Ilustrada no Cinema
 

Os melhores filmes de Natal

Os melhores filmes de Natal

Chegou a época do ano em que a TV e o cinema são inundados por épicos bíblicos, comédias acéfalas com atores acéfalos e historinhas de amor impróprias para diabéticos. Enfim, a praga: filmes de natal.

Nas salas de São Paulo há três exemplares do gênero: "Jesus, a História do Nascimento", cujo título é auto-explicativo, "Um Natal Brilhante", comédia sobre dois vizinhos em pé-de-guerra, com Danny DeVito e Matthew Broderick (eles não tinham se aposentado?), e "O Amor Não Tira Férias", em que a inglesa Kate Winslet e a americana Cameron Diaz trocam de casa e de país nesta época de panetone e _surpresa!_ redescobrem o amor em terra estrangeira.

Mas nem só de bombas cinematográficas vive o Natal, e é possível comer peru e tomar sidra Serezer acompanhado por filmes bastante dignos. Aqui quatro recomendações natalinas, todas disponíveis em DVD no Brasil.

"A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra (1946) - O melhor filme de Natal já feito. James Stewart é o homem desiludido, que pensa em se matar, quando surge seu anjo da guarda, para mostrar como seria o mundo sem ele. Injeção de otimismo e equilíbrio entre o humor e a emoção, no grande filme de Capra.

"Os Fantasmas Contra-Atacam", de Richard Donner (1988) - Adaptação do "Conto de Natal" de Dickens em que Bill Murray é o inescrupuloso presidente de uma rede de TV obrigado a rever seus princípios quando encontra os três fantasmas do Natal. Boas piadas, numa fábula divertida.

"O Estranho Mundo de Jack", de Tim Burton (1993) - Primorosa animação em "stop motion", na qual Jack, o esqueleto que é o rei de Halloween, resolve assumir também o comando do Natal. Seqüestra o Papai Noel e distribui presentes, digamos, inusitados. "Pesadelo Antes do Natal", a tradução literal do título original, diz tudo.

"Todos Dizem Eu Te Amo", de Woody Allen (1996) - Ok, não é exatamente um filme natalino, mas o final é um Natal em Paris em que Goldie Hawn até flutua. Homenagem de Allen aos musicais, com Alan Alda, Edward Norton e Drew Barrymore em atuações memoráveis.

Esqueci algum? Qual o seu favorito?

*

Salvo edições extraordinárias, este é o último post de 2006. O blog volta às suas atividades normais na primeira semana de 2007. Aos leitores cativos e aos paraquedistas, um sincero ho ho ho. No ano que vem tem mais.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h06 PM

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A roda da fortuna

A roda da fortuna

O diário francês "Le Monde" publicou nesta semana uma curta porém reveladora reportagem sobre as despesas de Hollywood com a promoção de suas produções. Segundo a Motion Picture Association, órgão que representa os grandes estúdios, a indústria gasta em média US$ 36 milhões por filme apenas em operações de marketing. O número já é impressionante por si só e fica ainda mais relevante se comparado ao orçamento médio dos filmes de Hollywood: US$ 60 milhões. A verba promocional cresceu vertiginosamente desde os anos 80, quando o marketing de um filme consumia US$ 6,5 milhões, atingiu seu pico em 2003, com US$ 39 milhões por produção, e agora estabilizou nesse patamar ligeiramente mais baixo. Tudo isso, para garantir o sucesso de um filme em seu final de semana de estréia e manter a roda da fortuna girando.

Uma comparação com o Brasil é assustadora. Produções brasileiras com potencial de público e investimento de estúdios estrangeiros, caso de "Se Eu Fosse Você", gastam em marketing entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão. Filmes nacionais sem verba de fora dependem diretamente dos prêmios de distribuição. Nessas situações, a valor atinge, no máximo, R$ 150 mil e não é usado só para marketing _inclui, por exemplo, a produção das cópias dos filmes. Se não há verba de prêmio, as próprias distribuidoras, em alguns casos, investem nas cópias, na expectiva de recuperaram o investimento com a bilheteria. Nesses casos, o dinheiro para promoção é ainda mais baixo. Essas limitações financeiras explicam por que alguns filmes entram e saem de cartaz sem que quase ninguém saiba de sua existência.

