Filmoteca - Lírio Ferreira
O pernambucano Lírio Ferreira começou sua carreira como diretor com os curtas "O Crime da Imagem" (1992) e "That’s a Lero-Lero" (em 16 mm, de 1995). Em 1997, ganhou seu primeiro grande prêmio com "Baile Perfumado", considerado o melhor longa-metragem em Brasília. Em seguida, lançou "Árido Movie" (2005), uma história meio amalucada com grande elenco envolvido.
Agora, envereda um pouco pelo gênero documental com seu (e de Hilton Lacerda) "Cartola", que chega nesta sexta aos cinemas do Brasil com 16 cópias. A estréia será em sete capitais: Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre.
No embalo, da estréia de "Cartola", o Cine Santander Cultural (r. Sete de Setembro, 1.028, tel. 0/xx/51/3287-5940), em Porto Alegre, exibe até o dia 19 de abril uma mostra de curtas pernambucanos em que é possível ver o início da vida artística de Lírio Ferreira: "O Crime da Imagem", sobre um líder religioso do interior do Ceará, e "That’s a Lero-Lero" (1995), sobre a vinda de Orson Welles ao Brasil em 1942 que resultou em "It’s All True".
A seguir, Lírio economiza nas palavras para comentar os cinco filmes que não saem de sua prateleira (e da cabeça, claro).
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"O Passageiro: Profissão Repórter" (Michelangelo Antonioni, 1975, lançado em DVD)
Árido movie

"Laranja Mecânica" (Stanley Kubrick, 1971, lançado em DVD)
Porque cinema não é uma grande diversão

"Terra em Transe" (Glauber Rocha, 1967, lançado em DVD)
A Semana de Arte Moderna chega ao cinema brasileiro

"Solaris" (Andrei Tarkovski, 1972, lançado em DVD)
Mar de histórias

"Cinema, Aspirinas e Urubus" (Marcelo Gomes, 2005)
O cinema começou com os irmãos Lumière
Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 4h13 PM
Corra para ver

Uma boa dica para hoje é "A Margem" (foto), de Ozualdo Candeias, que é homenageado em retrospectiva no Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158). O filme é de 1967 e é um dos clássicos do diretor, morto em fevereiro deste ano. A pequena mostra vai até o dia 8 ainda traz alguns curtas institucionais do cineasta e documentários sobre a Boca do Lixo de que participa. Tudo isso faz parte do acervo do MIS, que deveria ser mais mostrado --e visitado também.
A programação completa está em http://www.mis.sp.gov.br.
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Amanhã, dia 5, começa uma promoção no Circuito Unibanco (de que fazem parte o Espaço Unibanco e o Frei Caneca Unibanco Arteplex), em São Paulo, em que todas as sessões das quintas-feiras terão ingressos a R$ 4 em qualquer uma das salas.
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Na segunda, dia 9, o cineasta João Moreira Salles fala pela primeira vez sobre seu "Santiago", às 20h30, na sessão de abertura do É Tudo Verdade em Campinas. O evento acontece no Espaço Cultural CPFL, na rua Jorge Figueiredo, 1.632, tel. (19) 3756-8000. A entrada é franca.
Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 1h18 PM
Leona e Bia

