Ilustrada no Cinema
 

Querosene é o caralho!

Querosene é o caralho!

Sabe a mais famosa frase de "Cidade de Deus" _Dadinho é o caralho! Meu nome é Zé Pequeno!_ dita, quer dizer, esbravejada por Leandro Firmino da Hora? Pois bem. Ela fez eco ontem à noite num abarrotado Cine Brasília, que assistiu à primeira exibição pública de "Querô" (foto acima), de Carlos Cortez, em competição no 39o. Festival de Brasília.

O ambiente é o de boca de fumo. A cena, uma disputa verbal entre Querô (Maxwell Nascimento) e Mosca (Nildo Ferreira), ambos egressos da Febem. Mosca está armado e humilha Querô, chamando-o de Querosene, forma que ele abomina. Querô desarma Mosca e, no contra-ataque, dispara a frase: Querosene é o caralho! Agora pra tu é seu Querô.

Cortez teve o apoio e os conselhos de Fernando Meirelles para rodar "Querô" à la "Cidade de Deus" _com atores não-profissionais, que passaram por diversas oficinas e construíram suas interpretações sem conhecer o roteiro do filme_, além de consultoria de Bráulio Mantovani no roteiro, como ele conta em reportagem que a Ilustrada publica neste sábado. Só aqui, fica registrada a reação de Cortez à pergunta se deve ser compreendida como citação ou homenagem a frase de seu filme que faz lembrar a de "Cidade de Deus": "(Silêncio.) Não pensei nisso. Mas posso ter feito uma homenagem inconsciente, como acho que fiz também a ‘Pixote’ [de Hector Babenco] na abertura do filme".

Mais Festival de Brasília, entre aspas:

"É consenso na sociedade que filho de pobre é menor e filho de rico é jovem. Mostrando um olhar mais solidário, acho que já estamos fazendo uma coisa legal." (Carlos Cortez, no debate sobre "Querô", respondendo ao repórter que viu no filme uma incômoda abordagem da violência.)

"Nunca pensei que ia acontecer isso, gente. Andei de avião! Com medo, mas andei." (Samuel de Castro, um dos 45 jovens desfavorecidos de Santos selecionados para o elenco de "Querô")

"Sou Dinalva Paula. Tenho 23 anos. Fui mãe adolescente. Cursei até o segundo grau e sou formada em sonhadora." (Dinalva protagoniza o melhor momento de "Jardim Ângela", de Evaldo Mocarzel)

"Estou com a idéia fixa de fazer filmes entre amigos e tentar que eles sejam vistos por mais gente além dos amigos." (Kleber Mendonça Filho, apresentando "Noite de Sexta, Manhã de Sábado", o melhor curta em 35 mm visto na competição, até aqui)

Escrito por Silvana Arantes às 6h44 PM

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Prince e os pingüins

Prince e os pingüins

A Ilustrada de hoje publica reportagem de Eduardo Graça com o time que fez "Happy Feet", a animação dos pingüins que virou coqueluche nos EUA (íntegra aqui, só para assinantes). Questionado sobre os desafios para fazer a animação, o diretor George Miller contou ao Edu como foi a negociação com o cantor Prince para modificar a letra da emblemática "Kiss". Era necessário que a música fizesse sentido no contexto do filme, quando cantada pelos personagens dublados por Hugh Jackman e Nicole Kidman. Miller mandou uma cópia do filme para Minneapolis, bunker do genioso compositor, que não só aprovou a mudança - troca-se "sing" por "song" – como ensaiou alguns acordes em sua guitarra e pediu algumas semanas para compor "The Song of The Heart", canção inédita que encerra o filme. Detalhe: Prince se revelou, ele também, um fã ardoroso dos pingüins.

