Ilustrada no Cinema
 

Listas de filmes, um vício delicioso

Listas de filmes, um vício delicioso

Qual o melhor filme da história do cinema sueco? E a melhor fita de terror já filmada? E o melhor do cinema mundial dos anos 20? As respostas a essas perguntas estão em um site que há alguns dias entrou no ar de forma definitiva: é o Melhores Filmes, editado pelo jornalista Marcelo Bartolomei.

Num trabalho que levou dois anos, Bart levantou mais de 6.400 filmes e atribuiu notas a todos, levando em conta premiações em festivais, citações em outras listas de melhores filmes publicadas em livros, sites e revistas especializados e críticas favoráveis na imprensa mundial.

Além da lista dos melhores, que por razões óbvias tem "Cidadão Kane" no topo, o site permite (e aí fica mais divertido) ver os melhores por país, gênero, década, ator e diretor. Assim, pelas contas do Bart, descobrimos que quatro dos cinco primeiros do ranking sueco são filmes de Bergman, que o melhor terror foi "Psicose" (foto) e que o supra-sumo dos anos 20 foi "O Encouraçado Potemkin".

Não é o caso de questionar os critérios das listas, que me parecem muito razoáveis, mas não dá para concordar com tudo. Exemplo: alguém aí acredita que os três melhores filmes do cinema chinês são do Zhang Yimou? E faltam mais filmes nacionais. São apenas 72, com "Vidas Secas" em primeiro. Menos do que EUA, França, Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália e Espanha.

Como fazer listas é praticamente um vício mundial, o site convida os navegantes a opinar e mandar sua relação de favoritos. Vale dar um pulo lá.

*

Ainda nesse assunto, a revista americana "Film Comment" colocou em seu site sua lista de melhores de 2006. Até aí, nenhuma novidade. Mas colocou também outra relação, dos melhores filmes de 2006 que não foram lançados nos EUA. São 20 filmes, a maioria também inédita no circuito comercial brasileiro e encabeçada pelo fabuloso "Síndromes e um Século", do tailandês Apichatpong Weerasethakul, exibido na última Mostra de SP.

E como seria uma lista desse tipo feita no Brasil? Muito mais longa, claro. Afinal, em 2006 não estrearam os novos filmes de Iñárritu, Clint Eastwood, David Lynch, Stephen Frears, Paul Verhoeven, sem falar dos bons filmes brasileiros que já estão prontos, mas ainda não têm distribuição acertada.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h29 PM

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O cinema vai à periferia

O cinema vai à periferia

 

Os manos e as minas vêem primeiro. "Antônia", o novo longa de Tata Amaral, estréia em circuito comercial no dia 9 de fevereiro, mas chega antes, ainda neste mês, à comunidade onde foi filmado, a Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo.

O filme, que virou também uma série de TV exibida pela Globo, conta a história de quatro mulheres da Vila Brasilândia que enfrentam os problemas do cotidiano na periferia ao mesmo tempo que tentam montar um grupo de rap. É estrelado por quatro cantoras (Negra Li, Quelynah, Leilah Moreno e Cindy, foto acima) e foi bem-recebido pelo público dos festivais em que já foi exibido.

O filme de Tata Amaral passa na Vila Brasilândia nos dias 11, 12 e 13 de janeiro no largo do Jardim Iracema, no coração do bairro, sempre às 20h30 _antes da exibição do dia 11, a diretora participará de um debate com a platéia. O programa na periferia não se restringe a "Antônia". Nessas mesmas datas, será realizado um pequeno festival de filmes que tiveram cenas gravadas no bairro, incluindo "O Invasor", de Beto Brant, e "De Passagem", de Ricardo Elias.

A operação toda é montada pelo projeto Cine Tela Brasil, o antigo Cine Mambembe, que desde 1996 percorre regiões do país que não possuem salas de cinema, sempre mostrando filmes brasileiros. A louvável iniciativa dos cineastas Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky começou na periferia de São Paulo, com um projetor de 16 mm, uma tela portátil, uma Saveiro e curtas nacionais. Hoje, o Cine Tela Brasil tem uma sala de cinema itinerante, com som estéreo, ar condicionado e capacidade para 225 espectadores. Nos últimos dois anos, passou por 87 cidades e atraiu 200 mil pessoas.

Até o final de março, o picadeiro cinematográfico passará por 11 cidades do interior paulista para exibir "Tainá 2", "2 Filhos de Francisco" e "O Casamento de Louise". É cinema brasileiro chegando onde o grande circuito exibidor já não vai mais.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h05 PM

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Godard encontra Woody Allen

Godard encontra Woody Allen

Salve. O blog retoma suas atividades em 2007 com um vídeo para começar bem o ano. O pessoal da revista Cinética garimpou no YouTube o curta-metragem "Meeting WA", em que Jean-Luc Godard entrevista Woody Allen. Ao longo de 26 minutos, o diretor francês entrevista seu colega americano sobre os recursos de filmagem, a escolha de temas e sua formação como cinéfilo. Entre outras coisas, Allen conta como, em sua adolescência, a sala escura do cinema se tornou um ótimo refúgio do sol e do calor do verão de Manhattan.

No YouTube, o encontro desses dois gênios foi dividido em três partes. A primeira, você pode ver aqui no blog mesmo, logo abaixo. E estes são os links para a segunda parte e para a terceira.

Para os fãs de Woody Allen, o YouTube também reserva mais uma pérola. Uma entrevista, concedida nos anos 70, em que o diretor fala sobre sua relação com a psicanálise, um tema freqüente em seus filmes. E há um ótimo trecho de Allen no divã em "Bananas". Divirta-se.

Em tempo: "Scoop", o novo filme de Allen, estréia no Brasil em 16 de fevereiro.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h59 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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