Ilustrada no Cinema

 

 

Os melhores filmes de Natal

Os melhores filmes de Natal

Chegou a época do ano em que a TV e o cinema são inundados por épicos bíblicos, comédias acéfalas com atores acéfalos e historinhas de amor impróprias para diabéticos. Enfim, a praga: filmes de natal.

Nas salas de São Paulo há três exemplares do gênero: "Jesus, a História do Nascimento", cujo título é auto-explicativo, "Um Natal Brilhante", comédia sobre dois vizinhos em pé-de-guerra, com Danny DeVito e Matthew Broderick (eles não tinham se aposentado?), e "O Amor Não Tira Férias", em que a inglesa Kate Winslet e a americana Cameron Diaz trocam de casa e de país nesta época de panetone e _surpresa!_ redescobrem o amor em terra estrangeira.

Mas nem só de bombas cinematográficas vive o Natal, e é possível comer peru e tomar sidra Serezer acompanhado por filmes bastante dignos. Aqui quatro recomendações natalinas, todas disponíveis em DVD no Brasil.

"A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra (1946) - O melhor filme de Natal já feito. James Stewart é o homem desiludido, que pensa em se matar, quando surge seu anjo da guarda, para mostrar como seria o mundo sem ele. Injeção de otimismo e equilíbrio entre o humor e a emoção, no grande filme de Capra.

"Os Fantasmas Contra-Atacam", de Richard Donner (1988) - Adaptação do "Conto de Natal" de Dickens em que Bill Murray é o inescrupuloso presidente de uma rede de TV obrigado a rever seus princípios quando encontra os três fantasmas do Natal. Boas piadas, numa fábula divertida.

"O Estranho Mundo de Jack", de Tim Burton (1993) - Primorosa animação em "stop motion", na qual Jack, o esqueleto que é o rei de Halloween, resolve assumir também o comando do Natal. Seqüestra o Papai Noel e distribui presentes, digamos, inusitados. "Pesadelo Antes do Natal", a tradução literal do título original, diz tudo.

"Todos Dizem Eu Te Amo", de Woody Allen (1996) - Ok, não é exatamente um filme natalino, mas o final é um Natal em Paris em que Goldie Hawn até flutua. Homenagem de Allen aos musicais, com Alan Alda, Edward Norton e Drew Barrymore em atuações memoráveis.

Esqueci algum? Qual o seu favorito?

*

Salvo edições extraordinárias, este é o último post de 2006. O blog volta às suas atividades normais na primeira semana de 2007. Aos leitores cativos e aos paraquedistas, um sincero ho ho ho. No ano que vem tem mais.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h06 PM

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A roda da fortuna

A roda da fortuna

O diário francês "Le Monde" publicou nesta semana uma curta porém reveladora reportagem sobre as despesas de Hollywood com a promoção de suas produções. Segundo a Motion Picture Association, órgão que representa os grandes estúdios, a indústria gasta em média US$ 36 milhões por filme apenas em operações de marketing. O número já é impressionante por si só e fica ainda mais relevante se comparado ao orçamento médio dos filmes de Hollywood: US$ 60 milhões. A verba promocional cresceu vertiginosamente desde os anos 80, quando o marketing de um filme consumia US$ 6,5 milhões, atingiu seu pico em 2003, com US$ 39 milhões por produção, e agora estabilizou nesse patamar ligeiramente mais baixo. Tudo isso, para garantir o sucesso de um filme em seu final de semana de estréia e manter a roda da fortuna girando.

Uma comparação com o Brasil é assustadora. Produções brasileiras com potencial de público e investimento de estúdios estrangeiros, caso de "Se Eu Fosse Você", gastam em marketing entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão. Filmes nacionais sem verba de fora dependem diretamente dos prêmios de distribuição. Nessas situações, a valor atinge, no máximo, R$ 150 mil e não é usado só para marketing _inclui, por exemplo, a produção das cópias dos filmes. Se não há verba de prêmio, as próprias distribuidoras, em alguns casos, investem nas cópias, na expectiva de recuperaram o investimento com a bilheteria. Nesses casos, o dinheiro para promoção é ainda mais baixo. Essas limitações financeiras explicam por que alguns filmes entram e saem de cartaz sem que quase ninguém saiba de sua existência.

Voltando à realidade gringa, para obter o máximo de exposição, os estúdios concentram seus recursos na TV dos EUA, que veicula 46% do material promocional. A publicidade na imprensa escrita responde por 13%; na internet, por apenas 3%. Mas a rede também é hoje um espaço mais livre para as chamadas "campanhas virais". Em sites, e-mails e blogs como este, navegantes discutem e opinam sobre filmes. Esse boca-a-boca pode ser fundamental para a promoção de uma estréia. Dois casos exemplares de 2006: a polêmica envolvendo "Turistas", que, para o bem ou para o mal, chamou a atenção para o filme; e a bomba "Serpentes a Bordo" (foto acima), que virou febre na rede antes mesmo de estrear nos EUA.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h43 AM

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O cinema pulsa na internet

O cinema pulsa na internet

Ele já existia muito antes do YouTube, divulgando bons filmes na rede: é o Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet, cuja sexta edição entrou no ar hoje. Até o próximo dia 19 de fevereiro, os navegantes poderão assistir a 38 filmes, de 15 países, feitos nos mais diversos formatos.

Realizado pelos mineiros da Zeta Filmes, o festival divide seus concorrentes em três categorias: E-Cinema, onde entram ficções, documentários e experimentais; Anémic, para animações, como o francês "Café Bouillu" (foto); e Cinemobile, exclusivamente para produções feitas com câmeras de celulares.

