Ilustrada no Cinema
 

Os quatro cérebros de Borat

Os quatro cérebros de Borat

A "Written By", revista da associação de roteiristas dos EUA, publica em sua mais recente edição uma longa e ótima entrevista que revela os métodos de criação para Borat, o amalucado repórter cazaque interpretado por Sacha Baron Cohen no filme-sensação da temporada americana. A publicação conversa com os três roteiristas que, ao lado de Sacha, escrevem as piadas e as perguntas que o personagem usará em suas entrevistas reais durante sua viagem através dos EUA. Nessa jornada, Borat surpreende (e choca) seus interlocutores com perguntas embaraçosas, agressivas e preconceituosas, mas que rendem respostas que muitas vezes refletem o conservadorismo e o preconceito de boa parte da sociedade americana. 

Os ingleses Peter Baynham, Dan Mazer e Anthony Hines contam que todas as situações a que Borat é submetido no filme são cuidadosamente planejadas, para que Sacha possa improvisar de acordo com as reações das pessoas com quem conversa. Ou seja, para uma entrevista real do personagem com um grupo de feministas, por exemplo, os autores haviam preparado perguntas e projetado potenciais respostas para cerca de uma hora e meia de conversa. "Fazemos isso há tanto tempo, que já meio sabemos como as pessoas vão reagir em alguns casos", diz Mazer. E assim os escritores tentam prever alternativas de ações de Borat para cada possível reação dos entrevistados.

O grupo reafirma que as entrevistas realizadas são reais, por mais improvável que isso pareça para quem já viu o filme. Afinal, Borat aparece, entre outras situações, em um rodeio lotado, num programa de uma emissora de TV e num encontro com um congressista americano, sempre tratado como um verdadeiro repórter cazaque em busca de ensinamentos sobre a vida na América.

Dizem ainda que muitas vezes a história foi totalmente alterada por dificuldades da produção em agendar as situações planejadas no roteiro. O que seria a presença de Borat num evento esportivo em Memphis teve de ser adaptado para um jantar formal na casa de uma família tradicional da região. Jantar no qual o personagem traz à mesa um saco cheio de suas próprias fezes e para o qual convida uma prostituta como sua acompanhante.

A cena descrita acima sintetiza o espírito de "Borat", o filme, que tende a provocar sentimentos contraditórios no espectador, ao passo que é, muitas vezes, chulo, escatológico e tolo mas também é, por outro lado, hilariante e extremamente satírico em outras tantas passagens. "Borat", escrito por Sacha Baron Cohen e seus três comparsas, deverá entrar em cartaz em fevereiro e tem pré-estréia hoje em São Paulo, no Noitão do HSBC Belas Artes. Quem resistir à maratona também poderá ver "As Férias do Sr. Hulot" (1953), do francês Jacques Tati, comédia clássica em tudo oposta ao filme do repórter cazaque.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h10 AM

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Um bom começo para Cannes

Um bom começo para Cannes

O mais importante festival de cinema do mundo acontece só em maio, mas Cannes 2007 já tem uma boa notícia: seu júri será presidido pelo britânico Stephen Frears. O diretor de "Minha Adorável Lavanderia", "Ligações Perigosas" e "Os Imorais" é também o responsável por "A Rainha", um dos filmes recentes mais elogiados no exterior e candidato aos principais prêmios da temporada.

Sobre presidir Cannes (e naturalmente protagonizar a escolha da Palma de Ouro), Frears disse: "Obviamente, é uma honra mas também um prazer poder assistir a ótimos filmes do mundo todo em um ambiente tão estimulante. Deus salve Cannes (e a Rainha também)!"

A 60a. edição do Festival de Cannes acontece no balneário francês de 16 a 27 de maio.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h35 PM

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Filmoteca - Amir Labaki

Filmoteca - Amir Labaki

Amir Labaki é o fundador e diretor do É Tudo Verdade, mais importante festival de documentários do país, que em março chega à sua 12ª edição em São Paulo, Rio, Brasília e Campinas. Além disso, foi duas vezes diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, integra o “board” do Festival Internacional de Documentários de Roterdã e é autor de 11 livros sobre cinema e história. Articulista da Folha, Labaki assina também uma coluna no jornal “Valor Econômico”. A seguir, ele gentilmente seleciona os títulos da primeira Filmoteca de 2007.

