Ilustrada no Cinema

 

 

Juventude em marcha

Juventude em marcha

 

“Tá todo mundo cansado de ouvir quais são os problemas da educação, mas ninguém faz nada.” A frase, dita por uma jovem professora de uma escola pública de Itaquaquecetuba (SP), é uma síntese (mas não a única) do documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, que teve uma sessão especial superlotada, com muita gente sentada no chão, no Cine Bombril, ontem à noite, em São Paulo.

 

O filme de João Jardim, mesmo diretor do ótimo “A Janela da Alma”, acompanha alunos de seis escolas brasileiras de realidades distintas, de uma instituição pública na pobre Manari, no sertão pernambucano, a uma particular no rico bairro paulistano de Alto de Pinheiros.

 

Os depoimentos dos jovens colhidos pelo diretor, intercalados por cenas do dia-a-dia das escolas, não só sintetizam os dilemas na educação no Brasil como também (e principalmente) fazem um interessante relato da adolescência hoje no país.

 

Nas conversas, Jardim consegue identificar questões comuns a garotos e garotas de 15, 16, 17 anos no centro e também na periferia. Violência, amor, espiritualidade, relacionamento social e familiar são alguns dos temas, das inquietações que surgem tanto na fala das estudantes do colégio Santa Cruz (foto) quanto no discurso de Valéria, de Manari, personagem-chave de “Pro Dia Nascer Feliz”.

 

Aluna de uma escola onde a infra-estrutura básica nunca chegou, Valéria escreve poemas como forma de reação e reflexão à realidade que enfrenta  e os declama para a câmera com impressionante desenvoltura. Presente na sessão de ontem, ela foi aplaudida de pé pelos mais de 300 espectadores que assistiram ao filme e acompanharam o debate que o sucedeu.

 

“Pro Dia Nascer Feliz” estréia formalmente nos cinemas do país nesta sexta-feira, mas já pode ser visto em São Paulo em pré-estréias diárias, às 17h50, no Cine Bombril, dentro da sessão Folha Documenta. Para quem já foi adolescente e para quem se interessa pelos rumos da educação no Brasil é um filme que precisa ser visto.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 9h17 AM

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Sexo Rodriguez e Sangue Tarantino

Sexo Rodriguez e Sangue Tarantino

 

Dois filmes de terror pelo preço de um. Esse é o slogan de marketing de "Grindhouse", novo projeto de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Uma homenagem aos filmes de terror B dos anos 60 e 70, "Grindhouse" conta duas histórias recheadas, prometem seus diretores, de sexo e sangue.

Em "Planet Terror", o filme de Rodriguez, Rose Mcgowan interpreta uma go-go dancer que tem uma das pernas comidas por um zumbi. No lugar membro arrancado, a moça instala uma metralhadora e parte em busca de vingança. Em entrevista ao "New York Times", Rodriguez disse que pensou na "idéia mais maluca para atrair pessoas ao cinema" e aí escreveu um roteiro em cima disso. Resultado: a perna-metranca.

O filme de Tarantino é "Death Proof" e nele Kurt Russell vive um dublê que usa um carrão preto, decorado com uma caveira branca, para perseguir e matar mulheres.

"Planet Terror" tem 80 minutos. "Death Proof", 90. Ligando um ao outro, trailers de quatro filmes fictícios. No total, três horas de horror carniceiro sob a batuta dos diretores americanos que mais demonstram talento para absorver elementos da cultura pop atual e transformá-los em algo novo. Vide "Sin City" e "Kill Bill".

A homenagem ao terror B não se resume aos temas mas também ao formato de "Grindhouse". Além do combo dois-em-um, o filme foi "envelhecido" com arranhões e sujeira nas imagens. E as duas histórias terão pedaços faltando _Tarantino e Rodriguez cortaram sequências inteiras propositalmente.

O filme estréia nos EUA em 6 de abril, em meio à maior campanha de marketing já comandada pela produtora Weinstein. No Brasil, ao menos agora, não há previsão de lançamento. Mas vai chegar, pode apostar que vai chegar. Por enquanto, o trailer abaixo serve como aperitivo.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h06 PM

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Bala na agulha

Bala na agulha

Pelo visto, essa garotinha ainda vai ter muitas razões para gritar. "Pequena Miss Sunshine" levou nesta madrugada o prêmio principal da Screen Actors Guild (SAG), no que foi o segundo troféu importante conquistado pelo filme da pequena Abigail Breslin em menos de dez dias. No final de semana anterior, "Miss Sunshine" já havia sido escolhido a melhor produção do ano pela Producers Guild of America (PGA). Com as duas vitórias, a saga da Kombi amarela deixa de ser apenas um azarão na corrida de melhor filme no Oscar e passa a ter chances reais. Por quê?

Porque SAG e PGA representam dois dos principais núcleos de eleitores da Academia: a associação de atores responde por 21% dos 5.830 eleitores que escolherão o Oscar de melhor filme; a entidade de produtores concentra 487 membros votantes. Nos últimos 17 anos, 11 filmes que venceram o prêmio da PGA também triunfaram no Oscar, enquanto a SAG escolheu no ano passado o filme que acabou por levar a estatueta, "Crash".

Nos demais prêmios da associação de atores, um repeteco do Globo de Ouro: Forest Whitaker, Helen Mirren, Eddie Murphy e Jennifer Hudson foram os escolhidos. Mais um indício de que está praticamente definida a premiação dos atores do Oscar 2007.

*

A boa nova do final de semana foi a vitória de "Manda Bala" em Sundance. O júri do principal festival de cinema independente dos EUA deu seu grande prêmio na categoria documentário ao filme do estreante Jason Kohn. Com o Brasil como cenário, "Manda Bala" é definido por seu diretor como um "Robocop não-ficcional" e tem como temas corrupção, violência, seqüestro e até o ranário da mulher de Jader Barbalho. Em Sundance, "Manda Bala" também rendeu o prêmio de melhor fotografia à brasileira Heloísa Passos, diretora do premiado curta "Viva Volta" (2005). Definido pelo site IndieWIRE como "brilhante, belo e impressionantemente abrangente", "Manda Bala" é o primeiro filme obrigatório de 2007.

