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A "Amostra" e outros babados
Em dia de chuva e feriado, o encerramento da Mostra teve um bom número de lugares vazios nas laterais do auditório Ibirapuera, na quinta à noite. Fora isso, aconteceu tudo que sempre acontece. Veja o que rolou na entrega de prêmios (e na festa depois deles).

A foto: Selton Mello e Heitor Dhalia, com os prêmios do Júri e da Crítica (crédito: Agência Foto/30ª Mostra).
A gafe: Uma representante da Califórnia Filmes, que subiu ao palco para receber o prêmio de melhor longa estrangeiro (na escolha do público) dado ao italiano "Rosso Come Il Cielo", de Cristiano Bortone, parabenizou Leon e Renata pelos "30 anos da Amostra".
A saia justa: Chamados ao palco para receber o prêmio de público por seu média-metragem "Deus e o Diabo em Cima da Muralha", os cineastas Tocha Alves e Daniel Lieff deixaram aquele vaziiiiio no ar. Os apresentadores Marina Person e Serginho Groisman não gostaram do que (não) viram:
Serginho: O prêmio será entregue.
Marina: Ah, não! Esses vão ter que vir buscar. Afinal, eles não moram fora do Brasil.
Serginho: Então não vamos nem dar. Os caras não vêm...
A piadinha: De Leon Cakoff passando a palavra à homenageada Tomie Otake: "Tomie, sinta-se em casa!"
A ficha caindo: Emocionada com o prêmio de R$ 200 mil que "Antonia" ganhou da Petrobras (dividido com "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"), Tata Amaral agradeceu em etapas: "Estou feliz demais." (pausa) "Obrigada ao público." pausa. "À Mostra". (pausa) "À Petrobras".
O agradecimento que ninguém esperava: "Obrigada por não terem me dado uma vaia na minha queda aqui." Da atriz e jurada Florinda Bolkan, que tropeçou no salto ao entrar no palco.
A divisão: Assim como deixou claro que o prêmio de "O Cheiro do Ralo" foi decidido "por unanimidade", o júri demarcou que "O Violino" recebia o Prêmio Especial "por decisão da maioria".
O troca-troca: O filme-com-título-que-todo-mundo-confunde "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias" foi chamado de "O Ano em que Nossos Pais Saíram de Férias" e "O Ano em que Saímos de Férias". É dura a vida de goleiro...
O grande encontro: Quando Carlos Augusto Calil encontrou Paulo Sacramento e perguntou como iam as coisas, Sacramento, bem-humoradíssimo, saiu-se com essa: "Calil, no cinema brasileiro vale a regra: começa bem, depois piora."
As lembranças: "Participei de todos aqueles almoços. Ouvi todas aquelas propostas para mudar o nome do filme. E a gente nunca tinha dinheiro para pagar." Do roteirista Marçal Aquino, que entregou o livro "O Cheiro do Ralo" a Heitor Dhalia com a "ordem": "Você deve filmar isso". Com as mãos no troféu Bandeira Paulista, Dhalia ergueu-o bem alto, contou a história e dedicou a vitória: "Marçal, é teu!".
A frase: "Isso é só o começo!". De Selton Mello.
A dúvida: "Gente, empate é empate! Se houvesse diferença seria primeiro e segundo lugares!". Era Renata Almeida, argumentando com alguns reticentes em acreditar que "O Ano em que meus Pais Saíram de Férias" e "Antonia" cravaram exatamente a mesma nota na avaliação do público. Renata jura que, na tarde de quinta, todos os votos foram recontados, e o resultado foi o que se viu: empate entre os dois e divisão dos R$ 400 mil que a Petrobras daria ao melhor longa de ficção.
O segredo (Revelado aqui. Sorry, rapazes): Leon Cakoff e José Carlos Oliveira (Warner) começaram a tramar um plano para estender as exibições da Mostra à periferia de São Paulo, a partir do ano que vem.
E, por fim, o comentário que não quer calar (ou paz entre os povos): E não é que um filme distribuído pelo Estação ganhou a Mostra do Cakoff...
