Ilustrada no Cinema

 

 

Os filmes de Cannes começam a chegar

Os filmes de Cannes começam a chegar

 

 

Em 2005, Gus Van Sant exibiu no Festival de Cannes “Últimos Dias”, seu primeiro filme depois de receber a Palma de Ouro por “Elefante” (2003). Você viu “Últimos Dias” nos cinemas brasileiros? Pouquíssima gente viu, porque o filme só passou no Festival do Rio e nunca chegou ao circuito comercial.

 

Agora Van Sant voltou a Cannes com mais um filme, “Paranoid Park” (foto acima), vencedor do prêmio do 60º aniversário do festival. A boa nova é que desta vez a obra do diretor americano entrará em cartaz no país, provavelmente ainda em 2007, pois teve seus direitos de exibição comprados pela distribuidora Imovision.

 

“Paranoid Park” não é a única das produções de Cannes com distribuição acertada no Brasil. Encerrado o festival, começam a pipocar informações sobre quais títulos devem aportar nas salas nacionais. Ainda entre os filmes que concorreram à Palma neste ano, a própria Imovision comprou também “Do Outro Lado”, do alemão Fatih Akin, prêmio de melhor roteiro no festival.

 

E não pára por aí. A Europa trará “My Blueberry Nights” (trailer abaixo), a estréia de Wong Kar-wai nos EUA, “À Prova de Morte”, o filme de Quentin Tarantino dentro de “Grindhouse”, “Persépolis”,  a animação de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud que levou o prêmio especial do júri, e “Le Scaphandre et le Papillon”, de Julian Schnabel, Palma de melhor diretor.

 

Também têm distribuição acertada no Brasil “Breath”, de Kim Ki-duk (Pandora), “No Country for Old Men”, dos irmãos Coen (UIP), “We Own the Night”, de James Gray (Califórnia), e “Zodíaco”, de David Fincher (Warner). Este último, que já havia estreado nos EUA antes de Cannes, chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira e vale o ingresso.

 

Há ainda outros filmes que passaram pela Croisette, mas fora da competição oficial. Casos de “A Mighty Heart”, de Michael Winterbottom, “And Along Come Tourists”, filme alemão que passou na seção Um Certo Olhar, “Control”, cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis, e “13 Homens e um Novo Segredo”, a terceira parte da série com George Clooney e seus asseclas.

 

Bacana, não? Sem dúvida, mas este blog ainda não descobriu se alguém comprou os dois grandes vencedores de Cannes-2007. Aparentemente, a Palma de Ouro "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, do romeno Cristian Mungiu, e o Grande Prêmio "Mogari no Mori" (Floresta de Mogari), da japonesa Naomi Kawase, ainda não têm distribuidor por aqui.

 

Escrito por Leonardo Cruz, Lúcia Valentim Rodrigues e Silvana Arantes

Escrito por Leonardo Cruz às 9h32 AM

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O elenco de Cegueira

O elenco de Cegueira

 

 

Depois de muita especulação, saíram mais alguns nomes do elenco de "Blindness", o próximo projeto internacional de Fernando Meirelles. A versão para o cinema de "Ensaio sobre a Cegueira" terá Danny Glover, Gael García Bernal e Alice Braga, além de Julianne Moore, que já havia confirmado sua presença durante o Festival de Cannes.

 

Na história de José Saramago, Moore deve ficar com o papel da mulher do médico, a única capaz de enxergar em meio à epidemia de cegueira que atinge uma cidade. E os outros três atores? Alguns palpites (e, ao menos por enquanto, apenas palpites):

 

Danny Glover parece um bom nome para interpretar o velho com a venda, um dos primeiros a ficar cego e um dos personagens principais da trama do escritor português.

 

A brasileira Alice Braga poderia ser "a rapariga de óculos escuros", prostituta que também logo sucumbe à "brancura insondável" que atinge as vítimas da peste.

 

E o mexicano Gael García Bernal? O oftalmologista? Gael parece um pouco jovem demais para o papel do médico, o marido de Julianne Moore. É evidente que, na adaptação ao cinema, tudo pode mudar, mas, no original, o casal já está na meia-idade.

 

Se não o médico, que outro papel caberia a Gael? Uma boa opção é o ladrão, o homem que rouba o carro da primeira vítima da cegueira e também é um dos protagonistas da trama.

 

E Daniel Craig? Cujo nome chegou a ser confirmado no elenco pela "Hollywood Reporter", mas depois desmentido por Fernando Meirelles? Por enquanto, continuará sendo "apenas" James Bond.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h51 PM

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Tim Burton e seus novos projetos

Tim Burton e seus novos projetos

 

Trombei outro dia no YouTube, quase por acaso, com “Vincent”, um dos primeiros filmes de Tim Burton. Perdão aos leitores que já conhecem este curta-metragem em animação, mas para mim foi uma bela descoberta e mais uma confirmação de que Burton é um dos poucos cineastas do mundo hoje capazes de criar fábulas com elementos de horror e fantasia, sem perder a inteligência e o senso crítico.

 

“Vincent”, de 1982, apresenta o garoto Vincent Malloy, que aos sete anos sonha em se tornar o ator Vincent Price, famoso por estrelar filmes de terror dos anos 60 e 70, como “O Abominável Dr. Phibes”. A trama é contada por meio de um poema, escrito por Burton e narrado por Price, que morreria 11 anos depois.

 

A novidade desta história toda é que “Vincent” voltará às telas nos EUA até o final deste ano, dentro do projeto em 3D digital de Tim Burton. A Disney lançou nos cinemas no ano passado uma versão em três dimensões de “O Estranho Mundo de Jack”. A versão 3D do longa será exibida novamente em outubro, e o curta “Vincent”, também adaptado ao formato, abrirá as sessões. Não há previsão de exibição do pacote no Brasil, que, salvo engano, tem apenas uma sala adaptada ao sistema 3D digital, no Shopping Eldorado, em São Paulo.

 

Ainda sobre Tim Burton, o cineasta conclui em Londres as gravações de “Sweeney Todd”, o primeiro musical de sua carreira. Para contar a história do barbeiro inglês que é serial killer nas horas vagas, o cineasta terá novamente Johnny Depp como o protagonista, e sua mulher Helena Bohan Carter, como a cúmplice do assassino. Sacha “Borat” Baron Cohen também está no elenco.

 

O filme deve ter sua estréia mundial no fim de agosto, no próximo Festival de Veneza, onde Burton receberá um prêmio especial pelo conjunto da carreira. “Sweeney Todd” deve desembarcar em terras brasucas em 18 de janeiro de 2008.

 

Enquanto o novo Tim Burton não vem, vale conferir (ou rever) “Vincent”, em 2D mesmo e legendado em português por Thales Mion. Como se vê a seguir, Burton já tinha, no início da carreira, o senso de humor sinistro (e irônico) que domina seus filmes atuais. 

 

Escrito por Leonardo Cruz às 8h26 AM

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Cannes premia filme inacabado de cineasta morto

Cannes premia filme inacabado de cineasta morto

 

O romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (foto), de Cristian Mungiu, foi eleito pelo júri da crítica como o melhor filme da competição oficial do Festival de Cannes. O longa é ambientado nos anos 80, quando o aborto estava proibido na Romênia sob a ditadura Nicolau Ceaucescu.