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Dos EUA para a Europa, registro para a vitória de Almodóvar e Guillermo del Toro no Goya, o Oscar espanhol. "Volver" e "O Labirinto do Fauno" foram as duas produções espanholas de maior sucesso internacional em 2006, e o êxito desses filmes no Goya era esperado. Mas vale prestar atenção em Daniel Sánchez Arévalo, que ganhou o prêmio de melhor diretor estreante por "AzulOscuroCasiNegro". O filme passou no Brasil na Mostra de SP, em outubro último, e quem viu sabe que Sánchez tem muito futuro.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h11 AM

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Filmoteca - Francisco Cesar Filho

Filmoteca - Francisco Cesar Filho

Francisco Cesar Filho é criador e organizador da Mostra do Audiovisual Paulista, coordenador executivo do Telemig Celular arte.mov (Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis) e diretor do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, além de integrante das equipes dos festivais de Curtas-Metragens de São Paulo, É Tudo Verdade, Mundial do Minuto, Videobrasil, de Atibaia e de Tiradentes, entre outros eventos. É também cineasta _dirigiu "Rota ABC" (1991), entre outros documentários internacionalmente premiados, e atualmente prepara seu primeiro longa-metragem, "Augustas"_, curador, diretor de televisão, assessor de comunicação e um longo etc. A convite do blog, ele seleciona cinco filmes que mexeram com sua cabeça.

"Limite" (Mário Peixoto, 1930)

O maior mito da cinematografia brasileira _entre outras lendas que o envolvem estaria um elogio vindo de Sergei Eisenstein, recentemente desmentido. Trata-se de um mergulho existencial cheio de angústia, que utiliza linguagem inventiva e original. Durante décadas não teve cópia em condições de exibição e, assim como muitos, fui obrigado a conhecê-lo através de um livro de Saulo Pereira de Melo, com seus fotogramas e descrição das respectivas cenas.

"Cidadão Kane" (Orson Welles, 1941, lançado em DVD)

Marco fundador da modernidade no cinema, reiventou sua liguagem e é atual até hoje. Descreve _através de visões diversas, e eventualmente conflitantes_ uma personalidade cujo poder advém da propriedade de grupo de mídia. Meu favorito eterno para as pesquisas do tipo "qual o melhor filme de todos os tempos?".

 

"Gritos e Sussurros" (Ingmar Bergman, 1972, lançado em DVD)

Ponto alta da carreira do cineasta, estética e tematicamente. O filme disseca a alma de três irmãs numa casa sufocada por pesadas cortinas vermelhas. Foi o primeiro filme "de arte" com o qual tive contato na adolescência, e seu impacto nunca esmaeceu. 

"Di" (Glauber Rocha, 1977, disponível na íntegra aqui)

Curta feito improvisadamente quando da morte de Di Cavalcanti (e posteriormente interditado judicialmente a pedido da família do pintor), explode as estruturas do gênero documentário em um turbilhão de colagens, que incluem músicas, notícias de jornal, obras de arte, intervenções, performances e a onipresença genial de seu realizador. Seu título original é "Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de Sua Última Quimera; Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável". Foi vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Cannes.

"O Estado das Coisas" (Wim Wenders, 1981)

Reconhecido com um Leão de Ouro no Festival de Veneza, é um acerto de contas do realizador com as questões que havia abandonado ao tentar carreira nos Estados Unidos _como o uso do preto-e-branco como recurso expressivo e a impossibilidade da criação artística. Obra-prima atualmente pouco lembrada na carreira de seu diretor.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h34 AM

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Justiça italiana: baixar filme não é crime

Justiça italiana: baixar filme não é crime

Numa decisão inédita na Itália, um juiz da Suprema Corte determinou que baixar filmes, música e jogos na internet não é crime se o usuário não obtiver lucro a partir da ação.

Em 2005, a Justiça italiana sentenciou dois homens a um ano de prisão e multa por utilizar o servidor do Instituto Politécnico de Turim para armazenar e distribuir gratuitamente cópias de material baixado na rede em 1999. A sentença já havia sido reduzida a três meses na apelação. Na semana passada, a decisão foi anulada.

A Itália é um dos países da Europa que têm uma das mais rígidas legislações para proteção do copyright, entretanto, a lei é dificilmente colocada em prática, e são raros os casos de prisão. A associação de músicos profissionais italianos minimizou a sentença da Suprema Corte, argumentando que os réus haviam sido condenados numa lei anterior, mais branda. De todo modo, foi criada a jurisprudência.

Como aqui no Brasil esse tipo de download sem fins lucrativos continua sendo crime, alguns amigos deste blog já estão procurando apartamento para alugar em Roma.

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Enquanto isso, no Canadá, a Fox ameaça atrasar a estréia de seus lançamentos nos cinemas do país por causa da ação dos piratas. Neste caso, dos piratas profissionais, que copiam os filmes dentro das salas de exibição com câmeras de vídeo no ombro, uma práticas das mais utilizadas nesse comércio ilegal.

Segundo a "Hollywood Reporter", a Fox decidiu suspender a exibição de seus filmes nas salas canadenses identifcadas como foco de ação dos piratas. Se a medida não der certo, o estúdio atrasará o calendário de estréia, que atualmente acompanha o americano. Na avaliação de Bruce Snyder, executivo da Fox, "o Canadá se tornou um porto seguro para a pirataria de filmes".

Montréal é considerada a cidade mais problemática, pois exibe filmes em inglês e francês. Como não há nada na lei canadense que proíba entrar no cinema com uma câmera de vídeo, a polícia tem dificuldade para atuar. Resta ver se a ação da Fox vai dar resultado e se os demais estúdios seguirão o exemplo.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h44 PM

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Brasil em Sundance - adendo

Brasil em Sundance - adendo

O radar do blog não funcionou direito e perdeu de vista um outro filme brasileiro em Sundance. É o curta "Beijo de Sal" (foto), de Felipe Barbosa, que já teve três exibições em Park City e arrancou um elogio da revista "New York", que o considerou o melhor curta de toda a seleção do evento.

"Beijo de Sal" tem ainda mais duas exibições em Sundance e já está selecionado para Clermort-Ferrand, o mais importante festival de curtas do mundo. O filme está disponível, na íntegra, no site Porta-Curtas, que reúne o que há de melhor na produção desse formato no país.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h21 PM

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Robocop brasileiro em Sundance

Robocop brasileiro em Sundance

Vem chumbo grosso por aí. Segundo informa a Folha Online, o americano Jason Kohn apresentou em Sundance seu documentário "Manda Bala", sobre as relações entre corrupção e violência no Brasil.

Com fatos e entrevistas, Kohn apresenta a tese de que esquemas de desvios de dinheiro no norte do país alimentam uma espiral de crimes violentos no sul. No filme, o diretor entrevista um seqüestrador e ouve dele que os moradores das favelas de São Paulo vieram do Norte e do Nordeste movidos pela falta de emprego e comida. O cineasta conclui que não seria assim se os políticos roubassem menos.

Numa entrevista ao site IndieWIRE, Kohn afirma que vê seu filme como "um ‘Robocop’ não-ficcional, retratando uma sociedade violenta e falida". São Paulo é apresentada como a capital brasileira do seqüestro.