Além de ver os filmes, o público também pode escolher seus favoritos. Vale dar um pulo no Fluxus.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h51 PM

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Filmoteca - Ricardo Calil

Filmoteca - Ricardo Calil

Ricardo Calil é jornalista, crítico de cinema do "Guia da Folha" e colaborador das revistas "Bravo" e "VIP". E, antes de tudo isso, assina no site Nomínimo o blog Olha Só, uma das melhores colunas eletrônicas sobre o mundo do cinema e da televisão. A seguir, ele conta quais foram os filmes fundamentais para sua formação de cinéfilo, na última Filmoteca do ano.

*

"Crepúsculo dos Deuses" (Billy Wilder, 1950, lançado em DVD)

O filme funciona como um cartão de visitas perfeito para o cinema americano clássico, porque tem aquela carpintaria irretocável de roteiro, direção e interpretação, mas também porque traz uma visão crítica de Hollywood (pelos olhos irônicos do austríaco Wilder) e toques geniais de modernidade (como a idéia do narrador morto). Foi o filme que me explicou por que a fábrica de sonhos americana é tão grandiosa e ilusória.

"Os Incompreendidos" (François Truffaut, 1959, lançado em DVD)

O filme ainda tem o final mais tocante do cinema: a imagem congelada do espanto do garoto Antoine Doinel (alter ego de Truffaut) diante do mar. Minha reação ao ver pela primeira vez esse marco da nouvelle vague francesa não foi muito diferente: a surpresa diante de uma obra que amplia seus horizontes, que transmite uma oceânica sensação de liberdade.


"O Bandido da Luz Vermelha" (Rogério Sganzerla, 1968)

Com apenas 22 anos, Sganzerla mistura Godard e Orson Welles, cinema policial e chanchada, narrativas radiofônicas e quadrinhos. E transforma o caos em estilo. Para quem descobriu o cinema brasileiro depois do final da ditadura militar, o país avalhacado de "O Bandido da Luz Vermelha" fazia muito mais sentido do que o projeto nacional-popular do Cinema Novo.


"Close Up" (Abbas Kiarostami, 1990)

Um iraniano se faz passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf ("Salve o Cinema") e engana os membros de uma família dizendo que pretende empregá-los como atores em um filme. Quando a farsa é descoberta, ele vai a julgamento. Kiarostami reencena a história com os personagens reais interpretando a si mesmos. O projeto do diretor _de apagar as fronteiras entre ficção e documentário, de questionar a essência do cinema e da realidade_ representou para mim uma redescoberta do prazer cinematográfico.


"O Buraco" (Tsai Ming-liang, 1998)

"O Buraco" foi o filme que chamou minha atenção para a nova produção do Extremo Oriente, que abriga o cinema mais vital dos últimos dez anos. O que me interessa na obra do malaio Ming-liang é sua capacidade de falar dos temas mais pomposos de maneira idiossincrática, cômica e musical _um modelo de cinema que atinge seu auge em "O Buraco".

Escrito por Leonardo Cruz às 8h30 AM

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As frases do Oscar

As frases do Oscar

Este é o poster do Oscar 2007, divulgado hoje pela Academia. Neste ano, o cartaz é ilustrado com frases extraídas de 75 filmes que foram indicados ao prêmio entre 1936 e 2005. Menos uma, penetra, que a Academia não conta qual é e convida os fãs de cinema a tentarem descobrir. Alguém se habilita?

Aqui, algumas das aspas mais famosas (ou divertidas) que estão no poster acima, em inglês mesmo, porque traduzidas elas perdem muito do impacto original.

"I'll get you, my pretty, and your little dog, too!", de "O Mágico de Oz" (1939)

"Rosebud", de "Cidadão Kane" (1941)

"One's too many an'a hundred's not enough!", de "Farrapo Humano" (1945)

"All right, Mr. DeMille, I'm ready for my closeup", de "O Crepúsculo dos Deuses" (1950)

"STELLA!", de "Uma Rua Chamada Pecado" (1951)

"I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am", de "Sindicato dos Ladrões" (1954)

"Such stupidity is without equal in the entire history of human relations", de "Gigi" (1958)

"You can break a man's skull. You can arrest him. You can throw him into a dungeon. But how do you control what's up here? How do you fight an idea?", de "Ben-Hur" (1959)

"Come in, come in! We won't bite you_ till we know you better”, de "Amor, Sublime Amor" (1961)

"The Von Trapp children don't play. They march", de "A Noviça Rebelde" (1965)

"I'm gonna make him an offer he can't refuse", de "O Poderoso Chefão" (1972)

"Follow the money", de “Todos os Homens do Presidente" (1976)

"The horror. The horror", de "Apocalypse Now" (1979)

"E.T. phone home", de "E.T." (1982)

"Good evening, Clarice", de "O Silêncio dos Inocentes" (1991)

"I'm the king of the world!", de "Titanic" (1997)

"Remember those posters that said ‘Today is the first day of the rest of your life?’ Well, that's true of every day except one_ the day you die", de "Beleza Americana" (1999)

"Give 'em the old razzle dazzle", de "Chicago" (2002)

"No, if anyone orders Merlot, I'm leaving", de "Sideways" (2004)

Escrito por Leonardo Cruz às 5h35 PM

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A polêmica vai a Roterdã

A polêmica vai a Roterdã

"Baixio das Bestas", o segundo longa-metragem do pernambucano Cláudio Assis ("Amarelo Manga"), está em competição no Festival de Roterdã (24/1 a 4/2). Para quem não se lembra, o filme foi a grande sensação (para o bem e para o mal) do Festival de Brasília, no mês passado, mesmo evento que, em 2002, já consagrara "Amarelo Manga".

Desta vez, o público do festival reagiu à vitória de "Baixio das Bestas" como melhor filme da disputa dividido ao meio _uns vaiaram indignados, enquanto outros aplaudiram com entusiasmo. De fato, "Baixio das Bestas" não convida a reações mornas. Ensaio sobre a exploração sexual e o esgotamento econômico numa zona canavieira do interior pernambucano, o novo longa de Assis traz a mesma contundência de seu primeiro filme e revela um diretor ainda mais perito no domínio de sua gramática e na condução de seus atores.