Escrito por Leonardo Cruz às 11h37 AM

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Nos bastidores de Brasília

Nos bastidores de Brasília

Notas de um festival de cinema

Durou três horas (das 11h10 às 14h10 de hoje) o primeiro debate sobre os filmes concorrentes do 39o. Festival de Brasília. Em discussão, os curtas "Hibakusha: Herdeiros Atômicos no Brasil", de Maurício Kinoshita, em torno de sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki que vivem no Brasil; "Noite de Sexta, Manhã de Sábado", de Kleber Mendonça Filho, sobre uma história de amor intercontinental; e o longa documental "Jardim Ângela" (foto), de Evaldo Mocarzel, todos apresentados em disputa na noite de quarta.

Duas das três horas de discussão foram gastas com o documentário de Mocarzel. A principal questão em pauta foi se, ao escolher como protagonista um jovem com histórico de delinqüência (Washington Silva), que se vangloria de suas ações criminosas, Mocarzel não terminou por fazer apologia da violência.

O crítico gaúcho Marcus Mello, da revista "Teorema", observou que Washington era o "personagem mais fácil, o clichê da periferia", enquanto Mocarzel tinha à disposição outros jovens, de trajetória menos óbvia e talvez mais interessante para o espectador, como as garotas Ana Cláudia Silva e Dinalva dos Santos (presentes ao debate) e que, segundo a edição que Mocarzel fez de seu filme, surgem como "antagonistas" de Washington, ao defender uma representação menos violenta da periferia na tela.

Mocarzel admitiu que se deixou seduzir por Washington: "Ele é carismático. Confesso que eu me fascinei com o menino. A gente criou uma cumplicidade sim. E demorei mais a vê-las [as garotas]." Mas disse também que teve "muito medo de fazer uma apologia da violência" e que buscou "desesperadamente" pelos antagonistas que pudessem oferecer o contraponto à visão de Washington.

Na opinião de Mocarzel, quando Washington descreve atos de violência como quem os saboreia, ele acaba expondo o lado cruel de sua personalidade e afasta o espectador, em vez de conquistá-lo _o que neutralizaria uma possível visão apologética do filme. Taí uma questão que não se esgota nem mesmo com duas horas de discussão. 
 
Veneno básico
"Ai, que saudades do Bressane!" foi o comentário de quem não apreciou nada nada o filme de Mocarzel, que só entrou na competição de Brasília porque "Cleópatra", de Julio Bressane, selecionado antes, anunciou sua desistência, com a justificativa de que a cópia não ficaria pronta a tempo do festival.

Ficção x documentário
No debate desta manhã surgiu, lateralmente, a dúvida se os documentários têm menos poder de atração junto ao público do que as ficções. Christian Saghaard, coordenador das oficinas Kinoforum (de produção audiovisual) oferecidas na periferia de São Paulo e que deram origem ao longa de Mocarzel, apresentou números informais. Disse que dos cerca de 500 jovens que já fizeram as oficinas, "muitos viram 'Carandiru' (Hector Babenco, ficção), mas poucos gostaram. Um número não muito pequeno viu 'O Prisioneiro da Grade de Ferro' (Paulo Sacramento, documentário) e não houve nenhum que não gostasse".
Mocarzel lembrou que seus alunos citaram também, favoravelmente, "Cidade de Deus" (Fernando Meirelles) e "Uma Onda no Ar" (Helvécio Ratton, que compete nesta edição com "Batismo de Sangue").

Vapor barato
E por falar em "Uma Onda no Ar", por que será que os corredores dos hotéis em que há festivais de cinema têm sempre esse odor de... orégano, como diriam "Wood & Stock"?

Escrito por Silvana Arantes às 3h22 PM

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Filmoteca - Sérgio Rizzo

Filmoteca - Sérgio Rizzo

Sérgio Rizzo, 41, é crítico de cinema da Folha e um dos principais especialistas do país no uso de filmes para fins pedagógicos. É professor na Universidade Mackenzie e na Casa do Saber, coordenador de um curso de cinema e educação da Universidade Estadual de Goiás e colunista das revistas "Educação", "Idéia Social" e "Viração". Também escreve sobre futebol no portal Yahoo! Esportes, para o qual cobriu a Copa da Alemanha. É dele a terceira Filmoteca deste blog.