Um dos personagens do documentário é o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), por causa das acusações de desvio de recursos da Sudam. Em 2001, o órgão emprestou R$ 9,6 milhões a um projeto de criação de rãs da mulher de Jader. Daí a foto do filme que ilustra este post.

Kohn tem 27 anos, é filho de uma brasileira com um americano e, antes de vir para o Brasil, trabalhou por dois anos com Errol Morris, diretor do premiado documentário "Sob a Névoa da Guerra". Levando em conta o talento do tutor, "Manda Bala" promete.

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Mais Brasil em Sundance. O ótimo "O Cheiro do Ralo", de Heitor Dhalia, está dividindo a crítica que acompanha o festival. Para a revista "Variety", o filme "é uma ácida e escatológica peça de teatro do absurdo que conquistará forte apoio da crítica e um considerável culto de seguidores". Já a "Film Threat" avalia que a obra é "uma bagunça dissonante, tão frustrantemente ruim quanto corajosamente ambiciosa".

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"Acidente", o belo filme-poema de Cao Guimarães e Pablo Lobato, teve na tarde de ontem sua primeira sessão no festival do cinema independente americano e ainda será exibido mais três vezes. Enquanto as reações não chegam, vale conferir a reportagem sobre o filme publicada na Ilustrada de ontem e reproduzida na Folha Online.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h15 AM

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As ótimas surpresas do Oscar

As ótimas surpresas do Oscar

Saiu a lista. E "Dreamgirls", indicado a todos os prêmios importantes da temporada até agora, foi excluído das principais categorias do Oscar. Foi o filme com mais indicações do dia (oito), mas muitas em prêmios técnicos como mixagem de som, figurino e direção de arte.

Melhor para "Babel" (sete indicações, incluindo melhor filme, direção e roteiro original) e "Os Infiltrados" (cinco, incluindo filme, direção e roteiro adaptado). E, sem "Dreamgirls", mais espaço para Clint Eastwood e Paul Greengrass, ótimas surpresas. O mexicano "O Labirinto do Fauno" também surpreendeu, com seis indicações, entre elas, filme estrangeiro e roteiro original.

A seguir, uma rápida análise das categorias principais.

Melhor filme: "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood, ocupou a vaga dada como certa a "Dreamgirls". Sem o musical, "Babel" surge como favorito ao prêmio principal, com "Os Infiltrados" logo atrás.

Melhor direção: Aqui a zebra foi Paul Greengrass ("Vôo United 93"), que tirou o lugar de Bill Condon ("Dreamgirls"). Com Greengrass, Scorsese, Clint, Iñárritu e Stephen Frears na disputa, a categoria atinge seu melhor nível em muitos anos. Será a vez de Scorsese?

Melhor roteiro original: "Cartas de Iwo Jima" ficou com a indicação que, para alguns, iria para "Volver". Mas a estatueta deve ficar mesmo entre "Babel" e "A Rainha".

Melhor roteiro adaptado: Aqui deve dar "Os Infiltrados", e "Borat" seria uma gigantesca surpresa.

Melhor ator: Sem surpresas. E Forest Whitaker deve levar, apesar de DiCaprio. Faltou Sacha Baron Cohen, por "Borat".

Melhor atriz: Idem acima. E Helen Mirren deve levar, apesar de Meryl e de Penélope. Não faltou Beyoncé, por "Dreamgirls".

Melhor ator coadjuvante: "Os Infiltrados" perdeu uma indicação e ganhou outra, pois Mark Wahlberg roubou o posto de Jack Nicholson. Sem Jack, o caminho está livre para Eddie Murphy.

Melhor atriz coajuvante: "Babel" tem duas indicações, mas o prêmio deve ficar mesmo entre Jennifer Hudson ("Dreamgirls") e Cate Blanchett ("Notas sobre um Escândalo").

Melhor filme estrangeiro: Com "Cartas de Iwo Jima" na categoria principal e "Volver" surpreendentemente esquecido, "O Labirinto do Fauno", de Guillermo del Toro, deve ser o vencedor.

Melhor documentário: Dois filmes sobre religião. Dois sobre o Iraque. E um franco-favorito: "Uma Verdade Inconveniente".

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O Oscar acontece na noite de 25 de fevereiro. E você? Quais seus favoritos?

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A lista completa de indicados você encontra aqui na Folha Online. A cobertura completa das indicações ao Oscar estará na Folha de amanhã, na Ilustrada.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h11 PM

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Clássicos na madrugada

Clássicos na madrugada

Depois da iniciativa do HSBC Belas Artes de montar um cineclube em uma de suas salas em São Paulo, o Espaço Unibanco de Cinema paulistano também cria um espaço fixo para os filmes clássicos. É a Sessão Cinéfila, que acontecerá sempre na sala 3 do cinema da rua Augusta.

A primeira exibição será nesta quarta-feira, à meia-noite, com "O Encouraçado Potemkin" (foto), de Sergei Eisenstein. Com exceção desta primeira semana, a Sessão Cinéfila será realizada todo sábado, nesse horário para notívagos, e a programação inicial inclui "O Grande Ditador", de Chaplin, "O Homem das Novidades", de Buster Keaton, "Greed", de Erich von Stroheim, "Metrópolis", de Fritz Lang, e "Aurora", de Murnau.

São filmes obrigatórios na história do cinema e vê-los (ou revê-los) em película, na tela grande, é sempre uma ótima pedida.

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Ainda hoje no blog, um comentário sobre as indicações ao Oscar, que serão anunciadas daqui a pouco.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h19 AM

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"O Ano" vai a Berlim

"O Ano" vai a Berlim

 
O Festival de Berlim acaba de anunciar que "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" (foto), o belo filme de Cao Hamburger, foi selecionado para a mostra competitiva da 57ª edição do evento, que acontece em fevereiro. Vale lembrar que Berlim é um festival que traz boas memórias para o cinema nacional, com o Urso de Ouro para "Central do Brasil", de Walter Salles, em 1998.
 
"O Ano", que será exibido ao lado de outros 25 filmes, incluindo 19 estréias mundiais, será um dos dois representantes latinos em Berlim. O outro será "El Otro", segundo longa do argentino Ariel Rotter. Os 26 filmes serão avaliados pelo júri presidido pelo diretor Paul Schrader e composto por mais seis integrantes, entre eles os atores Gael García Bernal e Willem Dafoe.
 
Alguns dos mais importantes diretores da atualidade concorrerão com os dois latinos. François Ozon, do excelente "O Tempo que Resta", apresentará sua nova obra, "Angel". O coreano Park Chan-wook ("Old Boy") exibe "I’m A Cyborg, But That’s Ok", e Clint Eastwood, com "Cartas de Iwo Jima", e Robert De Niro, com "The Good Shepard", também estão na disputa.
 
