Ilustrada no Cinema
 

Baixio vence Roterdã

Baixio vence Roterdã

Depois de ser o grande vencedor do Festival de Brasília, "Baixio das Bestas" (foto) acaba de ser escolhido melhor filme no Festival de Roterdã, um dos principais festivais de cinema independente da Europa. O filme de Cláudio Assis dividiu o prêmio principal da mostra holandesa com outras três produções: "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), "The Unpolished", de Pia Marais (Alemanha) e "AFR", de Morten Hartz Kaplers (Dinamarca).

Na avaliação do júri de Roterdã, presidido pela portuguesa Teresa Villaverde, o filme de Assis foi premiado por sua "crueza, energia, força visual e por nos lembrar da falta de opções que alguém tem quando nasce num habitat isolado e desolado. Sem nunca nos deixar esquecer do enorme poder dos elementos da natureza".

Quando foi premiado em Brasília no final do ano passado, "Baixio das Bestas" dividiu o público do festival por apresentar um cinema que acirra tensões, fisica e psicologicamente violento e sem concessões. Quem já viu diz que é o filme mais ousado do diretor de "Amarelo Manga".

"Baixio das Bestas" acompanha a rotina de uma pequena comunidade durante um ciclo de plantio e colheita da cana, com foco numa jovem submetida a exploração sexual e doméstica por seu avô. Tem como personagens secundários jovens ricos e prostitutas da região. O filme deve estrear no Brasil em 11 de maio. 

Escrito por Leonardo Cruz às 6h26 PM

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Polanski escala o Vesúvio

Polanski escala o Vesúvio

Três notícias do mundo do cinema publicadas nestes dias pela "Variety" merecem destaque:

1) Roman Polanski anunciou seu novo projeto e é a maior produção com a qual já esteve envolvido. O diretor de ótimos filmes nos anos 60 e 70 ("Repulsa ao Sexo", "O Bebê de Rosemary", "Chinatown") e de filmes medianos nos anos 00 ("O Pianista", "Oliver Twist") comandará "Pompeii", thriller épico que recria a tragédia da erupção do monte Vesúvio, que destruiu o povoado da baía de Nápoli. O longa está orçado em US$ 130 milhões, será filmado na Itália ainda neste ano e é baseado em um livro de Robert Harris, que também escreve o roteiro. Será o primeiro épico de Polanski, que disse à "Variety" que o filme novo "dependerá muito dos efeitos visuais". Quem se lembra de o "O Bebê de Rosemary" (pôster acima) só pode lamentar. Afinal, em 1968, com o mínimo de recursos pirotécnicos, Polanski conseguir criar um dos mais assustadores filmes já feitos, mesclando drama, horror e suspense. 

2) Depois de sua temporada londrina, que rendeu a trilogia "Match Point", "Scoop" e "Cassandra’s Dream", Woddy Allen vai à Espanha e terá Penélope Cruz a tiracolo. A moça, indicada ao Oscar de melhor atriz por "Volver", estrelará o filme, que será falado em inglês e espanhol. Aos 72 anos e com uma média de um filme novo por ano, Allen passará a se dedicar integralmente ao seu primeiro filme espanhol logo após finalizar "Cassandra’s Dream", atualmente em fase de montagem.

3) O massacre na escola de Beslan em 2004, no qual o confronto entre terroristas tchetchenos e soldados russos deixou cerca de 300 mortos, será adaptado ao cinema e terá o brasileiro Bráulio Mantovani como roteirista. Será o primeiro trabalho importante no exterior do roteirista de "Cidade de Deus", "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" e do novo "Tropa de Elite", de José Padilha. O filme de Beslan, chamado "The School", terá na direção Oliver Hirschbiegel, de "A Queda".

*

Depois de muito atraso e adiamentos, finalmente estreou hoje no Brasil "A Conquista da Honra", o excepcional filme de Clint Eastwood. Para quem ainda não leu, recomendo vivamente a análise do filme, pelo crítico Inácio Araujo, publicada na Ilustrada de hoje (aqui, para assinantes Folha e UOL).

Escrito por Leonardo Cruz às 4h14 PM

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Juventude em marcha

Juventude em marcha

 

“Tá todo mundo cansado de ouvir quais são os problemas da educação, mas ninguém faz nada.” A frase, dita por uma jovem professora de uma escola pública de Itaquaquecetuba (SP), é uma síntese (mas não a única) do documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, que teve uma sessão especial superlotada, com muita gente sentada no chão, no Cine Bombril, ontem à noite, em São Paulo.

 

O filme de João Jardim, mesmo diretor do ótimo “A Janela da Alma”, acompanha alunos de seis escolas brasileiras de realidades distintas, de uma instituição pública na pobre Manari, no sertão pernambucano, a uma particular no rico bairro paulistano de Alto de Pinheiros.

 

Os depoimentos dos jovens colhidos pelo diretor, intercalados por cenas do dia-a-dia das escolas, não só sintetizam os dilemas na educação no Brasil como também (e principalmente) fazem um interessante relato da adolescência hoje no país.

 

Nas conversas, Jardim consegue identificar questões comuns a garotos e garotas de 15, 16, 17 anos no centro e também na periferia. Violência, amor, espiritualidade, relacionamento social e familiar são alguns dos temas, das inquietações que surgem tanto na fala das estudantes do colégio Santa Cruz (foto) quanto no discurso de Valéria, de Manari, personagem-chave de “Pro Dia Nascer Feliz”.