*

A lista abaixo é afetiva, por ordem cronológica de realização das obras. E, assim, tem certamente a ver também com as circunstâncias em que esses filmes e cineastas foram conhecidos (daí o relato que acompanha a seleção) e com o fato de, ao revisitá-los periodicamente, constatar que se mantêm especiais.

Não gosto do termo "obrigatório" e, portanto, o espírito desta seleção não é o de apontar obrigação nenhuma a ninguém. Prefiro sempre dizer que invejo quem ainda não assistiu a esses filmes (e a tantos outros que caberiam em mais dúzias de listas, e que poderiam ser reunidos a partir de períodos, gêneros, escolas, abordagens, afetos): terá o prazer inigualável, que para mim ficou em algum lugar do passado, de vê-los pela primeira vez.

Alfred Hitchcock (1899-1980)

Descoberta feita na TV, ainda na infância, depois reforçada com a reestréia nos cinemas, nos anos 80, de alguns clássicos que estavam fora de circulação havia décadas, como "Um Corpo que Cai" (Vertigo, 1958), com o lançamento pela Editora Brasiliense da primeira edição de "Hitchcock/Truffaut" e com a revisão possibilitada pelo videocassete e agora o DVD. Minha comissão de frente dessa obra extraordinária: "A Dama Oculta" (The Lady Vanishes, 1938), "A Sombra de uma Dúvida" (Shadow of a Doubt, 1943), "Pacto Sinistro" (Strangers on a Train, 1951), "Janela Indiscreta" (Rear Window, 1954), "Um Corpo que Cai" (em Portugal, "A Mulher que Viveu Duas Vezes" – falo sério), "Intriga Internacional" (North by Northwest, 1959), "Psicose" (Psycho, 1960) e "Os Pássaros" (The Birds, 1963).

"Rastros de Ódio" (The Searchers, EUA, 1956), de John Ford

Meu pai adorava faroestes, em especial o que chamava de "filmões", de que este aqui talvez seja o melhor exemplo. Não tenho certeza se foi ao lado dele, mas assisti pela primeira vez a "Rastros de Ódio" na TV, ainda muito criança. Sei disso porque ao revê-lo, já adulto, descobri de onde vinham imagens que haviam se impregnado na memória como se sempre tivessem feito parte dela. E, à medida que o tempo passa, Ethan Edwards (John Wayne) fica ainda mais dolorosamente grandioso, esfinge majestosa na história do cinema norte-americano.

"Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha

Antes do videocassete, do DVD e da internet, havia duas maneiras de conhecer filmes (ao menos para espectadores sem regalias): ou havia cópia em película na cidade e alguém disposto a exibi-la, ou os programadores das emissoras de TV (em São Paulo, durante a minha adolescência, seis canais) resolviam passar o dito cujo, na maioria dos casos em versão dublada. Nesse cenário, a morte precoce de Glauber representou, paradoxalmente, um achado: para homenageá-lo, organizou-se uma retrospectiva no antigo Cine Vitrine. De uma tacada só, aos 15 anos, vi o que havia disponível à época. Subi chapado a rua Augusta até a avenida Paulista por alguns dias, depois das sessões. "Deus e o Diabo na Terra do Sol" me fez chegar às aulas noturnas na Escola Técnica Federal, no Canindé, sem me lembrar direito de qual havia sido o caminho. Cinema brasileiro, muito prazer.

Francis Coppola, Martin Scorsese, Woody Allen

A década de 70, das mais ricas na história do cinema dos EUA, foi escrita por um punhado de gente talentosa naqueles anos selvagens em que se acreditava na reconstrução de Hollywood com um pé na tradição clássica e o outro no cinema de expressão autoral europeu. Dessa geração, os três senhores acima foram os que primeiro me impactaram, graças a carteirinhas de estudante falsas para burlar a censura. Desde então, se tornaram amigos a quem se visita periodicamente para jogar conversa fora. Primeiros contatos, quase simultâneos: de Coppola, "Apocalypse Now" (1979) em estréia no Cine Copan; de Scorsese, "Taxi Driver" (1976) em reprise no Cine Bijou e "Touro Indomável" (Raging Bull, 1980) em estréia no Cine Metro; de Allen, "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall, 1977, foto acima) em reprise também no Bijou e "Manhattan" (1979) em estréia no Cine Barão. Todos esses cinemas fecharam. Saudades deles também.