"300 de Esparta", a aguardada adaptação da HQ de Frank Miller por Zack Snyder e que tem Rodrigo Santoro no elenco, será exibida fora de competição. A lista completa dos filmes selecionados está aqui.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h30 PM

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Road movie catalão

Road movie catalão

A colaboradora parisiense Patrícia Klingl escreve sobre "Dias de Agosto", filme catalão premiado em importantes festivais europeus, em cartaz atualmente na França e, por enquanto, sem previsão de estréia no Brasil.

 

 

 

Um mergulho no passado, por Patrícia Klingl

 

O cineasta Marc Recha tinha um projeto: fazer um filme sobre Ramon Barnils, jornalista catalão morto em 2001, diretor do jornal sindical "Solidaridad Obrera" e inimigo declarado do franquismo. Recha já havia coletado alguns documentos e entrevistas sobre Barnils, mas não sabia ainda como apresentar sua história.

 

Esgotado após meses de pesquisa, o diretor aceitou a proposta de seu irmão gêmeo, David, de viajar em uma van pela Catalunha, para tentar se desligar um pouco do trabalho. Em agosto de 2005, os dois irmãos partiram à deriva por regiões marcadas pela aridez das paisagens e pelos destroços da guerra civil espanhola. Cruzaram regiões montanhosas e cidades-fantasmas, submersas pela construção de uma represa. O registro dessa viagem é o ponto de partida para "Dias de Agosto", quinto longa do diretor catalão.

 

Marc e David se deparam com os vestígios da história de seu país. O muro crivado de balas é o marco de uma guerra civil. A ponta da torre de uma igreja no meio de um lago é o indício de uma cidade desaparecida. A foto de Barnils saída dos objetos pessoais de Marc é o registro de um tempo de anarquismo. Mesmo os relatos dos personagens que os dois irmãos encontram ao acaso remetem a histórias passadas.

 

 

 

Num vilarejo próximo à represa, eles ouvem a lenda de um enorme peixe-gato, que teria sido introduzido no lago em 1974 e que hoje teria mais de cinco metros. O peixe seria uma ameaça àqueles que ali mergulham sem conhecer sua existência (até bem pouco tempo antes de sua estréia, o título original do filme era "Peix Gat").  Tal lenda representa um ponto de virada no filme: ela mostra que todo mergulho no desconhecido implica um risco.

 

O que antes era um road movie de dois irmãos pelo sul da Espanha, transforma-se na descoberta de um cineasta em preparação para seu novo longa. Marc percebe que só através de um mergulho no passado poderá compreender o presente. Sua viagem nestes dias de agosto pode terminar. O diretor pode assim voltar para casa e retomar seu filme sobre o jornalista Ramon Barnils.

 

"Dias de Agosto" termina onde começa. Seu tema oscila entre o passado e o presente, entre a memória e o esquecimento. Ele integra as experiências, as dúvidas e os encontros de um jovem realizador diante de seu novo filme. Pouco importa se Marc Recha fará ou não seu documentário sobre o jornalista catalão. "Dias de Agosto" se transforma em uma viagem por uma estrada que acaba sendo mais bonita que o ponto de chegada.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h56 AM

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Greengrass vai ao Iraque

Greengrass vai ao Iraque

Ele já reconstitui o maior ataque terrorista da história em "Vôo United 93". Agora, o diretor inglês Paul Greengrass planeja filmar o pós-guerra iraquiano como um docudrama, a mesma estrutura narrativa do filme que o consagrou no ano passado.

Segundo a revista "Variety", o cineasta adaptará ao cinema o livro "Imperial Life in the Emerald City", escrito pelo jornalista Rajiv Chandrasekaran, chefe do escritório em Bagdá do diário americano "Washington Post". No livro, que passou algumas semanas nas listas de mais vendidos nos EUA, o jornalista descreve a caótica tentativa dos americanos de estabelecer um governo provisório na chamada "zona verde", a área ao redor dos palácios de Saddam tomada pelos soldados da ocupação.

Greengrass, que atualmente roda o terceiro filme da série "Bourne" ("Bourne Ultimatum"), manterá em seu projeto iraquiano os mesmos produtores e a mesma equipe de pesquisa que trabalharam com ele em "Vôo United 93" (foto acima). E as filmagens serão realizadas ainda neste ano, provalmente no segundo semestre.

A experiência de Greengrass com docudramas não se restringe a "Vôo United 93". Antes disso, o diretor já dirigira, escrevera e/ou produzira filmes sobre os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, como "Omagh" e "Domingo Sangrento" (vencedor do Urso de Ouro em Berlim-2002).

Como o cineasta é um crítico incisivo do governo Bush e avalia a Guerra do Iraque como "a decisão mais desastrosa de nossa geração", é de se esperar um duro ataque à atual política externa dos EUA.

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Para quem ainda não viu, "Vôo United 93", um dos grandes filmes de 2006, acaba de ser lançado em DVD pela Universal. É também uma boa chance de rever o filme, que pode ser uma surpresa nas indicações ao Oscar, que serão anunciadas na próxima terça-feira.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h18 PM

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Caça ao celular no cinema

Caça ao celular no cinema

A melhor história do dia está no blog Olha Só, contada pelo Ricardo Calil. A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em primeira votação um projeto de lei que cria o Estatuto do Cinéfilo. Elaborado pelo vereador Délio Malheiros (PV), o projeto tem como ponto mais polêmico o confisco dos telefones celulares nas sessões de cinema. Pela proposta de Malheiros, os espectadores só poderão assistir ao filme com seus aparelhos, se estes estiverem no modo silencioso. Caso contrário, a gerência da sala fica autorizada a confiscar o celular, para devolvê-lo apenas ao final da exibição.

O uso de celulares no cinema é um mau hábito que assola as salas de projeção no país, e iniciativas para coibir a prática são louváveis. Mas tomar o aparelho do espectador é algo radical demais. Muito mais simples seria obrigá-lo a desligar o aparelho. Além desse ponto controverso, o Estatudo do Cinéfilo traz outras boas propostas, como limitar a 15 minutos o tempo máximo para trailers e propaganda e impedir a mudança na programação da sala menos de 24 horas antes de cada sessão.

O projeto ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se virar lei, o circuito exibidor de BH terá 90 dias para se adaptar às medidas. E Malheiros, recém-eleito deputado estadual, quer levar o Estatuto do Cinéfilo e o confisco de celulares para todo o Estado de Minas.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h09 PM

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Sexo vetado no IMDB

Sexo vetado no IMDB

Site obrigatório e uma das ferramentas da internet mais usadas por cinéfilos, o IMDB criou um filtro em seu sistema de busca que restringe o acesso a filmes de "conteúdo adulto". Segundo o site, que cataloga informações sobre mais de 400 mil produções do mundo todo, o mecanismo foi criado porque alguns usuários poderiam considerar "impróprios" os resultados que incluíssem filmes pornográficos.

