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Greengrass vai ao Iraque

Ele já reconstitui o maior ataque terrorista da história em "Vôo United 93". Agora, o diretor inglês Paul Greengrass planeja filmar o pós-guerra iraquiano como um docudrama, a mesma estrutura narrativa do filme que o consagrou no ano passado.
Segundo a revista "Variety", o cineasta adaptará ao cinema o livro "Imperial Life in the Emerald City", escrito pelo jornalista Rajiv Chandrasekaran, chefe do escritório em Bagdá do diário americano "Washington Post". No livro, que passou algumas semanas nas listas de mais vendidos nos EUA, o jornalista descreve a caótica tentativa dos americanos de estabelecer um governo provisório na chamada "zona verde", a área ao redor dos palácios de Saddam tomada pelos soldados da ocupação.
Greengrass, que atualmente roda o terceiro filme da série "Bourne" ("Bourne Ultimatum"), manterá em seu projeto iraquiano os mesmos produtores e a mesma equipe de pesquisa que trabalharam com ele em "Vôo United 93" (foto acima). E as filmagens serão realizadas ainda neste ano, provalmente no segundo semestre.
A experiência de Greengrass com docudramas não se restringe a "Vôo United 93". Antes disso, o diretor já dirigira, escrevera e/ou produzira filmes sobre os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, como "Omagh" e "Domingo Sangrento" (vencedor do Urso de Ouro em Berlim-2002).
Como o cineasta é um crítico incisivo do governo Bush e avalia a Guerra do Iraque como "a decisão mais desastrosa de nossa geração", é de se esperar um duro ataque à atual política externa dos EUA.
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Para quem ainda não viu, "Vôo United 93", um dos grandes filmes de 2006, acaba de ser lançado em DVD pela Universal. É também uma boa chance de rever o filme, que pode ser uma surpresa nas indicações ao Oscar, que serão anunciadas na próxima terça-feira.
Escrito por Leonardo Cruz às 4h18 PM
Caça ao celular no cinema
A melhor história do dia está no blog Olha Só, contada pelo Ricardo Calil. A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em primeira votação um projeto de lei que cria o Estatuto do Cinéfilo. Elaborado pelo vereador Délio Malheiros (PV), o projeto tem como ponto mais polêmico o confisco dos telefones celulares nas sessões de cinema. Pela proposta de Malheiros, os espectadores só poderão assistir ao filme com seus aparelhos, se estes estiverem no modo silencioso. Caso contrário, a gerência da sala fica autorizada a confiscar o celular, para devolvê-lo apenas ao final da exibição.
O uso de celulares no cinema é um mau hábito que assola as salas de projeção no país, e iniciativas para coibir a prática são louváveis. Mas tomar o aparelho do espectador é algo radical demais. Muito mais simples seria obrigá-lo a desligar o aparelho. Além desse ponto controverso, o Estatudo do Cinéfilo traz outras boas propostas, como limitar a 15 minutos o tempo máximo para trailers e propaganda e impedir a mudança na programação da sala menos de 24 horas antes de cada sessão.
O projeto ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se virar lei, o circuito exibidor de BH terá 90 dias para se adaptar às medidas. E Malheiros, recém-eleito deputado estadual, quer levar o Estatuto do Cinéfilo e o confisco de celulares para todo o Estado de Minas.
Escrito por Leonardo Cruz às 4h09 PM
Sexo vetado no IMDB

Site obrigatório e uma das ferramentas da internet mais usadas por cinéfilos, o IMDB criou um filtro em seu sistema de busca que restringe o acesso a filmes de "conteúdo adulto". Segundo o site, que cataloga informações sobre mais de 400 mil produções do mundo todo, o mecanismo foi criado porque alguns usuários poderiam considerar "impróprios" os resultados que incluíssem filmes pornográficos.
Assim, só conseguem fazer a busca sem restrições os usuários registrados no IMDB que optem por desativar o filtro. Até aí, muito burocrático, mas tudo bem. Se o IMDB resolveu atender aos seus internautas mais sensíveis, não é tão grave assim. O problema é que o tal filtro não funciona direito, e filmes que têm cenas de sexo mas não são pornográficos também estão sendo barrados.
É o caso de "Shortbus", de John Cameron Mitchell, que lotou sessões na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e "sumiu" nas buscas no IMDB. A ausência de "Shortbus" (foto), que tem cenas de sexo, mas está longe de ser um pornô, já provocou a primeira reação contra a decisão do IMDB. Jay Brannan, um dos atores do filme, fez há alguns dias um clipe em que interpreta "Soda Shop", música que ele também canta numa cena de "Shortbus". O detalhe (e o protesto): o vídeo foi gravado no banheiro da casa de Brannan (que ele chama de "Toilet Studios"), e o ator aparece pelado, coberto apenas por seu violão.
O IMDB diz que já identificou o problema de "Shortbus" e que o filme deve ser liberado em breve. Mas o caso de John Cameron Mitchell não é o único, e os critérios da ferramenta do IMDB parecem meio malucos. Enquanto "Batalla em el Cielo", do mexicano Carlos Reygadas, pára no filtro, vários filmes da franquia "Emanuelle" são liberados. Mesmo entre os pornôs os critérios não fazem sentido: "Garganta Profunda", marco do filme de sacanagem, não aparece na busca, mas "Garganta Profunda Negra", erótico italiano feito anos depois, está lá.
Como este blog também é contrário a esse tipo de filtro, aqui vai o protesto do peladão Jay Brannan.
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Adendo: poucas horas depois deste post entrar no ar, o IMDB liberou "Shortbus" em seu mecanismo de busca, mas o filme de Carlos Reygadas, entre outros, continua "desaparecido".
Escrito por Leonardo Cruz às 5h30 PM
Globo de Ouro pulveriza vencedores