"Decálogo" (Dekalog, Polônia, 1988-1989), de Krzysztof Kieslowski

Na 13ª. edição, em 1989, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo exibiu os 10 episódios dessa minissérie de TV, em pares, durante cinco dias consecutivos no Museu da Imagem e do Som. Outras subidas chapadas até a avenida Paulista. A programação daquele ano trouxe ainda os dois longas que se originaram de dois episódios, "Não Matarás" (Krótki film o zabijaniu, foto acima) e "Não Amarás" (Krótki film o milosci). A TV Cultura de São Paulo exibiu mais tarde essa obra-prima da ficção seriada, hoje disponível em DVD nos EUA (em versão crua, apenas com os episódios, e em uma caixa com um monte de extras). A herança cristã às vésperas do terceiro milênio, examinada pelas vidas cruzadas de moradores de um conjunto habitacional de Varsóvia. Roteiro de Kieslowski e de seu parceiro habitual, o advogado Krzysztof Piesiewicz.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h51 AM

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Cassavetes no Brasil

Cassavetes no Brasil

A melhor notícia deste final de ano vem do Rio de Janeiro. O CCBB carioca realiza de 5 a 17 de dezembro uma mostra com todos, repito TODOS, os filmes do diretor John Cassavetes, ícone do cinema indepentente americano dos anos 60 e 70, autor de longas essenciais como "Faces" (1968), "Husbands" (1970) e "A Woman under the Influence" (1974, foto acima).

Além das 12 obras do cineasta, o festival no Rio apresentará dois documentários sobre Cassavetes, o média "Cinéastes de Notre Temps - John Cassavetes" e o longa "A Constant Forge". Também serão exibidos quatro filmes em que o diretor aparece como ator, incluindo "Os Doze Condenados" e "O Bebê de Rosemary".

Não há registro de um evento desse tamanho sobre Cassavetes no Brasil, onde assistir a seus filmes é um raro privilégio, já que nada foi lançado em DVD por aqui. Além da apresentação dos longas, haverá dois debates durante o festival, um sobre o método de trabalho do diretor e outro sobre as perspectivas da produção independente em cinema, ambos mediados pelo cineasta Joel Pizzini.

As cópias em película dos filmes dirigidos por Cassavetes vêm de Portugal e ficarão somente no Rio de Janeiro. Uma pena, dado que o CCBB também tem sedes em São Paulo e Brasília e normalmente estica seus eventos para outras cidades. Ainda assim, a iniciativa é louvável.

*

Para saber mais sobre Cassavetes, vale conferir o artigo de Paulo Santos Lima publicado na revista eletrônica Cinética.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h01 PM

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Altman e o Oscar

Altman e o Oscar

 