Voltando à realidade gringa, para obter o máximo de exposição, os estúdios concentram seus recursos na TV dos EUA, que veicula 46% do material promocional. A publicidade na imprensa escrita responde por 13%; na internet, por apenas 3%. Mas a rede também é hoje um espaço mais livre para as chamadas "campanhas virais". Em sites, e-mails e blogs como este, navegantes discutem e opinam sobre filmes. Esse boca-a-boca pode ser fundamental para a promoção de uma estréia. Dois casos exemplares de 2006: a polêmica envolvendo "Turistas", que, para o bem ou para o mal, chamou a atenção para o filme; e a bomba "Serpentes a Bordo" (foto acima), que virou febre na rede antes mesmo de estrear nos EUA.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h43 AM

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O cinema pulsa na internet

O cinema pulsa na internet

Ele já existia muito antes do YouTube, divulgando bons filmes na rede: é o Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet, cuja sexta edição entrou no ar hoje. Até o próximo dia 19 de fevereiro, os navegantes poderão assistir a 38 filmes, de 15 países, feitos nos mais diversos formatos.

Realizado pelos mineiros da Zeta Filmes, o festival divide seus concorrentes em três categorias: E-Cinema, onde entram ficções, documentários e experimentais; Anémic, para animações, como o francês "Café Bouillu" (foto); e Cinemobile, exclusivamente para produções feitas com câmeras de celulares.

Além de ver os filmes, o público também pode escolher seus favoritos. Vale dar um pulo no Fluxus.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h51 PM

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Filmoteca - Ricardo Calil

Filmoteca - Ricardo Calil

Ricardo Calil é jornalista, crítico de cinema do "Guia da Folha" e colaborador das revistas "Bravo" e "VIP". E, antes de tudo isso, assina no site Nomínimo o blog Olha Só, uma das melhores colunas eletrônicas sobre o mundo do cinema e da televisão. A seguir, ele conta quais foram os filmes fundamentais para sua formação de cinéfilo, na última Filmoteca do ano.

*

"Crepúsculo dos Deuses" (Billy Wilder, 1950, lançado em DVD)

O filme funciona como um cartão de visitas perfeito para o cinema americano clássico, porque tem aquela carpintaria irretocável de roteiro, direção e interpretação, mas também porque traz uma visão crítica de Hollywood (pelos olhos irônicos do austríaco Wilder) e toques geniais de modernidade (como a idéia do narrador morto). Foi o filme que me explicou por que a fábrica de sonhos americana é tão grandiosa e ilusória.

"Os Incompreendidos" (François Truffaut, 1959, lançado em DVD)

O filme ainda tem o final mais tocante do cinema: a imagem congelada do espanto do garoto Antoine Doinel (alter ego de Truffaut) diante do mar. Minha reação ao ver pela primeira vez esse marco da nouvelle vague francesa não foi muito diferente: a surpresa diante de uma obra que amplia seus horizontes, que transmite uma oceânica sensação de liberdade.


"O Bandido da Luz Vermelha" (Rogério Sganzerla, 1968)

Com apenas 22 anos, Sganzerla mistura Godard e Orson Welles, cinema policial e chanchada, narrativas radiofônicas e quadrinhos. E transforma o caos em estilo. Para quem descobriu o cinema brasileiro depois do final da ditadura militar, o país avalhacado de "O Bandido da Luz Vermelha" fazia muito mais sentido do que o projeto nacional-popular do Cinema Novo.


"Close Up" (Abbas Kiarostami, 1990)

Um iraniano se faz passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf ("Salve o Cinema") e engana os membros de uma família dizendo que pretende empregá-los como atores em um filme. Quando a farsa é descoberta, ele vai a julgamento. Kiarostami reencena a história com os personagens reais interpretando a si mesmos. O projeto do diretor _de apagar as fronteiras entre ficção e documentário, de questionar a essência do cinema e da realidade_ representou para mim uma redescoberta do prazer cinematográfico.


