Ilustrada no Cinema
 

Cannes para americano ver

O Brasil ficou de fora de novo. O 60º Festival de Cannes anunciou ontem a lista de participantes, mas não tem nenhum longa nacional na disputa. Há nomes fortes e já premiados como Quentin Tarantino e seu fracasso de bilheteria (pelo menos até agora nos EUA) "Prova de Morte" em versão mais longa. Ou Gus Van Sant com "Paranoid Park", só para ficar em dois norte-americanos. Mas brasucas como "Cidade dos Homens", de Paulo Morelli, e "Tropa de Elite", de José Padilha, foram preteridos nesta edição.

Gilles Jacob resolveu deixar para lá a tal "mea culpa" por não ter colocado "Cidade de Deus" na disputa, mas a seleção está bem animada, com longas dos irmãos Coen, do sérvio Emir Kusturica, do russo Alexandr Sokúrov e do americano David "Clube da Luta" Fincher.

O festejado cinema latino-americano também flopou e tem apenas um representante: "Luz Silenciosa", do mexicano Carlos Reygadas, diretor já atacado em festivais por cenas fortes em "Batalla en el Cielo" e "Japão".

Correndo por fora da competição, há várias produções interessantes e que devem causar burburinho pela Croisette. Para festejar os latinos, podemos citar, por exemplo, "El Baño del Papa", produção da O2 de Fernando Meirelles com direção de César Charlone e Enrique Fernandez, na Un Certain Regard.

Também serão exibidos "A Mighty Heart" (foto), do inglês Michael Winterbottom, baseado na vida da viúva do jornalista norte-americano Daniel Pearl, decapitado por terroristas islâmicos no Paquistão, e "Sicko", do sempre polêmico Michael Moore, sobre o sistema de saúde americano.

Nos curtas, o Brasil se deu melhor, com "The Last 15", do americano filho de brasileiros Antonio Campos, já premiado com "Buy it Now", que está na competição principal, e "Saba", de Thereza Menezes e Gregorio Graziosi, dois alunos da Faap, que está na Cinefondation.

Vamos esquecer o bairrismo e acompanhar a briga num dos maiores (certamente o mais charmoso) festivais do mundo.

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 2h49 PM

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Jogo rápido

Jogo rápido

Este post traz algumas notícias curtas e que acontecem nos próximos dias, vale avisar logo o leitor.

A primeira: o Cine Morumbi, em São Paulo, vai virar a partir desta sexta (dia 20), Cine TAM. Patrocinado pela empresa aérea, o cinema vai mudar o lounge da entrada e a fachada. A idéia, segundo a assessoria de imprensa, é fazer uma "releitura da década de 60, época do glamour da aviação". No site www.cinetam.com.br, vão colocar a programação, que segue a mesma, e possibilitar a compra de ingressos pela internet.

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Outra: após ter sido previsto para março, com divulgação até na programação do Canal Brasil, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro vai acontecer no próximo domingo (dia 22), no Rio. São 20 prêmios, entre longas e curtas. No ano passado, o vencedor foi "Cazuza - O Tempo Não Pára", de Sandra Werneck e Walter Carvalho.

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O CCBB do Rio faz de 1º a 13 de maio uma retrospectiva de Ingmar Bergman, um dos grandes nomes do cinema mundial, chamada "Bem-Vindo, Sr. Bergman".

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O Istituto Europeo di Design abre inscrições para três cursos complementares de animação: animação básica, stop motion e técnicas experimentais, todos ministrados pelo crítico Fábio Yamaji. As turmas começam em maio. Mais informações pelo site www.iedbrasil.com.br.

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 4h46 PM

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Filmoteca - Bruno Barreto

Filmoteca - Bruno Barreto

Agora em cartaz com "Caixa Doi$", Bruno Barreto é o cineasta que muitos adoram odiar. Desde seu bem-sucedido "Dona Flor e Seus Maridos" (1976), o filme mais visto da história do cinema nacional, com cerca de 10 milhões de espectadores, nunca mais conseguiu alcançar tamanha repercussão. E é sempre muito cobrado por causa disso.