Reputado como um festival criterioso, Roterdã, que está em sua 36ª edição é uma boa porta de entrada no circuito internacional, inclusive pela perspectiva aberta a futuras co-produções, que o fundo Hubert Bals e o projeto CineMart, associados ao festival, viabilizam anualmente.

No site do festival, a relação de obras selecionadas está sendo divulgada, em etapas, desde ontem. É bom ficar atento, porque mais títulos brasileiros devem freqüentar a página, além de "Baixio das Bestas" e "Acidente", de Cao Guimarães e Pablo Lobato, que já haviam divulgado o convite da mostra holandesa.

Os concorrentes de Assis divulgados até agora são: "La Marea", de Diego Martinez Vignatti, produção belga filmada na Argentina; "Fourteen", de Hirosue Hiromasa (Japão); "Die Unerzogenen" (literalmente, os não-educados), de Pia Marais (Alemanha); "Does It Hurt?", de Aneta Lesnikovska (Macedônia); "How Is Your Fish Today", de Guo Xiaolu (China); "Love Conquers All", de Tan Chui Mui (Malásia), e "Ex Drummer", de Koen Mortier (Bélgica).

Escrito por Silvana Arantes às 6h14 PM

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O vídeo da rainha Elizabeth

O vídeo da rainha Elizabeth

O blog Film Experience fez um divertido filminho para comentar o favoritismo de Helen Mirren ("The Queen") na disputa pelos prêmios de melhor atriz da temporada. Com vocês, "All Hail the Queen" (se o vídeo já estiver rolando, clique F5 para recomeçar).

Escrito por Leonardo Cruz às 3h31 PM

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Filmar na Antártida é moleza

Filmar na Antártida é moleza

A agência Reuters informa a mais nova peripécia de Werner Herzog: filmar na Antártida. Depois de seguir os passos de Timothy Treadwell no Alasca para realizar "O Homem Urso" e de desbravar a selva amazônica para retratar a loucura de um homem em "Fitzcarraldo", o genial diretor alemão levou sua equipe ao monte Erebus (foto acima), que abriga um vulcão e cujo cume está 4.118 metros acima do nível do mar.

E o que Herzog achou da empreitada? "Fácil. A Antártida é fácil", declarou o diretor, acrescentando que as pessoas ainda guardam na memória a imagem dos primeiros exploradores e por isso superdimensionam as dificuldades da região. "Agora, há um restaurante, uma barbearia e uma emissora de TV. Tem até caixa eletrônico. O que mais você pode querer?", pergunta o diretor, citando comodidades da estação científica americana que usou como base.

O cineasta alemão acaba de finalizar as filmagens de um documentário financiado pela National Science Foudation, instituição americana que possui um programa de incentivo a artistas e escritores.

O diretor diz querer acabar com o mito disseminado por filmes anteriores da terra hostil conquistada por heróis. Está mais interessado em mostrar o dia-a-dia das pessoas que trabalham no continente. "Você não encontra grandes homens e grandes mulheres como esses facilmente por aí."

O novo filme é uma produção para TV e deve ser exibido pelo Discovery Channel já em 2007. Considerando a produção recente de Herzog, que inclui o ousado "Além do Azul Profundo", é para contar os dias.

E para quem gosta do diretor alemão e quer saber mais, o site oficial dele é ótimo.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h49 AM

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São Paulo debate São Paulo

Dica para amanhã à noite: o Espaço Unibanco de Cinema paulistano exibe "São Paulo S/A" (1965), o mais importante filme de Luiz Sérgio Person, peça fundamental do cinema brasileiro. A sessão gratuita, para celebrar o lançamento do clássico em DVD, será seguida por um debate sobre a obra, do qual participam Walter Salles ("Central do Brasil") e Sérgio Machado ("Cidade Baixa").

Ao acompanhar a trajetória amorosa de um jovem gerente de uma fábrica de autopeças, o filme de Person faz o mais interessante retrato do crescimento urbano, do desenvolvimento industrial, na São Paulo dos anos 60, e o impacto dessa expansão sobre a burguesia ascendente. Além disso, tem uma primorosa interpretação de Walmor Chagas, em sua estréia no cinema.

A exibição de "São Paulo S/A" começa às 20h, e os ingressos serão distribuídos a partir das 19h. Dadas a relevância do filme e o gabarito da mesa debatedora, convém chegar cedo ao Espaço Unibanco (r. Augusta, 1.475, tel. 3288-6780).

Escrito por Leonardo Cruz às 6h21 PM

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Licença para cavar; licença para falar

Licença para cavar; licença para falar

Fui rever "Cassino Royale" ontem à noite e duas coisas extra-filme me chamaram a atenção.

1) ao assistir na semana passada à grande seqüência de perseguição do início do filme, em Madagascar, tinha achado um tanto esdrúxulo o uso por Bauer, digo Bond, de uma escavadeira para tentar alcançar o fabricante de bombas em fuga. Ontem, tudo ficou claro. Antes de "Cassino Royale" começar, foi exibida uma propaganda do veículo, com o slogan "James Bond dirige a escavadeira X". Até entendo a lógica comercial de usar o cinema para promover a marca A ou a marca B, mas alguma construtora, em sã consciência, vai comprar uma escavadeira só porque é "a escavadeira do 007"? Ou o veículo teria uma "licença especial para cavar"?