Com a ajuda de uma amiga (na verdade, a protagonista do filme), uma jovem estudante procura um “especialista” para interromper sua gravidez. Os perigos e dificuldades impostos pela clandestinidade do ato e a falta de escrúpulos do sujeito que, em tese, iria ajudá-las transformam a jornada numa saga muito, mas muito penosa. Mungiu acompanha essa trajetória com uma câmera documental, invariavelmente cúmplice de sua grande atriz, Anamaria Marinca.

A Palma de Ouro, atribuída pelo júri oficial do Festival de Cannes, só sai amanhã. Se Mungiu vencer, ela será dada a um cineasta romeno de 39 anos, em seu terceiro filme.


A mostra Um Certo Olhar, seção oficial do Festival de Cannes na qual competia a co-produção Brasil-Uruguai “El Baño del Papa”, de Cesar Charlone e Enrique Fernandez, foi encerrada agora há pouco, com a vitória de outro romeno, “California Dreamin’”, de Cristian Nemescu.


“California Dreamin’” é um filme inconcluído. Nemescu o estava montando em 2006, quando sofreu um acidente de carro fatal. Ele tinha 26 anos e esse era seu primeiro longa, para o qual havia escrito o roteiro, a partir de um fato real.


Um destacamento do exército americano enviado pela Otan viaja de trem pelo interior da Romênia, com um carregamento de armas, a ser usado na guerra do Kosovo, em 1999, mas é retido numa pequena cidade, pelo chefe da ferroviária, a autoridade local, já que não há um documento formal do governo romeno autorizando a operação. A presença dos americanos na cidade altera sua rotina e o curso da vida de alguns moradores.


Antes de anunciar o vencedor, a cineasta francesa Pascale Ferran, que presidiu o júri da mostra Um Certo Olhar, disse que queria dar uma explicação, para “dissipar possíveis mal-entendidos”. Isso porque o júri havia decidido, em sua primeira reunião, não avaliar “California Dreamin’”, em respeito ao fato de que seu autor não pode terminar a obra.


Depois da morte de Nemescu, o montador do filme continua sozinho com a tarefa, na qual ainda não pôs um ponto final. A versão que existe hoje é uma espécie de rascunho do filme que Nemescu concebeu.


Pascale observou que, sobretudo na segunda parte, é notorio que a montagem está aquém do que poderia ser, mas disse que o júri reviu sua decisão de não julgar “California Dreamin’” quando o assistiu hoje (foi o último candidato a ser apresentado), porque achou que o filme “no seu estado atual, único que pode ser julgado” é “de longe, a proposta de cinema mais viva e livre” vista na competição e com “a maior amplitude de olhar”.

Na Quinzena dos Realizadores, seção paralela ao festival, o vencedor foi “Control”, de Anton Corbjin, sobre o vocalista do Joy Division, Ian Curtis, um hit também de público.

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 4h11 PM

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48 horas e uma pergunta

48 horas e uma pergunta

 

A 48 horas da entrega da Palma de Ouro, o Festival de Cannes se assemelha a uma imensa bolsa de apostas sobre quem vai ganhar. É sempre assim. Mas, neste aniversário de 60 anos _que deu um ar de acontecimento histórico a toda a edição_ a curiosidade parece ser ainda maior, e as suposições sobre os critérios do júri, mais intrigantes.

Será que o Nobel de literatura turco Ohran Pamuk, integrante do júri, converteu-se num árduo defensor de Fatih Akin, o alemão de origem turca que compete com "Auf Der Anderen Seite"? Será que a atriz chinesa Maggie Cheung moverá seus hashis para defender "My Blueberry Nights", de Wong Kar-wai? Ou será que as toneladas de cenas que ela filmou e ele cortou na montagem final de "2046" irão desestimulá-la dessa empreitada?

Nas últimas horas, uma outra dúvida surgiu: será mesmo verdade que o presidente do júri, Stephen Frears, aplaudiu de pé e com lágrimas, durante 25 minutos, a animação "Persepolis", em sua sessão de gala?

A "noticia", ou melhor, o diz-que-me-diz está no blog do jornalista do "Le Monde", Thomas Sotinel. Marjane Satrapi, autora da HQ que originou o longa, do qual é co-autora com Vincent Paronnaud, é ilustradora do "Le Monde". Natural, portanto, que o jornal se interesse e até torça discretamente pelo filme.

Torcida à parte, é fato que "Persepolis" é mesmo lindo e tem uma protagonista adorável quando criança, às voltas com os sofrimentos que a revolução islâmica traz à sua família, e comovente quando adulta, lidando com sua bagagem multicultural.

Uma questão puxa a outra: se Frears de fato gostou tanto de "Persepolis", ele reservará a ele ou Prêmio Especial do Júri. Ou terá a ousadia suprema de conceder a 60 Palma de Ouro a uma animação? A onda de boatos muda a cada minuto. E, às vezes, até os que chegam das fontes mais confiáveis são puros tiros n'água. O crítico americano Roger Ebert já contou em seu blog que, no ano passado, uma excelente fonte francesa o "informou" que "O Labirinto do Fauno", de Guillermo Del Toro, último candidato a ser apresentado na competição, seria o elemento-surpresa da premiação. Como se sabe, Ken Loach venceu a Palma, com "Ventos da Liberdade", e "O Labirinto do Fauno" não levou nada.

 

Moral da história: aqui também a partida só termina quando o juiz apita. Nas seções paralelas, os resultados já despontam. E a Argentina bateu o Brasil. Leia no post abaixo.

 

*

 

A seguir, o trailer de "Persepolis", que estréia na França no final de junho. A distribuidora Europa comprou os direitos de exibição no Brasil, mas não há uma de estréia definida.

 

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 4h41 PM

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Em Cannes, Argentina 4 x 1 Brasil

Em Cannes, Argentina 4 x 1 Brasil

 

As seções paralelas do Festival de Cannes começaram hoje a maratona de premiações. E os argentinos arrasaram na Semana da Crítica. "XXY", de Lucía Puenzo, levou três dos seis prêmios reservados aos longas _o Grande Prêmio da Semana da Crítica, o Prêmio de Suporte ACID/CCAS (as siglas são de duas associações de classe do cinema francês) e o Prêmio Olhar Jovem. O curta brasileiro "Um Ramo", de Juliana Rojas e Marco Dutra, recebeu o Prêmio Descoberta Kodak. Os cineastas e a produtora Sara Silveira foram ao palco e agradeceram. "Obrigara, porque, com esse prêmio, vamos poder fazer outro filme", disse Juliana. O prêmio consiste na oferta de 3.000 euros em película da Kodak.


"XXY" (foto acima) é sobre uma adolescente hermafrodita cuja família se muda para uma cidade na fronteira com o Uruguai, onde ela se torna motivo de especulação e preconceito. O pai da garota é vivido pelo astro argentino Ricardo Darín ("O Filho da Noiva", "Nove Rainhas"). Este é o primeiro longa de Lucía, filha do cineasta Luis Puenzo, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro com "A História Oficial".


Produtor do filme da filha, Puenzo foi ao palco no anúncio do Grande Prêmio e se disse "orgulhoso do filme e de Lucía". Como era a terceira vez na mesma noite que recebia um troféu por seu filme, Lucía ficou sem palavras: "Não sei mais como agradecer. Acho que vou procurar um canto pra chorar".


Foi também um argentino, "Ahora Todos Parecen Contentos", de Gonzalo Tobal, o vencedor da competição de curtas de estudantes de cinema da Cinéfondation _entidade oficial do Festival de Cannes. O longa brasileiro "A Via Láctea", de Lina Chamie, que estava na Semana da Crítica, saiu sem prêmios. Até agora, está 4 X 1 para a Argentina.

