Ilustrada no Cinema

 

 

O infiltrado em Hollywood

O Oscar de melhor roteiro adaptado para "Os Infiltrados" voltou a atenção da mídia americana a um roteirista que era quase desconhecido até um ano atrás. William Monahan é o autor que adaptou para Boston a trama policial encenada em Hong Kong no original "Conflitos Internos".

Seu trabalho rendeu dez prêmios, incluindo a estatueta conquistada no domingo, e o escritor virou o namoradinho de Hollywood. Mal encerrada a cerimônia, dois novos projetos envolvendo esse americano de 46 anos, romancista e ex-jornalista, foram anunciados, um com Leonardo DiCaprio, outro com Martin Scorsese.

DiCaprio e Monahan estarão juntos em “Confessions of Pain”, segundo informa a “Hollywood Reporter”, mais um remake de um filme policial de Hong Kong (sim, os americanos continuam a explorar a mina de ouro). O original, lançado no ano passado, teve Alan Mak e Andrew Law na direção e Tony Leung no elenco, mesmo time de “Conflitos Internos”. DiCaprio, que deve interpretar um investigador de polícia na refilmagem, será também um dos produtores. Ainda não há diretor definido.

Com Scorsese, William Monahan fará “Long Play”, filme definido pela “Variety” como um “épico do rock ‘n’ roll”, que acompanha a relação de dois amigos na indústria fonográfica ao longo de 40 anos. Para apimentar um pouco a história toda, a produção será de Mick Jagger (e sua Jagged Films), com quem Scorsese trabalha atualmente em um documentário sobre os Rolling Stones.

Tudo isso sem falar nos projetos em que o roteirista já estava envolvido antes do Oscar. Neste momento, Monahan e Scorsese estudam um novo filme sobre “Os Infiltrados”, e o autor já entregou um roteiro para “Penetration”, próxima direção de Ridley Scott (os dois haviam trabalhado juntos em “Cruzada”). Além disso, o roteirista prepara o texto de “Marco Polo”, em que Matt Damon deve interpretar o personagem histórico, e, segundo o IMDB, escreve o roteiro de “Jurassic Park 4”. Como o cara consegue tocar tantos projetos ao mesmo tempo? Seu discurso no Oscar dá uma pista: “Valium funciona!”

Escrito por Leonardo Cruz às 8h17 AM

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A voz de uma nação

A voz de uma nação

A colaboradora de Paris Patrícia Klingl escreve sobre "La Vie en Rose", biografia da cantora francesa Edith Piaf. O filme, que abriu o 57º Festival de Berlim, tem sua estréia no Brasil prevista para 27 de abril.

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La Vie em Rose, por Patrícia Klingl

O que faz a diferença entre uma cantora popular e a voz de uma nação? Olivier Dahan tenta responder a essa pergunta em seu mais recente filme, "La Vie en Rose", uma biografia da lendária cantora francesa Edith Piaf.

Filha de um acrobata de circo e de uma cantora de rua, Edith teve uma infância difícil no bairro parisiense de Belleville. Aos quatro anos, abandonada pelos pais, foi viver com a avó paterna num bordel da Normandia. Adolescente, de volta a Paris, começou a cantar nas ruas, até ser descoberta pelo proprietário de um cabaré nos Champs-Elysées. Batizada por ele de "la môme Piaf" (que em gíria quer dizer "pardalzinho", devido a seu aspecto frágil), a cantora começaria a ter ali o reconhecimento de seu talento. Contudo não deixaria de conhecer a decadência e o sofrimento, que culminariam na sua morte precoce aos 47 anos.

Dahan não conta a história da cantora de forma linear. Sua opção foi apresentar fragmentos desconexos, que ao final ajudam a compor um personagem fascinante. Dessa forma, ele não escolhe um momento determinante de sua vida e contorna o que poderia transformar o filme em um grande melodrama.

"La vie em rose" entra para a lista dos filmes que retratam cantores símbolos de uma geração, como os premiados "The Doors", "Ray", e "Johnny e June". Todos estes filmes têm em comum a enorme capacidade de transformação de seus atores nos personagens fortes que representam.

O papel de Piaf coube à jovem atriz Marion Cotillard (de "Um Bom Ano", de Ridley Scott, "Eterno Amor", de Jean-Pierre Jeunet, e "Peixe Grande", de Tim Burton). A atriz soube encarnar toda fragilidade física e instabilidade emocional da cantora francesa. Bastante elogiada pelos críticos, Cotillard já é forte candidata ao prêmio de melhor atuação no César 2008.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h18 PM

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Venceu o melhor, de hoje e de ontem

Venceu o melhor, de hoje e de ontem

 

“Estar aqui no ano em que Martin Scorsese recebe o Oscar é um prazer tão grande! Tão grande!” A frase, do produtor Graham King ao receber o prêmio de melhor filme por “Os Infiltrados”, foi a que mais bem definiu o desfecho do Oscar 2007. Quando Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Coppola subiram juntos ao palco para entregar a estatueta de direção, ficou claro que o jejum acabara e este finalmente era o ano de Scorsese, amigo dos três e indicado pela sexta vez ao prêmio.

 

Sim, a grande onda que se formava nos últimos dias arrebentou na costa de Los Angeles, e “Os Infiltrados”, de Martin Scorsese, saiu como o grande vencedor da noite, com quatro estatuetas. Além de melhor filme e direção, faturou também roteiro adaptado e montagem, prêmio que levou Martin às lágrimas durante o discurso de agradecimento de sua parceira Thelma Schoonmaker.

 

Se o Oscar 2007 teve em Scorsese sua grande estrela, a palavra de ordem da noite foi “diversidade”. Um negro foi escolhido melhor ator, uma lésbica venceu canção, e outra apresentou a cerimônia. E os resultados confirmaram em parte o que as indicações já apontavam: a internacionalização do prêmio. Das 26 estatuetas entregues no teatro Kodak, 10 foram para não-americanos, incluindo o prêmio honorário para Ennio Morricone, que fez um belo discurso em italiano com direito à tradução quase simultânea e quase literal de Clint Eastwood. E essa conta não inclui os dois principais prêmios, concedidos a uma refilmagem de uma produção de Hong Kong.

