), "Tears" (2000), "Uma Mulher Coreana" (2003), "A Última Transa do Presidente" (2005, foto acima), "The Old Garden" (2006)

Escrito por Leonardo Cruz às 8h02 AM

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O cinema coreano atual (parte 2)

O cinema coreano atual (parte 2)

por Cássio Starling Carlos

 

 

Jang Sun-woo - Um “provocador inspirado” segundo os “Cahiers du Cinéma”, saiu do ativismo político para realizar filmes marcados pela ruptura formal, o pessimismo dos temas e um tratamento cru e ousado do erotismo.

Filmografia: "The Emperor of Seoul" (1986), "The Age of Success" (1988), "Lovers in Woomuk-Baemi" (1990), "The Road to the Racetrack" (1991), "Passage to Buddha" (1993), "To You, from Me" (1994), "A Petal" (1996), "Indian Fetish Cult" (1997), "Bad Movie" (1998), "Mentiras" (1999), "Resurrection of the Little Match Girl" (2002, foto acima)

 

 

 

Kim Ki-duk - O mais difundido e menos interessante dos cineastas coreanos. Com seus tiques de cinema de arte, mistura pseudo-existencialismo e releituras de temas tradicionais em obras que não raro recaem no óbvio, no gratuito ou no exotismo poético.

Filmografia mais recente: "A Ilha" (2000), "Endereço Desconhecido" (2001), "Bad Guy" (2001), "The Coast Guard" (2002), "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" (2003), "Samaritan Girl" (2004), "Casa Vazia" (2004), "O Arco" (2004), "Time" (2006, foto acima), "Breath" (2007)

 

 

 

Lee Chang-dong - Com um afiado olhar, o diretor retratou com rigor as transformações políticas em seu país e depois partiu, no premiado “Oasis”, para uma poesia vigorosa de uma história de amor entre dois excluídos. Seu mais recente filme, Secret Sunshine, estréia na próxima semana no Festival de Cannes.

Filmografia: "To the Starry Island" (1993), "A Single Spark" (1995), "Green Fish" (1997), "Peppermint Candy" (2000), "Oasis" (2002, foto acima), "Secret Sunshine" (2007)

 

 

 

 

Park Chan-wook - Elogiado por suas imagens ultraestilizadas, é também um dos diretores coreanos com maior difusão no Brasil e dos menos interessantes. Obcecado pelo tema da vingança, faz dele o motivo para orquestrar provocações visuais à Tarantino. Chama muita atenção, mas fascina pouco.

Filmografia: "Moon Is the Sun’s Dream" (1992), "Saminjo" (1997), "Zona de Risco" (2000, disponível em DVD), "Sympathy for Mr. Vengeance" (2002), "If You Were Me" (2003), "Oldboy" (2003, disponível em DVD), "Lady Vingança" (2005), "I’m a Cyborg, But That’s OK" (2007, foto acima)

Escrito por Leonardo Cruz às 8h00 AM

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Os novos projetos do pai do Hospedeiro

Os novos projetos do pai do Hospedeiro

 

O sucesso mundial de "O Hospedeiro" (foto) rendeu bons frutos ao diretor Bong Joon-ho. Depois dos muitos elogios da crítica ao seu ótimo filme de monstro, Bong engatou dois projetos internacionais, em parcerias de alto nível.

 

O primeiro é "Tóquio", filme em três episódios independentes ambientados na capital japonesa. Bong dirigirá uma das partes _as outras duas ficarão nas mãos dos franceses Leos Carax, diretor de "Os Amantes de Ponte Neuf" (1991), e Michel Gondry, um dos mais criativos cineastas da atualidade, autor de "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (2004) e "A Ciência do Sono" (2006, inédito no Brasil).

 

 

O segundo é "La Transperceneige", adaptação para o cinema de uma história em quadrinhos futurista. Criada pelos franceses Jacques Lob e Jean-Marc Rochette, a HQ tem como pano de fundo uma nova Era do Gelo, na qual um trem é o único abrigo para os seres humanos. Nele, convivem sobreviventes de todas as culturas e classes sociais do planeta. Bong deve dirigir a empreitada, e a produção será de outro coreano ilustre: Park Chan-wook, diretor de "Old Boy" e de "Lady Vingança", atualmente em cartaz em São Paulo.

 

Sobre "La Transperceneige", Bong disse em entrevista à Folha que será "um filme internacional, falado em inglês e co-produzido por vários países". O filme deve ser rodado ainda neste ano e tem estréia prevista para 2008.

 

A íntegra da entrevista de Bong Joon-ho a este blogueiro está na versão impressa da Ilustrada desta sexta-feira, que destaca a estréia no Brasil de "O Hospedeiro" (leia aqui, para assinantes UOL ou Folha). A seguir, o trailer do filme, que entra em cartaz em São Paulo, Rio e Brasília.