2) o colega e crítico Paulo Santos Lima já havia me alertado para isso e ontem pude comprovar. No vídeo de orientações ao público antes do filme, a rede Cinemark pede aos espectadores que, se quiserem conversar durante a projeção, que "falem baixo"! Como assim? Cinema é para ser visto em silêncio, certo?! Não faria mais sentido trocar para algo como "por favor, evite conversar durante o filme"? Infelizmente, o público que freqüenta as salas de shopping, onde a Cinemark está instalada, não é por tradição dos mais silenciosos. Se nem a rede colabora para educar a platéia, o resultado é o que foi visto ontem: além dos já disseminados "uuuuuhuuuuuuuu!!!" e comentários em voz alta nas principais cenas de ação, houve até palmas para Bond nos momentos decisivos. Um pouco demais, não? Ou será que eu sou mal-humorado?

Escrito por Leonardo Cruz às 8h49 AM

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Apostas para o Globo de Ouro

Apostas para o Globo de Ouro

Com a lista do Globo de Ouro divulgada na manhã de hoje, o blog Olha Só, de Ricardo Calil, começou uma campanha pró-Scorsese, na torcida pelo diretor de "Os Infiltrados" tanto no Globo de Ouro como no Oscar. Este blog também apóia o movimento e apresenta aqui sua relação de favoritos pessoais, totalmente passional, para o prêmio da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood.

Melhor filme - drama: "Os Infiltrados" (mas "Babel" é um concorrente fortíssimo)

Melhor filme - comédia: "Borat" (mas deve dar "Dreamgirls")

Melhor diretor: Martin Scorsese (mas tem Clint em dose dupla)

Melhor ator - drama: Leonardo DiCaprio em dose dupla

Melhor atriz - drama: Penélope Cruz (mas Helen Mirren, com três indicações, é ultrafavorita)

Melhor ator - comédia/musical: Sacha Baron Cohen

Melhor atriz - comédia/musical: Meryl Streep

Melhor filme estrangeiro: "Letters from Iwo Jima", de Clint Eastwood

E os seus favoritos? Quais são?

Escrito por Leonardo Cruz às 5h14 PM

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Convite aos navegantes

Convite aos navegantes

Daqui a algumas horas será divulgada a lista de indicados ao Globo de Ouro 2007. Participo de um bate-papo da Folha Online nesta quinta, às 17h, para comentar a relação de escolhidos. Quem estiver à toa na vida e quiser conversar um pouco sobre cinema pode dar uma passadinha lá. Basta entrar na Folha Online.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h36 PM

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O crédito a quem merece

O crédito a quem merece

Terminou com acordo, anunciado nesta tarde, a disputa pela autoria de "O Céu de Suely". Em reportagem na Ilustrada de hoje (leia íntegra aqui), a socióloga Simone Oliveira Lima reivindicava o crédito pelo argumento do filme de Karim Aïnouz _Simone é co-autora do roteiro de "Rifa-me", curta de 2000, também dirigido por Aïnouz, que conta a história de uma jovem cearense que rifa seu corpo para obter dinheiro para comprar uma passagem de ônibus que a leve para longe do sertão. Ou seja, praticamente a mesma trama de "O Céu de Suely".

Em nota enviada ao repórter Mário Magalhães, Simone afirma que não há mais divergências com Aïnouz, que é seu amigo. "Foi uma falta de comunicação, e, quando Karim soube da minha insatisfação, me atendeu prontamente", acrescenta a socióloga. A nota é assinada por Simone e por Aïnouz, que afirma: "Dediquei o filme a Simone e não imaginei que isso lhe chatearia. De qualquer modo, informei que não me oporia, de maneira nenhuma, em lhe dar o crédito solicitado. O que foi feito imediatamente".

Pedido atendido, as cópias em cartaz de "O Céu de Suely" serão alteradas para incluir o nome de Simone Oliveira Lima como co-autora do argumento do filme, ao lado de Aïnouz e de Maurício Zacharias.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h34 PM

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A aula de história de Silvio Da-Rin

A aula de história de Silvio Da-Rin

Um dos capítulos mais importantes da ditadura militar no Brasil é agora revisto em um documentário impecável: "Hércules 56", de Silvio Da-Rin, reconstitui o seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick em setembro de 1969 pelos grupos revolucionários Ação Libertadora Nacional e MR-8, que resultou na troca do refém por 15 presos políticos do regime.

O mesmo episódio já fora tratado pelo cinema no ficcional "O que É Isso, Companheiro?", dirigido por Bruno Barreto com base no livro do hoje deputado Fernando Gabeira, participante do seqüestro. Agora, no filme de Da-Rin, o caso é abordado de forma objetiva, com dois eixos centrais que se intercalam: no primeiro, os protagonistas da ação se encontram ao redor de uma mesa para relembrar os preparativos e a execução da empreitada; no segundo, os nove remanescentes dos 15 presos trocados, incluindo o petista José Dirceu, detalham como foram detidos e relatam a viagem ao exílio, para o México, a bordo do Hércules 56 da Força Aérea Brasileira. Da-Rin amarra esses dois eixos com muitas imagens de arquivo e uma narração em off, explicativa, contextualizadora.

Das diferentes opiniões sobre o seqüestro, Da-Rin consegue recuperar com muita competência o espírito da época e obter de seus entrevistados reflexões sobre o impacto daquela ação, de profunda repercussão dentro e fora do país. Tanto ex-seqüestradores quanto ex-prisioneiros da ditadura ponderam, sem consenso, se a luta armada era o caminho a seguir naquele período e se a captura de Elbrick foi estrategicamente correta. Do conflito entre esses depoimentos, o diretor extrai uma aula de história, que merece ser vista e discutida.

"Hércules 56" será exibido hoje, às 20h, no Rio de Janeiro, dentro da mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que já passou por São Paulo e Brasília e acontece ainda em Recife. O filme de Da-Rin ainda não tem previsão de estréia em circuito comercial.