 

Mas a internacionalização teria sido maior se o êxito dos mexicanos tivesse sido confirmado. “Babel”, que concorria em seis categorias, ficou apenas com o Oscar de trilha sonora, para o argentino Gustavo Santaolalla. E “O Labirinto do Fauno”, que conquistou três estatuetas logo na primeira metade da cerimônia, perdeu a mais importante, de filme estrangeiro, para o alemão “A Vida dos Outros”, numa das poucas zebras (ou quase-zebras) da noite.

 

Falando em quase-zebras, a justa vitória de Alan Arkin como coadjuvante foi uma delas. E a derrota de Eddie Murphy foi um dos fracassos do enfadonho “Dreamgirls”, que será lembrado como o musical que não conseguir ganhar nem melhor canção, mesmo tendo feito três dos cinco indicados.

 

Ellen DeGeneres, a apresentadora, acertou uma ou outra piada, fez Spielberg tirar uma foto dela com Clint, deu um roteiro a Scorsese. Foi pouco. E fez sentir saudades do humor politicamente incorreto e muito mais anárquico de Jon Stewart no ano passado.

 

Mas deixemos a moça de lado, pois o Oscar 2007 foi mesmo de Scorsese. Que tinha o melhor filme entre os cinco na disputa e apenas por isso já merecia o prêmio. Mas venceu com uma obra muito inferior às que fizeram seu nome nos anos 70 e 80. A Academia, no fim das contas, também premiou Martin para corrigir injustiças passadas.

 

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A lista completa dos vencedores do Oscar está na Ilustrada Online. Leia mais sobre o Oscar também na versão impressa da Ilustrada desta segunda.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h28 AM

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Oscar sem cortes

Oscar sem cortes

Já está virando tradição. Como o ano passado, a Globo transmite o Oscar... retalhado. Apesar de a cerimônia começar às 22h30, a rede de TV aberta entra no ar apenas às 23h15, depois de "Fantástico" e "Big Brother". E depois de algumas estatuetas já estarem com seus donos. Para os felizes proprietários de TV paga, a TNT é a saída, com comentários de Rubens Ewald Filho, a partir das 22h. Quem não for fã de Rubens Ewald, há ainda outra opção: colocar a TV na tecla SAP para ter o som original e ligar o rádio na BandNews FM (96,9 em SP), onde o crítico da Folha Sérgio Rizzo comentará a premiação.

Este blogueiro, que acha que este é o ano de "Os Infiltrados" e de Scorsese, volta na madrugada para comentar o resultado. Até lá.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h19 AM

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E o Oscar NÃO vai para... (Parte 2)

E o Oscar NÃO vai para... (Parte 2)

  

Na segunda parte da enquete "Qual filme NÃO merece o Oscar?", a vida continua dura para Brad Pitt e Cate Blanchett, pois os jornalistas consultados não morrem de amor pelo filme de Iñárritu. Mas, no fim, somando a primeira parte e esta, nenhuma obra passou incólume. Aos comentários:

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Naief Haddad – "Babel": Orson Welles era pretensioso, Godard é. Chaplin também era, assim como Hitchcock. Isso não é um problema quando o talento se iguala à presunção. Ou a supera. E o que pretende o mexicano Iñárritu em "Babel"? A partir de temas contemporâneos, como imigração ilegal e dificuldade de comunicação entre culturas, ele apresenta três histórias, em países diferentes, que acabam se entrelaçando; o vôo alto é por um cinema da globalização. O resultado? Algumas boas idéias prejudicadas por um estica-e-puxa do roteiro para ligar as tramas e uma afetação no trato das imagens e da música. Neste caso, a pretensão foi um tanto além do talento. Numa festa imodesta como o Oscar, o prêmio de melhor filme cairia melhor nas mãos de Scorsese ou Eastwood. 

Leonardo Cruz – "Pequena Miss Sunshine": A saga da Kombi amarela é uma espécie de Portuguesa do cinema: desperta a simpatia de todos e, com certeza, tem o mais baixo índice de rejeição entre os candidatos ao Oscar. Sua fórmula é simples: ótimas piadas, personagens engraçadinhos (pena que o melhor deles morre no meio) e um desfecho para deixar a platéia feliz da vida. Mas, no fim das contas, não passa de uma versão mais longa de uma boa sitcom, dessas que se multiplicam na TV paga. É como se dessem o Oscar para "A Grande Família - O Filme" ou para um longa-metragem de "Friends". Os fãs que me perdoem, mas não faz nenhum sentido.

Ricardo Calil – "Babel": Por apresentar uma moral cristã fatalista e antiquada (em que um Deus pune os homens com uma série de tragédias desproporcionais a seus pecados) e uma visão perversa e entreguista da globalização (americanos e japoneses sofrem com as cagadas de mexicanos e marroquinos - estes, quando não fazem na entrada, fazem na saída).

Sandro Macedo – "Babel": Há tempos o Oscar principal não estava tão equilibrado. É possível justificar o prêmio para qualquer um dos indicados, até para "Pequena Miss Sunshine", que começou a corrida como azarão e está num ótimo sprint final. No entanto, apesar de apresentar algumas qualidades, "Babel" é o trabalho mais fraco da dupla Iñárritu (o diretor)/Arriaga (o roteirista). Espero que eles ganhem... em outro ano, com um filme melhor.

Sérgio Dávila – "Babel", "A Rainha" e "Cartas de Iwo Jima": Com exceção de "Os Infiltrados", não o melhor, mas um dos grandes filmes da carreira de Martin Scorsese, e "Pequena Miss Sunshine", que prova ainda ser possível fazer um filme barato e simples apenas com um bom roteiro, uma direção segura e um elenco sem estrelas mas afiado, o resto nem merecia estar na categoria. "Babel" é de uma pretensão que não encontra eco no resto da trilogia de Iñárritu; "A Rainha", convenhamos, é um telefilme metido a besta; e "Cartas de Iwo Jima" é um belo filme, mas não o melhor de Clint Eastwood nem se o critério for "longas do diretor já indicados ao Oscar".

