Ilustrada no Cinema
 

Elas querem Santoro

Elas querem Santoro

Rodrigo Santoro já deve estar acostumado. Nos festivais internacionais, ele é sempre perseguido por uma cortina de sussurros e insistentes olhares femininos, onde quer que vá. Foi assim em Veneza, com "Abril Despedaçado" (2001). Foi assim em Cannes, com "Carandiru" (2003). Em Berlim, foi um pouco além. As cenas de tietagem explícita foram protagonizadas pela imprensa na entrevista coletiva de anteontem no Festival de Berlim.

Representando o filme "300", na seleção oficial fora de competição, Santoro, que interpreta Xerxes, o rei da Pérsia, estava ao lado do diretor Zack Snyder e do ator Gerard Butler, o Leônidas, rei de Esparta, que enfrenta o exército de Xerxes. Snyder respondia a várias perguntas. Nem todas simpáticas ao filme, quando, às tantas, a mediadora Claudia Landsberger saiu-se com essa: "Tenho uma pergunta para os atores, porque fiquei fascinada pelos corpos deles". Os jornalistas riram e alguns aplaudiram, consentindo talvez.

Butler contou que, para adquirir a barriga tanquinho que exibe em "300", começou uma rotina de seis horas diárias de malhação, quatro meses antes das filmagens. Santoro ficou quieto no seu canto. Não falou palavra sobre o assunto.

Conversa vai, conversa vem, uma jornalista australiana alcança o microfone e insiste:
- Eu queria que Santoro respondesse a questão sobre o corpo. Desde que vi "As Panteras Detonando", minha vida não é a mesma. E tem também aquele papel de travesti que você fez em "Carandiru".

Santoro comentou:
- Fico feliz que você tenha visto este filme.

Ela:
- Ah, eu vi. Até entrevistei você a respeito. Esperava que você se lembrasse...

Ele atalhou direto para a resposta à pergunta, dizendo que a forma física é secundária num filme que apresenta tantas outras questões. Contou que estava muito magro quando foi fazer o teste, atendendo a uma necessidade de outro trabalho [certamente a série "Hoje É Dia de Maria", de Luiz Fernando Carvalho, para a Globo]. Falou ainda da concentração emocional necessária para o desempenho do papel de "uma entidade" como Xerxes e disse que se sentia "orgulhoso" do filme, que foi para ele "uma grande lição". 

Ontem, quando falou comigo sobre "300", Butler citou as palavras de Santoro sobre "a concentração emocional". Achou que ele mandou bem. "Ele é o cara! Quando vejo o filme, fico pensando de onde ele tirou aquele Xerxes sexy e andrógino [que Snyder queria]".

*

Na versão impressa da Ilustrada de hoje, há também uma reportagem sobre a exibição de "300" no Festival de Berlim e reação da crítica. O texto também está disponível na Ilustrada Online.

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 8h31 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

História do cinema, de graça, em SP

História do cinema, de graça, em SP

Discretamente, sem fazer alarde, a Cinemateca Brasileira tem, já há algum tempo, prestado bom serviço aos interessados em conhecer mais o cinema, nacional e estrangeiro. Além de um trabalho de conservação e restauro de filmes, promove em sua sala na Vila Mariana ciclos e retrospectivas sobre movimentos e sobre diretores que precisam sempre ser relembrados e repensados.

Outra frente da Cinemateca é o ensino. Há três anos a entidade realiza, em parceria com a ECA-USP, um curso de história do cinema. É gratuito, dividido em módulos bimestrais independentes e tem 150 vagas muito concorridas. Sempre às terças-feiras à noite, o curso é ministrado pelo professor da ECA e historiador Eduardo Morettin.

O próximo módulo, motivo deste post, começa no dia 6 de março e abordará a história do documentário em seus primeiros momentos, dos irmãos Lumière a "Nanook of the North", de Robert Flaherty (foto). As inscrições serão abertas no dia 27 e devem ser feitas pessoalmente na sala do largo Senador Raul Cardoso. Mais detalhes no site da Cinemateca.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h00 PM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Pobre entra no cinema?

Pobre entra no cinema?

 

"Antônia", o filme, estreou na última sexta com todos os elementos para ser um êxito de bilheteria. A saber:

1) vinha no embalo de uma série de TV global que teve boas médias de audiência no ano passado.

2) teve intensa atenção da mídia, especialmente na Globo, co-produtora do filme, que dedicou espaço em seus programas mais nobres para exibir cenas e entrevistas com as protagonistas.

3) foi alvo de uma boa campanha de marketing, com propaganda nos principais jornais e trailers/comerciais na TV.

4) recebeu críticas positivas dos principais jornais e revistas do país. Na avaliação geral dos críticos, "Antônia" é uma peça de entretenimento popular que funciona bem.

5) foi lançado com 125 cópias nas principais cidades do país. Mais do que, por exemplo, os candidatos ao Oscar "Babel" (81 cópias) e "A Rainha" (80).

Mesmo com tudo isso, o filme teve apenas 23.906 espectadores em seu primeiro final de semana e ficou em décimo lugar no ranking de estréias, atrás de xaropadas como "À Procura da Felicidade" e "Rocky Balboa". No pior cenário previsto por seus produtores, "Antônia" teria 80 mil espectadores nos dias de estréia. O que deu errado?