Aos 81, Robert Altman ainda era irresistível. E deu prova disso com a maneira inteligente e elegante com que recebeu, no último dia 6 de março, o Oscar pelo conjunto de sua obra.
Rotulado de "outsider" em Hollywood, preterido nas cinco vezes em que disputou a estatueta, Altman não fugiu do ponto no discurso de agradecimento: "Fiz um único longo filme. Sei que alguns de vocês gostaram de algumas partes e outros... bem, está tudo certo".
Aos jornalistas, negou que tenha feito questão de adotar o rótulo de cineasta antihollywoodiano, mas deixou clara suas diferenças com os estúdios. "Eles vendem sapatos, eu faço luvas. Mas isso não é nada. Apenas estamos em negócios ligeiramente diferentes."
Foi para a platéia do Teatro Kodak, na noite do Oscar, que Altman revelou ser transplantado. Com ironia e como término de seu discurso: "Dez, onze anos atrás, fiz um transplante de coração. Recebi o coração de uma mulher na casa dos 30. Pelas contas, vocês devem estar me dando esse prêmio cedo demais. Porque acho que tenho uns 40 anos de resto. E pretendo usá-los. Muito obrigado."
Como Altman conseguiu manter esse segredo em Los Angeles? Foi a primeira pergunta feita a ele logo após a entrega do Oscar. "Pensei que [se revelasse o fato] ninguém me contrataria de novo. Há um estigma sobre transplantados."
Altman falou longamente aos jornalistas. Respondeu a todas as perguntas com simpatia e sagacidade, como a do repórter de TV que, no ano da consagração de "O Segredo de Brokeback Mountain", quis saber dele de que forma dirigiria um filme gay.
"Não é diferente das outras histórias. Vejamos. Há homens e mulheres. E há [as combinações] homem e mulher; homem e homem e mulher e mulher. E há mulher e homem e mulher. Gosto muito dessa."
Altman sabia que seu Oscar tinha um sabor de "antes que seja tarde demais". E abordou isso também com a máxima elegância: "Quando a notícia chegou, fui pego de surpresa. Sempre pensei que esse tipo de prêmio quer dizer que chegou o fim. Quando aconteceu comigo, eu estava ocupado ensaiando uma peça, a última escrita por Arthur Miller, 'Resurrection Blues', que estreou ontem em Londres. E estava dando uma entrevista sobre meu novo filme, 'A Última Noite'. Então me dei conta de que ainda não é o fim".

Escrito por Silvana Arantes às 6h02 PM

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Homenagem a Altman

Homenagem a Altman

Logo no início de "O Jogador", executivos americanos discutem possíveis novos filmes e resvalam no modo de filmar em Hollywood. Um deles afirma que as produções mais parecem videoclipes da MTV, com muitos cortes, cenas excessivamente curtas. Outro, mais saudosista, lembra o longo plano-seqüência da abertura de "A Marca da Maldade", de Orson Welles. Mais tarde, são citados Hitchcock e seu "Festim Diabólico", inteirinho rodado para parecer não ter corte nenhum.

Essa cena inteira dura cerca de oito minutos e também não tem cortes. Era a primeira das muitas homenagens (e críticas) que Robert Altman faria à indústria do cinema naquele filme, o mais alto ponto de sua carreira e que lhe rendeu, entre outros prêmios, o de melhor direção no Festival de Cannes de 1992.

A morte de Altman foi anunciada há poucas horas nos EUA, de causas ainda não divulgadas. Aos 81 anos e com mais de 50 longas na carreira, o cineasta continuava ativo e concluíra neste ano mais um filme, atualmente em cartaz em uma única sala de São Paulo. Ir ao Belas Artes hoje para ver "A Última Noite" é a melhor homenagem que pode ser prestada a um dos grandes diretores da história do cinema.

Escrito por Leonardo Cruz às 3h24 PM

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O novo começo de Kar-wai

O novo começo de Kar-wai

O mais cultuado cineasta oriental do momento, Wong Kar-wai já edita seu primeiro longa totalmente rodado nos EUA. Em entrevista ao "New York Times", o diretor chinês define "My Blueberry Nights" como um "recomeço", depois dos quatro anos consumidos na preparação de "2046". O filme novo, ainda sem previsão de estréia, tem a cantora Norah Jones como a protagonista que atravessa quatro cidades americanas em busca de respostas para sua vida amorosa. Em suas andanças, ela contracena com Jude Law, Natalie Portman, David Strathairn, Rachel Weisz e Tim Roth _elenco que deixa claro o interesse que um projeto assinado por Kar-wai desperta hoje no Ocidente.