 

Mas a premiação da Quinzena dos Realizadores, onde "Mutum", de Sandra Kogut, teve sessões consagradoras, sai amanhã. Kogut e Puenzo disputam (com outros 31 diretores, incluindo Marjane Satrapi, de "Persepolis") a Caméra d'Or, o prêmio dado ao autor do melhor primeiro longa de ficção, que neste ano será entregue por ninguém menos que Martin Scorsese.

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 4h38 PM

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Piratas e Aranha dominam 68% das salas de SP

Piratas e Aranha dominam 68% das salas de SP

 

Numa entrevista publicada pela Ilustrada no último domingo, o cineasta Walter Salles ressaltou a importância de festivais de cinema como contraponto “num mundo em que cada vez menos filmes ocupam um número cada vez maior de salas”. A estréia hoje de “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo” confirma de forma impressionante a frase do diretor brasileiro. É só fazer as contas; acompanhe comigo.

 

O circuito de cinema da Grande São Paulo possui 362 salas em funcionamento, segundo o levantamento semanal do Guia da Folha. Desse total, o novo “Piratas do Caribe” (foto acima) e o outro blockbuster em cartaz, “Homem-Aranha 3”, são exibidos em 247 salas _o primeiro está em cartaz em 139, e o segundo, em 109 (em um caso, os dois filmes dividem a mesma sala). Ou seja, se você sair de casa hoje à noite, sem se programar, e escolher um cinema ao acaso, você tem 68,2% de chance de ir parar numa sessão com o capitão Jack Sparrow ou com Peter Parker.

 

O massacre acontece mesmo nos shoppings: das 244 salas, a dupla é exibida em 177 (72,5%). Em alguns cinemas, esse percentual chega aos 100%, como no Shopping Penha, que tem oito salas: cinco passam “Piratas”, e três, “Aranha”. No Shopping Santa Cruz, o domínio é de 10 das 11 salas _só sobra uma, a menor do complexo, na qual três outros filmes se revezam.

 

A presença desses dois filmes só não é mais intensa graças ao chamado circuito de “cinemas de arte” de São Paulo. Sempre de acordo com a divisão do Guia da Folha, a cidade tem 14 cineclubes e salas especiais, dos quais Johnny Depp e Tobey Maguire passam longe.  Na região da av. Paulista, dos Jardins e do Itaim, que também abriga cinemas de perfil menos comercial, “Piratas” e “Aranha” estão em 7 das 34 salas, “só” 20,6%.

 

Se em São Paulo, que tem esse bom circuito alternativo, os dois blockbusters controlam 68,2% das salas, a variedade de filmes em cartaz tende a ser mais reduzida nas demais cidades. E é possível que esse percentual ainda aumente um pouco daqui a três semanas, quando “Shrek Terceiro” chega ao Brasil.

 

Para quem já viu ou quer distância de “Homem-Aranha 3” e “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo”, aqui vai a lista dos cinemas da Grande SP que NÃO exibem a dobradinha: Cine Bombril, Espaço Unibanco, Gemini, HSBC Belas Artes, Lumière, Reserva Cultural, Sala UOL, Center Norte Haway, Lar Center, Raposo Shopping, Cine Center Ribeirão Pires e mais os 14 cineclubes e salas especiais.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h48 AM

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A Palma de Ouro passou hoje?

A Palma de Ouro passou hoje?

Avisam as estatísticas que a maioria dos filmes vencedores da Palma de Ouro foi exibida na competição na quinta-feira anterior ao encerramento. Se a tendência se confirmar nesta 60a. edição do Festival de Cannes, o vencedor será "Secret Sunshine", do sul-coreano Lee Chang-dong, ou  "Alexandra", do russo Alexander Sokurov, já que ambos têm suas sessões de gala nesta noite em Cannes.

 

Os dois títulos já foram exibidos para a imprensa e uma coisa precisa ser dita: ou a coreana Jeon Do-yeon já é a dona antecipada do prêmio de melhor atriz ou o festival cometerá uma injustiça nessa categoria. É fato que existem outras fortes candidatas, como Galina Vishveskaya, a Alexandra de Sokurov, e Anamaria Marinca, protagonista do romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias".

Mas Jeon Do-yeon (na foto acima, em cena do filme) estabelece um parâmetro espantoso de qualidade interpretativa, para uma personagem (Lee Shin-ae) que sofre como poucas na historia do cinema. Depois de perder o marido num acidente de carro, Shin-ae decide se mudar com o filho pequeno de Seul para a cidade do interior onde o pai do garoto havia nascido e pretendia voltar. A "luz secreta" do titulo e o nome da cidade.


A chegada da forasteira aparentemente endinheirada desencadeia uma reação de cobiça e crueldade, responsável por outra tragédia na vida de Shin-ae. Em suma, Jeon Do-yeon passa o filme lidando com sentimentos que, segundo ela afirmou hoje aqui em Cannes, nunca sentiu nem sequer imaginou, antes de fazer o filme.

Lee Chang-Dong contou que está orgulhoso de ter seu filme na disputa, o que é um sentimento estranho para ele. A razão: "Sempre detestei competições, desde a escola. Tinha tanto medo de não ganhar, que preferia não concorrer."

"Secret Sunshine" tem um apoio (ou uma torcida) de peso. É o filme preferido de Pierre Rissient, que aconselhou os mais influentes jornalistas franceses a prestarem atenção no candidato sul-coreano. Pierre quem? Ele é "a personalidade mais desconhecida e mais influente do cinema internacional", segundo o Festival de Cannes, que exibiu nesta edição o documentário "Pierre Rissient - Homem de Cinema", dirigido pelo norte-americano Todd McCarthy.

 

Ainda segundo o perfil que o festival lhe dedica, Rissient foi assistente de Godard em "Acossado",  descobridor para Cannes de Clint Eastwood e Jane Campion, além de muitos outros. "Figura-chave dos bastidores de Cannes durante mais de 40 anos, ele é também a única pessoa que circula pelo Palácio dos Festivais, a qualquer hora, vestindo camiseta." Os demais mortais, nas sessões noturnas de gala, só conseguem entrar no palácio se estiverem de smoking.

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 4h11 PM

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Nanni Moretti é fã de Stallone

No filme coletivo "Chacun Son Cinéma" (o cinema de cada um), reunião de curtas sobre o cinema assinados por diretores famosos e feito por encomenda para comemorar o 60o. aniversário do Festival de Cannes, um dos episódios mais divertidos é o do italiano Nanni Moretti. Chama-se "Diário de um Espectador" e consiste em uma série de tomadas de Moretti em diversos cinemas de Roma, contando suas memórias relacionadas a esses lugares.

Ele fala de quando o filho de dois anos deu um escândalo na sala porque queria a mãe, que estava em casa; de como ficou em dúvida se contava ou não ao filho (mais crescidinho, com sete anos) que "papai faz uns filmes um pouco diferentes" de "Matrix 2", cujo trailer deixou o garoto alucinado; conta da paixão pelo dedo do pé de certa atriz e assim por diante.

Até que chega a janeiro de 2007, quando vai ver "Rocky Balboa" (sim, o sexto episódio da saga de "Rocky, o Lutador"). Moretti faz aí essa revelação: "Quando ele subiu aquela escadaria em disparada, com a música ao fundo [ele canta o tema de Rocky!], fui o primeiro a aplaudir!".