Cássio Starling Carlos – "Babel": A pose de indignação conduz o cinema discursivo de Iñárritu neste que disputa com "Crash" o lugar de um dos filmes mais insuportáveis dos últimos anos. A necessidade de submeter o espectador à demonstração de uma idéia inequívoca abole qualquer espaço para o uso de nossa inteligência. Iñárritu manipula os recursos elementares da linguagem, como a montagem paralela, para criar uma impressão de conexão, pior, de causa-efeito entre os três núcleos dramáticos do filme. Esse cinema de tese, a despeito de sua inventividade para a época, já havia sido avaliado com reservas quando Griffith lançou mão dele em "Intolerância" em... 1916. Mas o pior em "Babel" é o tipo de interpretação que o filme sugere de seus personagens. Enquanto retrata árabes, japoneses e mexicanos como tipos no mínimo irresponsáveis de seus atos, os americanos ocupam inequivocamente o lugar de vítimas (seja como turistas no Marrocos, seja como crianças se divertindo numa festa de casamento mexicana). A pretensão multicultural se dilui neste reducionismo, mas os olhos míopes de Hollywood devem ver "Babel" como exemplo máximo de filme engajado. Numa época em que muitos filmes voltam a confundir política com populismo, Iñárritu corre um grande risco de na próxima segunda-feira estar sorridente em sua casa lustrando seu troféu, graças à coragem de "denunciar as injustiças do mundo".

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E para você? Qual filme não merece o Oscar?

Escrito por Leonardo Cruz às 12h04 PM

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E o Oscar NÃO vai para...

E o Oscar NÃO vai para...

Quem ganhará o Oscar? Quem merece levar o prêmio de melhor filme? Tais perguntas são as mais freqüentes nesta época do ano, e todo jornal, revista, site, blog e fanzine de colégio já apresentou suas apostas para o domingo. Assim, esta coluna eletrônica resolveu fazer o caminho contrário e lançou a pergunta: Quem NÃO merece ganhar o Oscar? Como o semblante de Brad Pitt já entrega, o resultado foi um massacre contra "Babel", rejeitado pela maioria dos jornalistas consultados. A seguir, cinco repórteres e críticos da Folha espinafram seus desafetos.

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Pedro Butcher – "Babel": É verdade que a boa direção de Alejandro González Iñárritu evita um resultado tão constrangedor quanto o vencedor do ano passado ("Crash"). Mas os dois filmes seguem exatamente a mesma lógica: põem em cena uma pequena multidão de personagens pobremente desenvolvidos, escravos de um roteiro com uma tese. Para que essa tese funcione, eles são "forçados" a tomar decisões estúpidas e absolutamente ilógicas. Pouco importa, porém. O que vale, apenas, é a engrenagem de uma história dispersa e supostamente "profunda", mas na verdade tola e superficial.

Sérgio Rizzo – "A Rainha": Está certo que o Oscar não é parâmetro de criação artística, e sim ferramenta de divulgação da indústria, mas os outros quatro concorrentes têm algo que os diferencie claramente do ramerrão atual. "A Rainha" faz muito bem aquilo a que se propõe, mas aquilo a que se propõe, com todo o respeito e a reverência à liturgia dos cargos públicos envolvidos, parece muito convencional diante do que oferece, por exemplo, "Cartas de Iwo Jima".

Inácio Araujo – "Babel": Este é o tipo de filme "poeira nos olhos", que nos engana usando certos artifícios (p. ex.: as histórias passadas em várias partes do mundo e se comunicando entre si, apesar de todos os tipos de distância) e apelando a certos recursos (ex.: mostrar os EUA como rejeitados pelo resto do mundo) que reconhecemos como "inteligentes". É o tipo de filme sem talento e mau caráter. Como, além do mais, é dirigido por um estrangeiro, tem tudo para ganhar.

Amir Labaki – "Os Infiltrados": Quantos filmes de gânsgsters melhores o próprio Scorsese já dirigiu? O que "Os Infiltrados" nos mostra do submundo norte-americano que já não vimos com maior complexidade em filmes dele próprio? Qual a originalidade da visão de mundo apresentada pelo filme? Quem duvida que "Babel" é mais urgente, "Pequena Miss Sunshine" mais coeso, "Cartas de Iwo Jima" mais denso, "A Rainha" mais sutil?

Bruno Saito – "Babel": É tão "filmaço" quanto o vencedor do ano passado ("Crash"). Consegue ser igualmente cretino na estrutura desgastada do roteiro de histórias interligadas e na lição de moral pedante. No final das contas, consegue ser apenas racista, já que investe em idéias/símbolos de estereótipos nacionais. O pior de tudo é que o conjunto acaba se passando por profundo.

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Ainda hoje no blog, a malhação continua, com a opinião dos outros jornalistas consultados. E o que você acha? Qual filme não merece o Oscar?

Escrito por Leonardo Cruz às 7h45 AM

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Scorsese e seu tsunami

Scorsese e seu tsunami

Uma enorme onda tomou forma no mar que banha Los Angeles e está pronta para arrebentar na praia. Chama-se "Os Infiltrados". Sites e blogs americanos que acompanham o Oscar e fazem suas previsões começam a afirmar, mais enfaticamente, que o filme de Martin Scorsese será o vencedor na noite de domingo. E já cravam que o cineasta, em sua sexta indicação, finalmente receberá a estatueta de melhor diretor.

Exemplos não faltam: a "Entertainment Weekly", que até o início de fevereiro dava um ligeiro favoritismo a "Pequena Miss Sunshine", agora coloca "Os Infiltrados" na frente. O blog "The Envelope", do "Los Angeles Times", fez o mesmo e passou ao topo o filme de Scorsese, na média de opiniões de seus 12 especialistas.

Pelo menos em teoria, esses jornalistas não são chutadores profissionais. Têm fontes e conversam com quem vota no Oscar. E daí tentam captar a onda que se aproxima. Então a questão está resolvida? Mais ou menos. Esses mesmos especialistas não foram capazes de identificar a surpresa "Crash" no ano passado e todos eles juraram que "Dreamgirls" estaria entre os indicados a melhor filme neste ano.