 

 

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Mantendo a Coréia em pauta, o crítico da Ilustrada Cássio Starling Carlos apresenta nesta sexta, aqui no blog, um glossário dos principais diretores sul-coreanos da atualidade, de filmes tão interessantes como pouco difundidos no Brasil.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h04 PM

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Até lotação do Rio exibe o Aranha

Até lotação do Rio exibe o Aranha

 

Ao que tudo indica, "Homem-Aranha 3" não está batendo recordes apenas nas bilheterias dos cinemas. O filme, que já fez oficialmente 3,7 milhões de espectadores no país, também virou hit no mercado pirata. Em São Paulo, está disponível nos principais "fornecedores alternativos". No Rio, entrou em cartaz até em lotação, como relata o boletim eletrônico desta semana do site Filme B (aqui, para assinantes). O que diz o informativo:

 

"Homem-Aranha 3" inflacionou o mercado de DVDs piratas no Centro do Rio. O DVD do filme, anunciado pelo camelô "em versão dublada, e testando na hora, para não ter problema mais tarde", está sendo vendido a R$ 8,99, quando o preço normal de um piratão é R$ 4,99.

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A versão pirata de "Homem-Aranha 3" está sendo exibida até mesmo nos transportes alternativos do Rio, muitos já equipados com aparelhos de DVD. Semana passada, o filme se tornou o grande diferencial de uma van Centro-Jacarepaguá. Quinze passageiros assistiram a mais da metade do filme, mas como o trajeto terminou antes do fim, eles receberam a garantia de que assistiriam ao fim da história se tomassem a mesma van na manhã do dia seguinte.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h44 AM

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Filmes, números e histórias de Cannes

Filmes, números e histórias de Cannes

 

 

Uma história curiosa, extraída de “1.000 Films to Change your Life”, reflete bem o espírito do Festival de Cannes, o mais importante evento de cinema do mundo, cuja 60ª edição começa amanhã na Riviera francesa.

 

Em 1993, o diretor inglês Mike Leigh ia pela primeira vez a Cannes para apresentar um filme seu, “Naked”, que naquele ano receberia duas Palmas, a de melhor diretor e a de melhor ator (para o protagonista David Thewlis).

 

Ao chegar de limosine para a sessão oficial do filme, Leigh e sua equipe foram gentilmente colocados de lado pela organização do festival para que Arnold Schwarzenegger percorresse primeiro o tapete vermelho do Grand Palais. O diretor abriu espaço para o ator, surpreso e feliz por saber que Arnie veria seu filme. A surpresa de Leigh foi ainda maior pouco depois, ao ver o exterminador deixar o palácio do festival, por uma porta lateral, logo após ser fotografado. Ao menos naquela noite, Schwarzenegger não viu “Naked”.

 

Essa anedota verídica simboliza os contrastes de um festival concebido em 1939 para rivalizar com o de Veneza, então dominado pelos ideais fascistas, mas que, justamente por causa da guerra, só teve sua primeira edição realizada em 1946.

 

A seguir, alguns números desse gigante do cinema, que cresce a cada ano:

  • Cerca de 1.000 longas serão apresentados neste ano em Cannes _foram 510 em 1994. Esse salto de projeções não ocorreu nas seleções oficiais, que mantêm um número fixo de competidores, mas no Mercado do Filme, braço comercial do festival e palco mundial para compra e venda de produções. 
  • 3.502 jornalistas cobriram o festival em 2006 _40 anos antes, eram apenas 700. Profissionais de imprensa de cerca de 80 países estiveram em Cannes no ano passado.
  • 22.858 profissionais do cinema foram credenciados para trabalhar em Cannes no ano passado, incluindo 5.692 produtores, 4.749 distribuidores e 1.237 diretores. 
  • 20 milhões de euros é o custo anual, bancado pelo governo francês e por parceiros privados.

Para quem quer curtir um pouco mais o clima da Riviera, mesmo que a um Atlântico de distância, duas indicações. O site oficial do festival traz esses números listados acima e muitas outras informações e curiosidades, como dados sobre os filmes em competição, sobre o júri e um guia sobre a cidade.

 

Já o Instituto Nacional do Audiovisual francês criou uma página especial, chamada Crônicas de um Festival, com muitas imagens históricas, como a foto acima, de Hitchcock soltando seus pássaros, em 1963. Nesse site, na seção Fresque Interactive, podem ser vistos cinejornais de todas as edições de Cannes desde 1946. Para quem gosta dessa memória visual, dá para passar o dia vendo vídeos em que desfilam Sophia Loren, Buñuel, Fellini e muitas outras feras do cinema.

 

A seguir, uma reunião de ilustres no palácio do festival. Em 1983, Orson Welles anuncia prêmios para Robert Bresson e Andrei Tarkovsky. Belo encontro, não?

 

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Em tempo: a repórter da Ilustrada Silvana Arantes cobrirá o festival deste ano para a Folha e também mandará colaborações para este blog.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h55 AM

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O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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