O cartaz _na verdade, o formato é de cartão, afinal, trata-se de um curta_ de "Diário de um Espectador" traz uma foto de Moretti sentado de costas para uma tela de cinema, acompanhada de um depoimento dele sobre o filme. "Uns poucos cinemas onde vi uns poucos filmes. Hoje, algumas salas estão mais feias; algumas, mais bonitas, e outras foram transformadas em coisas totalmente diferentes. Meu jeito de ver filmes deve ter mudado, mas, felizmente, eu ainda tenho a mesma curiosidade em ver os filmes dos outros".

Além do episódio de Moretti, há outros em "Chacun Son Cinéma" divertidos e irônicos, como os de Walter Salles (a dupla Castanha e Caju faz uma embolada sobre Cannes), Roman Polanski (um casal que assiste a um título erótico da série "Emmanuelle" se sente incomodado pelos gemidos de outro espectador), Ethan e Joel Coen (sobre um "homem rude" que vai a um "cinema cabeça") e Ken Loach (pai e filho embaçam a fila de um cinema de perfil comercial, tentando escolher um filme, até que desistem e vão ao estádio de futebol).

Já Lars Von Trier sobe o tom para o "filme de horror" e realiza o sonho secreto de cinéfilos que não suportam quem conversa no cinema _com um martelo, simplesmente mata o sujeito falante ao seu lado. Mas não é bom espalhar muito essa idéia por aí. 

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 11h07 AM

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As más lembranças de Deneuve

As más lembranças de Deneuve 

 

Duas das mais aguardadas estréias de Cannes não estão na competição oficial pela Palma de Ouro, mas na paralela Quinzena dos Realizadores. Envolvem as divas do cinema francês Catherine Deneuve e Sandrine Bonnaire e têm em comum uma íntima relação dos filmes com suas biografias.


Para ver Deneuve, a espera chegou ao fim hoje, com a estréia de "Après Lui" (depois dele), de Gaël Morel, que ela protagoniza, como a mãe de um garoto morto num acidente de trânsito. Após o desastre, ela se aproxima cada vez mais do amigo do filho, que dirigia o carro no momento da batida.

 
A relação dos dois será pontuada por afeto, mágoa, tentativas de manipulação e desejo sexual. Numa cena simbólica do filme, Deneuve põe fogo na árvore contra a qual bateu o carro em que seu filho morreu.


O paralelo de "Après Lui" (foto acima) com a vida particular de Deneuve está no fato de que uma de suas irmãs, Françoise Dorléac, morreu num acidente de automóvel. Considerada da França como o próprio sinônimo da classe e da elegância, Deneuve declarou a respeito de seu papel no filme: "Não gosto de misturar na ficção o lado pessoal ou íntimo. Desconfio, sobretudo, da indecência disso. Mas, ou a gente teme a dor que as filmagens irão suscitar, ou a gente torce para exorcizar [com elas] as idéias ruins e as más lembranças. Tomei minha decisão [de fazer o filme], esperando que tenha sido a melhor".


Já Sandrine Bonnaire participa da Quinzena dos Realizadores como diretora. Ela apresenta, na próxima quinta, "Elle s'Appelle Sabine" (ela se chama Sabine). Trata-se de um diário filmado (nos últimos 25 anos) sobre sua irmã mais nova. Sabine é autista e tem hoje 38 anos. A imprensa francesa, que ama Sandrine desde que ela foi revelada por Maurice Pialat, em 1983, em "À Nos Amours" (aos nossos amores), não viu "Elle s'Appelle Sabine", mas já adorou a atitude de sua diretora de fazer e sobretudo mostrar esse filme.

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 1h54 PM

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Julianne Moore confirma: estrelará Cegueira

 

Fernando Meirelles diz que o contrato não está assinado, mas o material de divulgação oficial do filme "Savage Grace" (foto), que a atriz Julianne Moore estrela na Quinzena dos Realizadores em Cannes diz o seguinte, no perfil dedicado à moça:

"Graças à extensão de seu repertório, Julianne Moore se destacou tanto em grandes produções quanto em filmes independentes. Ela filmará em breve 'Cegueira', de Fernando Meirelles, adaptação do romance homônimo [na verdade, "Ensaio Sobre a Cegueira"] de José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura".

"Savage Grace", de Tom Kalin, baseado no romance homônimo (de novo!) de Natalie Robins e Steven ML Aronson, fez furor há pouco na Croisette. Na verdade, a presença de Moore levou um batalhão de jornalistas e fotógrafos ao razoavelmente pequeno espaço dedicado às entrevistas coletivas da Quinzena dos Realizadores.

E Julianne Moore não teve dúvida: confirmou a todos que fará o filme de Meirelles e não poupou elogios ao cineasta brasileiro.

 

*

Fernando Meirelles também virá a Cannes, para a sessão oficial na mostra Um Certo Olhar de " El Baño del Papa", dirigido por Cesar Charlone (que fotografará "Cegueira") e Enrique Fernandez e do qual a O2, de Meirelles, é co-produtora.

 

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Daniel Craig, apontado pelo IMDB como certo no elenco de "Cegueira", é outro que freqüenta a Croisette, para divulgar o filme "The Golden Compass", em que ele contracena com Nicole Kidman, que não veio, porque está filmando na Austrália o longa homônimo (ei, de novo!) de Baz Lurhmann.

E por fim: Julianne Moore é perfeita para o papel da mulher do médico, que é, de fato, a protagonista de "Ensaio sobre a Cegueira".

Escrito por Silvana Arantes (em Cannes) às 2h52 PM

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O cinema coreano atual (parte 1)

O cinema coreano atual (parte 1)

O que você conhece sobre o cinema sul-coreano atual? Se depender do circuito exibidor brasileiro, pouca coisa. Nos últimos anos, entraram em cartaz no país apenas os filmes de Kim Ki-duk e Park Chan-wook. Alguns diretores fundamentais no novo cinema coreano, que estréiam seus filmes nos principais festivais do mundo, permanecem desconhecidos das salas brasileiras. Esse déficit diminui um pouco hoje com a estréia de "O Hospedeiro", terror nada convencional de Bong Joon-ho, cujo "Memórias de um Assassino" havia saído aqui direto em DVD.

A seguir, o crítico da Ilustrada Cássio Starling Carlos apresenta, em duas partes, um dicionário básico dos principais cineastas sul-coreanos em atividade. São oito nomes, peças-chave para entender por que Europa e EUA têm voltados seus olhos para o cinema desse país. E como assisti-los? Ao menos por enquanto, apenas importando DVDs ou recorrendo aos E-mules da vida.

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O cinema coreano atual (parte 1)

por Cássio Starling Carlos

Bonh Joon-ho - Retoma o filme de gênero com uma interpretação em que mistura ironia política e sátira social.

Filmografia: "Barking Dogs Never Bite" (2000), "Memórias de um Assassino" (2003, disponível em DVD, foto acima) e "O Hospedeiro" (2006)

 

 

Hong Sang-soo - O mais francês dos cineastas coreanos, enfoca a crise dos relacionamentos a partir de situações ordinárias com um cinema sem efeitos, calcado na observação dos afetos e em sua dissolução.

Filmografia: "The Day a Pig Fell Into the Well" (1996), "The Power of Kangwon Province" (1998), "Virgin Stripped Bare by her Bachelors" (2000), "Turning Gate" (2002), "Woman Is The Future of Men" (2004), "Tale of Cinema" (2005), "Woman on the Beach" (2006, foto acima)

 

Im Kwon-taek - Com uma estética mais próxima do formato clássico, esse veterano diretor, capaz de executar tarefas que percorrem todos os gêneros em uma filmografia já na casa da centena de títulos, busca na história da Coréia o manancial para seus retratos de indivíduos e suas rebeldias pela sobrevivência.