O caráter científico de tais previsões é tão exato que é melhor, como fez o blog Cinematical, recorrer a especialistas, digamos, alternativos. No ano passado, o site apontou as previsões de uma tarântula chamada Klaus, que acreditava na vitória de "Munique". Neste ano, um dos autores do blog colocou os nomes dos indicados dentro de um chapéu e pediu aos filhos que sorteassem.

De acordo com os pequenos, "Cartas de Iwo Jima" será o melhor filme, Stephen Frears, o melhor diretor, Judi Dench, a melhor atriz, e Ryan Gosling, o melhor ator. Simples, não?

Escrito por Leonardo Cruz às 4h03 PM

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E o Oscar foi para...

E o Oscar foi para...

Passado o Festival de Berlim (e o Carnaval), as atenções do blog se voltam ao Oscar, que acontece no próximo domingo. Mas antes das habituais especulações e previsões equivocadas, um pouco de nostalgia. Desenterrado do YouTube, um vídeo que relembra todos os vencedores do prêmio principal da Academia, desde 1927, ao som do "Bolero" de Ravel. Além de refrescar a memória, serve para mostrar como Hollywood já entregou a estatueta para alguns filmes apenas razoáveis, como "Coração Valente" e "Shakespeare Apaixonado". Conforme o curta avança, serve também para mostrar como o cinema continua sendo um reflexo de sua época, social e esteticamente, vide a vitória de "Perdidos na Noite" em 1969 e a de "Crash" no ano passado. Divirta-se.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h07 AM

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Elas querem Santoro

Elas querem Santoro

Rodrigo Santoro já deve estar acostumado. Nos festivais internacionais, ele é sempre perseguido por uma cortina de sussurros e insistentes olhares femininos, onde quer que vá. Foi assim em Veneza, com "Abril Despedaçado" (2001). Foi assim em Cannes, com "Carandiru" (2003). Em Berlim, foi um pouco além. As cenas de tietagem explícita foram protagonizadas pela imprensa na entrevista coletiva de anteontem no Festival de Berlim.

Representando o filme "300", na seleção oficial fora de competição, Santoro, que interpreta Xerxes, o rei da Pérsia, estava ao lado do diretor Zack Snyder e do ator Gerard Butler, o Leônidas, rei de Esparta, que enfrenta o exército de Xerxes. Snyder respondia a várias perguntas. Nem todas simpáticas ao filme, quando, às tantas, a mediadora Claudia Landsberger saiu-se com essa: "Tenho uma pergunta para os atores, porque fiquei fascinada pelos corpos deles". Os jornalistas riram e alguns aplaudiram, consentindo talvez.

Butler contou que, para adquirir a barriga tanquinho que exibe em "300", começou uma rotina de seis horas diárias de malhação, quatro meses antes das filmagens. Santoro ficou quieto no seu canto. Não falou palavra sobre o assunto.

Conversa vai, conversa vem, uma jornalista australiana alcança o microfone e insiste:
- Eu queria que Santoro respondesse a questão sobre o corpo. Desde que vi "As Panteras Detonando", minha vida não é a mesma. E tem também aquele papel de travesti que você fez em "Carandiru".

Santoro comentou:
- Fico feliz que você tenha visto este filme.

Ela:
- Ah, eu vi. Até entrevistei você a respeito. Esperava que você se lembrasse...

Ele atalhou direto para a resposta à pergunta, dizendo que a forma física é secundária num filme que apresenta tantas outras questões. Contou que estava muito magro quando foi fazer o teste, atendendo a uma necessidade de outro trabalho [certamente a série "Hoje É Dia de Maria", de Luiz Fernando Carvalho, para a Globo]. Falou ainda da concentração emocional necessária para o desempenho do papel de "uma entidade" como Xerxes e disse que se sentia "orgulhoso" do filme, que foi para ele "uma grande lição". 

Ontem, quando falou comigo sobre "300", Butler citou as palavras de Santoro sobre "a concentração emocional". Achou que ele mandou bem. "Ele é o cara! Quando vejo o filme, fico pensando de onde ele tirou aquele Xerxes sexy e andrógino [que Snyder queria]".

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Na versão impressa da Ilustrada de hoje, há também uma reportagem sobre a exibição de "300" no Festival de Berlim e reação da crítica. O texto também está disponível na Ilustrada Online.

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 8h31 AM

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História do cinema, de graça, em SP

História do cinema, de graça, em SP

Discretamente, sem fazer alarde, a Cinemateca Brasileira tem, já há algum tempo, prestado bom serviço aos interessados em conhecer mais o cinema, nacional e estrangeiro. Além de um trabalho de conservação e restauro de filmes, promove em sua sala na Vila Mariana ciclos e retrospectivas sobre movimentos e sobre diretores que precisam sempre ser relembrados e repensados.

Outra frente da Cinemateca é o ensino. Há três anos a entidade realiza, em parceria com a ECA-USP, um curso de história do cinema. É gratuito, dividido em módulos bimestrais independentes e tem 150 vagas muito concorridas. Sempre às terças-feiras à noite, o curso é ministrado pelo professor da ECA e historiador Eduardo Morettin.

O próximo módulo, motivo deste post, começa no dia 6 de março e abordará a história do documentário em seus primeiros momentos, dos irmãos Lumière a "Nanook of the North", de Robert Flaherty (foto). As inscrições serão abertas no dia 27 e devem ser feitas pessoalmente na sala do largo Senador Raul Cardoso. Mais detalhes no site da Cinemateca.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h00 PM

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Pobre entra no cinema?

Pobre entra no cinema?

 

"Antônia", o filme, estreou na última sexta com todos os elementos para ser um êxito de bilheteria. A saber:

1) vinha no embalo de uma série de TV global que teve boas médias de audiência no ano passado.

2) teve intensa atenção da mídia, especialmente na Globo, co-produtora do filme, que dedicou espaço em seus programas mais nobres para exibir cenas e entrevistas com as protagonistas.

3) foi alvo de uma boa campanha de marketing, com propaganda nos principais jornais e trailers/comerciais na TV.

4) recebeu críticas positivas dos principais jornais e revistas do país. Na avaliação geral dos críticos, "Antônia" é uma peça de entretenimento popular que funciona bem.