Assim, só conseguem fazer a busca sem restrições os usuários registrados no IMDB que optem por desativar o filtro. Até aí, muito burocrático, mas tudo bem. Se o IMDB resolveu atender aos seus internautas mais sensíveis, não é tão grave assim. O problema é que o tal filtro não funciona direito, e filmes que têm cenas de sexo mas não são pornográficos também estão sendo barrados.

É o caso de "Shortbus", de John Cameron Mitchell, que lotou sessões na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e "sumiu" nas buscas no IMDB. A ausência de "Shortbus" (foto), que tem cenas de sexo, mas está longe de ser um pornô, já provocou a primeira reação contra a decisão do IMDB. Jay Brannan, um dos atores do filme, fez há alguns dias um clipe em que interpreta "Soda Shop", música que ele também canta numa cena de "Shortbus". O detalhe (e o protesto): o vídeo foi gravado no banheiro da casa de Brannan (que ele chama de "Toilet Studios"), e o ator aparece pelado, coberto apenas por seu violão.

O IMDB diz que já identificou o problema de "Shortbus" e que o filme deve ser liberado em breve. Mas o caso de John Cameron Mitchell não é o único, e os critérios da ferramenta do IMDB parecem meio malucos. Enquanto "Batalla em el Cielo", do mexicano Carlos Reygadas, pára no filtro, vários filmes da franquia "Emanuelle" são liberados. Mesmo entre os pornôs os critérios não fazem sentido: "Garganta Profunda", marco do filme de sacanagem, não aparece na busca, mas "Garganta Profunda Negra", erótico italiano feito anos depois, está lá.

Como este blog também é contrário a esse tipo de filtro, aqui vai o protesto do peladão Jay Brannan.

 
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Adendo: poucas horas depois deste post entrar no ar, o IMDB liberou "Shortbus" em seu mecanismo de busca, mas o filme de Carlos Reygadas, entre outros, continua "desaparecido".

Escrito por Leonardo Cruz às 5h30 PM

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Globo de Ouro pulveriza vencedores

Globo de Ouro pulveriza vencedores

Ok, deu "Babel" e "Dreamgirls", e é evidente que esses dois filmes, que já haviam sido indicado a todos os prêmios importantes da temporada, se tornam ainda mais fortes candidatos ao Oscar. Mas são os superfavoritos? Não. Por uma única e mais forte razão: o Globo de Ouro 2007 intensificou sua tendência dos últimos anos e pulverizou ainda mais seus prêmios, com vários filmes dominando os troféus principais.

Vejamos: "Babel" levou melhor filme/drama; "Os Infiltrados", melhor direção; "A Rainha", melhor roteiro e atriz/drama; "O Último Rei da Escócia", melhor ator/drama; "Borat", melhor ator comédia/musical; "O Diabo Veste Prada", melhor atriz comédia/musical. Se o número de Globos é o parâmetro para determinar o "grande vencedor" da noite, então deu "Dreamgirls". Mas foram apenas três troféus: melhor filme comédia/musical, ator coadjuvante e atriz coadjuvante _esses dois últimos, obviamente, de menor importância.

Em resumo, sete filmes venceram as oito principais categorias do Globo de Ouro. E Clint Eastwood correu por fora, vencendo com melhor filme em língua estrangeira. Sinal evidente de que, ao menos para a Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood, não há um único grande filme da temporada, mas alguns bons filmes.

O cenário de 2007 lembra o de 2005, quando "O Aviador", "Menina de Ouro" e "Sideways" dividiram os prêmios mais importantes, e a fita de Clint, que perdeu o Globo de melhor filme/drama para a de Scorsese, acabou levando o Oscar semanas mais tarde. Indício de que, quanto mais o Globo de Ouro esquarteja sua premiação, menor parece ser sua influência sobre os 5.800 eleitores da Academia.

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Dos nove vencedores previstos aqui ontem, seis acertos, incluindo os dois melhores filmes. Nada mal, mas os três erros deixam claro que a bola de cristal deste blog é paraguaia. Afinal, a vitória de Forest Whitaker era cantada por muita gente boa, e a de Scorsese também. Já o prêmio de roteiro para "A Rainha" foi a grande surpresa da noite; dez entre dez palpiteiros de plantão erraram seus prognósticos.

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A lista completa dos vencedores do Globo de Ouro está na Ilustrada Online.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h15 AM

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Imagem do dia

Imagem do dia

A notícia nem é tão relevante assim, mas a imagem é muito divertida. Esta é a capa do último "Radar", caderno cultural semanal do diário argentino "Página 12". A tomatada na cara de Robert Redford faz alusão ao lançamento, na Argentina, do livro "Down and Dirty Pictures", em que o jornalista Peter Biskind reconstitui a ascensão de Sundance, o instituto (e festival) de cinema independente criado pelo ator e produtor americano. O livro, lançado nos EUA no fim de 2004 e inédito em português, trata também (e principalmente) da trajetória dos irmãos Weinstein, os fundadores da produtora e distribuidora Miramax. Biskind atribui a Redford e aos Weinstein a responsabilidade pela decadência do cinema independente autoral americano.

Para quem quiser saber mais, em março de 2005, a Ilustrada publicou uma crítica de Sérgio Rizzo sobre o livro (leia aqui, só assinantes Folha ou UOL).

Escrito por Leonardo Cruz às 5h12 PM

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Os vencedores do Globo de Ouro

Os vencedores do Globo de Ouro

Daqui a algumas horas a Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood realiza a cerimônia de seu 64o. Globo de Ouro, na qual entregará 25 prêmios para concorrentes do cinema e da televisão. Este blogueiro passou o final de semana nas montanhas, meditando. Após muito refletir, chegou às seguintes previsões dos vencedores:

Melhor filme - drama

Quem ganha: "Babel" (foto)

Quem deveria ganhar:  "Os Infiltrados"

 

Melhor filme - comédia/musical

Quem ganha: "Dreamgirls"

Quem deveria ganhar: "Borat"

 

Melhor diretor

Quem ganha: Alejandro González Iñárritu, por "Babel"

Quem deveria ganhar: Martin Scorsese, por "Os Infiltrados"

 

Melhor roteiro

Quem ganha: Guillermo Arriaga, por "Babel"

Quem deveria ganhar: Guillermo Arriaga, por "Babel"

 

Melhor ator - drama

Quem ganha: Leonardo DiCaprio, por "Os Infiltrados"

Quem deveria ganhar: Leonardo DiCaprio, por "Os Infiltrados"

 

Melhor atriz - drama

Quem ganha: Helen Mirren, por "A Rainha"

Quem deveria ganhar: Penélope Cruz, por "Volver"

 

Melhor ator - comédia/musical

Quem ganha: Sacha Baron Cohen

Quem deveria ganhar: Sacha Baron Cohen

 

Melhor atriz - comédia/musical

Quem ganha: Meryl Streep

Quem deveria ganhar: Meryl Streep

 

Melhor filme em língua estrangeira

Quem ganha: "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood

Quem deveria ganhar: "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood

 

A trasmissão do Globo de Ouro começa às 22h no canal pago Warner e deve virar a madrugada. Algumas horas após a entrega dos prêmios, este blog comentará os resultados e (provavelmente) publicará sua errata.