"O Buraco" (Tsai Ming-liang, 1998)

"O Buraco" foi o filme que chamou minha atenção para a nova produção do Extremo Oriente, que abriga o cinema mais vital dos últimos dez anos. O que me interessa na obra do malaio Ming-liang é sua capacidade de falar dos temas mais pomposos de maneira idiossincrática, cômica e musical _um modelo de cinema que atinge seu auge em "O Buraco".

Escrito por Leonardo Cruz às 8h30 AM

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As frases do Oscar

As frases do Oscar

Este é o poster do Oscar 2007, divulgado hoje pela Academia. Neste ano, o cartaz é ilustrado com frases extraídas de 75 filmes que foram indicados ao prêmio entre 1936 e 2005. Menos uma, penetra, que a Academia não conta qual é e convida os fãs de cinema a tentarem descobrir. Alguém se habilita?

Aqui, algumas das aspas mais famosas (ou divertidas) que estão no poster acima, em inglês mesmo, porque traduzidas elas perdem muito do impacto original.

"I'll get you, my pretty, and your little dog, too!", de "O Mágico de Oz" (1939)

"Rosebud", de "Cidadão Kane" (1941)

"One's too many an'a hundred's not enough!", de "Farrapo Humano" (1945)

"All right, Mr. DeMille, I'm ready for my closeup", de "O Crepúsculo dos Deuses" (1950)

"STELLA!", de "Uma Rua Chamada Pecado" (1951)

"I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am", de "Sindicato dos Ladrões" (1954)

"Such stupidity is without equal in the entire history of human relations", de "Gigi" (1958)

"You can break a man's skull. You can arrest him. You can throw him into a dungeon. But how do you control what's up here? How do you fight an idea?", de "Ben-Hur" (1959)

"Come in, come in! We won't bite you_ till we know you better”, de "Amor, Sublime Amor" (1961)

"The Von Trapp children don't play. They march", de "A Noviça Rebelde" (1965)

"I'm gonna make him an offer he can't refuse", de "O Poderoso Chefão" (1972)

"Follow the money", de “Todos os Homens do Presidente" (1976)

"The horror. The horror", de "Apocalypse Now" (1979)

"E.T. phone home", de "E.T." (1982)

"Good evening, Clarice", de "O Silêncio dos Inocentes" (1991)

"I'm the king of the world!", de "Titanic" (1997)

"Remember those posters that said ‘Today is the first day of the rest of your life?’ Well, that's true of every day except one_ the day you die", de "Beleza Americana" (1999)

"Give 'em the old razzle dazzle", de "Chicago" (2002)

"No, if anyone orders Merlot, I'm leaving", de "Sideways" (2004)

Escrito por Leonardo Cruz às 5h35 PM

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A polêmica vai a Roterdã

A polêmica vai a Roterdã

"Baixio das Bestas", o segundo longa-metragem do pernambucano Cláudio Assis ("Amarelo Manga"), está em competição no Festival de Roterdã (24/1 a 4/2). Para quem não se lembra, o filme foi a grande sensação (para o bem e para o mal) do Festival de Brasília, no mês passado, mesmo evento que, em 2002, já consagrara "Amarelo Manga".

Desta vez, o público do festival reagiu à vitória de "Baixio das Bestas" como melhor filme da disputa dividido ao meio _uns vaiaram indignados, enquanto outros aplaudiram com entusiasmo. De fato, "Baixio das Bestas" não convida a reações mornas. Ensaio sobre a exploração sexual e o esgotamento econômico numa zona canavieira do interior pernambucano, o novo longa de Assis traz a mesma contundência de seu primeiro filme e revela um diretor ainda mais perito no domínio de sua gramática e na condução de seus atores.

Reputado como um festival criterioso, Roterdã, que está em sua 36ª edição é uma boa porta de entrada no circuito internacional, inclusive pela perspectiva aberta a futuras co-produções, que o fundo Hubert Bals e o projeto CineMart, associados ao festival, viabilizam anualmente.