 

Aluna de uma escola onde a infra-estrutura básica nunca chegou, Valéria escreve poemas como forma de reação e reflexão à realidade que enfrenta  e os declama para a câmera com impressionante desenvoltura. Presente na sessão de ontem, ela foi aplaudida de pé pelos mais de 300 espectadores que assistiram ao filme e acompanharam o debate que o sucedeu.

 

“Pro Dia Nascer Feliz” estréia formalmente nos cinemas do país nesta sexta-feira, mas já pode ser visto em São Paulo em pré-estréias diárias, às 17h50, no Cine Bombril, dentro da sessão Folha Documenta. Para quem já foi adolescente e para quem se interessa pelos rumos da educação no Brasil é um filme que precisa ser visto.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 9h17 AM

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Sexo Rodriguez e Sangue Tarantino

Sexo Rodriguez e Sangue Tarantino

 

Dois filmes de terror pelo preço de um. Esse é o slogan de marketing de "Grindhouse", novo projeto de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Uma homenagem aos filmes de terror B dos anos 60 e 70, "Grindhouse" conta duas histórias recheadas, prometem seus diretores, de sexo e sangue.

Em "Planet Terror", o filme de Rodriguez, Rose Mcgowan interpreta uma go-go dancer que tem uma das pernas comidas por um zumbi. No lugar membro arrancado, a moça instala uma metralhadora e parte em busca de vingança. Em entrevista ao "New York Times", Rodriguez disse que pensou na "idéia mais maluca para atrair pessoas ao cinema" e aí escreveu um roteiro em cima disso. Resultado: a perna-metranca.

O filme de Tarantino é "Death Proof" e nele Kurt Russell vive um dublê que usa um carrão preto, decorado com uma caveira branca, para perseguir e matar mulheres.

"Planet Terror" tem 80 minutos. "Death Proof", 90. Ligando um ao outro, trailers de quatro filmes fictícios. No total, três horas de horror carniceiro sob a batuta dos diretores americanos que mais demonstram talento para absorver elementos da cultura pop atual e transformá-los em algo novo. Vide "Sin City" e "Kill Bill".

A homenagem ao terror B não se resume aos temas mas também ao formato de "Grindhouse". Além do combo dois-em-um, o filme foi "envelhecido" com arranhões e sujeira nas imagens. E as duas histórias terão pedaços faltando _Tarantino e Rodriguez cortaram sequências inteiras propositalmente.

O filme estréia nos EUA em 6 de abril, em meio à maior campanha de marketing já comandada pela produtora Weinstein. No Brasil, ao menos agora, não há previsão de lançamento. Mas vai chegar, pode apostar que vai chegar. Por enquanto, o trailer abaixo serve como aperitivo.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h06 PM

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Bala na agulha

Bala na agulha

Pelo visto, essa garotinha ainda vai ter muitas razões para gritar. "Pequena Miss Sunshine" levou nesta madrugada o prêmio principal da Screen Actors Guild (SAG), no que foi o segundo troféu importante conquistado pelo filme da pequena Abigail Breslin em menos de dez dias. No final de semana anterior, "Miss Sunshine" já havia sido escolhido a melhor produção do ano pela Producers Guild of America (PGA). Com as duas vitórias, a saga da Kombi amarela deixa de ser apenas um azarão na corrida de melhor filme no Oscar e passa a ter chances reais. Por quê?

Porque SAG e PGA representam dois dos principais núcleos de eleitores da Academia: a associação de atores responde por 21% dos 5.830 eleitores que escolherão o Oscar de melhor filme; a entidade de produtores concentra 487 membros votantes. Nos últimos 17 anos, 11 filmes que venceram o prêmio da PGA também triunfaram no Oscar, enquanto a SAG escolheu no ano passado o filme que acabou por levar a estatueta, "Crash".

Nos demais prêmios da associação de atores, um repeteco do Globo de Ouro: Forest Whitaker, Helen Mirren, Eddie Murphy e Jennifer Hudson foram os escolhidos. Mais um indício de que está praticamente definida a premiação dos atores do Oscar 2007.

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A boa nova do final de semana foi a vitória de "Manda Bala" em Sundance. O júri do principal festival de cinema independente dos EUA deu seu grande prêmio na categoria documentário ao filme do estreante Jason Kohn. Com o Brasil como cenário, "Manda Bala" é definido por seu diretor como um "Robocop não-ficcional" e tem como temas corrupção, violência, seqüestro e até o ranário da mulher de Jader Barbalho. Em Sundance, "Manda Bala" também rendeu o prêmio de melhor fotografia à brasileira Heloísa Passos, diretora do premiado curta "Viva Volta" (2005). Definido pelo site IndieWIRE como "brilhante, belo e impressionantemente abrangente", "Manda Bala" é o primeiro filme obrigatório de 2007.

*

Dos EUA para a Europa, registro para a vitória de Almodóvar e Guillermo del Toro no Goya, o Oscar espanhol. "Volver" e "O Labirinto do Fauno" foram as duas produções espanholas de maior sucesso internacional em 2006, e o êxito desses filmes no Goya era esperado. Mas vale prestar atenção em Daniel Sánchez Arévalo, que ganhou o prêmio de melhor diretor estreante por "AzulOscuroCasiNegro". O filme passou no Brasil na Mostra de SP, em outubro último, e quem viu sabe que Sánchez tem muito futuro.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h11 AM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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