 

Leia mais sobre o Globo de Ouro na Ilustrada Online (a lista completa dos concorrentes está aqui).

Escrito por Leonardo Cruz às 1h01 PM

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Os quatro cérebros de Borat

Os quatro cérebros de Borat

A "Written By", revista da associação de roteiristas dos EUA, publica em sua mais recente edição uma longa e ótima entrevista que revela os métodos de criação para Borat, o amalucado repórter cazaque interpretado por Sacha Baron Cohen no filme-sensação da temporada americana. A publicação conversa com os três roteiristas que, ao lado de Sacha, escrevem as piadas e as perguntas que o personagem usará em suas entrevistas reais durante sua viagem através dos EUA. Nessa jornada, Borat surpreende (e choca) seus interlocutores com perguntas embaraçosas, agressivas e preconceituosas, mas que rendem respostas que muitas vezes refletem o conservadorismo e o preconceito de boa parte da sociedade americana. 

Os ingleses Peter Baynham, Dan Mazer e Anthony Hines contam que todas as situações a que Borat é submetido no filme são cuidadosamente planejadas, para que Sacha possa improvisar de acordo com as reações das pessoas com quem conversa. Ou seja, para uma entrevista real do personagem com um grupo de feministas, por exemplo, os autores haviam preparado perguntas e projetado potenciais respostas para cerca de uma hora e meia de conversa. "Fazemos isso há tanto tempo, que já meio sabemos como as pessoas vão reagir em alguns casos", diz Mazer. E assim os escritores tentam prever alternativas de ações de Borat para cada possível reação dos entrevistados.

O grupo reafirma que as entrevistas realizadas são reais, por mais improvável que isso pareça para quem já viu o filme. Afinal, Borat aparece, entre outras situações, em um rodeio lotado, num programa de uma emissora de TV e num encontro com um congressista americano, sempre tratado como um verdadeiro repórter cazaque em busca de ensinamentos sobre a vida na América.

Dizem ainda que muitas vezes a história foi totalmente alterada por dificuldades da produção em agendar as situações planejadas no roteiro. O que seria a presença de Borat num evento esportivo em Memphis teve de ser adaptado para um jantar formal na casa de uma família tradicional da região. Jantar no qual o personagem traz à mesa um saco cheio de suas próprias fezes e para o qual convida uma prostituta como sua acompanhante.

A cena descrita acima sintetiza o espírito de "Borat", o filme, que tende a provocar sentimentos contraditórios no espectador, ao passo que é, muitas vezes, chulo, escatológico e tolo mas também é, por outro lado, hilariante e extremamente satírico em outras tantas passagens. "Borat", escrito por Sacha Baron Cohen e seus três comparsas, deverá entrar em cartaz em fevereiro e tem pré-estréia hoje em São Paulo, no Noitão do HSBC Belas Artes. Quem resistir à maratona também poderá ver "As Férias do Sr. Hulot" (1953), do francês Jacques Tati, comédia clássica em tudo oposta ao filme do repórter cazaque.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h10 AM

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Um bom começo para Cannes

Um bom começo para Cannes

O mais importante festival de cinema do mundo acontece só em maio, mas Cannes 2007 já tem uma boa notícia: seu júri será presidido pelo britânico Stephen Frears. O diretor de "Minha Adorável Lavanderia", "Ligações Perigosas" e "Os Imorais" é também o responsável por "A Rainha", um dos filmes recentes mais elogiados no exterior e candidato aos principais prêmios da temporada.

Sobre presidir Cannes (e naturalmente protagonizar a escolha da Palma de Ouro), Frears disse: "Obviamente, é uma honra mas também um prazer poder assistir a ótimos filmes do mundo todo em um ambiente tão estimulante. Deus salve Cannes (e a Rainha também)!"

A 60a. edição do Festival de Cannes acontece no balneário francês de 16 a 27 de maio.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h35 PM

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Filmoteca - Amir Labaki

Filmoteca - Amir Labaki

Amir Labaki é o fundador e diretor do É Tudo Verdade, mais importante festival de documentários do país, que em março chega à sua 12ª edição em São Paulo, Rio, Brasília e Campinas. Além disso, foi duas vezes diretor do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, integra o “board” do Festival Internacional de Documentários de Roterdã e é autor de 11 livros sobre cinema e história. Articulista da Folha, Labaki assina também uma coluna no jornal “Valor Econômico”. A seguir, ele gentilmente seleciona os títulos da primeira Filmoteca de 2007.

 

*

 

 

Ouro e Maldição” (Erich von Stroheim, 1923)

O mais radical drama do mais radical cineasta da era muda de Hollywood, baseado no clássico romance naturalista norte-americano "McTeague" de Frank Norris. Três destinados manipulados por amor e cobiça, num retrato obsessivamente realista da frenética América urbanizando-se rumo a hegemônica e cruel superpotência capitalista. Sua mutilação pelos produtores, das nove horas planejadas e rodadas por Stroheim para os 140 minutos que se tornaram clássicos, é um símbolo maior da institucionalização do poder na nascente era dos estúdios.



 

 

A Última Gargalhada” (F.W. Murnau, 1924, lançado em DVD)

A trágica queda de um porteiro de hotel na caótica Alemanha pré-hitlerista. Nada de intertítulos, tudo narrado por uma agilíssima câmera, em favor do pleno desenvolvimento dramático do cinema de imagens. A arte maior do filme mudo não teve morte natural. Sob suas cinzas, nascia uma outra arte.



 

Um Homem com uma Câmera” (Dziga Vertov, 1929, lançado em DVD)

A definitiva sinfonia das metrópoles. Logo, uma radiografia do "homem cinematográfico". Assim, um dos mais certeiros ensaios sobre o século 20.