Escrito por Leonardo Cruz às 10h28 AM

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Cinema x Séries de TV

Cinema x Séries de TV

Em ótima entrevista na Ilustrada desta terça, o mestre dos roteiristas americanos Robert McKee analisa o ofício de contar histórias no cinema e chega a algumas interessantes conclusões, que merecem reflexão. Na mais provocadora, McKee afirma que as séries de TV, de produção mais barata, dominarão o futuro da narrativa audiovisual, superando o cinema, que, "como forma de arte, está em grande perigo". Aponta ainda um abuso da reciclagem de temas e histórias por Hollywood e "a ênfase na superfície em relação à substância". Faltam filmes que retratem "a rica complexidade da natureza humana", conclui o autor.

As séries de TV americanas atravessam hoje seu melhor momento, seu apogeu, como afirma McKee, e parecem realmente mais ágeis e capazes de traduzir a tal "natureza humana" do que o cinema produzido pelos grandes estúdios dos EUA. Essas produções de TV conseguem absorver com agilidade grandes momentos históricos, como a guerra ao terror de Bush refletida em "24 Horas", e pequenos acontecimentos cotidianos, como o amor e o sexo na vida das garotas de "Sex and the City". Como bem escreveu o crítico Cássio Starling Carlos no livro "Em Tempo Real", a ousadia da temática nas séries também é um forte atrativo. Exemplo: um dos grandes sucessos da TV americana é "Dexter", série em que o protagonista é um charmoso perito da polícia de Miami que, nas horas vagas, é também um serial killer justiceiro.

Voltando à indústria, a escassez de boas histórias inéditas salta aos olhos quando observamos os filmes mais cotados até agora ao Oscar 2007. "Os Infiltrados" é uma versão de um filme de ação de Hong Kong; "Cartas de Iwo Jima", uma releitura de um episódio histórico; "Dreamgirls", uma adaptação de um musical da Broadway. Por mais espetaculares que sejam, não trazem novas histórias. Quem são os grandes criadores de Hollywood hoje?

E aí chegamos à segunda conclusão de McKee: olhem para o Oriente. "Chineses e coreanos estão hoje definindo novos padrões de excelência para o cinema mundial", afirma o roteirista. E está coberto de razão. A obra dos chineses é um pouquinho mais difundida no Brasil _os filmes de Kar-wai entram em circuito comercial, e os de Jia Zhang-ke passam nos festivais (sem falar da profusão de adagas voadoras). Mas a produção sul-coreana recente é tão instigante quanto rara por aqui. Hong Sang-soo, que já há algum tempo estréia seus filmes em Cannes, é inédito nos cinemas brasileiros. Quem quiser conhecer sua obra precisa recorrer aos DVD importados ou à internet. Uma lástima.

A íntegra da entrevista com Robert McKee está disponível na Ilustrada Online. Para saber um pouco mais sobre o cinema coreano, vale conferir o extenso dossiê produzido pela revista Contracampo no ano passado.

Escrito por Leonardo Cruz às 6h51 PM

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O melhor do Brasil

O melhor do Brasil

Nesta semana e na próxima, o Cinesesc realiza em São Paulo sua retrospectiva anual do cinema brasileiro. É a sétima edição do evento, que começa hoje e vai até o dia 23, com 43 filmes que passaram pelo circuito comercial de novembro do ano passado até agora. Em geral, são quatro sessões por dia, por apenas R$ 4 por filme ou R$ 30 para ver o festival todo.

Entre os filmes obrigatórios de 2006, apenas "O Céu de Suely", ainda em cartaz na cidade, não está na mostra. Da seleção do Cinesesc, são muito bons e merecem serem revistos: as ficções "Árido Movie", de Lírio Ferreira, "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, "Crime Delicado", de Beto Brant, e "O Maior Amor do Mundo", de Cacá Diegues, e os documentários "Soy Cuba - O Mamute Siberiano", de Vicente Ferraz (foto), e "Estamira", de Marcos Prado.

A programação completa da Retrospectiva do Cinema Brasileiro 2005-2006 está disponível aqui.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h00 PM

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O Dogma vai à Escócia

O Dogma vai à Escócia

A colaboradora parisiense Patricia Klingl escreve sobre “Red Road”, ganhador do prêmio de júri em Cannes 2006. Espécie de Dogma escocês, o filme foi exibido no Festival do Rio e na Mostra de SP e tem estréia comercial prevista para janeiro no Brasil.

 

 

Big Brother escocês, por Patricia Klingl

 

Red Road”, primeiro longa-metragem de Andrea Arnolds, inaugura o coletivo escocês “Advance Party”, com produção do dinamarquês Lars von Trier. A proposta do grupo é rodar uma trilogia, cada filme produzido por um diretor diferente. Como regra, as três histórias se passam em Glasgow com os mesmos nove atores, ora como personagens principais, ora como coadjuvantes.

 

Nestas condições, o filme que abre a série conta a historia de Jackie (Kate Dickie), funcionária em uma empresa de segurança de Glasgow, responsável por monitorar o bairro de Red Road. Jackie observa diariamente, através de um sistema de câmeras de vigilância, a rotina de seus moradores _pela vivência dos outros, preenche o vazio de sua própria vida.

 

O espectador compartilha de seu voyeurismo e compreende, através de imagens fragmentadas, quem são as pessoas que vivem ali. Mesmo Jackie tem sua história revelada através daqueles monitores, quando reconhece o rosto de Clyde (Tony Currain), o homem acusado de ter matado sua filha e seu marido. Jackie segue os passos do assassino, estuda seus hábitos e tenta se aproximar dele. Seu objetivo não é claro; aparenta planejar uma vingança, tal qual a personagem de Jeanne Moreau em “A noiva estava de preto”, de François Truffaut. Mas seu plano é virtual, semelhante às imagens difusas e incompletas que monitora. Jackie vive o paradoxo de tudo saber, tudo ver, mas ao mesmo tempo nada controlar.