Escrito por Silvana Arantes
Escrito por Leonardo Cruz às 5h06 PM
E o Abacaxi vai para...
Após mais de uma centena de mensagens (no blog e por e-mail), o Troféu Abacaxi Paulista para o pior filme da Mostra chega agora ao seu momento decisivo. No total, 45 filmes foram citados pelos internautas votantes, o que reflete a multiplicidade de opiniões dos leitores do Ilustrada no Cinema. Mas, assim como no Oscar, em Cannes e em Veneza, o prêmio máximo é um só. Portanto, o Abacaxi Paulista vai para:
"TRANSE"

O filme da portuguesa Teresa Villaverde já aparecia bem votado desde a primeira parcial e atropelou na reta de chegada. A história da garota que é seqüestrada por uma rede de tráfico de mulheres provocou reações exaltadas nos internautas. "Cabecice insuportável", escreveu um. "O pior filme da minha vida", exclamou outro. A cena (sugerida) de zoofilia também incomodou a platéia ("filminho estranho e bizarro, com direito a sexo com animais"). Este blogueiro também não morre de amores por "Transe", mas não acha o filme tão mau assim. No mínimo, no mínimo, é visualmente muito interessante, com seqüências belíssimas, principalmente a que a personagem principal se perde na floresta. Mas o resultado das urnas é soberano, e este blog respeita a decisão dos eleitores/internautas.
O segundo colocado no Abacaxi Paulista foi o filme italiano "Aquanitis", que liderou boa parte do concurso e foi definido por um leitor como "constrangedor". Na mesma linha, outra internauta afirmou: "O espectador sente o tempo todo o que eu chamo de 'vergonha alheia'".
A organização do Troféu Abacaxi Paulista decidiu, após muito deliberar, que esta primeira edição do prêmio terá três menções honrosas. Vamos a elas:
"Fonte da Vida": o filme foi o que mais motivou o debate na lista de comentários. Votado como pior da Mostra, foi arduamente defendido por seus fãs. Enquanto um internauta escreveu que a obra de Darren Aronofsky "é de doer", outra leitora rebateu indignada: "Como assim 'Fonte da Vida'? É o melhor filme dos 57 que vi no Festival do Rio". Polêmica!!
Governo Lula: um leitor aproveitou o Abacaxi para atacar o Planalto, devido "aos episódios de corrupção marcante e ao desafinado esquema de propinas". Quem assina o comentário é Alckmin, de SP. Será o ex-governador? Bem possível, já que, desde o último final de semana, ele está com tempo de sobra para pegar um cineminha.
Ilustrada no Cinema: isso mesmo! Este blog também recebe uma menção especial por ter criado um prêmio considerado por alguns internautas como "deselegante, de mau gosto" e um "tremendo vexame". Este blogueiro aceita seu abacaxi com muita alegria e promete descascá-lo com carinho.
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A Mostra divulgou na noite de ontem seus vencedores oficiais. A notícia do triunfo de "O Cheiro do Ralo" é alvissareira e confirma duas coisas já escritas neste blog: 1) Heitor Dhalia fez um puta filme; 2) consolida-se uma geração de bons diretores nacionais, da qual Dhalia faz parte.
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A crítica independente, formada por 27 críticos da revista Paisà e dos sites Cinetica, Cinequanon, Contracampo e Almanaque Virtual, elegeu também seus favoritos na Mostra. É uma lista de respeito.

"Juventude em Marcha" (foto), de Pedro Costa, foi escolhido melhor filme, enquanto "Serras da Desordem", de Andrea Tonacci, venceu entre os nacionais. "Anche Libero Va Benne", de Kim Rossi Stuart, abocanhou o prêmio de revelação. "Síndromes e um Século", de Apichatpong Weeresathakul, teve menção honrosa. As projeções em digital de "Still Life" e "Dong", de Jia Zhang-ke, ganharam menção desonrosa.
Escrito por Leonardo Cruz às 8h14 AM
Os melhores da Mostra - Parte 1
Qual o melhor filme da Mostra? Depois de dezenas de obras vistas, críticos amigos se antecipam ao festival, que anuncia seus vencedores nesta noite, e apontam aqui seus favoritos.