Ok, deu "Babel" e "Dreamgirls", e é evidente que esses dois filmes, que já haviam sido indicado a todos os prêmios importantes da temporada, se tornam ainda mais fortes candidatos ao Oscar. Mas são os superfavoritos? Não. Por uma única e mais forte razão: o Globo de Ouro 2007 intensificou sua tendência dos últimos anos e pulverizou ainda mais seus prêmios, com vários filmes dominando os troféus principais.
Vejamos: "Babel" levou melhor filme/drama; "Os Infiltrados", melhor direção; "A Rainha", melhor roteiro e atriz/drama; "O Último Rei da Escócia", melhor ator/drama; "Borat", melhor ator comédia/musical; "O Diabo Veste Prada", melhor atriz comédia/musical. Se o número de Globos é o parâmetro para determinar o "grande vencedor" da noite, então deu "Dreamgirls". Mas foram apenas três troféus: melhor filme comédia/musical, ator coadjuvante e atriz coadjuvante _esses dois últimos, obviamente, de menor importância.
Em resumo, sete filmes venceram as oito principais categorias do Globo de Ouro. E Clint Eastwood correu por fora, vencendo com melhor filme em língua estrangeira. Sinal evidente de que, ao menos para a Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood, não há um único grande filme da temporada, mas alguns bons filmes.
O cenário de 2007 lembra o de 2005, quando "O Aviador", "Menina de Ouro" e "Sideways" dividiram os prêmios mais importantes, e a fita de Clint, que perdeu o Globo de melhor filme/drama para a de Scorsese, acabou levando o Oscar semanas mais tarde. Indício de que, quanto mais o Globo de Ouro esquarteja sua premiação, menor parece ser sua influência sobre os 5.800 eleitores da Academia.
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Dos nove vencedores previstos aqui ontem, seis acertos, incluindo os dois melhores filmes. Nada mal, mas os três erros deixam claro que a bola de cristal deste blog é paraguaia. Afinal, a vitória de Forest Whitaker era cantada por muita gente boa, e a de Scorsese também. Já o prêmio de roteiro para "A Rainha" foi a grande surpresa da noite; dez entre dez palpiteiros de plantão erraram seus prognósticos.
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A lista completa dos vencedores do Globo de Ouro está na Ilustrada Online.
Escrito por Leonardo Cruz às 2h15 AM
Imagem do dia

A notícia nem é tão relevante assim, mas a imagem é muito divertida. Esta é a capa do último "Radar", caderno cultural semanal do diário argentino "Página 12". A tomatada na cara de Robert Redford faz alusão ao lançamento, na Argentina, do livro "Down and Dirty Pictures", em que o jornalista Peter Biskind reconstitui a ascensão de Sundance, o instituto (e festival) de cinema independente criado pelo ator e produtor americano. O livro, lançado nos EUA no fim de 2004 e inédito em português, trata também (e principalmente) da trajetória dos irmãos Weinstein, os fundadores da produtora e distribuidora Miramax. Biskind atribui a Redford e aos Weinstein a responsabilidade pela decadência do cinema independente autoral americano.
Para quem quiser saber mais, em março de 2005, a Ilustrada publicou uma crítica de Sérgio Rizzo sobre o livro (leia aqui, só assinantes Folha ou UOL).
Escrito por Leonardo Cruz às 5h12 PM
Os vencedores do Globo de Ouro

Daqui a algumas horas a Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood realiza a cerimônia de seu 64o. Globo de Ouro, na qual entregará 25 prêmios para concorrentes do cinema e da televisão. Este blogueiro passou o final de semana nas montanhas, meditando. Após muito refletir, chegou às seguintes previsões dos vencedores:
Melhor filme - drama
Quem ganha: "Babel" (foto)
Quem deveria ganhar: "Os Infiltrados"
Melhor filme - comédia/musical
Quem ganha: "Dreamgirls"
Quem deveria ganhar: "Borat"
Melhor diretor
Quem ganha: Alejandro González Iñárritu, por "Babel"
Quem deveria ganhar: Martin Scorsese, por "Os Infiltrados"
Melhor roteiro
Quem ganha: Guillermo Arriaga, por "Babel"
Quem deveria ganhar: Guillermo Arriaga, por "Babel"
Melhor ator - drama
Quem ganha: Leonardo DiCaprio, por "Os Infiltrados"
Quem deveria ganhar: Leonardo DiCaprio, por "Os Infiltrados"
Melhor atriz - drama
Quem ganha: Helen Mirren, por "A Rainha"
Quem deveria ganhar: Penélope Cruz, por "Volver"
Melhor ator - comédia/musical
Quem ganha: Sacha Baron Cohen
Quem deveria ganhar: Sacha Baron Cohen
Melhor atriz - comédia/musical
Quem ganha: Meryl Streep
Quem deveria ganhar: Meryl Streep
Melhor filme em língua estrangeira
Quem ganha: "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood
Quem deveria ganhar: "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood
A trasmissão do Globo de Ouro começa às 22h no canal pago Warner e deve virar a madrugada. Algumas horas após a entrega dos prêmios, este blog comentará os resultados e (provavelmente) publicará sua errata.
Leia mais sobre o Globo de Ouro na Ilustrada Online (a lista completa dos concorrentes está aqui).
Escrito por Leonardo Cruz às 1h01 PM
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PERFIL
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
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