 

O filme usa o conceito do coletivo dinamarquês “Dogma”, onde a indefinição da imagem e a falta de luz ajudam a compor toda a perturbação, a inquietude e o sofrimento dos personagens. A escolha do vídeo como suporte também colabora na composição da mise-en-scène. Como em “Caché”, de Michael Haneke, o espectador deve preencher as lacunas criadas pela fragmentação da narrativa e das imagens gravadas em baixa resolução.

 

Andrea Arnold consegue tirar poesia dos grandes espaços urbanos. Os impressionantes prédios populares servem de cenário para esta história de desolação. “Red Road” é um filme intenso, de onde o espectador sai silencioso.

Escrito por Leonardo Cruz às 8h26 AM

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Raridade de Kar-wai em SP

Raridade de Kar-wai em SP

Dica rápida: a melhor balada cinéfila do final de semana acontece na próxima madrugada em São Paulo. O HSBC Belas Artes apresenta "Dias Selvagens" (foto), segundo longa do chinês Wong Kar-wai, diretor dos ótimos "Amores Expressos" (citado por Cássio Starling Carlos no post abaixo), "Amor à Flor da Pele" e "2046", há quase um ano em cartaz no mesmo cinema.

"Dias Selvagens", que até hoje só havia sido exibido no Brasil em festivais, abre o Noitão do Belas Artes, evento mensal que projeta três filmes madrugada adentro a partir da meia-noite. O pacote deste mês, batizada "Expresso do Oriente", tem ainda "Tóquio Porrada", do japonês Shin'ya Tsukamoto. Um filme-surpresa ambientado em Tóquio fecha o programa. Quem resistir à maratona ganha café da manhã ao amanhecer.

Mas os fãs de Kar-wai que perderem a sessão desta noite não precisam se desesperar _"Dias Selvagens" entra em cartaz no Belas Artes em 6 de janeiro e, se fizer o mesmo sucesso de "2046", ficará por um bom tempo.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h39 AM

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Filmoteca - Cássio Starling Carlos

Filmoteca - Cássio Starling Carlos

Cássio Starling Carlos é jornalista, escritor e crítico de cinema da Folha, onde já foi editor do Folhateen, o suplemento juvenil do jornal, e da Ilustrada, o caderno de cultura. Acaba de lançar, pela Alameda Editorial, o livro "Em Tempo Real", ótima análise sobre séries de TV como "Lost" e "24 Horas" e suas relações com o mundo contemporâneo e as artes. Aqui, ele gentilmente apresenta cinco filmes que mudaram sua forma de ver o cinema.

*

"Um Corpo que Cai" (Alfred Hitchcock, 1958, disponível em DVD)

A paixão é uma vontade de vida ou de morte? A pergunta é levada às últimas conseqüências na maior das obras-primas de Hitchcock. O fantasma pelo qual a certa altura da vida qualquer um de nós acaba se entregando é reproduzida aqui na relação do espectador com o próprio cinema. Madeleine/Judy é pura imagem, um simulacro, um abismo em que Scottie e nós nos jogamos quando necessitamos de vertigem.

 

"A Lira do Delírio" (Walter Lima Jr., 1978)

Uma câmera na mão, três atores entregues ao improviso e à perda de si num Carnaval e atrás deles um cineasta em busca de uma história. A liberação proclamada pelo Cinema Novo encontra um eco tardio neste filme que, além disso, não tem pudor de assumir a mescla de gêneros (do policial ao musical, passando pelo melodrama familiar e a comédia de costumes). É pura alegria ser conduzido nesse labirinto pela irresistível Anecy Rocha, guardada intacta como imagem de um Brasil que já existiu.

 

"Aos Nossos Amores" (Maurice Pialat, 1983)

Maurice Pialat era um tipo que não se enquadrava. Não integrou a turma da Nouvelle Vague e nenhuma outra turma. Homem de temperamento irascível, filmou pouco e ocasionalmente. "Aos Nossos Amores", além de ter revelado a beleza luminosa de Sandrine Bonnaire, reúne todo o impacto do seu cinema físico, com a câmera colada à pele e aos corpos, capturando a violência e a dor humana em detalhe. Nele arde um realismo inspirado em Renoir, mas tingido de brutalidade, que hoje se reflete no projeto estético dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne.

 

"O Raio Verde" (Eric Rohmer, 1986)

A solidão se resolve apenas quando se consegue companhia? O título, que integra a deliciosa série "Comédias e Provérbios", segue os infortúnios de uma garota solitária em busca de alguém. A filmagem livre, com equipamento levíssimo e totalmente sujeita ao improviso recupera as lições do ideário original da Nouvelle Vague e, 20 anos depois, ainda não adquiriu nenhuma ruga. Do erro em erro que tornam as férias de verão de sua heroína um calvário, Rohmer revela, com sua filosofia proverbial, como funciona a armadilha da falta.

 

"Amores Expressos" (Wong Kar-wai, 1994)

Quando as portas do Oriente se abriram aos olhos do Ocidente, do liquidificador do chinês Wong Kar-wai saiu essa mistura de Godard anos 60 + Resnais anos 50 + Antonioni de todos os tempos, em que o sentimento contemporâneo de desamor, a desconexão e a obsessão da tentativa encontram uma forma de representação no romantismo desencantado. Depois, seu diretor faria filmes até mais fortes, mas este guardou todo o impacto da surpresa.

Escrito por Leonardo Cruz às 5h23 PM

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Os jogos de Von Trier

Os jogos de Von Trier

Uma das grandes personalidades do cinema contemporâneo, o dinamarquês Lars von Trier mais uma vez testa os limites de seu meio de expressão. Um dos autores do manifesto Dogma, que influenciou a forma de fazer cinema no mundo todo nos anos 90, e diretor dos tão radicais quanto fascinantes "Os Idiotas" (1998), "Dançando no Escuro" (2000) e "Dogville" (2003), Von Trier agora inventou um jogo da memória em seu novo filme.