5) foi lançado com 125 cópias nas principais cidades do país. Mais do que, por exemplo, os candidatos ao Oscar "Babel" (81 cópias) e "A Rainha" (80).

Mesmo com tudo isso, o filme teve apenas 23.906 espectadores em seu primeiro final de semana e ficou em décimo lugar no ranking de estréias, atrás de xaropadas como "À Procura da Felicidade" e "Rocky Balboa". No pior cenário previsto por seus produtores, "Antônia" teria 80 mil espectadores nos dias de estréia. O que deu errado?

Um palpite: o cinema deixou há muito de ser entretenimento popular, com seus ingressos entre R$ 15 e R$ 20. É lazer para classe média alta, que tem real poder de consumo. E "Antônia" não atrai tal fatia da população, porque não tem nenhum astro ou estrela (de Hollywood ou das novelas), é um drama (não uma comédia escrachada) e retrata o cotidiano da periferia de São Paulo. Não é fácil escrever isto, mas a realidade é que esse público consumidor não quer ver pobre no cinema. Na história nacional recente, a única exceção foi "Cidade de Deus". Ou estou enganado?

Escrito por Leonardo Cruz às 9h59 AM

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Cara a Cara com Matt Damon

Cara a Cara com Matt Damon

Matt Damon não chega a ser um Leonardo DiCaprio na espantosa capacidade de ficar incólume à passagem do tempo, mas ele certamente aparenta bem menos idade do que os 36 anos que tem. Por isso, para interpretar Edward Wilson, o protagonista de "O Bom Pastor", de Robert De Niro, que se despede do filme com 41 anos e um filho já adulto, Damon foi "derrubado" pela maquiagem do longa _ganhou rugas e cabelos brancos que, de fato, nao possui.

"O Bom Pastor", no qual Damon contracena com a estonteante Angelina Jolie (foto), tem estréia marcada para 23/2 no Brasil e está agora em competição pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim, onde este blog perguntou a Damon qual é a sensação de se ver envelhecer na tela. Veja a resposta:

"Envelhecer não foi muito trabalhoso, porque eu tinha que aparentar no máximo cinco anos a mais do que tenho hoje. O duro foi aparentar 19 (a idade de Wilson quando ele assume o papel). Bob (Robert De Niro) quis uma maquiagem muito sutil. Ele é incrivelmente detalhista. Aliás, é conhecido por ter obsessão com detalhes. Às vezes, antes de rodar uma cena, ele vinha pessoalmente ajeitar o meu cabelo. Para o personagem ficar mais velho, eles me faziam as rugas, me punham cabelos brancos e raspavam uma faixa estreita de cabelos, para me deixar com entradas na testa. Eu também usava uma lente para ficar com o olhar opaco. Para ter 19, eles acrescentavam mais cabelos do que eu tenho e cobriam os brancos (nota do blog: imperceptíveis, por sinal). Essa era a parte boa. Muita gente que viu o filme veio me perguntar depois por que não usamos maquiagem. Caramba, eu ficava uma hora por dia na maquiagem e me dizem isso!"

O tema da idade fez Damon lembrar de como já ficou feio no cinema. Ele contou que, na primeira vez em que um diretor teve a idéia de mudar sua aparência para um filme (nota do blog: ele quer dizer torná-lo menos lindo, mas não diz isso com todas as letras, porque é modesto), foi praticamente chamado de louco pelos produtores, que argumentavam: "Se você consegue um ator com nariz perfeito, por que diabos não vai aproveitar isso?" Pois bem, Terry Gilliam não se deu por vencido. "E, Em 'Os Irmaos Grimm', eu acabei usando aquele narigão".

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A íntegra da entrevista que fiz com Matt Damon e Robert De Niro está na Ilustrada Online (leia aqui e aqui).

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 8h05 AM

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Os favoritos de Homer ao Oscar

Os favoritos de Homer ao Oscar

 

 

Esta é para começar bem a semana. Circula há alguns dias na rede a mais precisa previsão de vencedores do Oscar: são as apostas de Homer Simpson, aquele espectador do "Jornal Nacional" que eventualmente estrela o mais divertido desenho da TV.

Trata-se de mais um artifício criado pela Fox para promover "Simpsons – O Filme", que estréia nos EUA em 27 de julho e no Brasil em 17 de agosto, e ainda tirar uma onda do Oscar e dessa nossa mania de tentar adivinhar vencedores. O trailer do longa vai no pé deste post. Agora, a bola de cristal do patriarca da família Simpson:

Melhor filme: "Pequena Miss Sunshine". Adoro a idéia de uma família em que o filho não pode falar e o avô morre. O sucesso alto astral do ano!

Melhor ator: Forest Whitaker – "O Último Rei da Escócia". Ele não só comeu o cenário. Ele devorou o elenco.

Melhor atriz: Escolho a única dessas moças que é uma verdadeira americana: Penélope Cruz.

Melhor ator coadjuvante: Mark Wahlberg. Adoro como ele mata Matt Damon no fim do filme. Ooops, contei.

Melhor atriz coadjuvante: Sharon Stone – "Instinto Selvagem 2". Vote nela, pessoal.

Melhor canção: Como resistir ao mais agradável musical já feito: "Uma Verdade Inconveniente".

Melhor documentário: "Jesus Camp". Sempre quis saber o sobrenome de Jesus.

Melhor curta documentário: Quem se importa? Sai da minha premiação. Quero mais closes do Jack Nicholson dando risada.

Melhor esnobada inacreditável: "Dreamgirls". Não acredito que não foi escolhido para melhor filme. Especialmente depois de Eddie Murphy interpretar os papéis de todas as garotas. A única coisa que faltou foi a vovó peidorreira e boca-suja. Graças a Deus tinha uma ótima em "A Rainha".