 

Janela Indiscreta” (Alfred Hitchcock, 1954, lançado em DVD)

Um policial sobre outro caso da mala, em que um marido mata a tediosa esposa. Uma comédia romântica, sobre uma profissional da moda que faz tudo para conquistar seu fotógrafo predileto. Um melodrama social, a respeito do estado das relações amorosas na Nova York do pós-guerra. Ver é viver em intensidade ímpar. Viver é atuar em vários papéis. Como nunca na obra de Hitchcock, em “Janela Indiscreta” tudo é cinema.



 

2001, Uma Odisséia no Espaço” (Stanley Kubrick, 1968, lançado em DVD)

Um ensaio fílmico sobre a história do homem para provar que o cinema pode muito mais que o modelo de romance audiovisual. Um manifesto pelo cinema expandido. “2001” não apenas injetou metafísica nas sagas espaciais mas também ampliou as fronteiras do cinema para além de rígidos modelos narrativos. O filme de Stanley Kubrick e Arthur Clarke mudou a forma do homem encarar o futuro e o próprio cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 7h34 AM

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Fassbinder, Godard e Kubrick

Fassbinder, Godard e Kubrick

Se a retrospectiva completa de John Cassavetes foi a melhor notícia do final de 2006, este ano começa com algumas boas novidades para quem quer conhecer melhor ou rever clássicos do cinema.

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo realizará, de 26 de fevereiro a 18 de março, uma mostra com 16 longas de Rainer Werner Fassbinder, que nos anos 70 se tornou um dos nomes centrais do Novo Cinema Alemão, com filmes como "Lola", "O Casamento de Maria Braun" (foto) e "O Desespero de Veronika Voss". Com seu gosto pelo melodrama e pelas cores fortes, saturadas, Fassbinder criou uma linguagem própria, que influenciou diretores como François Ozon e Pedro Almodóvar. A mostra do CCBB, em princípio restrita a SP, terá curadoria de Ruy Gardnier, da ótima revista eletrônica Contracampo.

E o CCBB paulistano ainda terá, nos próximos meses, outros bons ciclos. Dois exemplos: em abril, uma mostra abordará as relações entre o francês Robert Bresson e o cinema contemporâneo; em julho, José Mojica Marins será tema de uma retrospectiva de seus 50 anos de carreira.

Antes de tudo isso, já na semana que vem, a partir do dia 17, a Cinemateca Brasileira coloca a obra de Jean-Luc Godard em debate, com a exibição de mais de 20 filmes do diretor francês, numa programação que se estende até 11 de fevereiro, em sua sala na Vila Mariana. Não há nenhum filme inédito e algumas obras serão mostradas em DVD, mas ver muitos filmes de Godard de uma só vez é uma rara oportunidade para compreender melhor a importância de sua obra para o cinema, dos anos 60 até hoje.

A última novidade, mas tão boa quanto as anteriores, é a criação de um cineclube no HSBC Belas Artes. A partir de 2 de fevereiro, a sala paulistana terá uma sessão diária de seu cineclube, que apresentará uma programação temática mensal, com uma obra diferente por semana. Os filmes do primeiro mês, por exemplo, têm as "lolitas" como tema, e o fetiche por garotinhas poderá ser visto em "Lolita" (foto), de Stanley Kubrick, "O Joelho de Claire", de Eric Rohmer, "Bilitis", de David Hamilton, e "Chuva de Verão", de Christine Jeffs. Como todo bom cineclube, o do Belas Artes terá carteirinha para seus sócios, com direito a gratuidade em parte das sessões, desconto em outras e mais algumas regalias.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h14 AM

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Os prováveis indicados ao Oscar

Os prováveis indicados ao Oscar

A DGA, associação de diretores de cinema dos EUA, acaba de divulgar os indicados ao seu prêmio anual. Foram escolhidos Bill Condon ("Dreamgirls", foto), Jonathan Dayton e Valerie Faris ("Pequena Miss Sunshine"), Stephen Frears ("A Rainha"), Alejandro Gonzalez Iñárritu ("Babel") e Martin Scorsese ("Os Infiltrados").

Com mais esse anúncio, 12 importantes instituições dos EUA, de críticos e realizadores, já apresentaram seus escolhidos da temporada, o que permite um bom prognóstico do que deve acontecer nas indicações ao Oscar, no próximo dia 23. E, ao menos por enquanto, os filmes desses diretores são os grandes favoritos.

As obras de Bill Condon e Scorsese têm o maior número de indicações/prêmios de melhor filme até agora: sete. Além do Globo de Ouro, ambos surgem nas listas das associações de diretores, produtores e atores, ao lado de "Babel", "Pequena Miss Sunshine" e "A Rainha".

Essas são as entidades mais influentes na definição do Oscar, porque, juntos, seus membros formam grande parte dos 5.800 integrantes da Academia com direito a voto. Exemplo: o vencedor do prêmio principal da DGA foi o vencedor da categoria direção em 52 dos últimos 58 Oscars.

Com esse cenário, "Cartas de Iwo Jima", "Pecados Íntimos" e "Vôo United 93", que agradaram mais às entidades de críticos, tornam-se azarões, ao menos na categoria principal.

Amanhã, 10 de janeiro, é um dia-chave para a definição dos vencedores do Oscar 2007, pois é quando termina o prazo para os votantes da Academia encaminharem a cédula com seus cinco indicados por categoria. Como muitos dos eleitores deixam para decidir seus votos no último momento, é provável que o destino das estatuetas seja definido nas próximas 24 horas. Depois de definidos os finalistas, os eleitores votarão novamente, apontando um único vencedor por categoria. Os prêmios serão entregues em 25 de fevereiro.

*

Com exceção de "Os Infiltrados", "Vôo United 93" e "Pequena Miss Sunshine", o calendário de estréias desses filmes no Brasil está atrelado à proximidade do Oscar. Segundo o site Filme B, "Babel" estréia na semana que vem, dia 19; "A Rainha" e "Pecados Íntimos", em 9/2, "Dreamgirls" e "Cartas de Iwo Jima", em 16/2.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h47 PM

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Ainda Gus van Sant

Ainda Gus van Sant

Um adendo rápido ao post de ontem. O leitor Eduardo Ruegg informa que a TV paga exibiu "Últimos Dias" no sistema pay-per-view em dezembro. Já o crítico Paulo Santos Lima conta que sites entrangeiros vendem o DVD de "Last Days" por 13 doletas (fora eventuais taxas de importação) _a versão gringa promete bons extras, como making of e cenas cortadas, algo que o DVD nacional, ao menos em princípio, não terá.