 

*

 

 

Ouro e Maldição” (Erich von Stroheim, 1923)

O mais radical drama do mais radical cineasta da era muda de Hollywood, baseado no clássico romance naturalista norte-americano "McTeague" de Frank Norris. Três destinados manipulados por amor e cobiça, num retrato obsessivamente realista da frenética América urbanizando-se rumo a hegemônica e cruel superpotência capitalista. Sua mutilação pelos produtores, das nove horas planejadas e rodadas por Stroheim para os 140 minutos que se tornaram clássicos, é um símbolo maior da institucionalização do poder na nascente era dos estúdios.



 

 

A Última Gargalhada” (F.W. Murnau, 1924, lançado em DVD)

A trágica queda de um porteiro de hotel na caótica Alemanha pré-hitlerista. Nada de intertítulos, tudo narrado por uma agilíssima câmera, em favor do pleno desenvolvimento dramático do cinema de imagens. A arte maior do filme mudo não teve morte natural. Sob suas cinzas, nascia uma outra arte.



 

Um Homem com uma Câmera” (Dziga Vertov, 1929, lançado em DVD)

A definitiva sinfonia das metrópoles. Logo, uma radiografia do "homem cinematográfico". Assim, um dos mais certeiros ensaios sobre o século 20.



 

Janela Indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954, lançado em DVD)

Um policial sobre outro caso da mala, em que um marido mata a tediosa esposa. Uma comédia romântica, sobre uma profissional da moda que faz tudo para conquistar seu fotógrafo predileto. Um melodrama social, a respeito do estado das relações amorosas na Nova York do pós-guerra. Ver é viver em intensidade ímpar. Viver é atuar em vários papéis. Como nunca na obra de Hitchcock, em “Janela Indiscreta” tudo é cinema.



 

2001, Uma Odisséia no Espaço” (Stanley Kubrick, 1968, lançado em DVD)

Um ensaio fílmico sobre a história do homem para provar que o cinema pode muito mais que o modelo de romance audiovisual. Um manifesto pelo cinema expandido. “2001” não apenas injetou metafísica nas sagas espaciais mas também ampliou as fronteiras do cinema para além de rígidos modelos narrativos. O filme de Stanley Kubrick e Arthur Clarke mudou a forma do homem encarar o futuro e o próprio cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h34 AM

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Fassbinder, Godard e Kubrick

Fassbinder, Godard e Kubrick

Se a retrospectiva completa de John Cassavetes foi a melhor notícia do final de 2006, este ano começa com algumas boas novidades para quem quer conhecer melhor ou rever clássicos do cinema.

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo realizará, de 26 de fevereiro a 18 de março, uma mostra com 16 longas de Rainer Werner Fassbinder, que nos anos 70 se tornou um dos nomes centrais do Novo Cinema Alemão, com filmes como "Lola", "O Casamento de Maria Braun" (foto) e "O Desespero de Veronika Voss". Com seu gosto pelo melodrama e pelas cores fortes, saturadas, Fassbinder criou uma linguagem própria, que influenciou diretores como François Ozon e Pedro Almodóvar. A mostra do CCBB, em princípio restrita a SP, terá curadoria de Ruy Gardnier, da ótima revista eletrônica Contracampo.

E o CCBB paulistano ainda terá, nos próximos meses, outros bons ciclos. Dois exemplos: em abril, uma mostra abordará as relações entre o francês Robert Bresson e o cinema contemporâneo; em julho, José Mojica Marins será tema de uma retrospectiva de seus 50 anos de carreira.

Antes de tudo isso, já na semana que vem, a partir do dia 17, a Cinemateca Brasileira coloca a obra de Jean-Luc Godard em debate, com a exibição de mais de 20 filmes do diretor francês, numa programação que se estende até 11 de fevereiro, em sua sala na Vila Mariana. Não há nenhum filme inédito e algumas obras serão mostradas em DVD, mas ver muitos filmes de Godard de uma só vez é uma rara oportunidade para compreender melhor a importância de sua obra para o cinema, dos anos 60 até hoje.