Filmografia selecionada: "Adada" (1987), "Sopyonje" (1993), "As Montanhas de Taebaek" (1995), "Chunhyang – Amor Proibido" (2000, disponível em DVD), "Pinceladas de Fogo" (2002), "Low Life" (2004, foto acima)

 

 

 

Im Sang-soo - Outro cineasta que aprofunda as possibilidades do filme de gênero, como o thriller policial e o melodrama familiar, em interpretações pessoas e estilisticamente impecáveis.

Filmografia: "Girl’s Night Out" (1998), "Tears" (2000), "Uma Mulher Coreana" (2003), "A Última Transa do Presidente" (2005, foto acima), "The Old Garden" (2006)

Escrito por Leonardo Cruz às 8h02 AM

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O cinema coreano atual (parte 2)

O cinema coreano atual (parte 2)

por Cássio Starling Carlos

 

 

Jang Sun-woo - Um “provocador inspirado” segundo os “Cahiers du Cinéma”, saiu do ativismo político para realizar filmes marcados pela ruptura formal, o pessimismo dos temas e um tratamento cru e ousado do erotismo.

Filmografia: "The Emperor of Seoul" (1986), "The Age of Success" (1988), "Lovers in Woomuk-Baemi" (1990), "The Road to the Racetrack" (1991), "Passage to Buddha" (1993), "To You, from Me" (1994), "A Petal" (1996), "Indian Fetish Cult" (1997), "Bad Movie" (1998), "Mentiras" (1999), "Resurrection of the Little Match Girl" (2002, foto acima)

 

 

 

Kim Ki-duk - O mais difundido e menos interessante dos cineastas coreanos. Com seus tiques de cinema de arte, mistura pseudo-existencialismo e releituras de temas tradicionais em obras que não raro recaem no óbvio, no gratuito ou no exotismo poético.

Filmografia mais recente: "A Ilha" (2000), "Endereço Desconhecido" (2001), "Bad Guy" (2001), "The Coast Guard" (2002), "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" (2003), "Samaritan Girl" (2004), "Casa Vazia" (2004), "O Arco" (2004), "Time" (2006, foto acima), "Breath" (2007)

 

 

 

Lee Chang-dong - Com um afiado olhar, o diretor retratou com rigor as transformações políticas em seu país e depois partiu, no premiado “Oasis”, para uma poesia vigorosa de uma história de amor entre dois excluídos. Seu mais recente filme, Secret Sunshine, estréia na próxima semana no Festival de Cannes.

Filmografia: "To the Starry Island" (1993), "A Single Spark" (1995), "Green Fish" (1997), "Peppermint Candy" (2000), "Oasis" (2002, foto acima), "Secret Sunshine" (2007)

 

 

 

 

Park Chan-wook - Elogiado por suas imagens ultraestilizadas, é também um dos diretores coreanos com maior difusão no Brasil e dos menos interessantes. Obcecado pelo tema da vingança, faz dele o motivo para orquestrar provocações visuais à Tarantino. Chama muita atenção, mas fascina pouco.

Filmografia: "Moon Is the Sun’s Dream" (1992), "Saminjo" (1997), "Zona de Risco" (2000, disponível em DVD), "Sympathy for Mr. Vengeance" (2002), "If You Were Me" (2003), "Oldboy" (2003, disponível em DVD), "Lady Vingança" (2005), "I’m a Cyborg, But That’s OK" (2007, foto acima)

Escrito por Leonardo Cruz às 8h00 AM

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Os novos projetos do pai do Hospedeiro

Os novos projetos do pai do Hospedeiro

 

O sucesso mundial de "O Hospedeiro" (foto) rendeu bons frutos ao diretor Bong Joon-ho. Depois dos muitos elogios da crítica ao seu ótimo filme de monstro, Bong engatou dois projetos internacionais, em parcerias de alto nível.

 

O primeiro é "Tóquio", filme em três episódios independentes ambientados na capital japonesa. Bong dirigirá uma das partes _as outras duas ficarão nas mãos dos franceses Leos Carax, diretor de "Os Amantes de Ponte Neuf" (1991), e Michel Gondry, um dos mais criativos cineastas da atualidade, autor de "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (2004) e "A Ciência do Sono" (2006, inédito no Brasil).

 

 

O segundo é "La Transperceneige", adaptação para o cinema de uma história em quadrinhos futurista. Criada pelos franceses Jacques Lob e Jean-Marc Rochette, a HQ tem como pano de fundo uma nova Era do Gelo, na qual um trem é o único abrigo para os seres humanos. Nele, convivem sobreviventes de todas as culturas e classes sociais do planeta. Bong deve dirigir a empreitada, e a produção será de outro coreano ilustre: Park Chan-wook, diretor de "Old Boy" e de "Lady Vingança", atualmente em cartaz em São Paulo.

 

Sobre "La Transperceneige", Bong disse em entrevista à Folha que será "um filme internacional, falado em inglês e co-produzido por vários países". O filme deve ser rodado ainda neste ano e tem estréia prevista para 2008.

 

A íntegra da entrevista de Bong Joon-ho a este blogueiro está na versão impressa da Ilustrada desta sexta-feira, que destaca a estréia no Brasil de "O Hospedeiro" (leia aqui, para assinantes UOL ou Folha). A seguir, o trailer do filme, que entra em cartaz em São Paulo, Rio e Brasília.

 

 

*

Mantendo a Coréia em pauta, o crítico da Ilustrada Cássio Starling Carlos apresenta nesta sexta, aqui no blog, um glossário dos principais diretores sul-coreanos da atualidade, de filmes tão interessantes como pouco difundidos no Brasil.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h04 PM

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Até lotação do Rio exibe o Aranha

Até lotação do Rio exibe o Aranha

 

Ao que tudo indica, "Homem-Aranha 3" não está batendo recordes apenas nas bilheterias dos cinemas. O filme, que já fez oficialmente 3,7 milhões de espectadores no país, também virou hit no mercado pirata. Em São Paulo, está disponível nos principais "fornecedores alternativos". No Rio, entrou em cartaz até em lotação, como relata o boletim eletrônico desta semana do site Filme B (aqui, para assinantes). O que diz o informativo:

 

"Homem-Aranha 3" inflacionou o mercado de DVDs piratas no Centro do Rio. O DVD do filme, anunciado pelo camelô "em versão dublada, e testando na hora, para não ter problema mais tarde", está sendo vendido a R$ 8,99, quando o preço normal de um piratão é R$ 4,99.

*

A versão pirata de "Homem-Aranha 3" está sendo exibida até mesmo nos transportes alternativos do Rio, muitos já equipados com aparelhos de DVD. Semana passada, o filme se tornou o grande diferencial de uma van Centro-Jacarepaguá. Quinze passageiros assistiram a mais da metade do filme, mas como o trajeto terminou antes do fim, eles receberam a garantia de que assistiriam ao fim da história se tomassem a mesma van na manhã do dia seguinte.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h44 AM

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Filmes, números e histórias de Cannes

Filmes, números e histórias de Cannes

 

 

Uma história curiosa, extraída de “1.000 Films to Change your Life”, reflete bem o espírito do Festival de Cannes, o mais importante evento de cinema do mundo, cuja 60ª edição começa amanhã na Riviera francesa.

 

Em 1993, o diretor inglês Mike Leigh ia pela primeira vez a Cannes para apresentar um filme seu, “Naked”, que naquele ano receberia duas Palmas, a de melhor diretor e a de melhor ator (para o protagonista David Thewlis).