Um palpite: o cinema deixou há muito de ser entretenimento popular, com seus ingressos entre R$ 15 e R$ 20. É lazer para classe média alta, que tem real poder de consumo. E "Antônia" não atrai tal fatia da população, porque não tem nenhum astro ou estrela (de Hollywood ou das novelas), é um drama (não uma comédia escrachada) e retrata o cotidiano da periferia de São Paulo. Não é fácil escrever isto, mas a realidade é que esse público consumidor não quer ver pobre no cinema. Na história nacional recente, a única exceção foi "Cidade de Deus". Ou estou enganado?

Escrito por Leonardo Cruz às 9h59 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Cinema em debate | PermalinkPermalink #

Cara a Cara com Matt Damon

Cara a Cara com Matt Damon

Matt Damon não chega a ser um Leonardo DiCaprio na espantosa capacidade de ficar incólume à passagem do tempo, mas ele certamente aparenta bem menos idade do que os 36 anos que tem. Por isso, para interpretar Edward Wilson, o protagonista de "O Bom Pastor", de Robert De Niro, que se despede do filme com 41 anos e um filho já adulto, Damon foi "derrubado" pela maquiagem do longa _ganhou rugas e cabelos brancos que, de fato, nao possui.

"O Bom Pastor", no qual Damon contracena com a estonteante Angelina Jolie (foto), tem estréia marcada para 23/2 no Brasil e está agora em competição pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim, onde este blog perguntou a Damon qual é a sensação de se ver envelhecer na tela. Veja a resposta:

"Envelhecer não foi muito trabalhoso, porque eu tinha que aparentar no máximo cinco anos a mais do que tenho hoje. O duro foi aparentar 19 (a idade de Wilson quando ele assume o papel). Bob (Robert De Niro) quis uma maquiagem muito sutil. Ele é incrivelmente detalhista. Aliás, é conhecido por ter obsessão com detalhes. Às vezes, antes de rodar uma cena, ele vinha pessoalmente ajeitar o meu cabelo. Para o personagem ficar mais velho, eles me faziam as rugas, me punham cabelos brancos e raspavam uma faixa estreita de cabelos, para me deixar com entradas na testa. Eu também usava uma lente para ficar com o olhar opaco. Para ter 19, eles acrescentavam mais cabelos do que eu tenho e cobriam os brancos (nota do blog: imperceptíveis, por sinal). Essa era a parte boa. Muita gente que viu o filme veio me perguntar depois por que não usamos maquiagem. Caramba, eu ficava uma hora por dia na maquiagem e me dizem isso!"

O tema da idade fez Damon lembrar de como já ficou feio no cinema. Ele contou que, na primeira vez em que um diretor teve a idéia de mudar sua aparência para um filme (nota do blog: ele quer dizer torná-lo menos lindo, mas não diz isso com todas as letras, porque é modesto), foi praticamente chamado de louco pelos produtores, que argumentavam: "Se você consegue um ator com nariz perfeito, por que diabos não vai aproveitar isso?" Pois bem, Terry Gilliam não se deu por vencido. "E, Em 'Os Irmaos Grimm', eu acabei usando aquele narigão".

*

A íntegra da entrevista que fiz com Matt Damon e Robert De Niro está na Ilustrada Online (leia aqui e aqui).

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 8h05 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Os favoritos de Homer ao Oscar

Os favoritos de Homer ao Oscar

 

 

Esta é para começar bem a semana. Circula há alguns dias na rede a mais precisa previsão de vencedores do Oscar: são as apostas de Homer Simpson, aquele espectador do "Jornal Nacional" que eventualmente estrela o mais divertido desenho da TV.

Trata-se de mais um artifício criado pela Fox para promover "Simpsons – O Filme", que estréia nos EUA em 27 de julho e no Brasil em 17 de agosto, e ainda tirar uma onda do Oscar e dessa nossa mania de tentar adivinhar vencedores. O trailer do longa vai no pé deste post. Agora, a bola de cristal do patriarca da família Simpson:

Melhor filme: "Pequena Miss Sunshine". Adoro a idéia de uma família em que o filho não pode falar e o avô morre. O sucesso alto astral do ano!

Melhor ator: Forest Whitaker – "O Último Rei da Escócia". Ele não só comeu o cenário. Ele devorou o elenco.

Melhor atriz: Escolho a única dessas moças que é uma verdadeira americana: Penélope Cruz.

Melhor ator coadjuvante: Mark Wahlberg. Adoro como ele mata Matt Damon no fim do filme. Ooops, contei.

Melhor atriz coadjuvante: Sharon Stone – "Instinto Selvagem 2". Vote nela, pessoal.

Melhor canção: Como resistir ao mais agradável musical já feito: "Uma Verdade Inconveniente".

Melhor documentário: "Jesus Camp". Sempre quis saber o sobrenome de Jesus.

Melhor curta documentário: Quem se importa? Sai da minha premiação. Quero mais closes do Jack Nicholson dando risada.

Melhor esnobada inacreditável: "Dreamgirls". Não acredito que não foi escolhido para melhor filme. Especialmente depois de Eddie Murphy interpretar os papéis de todas as garotas. A única coisa que faltou foi a vovó peidorreira e boca-suja. Graças a Deus tinha uma ótima em "A Rainha".

Escrito por Leonardo Cruz às 7h34 AM

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Notícias e curiosidades | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.