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“Fica Comigo”, por Bruno Yutaka Saito
Três histórias sobre a incomunicabilidade e a busca pelo outro e pelo amor. Mas, no mundo do diretor Eric Khoo, as pessoas se escondem de uma maneira ou de outra; o contato nunca é direto, precisa de intermediários. Ao final do quase documentário sobre a melhor personagem, a mulher cega e surda, temos um daqueles momentos que reafirmam o poder do cinema. Quando ela saboreia os deliciosos pratos de comida que lhe são enviados, sentimos na pele a impossibilidade da perda de um dos sentidos. Nunca foi tão difícil ficarmos sem o olfato para sentir o cheiro daquelas suculentas e vistosas comidas.
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“Síndromes e um Século”, por Leonardo Cruz
Apichatpong Weerasethakul hipnotiza o espectador ao sobrepor a mesma história em camadas e repetir diálogos como mantras. Acima de tudo, explora a capacidade do cinema de captar momentos banais do cotidiano, como a rotina de um hospital e uma aula de ginástica em praça pública, e transformá-los em algo sublime.
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“Juventude em Marcha”, por Paulo Santos Lima
Este filme de Pedro Costa é das experiências cinematográficas mais dramáticas que tive nos últimos tempos. Desde o primeiro plano que apresenta uma cena irmã do expressionismo alemão até os enquadramentos rigorosos, a sensação ao assisti-lo é quase inédita. Com imagens firmemente enquadradas mas com significados incertos, o filme mostra personagens sendo arrancados de seu norte, de sua história, e lançados numa outra realidade, fabricada, vazia e sem identidade. E como retratar esse desgarramento se não com essas imagens primorosamente desconfortáveis?
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"A Estrada", por Sandro Macedo
O destaque da Mostra é oriental, e não é de medalhões como Tsai Ming-liang ou Jia Zhang-ke, mas do desconhecido Jiarui Zhang. Com sensibilidade, o chinês apresenta dois personagens, um motorista de ônibus e sua jovem cobradora, dos anos 60 até hoje. Como pano de fundo, as intensas transformações políticas e sociais pelas quais o país passou.
Escrito por Leonardo Cruz às 12h34 AM
Os melhores da Mostra - Parte 2
“Síndromes e um Século”, por Pedro Butcher
Um filme que confirma o cineasta tailandês de nome impronunciável Apichatpong Weerasethakul como um dos maiores talentos do cinema contemporâneo. "Síndromes e um Século" é original e surpreendente, enigmático do ponto de vista "narrativo", mas muito claro na construção de atmosferas e nas sensações que quer transmitir. Um filme de imenso frescor, em que o cineasta parece dizer o tempo todo como, apesar de tudo, a vida pode ser muito boa. Salve!
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“O Crocodilo”, por Naief Haddad
O casamento de cinema e política é sempre perigoso. Não raro, filmes políticos se acomodam no discurso fácil e esquecem a complexidade e o mistério; a arte acaba abandonada em algum lugar entre as boas intenções e o maniqueísmo. Nanni Moretti fez um filme sobre Berlusconi??? Uhmmm... O que esperar? Muito: "O Crocodilo", sobre o ex-premiê italiano, é um excelente filme, o ápice da carreira do diretor de "O Quarto do Filho" e “Caro Diário".
É a história de um produtor fracassado que, quase sem querer, se envolve na realização de um filme sobre Berlusconi. Moretti questiona simultaneamente a criação de um personagem e a invenção de um líder político. Antes de avaliar os jogos do poder, o cineasta coloca a própria linguagem do cinema em debate. E discute a capacidade de persuasão, na qual cinema e política se aproximam. Além disso, Moretti intercala gêneros com a habilidade que não se vê no cinema italiano desde Fellini. Há cenas de "O Crocodilo" que homenageiam "E la Nave Va". Em suma, o melhor filme da Mostra.