Escrito por Leonardo Cruz às 7h34 AM

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Abalando Berlim

Abalando Berlim


“Vamos celebrar as novas produções brasileiras! Curta a música, a atmosfera e o gosto da autêntica caipirinha!” É esse o texto do convite para a festa brasileira em Berlim, que acontece neste sábado, a partir das 23h, no Palais Veranstaltungs, diz o flyer, todo escrito em inglês. Uma setinha apontando para o cartaz de “Antônia”, com seu quarteto de protagonistas, sinaliza que vai haver “show musical com as atrizes/cantoras”. As Antônias prometem abalar Berlim. Aliás, deixaram bem clara sua disposição já na festa de abertura do festival, na quinta à noite, protagonizando uma cena que o diretor-executivo da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues, filmou em seu celular e promete colocar no Youtube.

Foi assim (como contou Rodrigues, em outra festa, ontem, na Embaixada do Brasil, oferecida às equipes dos quatro filmes brasileiros que participam do festival): a banda alemã oficialmente contratada para animar os convidados cantava standards dos 70. As Antônias ferviam na pista. Sabe aquele momento em que o vocalista da banda resolve tornar o show mais interativo e aproxima o microfone de uma pessoa do público que aparenta muita animação? Pois é, aconteceu que a band leader alemã apontou o microfone exatamente na direção das meninas do Brasil, que não pestanejaram _tomaram posse do show, subindo ao palco e cantando três músicas, inclusive “Antônia”, o tema do filme de Tata Amaral protagonizado por elas.

Ontem, na residência do embaixador, as moças rodearam o piano e cantaram desde música de serenata até bossa nova, na maior animação. Tata Amaral acompanhou a cantoria. Estava felicíssima com a primeira sessão de “Antônia” em Berlim, que ocorreu às 17h de sexta, inaugurando a mostra Generation 14Plus. O cinema estava abarrotado de gente, e Tata abriu o coração para a platéia alemã _contou que o filme estreava no Brasil naquele mesmo dia e que ela esperava que as salas estivessem tão lotadas lá como cá.
Circulando pelo jantar na embaixada brasileira, o diretor Paulo Caldas, de “Deserto Feliz”, aproveitava para distribuir outro convite _para a festa exclusiva de seu filme, no dia 15. Vai ser no Bar KMS36, que vem a ser na Karl Marx Allee 36.

Daniel Rezende, o montador de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, que também é DJ ocasional, avisou que não vai poder tocar na festa deste sábado. “Só trouxe o meu Ipod. Não tenho mais nada aqui.” É pena, mas, se depender do pique das Antônias, ninguém vai reclamar. Da música, pelo menos. Quanto à caipirinha, é melhor os organizadores garantirem o gelo necessário a consumidores exigentes. Muito discretamente, no salão da embaixada, ontem, ouviam-se comentários de que caipirinha sem gelo, francamente, não dá!

Escrito por Silvana Arantes (em Berlim) às 9h23 AM

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Cassavetes é pop!

Cassavetes é pop!

Alerta cinéfilo! Se você está em São Paulo e pretende ir ao Cinesesc neste final de semana para assistir aos filmes de John Cassavetes, chegue cedo. A mostra com cinco filmes do fundador do cinema independente americano começou hoje e já teve bom público em suas duas primeiras sessões.

Não que o Cinesesc estivesse lotado (longe disso), mas tinha muito mais gente para ver "Sombras" (foto) e "Faces" do que costuma aparecer nas sessões vespertinas da sala da rua Augusta. Sinal da importância do diretor e da diferença que faz ter filmes raros exibidos no cinema, em película.

Para quem está se programando, daqui a pouco tem "Uma Mulher sob Influência", às 19h, e "A Morte de um Bookmaker Chinês", às 21h50. A programação completa do ciclo, que acontece até a próxima quinta, está aqui.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h13 PM

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Cinema sem Candeias

Cinema sem Candeias

Um dos principais nomes do cinema marginal brasileiro, Ozualdo Candeias morreu nesta tarde. Aos 88 anos, estava internado havia uma semana no Hospital Brigadeiro em São Paulo. Sofria de câncer de próstata.

Em seu filme de estréia, "A Margem" (1967, foto), o diretor já deixava claro os elementos que marcariam sua obra: o foco nos excluídos, a produção de recursos mínimos e o interesse pela vanguarda, pelo experimental. O restante de sua obra, concluída em 1992 com "O Vigilante", confirma esse repertório temático e estético.

Atualmente, pouca gente conhece a obra de Candeias. Seus filmes não estão em DVDs e raramente eram reexibidos nos cinemas (exceção para a retrospectiva de 2002 com seus 32 longas no CCBB paulistano). É um cineasta que precisa ser descoberto.

Uma boa porta de entrada para compreender melhor sua importância é o documentário "Candeias: Da Boca pra Fora", de Celso Gonçalves, disponível na íntegra no site Porta-Curtas. Outro caminho é o site sobre o cineasta, organizado por Eugênio Puppo, com biografia, análises dos filmes, ensaios e depoimentos. A terceira alternativa, que acabo de saber, é a melhor de todas. O Canal Brasil fará, a partir de segunda-feira, um ciclo em homenagem ao diretor.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h17 PM

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Filmoteca - Tata Amaral

Filmoteca - Tata Amaral

A cineasta Tata Amaral é diretora de importantes títulos do curta-metragem brasileiro, como o premiado "Viver a Vida" (1991). Sua estréia no longa-metragem aconteceu em 1996, com o ótimo "Um Céu de Estrelas", eleito em pesquisa da Folha como um dos três filmes mais importantes daquela década. Assina ainda "Através da Janela" (2000), longa vencedor de dez premiações no Brasil e no exterior, incluindo cinco prêmios de melhor atriz para Laura Cardoso, videodocumentários (como "VinteDez", de 2001) e videoinstalações (como "Ecos", de 2003). Sua mais recente produção é "Antônia", que entra em cartaz nesta sexta e cujo trailer está no final deste post. A seguir, ela lista seus filmes favoritos.

*

"Rio 40 Graus" (Nelson Pereira dos Santos, 1955)

Graças a este filme, eu, ainda jovem, descobri que havia um cinema brasileiro. O realismo da história e das imagens me impressionou.