No site do festival, a relação de obras selecionadas está sendo divulgada, em etapas, desde ontem. É bom ficar atento, porque mais títulos brasileiros devem freqüentar a página, além de "Baixio das Bestas" e "Acidente", de Cao Guimarães e Pablo Lobato, que já haviam divulgado o convite da mostra holandesa.

Os concorrentes de Assis divulgados até agora são: "La Marea", de Diego Martinez Vignatti, produção belga filmada na Argentina; "Fourteen", de Hirosue Hiromasa (Japão); "Die Unerzogenen" (literalmente, os não-educados), de Pia Marais (Alemanha); "Does It Hurt?", de Aneta Lesnikovska (Macedônia); "How Is Your Fish Today", de Guo Xiaolu (China); "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), e "Ex Drummer", de Koen Mortier (Bélgica).

Escrito por Silvana Arantes às 6h14 PM

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O vídeo da rainha Elizabeth

O vídeo da rainha Elizabeth

O blog Film Experience fez um divertido filminho para comentar o favoritismo de Helen Mirren ("The Queen") na disputa pelos prêmios de melhor atriz da temporada. Com vocês, "All Hail the Queen" (se o vídeo já estiver rolando, clique F5 para recomeçar).

Escrito por Leonardo Cruz às 3h31 PM

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Filmar na Antártida é moleza

Filmar na Antártida é moleza

A agência Reuters informa a mais nova peripécia de Werner Herzog: filmar na Antártida. Depois de seguir os passos de Timothy Treadwell no Alasca para realizar "O Homem Urso" e de desbravar a selva amazônica para retratar a loucura de um homem em "Fitzcarraldo", o genial diretor alemão levou sua equipe ao monte Erebus (foto acima), que abriga um vulcão e cujo cume está 4.118 metros acima do nível do mar.

E o que Herzog achou da empreitada? "Fácil. A Antártida é fácil", declarou o diretor, acrescentando que as pessoas ainda guardam na memória a imagem dos primeiros exploradores e por isso superdimensionam as dificuldades da região. "Agora, há um restaurante, uma barbearia e uma emissora de TV. Tem até caixa eletrônico. O que mais você pode querer?", pergunta o diretor, citando comodidades da estação científica americana que usou como base.

O cineasta alemão acaba de finalizar as filmagens de um documentário financiado pela National Science Foudation, instituição americana que possui um programa de incentivo a artistas e escritores.

O diretor diz querer acabar com o mito disseminado por filmes anteriores da terra hostil conquistada por heróis. Está mais interessado em mostrar o dia-a-dia das pessoas que trabalham no continente. "Você não encontra grandes homens e grandes mulheres como esses facilmente por aí."

O novo filme é uma produção para TV e deve ser exibido pelo Discovery Channel já em 2007. Considerando a produção recente de Herzog, que inclui o ousado "Além do Azul Profundo", é para contar os dias.

E para quem gosta do diretor alemão e quer saber mais, o site oficial dele é ótimo.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h49 AM

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São Paulo debate São Paulo

Dica para amanhã à noite: o Espaço Unibanco de Cinema paulistano exibe "São Paulo S/A" (1965), o mais importante filme de Luiz Sérgio Person, peça fundamental do cinema brasileiro. A sessão gratuita, para celebrar o lançamento do clássico em DVD, será seguida por um debate sobre a obra, do qual participam Walter Salles ("Central do Brasil") e Sérgio Machado ("Cidade Baixa").

Ao acompanhar a trajetória amorosa de um jovem gerente de uma fábrica de autopeças, o filme de Person faz o mais interessante retrato do crescimento urbano, do desenvolvimento industrial, na São Paulo dos anos 60, e o impacto dessa expansão sobre a burguesia ascendente. Além disso, tem uma primorosa interpretação de Walmor Chagas, em sua estréia no cinema.

A exibição de "São Paulo S/A" começa às 20h, e os ingressos serão distribuídos a partir das 19h. Dadas a relevância do filme e o gabarito da mesa debatedora, convém chegar cedo ao Espaço Unibanco (r. Augusta, 1.475, tel. 3288-6780).

Escrito por Leonardo Cruz às 6h21 PM

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O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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