 

Ao chegar de limosine para a sessão oficial do filme, Leigh e sua equipe foram gentilmente colocados de lado pela organização do festival para que Arnold Schwarzenegger percorresse primeiro o tapete vermelho do Grand Palais. O diretor abriu espaço para o ator, surpreso e feliz por saber que Arnie veria seu filme. A surpresa de Leigh foi ainda maior pouco depois, ao ver o exterminador deixar o palácio do festival, por uma porta lateral, logo após ser fotografado. Ao menos naquela noite, Schwarzenegger não viu “Naked”.

 

Essa anedota verídica simboliza os contrastes de um festival concebido em 1939 para rivalizar com o de Veneza, então dominado pelos ideais fascistas, mas que, justamente por causa da guerra, só teve sua primeira edição realizada em 1946.

 

A seguir, alguns números desse gigante do cinema, que cresce a cada ano:

  • Cerca de 1.000 longas serão apresentados neste ano em Cannes _foram 510 em 1994. Esse salto de projeções não ocorreu nas seleções oficiais, que mantêm um número fixo de competidores, mas no Mercado do Filme, braço comercial do festival e palco mundial para compra e venda de produções. 
  • 3.502 jornalistas cobriram o festival em 2006 _40 anos antes, eram apenas 700. Profissionais de imprensa de cerca de 80 países estiveram em Cannes no ano passado.
  • 22.858 profissionais do cinema foram credenciados para trabalhar em Cannes no ano passado, incluindo 5.692 produtores, 4.749 distribuidores e 1.237 diretores. 
  • 20 milhões de euros é o custo anual, bancado pelo governo francês e por parceiros privados.

Para quem quer curtir um pouco mais o clima da Riviera, mesmo que a um Atlântico de distância, duas indicações. O site oficial do festival traz esses números listados acima e muitas outras informações e curiosidades, como dados sobre os filmes em competição, sobre o júri e um guia sobre a cidade.

 

Já o Instituto Nacional do Audiovisual francês criou uma página especial, chamada Crônicas de um Festival, com muitas imagens históricas, como a foto acima, de Hitchcock soltando seus pássaros, em 1963. Nesse site, na seção Fresque Interactive, podem ser vistos cinejornais de todas as edições de Cannes desde 1946. Para quem gosta dessa memória visual, dá para passar o dia vendo vídeos em que desfilam Sophia Loren, Buñuel, Fellini e muitas outras feras do cinema.

 

A seguir, uma reunião de ilustres no palácio do festival. Em 1983, Orson Welles anuncia prêmios para Robert Bresson e Andrei Tarkovsky. Belo encontro, não?

 

*

Em tempo: a repórter da Ilustrada Silvana Arantes cobrirá o festival deste ano para a Folha e também mandará colaborações para este blog.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h55 AM

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Em João Pessoa, o cinema só fala português

Em João Pessoa, o cinema só fala português

A seguir, o crítico da Ilustrada Cássio Starling Carlos comenta a edição deste ano do Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, que movimenta João Pessoa nesta semana.

*

Longas filas, salas lotadas, espectadores disputando espaço até para assistir de pé e aplausos acalorados ao fim das sessões. Não. Não se trata da estréia de mais um blockbuster, mas o que se viu ao longo de toda a semana durante a 3a. edição do Cineport, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, em João Pessoa. O evento, que termina neste domingo, após o anúncio na noite de sábado dos premiados, passa a ter a capital paraibana como sua sede fixa no Brasil, em caráter bienal, enquanto nos anos pares permanece itinerante, em outro dos países lusófonos. A próxima edição, segundo sua coordenadora geral, Mônica Botelho, pode se realizar em Maputo, capital de Moçambique.

Ainda jovem, o festival, lançado há dois anos, em Cataguazes (MG), consolida seu formato como vitrine de trabalhos de realizadores brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos, caboverdeanos e guineenses. Com ingressos a R$ 1 (valor da entrada no espaço na Usina Cultural Saelpa), o público ganha acesso não só aos filmes exibidos em duas tendas, como também a exposições, espetáculos performáticos e shows. Mas seu diferencial encontra-se na comunidade audiovisual lusófona, que permite a interação entre produtores, diretores, roteiristas e atores em busca de fomento para seus projetos, muitos ainda em germe.

 

Tal condição é encarada com maior otimismo pelos convidados africanos. Donos de uma cinematografia minúscula, os angolanos, por exemplo, vêem no evento a chance de alcançar condições de maior autonomia em sua expressão audiovisual, ainda dependente quase exclusivamente do apoio de fundos europeus e norte-americanos. Miguel Hurst, diretor do Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimédia, aponta o Cineport como o “espaço que viabilizou e começa a consolidar uma estrutura que não só permite a exibição de trabalhos como estabelece a continuidade, com oficinas de formação e acordos de co-produção”.

 

Com ênfase no documental e no etnográfico, os filmes africanos exibidos em João Pessoa demonstram uma vocação para a construção de identidades, tanto no plano estético quanto nos temas. “Dançando na Corda Bamba” (foto acima), representante de Moçambique, acompanha a entrada de uma adolescente na vida sexual sob o impacto dos riscos da Aids. Sob as regras da tradição, que impõem a submissão feminina, o relato, dirigido pela inglesa Karen Boswall, confirma a vocação eminentemente política do audiovisual nestes países.

 

A Aids como metáfora de abusos de poder sobre as mulheres é também tema da ficção “O Sol do Outro Homem”, dirigido pelo moçambicano Sol de Carvalho, cujo tema forte, infelizmente não encontra soluções dramáticas além do caricatural. Muito mais estimulante foi a descoberta de “Desobediência”, de Licinio Azevedo. O diretor brasileiro, radicado em Moçambique, provoca um curto-circuito entre realidade e representação ao reencenar um ato de suicídio numa aldeia. Ao utilizar as próprias pessoas da família do morto como personagens-atores, Azevedo coloca o cinema numa encruzilhada entre fato e ficção, reveladora de ambos os lados.

 

A abolição das fronteiras também marca os trabalhos do angolano Zezé Gamboa, um dos homenageados do festival. Depois de um início de carreira no documentário, Gamboa alcançou com “O Herói” um retrato cru e exato das cicatrizes da guerra civil em seu país, através do olhar de um soldado que retorna a Luanda.

 

Em meio a revelações e decepções, espera-se que o Cineport avance rumo à maturidade criando espaço também para a reflexão. Na atual estrutura, o festival ressente-se da ausência de debates que permitam uma interação de idéias entre artistas e público que vá além da festa. Pois, se é louvável a iniciativa de dar visibilidade a uma enorme comunidade com base na língua, ainda falta estimular o questionamento dessa identidade no plano das imagens.

(Cássio Starling Carlos)

Escrito por Leonardo Cruz às 2h30 PM

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Fernando Meirelles ou Jean-Luc Godard?

Fernando Meirelles ou Jean-Luc Godard?

"Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, é melhor do que "Acossado", de Jean-Luc Godard? Sim, respondem os leitores do diário inglês "The Guardian". O jornal londrino fez uma enquete em seu site em que perguntava: Qual o melhor filme de todos os tempos não falado em inglês? O resultado foi publicado hoje, e o filme sobre o surgimento do tráfico em uma favela carioca ficou em quarto lugar, enquanto o clássico da nouvelle vague apareceu na sexta posição.

