Ilustrada no Cinema
 

Domingo no cinema

Domingo no cinema

O blog "Ilustrada no Cinema" adiantou e agora é a hora que vai rolar a "Festa do Cinema" brasileira. Vai funcionar assim: de domingo até a próxima terça, 300 salas terão um passaporte para assistir a 14 filmes por R$ 3 cada um. O projeto "São Paulo no Cinema" inclui diferentes redes exibidoras presentes na capital, Grande ABC, Guarulhos, Mauá, Osasco e Taboão da Serra (a relação completa está no site http://www.saopaulonocinema.com.br).

É uma boa iniciativa para baixar o preço dos ingressos, nem que seja apenas por três dias, que vai servir para mostrar que o público quer ir ao cinema, mas os preços estão altos demais.

Não tem limitação para o cinema brasileiro. A idéia é aumentar o público geral das salas. Quem sabe não dá tão certo que vire um evento habitual da cidade, como a promoção da Cinemark para o cinema nacional a preços mais em conta.

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 12h15 PM

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Tarantino no Brasil

Os fãs podem comemorar: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez virão ao Brasil para divulgar o projeto "Grindhouse" (foto). A data ainda não foi confirmada, porque vai depender da agenda de cada um e do lançamento de cada filme, mas as estréias devem contar com a presença dos cineastas no segundo semestre.

O longa, já comentado aqui no blog, tem três horas e 15 minutos de duração, custou US$ 53 milhões (R$ 108 milhões) e arrebatou apenas US$ 11,6 milhões (R$ 23,5 milhões) e o quarto lugar no último final de semana, quando estreou, perdendo para a comédia "Escorregando para a Glória", com Will Ferrell.

Até mesmo o produtor Harvey Weinstein se disse decepcionado com o resultado, apesar de a fita ter entrado em 2.624 salas. São dois filmes pelo preço de um, mas pelo jeito a estratégia matemática não ajudou nas bilheterias. Weinstein até pensa em relançar os filmes nos EUA em separado "para agradar à audiência". "Acho que o público não entendeu o que estávamos querendo fazer", disse ele ao site Pagesix.com.

No Brasil, a idéia da distribuidora Europa Filmes é desmembrar "Grindhouse", formado por trailers falsos, "Prova de Morte" (Death Proof), de Tarantino, e "Planeta Terror" (Planet Terror), de Rodriguez.

O primeiro dos dois filmes seria lançado em agosto ou setembro. Três meses depois, seria lançada a "continuação". A ordem dependeria dos compromissos dos diretores, que, por contrato, viriam ao Brasil para, no jargão do setor, "trabalhar a divulgação" dos filmes e, portanto, teriam de estar disponíveis para viajar. Cerca de 150 salas devem receber cada filme no país.

Que os fãs não se revoltem com a distribuidora, entretanto, até porque o lançamento nos EUA --e talvez a exibição no Festival de Cannes-- é que é a exceção. A grande parte dos países em que o filme será lançado deve contar com a separação e a "janela" entre as duas estréias. A Finlândia, por exemplo, que já tem as datas marcadas, assiste a "Prova de Morte" em 1º de junho e, em 21 de setembro, entra em cartaz "Planeta Terror".

Segundo a assessoria da Europa Filmes, alguns cinemas brasileiros devem ter sessões duplas para ver "Grindhouse" de uma vez após o lançamento do pacote completo. "Lançar um Tarantino & Rodriguez é uma enorme alegria, tanto pelo que representa o trabalho dos diretores para seus muitos fãs e o mundo do cinema quanto pelo desafio, devido ao seu típico caráter desafiador e polêmico", afirmou o diretor da empresa Marco Aurélio Marcondes.

Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 9h14 AM

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Golpe no cinema brasileiro?

Golpe no cinema brasileiro?