Segundo a "Variety", chama-se "Lookey", e, diz o diretor, é uma forma de ampliar a relação com o espectador. Funciona assim: em "The Boss of It All", o cineasta inseriu algumas imagens que chama de "distúrbios visuais", cenas sem nenhuma relação com o contexto do filme. "The Boss" estréia na Dinamarca amanhã, e o primeiro espectador que identificar todos os "distúrbios" receberá um prêmio em dinheiro e um convite para fazer uma ponta no horror "The Anti-Christ", o próximo filme de Von Trier.

O "Lookey" não é a única nova invenção do diretor. Em "The Boss", ele criou um dispositivo chamado Automavision. Uma vez definida a posição da câmera, o computador decide quanto ela deve se mexer, quanto se inclinar ou quanto alterar a exposição dela. A máquina, não mais o operador, define o melhor ângulo.

"The Boss of It All" (foto acima) é uma comédia, em que o dono de uma empresa inventa um presidente imaginário que é sempre responsabilizado por medidas impopulares tomadas no dia-a-dia. Os problemas aumentam quando potenciais compradores da empresa querem negociar o tal presidente, e um ator falido é contratado para interpretá-lo.

O novo Von Trier ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Resta aguardar.

*

Ainda hoje tem mais uma edição da Filmoteca do blog, pelo crítico Cássio Starling Carlos.

Escrito por Leonardo Cruz às 12h11 PM

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"Turistas": boicotar ou não?

"Turistas": boicotar ou não?

Reportagem na Ilustrada desta quarta (íntegra aqui, só para assinantes) relata a campanha iniciada na internet para boicotar o filme americano de terror "Turistas", que tem o Brasil como cenário de atuação de uma rede de tráfico de órgãos. Em blogs e correntes de e-mails, circula um mesmo texto comum, de autoria desconhecida, que protesta contra o tratamento dado ao país no filme, que vê o Brasil estritamente como um território de vale-tudo, de natureza exuberante, muita sensualidade e violência. A campanha de marketing que promoveu "Turistas" nos EUA seguiu esse mesmo tom, incluindo o impressionante site Paradise Brazil, um falso guia sobre o "verdadeiro Brasil" para viajantes, que traz dados sobre ações do PCC e de quadrilhas de "snuff movies". 

O texto integral da carta-protesto é o seguinte:

"Estou aqui para iniciar uma campanha em massa, e conto com vocês, para
BOICOTAR integralmente o filme americano TURISTAS, que estréia lá em
1º de Dezembro e aqui em Janeiro ou Fevereiro, distribuído pela Paris
Filmes.
Para quem não sabe, o filme conta a história de 6 jovens americanos
que vêm ao Brasil de férias. Chegando aqui tomam uma caipirinha com
'boa noite cinderela', são assaltados, sequestrados, torturados e por fim
têm os órgãos roubados por traficantes da industria negra dos transplantes.
Alguns morrem e mesmo os que sobrevivem não têm um final feliz. O filme é
classificado como TERROR, comparado ao filme 'O Alberge', e a EMBRATUR
já está tão preocupada com a péssima repercussão do filme lá fora que,
temendo uma queda brusca na receita do país vinda do turismo
internacional, já está preparando campanhas intensas para serem veiculadas lá
fora e tentar minimizar os estragos.
Façamos então a nossa parte. Vamos fazer deste absurdo, pelo menos
aqui no Brasil, um fracasso total de bilheteria.

NÃO ASSISTAM, NÃO DÊEM $$$ A UMA PRODUÇÃO QUE SÓ VISA
DENEGRIR NOSSA IMAGEM.
Só pra se ter uma idéia, o trailer começa com a frase:
'Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer!!! '"

"Turistas" estréia no Brasil em 16 de fevereiro, e sobre essa polêmica toda, há ao menos dois pontos a considerar:

1) Além dos equívocos grosseiros como mostrar selvas ao lado de metrópoles, "Turistas" repete clichês sobre o país e carrega nas tintas, extrapola ao ficcionalizar o problema cotidiano, freqüente, dos golpes e assaltos a estrangeiros no Brasil.

2) Por outro lado, "Turistas" é uma obra de ficção, um filme de terror, e deve ser encarado como tal. Não dá para cobrar verossimilhança numa obra desse tipo, cuja natureza, por si só, pressupõe ir além, extrapolar a realidade, e não deve ser censurada por isso.

Fica então a pergunta: faz sentido boicotar o filme? 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h40 AM

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O novo Lynch está chegando

O novo Lynch está chegando

Finalmente caiu na internet o trailer de "Inland Empire", novo filme de David Lynch, que dividiu a crítica no último Festival de Veneza, quando foi apresentado pela primeira vez. Rodado totalmente em digital, demorou dois anos e meio para ser feito e tem Laura Dern, Jeremy Irons e Justin Theroux como protagonistas.

Ainda durantes as filmagens, questionado sobre como seria sua nova obra, Lynch declarou: "é sobre uma mulher com problemas, e é um mistério. E é tudo o que eu quero dizer sobre o filme". O trailer abaixo deixa claro que Lynch mantém suas charadas e enigmas de filmes anteriores. "Inland Empire" estréia neste mês nos EUA e ainda não tem data para chegar ao Brasil, o que deve deixar muita gente angustiada.

 

Escrito por Leonardo Cruz às 2h33 AM

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Conheça o príncipe da pirataria

Conheça o príncipe da pirataria

Johnny Ray Gasca. Ator latino fazendo sucesso em Hollywood? Não. Jovem diretor italiano emergente? Tampouco. Mas anote esse nome, pois ele é um personagem central do mundo do cinema atual. Gasca foi a primeira pessoa na história da Justiça americana a ser condenada por gravar ilegalmente filmes em sessões de cinema privadas, numa vitória inédita de Hollywood e do governo dos EUA contra a pirataria. A sentença saiu na última sexta-feira, e o réu foi condenado a sete anos de prisão por filmar, em 2002 e 2003, sessões de "O Núcleo", "8 Mile" e "Tratamento de Choque", e também por falsificar documentos e outros delitos menores.