Mais de 2.500 pessoas enviaram seus votos, e cerca de 500 filmes foram citados. E quem ficou em primeiro? O bonitinho (mas ordinário) "Cinema Paradiso" (foto), do italiano Giuseppe Tornatore, seguido por "O Fabuloso Destino Amèlie Poulain", do francês Jean-Pierre Jeunet, e os "Sete Samurais", do japonês Akira Kurosawa. Dá pra levar a sério? Nem o pessoal do "Guardian" gostou muito da seleção, e o crítico David Thomson lamentou a escolha do vencedor.

E o que o jornal disse sobre o quarto lugar para "Cidade de Deus"? A avaliação de Thomson, numa tradução livre:

"Primeiro, jovens estão votando e buscando nos filmes uma visão real do mundo. Segundo, essa busca se amplia à América Latina e às favelas do Rio, onde o filme de Meirelles é rodado. E, terceiro, jovens cinéfilos usam o filme como uma forma de focar sua raiva e desespero quanto às injustiças do mundo. Tudo isso também poderia ter sido dito sobre 'Os Esquecidos', de Luis Buñuel, feito em 1950 e um filme melhor. Mas 'Os Esquecidos' nunca despertou o mundo como 'Cidade de Deus' fez."

Este blogueiro concorda com Thomson, tanto na comparação com Buñuel, quanto (e principalmente) na avaliação do furor causado por "Cidade de Deus" na época de seu lançamento, especialmente no exterior e no público mais jovem.

O filme de Meirelles não é o único brasileiro que aparece entre os 40 primeiros colocados: "Central do Brasil", de Walter Salles, é o 30º colocado, nove posições à frente de "A Regra do Jogo", outro clássico francês, este dirigido por Jean Renoir.

Para ver a lista completa do "Guardian", basta clicar aqui. E você, caro leitor? O que achou da seleção? Qual é melhor: "Cidade de Deus" ou "Acossado"? Para refrescar a memória, aí vai um trechinho de cada um.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h18 PM

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Caetano Veloso, programador de cinema

Caetano Veloso, programador de cinema

 

 

Caetano Veloso escolhe os filmes, e o Espaço Unibanco de Cinema monta a programação. É o ciclo Carta Branca, evento promovido em parceria com a Folha e que estréia na próxima terça em São Paulo. O compositor baiano é o primeiro convidado desse projeto semestral, no qual uma personalidade terá seus filmes favoritos transformados em uma mostra na capital paulista.

 

Caetano estará no Espaço Unibanco na terça, às 20h, para apresentar "As Grandes Manobras", filme de 1955 do francês René Clair escolhido para abrir seu ciclo, que incluirá ainda clássicos nacionais e internacionais, como "Terra em Transe", de Glauber Rocha, "O Bandido da Luz Vermelha" (foto), de Rogério Sganzerla, "Noites de Cabíria", de Federico Fellini, e "Passageiro Profissão: Repórter", de Michelangelo Antonioni.

 

A seleção do músico, que está em cartaz neste final de semana em São Paulo com o show "Cê", não se restringe às obras mais antigas: estão confirmados no ciclo Carta Branca filmes mais recentes, como "Brown Bunny", de Vincent Gallo, e "Houve uma Vez Dois Verões", de Jorge Furtado. A lista completa de filmes estará na versão impressa da Ilustrada desta sexta-feira.

 

Depois da exibição de "As Grandes Manobras", o restante da mostra acontecerá de 18 a 24 de maio, no Espaço Unibanco, sempre com entrada franca. Os horários das sessões ainda estão sendo definidos. A seguir, um trechinho de "Noites de Cabíria", com uma belíssima seqüência de Giulieta Masina, a quem Caetano já homenageou em uma música.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 4h45 PM

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As bestas de Cláudio Assis

As bestas de Cláudio Assis

 

Os personagens criados por Cláudio Assis em “Baixio das Bestas” falam pelos cotovelos, comentam quase tudo, quase o tempo todo, sublinhando cenas, explicando idéias e teses que as imagens do filme, isoladas, já seriam capazes de sustentar. A verborragia excessiva me parece a única ressalva a ser feita a esse muito bom filme nacional que estréia nesta sexta-feira no país.

 

“Baixio” mostra a vida em um pequeno povoado da zona da mata pernambucana. Nessa terra do plantio de cana, há Heitor (Fernando Teixeira), o velho que ganha dinheiro de caminhoneiros da região ao explorar a nudez de sua neta adolescente, Auxiliadora (Mariah Teixeira). E há Everardo (Matheus Nachtergaele) e Cícero (Caio Blat), jovens que matam o tempo em orgias com putas regadas a muito álcool e muita porrada.

 

Grande vencedor do último Festival de Brasília, em dezembro passado, o filme dividiu  o público do evento _parte vaiou e parte aplaudiu Cláudio Assis na cerimônia de premiação, quando o diretor subiu ao palco para pegar seu Candango.

 

Os que vaiaram consideraram absurdo o festival premiar uma obra que apresenta chocantes e violentas cenas de sexo, que trata a mulher como coisa, como objeto de consumo, e que é dominado por um tom pessimista, de pessoas moralmente falidas e sem perspectiva.

 

Para esse último ponto, cabe a pergunta: é papel do cineasta apontar saídas, soluções para a sociedade fraturada e contraditória que retrata? Tenho cá minhas dúvidas e creio que a crítica social incisiva é um dos grandes méritos dos filmes de Cláudio Assis _já desde “Amarelo Manga” e num tipo de cinema em sintonia com a obra de Sergio Bianchi (“Cronicamente Inviável”, "Quanto Vale ou É por Quilo?").

 

As curras e os estupros de “Baixio das Bestas” têm efeito ainda mais demolidor sobre a platéia graças ao mais uma vez excelente trabalho de Walter Carvalho. O diretor de fotografia constrói belas cenas nas passagens mais repugnantes, num aparente paradoxo que amplifica o horror. Seu trabalho também é admirável no registro do maracatu rural e dos canaviais na colheita e na queimada, em imagens que colam na retina do espectador e lá ficam por horas e horas.

 

Repito, essa força visual de “Baixio” dispensa muitas de suas palavras, especialmente as do avô Heitor e algumas do porra-louca Everardo. Mas é um excesso de palavras até compreensível, pois um evidente reflexo da personalidade explosiva do diretor Cláudio Assis. Para quem não a conhece, vale conferir o vídeo abaixo, gravado no último sábado, numa sessão do filme em Aracaju, e colocado ontem no YouTube por Gabriela Caldas. Em seguida, o trailer. 

Escrito por Leonardo Cruz às 4h31 AM

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As sensações do cinema

As sensações do cinema

 

O que você sente quando vai ao cinema? Que filmes mais te emocionaram?

 

Livros com listas de filmes não são uma novidade no mercado editorial. Há, tanto aqui quanto lá fora, um bom punhado de publicações que compilam os melhores de todos os tempos, deste e daquele gênero, deste e daquele país. Por isso, à primeira vista, “1000 Films to Change your Life” parace só mais um desses catálogos canônicos. Não é bem assim.

 

A chave que torna “1000 Films” mais saboroso e informativo que a média é o recorte de sua seleção. A equipe da “Time Out” inglesa, a melhor revista semanal de entretenimento do mundo, fez uma lista de filmes norteada pelas sensações. Explico: o livro é dividido em partes dedicadas às emoções mais comuns despertadas na platéia da sala escura.

 

São nove emoções, em nove capítulos: Alegria, Raiva, Desejo, Medo, Tristeza, Excitação, Remorso, Desprezo e Fascinação. No início de cada segmento, um crítico da revista faz uma análise sobre a representação do sentimento em questão ao longo da história do cinema.