 

No ano passado, um único filme brasileiro fez inquestionável sucesso de bilheteria, "Se Eu Fosse Você" (foto acima), de Daniel Filho (3,6 milhões de espectadores). Nenhuma das demais 68 estréias com público contabilizado em 2006 é capaz de escapar do rótulo de fracasso de público sem recorrer a alguma matemática e uma conjunção condicional _se levarmos em conta o resultado geral do período; se observarmos o número de cópias e de cidades onde o filme foi lançado etc. etc. Convenhamos, é muita retórica para pouco resultado.

Neste ano, com 25 títulos brasileiros lançados, apenas "A Grande Família" se desempenhou realmente bem no teste das salas, com seus 2 milhões de espectadores.

Há, como é praxe quando o tema é a falta de público, várias hipóteses para explicar o fenômeno. Talvez, nenhuma delas isoladamente dê conta da questão. Ou você acha que o problema se explica por quê:

- Há excesso de produto _filmes demais estréiam ao mesmo tempo, e o espectador já não consegue ver todos que gostaria nem dispõe de orçamento para tanto. O que já é outra tese, que coloca o preço dos ingressos como vilão da história;

- O DVD (e a pirataria) tornaram menos "indispensável" a ida ao cinema. Agora, o espectador só sai de casa para ver os títulos que julga "urgentes" e esses são a exceção, não a regra;

- Há "defeito" no produto _safra que não faz sucesso é porque é ruim mesmo; quando o filme é bom, o espectador reconhece logo;

- O "nó" está na exibição, mais precisamente, no exíguo parque exibidor brasileiro, com suas menos de três mil salas, o que acarreta atropelo de estréias _filmes ficam menos tempo em cartaz do que deveriam ou acabam sendo lançados em condições desfavoráveis, por exemplo, em salas distantes de seu público-alvo;

- O "nó" brasileiro está na distribuição, que não consegue "vender" bem os filmes para seus respectivos públicos, o que inclui demarcar um circuito de cinemas adequado ao perfil de cada título.

Sobre esse último ponto, o cineasta Lírio Ferreira disse, durante um debate sobre seu (ótimo) "Cartola", na semana passada, que os filmes brasileiros "não estão sendo lançados, mas sim arremessados" ao mercado.

A hipótese mais atrevida, no entanto, foi formulada pelo roteirista Hilton Lacerda, co-diretor de "Cartola": "O cinema brasileiro está preparando um 'autogolpe'". A tese de Hilton é que, com tantos filmes sendo feitos (à custa das leis de incentivo) e tão pouco resultado aparecendo _seja porque os filmes mal estréiam ou porque estréiam francamente mal_, não tarda o momento em que a aplicação de dinheiro público na produção de cinema será posta em xeque. "Se esse quadro não for revertido, as pessoas poderão começar a achar que é melhor dar subsídio para fazer novelas, porque essas todo mundo vê. Ou seja, será uma inversão absoluta", diz Hilton.

No ano passado, Rodrigo Saturnino Braga, que comanda a Columbia/Buena Vista no Brasil, sugeriu que fosse imposta uma barreira às filmagens (com dinheiro incentivado) de projetos que não tivessem acordo prévio de distribuição, ou seja, de filmes sem garantia de lançamento. A proposta causa arrepios em muita gente que antevê nela uma rasteira no "cinema de autor" ou não-comercial.

O fato é que o sistema de financiamento ao cinema no Brasil é uma questão inesgotável; as saídas para suas travas não são óbvias, e o tema tem poucos consensos. Um deles é que o golpe de misericórdia de Collor na Embrafilme só foi possível porque houve, antes, o dilaceramento da "tribo do cinema" em relação àquele modo de produção, então hegemônico. Estaria Hilton Lacerda profetizando o esgotamento da outra era, a dos incentivos fiscais?

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Em tempo: "Cartola" estreou bem, no último fim de semana. Fez 10 mil espectadores, em 14 salas. Foi a terceira maior média, 717 espectadores por cópia, segundo os números do Filme B. Já "Caixa Doi$" teve público total de 79,1 mil espectadores e média inferior à de "Ó Paí, Ó", que está na segunda semana em cartaz _467 contra 508.

Escrito por Silvana Arantes às 10h17 AM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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