Escrito por Leonardo Cruz às 1h22 PM

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Gus van Sant, só em DVD

Gus van Sant, só em DVD

Poucos privilegiados viram "Last Days" no Festival do Rio de 2005. Os fãs brasileiros de Gus van Sant passaram 2006 à espera do filme do diretor de "Elefante" e "Garotos de Programa". Nunca chegou. Agora, a Warner informa que lançará "Last Days" em DVD. Chegará ao mercado em 9 de março, por cerca de R$ 45. Só o filme, pelado, sem nenhum extra, com o título "Últimos Dias".

Livremente inspirado na fase final da vida do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, "Últimos Dias" traz Michael Pitt (foto) como um músico de rock que gradualmente se isola de amigos e familiares. Este filme de Van Sant é mais um que caberia naquela lista, sugerida aqui na sexta-feira, de produções obrigatórias que não foram lançadas nos cinemas nacionais. Resta ver "Últimos Dias" na tela pequena.

Para entender melhor o universo de Gus Vant Sant, vale ler a crítica que Alcino Leite Neto escreveu para a Ilustrada quando "Últimos Dias" estreou no Festival de Cannes de 2005.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h38 PM

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Listas de filmes, um vício delicioso

Listas de filmes, um vício delicioso

Qual o melhor filme da história do cinema sueco? E a melhor fita de terror já filmada? E o melhor do cinema mundial dos anos 20? As respostas a essas perguntas estão em um site que há alguns dias entrou no ar de forma definitiva: é o Melhores Filmes, editado pelo jornalista Marcelo Bartolomei.

Num trabalho que levou dois anos, Bart levantou mais de 6.400 filmes e atribuiu notas a todos, levando em conta premiações em festivais, citações em outras listas de melhores filmes publicadas em livros, sites e revistas especializados e críticas favoráveis na imprensa mundial.

Além da lista dos melhores, que por razões óbvias tem "Cidadão Kane" no topo, o site permite (e aí fica mais divertido) ver os melhores por país, gênero, década, ator e diretor. Assim, pelas contas do Bart, descobrimos que quatro dos cinco primeiros do ranking sueco são filmes de Bergman, que o melhor terror foi "Psicose" (foto) e que o supra-sumo dos anos 20 foi "O Encouraçado Potemkin".

Não é o caso de questionar os critérios das listas, que me parecem muito razoáveis, mas não dá para concordar com tudo. Exemplo: alguém aí acredita que os três melhores filmes do cinema chinês são do Zhang Yimou? E faltam mais filmes nacionais. São apenas 72, com "Vidas Secas" em primeiro. Menos do que EUA, França, Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália e Espanha.

Como fazer listas é praticamente um vício mundial, o site convida os navegantes a opinar e mandar sua relação de favoritos. Vale dar um pulo lá.

*

Ainda nesse assunto, a revista americana "Film Comment" colocou em seu site sua lista de melhores de 2006. Até aí, nenhuma novidade. Mas colocou também outra relação, dos melhores filmes de 2006 que não foram lançados nos EUA. São 20 filmes, a maioria também inédita no circuito comercial brasileiro e encabeçada pelo fabuloso "Síndromes e um Século", do tailandês Apichatpong Weerasethakul, exibido na última Mostra de SP.

E como seria uma lista desse tipo feita no Brasil? Muito mais longa, claro. Afinal, em 2006 não estrearam os novos filmes de Iñárritu, Clint Eastwood, David Lynch, Stephen Frears, Paul Verhoeven, sem falar dos bons filmes brasileiros que já estão prontos, mas ainda não têm distribuição acertada.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h29 PM

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O cinema vai à periferia

O cinema vai à periferia

 

Os manos e as minas vêem primeiro. "Antônia", o novo longa de Tata Amaral, estréia em circuito comercial no dia 9 de fevereiro, mas chega antes, ainda neste mês, à comunidade onde foi filmado, a Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo.

O filme, que virou também uma série de TV exibida pela Globo, conta a história de quatro mulheres da Vila Brasilândia que enfrentam os problemas do cotidiano na periferia ao mesmo tempo que tentam montar um grupo de rap. É estrelado por quatro cantoras (Negra Li, Quelynah, Leilah Moreno e Cindy, foto acima) e foi bem-recebido pelo público dos festivais em que já foi exibido.

O filme de Tata Amaral passa na Vila Brasilândia nos dias 11, 12 e 13 de janeiro no largo do Jardim Iracema, no coração do bairro, sempre às 20h30 _antes da exibição do dia 11, a diretora participará de um debate com a platéia. O programa na periferia não se restringe a "Antônia". Nessas mesmas datas, será realizado um pequeno festival de filmes que tiveram cenas gravadas no bairro, incluindo "O Invasor", de Beto Brant, e "De Passagem", de Ricardo Elias.

A operação toda é montada pelo projeto Cine Tela Brasil, o antigo Cine Mambembe, que desde 1996 percorre regiões do país que não possuem salas de cinema, sempre mostrando filmes brasileiros. A louvável iniciativa dos cineastas Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky começou na periferia de São Paulo, com um projetor de 16 mm, uma tela portátil, uma Saveiro e curtas nacionais. Hoje, o Cine Tela Brasil tem uma sala de cinema itinerante, com som estéreo, ar condicionado e capacidade para 225 espectadores. Nos últimos dois anos, passou por 87 cidades e atraiu 200 mil pessoas.

Até o final de março, o picadeiro cinematográfico passará por 11 cidades do interior paulista para exibir "Tainá 2", "2 Filhos de Francisco" e "O Casamento de Louise". É cinema brasileiro chegando onde o grande circuito exibidor já não vai mais.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h05 PM

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Godard encontra Woody Allen

Godard encontra Woody Allen

Salve. O blog retoma suas atividades em 2007 com um vídeo para começar bem o ano. O pessoal da revista Cinética garimpou no YouTube o curta-metragem "Meeting WA", em que Jean-Luc Godard entrevista Woody Allen. Ao longo de 26 minutos, o diretor francês entrevista seu colega americano sobre os recursos de filmagem, a escolha de temas e sua formação como cinéfilo. Entre outras coisas, Allen conta como, em sua adolescência, a sala escura do cinema se tornou um ótimo refúgio do sol e do calor do verão de Manhattan.

No YouTube, o encontro desses dois gênios foi dividido em três partes. A primeira, você pode ver aqui no blog mesmo, logo abaixo. E estes são os links para a segunda parte e para a terceira.

Para os fãs de Woody Allen, o YouTube também reserva mais uma pérola. Uma entrevista, concedida nos anos 70, em que o diretor fala sobre sua relação com a psicanálise, um tema freqüente em seus filmes. E há um ótimo trecho de Allen no divã em "Bananas". Divirta-se.

Em tempo: "Scoop", o novo filme de Allen, estréia no Brasil em 16 de fevereiro.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h59 PM

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Blog Ilustrada no Cinema O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico.

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