 

"12 Homens e Uma Sentença" (Sidney Lumet, 1957, lançado em DVD)

Filme integralmente passado na sala de um júri. Assisti na televisão, nos início dos anos 80. A sequência inicial, se não me falha a memória, traz um juiz orientando os jurados, que acabam de ouvir os argumentos da defesa e da acusação. Pede ao júri _composto por Henri Fonda e grande elenco_ que se recolha para deliberar com ponderação e justiça e que tenha em mente que podem absolver um assassino ou condenar à morte um inocente. Nesse momento, tarde da noite, eu decidi: no primeiro flashback, desligo a televisão e vou dormir. Não desliguei até o final. A partir dessa experiência, descobri que um bom cinema pode se fazer com um bom roteiro, bons atores e boa direção.

 

"Acossado" (Jean-Luc Godard, 1960)

Impossível esquecer Belmondo acariciando os lábios grossos, chapéu jogado para trás. A liberdade da decupagem e da narrativa, no filme, são um marco do cinema contemporâneo. O filme, que conheci nos anos 70, me trouxe a idéia de contemporâneo, moderno, atual. 

 

"Rota ABC" (Francisco Cesar Filho, 1991, assista aqui)

Nunca um filme foi tão simples e tão belo. Inesquecível a cena dos meninos descendo a Serra do Mar de carrinho de rolimã. Ao lado de "Ilha das Flores", um dos maiores curtas-metragens brasileiros.

 

"Dez" (Abbas Kiarostami, 2002, lançado em DVD)

A estrutura do filme, em dez episódios de histórias dentro de um carro, me deixou chocada. Saímos do cinema, o professor Jean-Claude Bernardet e eu, em tal estado de excitação que não conseguíamos ir para casa, antes de falarmos das nossas impressões do filme.

* 

Escrito por Leonardo Cruz às 7h10 AM

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O Brasil em Berlim

O Brasil em Berlim

O Festival de Berlim começa hoje com quatro longas brasileiros em exibição. "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, é o primeiro filme do país a disputar o Urso de Ouro desde que "Central do Brasil", de Walter Salles, levou o troféu, em 1998. "Antônia", de Tata Amaral, abre a mostra paralela Generation 14 Plus, voltada ao público jovem. "Deserto Feliz", de Paulo Caldas, e "A Casa de Alice", de Chico Teixeira, integram a seção Panorama.

Para levar para casa o cobiçado ursinho, "O Ano" terá de superar 21 concorrentes, e só gente grande. Serão exibidos os novos filmes de François Ozon, Robert de Niro, Jacques Rivette, Stephen Soderberg, entre outros cineastas de respeito.

Ao longo dos próximos dias, a repórter Silvana Arantes, enviada especial da Folha a Berlim, contará aqui no blog (e no jornal também, claro) algumas boas histórias do festival alemão. Fique atento.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h05 AM

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Matrix no telhado da ECA

Matrix no telhado do Crusp

 

Neo, Trinity e o agente Smith escolheram um novo palco para seus duelos futuristas: a laje de um dos prédios do Crusp, o conjunto residencial da Universidade de São Paulo. Os três personagens são os protagonistas de "Matrix: Baixo Orçamento", curta que já foi visto mais de 28 mil vezes desde que entrou no YouTube em novembro último. Não, não tem Keanu Reeves. Ele foi trocado por Bruno Sauer. Quem? E ao fundo aparece a paisagem do bairro paulistano do Butantã.

Com quase três minutos, o filmete é na verdade um trabalho de cinco alunos do curso de Audiovisual da ECA para uma disciplina que pedia a refilmagem de uma cena. Além de fazer a lição de casa, os estudantes da ECA criaram um pequeno portal no YouTube para desovar sua produção. Ou seja, uma idéia simples e boa. Já são 25 filmes por lá, com releituras de trechos de "Grease", "Os Normais" e até "Blow Up". No total, somados, foram vistos cerca de 100 mil vezes.

Como diz Jotagá Crema, um dos cinco autores de "Matrix: Baixo Orçamento", as produções "são cruas e tecnicamente primitivas". É verdade. É tudo meio tosco mesmo, mas não deixa de ser curioso. Para quem quiser conferir, aqui vai o link para o miniportal do Audiovisual 2006. E, a seguir, a versão uspiana da obra dos irmãos Wachowski.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h12 AM

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Kieslowski no É Tudo Verdade

Kieslowski no É Tudo Verdade

A obra ficcional do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski é bastante difundida no Brasil. Seus trabalhos fundamentais _"Decálogo", "A Trilogia das Cores" e "A Dupla Vida de Véronique"_ entraram em circuito comercial ou foram exibidos em mostras e festivais a partir dos anos 80. Nos próximos meses, o Kieslowski documentarista chega ao Brasil. Os filmes não-ficcionais do diretor serão o foco da retrospectiva internacional do É Tudo Verdade, principal festival de documentários do país.

Serão mais de dez filmes (o número exato não está definido ainda, mas eu apostaria em cerca de 15), entre curtas e médias-metragens, como "Da Cidade de Lodz" (1968) e "Curriculum Vitae" (1975, foto). Morto em 1996, o diretor polonês concentrou sua carreira na produção documental até o início dos anos 80, quando passou a se dedicar quase integralmente à ficção. Entre 1966 e 1988, Kieslowski assinou 22 docs, com foco, sobretudo, na rotina dos trabalhadores poloneses.

O É Tudo Verdade acontece em março e abril, em quatro cidades do país. Em São Paulo, vai de 22/3 a 1º/4; no Rio, de 23/3 a 1º/4; em Brasília, de 3 a 15/4; e em Campinas, de 9 a 15/4. Em sua 12ª edição, o festival apresentará, além dos filmes de Kieslowski, competições nacionais e internacionais de longas e de curtas, além das mostras paralelas "O Estado das Coisas", "Horizonte", "Foco Latino-Americano" e "Retrospectiva Brasileira". Em São Paulo, durante o evento, acontecerá também a sexta Conferência Internacional do Documentário, um porto de debate sobre a produção no setor.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h23 AM

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O candidato alemão ao Oscar

O candidato alemão ao Oscar

A colaboradora de Paris Patrícia Klingl escreve sobre "A Vida dos Outros", de Florian Henckel von Donnersmarck, candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor do European Film Awards nas categorias filme, ator e roteiro. O filme deve entrar em cartaz no Brasil ainda neste primeiro semestre.