Depois da performance da atriz Leona Cavalli como mestre de cerimônias da abertura do Festival Sesc Melhores Filmes de 2006, ontem à noite, no Cinesesc, nem o anfitrião da noite resistiu a um comentário: "Pelo jeito estamos inovando realmente. Nosso festival estava com uma apresentação muito igual _o diretor vem e fala um pouco. Desta vez, inovamos", desabafou ao microfone Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, primeiro a subir ao palco depois da entrada em cena de Leona.
Foi assim: num vestido verde e preto rodado, a atriz cruzou a sala (lotada) cantando à capela os versos "Dê bom dia a quem é de bom dia; dê boa noite a quem é de boa noite". À medida que se aproximava do palco, a saudação de Leona também avançava: "Diga sim ao sol. Diga sim a tudo que vive _mineral, vegetal". Houve, claro, um sim ao cinema brasileiro _e ao estrangeiro também, como convinha numa noite de premiação de títulos nacionais e internacionais.
Se não causou, com sua inovação, as mesmas reações acaloradas que Bia Lessa provocou deitando quadros ao chão em exposição na cidade, Leona também não ficou livre de alguma crítica. Risos e frases sucintas como "Ah, os atores!" foram ouvidos aqui e ali. Mais ainda quando, antes de anunciar o filme da noite, "Querô" (a ótima adaptação que Carlos Cortez fez da obra homônima de Plínio Marcos e que está na foto no alto), Leona decidiu cantar outra música, que ela mesma compôs, em homenagem ao dramaturgo morto em 1999.
Antes de "Querô" encher a tela, diretores e atores brasileiros eleitos como os melhores de 2006 por público e crítica receberam seus prêmios, num tom de descontração.
Cao Hamburger (melhor direção e filme, "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias"), na escolha do público, disse que sua formação em cinema conta com um único curso, feito no Sesc Pompéia. "O Sesc, para nós paulistas... Não sei nem o que falar". Enquanto Cao procurava as palavras, o produtor Caio Gullane atalhou: "O Sesc é sem palavras. Muito obrigado a todos."
Karim Aïnouz também foi duas vezes ao palco, recolher os troféus de melhor diretor e filme ("O Céu de Suely"), na votação da crítica. "Fazendo um filme, a gente sempre tem dúvidas. É muito bom receber um prêmio, que confirma nossas intuições", disse Karim.
Hermila Guedes, a melhor atriz tanto para o público como para a crítica, confessou que "O Céu de Suely" marca definitivamente sua vida "para o lado bom e o ruim". Está em dúvida sobre qual é o lado ruim? Eis a resposta: "Todo mundo vai comparar ‘O Céu de Suely’ com todos os trabalhos que eu fizer na vida".
Matheus Nachtergaele, escolhido melhor ator ("Tapete Vermelho"), não pôde vir a São Paulo, mas enviou bilhete de agradecimento, lido por sua colega de elenco Gorete Milagres. Luiz Alberto Pereira, o Gal, diretor de "Tapete Vermelho", aproveitou a ocasião para louvar a longevidade do festival, que está na 33ª edição. Para Gal, "33 anos, no Brasil, nem Cristo agüenta".
Por falar em festivais, começa hoje e vai até 15 de abril o Bafici, festival do cinema independente de Buenos Aires. Esta nona edição da mostra traz em torno de 400 filmes, entre eles alguns brasileiros, como a ficção "A Casa de Alice" e os documentários "Fabricando Tom Zé", "Onde a Coruja Dorme", "Oscar Niemeyer - A Vida É um Sopro", "Pro Dia Nascer Feliz", "Vocação do Poder" e "Santiago", o novo de João Moreira Salles que encantou o público do recém-concluído É Tudo Verdade.
Escrito por Silvana Arantes às 1h54 PM
Premiação estranha

Com cerimônia no último sábado, o Festival É Tudo Verdade anunciou seus vencedores. O grande ganhador da noite foi "Elevado 3.5", sobre o Minhocão. Feito dentro do projeto DocTV, retrata o Elevado Costa e Silva através de depoimentos de alguns moradores.
Além do troféu, o documentário de João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo levou para casa R$ 100 mil, patrocinados pela CPFL Energia, e o Prêmio Embaixada da França para o melhor documentário de estréia, que permite participar, como convidado, de um festival na França.
É uma escolha esquisita, para dizer o mínimo, por um simples motivo: o filme não é bom. Começa com uma boa imagem de arquivo de Paulo Maluf divulgando a inauguração do Minhocão. Você até se ajeita na cadeira para assistir a um bom filme, mas não é isso o que vem. Seguimos um personagem do qual não conheceremos a história. Ouvimos uma fileira de depoimentos sentimentais e nostálgicos, mas é como se o Minhocão nem estivesse ali, interferindo naquelas vidas com seu trânsito ruidoso, apesar de às vezes ser mostrado por alguns ângulos inusitados.
É pena porque o objeto do filme tem muito interesse, tanto que estão em produção muitos curtas-metragens sobre o Elevado, e a discussão sobre sua manutenção ou demolição é boa. Mas não vai ser neste longa que a veremos aprofundada.
Entre os estrangeiros, "Manhã no Mar", de Ines Thomsen, sobre três velhinhos e sua relação com o mar, levou a melhor e R$ 15 mil. O festival ainda deu menções honrosas para "Nas Terras do Bem-Virá", de Alexandre Rampazzo, e "O Longo Amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado", de José Mariani.
O É Tudo Verdade (http://www.etudoverdade.com.br) entra em cartaz agora em Brasília (até o dia 15) e depois segue para Campinas (de 9 a 15) e Porto Alegre (de 23 a 29).
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Enquanto isso, lá fora, o bom cinema nacional segue conquistando troféus pelos festivais internacionais. Foram cinco prêmios no Festival de Guadalajara, terminado na última sexta. "A Casa de Alice" (já comentado aqui pelo Leonardo Cruz), de Chico Teixeira, ganhou o Prêmio do Júri, enquanto "Acidente", de Cao Guimarães e Pablo Lobato, recebeu o Prêmio do Júri de Documentário Longa-Metragem Ibero-americano.
Paulo Caldas, de "Deserto Feliz", levou a melhor na categoria de diretor estreante. Selton Mello ganhou pela atuação como Lourenço em "O Cheiro do Ralo", e Carla Ribas foi escolhida a melhor atriz em filme de estreante por "A Casa de Alice".
Escrito por Lúcia Valentim Rodrigues às 2h58 PM