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“Mundo Novo” e “Anche Libero Va Bene”, por Sérgio Rizzo
Na Mostra em que o cinema político italiano dos anos 60 e 70 foi homenageado (e assim descoberto por novas gerações), esses dois filmes notáveis simbolizam outro período vigoroso na produção do país. “Mundo Novo” (foto), de Emanuele Crialese, combina visão político-histórica com olhar humanista ao tratar da Itália rural e atrasada do início do século 20. “Anche Libero Va Bene”, de Kim Rossi Stuart, examina uma família da Itália urbana e contemporânea, microcosmo da sociedade, com emoção e generosidade. Cada um à sua maneira, impecáveis no que se propõem a fazer, mais ou menos como a diferença entre um líbero e um meia-atacante lembrada no fim de “Anche Libero...”: são jogadores complementares em uma equipe equilibrada.
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E você? Qual o melhor filme que viu na Mostra?
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Amanhã, este blog anunciará o vencedor de seu prêmio, o Troféu Abacaxi Paulista para o pior filme da Mostra, cuja disputa continua acirrada. Vote aqui.
Escrito por Leonardo Cruz às 12h34 AM
Dicas para o fim da Mostra
A Mostra termina oficialmente amanhã, em pleno feriado, e este blog apresenta algumas dicas do que ver nestes últimos dois dias. A programação de hoje é especialmente forte. Vamos aos filmes.
A Mostra termina oficialmente amanhã, em pleno feriado, e este blog apresenta algumas dicas do que ver nestes últimos dois dias. A programação de hoje é especialmente forte. Vamos aos filmes.
HOJE
Vale a pena passar a quarta no Unibanco Arteplex, que concentra algumas belas opções. Dois bons filmes nacionais serão exibidos no meio da tarde: às 14h40, "Antonia", filme novo de Tata Amaral, a diretora de "Um Céu de Estrelas", e, às 15h10, "Serras da Desordem", de Andrea Tonacci, um dos vencedores do último Festival de Gramado. Ainda no Arteplex, à noite, duas sessões certamente estarão superconcorridas: às 23h30, "Shortbus", do americano John Cameron Mitchell (que os mais pudicos devem evitar dadas as animadas cenas de sexo), e, às 22h30, "Babel", que rendeu a Alejandro González Iñarritu o prêmio de melhor diretor em Cannes. Se essas duas sessões já estiverem lotadas, vale conferir "The Bridge", às 22h40, interessante documentário sobre a Golden Gate de San Francisco, local preferido para suicídio atualmente.
No Cine Bombril, dá pra fazer sessão tripla a partir das 18h, com "Paris, Te Amo" (pequenas histórias sobre a cidade contadas por 21 diretores, incluindo Walter Salles e Daniela Thomas), "Proibido Proibir" (segundo longa do chileno radicado no Brasil Jorge Durán) e "Eu Não Quero Dormir Sozinho" (de Tsai Ming-Liang).
Longe do circuito Paulista-Jardins, lá na Vila Mariana, a Sala Cinemateca exibe às 19h40 "Cabiria", de Giovanni Pastrone. Esta não é a versão com acompanhamento de piano, mas é a última chance de ver este clássico de 1914. No Memorial da América Latina, às 19h, tem "Bye Bye Berlusconi" (foto acima), sátira ao ex-premiê italiano (qualquer filme que satirize Berlusconi merece ser visto).
Por fim, para os fãs, tem Sokúrov na Sala UOL, às 21h50. "O Sol", sobre a derrocada de Hirohito no Japão, encerra a trilogia de poder do diretor russo, formada ainda por "Moloch" e "Taurus". É outra sessão com certeza concorridíssima.
AMANHÃ
O último dia da Mostra tem a cerimônia de premiação no Auditório Ibirapuera, às 21h, onde será exibida a cópia restaurada de "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade. Vale tentar trocar um ingresso por dois quilos de alimentos não-perecíveis na Central da Mostra no Conjunto Nacional.
Mais cedo, às 18h10, no Cinesesc, tem "Juventude em Marcha", do português Pedro Costa, que encantou muitos e chocou alguns no último Festival de Cannes. É outro filme que terá casa cheia.