Apelidado pela polícia americana de o "Príncipe da Pirataria", Gasca era um profossional da contravenção. Segundo o site do FBI, ele atuava da seguinte forma: conseguia entrar em pré-estréias de filmes em Los Angeles, fingindo se passar por alguém da indústria. Assim que as luzes se apagavam, Gasca colocava sua câmera no ombro e começava a gravar. Com equipamento de ponta, garantia sempre uma cópia de boa qualidade. Em casa, com um sistema de 11 vídeo-cassetes interligados, repassava o lançamento para o computador e _bingo!_ para a internet. Ao jogar na rede filmes que ainda estavam inéditos em circuito comercial, atraía cinéfilos e lucrava 4.500 dólares por semana. Ou seja, aproximadamente R$ 40 mil por mês.

Quando Gasca foi detido, a polícia encontrou em sua casa, além dos 11 vídeos, duas câmeras, dois gravadores de DVD e uma microcâmera adaptada a um cinto (foto acima). O "príncipe" foi preso pela primeira vez no início de 2003. Sua condenação saiu em abril daquele ano, quando Gasca foi colocado sob custódia de seu advogado até que sua sentença fosse definida. E fugiu. Passou dois anos desaparecido até que agentes do FBI o capturassem em um hotel na Flórida, onde Gasca já estava, de novo, copiando filmes.

Johnny Ray Gasca é uma das pontas de uma rede que desafia os direitos autorais, distribui ilegalmente filmes pelo mundo e vai muito, muito além de quem usa programas como o Soulseek e Emule para baixar músicas e filmes em casa, sem intenções lucrativas. Exemplo recente: três dias após o lançamento mundial de "Cassino Royale", cópias piratas já estavam na rede e o novo filme de 007 já havia sido baixado 200 mil vezes. As primeiras cópias surgiram na Europa _na Rússia e na Itália, câmeras de vídeo foram usadas para gravar o filme em sessões de cinema. Sinal evidente que não há só um "príncipe da pirataria".

E obviamente tal rede se estende ao Brasil. Ou você nunca reparou que hoje muitos lançamentos de Hollywood estréiam antes nas bancas de DVDs piratas dos camelôs e depois nas salas de cinema? Quem procurar um pouco acha "Cassino Royale" em São Paulo. Fácil, fácil.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h43 PM

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Mídia dos EUA: "Turistas" é uma bomba

"Turistas", o filme-polêmica do momento pela forma estereotipada como mostra o Brasil, estreou hoje nos EUA sob uma avalanche de críticas negativas. O filme de terror, que traz um grupo de turistas que são seqüestrados no Rio e caem nas mãos de uma quadrilha de tráfico de órgãos, tem coisas como cariocas falando espanhol e selvas ao lado de metrópoles (leia mais na Folha Online).

Os críticos americanos praticamente não abordaram a questão do retrato do Brasil _o ponto central da maioria das resenhas foi outro: o filme de John Stockwell é entediante. O site Metacritic, que atribui uma pontuação ao filme com base nas análises publicadas pela imprensa, deu a "Turistas" 34 pontos em 100 possíveis. Alguns exemplos do que disse a mídia gringa:

Los Angeles Times - "Mais da metade do filme é de um enfado crescente."

Hollywood Reporter - "Tudo começa a desmoronar no meio do caminho, quando o filme se torna uma tremenda bagunça."

New York Times - "Mortalmente entediante tentativa de ganhar dinheiro com o novo horror extremo, 'Turistas' utiliza um conceito tão batido quanto um truque de Freddy Krueger."

Village Voice - "O filme acaba por afundar em uma bagunça obscura."

Washington Post - "Fãs de horror vão ficar impacientes nos longos intervalos entre a mortes."

New York Post - "'Turistas' mostra maestria numa linguagem universal: a estupidez."

Não dá para afirmar ainda se "Turistas" terá algum impacto negativo real na imagem do Brasil no exterior, mas, se depender da crítica americana, o governo brasileiro e os agentes de viagem podem ficar tranqüilos. Resta ver agora como será a bilheteria do filme nos EUA neste final de semana de estréia.

Se não houver mudanças, "Turistas" chega ao Brasil em fevereiro. Mas o trailer pode ser visto aqui. Vai encarar?

Escrito por Leonardo Cruz às 2h49 PM

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Cassavetes também em São Paulo

Cassavetes também em São Paulo

Na semana passada, este blog informou sobre a mostra completa de John Cassavetes no CCBB carioca e lamentou que os filmes de um dos principais autores do cinema independente americano ficassem restritos ao Rio de Janeiro.

Pois agora chega a notícia de que a parte mais importante da mostra, os 12 longas dirigidos por Cassavetes, serão exibidos também em São Paulo, em fevereiro, na Cinemateca Brasileira, de graça. Não será um evento tão grande quanto o do Rio, e as cópias serão exibidas em DVD, com legendas em espanhol. Ainda assim, como não há nada disponível do diretor no Brasil, qualquer iniciativa de apresentar publicamente seus filmes merece ser comemorada.

Méritos do curador Joel Pizzini e da Cinemateca Brasileira. Graças a eles, os paulistanos também poderão ver preciosidades como "Shadows" (foto), "Faces", "Husbands" e "A Woman under the Influence". No Rio, a mostra Faces de John Cassavetes começa já na próxima terça (programação completa aqui).

Escrito por Leonardo Cruz às 9h38 AM

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Blog Ilustrada no Cinema O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico.

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