"Caixa Doi$" não é tão pretensioso, ao verter para o cinema a peça de Juca Ferreira que conta a história de um banqueiro envolvido em um escândalo com R$ 50 milhões.

No currículo, o cineasta ainda conta com (goste-se ou não) "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005), "Bossa Nova" (2000), "O que É Isso, Companheiro?" (97) e "Gabriela, Cravo e Canela" (83), para citar alguns.

A seguir, sua lista de cinco grandes filmes, com o adendo de um sexto "penetra": "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade.

"Um clássico em todos os sentidos, que continua mais moderno do que nunca."

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"A Mulher do Lado" (François Truffaut, 1981)

Vi esse filme pelo menos umas 5 vezes. E cada vez gosto mais. Acho que é definitivamente um dos melhores do Truffaut. O que eu mais gosto é o tom da narrativa. Irônica e emcionante. Na mão de outro diretor essa história poderia ter virado um melodrama barato. Mas é impressionante como o filme abraça e afasta o espectador nas horas certas. E a Fanny Ardant que está simplesmente MARAVILHOSA. Truffaut estava no auge da sua paixão por ela.

"Novecento" (Bernardo Bertolucci, 1976)

Acho que é de longe o melhor filme dele. Aliás, acho que é um dos melhores épicos da história do cinema porque a sua grandiosidade está sobretudo no coração dos personagens e não nas cenas com muitos figurantes em grandes espaços abertos. Tive o privilégio de ver a versão original de 5 horas e 20 minutos que é muito melhor do que a de 4 horas e meia (a mais conhecida). A direção do Bertolucci é inspirada, conseguindo um balé entre a camera e os atores raramente visto no cinema. Destaque especial para a belíssima trilha de Ennio Morricone e a fotografia de Vitorio Storaro. Outro detalhe importante: "Novecento" foi a última colaboração entre Franco Arcalli e o Bertolucci. O Franco foi uma espécie de pai artístico para o Bertolucci, tendo feito a montagem e participado do roteiro (às vezes sem ter crédito) de quase todos os seus filmes até "Novecento".

 

"Vidas Amargas" (Elia Kazan, 1955, lançado em DVD)

Para mim, ele foi o maior diretor do cinema americano. E a partir deste filme ele conseguiu injetar poesia na tradição/prisão do realismo, na dramaturgia americana. Nunca chorei tanto num filme. E James Dean nunca esteve tão bem.

"Seduzida e Abandonada" (Pietro Germi, 1964)

Um dos maiores diretores italianos que nunca teve o reconhecimento que merecia. Fellini, que foi assistente dele, dizia que Germi não teve a fama que devia porque não era simpatizante do PCI (Partido Comunista Italiano). Eu gosto de vários filmes dele, mas "Sedotta e Abandonata" simboliza o estilo Germi: a TRAGICOMÉDIA ITALIANA. Penso que nenhum outro diretor entendeu tão bem como a tragédia e a comédia são inseparáveis. Destaque para a interpretação da Stefania Sandrelli e o uso de músicas populares italianas como contraponto dramático na trilha sonora. Almodóvar bebeu muito desta fonte.

"Terra em Transe" (Glauber Rocha, 1967, lançado em DVD)

Realmente acho "Terra em Transe" um dos melhores filmes já feitos. O único do Glauber que eu gosto. Poucas vezes no cinema houve um casamento tão perfeito entre forma e conteúdo. E se você levar em conta que este filme foi feito em 1965!!!! Obrigatório ver e rever. Destaque para uma fala do personagem Porfirio Diaz (interpretado magistralmente por Jardel Filho) quando diz tapando a boca de um camponês que falava sem parar: "Vocês já imaginaram o que seria o povo no poder?".

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 4h16 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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