No Unibanco Arteplex, destaque para dois nacionais que têm suas últimas exibições: às 14h50, "Fabricando Tom Zé", documentário de Decio Matos Jr. sobre o compositor, e "Os 12 Trabalhos", segundo longa de Ricardo Elias, que já mostrara talento em "De Passagem".
E um bom jeito de encerrar a mostra é com "Fuck", às 21h40, também no Arteplex. Documentário sobre a origem da palavra...
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Amanhã, críticos convidados deste blog escolhem os filmes que mais gostaram na Mostra.
Escrito por Leonardo Cruz às 8h31 AM
Abacaxi Paulista - segunda parcial

O Troféu Abacaxi Paulista para o pior filme da Mostra de Cinema de SP chega à sua reta final com dois filmes na primeira colocação e outros seis empatados em segundo lugar.
A liderança é dividida entre os dois que já despontavam na primeira parcial: "Aquanitis", produçao italiana de Peter Mahlknecht, e "Transe", da portuguesa Teresa Villaverde.
Dividem o segundo lugar: o mexicano "El Cielo Dividido" (foto), o americano "A Sensação de Ver", o australiano "Amor Moderno", o argentino "Solos", o americano "Fonte da Vida" e o mexicano-brasileiro "Só Deus Sabe".
Viu algum desses filmes? Ou algum outro que mereça o prêmio? Ainda dá tempo de votar. É só deixar um comentário neste post ou neste e-mail. O resultado final sai na noite de quinta/madrugada de sexta, depois do anúncio dos vencedores oficiais da Mostra. Fique ligado.
Escrito por Leonardo Cruz às 7h29 AM
Sangue de Jesus tem poder

O "New York Times" de hoje noticia que Hollywood acordou de vez para o sucesso de filmes com mensagens religiosas, como "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, e lança uma leva de produções para atingir principalmente o público cristão nos EUA.
Nos últimos meses, cinco filmes ligados à fé entraram em cartaz nos cinemas americanos, incluindo "One Night with the King", adaptação de passagem do Velho Testamento, com Peter O'Toole e Omar Sharif. Até o final do primeiro semestre de 2007, outros cinco filmes religiosos serão lançados _a aposta da New Line Cinema para este Natal é um filme sobre o nascimento de Jesus, para o qual os atores se prepararam em acampamentos que recriavam as condições de vida da época.
A onda religiosa é reforçada pela FoxFaith, braço criado pela Fox inicialmente para venda de produtos cristãos e vídeos para igrejas. Agora, a nova empresa lançou seu primeiro filme nos cinemas americanos.
Esses investimentos indicam a redescoberta por Hollywood de um filão que já explorou entre os anos 30 e 60, com seus grandes épicos religiosos, para atender à crescente demanda do público cristão americano, insatisfeito com a conteúdo "excessivamente libidinoso" da indústria atual. Um símbolo recente dessa carência foi "A Marcha dos Pinguins". A direita cristã da Bushlândia viu o documentário francês sobre os bichinhos da Antártida como uma parábola da criação divina e lotou os cinemas em 2005.
Escrito por Leonardo Cruz às 4h50 PM
Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza neste ano, "Still Life", do chinês Jia Zhang-Ke, era uma dos filmes mais aguardados da Mostra de SP. Pois as duas projeções realizadas neste final de semana na cidade trouxeram uma surpresa desagradável: o filme foi exibido em cópia digital, o que significa alterações de cor, luz e resolução. Além disso, a janela de exibição também parecia mais estreita do que o normal.
Apesar de o catálogo do festival informar que a exibição seria em película, em nenhuma das sessões os espectadores foram informados sobre a alteração na projeção. Como o filme ainda será exibido mais duas vezes (nesta segunda e nesta terça), fica aqui o alerta para quem já comprou ou pretender comprar ingresso.
Em festivais do porte do de São Paulo, que exibe com muita competência mais de 400 filmes, é normal que problemas e mudanças ocorram, mas o público não pode deixar de ser informado.
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Este blog encaminhou questões à Mostra para entender o que ocorreu no final de semana. As respostas de Leon Cakoff.