O cineasta afirma querer recuperar seu ritmo dos anos 90, quando realizou sete filmes em sete anos, e encerrou as gravações de "My Blueberry Nights" em sete semanas. Isso não significa que o diretor tenha abdicado do cuidado visual de suas outras obras: uma única seqüência, de um beijo entre Norah Jones e Jude Law, foi rodada ao longo de três dias, em dezenas de ângulos e velocidades diferentes. Foram necessários cerca de 150 beijos até que a cena estivesse pronta.

Além de ser a primeira vez de Kar-wai nos EUA, o cineasta enfrenta outras situações inéditas com "My Blueberry Nights": o diretor, que normalmente assina sozinho o roteiro, divide a história com Lawrence Block, autor de romances policiais como "O Ladrão que Achava que Era Bogart". Também é o primeiro filme do cineasta sem seu diretor de fotografia Christopher Doyle, que o acompanhava desde 1991, quando fizeram "Days of Being Wild". Para o lugar de Doyle, Kar-wai escalou o iraniano Darius Khondji, que já fez "Seven", "Evita" e, mais recentemente, a comédia romântica "Wimbledon". Resta saber o impacto que a troca provocará no aspecto visual da obra do diretor chinês.

Após "My Blueberry Nights", Kar-wai continuará a filmar nos EUA e não só nos EUA. Em seu próximo projeto, "The Lady From Shanghai", o diretor levará sua câmera a Nova York, Rússia e Xangai para rodar um drama de época que em tese teria Nicole Kidman no elenco, mas a presença da atriz não está confirmada.

Escrito por Leonardo Cruz às 9h32 AM

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A Romênia contra Borat

A Romênia contra Borat

Parece piada, mas é verdade: moradores de uma cidade na Romênia entraram com ação judicial nos EUA e na Alemanha contra o filme "Borat", o falso documentário sobre as peripécias de um desbocado repórter cazaque na sociedade americana. Segundo o "Los Angeles Times", os romenos de Glod, a maioria ciganos, querem US$ 30 milhões em indenização e que a comédia saia de cartaz se algumas cenas não forem alteradas.

Os ciganos romenos foram usados no filme como dublês dos cazaques, e imagens de Glod, como a da foto acima, ilustram o que seria uma aldeia do Cazaquistão. Tudo mote para as piadas do comediante inglês Sacha Baron Cohen, o intérprete de Borat. Os romenos dizem que não sabiam da verdadeira natureza do filme e que foram manipulados pela equipe de produção. Segundo os ciganos, o que estava sendo filmado era um documentário sobre a dura realidade de Glod, vilarejo no sul da Romênia sem esgoto nem água encanada.

Baron Cohen e seus colegas receberam hoje uma carta em que são orientados a, entre outras coisas, pedir desculpas em público. Têm uma semana para cumprir as exigências e evitar a continuidade da ação. Se não for gongado pela Justiça, "Borat" estréia no Brasil em 16 de fevereiro.

Escrito por Leonardo Cruz às 4h01 PM

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Não deu para Bond

Não deu para Bond

 

James Bond passou o final de semana atirando contra pingüins, mas não teve jeito. "Happy Feet", animação da Warner inspirada no documentário francês "A Marcha dos Pingüins", ficou em primeiro lugar nas bilheterias americanas no final de semana, superando "Cassino Royale", que teve melhor desempenho fora dos EUA.

A boa performance do desenho se deve em parte à recepção calorosa da crítica americana, que viu em "Happy Feet" mais do que um programa infantil sobre pingüins que sapateiam, com músicas divertidas. Para o "Chicago Tribune", "a arte e a ambição do filme o colocam a frente de quase todas as animações dos últimos dois anos". Para o "Los Angeles Times", nenhuma animação tinha mensagem ecológica tão forte desde "Princesa Mononoke", do japonês Miyazaki. Para o "New York Times", o filme também atrai por um aspecto "sombrio e profundo".

"Happy Feet" estréia no Brasil na próxima sexta, com as vozes de Hugh Jackman e Nicole Kidman na versão legendada.

Escrito por Leonardo Cruz às 2h59 PM

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PERFIL

O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.

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