 

Em Alegria, por exemplo, o crítico Trevor Johnston elenca os filmes capazes de “tirar do sério, arrancar sorrisos, levantar o humor, elevar o espírito” e cita clássicos do bem-estar, como “O Diabo a Quatro”, dos Irmãos Marx, “Cantando na Chuva”, de Gene Kelly e Stanley Donen, e “Quanto Mais Quente Melhor”, de Billy Wilder. Mas também tenta fugir do óbvio e apresenta uma lista de 20 filmes que “você deveria ver porque são maravilhosos mesmo que você nunca tenha ouvido falar deles”. Há raridades no Brasil, como “Meu Vizinho Totoro” (foto acima), animação de 1988 de Hayao Miyazaki (“O Castelo Animado”), e filmes bastante rodados por aqui, como o encantador “Meu Tio”, de Jacques Tati.

 

Outro ponto positivo de “1000 Films” é a seção “Moving Picture”, em que gente do cinema relata experiências marcantes que tiveram ao assistir a um filme. Michael Mann conta o impacto de “Dr. Strangelove”, de Kubrick, em sua decisão de se tornar cineasta. E Takeshi Kitano relembra a primeira vez, ainda criança, que viu um filme ocidental: “Il Ferroviere”, do italiano Pietro Germi. Levado por seu irmão mais velho a um cinema de Tóquio, Kitano não entendeu nada e na saída os dois ainda levaram uma surra de uns garotos mais velhos.

 

“1000 Filmes para Mudar sua Vida” não é um lançamento. Saiu na Inglaterra em maio do ano passado e desde então pode ser comprado pela internet (no próprio site da Time Out e também na Amazon). Mas agora a obra está disponível em algumas livrarias brasileiras, como a Saraiva Megastore, que também vende on-line. Esbarrei nele por acaso, no início de abril, no começo das minhas férias, das quais retorno hoje. Custou R$ 40 e valeu cada centavo.

 

*

 

Em tempo, na lista de filmes do capítulo Alegria está “Tampopo”, divertido filme japonês em cartaz até quinta no ciclo Cama e Mesa do cineclube do HSBC Belas Artes. Vale dar um pulo lá.

 

*

 

E, para voltar bem ao trabalho, o inesquecível solo de Donald O’Connor em “Cantando na Chuva”. Faça-os rir. Faça-os rir.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 9h04 AM

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O ano do curta em Cannes

O ano do curta em Cannes

São Paulo assiste à mesma época do Festival de Cannes (de 16 a 27 de maio) ao curta "Saba" (foto), brasileiro incluído na "Cinéfondation", mostra dedicada a produções de estudantes. O curta de Thereza Menezes e Gregório Graziosi integra a mostra paralela do festival "Entretodos", que a Comissão Municipal dos Direitos Humanos promove no Centro Cultural São Paulo a partir do dia 13 de maio.

Uma câmera detalhista passeia pela casa onde vive um casal de idosos, Porfírio e Chiquinha, com cortes rápidos, embora sutis. Ele passa o tempo olhando (o que não se sabe) pela janela. Ela, deitada. Lava-se uma peça de roupa, seca-se o chão, a comida ferve, a torneira pinga. Nada mais banal. O tempo passa. Para chegar a hora de quê? Em close, a rotina deles vai sendo esquadrinhada. Nada de mais. O tempo segue. A vida passa lenta.

Ouvimos um diálogo, na verdade, só uma parte dele, já que estamos "do lado de cá" do telefone. É o suficiente. Há um entrever, mais do que ver, uma espécie de "desencaixe" do mundo. A música é leve, em nada alivia ou mascara essa realidade. Eles esperam o tempo passar, a vida, o fim. Parece triste. Mas eles estão de mãos dadas.

*

Outro participante de Cannes é "Saliva", de Esmir Filho, que está no Festival Cultura Inglesa (em 8 de maio) e também na Semana da Crítica do festival francês. Esmir Filho é também co-diretor do vídeo "Tapa na Pantera". Neste "Saliva", faz um inspirado retrato da necessidade de aceitação do adolescente.

Marina, de 12 anos, vive as angústias do primeiro beijo. Quanto tempo pode durar um beijo? Mas não é isso o principal neste curta, filmado no shopping Eldorado, em São Paulo, com trilha de John Ulhoa e Fernanda Takai, do Pato Fu. Aqui é a dúvida que vai permear os 14 minutos. As amigas, as bonecas, o mundo todo parece estar observando o que Marina vai fazer. Como vai fazer. E depois? Depois o mundo muda. Até a água se transforma.

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 5h01 PM

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Aperitivo de Piratas

Após o blockbuster "Homem-Aranha 3", da Sony, é a vez de a Disney fazer a sua grande estréia do ano. Ela lança no dia 25 de maio a terceira (e quem sabe última) parte de "Piratas do Caribe". Com o subtítulo de "No Fim do Mundo", Johnny Depp volta a encarnar o capitão picaresco Jack Sparrow.

Enquanto o Pérola Negra não aporta por aqui, vale mergulhar nos extras do segundo episódio, lançados em DVD duplo com "O Baú da Morte". No primeiro disco, há o filme em si e comentários. Mas a graça está no disco dois, só com documentários sobre a superprodução, que tem histórias bizarras como o fato de os ingressos para a última parte da trilogia começarem a ser vendidos nos EUA mesmo sem o filme ter sido terminado.

O primeiro longa foi muito bem-sucedido em aliar ação e comédia, embora as performances dos coadjuvantes Orlando Bloom e Keira Knightley tenham ficado a desejar. Já o segundo frustrou quem esperava que a franquia mantivesse o alto nível, porque ficou muito mais centrado em tramas rocambolescas para justificar pirotecnias e explosões.

Mas talvez essa decepção com a segunda parte tenha vindo de outro lugar: os roteiristas entregam que as seqüências não eram para ter existido. "Na época, era para ser um filme completo", diz Terry Rossio. Só que o filme fez tanto sucesso que a Disney encomendou o resto do pacote. E aí Rossio e seu parceiro Ted Elliott tiveram de se virar para fazer com que as duas continuações parecessem ter sido imaginadas desde o primeiro longa. Eles não conseguiram essa naturalidade em "O Baú da Morte". Mas a terceira parte promete.

Nos making ofs, dá para ter uma idéia do tamanho de uma produção com orçamento de US$ 225 milhões. Foram 200 dias de filmagem, a partir de fevereiro de 2005, sem o roteiro finalizado. "Entregue o roteiro em cima da hora, porque aí não vai dar tempo de fazer muitas mudanças e eles terão de filmar com o que têm na mão", brinca, falando a verdade Rossio. "É muito útil e para o bem deles."

Outra curiosidade: em um determinado dia, eles trabalharam 17 horas, direto, sem parar, sem ter filmado absolutamente nada. O trabalho era para posicionar os navios para as tomadas noturnas no cais.

Eles filmaram durante 1 ano, 5 dias e 38 minutos, conta meticulosamente o produtor Jerry Bruckheimer, emendando uma seqüência seguida da outra. Foram 475 celulares usados só no set da ilha de Dominica, no Caribe. E tiveram ainda de enfrentar um furacão. O Wilma passou rapidamente, em 24 horas, de tempestade tropical para furacão de categoria 5, atingindo em cheio os navios ancorados e a baía que eles tinham criado.

Dá para pensar: se eles enfrentaram um furacão, será que agüentam um simples ogro verde?

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 4h53 PM

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