- Qual exatamente o tipo de cópia de "Still Life" em exibição em SP?
Para não perdermos a oportunidade de exibir o recém vencedor de Veneza, a produtora do filme Memento Films atendeu a Mostra com a cópia digital de STILL LIFE. Como até o fechamento do catálogo a previsão era a de receber cópia em 35mm., foi a informação que lá ficou impressa. Detalhe: este é o terceiro ano que publicamos a mídia dos filmes no catálogo. Para nós da Mostra, que recebe cada vez mais inscrições em suporte digital, o que vale é uma boa idéia e não os recursos com que eles foram finalizados.
Como foi dito acima, o público está sendo informado. Neste caso, escapou do controle da produção da Mostra. O importante, repetimos, é que o filme está em nossa seleção, o que deixou muita gente feliz. Inclusive Daniela Thomas, que adorou ter assistido no sábado no cine Bombril.
STILL LIFE não existe em película no Brasil. A Mostra só tem a cópia em DigiBeta, uma das mídias mais utilizadas que existe em digital. O que ocorreu foi que o técnico da Rain, que cuida das projeções digitais na Mostra, errou a janela para projetar o filme. Erro humano.
Escrito por Leonardo Cruz às 1h13 PM
Uma bela surpresa italiana
O italiano Kim Rossi Stuart consolidou sua fama internacional como ator em 2004 com uma comovente interpretação em "As Chaves de Casa", de Gianni Amelio. Sua atuação como o pai de um garoto com paralisia cerebral lhe rendeu um prêmio no Festival de Veneza e pavimentou o caminho para sua estréia como diretor.
"Anche Libero Va Bene", o primeiro filme de Rossi Stuart, foi bem-recebido neste ano em Cannes, onde ganhou um prêmio paralelo. Agradou também ao público da Mostra de SP e entrou na lista dos mais bem votados do festival. Os aplausos de Cannes e de SP são merecidos; Rossi Stuart conduz com delicadeza a história do esfacelamento de uma família de classe média italiana.
O próprio diretor interpreta Renato, o pai, homem intempestivo, debilitado pelos constantes sumiços da mulher e que atravessa os dias escorado na força moral de seu casal de filhos, Viola e o caçula Tommazo. Toda a narrativa é apresentada pela ótica do mais novo, o que faz com que, em certa medida, "Anche Libero" dialogue com o também belo "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger.
A narrativa sob perspectiva infantil garante ao filme de Rossi Stuart uma outra dimensão, além do mero drama familiar. Entre a infância e a pré-adolecência, Tommazo começa a descobrir o mundo, o amor, as mulheres e as decepções. As cenas em que o garoto sobe ao telhado de um prédio vizinho ao seu para observar a rua simbolizam essa curiosidade, a busca pelo novo.
A ânsia por descobertas de Tommazo acabará por se chocar com os dilemas de sua família. É nesse confronto em que a dramaticidade cresce, e "Anche Libero Va Bene" se confirma como um bom filme de estréia e uma bela surpresa italiana.
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A Ilustrada desta terça publica interessante entrevista com Kim Rossi Stuart, feita pela repórter Silvana Arantes. Leia aqui (apenas assinantes Folha ou UOL).
"Anche Libero Va Bene" tem pelo menos mais duas sessões na Mostra, nesta terça e nesta quarta (programação aqui). Mas, como entrou entre os favoritos do público, pode aparecer nas sessões da repescagem do final de semana. Fique atento.
Escrito por Leonardo Cruz às 1h00 PM
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PERFIL
O blog "Ilustrada no Cinema" apresenta uma extensão da cobertura de cinema publicada diariamente no caderno cultural da Folha, um espaço para notícias, curiosidades, críticas e análises sobre o mundo cinematográfico. É coordenado pelos editores-assistentes da Ilustrada, Leonardo Cruz e Bruno Yutaka Saito, e tem como colunistas fixos os críticos Cássio Starling Carlos e Sérgio Rizzo. O blog também abre espaço para colaborações de toda a equipe do caderno.
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