A última novidade, mas tão boa quanto as anteriores, é a criação de um cineclube no HSBC Belas Artes. A partir de 2 de fevereiro, a sala paulistana terá uma sessão diária de seu cineclube, que apresentará uma programação temática mensal, com uma obra diferente por semana. Os filmes do primeiro mês, por exemplo, têm as "lolitas" como tema, e o fetiche por garotinhas poderá ser visto em "Lolita" (foto), de Stanley Kubrick, "O Joelho de Claire", de Eric Rohmer, "Bilitis", de David Hamilton, e "Chuva de Verão", de Christine Jeffs. Como todo bom cineclube, o do Belas Artes terá carteirinha para seus sócios, com direito a gratuidade em parte das sessões, desconto em outras e mais algumas regalias.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h14 AM

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Os prováveis indicados ao Oscar

Os prováveis indicados ao Oscar

A DGA, associação de diretores de cinema dos EUA, acaba de divulgar os indicados ao seu prêmio anual. Foram escolhidos Bill Condon ("Dreamgirls", foto), Jonathan Dayton e Valerie Faris ("Pequena Miss Sunshine"), Stephen Frears ("A Rainha"), Alejandro Gonzalez Iñárritu ("Babel") e Martin Scorsese ("Os Infiltrados").

Com mais esse anúncio, 12 importantes instituições dos EUA, de críticos e realizadores, já apresentaram seus escolhidos da temporada, o que permite um bom prognóstico do que deve acontecer nas indicações ao Oscar, no próximo dia 23. E, ao menos por enquanto, os filmes desses diretores são os grandes favoritos.

As obras de Bill Condon e Scorsese têm o maior número de indicações/prêmios de melhor filme até agora: sete. Além do Globo de Ouro, ambos surgem nas listas das associações de diretores, produtores e atores, ao lado de "Babel", "Pequena Miss Sunshine" e "A Rainha".

Essas são as entidades mais influentes na definição do Oscar, porque, juntos, seus membros formam grande parte dos 5.800 integrantes da Academia com direito a voto. Exemplo: o vencedor do prêmio principal da DGA foi o vencedor da categoria direção em 52 dos últimos 58 Oscars.

Com esse cenário, "Cartas de Iwo Jima", "Pecados Íntimos" e "Vôo United 93", que agradaram mais às entidades de críticos, tornam-se azarões, ao menos na categoria principal.

Amanhã, 10 de janeiro, é um dia-chave para a definição dos vencedores do Oscar 2007, pois é quando termina o prazo para os votantes da Academia encaminharem a cédula com seus cinco indicados por categoria. Como muitos dos eleitores deixam para decidir seus votos no último momento, é provável que o destino das estatuetas seja definido nas próximas 24 horas. Depois de definidos os finalistas, os eleitores votarão novamente, apontando um único vencedor por categoria. Os prêmios serão entregues em 25 de fevereiro.

*

Com exceção de "Os Infiltrados", "Vôo United 93" e "Pequena Miss Sunshine", o calendário de estréias desses filmes no Brasil está atrelado à proximidade do Oscar. Segundo o site Filme B, "Babel" estréia na semana que vem, dia 19; "A Rainha" e "Pecados Íntimos", em 9/2, "Dreamgirls" e "Cartas de Iwo Jima", em 16/2.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h47 PM

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Ainda Gus van Sant

Ainda Gus van Sant

Um adendo rápido ao post de ontem. O leitor Eduardo Ruegg informa que a TV paga exibiu "Últimos Dias" no sistema pay-per-view em dezembro. Já o crítico Paulo Santos Lima conta que sites entrangeiros vendem o DVD de "Last Days" por 13 doletas (fora eventuais taxas de importação) _a versão gringa promete bons extras, como making of e cenas cortadas, algo que o DVD nacional, ao menos em princípio, não terá.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h22 PM

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Gus van Sant, só em DVD

Gus van Sant, só em DVD

Poucos privilegiados viram "Last Days" no Festival do Rio de 2005. Os fãs brasileiros de Gus van Sant passaram 2006 à espera do filme do diretor de "Elefante" e "Garotos de Programa". Nunca chegou. Agora, a Warner informa que lançará "Last Days" em DVD. Chegará ao mercado em 9 de março, por cerca de R$ 45. Só o filme, pelado, sem nenhum extra, com o título "Últimos Dias".

Livremente inspirado na fase final da vida do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, "Últimos Dias" traz Michael Pitt (foto) como um músico de rock que gradualmente se isola de amigos e familiares. Este filme de Van Sant é mais um que caberia naquela lista, sugerida aqui na sexta-feira, de produções obrigatórias que não foram lançadas nos cinemas nacionais. Resta ver "Últimos Dias" na tela pequena.

Para entender melhor o universo de Gus Vant Sant, vale ler a crítica que Alcino Leite Neto escreveu para a Ilustrada quando "Últimos Dias" estreou no Festival de Cannes de 2005.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h38 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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