*

"A vida dos outros", por Patrícia Klingl

A história alemã do século 20 é marcada por eventos sombrios, que serviram como fonte de inspiração para grandes filmes. É assim com "A Vida dos Outros", primeiro longa-metragem de Florian Henckel von Donnersmarck.

Em 1984, no centro de detenção da Stasi (Ministério da Segurança de Estado, espécie de DOPS da Alemanha Oriental), o capitão Wiesler (Ulrich Mühe, foto acima) é encarregado de espionar o autor teatral Georg Dreymann (Sebastian Koch). Sua missão, desvendar um inimigo do socialismo, é um pedido pessoal do ministro da Cultura, que na verdade pretende incriminar o dramaturgo para ficar com sua esposa, a atriz Christa Maria Sieland (Martina Gedeck). Como em "Doutor Jivago", de David Lean, uma história de amor serve para tratar da desilusão política em tempos de revolução.

Wiesler instala equipamentos de escuta no apartamento do casal. Escondido no sótão do prédio, ele acompanha tudo o que se passa ali. Ao longo de sua vigilância, o agente descobre algo maior que o envolvimento do escritor em ações clandestinas: ele conhece a arte, a amizade e o amor, mundos até então ignorados por ele. É a partir desse contato que o agente se confronta com o desejo de mudar sua vida e não mais colaborar com o sistema. De informante, o personagem se transforma em protetor.

A escolha do diretor pelo ponto de vista daquele que talvez fosse o personagem de menor empatia faz a história ganhar força. Parte dessa identificação se deve ao ator Ulrich Mühe, que empresta sua fisionomia frágil (e sobretudo a tristeza de seu olhar) a este homem tocado pela vida e pelo amor.

O diretor, que também é roteirista de "A Vida dos Outros", mergulhou nos arquivos da Stasi para preparar seu primeiro filme. Donnersmarck, de apenas 33 anos, formado em filosofia em Oxford e em cinema em Munique, gastou cerca de uma década para preparar este que parece ser um filme de um diretor em plena maturidade.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h18 PM

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Baixio vence Roterdã

Baixio vence Roterdã

Depois de ser o grande vencedor do Festival de Brasília, "Baixio das Bestas" (foto) acaba de ser escolhido melhor filme no Festival de Roterdã, um dos principais festivais de cinema independente da Europa. O filme de Cláudio Assis dividiu o prêmio principal da mostra holandesa com outras três produções: "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), "The Unpolished", de Pia Marais (Alemanha) e "AFR", de Morten Hartz Kaplers (Dinamarca).

Na avaliação do júri de Roterdã, presidido pela portuguesa Teresa Villaverde, o filme de Assis foi premiado por sua "crueza, energia, força visual e por nos lembrar da falta de opções que alguém tem quando nasce num habitat isolado e desolado. Sem nunca nos deixar esquecer do enorme poder dos elementos da natureza".

Quando foi premiado em Brasília no final do ano passado, "Baixio das Bestas" dividiu o público do festival por apresentar um cinema que acirra tensões, fisica e psicologicamente violento e sem concessões. Quem já viu diz que é o filme mais ousado do diretor de "Amarelo Manga".

"Baixio das Bestas" acompanha a rotina de uma pequena comunidade durante um ciclo de plantio e colheita da cana, com foco numa jovem submetida a exploração sexual e doméstica por seu avô. Tem como personagens secundários jovens ricos e prostitutas da região. O filme deve estrear no Brasil em 11 de maio. 

Escrito por Leonardo Cruz às 6h26 PM

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Polanski escala o Vesúvio

Polanski escala o Vesúvio

Três notícias do mundo do cinema publicadas nestes dias pela "Variety" merecem destaque:

1) Roman Polanski anunciou seu novo projeto e é a maior produção com a qual já esteve envolvido. O diretor de ótimos filmes nos anos 60 e 70 ("Repulsa ao Sexo", "O Bebê de Rosemary", "Chinatown") e de filmes medianos nos anos 00 ("O Pianista", "Oliver Twist") comandará "Pompeii", thriller épico que recria a tragédia da erupção do monte Vesúvio, que destruiu o povoado da baía de Nápoli. O longa está orçado em US$ 130 milhões, será filmado na Itália ainda neste ano e é baseado em um livro de Robert Harris, que também escreve o roteiro. Será o primeiro épico de Polanski, que disse à "Variety" que o filme novo "dependerá muito dos efeitos visuais". Quem se lembra de o "O Bebê de Rosemary" (pôster acima) só pode lamentar. Afinal, em 1968, com o mínimo de recursos pirotécnicos, Polanski conseguir criar um dos mais assustadores filmes já feitos, mesclando drama, horror e suspense. 

2) Depois de sua temporada londrina, que rendeu a trilogia "Match Point", "Scoop" e "Cassandra’s Dream", Woddy Allen vai à Espanha e terá Penélope Cruz a tiracolo. A moça, indicada ao Oscar de melhor atriz por "Volver", estrelará o filme, que será falado em inglês e espanhol. Aos 72 anos e com uma média de um filme novo por ano, Allen passará a se dedicar integralmente ao seu primeiro filme espanhol logo após finalizar "Cassandra’s Dream", atualmente em fase de montagem.

3) O massacre na escola de Beslan em 2004, no qual o confronto entre terroristas tchetchenos e soldados russos deixou cerca de 300 mortos, será adaptado ao cinema e terá o brasileiro Bráulio Mantovani como roteirista. Será o primeiro trabalho importante no exterior do roteirista de "Cidade de Deus", "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" e do novo "Tropa de Elite", de José Padilha. O filme de Beslan, chamado "The School", terá na direção Oliver Hirschbiegel, de "A Queda".

*

Depois de muito atraso e adiamentos, finalmente estreou hoje no Brasil "A Conquista da Honra", o excepcional filme de Clint Eastwood. Para quem ainda não leu, recomendo vivamente a análise do filme, pelo crítico Inácio Araujo, publicada na Ilustrada de hoje (aqui, para assinantes Folha e UOL).

Escrito por Leonardo Cruz às 4h14 PM

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